Brasil possui 20% da biodiversidade mundial mas consome alimentos de outros países – Embrapa

O Brasil detém 20% de toda a biodiversidade mundial, mas a maioria dos alimentos consumidos internamente é de origem exótica, ou seja, originária de outros países. Nativos do Brasil e presentes na alimentação dos brasileiros estão poucos produtos, como a mandioca, o amendoim, a castanha do Brasil e o açaí, entre outros. Outro dado preocupante é que, desde 1900, 75% da diversidade genética de plantas já foi perdida. “A utilização de espécies nativas é muito pequena, o que significa que a possibilidade de crescimento desse mercado é enorme”, afirmou a analista ambiental da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Camila Oliveira. Esse é um dos objetivos do workshop “Nichos de Mercado para o Setor Agroindustrial – Espécies nativas do Brasil: conhecimentos, tecnologias e negócios”, que acontece hoje (21) e amanhã (22) em Campinas – SP.

Foto: Irene Santana

Foto: Irene Santana

O evento tem como objetivo promover a articulação e interação entre instituições e empresas relacionadas com o setor agroindustrial de espécies nativas brasileiras. Um dos gargalos para que essa interação aconteça é, de acordo com o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Aldicir Scariot, a escassez de soluções tecnológicas destinadas ao setor agroextrativista, como máquinas e equipamentos para a extração de frutas e óleos de espécies nativas.

Resolver este gargalo é um dos objetivos do Projeto Bem Diverso, que nasceu fruto de uma parceria entre a Embrapa e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). O projeto apóia-se em dois pilares: contribuir para a conservação da biodiversidade por meio do uso sustentável e a criar subsídios para a formulação de políticas públicas.

“Queremos contribuir com o mercado capacitando os produtores e assegurando a qualidade dos produtos da biodiversidade”, afirmou Scariot, que é líder do projeto. Além de contribuir com a melhoria da qualidade dos produtos que serão ofertados ao mercado, o projeto também visa valorizar a cultura e os meios de vida do homem do campo através da melhoria da renda dos agroextrativistas e manutenção das economias locais. “Estamos perdendo espécies e a oportunidade de melhorar a alimentação e assegurar renda para o nosso povo”, finalizou.

Uso da biodiversidade é estratégia de conservação

O novo conceito de preservação da biodiversidade passa pela consciência de que a conservar não é evitar o uso, mas fazer o uso sustentável das espécies. Essa é a opinião do Diretor do Departamento de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente, Rafael de Sá Marques, que proferiu a palestra “Acesso ao patrimônio genético brasileiro: aspectos regulatórios”.

Segundo Rafael, a nova Lei da Biodiversidade facilitou o acesso dos pesquisadores e do próprio mercado à biodiversidade brasileira. Ele lembrou que alguns setores da economia que fazem uso da biodiversidade, como o de cosméticos, têm crescido mesmo em tempos de crise econômica. “O Brasil ainda tem isso pouco explorado”, afirmou.

O Gerente-geral da Embrapa Produtos e Mercado, Frederico Durães, enfatizou que o objetivo do evento é fazer a mediação possível para que o uso da biodiversidade brasileira seja um tema “portador de futuro”. “A Embrapa tem a responsabilidade de oferecer subsídios para políticas públicas e para o mercado com base em dados e evidências científicas. O mercado de nichos é bilionário”, disse.

A programação do workshop “Nichos de Mercado para o Setor Agroindustrial – Espécies nativas do Brasil: conhecimentos, tecnologias e negócios” conta com palestras, estudos de caso e debates sobre políticas públicas, aspectos regulatórios e de alimentação e nutrição, agroextrativismo, alimentos dos biomas brasileiros e cosméticos e fragrâncias. O evento acontece hoje (21) e amanhã (22) na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, em Campinas – SP.

Irene Santana (MTb 11.354/DF)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
[email protected]

Fonte: Embrapa

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