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Manteiga de leite de búfala ganha os atrativos de corantes naturais da Amazônia – Agência Pará

Foto: Nailana Thiely / Ascom Uepa
Foto: Nailana Thiely / Ascom Uepa

Nas últimas décadas, devido às críticas dos consumidores e controle por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), houve restrições ao uso de corantes artificiais, sintetizados por derivados do petróleo ou alcatrão de carvão, nos alimentos. As substâncias deixam a alimentação visualmente atrativa, porém os efeitos no organismo são danosos. Indispensável no pão com café, em receitas de bolo e até na fritura, a manteiga industrializada figura entre os alimentos acrescidos de corantes.  

Em Salvaterra, município do Arquipélago do Marajó, a manteiga industrial é substituída pela artesanal, sem aditivos químicos. Concluintes do curso de Tecnologia de Alimentos da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Camila Pother Pereira, 26 anos, e  Mylla Christy Dufossé,  25 anosdecidiram transformar a manteiga branca proveniente do leite de búfala, de consistência cremosa e levemente salgada, em um produto com tons de amarelo alaranjado, a partir do acréscimo de corantes naturais, extraídos dos óleos de polpas e sementes de buriti, tucumã, inajá e piquiá.

Além de inovar no sabor, cor, textura e aroma, a manteiga artesanal acrescida de espécies frutíferas amazônicas é antioxidante, anti-inflamatória e rica em vitamina A e betacaroteno. “Aparentemente, ninguém dizia que era manteiga, por ser branca, e sim gordura vegetal. Quisemos agregar valor ao dar cor, para que os trabalhadores do Marajó consigam competir no mercado”, informa Mylla Christy.

Processo artesanal – As tecnólogas em alimentos adquiriram o creme do leite de búfala e produziram a manteiga. No Laboratório de Alimentos da Uepa, elas bateram o creme no liquidificador, separaram o soro, acrescentaram água para retirar as impurezas da gordura e deixaram a mistura descansar na geladeira.

Os frutos de buriti, inajá, piquiá e tucumã foram coletados em Salvaterra. Após a seleção, foram lavados, cortados em pequenos pedaços, colocados na estufa e, depois, secados no micro-ondas para prensagem manual. A partir desse processo foram extraídos os óleos de cada frutífera e misturados com a manteiga. O trabalho de extração contou com o apoio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).

Cerca de 40 pessoas, entre homens e mulheres, jovens e adultos, foram convidados a avaliar o aroma, sabor, aparência, consistência, cor, teor de sal e intenção de compra. Em todos os quesitos, as manteigas amazônicas agradaram os paladares dos provadores. No geral, a manteiga com óleo de piquiá foi a que teve maior aceitabilidade no sabor, aparência e teor de sal. Nos quesitos aroma, cor e consistência, a de tucumã teve maior aceitabilidade. Os demais óleos receberam avaliações nota 8, que significa gostei muito, e nota 7, gostei moderadamente.   

Segundo Camila Pother, a cor ainda é fator importante para a compra da manteiga. “Geralmente as pessoas comem primeiro com os olhos. Depois vêm o cheiro e o paladar. A manteiga que vende no comércio tem a cor amarela. Para quem está acostumado com esse padrão, ver uma branca, estranha. Essa manteiga, além de ser armazenada em temperatura ambiente, possui durabilidade na prateleira maior se comparada à manteiga tradicional, pois tem betacaroteno, vitamina A e dá maior valor nutritivo”, destaca a pesquisadora.

Benefícios dos frutos:

Foto: Nailana Thiely / Ascom Uepa
Foto: Nailana Thiely / Ascom Uepa

Buriti: Tem elevado conteúdo de lipídios na polpa, ácidos graxos, grande quantidade de ácido oleico e palmítico. O óleo da polpa do buriti pode ser utilizado para fabricar protetor solar, pois absorve as radiações eletromagnéticas.

Inajá: É fonte de fósforo, magnésio e lipídeos, e ácidos oleico, palmítico, mirístico e linoleico. O óleo do fruto de inajá apresenta ácidos graxos essenciais, que se destacam por sua relevância de caráter nutricional.

Tucumã: É fonte de betacaroteno. O ácido oleico é o principal ácido graxo presente no óleo retirado da polpa, rica em caroteno, vitamina A, proteínas, carboidratos, minerais e fibras.

Piquiá: Apresenta alto teor de pigmentos (carotenóides) de cor vermelha, alaranjada e amarela, encontradas nas células dos vegetais. O fruto, ao ser consumido pelo ser humano, ajuda na prevenção de doenças como o câncer. O óleo de piquiá conserva uma boa quantidade dos carotenóides presentes na polpa do fruto após o processo de extração.

Importância da manteiga:

– Alimento altamente energético,

– Traz benefícios ao fígado.

– É rica em ácidos gordos diretamente metabolizados.

– Rica em vitamina A.

– Gordura de fácil digestão devido à natureza dos ácidos graxos.

Gordura: É o principal componente da manteiga, que na composição contém água, proteínas, vitaminas, ácidos, lactose e cinzas, tornando-a um produto de alto valor nutritivo.

Corantes naturais: Além de atribuir cor aos alimentos, possuem propriedades benéficas à saúde, devido às características funcionais. Por exemplo, têm ação antioxidante e anti-inflamatória. Com isso, a utilização torna-se conveniente e interessante, pois além de melhorar a aparência dos alimentos, os corantes naturais podem ajudar a manter a saúde. (Fonte: “Extração de óleos vegetais de frutíferas amazônicas para enriquecimento sensorial e nutricional de manteiga de búfala” – Trabalho de Conclusão de Curso – TCC – de Camila Pother e Mylla Christy).

Por Renata Paes

Fonte: Agência Pará

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Pecuária

Pecuária pode frear o aquecimento global, aponta pesquisa – Gazeta do Povo

O Agronegócio Gazeta do Povo conversou com o matemático Rafael de Oliveira Silva, da Universidade de Edimburgo, na Escócia; ele é autor de um estudo inovador, que mostra que o aumento do consumo de carne pode reduzir o efeito estufa

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Hugo Harada/Agência de Notícias Gazeta do Povo

Foi a partir dos números que o homem passou a entender melhor o mundo. E é neles, também, que pode estar a chave para resolver a aparente dicotomia entre preservação ambiental e segurança alimentar. Até 2050, a população mundial vai aumentar quase 30% e a demanda por carne deve dobrar, segundo a ONU, o que liga o alerta para os riscos do efeito estufa. A pecuária ainda é vista, muitas vezes, como a vilã do aquecimento global.

Matemático por formação, foi no agronegócio que o pesquisador Rafael de Oliveira Silva conseguiu unir o gosto pelos números às reflexões que o deixavam inquieto. “A matemática se aplica a todas as áreas do conhecimento, mas os problemas ambientais associados à produção de alimentos chamavam muito a minha atenção”, afirma.

Rafael, que tem 34 anos, está há três na Escócia, onde faz o doutorado. Neste período, desenvolveu uma pesquisa inovadora sobre a produção de carne e o efeito estufa. Em entrevista exclusiva ao Agronegócio Gazeta do Povo, ele explicou como a ciência está mudando a cara da pecuária.

Como foi esse trabalho de pesquisa?

rafael-oliveira-640x427-kyn-id000002-1024x683agro-webRafael Silva: Usamos a inovadora “Avaliação de Ciclo Vida Consequencial”. Todas as emissões de gases do efeito estufa foram consideradas: dos animais até os combustíveis utilizados pelo transporte na fazenda. Já o termo “consequencial” significa que a nossa metodologia é capaz de estimar os efeitos da demanda nas emissões por quilograma de carne, por meio de um detalhado modelo matemático. O grande diferencial é estimar a variação no sequestro de carbono pelas pastagens em função do manejo. Esse sequestro nada mais é do que o acúmulo de material orgânico (carbono) no solo, não acessível, portanto, aos animais.

É possível produzir mais carne sem desmatar ou aquecer o planeta?

RS: É possível produzir muito mais sem desmatar. O fato é que a produtividade atual está muito abaixo da capacidade. Outros estudos nossos mostram que sistemas mais intensivos são mais lucrativos que os extensivos, em que as pastagens são raramente manejadas. Obviamente, aumentar a produção aumenta também o rebanho e as emissões de metano, que é o grande vilão (ele responde por até 90% da pegada de carbono de carne bovina no Brasil). A chave pra entender o nosso resultado é que este aumento é compensado pelo ganho em sequestro de carbono no solo. E embora exista a má fama da pecuária, dados empíricos (ONU/FAO e IBGE, por exemplo) mostram que as áreas de pastagem no Brasil não aumentam desde 2005, ao mesmo tempo em que a demanda cresce. Isso deve a ganhos em produtividade nos últimos anos.

De que modo a demanda pode atuar no meio ambiente?

RS: É preciso deixar claro que não estamos propondo o aumento da demanda como uma política pública para mitigar o aquecimento global. Influenciar as pessoas a comer mais ou menos carne não é realista em muitos lugares e não existem evidências de que isso tenha funcionado em qualquer lugar do mundo. A demanda só é benéfica em algumas condições, ela não pode impulsionar a abertura de novas áreas e, no caso de sistemas baseados em pastagens (no Brasil, 90% dos animais só comem no pasto até o abate), a maneira de intensificar é recuperando pastos degradados, o que aumenta o sequestro de carbono. Ou seja, a demanda serve como incentivo à recuperação de pastagens.

Quão eficiente a recuperação de pastagens pode ser em relação a outras tecnologias?

RS: No caso do Brasil, é a tecnologia mais promissora e com melhor custo benefício para redução do efeito estufa na pecuária. Existem outras, como a terminação em confinamento e a suplementação, que reduzem o tempo de abate. O cenário ideal é uma combinação entre elas. Num estudo que publicamos em 2014, mostramos que a recuperação de pastagens aliada à suplementação proteica e energética reduzia emissões e aumentava a lucratividade.

Por Flávio Bernardes

Fonte: Gazeta do Povo

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Fatos e Acontecimentos

Brasil possui 20% da biodiversidade mundial mas consome alimentos de outros países – Embrapa

O Brasil detém 20% de toda a biodiversidade mundial, mas a maioria dos alimentos consumidos internamente é de origem exótica, ou seja, originária de outros países. Nativos do Brasil e presentes na alimentação dos brasileiros estão poucos produtos, como a mandioca, o amendoim, a castanha do Brasil e o açaí, entre outros. Outro dado preocupante é que, desde 1900, 75% da diversidade genética de plantas já foi perdida. “A utilização de espécies nativas é muito pequena, o que significa que a possibilidade de crescimento desse mercado é enorme”, afirmou a analista ambiental da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Camila Oliveira. Esse é um dos objetivos do workshop “Nichos de Mercado para o Setor Agroindustrial – Espécies nativas do Brasil: conhecimentos, tecnologias e negócios”, que acontece hoje (21) e amanhã (22) em Campinas – SP.

Foto: Irene Santana
Foto: Irene Santana

O evento tem como objetivo promover a articulação e interação entre instituições e empresas relacionadas com o setor agroindustrial de espécies nativas brasileiras. Um dos gargalos para que essa interação aconteça é, de acordo com o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Aldicir Scariot, a escassez de soluções tecnológicas destinadas ao setor agroextrativista, como máquinas e equipamentos para a extração de frutas e óleos de espécies nativas.

Resolver este gargalo é um dos objetivos do Projeto Bem Diverso, que nasceu fruto de uma parceria entre a Embrapa e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). O projeto apóia-se em dois pilares: contribuir para a conservação da biodiversidade por meio do uso sustentável e a criar subsídios para a formulação de políticas públicas.

“Queremos contribuir com o mercado capacitando os produtores e assegurando a qualidade dos produtos da biodiversidade”, afirmou Scariot, que é líder do projeto. Além de contribuir com a melhoria da qualidade dos produtos que serão ofertados ao mercado, o projeto também visa valorizar a cultura e os meios de vida do homem do campo através da melhoria da renda dos agroextrativistas e manutenção das economias locais. “Estamos perdendo espécies e a oportunidade de melhorar a alimentação e assegurar renda para o nosso povo”, finalizou.

Uso da biodiversidade é estratégia de conservação

O novo conceito de preservação da biodiversidade passa pela consciência de que a conservar não é evitar o uso, mas fazer o uso sustentável das espécies. Essa é a opinião do Diretor do Departamento de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente, Rafael de Sá Marques, que proferiu a palestra “Acesso ao patrimônio genético brasileiro: aspectos regulatórios”.

Segundo Rafael, a nova Lei da Biodiversidade facilitou o acesso dos pesquisadores e do próprio mercado à biodiversidade brasileira. Ele lembrou que alguns setores da economia que fazem uso da biodiversidade, como o de cosméticos, têm crescido mesmo em tempos de crise econômica. “O Brasil ainda tem isso pouco explorado”, afirmou.

O Gerente-geral da Embrapa Produtos e Mercado, Frederico Durães, enfatizou que o objetivo do evento é fazer a mediação possível para que o uso da biodiversidade brasileira seja um tema “portador de futuro”. “A Embrapa tem a responsabilidade de oferecer subsídios para políticas públicas e para o mercado com base em dados e evidências científicas. O mercado de nichos é bilionário”, disse.

A programação do workshop “Nichos de Mercado para o Setor Agroindustrial – Espécies nativas do Brasil: conhecimentos, tecnologias e negócios” conta com palestras, estudos de caso e debates sobre políticas públicas, aspectos regulatórios e de alimentação e nutrição, agroextrativismo, alimentos dos biomas brasileiros e cosméticos e fragrâncias. O evento acontece hoje (21) e amanhã (22) na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, em Campinas – SP.

Irene Santana (MTb 11.354/DF)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
irene.santana@embrapa.br

Fonte: Embrapa

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Agronotícias

AMAZONAS: Subvenção federal contempla extrativistas com R$ 272,5 mil – Conab

Mais de 200 extrativistas do Amazonas receberam R$ 272,5 mil da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nos meses de julho e agosto, por meio da Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio).

conabOs recursos referem-se ao pagamento da subvenção Direta ao Produtor Extrativista (SDPE) pela comercialização da safra 2015/2016. A ação, executada pela Superintendência Regional da Conab no Amazonas, assegurou renda a 205 produtores que comercializaram borracha (88 toneladas), açaí (65 t), amêndoa de cacau (2,5 t) e amêndoa de andiroba (3 t) a preços abaixo do mínimo fixado pelo governo federal.

Foram beneficiados extrativistas individuais e vinculados às seguintes associações: Associação dos Produtores Agroextrativistas de Canutama (ASPAC), Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Município de Pauini (ATRAMP), Associação de Moradores Agroextrativistas da Comunidade de Centenário (APBU) e Associação dos Seringueiros e Extrativistas dos Vales Purus e Acre (ASSEPAC), localizadas em Canutama, Pauini, Humaitá, Boca do Acre, respectivamente.

PGPM-Bio garante preço mínimo para 15 produtos da sociobiodiversidade. Os produtores recebem uma subvenção direta quando comprovam a venda do produto extrativo por preço inferior ao mínimo fixado pelo governo federal. No Amazonas, a política contempla açaí, andiroba, borracha extrativa, cacau extrativo, castanha do Brasil e piaçava.

A política assegura renda às populações que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição. Simultaneamente, fomenta a proteção ao meio ambiente.

Fonte: Conab

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Agricultura

Consórcio Antiferrugem identifica ferrugem em soja “guaxa” em três estados – Embrapa

Com o término do vazio sanitário no dia 15 de setembro, nos estado do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul, do Paraná, de São Paulo, de Rondônia e parte do Pará, está autorizado o início da semeadura da safra de soja. Para prever cenários de antecipação da ferrugem da soja durante a safra 2016/2017, os membros do Consórcio Antiferrugem estão monitorando as áreas e acabam de fazer os primeiros registros da ocorrência de ferrugem-asiática em soja voluntária ou “guaxa” (planta que nasce espontaneamente nas lavouras ou estradas). Após 15 de setembro foram relatadas 25 ocorrências: 8 no Paraná, 16 em São Paulo e uma em Mato Grosso.
 
Foto: Claudia Godoy
Foto: Claudia Godoy

As chuvas recentes nas regiões de Primavera do Leste e Campo Verde (Mato Grosso), a presença de plantas “guaxas” de soja e a existência de esporos do fungo causador da ferrugem-asiática na região favoreceram o surgimento da doença no fim do vazio sanitário. A identificação foi feita em Primavera do Leste, no dia 16 de setembro, pelo engenheiro agrônomo do Ministério da Agricultura, Wanderlei Dias Guerra.

 
No Paraná e São Paulo os relatos de ferrugem em soja guaxa foram feitos pela Fundação ABC. Segundo o técnico Alan Cordeiro Vaz, 65% dos pontos monitorados tinham a doença, enquanto que, na safra 2015/2016, 100% dos pontos apresentavam ferrugem. “A situação atual é melhor do que a enfrentada no mesmo período da safra passada, principalmente devido ao inverno típico, mas a regularidade de chuvas recente possibilitou a germinação de soja guaxa”, relata Vaz. 
 
O relato precoce da ferrugem em plantas “guaxas” reforça a necessidade de monitoramento da doença. Mesmo assim, os pesquisadores da Embrapa não recomendam a antecipação das pulverizações com fungicidas. “Não há necessidade de fazer aplicações agora, porque o inóculo da ferrugem ainda é baixo, mas o alerta serve para informar que a ferrugem está presente e, mais do que nunca, é necessário o monitoramento constante”, ressalta a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja.
 
Segundo ela, com o final do vazio sanitário e o início da semeadura da soja nas principais regiões produtoras, os agricultores precisam manejar adequadamente a ferrugem-asiática da soja, a mais severa doença da cultura. A infecção é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi que provoca desfolha precoce, compromete a formação, o desenvolvimento de vagens e o peso final do grão.  De acordo com dados do Consórcio Antiferrugem, o custo-ferrugem (gasto com fungicidas para controle + perdas de produção) médio é de US$ 2 bilhões por safra no Brasil.
 
 “Por isso, é imprescindível que os produtores façam o monitoramento das lavouras (desde o período vegetativo) para identificarem precocemente a presença de sintomas de ferrugem e tomarem as medidas de manejo adequadas”, alerta a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja. 
 
Controle químico – Quando o uso de produtos químicos for necessário, Godoy orienta os produtores a usarem fungicidas eficientes nas doses recomendadas pelos fabricantes.  “Além disso, é muito importante que os agricultores optem por produtos formulados em misturas com diferentes modos de ação e que façam a rotação dos fungicidas para atrasar o aparecimento de populações menos sensíveis/ resistentes do fungo”, diz
Atualmente já foram relatadas populações menos sensíveis a dois grupos de fungicidas sítio-específicos – os inibidores da desmetilação (IDM ou triazóis) e os inibidores de quinona externa (IQo ou estrobilurinas). “Somente os inibidores da succinato desidrogenase (carboxamidas) ainda não tiveram redução de eficiência. É preciso atrasar o aparecimento de populações menos sensíveis a esse modo de ação para preservar os produtos disponíveis no mercado”, explica Godoy.
 
Informações sobre eficiência de fungicidas podem ser encontradas no site da Embrapa Soja. https://www.embrapa.br/soja/publicacoes/doencas 
Relatos de ocorrência de ferrugem na safra podem ser informados no endereço: cnpso.caf@embrapa.br
 
 

Lebna Landgraf (MTb 2903-PR)
Embrapa Soja

Fonte: Embrapa

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Fatos e Acontecimentos

Embrapa impediu a entrada de mais de 70 espécies de pragas agrícolas no Brasil – Embrapa

Estudo realizado por pesquisadores da Embrapa concluiu que de 1977 até 2013, as ações de quarentena desenvolvidas pela Empresa impediram a entrada de 75 diferentes espécies de pragas agrícolas no Brasil. De 2014 a 2016, mais quatro espécies foram barradas. Todas essas pragas, que incluem insetos, ácaros, nematoides, fungos, vírus e bactérias, possuem um predicado em comum: são exóticas. Isso significa que não existem no País e, por isso, não há formas conhecidas para combatê-las.

Foto: Claudio Bezerra
Foto: Claudio Bezerra

Para se ter uma ideia, a entrada de apenas uma praga exótica  no início dos anos 2000, a lagarta Helicoverpa armigera, causou danos de cerca de 1,7 bilhão de dólares aos cofres nacionais. Se multiplicarmos esse valor pelo número de pragas interceptadas, é possível estimar que o trabalho de quarentena desenvolvido pela Embrapa poupou centenas de bilhões de dólares à economia do País.

O estudo aponta ainda outro dado relevante e inédito: as pragas exóticas retidas não estão relacionadas ao país de origem, mas sim à parte da planta em que são identificadas. Segundo o pesquisador Marcelo Lopes, autor do artigo resultante desse estudo publicado na revista Pesquisa Agropecuária Brasileira (PAB), a incidência de pragas interceptadas em oliveira, lírio, maçã e videira foi 21 vezes maior do que em milho, trigo, arroz e algodão. O que as difere é a forma de importação do material vegetal, já que as quatro primeiras são intercambiadas por propagação vegetativa, ou seja, na forma de mudas e estacas, enquanto as quatro últimas são enviadas por sementes.

“O fato de que o milho, o trigo, o arroz e o algodão são as espécies com maior volume de importação – o milho ocupa o primeiro lugar com 755 importações – e, mesmo assim, apresentam baixo índice de contaminação por pragas – de 0,4 a 3% – corrobora a associação entre a contaminação e a parte da planta intercambiada. O importante é que esse levantamento leva à recomendação de que o envio de sementes é uma forma segura de intercâmbio internacional de culturas agrícolas”, ressalta o pesquisador.

A equipe envolvida no estudo, que inclui, além de Lopes, os pesquisadores Norton Benito, Márcio Sanches, Denise Návia, Vilmar Gonzaga, Marta Mendes, Olinda Martins e Arailde Urben (Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, DF) e Abi Marques e Fernanda Fernandes (Embrapa Quarentena Vegetal, DF), vai repassar essa e outras informações decorrentes do estudo ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) durante o seminário “Ciência & Tecnologia no enfrentamento de ameaças sanitárias à agropecuária brasileira”, que será promovido pela Embrapa ainda neste ano.

Pragas não listadas

Outro dado muito importante revelado pelo estudo é a alta quantidade de pragas ausentes não regulamentadas (ANR) detectada no material vegetal avaliado. Trata-se de pragas que não existem no Brasil e que não estão incluídas na lista de espécies de importância quarentenária elaborada pelo Mapa. Segundo Lopes, 47 espécies, ou seja, mais da metade das pragas interceptadas pela Embrapa, pertencem à categoria de ausentes não regulamentadas. “Essa predominância constitui uma informação importante para o sistema de defesa vegetal no Brasil”, enfatiza o pesquisador, já que não possuem o status de quarentenárias, ou seja, não constam da lista do Mapa, e, por isso, podem escapar das barreiras sanitárias.

Para concluir que a praga é realmente exótica no Brasil, são feitos exaustivos testes pela equipe da Estação Quarentenária de Plantas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, que é a instituição oficialmente designada pelo Mapa para proceder a quarentena de todas as plantas que entram no Brasil para fins de pesquisa. A análise envolve procedimentos laboratoriais para verificar se o material vegetal está contaminado por insetos ou microrganismos. Se as pragas detectadas existirem no Brasil, as plantas são tratadas e liberadas. Se forem exóticas, o material é incinerado.

Segundo o pesquisador, a informação sobre a alta incidência de ANRs também será informada ao Ministério. “Esperamos que esse estudo possa resultar na incorporação dessas espécies à lista de pragas quarentenárias, a exemplo do que já aconteceu em outros países da Europa, por exemplo”, afirma. O status de quarentenária é extremamente importante porque funciona como um alerta para evitar a entrada da praga. “As pragas que não estão presentes nessa lista, mas não existem no País nos tornam vulneráveis. Por isso, vamos informá-las ao Mapa para que sejam alvo de estudos para futuras regulamentações”, complementa Lopes.

Ele acredita que os resultados gerados pelo estudo podem ser utilizados como padrões referenciais para o funcionamento de estações quarentenárias no Brasil. “Como não há informações sobre taxas de interceptações disponíveis na literatura, as estatísticas geradas pelo trabalho podem contribuir para a gestão de riscos nessas estações”, constata. O estudo oferece ainda informações sobre as pragas mais frequentemente encontradas nas plantas intercambiadas que são os fungos, seguidos por vírus, ácaros e nematoides.

Quarentena: questão de segurança nacional

O intercâmbio de material vegetal entre os países é uma atividade imprescindível ao enriquecimento do patrimônio genético e para a geração de novas variedades agrícolas. No Brasil, cerca de 80% dos alimentos consumidos têm origem exótica. Um dos piores problemas enfrentados pela agricultura é a ocorrência de organismos nocivos que levam à redução da produção de alimentos, fibras e bioenergia. Esses organismos se enquadram no conceito de praga.

A quarentena de plantas abrange ações voltadas a prevenir a introdução e disseminação de pragas agrícolas e, por isso, é prioridade para a Embrapa desde a sua criação na década de 1970. A atividade começou com a criação da Estação Quarentenária na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia em 1977. Ao longo de mais de três décadas, com o crescimento do comércio internacional e do fluxo de turistas, as atividades de quarentena se intensificaram, levando a Empresa a criar, em 2014, uma nova Unidade exclusivamente voltada às atividades: a Embrapa Quarentena Vegetal. O objetivo é modernizar a análise das sementes e outros materiais de propagação que são introduzidos no País ou intercambiados com outras instituições de pesquisa.

O artigo “Interceptações de pragas quarentenárias e ausentes não regulamentadas em material vegetal importado” faz parte de uma edição especial temática da revista PAB sobre pesquisa, desenvolvimento e inovações em face de ameaças sanitárias para a agropecuária. A versão na íntegra está disponível na versão digital da publicação no link.
 

Fernanda Diniz (MTb 4685/89/DF)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia

Fonte: Embrapa

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Agro Culturas

Governo do Pará firma pacto pela cacauicultura livre de desmatamento – Agência Pará

cacauO Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento da Agricultura e Pesca (Sedap), e em conjunto com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e a ONG ambientalista global The Nature Conservancy (TNC), vai desenvolver ações para assegurar a expansão da cacauicultura paraense de forma livre de desmantamento.

O chamado “Pacto Cacau Floresta” será assinado durante a reunião da Câmara Setorial Nacional e Estadual da Cacauicultura, marcada para esta sexta-feira (23), em Belém. A reunião da Câmara é um dos eventos técnicos paralelos ao IV Festival Internacional do Cacau e Chocolate da Amazônia e XVI Flor Pará, que ocorrem no período de 22 a 25 de setembro, no Hangar Centro de Convenções.

Com o pacto, o governo deixa claro que tem como prioridade o desenvolvimento sustentável do Pará, aliando desenvolvimento econômico ao benefício social com respeito ambiental. Entre os compromissos assumidos com o pacto está a promoção do plantio de cacau em sistemas agroflorestais e garantia da melhoria da qualidade de vida dos agricultores familiares nos municípios de São Felix do Xingu, Tucumã e Ourilândia do Norte. A região foi escolhida por ser um importante polo produtor de cacau do Estado do Pará e, ao mesmo tempo, vir sofrendo elevada pressão de desmatamento e degradação de áreas produtivas junto à agricultura familiar.

As metas estabelecidas no pacto para serem atingidas até 2020 nos municípios de São Félix do Xingu, Tucumã e Ourilândia do Norte são: implantar pelo menos cinco mil hectares de cacau livre de desmatamento, em sistemas agroflorestais em áreas já consolidadas pela agropecuária, incluir pelo menos mil famílias com novos plantios de cacau, restaurar 200 hectares de áreas de preservação permanente (matas ciliares e nascentes), capacitar técnicos agropecuários em boas práticas produtivas, implantar pelo menos 20 unidades familiares de referência de produção de cacau e implantar uma plataforma online com informações sobre a produção, produtividade, previsão de safra e economia do cacau em sistemas agroflorestais.

Por Simone Romero

Fonte: Agência Pará

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Agroeconomia

Soja intensifica altas em Chicago com chuvas nos EUA e leva vencimento maio/17 aos US$ 10 – Notícias Agrícolas

A recuperação dos preços continua na Bolsa de Chicago durante a sessão da terça-feira (20). Os futuros da oleaginosa, por volta de 12h30 (horário de Brasília), registravam altas de mais de 18 pontos entre os principais vencimentos, levando o maio/17, referência para a nova safra do Brasil, a US$ 10,03 por bushel. Na máxima do dia, a posição já bateu nos US$ 10,06. O novembro/16, que segue como o contrato mais negociado agora e referência para a safra americana, era cotado a US$ 9,91, após encostar nos US$ 9,94 ao longo dos negócios. 

Fonte: Internet
Fonte: Internet

As condições climáticas nos Estados Unidos voltaram ao centro das atenções dos traders na CBOT, uma vez que as chuvas intensas que chegam ao Meio-Oeste americano podem trazer complicações para a colheita da soja no país. Tempestades continuam chegando ao Corn Belt, elevando os volumes acumulados, em determinadas regiões, a algo próximo de 180 mm nos próximos sete dias, segundo informações do NOAA, o serviço oficial de clima dos EUA. Mapas climáticos para os próximos 6 a 10 e 8 a 14 dias mostram a manutenção do padrão ainda bastante úmido. 

A colheita da soja nos Estados Unidos já foi iniciada em alguns pontos do país e, de acordo com os últimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) já foi concluída em 4% da área até o domingo, 18, contra 6% do mesmo período do ano passado e 5% de média dos últimos cinco anos. O reporte mostrou ainda que 73% das plantações estão em boas ou excelentes condições e o índice das que estão derrubando suas folhas subiu de 26% para 46%.  

“As condições da soja estão estáveis, porém pode haver algum dano caso as chuvas continuem chegando ao Corn Belt. Ao continuarem, o próximo boletim semanal de acompanhamento de safras pode mostrar uma piora nas condições das lavouras”, disse, em entrevista à Reuters Internacional, o analista de mercado Kaname Gokon da corretora japonesa Okato Shoji. 

Ainda no quadro climático, especulações sobre a nova safra do Brasil. Chegam a Chicago as especulações sobre as impossibilidades de se iniciar, neste momento, o plantio da soja em determinadas áreas em função, principalmente, pela falta de índices de umidade suficientes.  

No paralelo, a demanda volta à cena nesta terça-feira, com a compra pela China de 110 mil toneladas de soja da safra 2016/17 dos EUA. O movimento confirma as expectativas de traders e analistas internacionais de que nação asiática, após seu feriado do Festival de Outono, voltaria a atuar nas compras, dando suporte aos preços. 

Por: Carla Mendes

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