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Agricultura

Qual a importância do uso de fungicidas de amplo espectro no manejo de doenças em soja?

Na agricultura, ferramentas que apresentem alta consistência no combate às doenças são essenciais durante todas as fases do desenvolvimento da cultura, em busca de uma safra cada vez mais produtiva.
Qual a importância do uso de fungicidas de amplo espectro no manejo de doenças em soja?

Nas últimas décadas, a cultura da soja ganhou muito espaço no agronegócio, principalmente por ter cultivares adaptados às diferentes regiões em que é produzida.

Os bons números são consequência de um conjunto de ações que tem a proteção de cultivos, a exemplo do uso de fungicida para soja, como um dos fatores decisivos para a alta produtividade e rentabilidade. Sendo assim, o manejo de doenças em todo o estádio de desenvolvimento da soja é fundamental.

Por que aplicar fungicidas em soja?

Atualmente, o sojicultor conta com soluções inteligentes e integradas no mercado para auxiliar no manejo da lavoura e enfrentar os principais desafios durante todo o ciclo da cultura.

Um desses grandes desafios é a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), uma importante doença que atinge a soja e pode comprometer de forma severa a produtividade de toda a lavoura. Como forma de manejo, o uso de fungicidas para o controle do patógeno passou a ser indispensável no campo.

Por isso, ter em mãos produtos que possuem alta consistência no manejo de doenças, com amplo espectro de ação, é essencial para a obtenção de altas produtividades e garantir a sustentabilidade da sojicultura brasileira.

A importância da soja no mercado mundial

A soja é um grão que tem um excelente custo-benefício e uma grande responsabilidade na revolução alimentar mundial. Além disso, a demanda por produtos à base de soja cresce substancialmente em todo o planeta. Essa demanda favorece o mercado brasileiro e garante a presença e a comercialização para diversos outros países.

Podemos citar alguns alimentos em que a soja serve como ingrediente em sua execução, tais como:

•Óleos vegetais;

•Farelos para ração animal;

•Chocolates;

•Base para temperos;

•Massas.

Vale ressaltar que, como a soja é uma grande cultura, o desenvolvimento saudável das plantas depende de um manejo conjunto, envolvendo práticas agrícolas para uma maior proteção da lavoura, principalmente no combate a pragas e doenças.

Por isso, realizar um manejo nos estádios iniciais, contando com um fungicida de alta eficácia para o complexo de doenças em soja, permite que o produtor alcance boa produtividade, com grãos de alta qualidade, que serão comercializados tanto no mercado interno como no mercado externo.

Por: Portal do Agronegocio

 

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Agronegócio

Brasil é referência na aplicação de economia circular em embalagens de defensivos agrícolas

As embalagens de defensivos agrícolas possuem um destino ambientalmente correto no Brasil, por mérito do Sistema Campo Limpo, programa gerenciado pelo InpEV – Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, que apresenta um índice de 94% no encaminhamento sustentável das embalagens primárias comercializadas em todo território nacional. Com isso, tanto o país como o programa são considerados referências globais na aplicação dos conceitos de economia circular nesse segmento.

Conforme informações trazidas pelo engenheiro agrônomo João Cesar Rando, diretor-presidente do InpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens), durante o BW Talks Siga a Rota da Logística Reversa, desde a criação do programa, em 2002, até o ano passado, mais de 630 mil toneladas de embalagens vazias foram destinadas de forma correta. “Para este ano, devemos receber entre 53 e 54 mil toneladas”, estimou. O evento online foi promovido pelo Movimento BW, iniciativa da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), no dia 30 de setembro.

Além desse montante expressivo, o InpEV, em parceria com a Fundação Espaço Eco, realizou estudos para avaliar os impactos ambientais e econômicos do sistema, que ressaltam a importância da implementação desse programa em nível nacional, como por exemplo, a economia de energia de 36 bilhões de megajoules, valor suficiente para abastecer 5,2 milhões de casas por um ano, e a extração 20 vezes menor de recursos naturais. Em relação ao impacto nas mudanças climáticas, o sistema evitou a emissão de 823 mil toneladas de CO2eq na atmosfera, ou o equivalente à 1,8 milhão de barris de petróleo não extraídos.

De acordo com Rando, o Sistema Campo Limpo foi idealizado no conceito de logística reversa, integrando a cadeia produtiva em um objetivo comum e, ao mesmo tempo, atendendo, desde sua criação, aos critérios ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa), uma vez que trabalha conceitos de economia circular, conserva o meio ambiente e promove a geração de mais de 1000 empregos diretos. O programa está assentado em quatro pilares: legislação, integração (responsabilidade compartilhada), educação e conscientização, e gestão de processos e informações.

Atualmente, são atendidas 1,8 milhão de propriedades agrícolas que fazem o uso do defensivo agrícola, com a participação de mais de 130 fabricantes e 267 associações de cooperativas e distribuidores. O sistema conta ainda com mais de 400 unidades de recebimento das embalagens, além de promover recebimentos itinerantes para atender produtores com dificuldade de movimentação e regiões onde não existem cadeias produtivas estruturadas. “Antes da pandemia, tivemos 5 mil recebimentos itinerantes em todo país. Mesmo com as restrições da pandemia, ano passado, foram quase 4 mil”, disse Rando.

O transporte das embalagens é realizado pelo InpEV, levando esses resíduos aos recicladores e incineradores parceiros. Para manter a logística eficiente, adotou-se uma gestão de processos e informação, que orienta a tomada de decisão, tem foco na eficiência e produtividade, contribui para a redução de custo e para a captura de valor. “Todos os nossos processos são bem-organizados”, pontuou Rando, que acrescentou que foi necessário o desenvolvimento de sistemas para suportar toda a operação. Hoje, cerca de 70 caminhões trafegam pelas estradas do país diariamente com as embalagens vazias de defensivos agrícolas.

Entre as tecnologias citadas pelo CEO do InpEV está o agendamento online de devolução de embalagens vazias, que permitiu ao sistema receber informações sobre o volume de devolução dos produtores rurais, organizado de forma mais assertiva a logística. “Estamos trabalhando para implantar também um sistema de código de barras, a fim de automatizar e agilizar as informações”, comentou.

Quando as embalagens são recicladas, elas se tornam novos produtos para a construção civil, indústria automotiva, energia e indústria moveleira. Os artefatos também estão sendo transformados em novas embalagens e tampas para atender as indústrias de defensivos agrícolas. O InpEV, inclusive, montou a primeira fábrica que recicla e produz embalagens, a partir da resina plástica reciclada, com certificação das Nações Unidas.

Além de receber as embalagens, o sistema também tem atuado para receber as sobras dos defensivos agrícolas pós-consumo dos produtores rurais, regularmente fabricados e comercializados. São mais de 160 unidades para receber essas sobras e dar a destinação e tratamento ambientalmente adequados a esses resíduos.

 

Por: Noticias Agrícolas

 

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Agricultura

Milho e soja estão caros para a dieta de aves? Veja as melhores alternativas

A utilização de insumos alternativos representa uma boa estratégia para redução parcial dos percentuais de milho e de farelo de soja na alimentação das aves, especialmente em períodos de alta volatilidade do mercado, como o atual. Mas, antes de buscar opções mais baratas, os avicultores devem conhecer as características e limitações dos ingredientes disponíveis, visando sempre o melhor desempenho possível dos lotes.

Para começar, além da qualidade do alimento, é preciso levar em conta sua disponibilidade na região e os custos para a implementação na dieta.

Os ingredientes alternativos podem ser divididos em dois grupos: de origem vegetal e animal. Fica o alerta de que, sendo vegetal ou animal, é fundamental a análise de sua composição em laboratórios de qualidade. Recomendo o acompanhamento de um nutricionista, pois assim aumentam as chances de chegar a uma formulação adequada e com bom custo-benefício.

Além dos macro ingredientes, é importante também avaliar os custos relacionados aos pontos estratégicos das dietas, como inclusão de energia, proteínas, antioxidantes, aminoácidos industriais, enzimas, adsorventes de micotoxinas, emulsificantes e óleos, entre outros, que também devem ser orientados por um profissional. Afinal, o objetivo é fazer a substituição sem deixar de atender aos requerimentos nutricionais dos animais.

Estes são os principais alimentos de origem vegetal e suas características, que devem ser considerados para substituição das dietas de aves de corte e poedeiras.

Sorgo: é comparado ao milho em valor nutricional, mas sua energia é menor (3.208 x 3.380 kcal). O valor nutritivo do sorgo é de 95 a 96% do milho. Pode ser substituído de 30% a 65% nas rações de frangos e em poedeiras na fase de postura. Mas, atenção: ele altera a coloração da pele e da gema do ovo, sendo recomendável utilizar pigmentantes, especialmente em galinhas, devido ao baixo conteúdo de carotenoides e xantofilas (pigmentos naturais do milho).

Milheto: destaca-se por ser um ingrediente alternativo ao milho, pelo maior teor de proteína bruta dos grãos (13% x 8% PB) e maior concentração de aminoácidos, com destaque para lisina, metionina e treonina. No entanto, o valor de energia metabolizável é inferior ao do milho (3.168 x 3.381 kcal/kg). A utilização de milheto na postura deve ser acompanhada de pigmentante para evitar descoloração da gema de ovo. É recomendável fornecer o grão inteiro, já que ele é menor que o milho e a ração pode ficar mais fina. Em frangos a sugestão é adicionar 15% na ração inicial, 20-30% na crescimento e na final. Em galinhas poedeiras, o recomendável é incluir o mesmo que na inicial e no crescimento de frangos e 20-30% na fase de postura.

Trigo integral: alimento produzido principalmente no sul do Brasil. É usado como fonte de energia na dieta de aves. Possui o maior conteúdo proteico (de 10% a 18 % de PB) e maior digestibilidade de aminoácidos que o milho, porém fornece menos energia. O ideal é que se forneça o grão inteiro, portanto evitar moer, pois em partículas finas impacta na granulometria da ração causando baixa digestibilidade e absorção dos nutrientes. Fornecer a partir dos 10 a 14 dias de idade. Em frangos e poedeiras, é recomendável adicionar 12% na dieta inicial e 20-40% na dieta de crescimento e finalização, seguindo esta última proporção mencionada na fase de postura de poedeiras.

Soja Integral: ingrediente importante para a alimentação de aves, sendo que no processo de extrusão o incremento de temperatura e pressão é responsável pela desativação de toxinas contidas no grão sem que haja perda nutricional. No entanto, a indústria avícola tem usado a soja integral processada como substituta do farelo de soja e óleo, uma vez que possui proteínas e lipídeos de alta qualidade, tornando-a uma importante fonte proteica e energética. O tipo de processamento e a origem da soja integral podem ser responsáveis pelo conteúdo de energia metabolizável da soja, que pode variar de 3.450 a 4.273 kcal de EM/kg. Para que a soja processada proporcione desempenho semelhante às aves alimentadas com farelo de soja e óleo, o produtor deve levar em consideração o bom processamento térmico, assim os fatores antinutricionais serão reduzidos, dentre eles os inibidores de tripsinas que inibem o funcionamento das enzimas específicas para a digestão de proteínas e aminoácidos. Em adição, com o controle dos fatores antinutricionais, reduz-se a incidência de inflamação do intestino, mantendo a saúde e a resistência aos patógenos.

Farelo de amendoim: após a extração do seu óleo, o farelo de amendoim fornece 48% de proteína e 2.400 kcal de EM. Ao incluí-lo na dieta é importante adicionar aminoácidos industriais e também a enzima fitase. Devido às altas quantidades de ácido fítico, um composto torna o fósforo indisponível à absorção. Como a soja, o amendoim contém inibidores de tripsina, idealmente desativados pelo processamento por calor para extração de óleo. Por ser um legume subterrâneo, o amendoim é bastante vulnerável ao crescimento de fungos, como o Aspergillus, responsável por sérios problemas no fígado, mesmo em níveis moderados de inclusão. Portanto, seu tratamento é indispensável com adsorventes que tenham aluminossilicatos em sua composição. Estes se ligam à aflatoxina, impedindo a absorção sua absorção pela ave. Em frangos de corte e poedeiras, é recomendável colocar 3% na dieta inicial, passando para 5% na crescimento e 5% na final ou postura.

Por: Alfredo Lora Graña, consultor técnico de monogástricos da Trouw Nutrition

Gabriel Almeida – Texto Comunicação Corporativa
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Agricultura Biológicos

Uso de produtos biológicos no agronegócio é alternativa menos agressiva ao meio ambiente

Produtos biológicos são a nova aposta do agronegócio brasileiro. A prática consiste na aplicação de elementos biológicos em insumos agrícolas, o que permite melhor performance na produtividade e a diminuição de impactos ambientais. Segundo Josué Lima, coordenador de pesquisas da JCO, empresa especializada em bioprodutos, cerca de 40% dos agricultores brasileiros já aderiram a técnicas biotecnológicas em seus processos produtivos. Ele explica que o novo método potencializa a ação de agentes químicos e reduz os custos da produção. 

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), inovações biotecnológicas também favorecem os consumidores pois prometem fornecer alimentos mais saudáveis e de maior qualidade com a diminuição de resíduos químicos. Lima explica que esses ativos são de baixa toxicidade e agem sem agredir o meio ambiente, o que promove a saúde de plantas e animais e o desenvolvimento sustentável da agricultura. 

Derquian Busnello, produtor rural há oito anos na região de Paragominas, adotou recentemente o uso de produtos biológicos. Apesar de ainda estar na fase inicial do processo, ele explica que aderiu à prática por conta da crescente inclinação da área ao sustentável. “Além do uso de materiais biológicos ajudar a proteger as plantas e aumentar a produtividade de forma natural, possibilita também a vida útil das moléculas existentes por não as expor sozinhas ao controle de pragas e doenças”, declara. 

Josué Lima explica que o processo dos produtos biológicos é mais lento em relação aos agroquímicos, e essa questão depende de diversos fatores, ou seja, cada caso exige um tempo específico, ainda assim, ele afirma que o efeito residual é maior. No Pará ainda há pouca informação sobre o assunto mas a tendência é que o uso dos bioprodutos cresça nos próximos anos. Lima explica que, por desconhecimento, muitos produtores paraenses não acreditam no potencial dos produtos biológicos. “Quando falamos sobre fungos e bactérias, é comum que alguns produtores associem a doenças. Nosso trabalho é introduzir o assunto e explicar que esses microrganismos também trazem benefícios”, finaliza. 

Por Manoela Ferreira
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Pecuária

Manejo de nascimento em propriedades de cria: quais os primeiros cuidados com a vaca e o bezerro?

O chamado manejo de nascimento ou de maternidade deve ser orientado para que se garanta o bom estado nutricional do animal e a higiene do umbigo, que pode ser porta de entrada para diversas doenças.
Quais os primeiros cuidados com a vaca e o bezerro?- Fotos: Divulgação

Durante as primeiras horas de vida, os bezerros recém-nascidos precisam de uma série de cuidados, já que estão suscetíveis a infecções.  O chamado manejo de nascimento ou de maternidade deve ser orientado para que se garanta o bom estado nutricional do animal e a higiene do umbigo, que pode ser porta de entrada para diversas doenças.

O manejo de nascimento precisa ser programado desde o diagnóstico de gestação (DG). “Com essa antecedência e sabendo a época de prenhez das vacas, a equipe que faz o rodeio da vacada terá tempo para organizar e planejar os partos, tendo em vista que será necessário atender às necessidades tanto da vaca quanto do bezerro, logo após a concepção”, explica o médico-veterinário e gerente de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó, Reuel Gonçalves.

Segundo ele, o cenário ideal é que a partir do oitavo mês, as vacas já estejam no pasto maternidade, que deve ser um ambiente limpo, com área de sombreamento, água e alimento à vontade, além da disponibilidade de sal mineral. A estrutura deve ser analisada também para que não possua declive ou áreas de acúmulo de água, já que ocorre de a estação de nascimento iniciar na seca e terminar na época das águas.

Importância das rondas e importância do colostro

Dentro de todo esse processo, a rotina de vistorias é um fator de suma importância para dar continuidade no trabalho. Gonçalves enfatiza que as rondas precisam ser feitas rigorosamente e a recomendação é que sejam duas por dia: uma de manhã e outra à tarde. Isso para que o animal passe pelo processo de cura de umbigo nas primeiras horas após o nascimento. Depois do parto, as rondas podem ser espaçadas para uma vez ao dia nos primeiros 15 dias e uma vez a cada dois dias até o 30º dia para que seja verificado se há algum animal com diarreia, pneumonia ou tristeza parasitária, situações nas quais o tratamento deve ser iniciado rapidamente.

O médico-veterinário e coordenador de serviços técnicos da Biogénesis Bagó, João Paulo Mendes Lollato comenta que o manejo de maternidade é de fundamental importância dentro do processo de cria e o bezerro deve ser tratado com o maior cuidado possível.

“Os primeiros pontos são: fazer a cura do umbigo e verificar se o bezerro mamou o colostro. Além de ser a sua primeira fonte de nutrientes, a importância do colostro está ainda relacionada ao fato de as vacas não transferirem via placenta os anticorpos para os bezerros, por isso, garantir que ele tenha consumido esse primeiro leite é fundamental. Será fonte de minerais, vitaminas, imunoglobulinas e hormônios de crescimento, que farão com que o bezerro se desenvolva, além de ser a sua primeira fonte de imunidade”, explica o veterinário.

Outro manejo que pode ser iniciado é o tratamento com pasta à base de prébióticos e probióticos para auxiliar o bezerro na formação da sua flora intestinal, o que ajudará na absorção dos nutrientes. Em algumas fazendas também nessa fase são feitas as tatuagens para identificação do bezerro e o furo da orelha para que haja tempo de cicatrizar antes de o brinco ser colocado no manejo de virada do mês.

Reuel Gonçalves reforça ainda a importância de se manter um banco de colostro na fazenda para quando a vaca não produz leite, o animal tem mastite ou outro problema eventual. Ele lembra que o colostro deve ser aquecido e a recomendação é fornecer dois litros de manhã e dois à tarde, com início, preferencialmente, antes das seis horas de nascimento para que haja melhor absorção dos nutrientes do leite.

É nessa fase que também podem ser feitas as primeiras anotações zootécnicas, em que serão registrados o peso do bezerro, o nome da mãe, a raça e o sexo. São informações que servirão para que seja feito o acompanhamento da fazenda e comparar os resultados do animal, imprescindíveis para o pecuarista mensurar os seus ganhos.

Por: O presente Rural

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Curiosidades do Agro

Johanna Döbereiner descobriu que plantas podem gerar seu próprio adubo interagindo com bactérias

Técnica sustentável fez o Brasil reduzir o uso de fertilizantes químicos nas lavouras de soja, o que provocou economia US$ 2 bi por ano na cultura e ajudou a impulsionar o país como um dos maiores produtores do grão.

 

Johanna Döbereiner no laboratório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner no laboratório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). — Foto: Divulgação

Nascida em 1924 na antiga Tchecoslováquia (hoje República Tcheca e a Eslováquia), imigrou para o Brasil em 1950, em meio à instabilidade e perdas deixadas pelo fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.

Por aqui, dedicou toda a sua vida à ciência, liderando pesquisas de microbiologia do solo a partir a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), até o final de sua vida, em 2000.

Sempre com foco em sustentabilidade, em uma época em que o tema era pouco debatido, Johanna demonstrou que é possível eliminar o uso de adubos químicos poluentes e caros em culturas como a soja, aproveitando-se somente do que já existe na natureza.

Mais especificamente das Bactérias Fixadoras de Nitrogênio, que são capazes de capturar o nitrogênio do ar, um adubo natural para as plantas. Esses seres vivos, que vivem no solo, nas folhas, nos caules, foram descobertos em 1901 pelo microbiologista Martinus Beijerinck.

Johanna Döbereiner sempre focou em sustentabilidade, em uma época em que o tema era pouco debatido. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner sempre focou em sustentabilidade, em uma época em que o tema era pouco debatido. — Foto: Divulgação

Mas foram os estudos de Johanna, a partir da década de 1950, que mostraram como usar as bactérias a serviço da agricultura, já que nem todas têm capacidade de transferir o nitrogênio para as plantas, explica a agrônoma Vera Baldani, aluna, colega de trabalho e amiga muito próxima da cientista.

“A Johanna e os pesquisadores que embarcaram na ideia dela descobriram que as bactérias Rizóbio fazem uma simbiose perfeita com a soja: elas se alimentam da seiva da planta e, em troca, fornecem o nitrogênio para a soja. Uma tecnologia limpa”, conta Vera.

A técnica consiste em introduzir as bactérias nas sementes de soja, que, quando começam a germinar, produzem nódulos nas raízes da planta que funcionam como usinas para a extração de nitrogênio do ar.

A fixação biológica de nitrogênio no plantio da soja gera uma economia de US$ 2 bilhões por ano com adubos químicos, diz Embrapa. — Foto: Divulgação/Ascom Seagri
A fixação biológica de nitrogênio no plantio da soja gera uma economia de US$ 2 bilhões por ano com adubos químicos, diz Embrapa. — Foto: Divulgação/Ascom Seagri

Os estudos derrubaram a crença da época de que os fertilizantes químicos eram insubstituíveis. A descoberta, ao reduzir os custos de produção, ajudou a transformar a soja nacional em um dos principais produtos de exportação do Brasil.

Estima-se, inclusive, que a fixação biológica de nitrogênio no plantio da soja gere uma economia de US$ 2 bilhões por ano com adubos químicos, segundo a Embrapa.

Uma vida dedicada às bactérias

Além da soja, Johanna liderou pesquisas sobre a fixação biológica de nitrogênio por palmáceas, como o dendezeiro. E descreveu a bactéria Beijerinckia fluminensis, que interage com a cana-de-açúcar, o que foi um de seus grandes feitos, conta a jornalista Kristina Michahelles, em seu livro “Johanna Döbereiner: uma vida dedicada à ciência”.

A cientista dizia que seu “insight “se deu a partir da observação de que a planta da cana-de-açúcar estava sempre verde, mantendo certa produção constante há séculos no país, mesmo em períodos secos, sem o uso de adubação especial.

 

Johanna Döbereiner fala, em campo, sobre as pesquisas com a planta da cana-de-açúcar. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner fala, em campo, sobre as pesquisas com a planta da cana-de-açúcar. — Foto: Divulgação

Além disso, Johanna coordenou estudos sobre as limitações da fixação de nitrogênio em leguminosas, como o feijão, nos quais Vera trabalhou.

Ela foi também professora e orientadora de vários cientistas que hoje ocupam posição de destaque na pesquisa no Brasil. Tem mais de 500 títulos publicados, mais de 20 prêmios, além de uma indicação ao Prêmio Nobel de Química em 1997.

 

Anos de turbulência na guerra

Antes de fazer história na ciência, Johanna passou por duras perdas na Europa. Uma das principais foi a de sua mãe, Margarethe Kubelka, que morreu em um campo de concentração após o fim da Segunda Guerra, em 1945, como muitos sudetos, povos de origem alemã.

Nascido austríaco, o pai de Johanna, Paul Kubelka, recebeu a cidadania tcheca em 1918, que foi anulada com a ocupação nazista no país, em 1939. A família se tornou alemã, mas “não tinham a menor simpatia pelos invasores”, conta a jornalista Kristina.

Paul, que era químico, foi constantemente espionado pela Gestapo, teve seus cursos proibidos da Universidade de Praga e ajudou amigos judeus a fugirem da perseguição nazista.

Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação

Com o fim da guerra, os pais de Johanna foram internados em um campo de trabalho forçado, enquanto ela conseguiu fugir para a Alemanha com seus avós paternos. Seu pai teve um destino diferente do sua mãe, e conseguiu escapar do campo de concentração para as terras alemãs.

Da sua mãe, ficaram lembranças de uma mulher com ideias à frente de seu tempo: “Não devemos falar para a nossa filha que o seu destino será encontrar um marido. Devemos dizer à nossa filha que a sua vitória terá sido alcançada quando se orgulhar daquilo que realizou”, anotou Margarethe, em seu diário.

Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação

Com a Europa em escombros, o pai de Johanna imigrou em 1948 para o Brasil.

A cientista, entretanto, só chegaria dois anos depois, após ter se formado em agronomia na Escola Superior Técnica de Munique, onde conheceu o seu esposo, o médico veterinário Jürgen Döbereiner, que a acompanhou na mudança de país.

Nova pátria

“A minha mãe viu o Brasil como o início de uma nova vida. Não tinha como voltar para Praga, que estava sob o comunismo, e a Alemanha não era o lar dela. Então ela abraçou o Brasil com tudo e aprendeu logo a língua”, conta a filha mais velha de Johanna, Marlis Arkcoll.

Johanna não perdeu mesmo tempo. Assim que chegou, fez contatos para conseguir trabalhar com pesquisa e, em menos de seis meses, já estava empregada no Instituto de Ecologia e Experimentação Agrícola (IEEA), precursor do que atualmente é a Embrapa Agrobiologia, em Seropédica, interior do Rio de Janeiro.

Ela e seu esposo se naturalizaram brasileiros em 1956.

Johanna Döbereiner em sua casa em em Seropédica, interior do Rio de Janeiro. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner em sua casa em em Seropédica, interior do Rio de Janeiro. — Foto: Divulgação

Quem abriu as portas para ela foi o pesquisador Álvaro Barcellos Fagundes, diretor do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas, que tinha enorme interesse pelas aplicações práticas da fixação biológica de nitrogênio no solo por meio das bactérias.

Foi em Seropédica também que Johanna e seu marido Jürgen fizeram morada e criaram seus três filhos: Marlis, Christian e Lorenz.

 

Olhares de filha e amiga
Johanna Döbereiner com seu marido e filhos. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner com seu marido e filhos. — Foto: Divulgação

Desde que entrou na pesquisa, Johanna não parou mais. Eram constantes as suas viagens para congressos e seminários, rememora Marlis.

“Ela fez com que nós, filhos, nos tornássemos responsáveis bem cedo na vida. Ela viajava muito, em uma época que era difícil ver mulher viajando sozinha. Ela adora viajar, voltava com os olhos brilhando e com a mala cheia de presentinhos exóticos, sementes”, conta Marlis,.

Em casa, Johanna e Jürgen também faziam com que os que filhos só lessem em alemão e em inglês para que eles pudessem aprender outras línguas além do português na escola.

Johanna Döbereiner no laboratório da Embrapa. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner no laboratório da Embrapa. — Foto: Divulgação

No laboratório, ela também era dinâmica, além de uma incansável questionadora, conta a pesquisadora Vera Baldani, amiga de toda uma vida de Johanna, que entrou na Embrapa em 1976.

“Com ela não tinha meio termo, ela era bem direta. A gente discutia muito por causa de experimento, pesquisa, porque ela ensinava a gente a ser crítica. Era bastante exigente e enérgica. Mas também de um coração fantástico […] Sabia quando tinha algo errado com a gente apenas com o olhar”, conta Vera.

Fora do laboratório, era comum que Vera e Johanna se reunissem para fazer tricô e ouvir música clássica. “A gente conversava de tudo, ciência, música, marido, filho. Nós tínhamos uma ligação muito forte, de mãe e filha”, diz Vera.

Últimos anos de vida

Vera acompanhou ainda os primeiros sinais do Alzheimer que acometeu Johanna no início dos anos 90.

“Mesmo com a doença, ela nunca deixou de ir para a Embrapa. Foi duro porque, naquela época, não se acreditava que as pessoas que trabalhavam tanto a mente teriam Alzheimer”, conta Vera.

A doença piorou com a trágica morte de seu filho mais novo, Lorenz, assinado em março de 1996, com um tiro disparado por um motoqueiro, em um sinal de trânsito em São Paulo, em circunstâncias que não foram esclarecidas até hoje.

Johanna morreu quatro anos depois, com 75 anos, em 5 de outubro de 2000, por uma broncopneumonia causada por aspiração.

Seu nome ressoa até hoje nas pesquisas de microbiologia do solo. E foi até imortalizado em suas companheiras de toda uma vida: as bactérias fixadoras de nitrogênio Cluconacetobacter johannae sp. e Azospirillum doebereinerae sp.

Por:  Paula Salati, G1

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Agricultura

Produção agrícola em 2020 bate novo recorde e atinge R$ 470,5 bilhões

Produto que mais contribuiu para o resultado foi a soja.

O valor da produção agrícola do país em 2020 bateu novo recorde e atingiu R$ 470,5 bilhões, 30,4% a mais do que em 2019. A produção agrícola nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas chegou, no ano passado, a 255,4 milhões de toneladas, 5% maior que a de 2019, e a área plantada totalizou 83,4 milhões de hectares, 2,7% superior à de 2019.

Os dados constam da publicação Produção Agrícola Municipal (PAM) 2020, divulgada hoje (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Com a valorização do dólar frente ao real, houve também um crescimento na demanda externa desses produtos, o que causou impacto direto nos preços das principais commodities, que apresentaram significativo aumento ao longo do ano. Como resultado, os dez principais produtos agrícolas, em 2020, apresentaram expressivo crescimento no valor de produção, na comparação com o ano anterior”, explicou o IBGE.

A cultura agrícola que mais contribuiu para a safra 2020 foi a soja, principal produto da pauta de exportação nacional, com produção de 121,8 milhões de toneladas, gerando R$ 169,1 bilhões, 35% acima do valor de produção desta cultura em 2019.

Em segundo lugar no ranking de valor, veio o milho, cujo valor de produção chegou a R$ 73,949 bilhões, com alta de 55,4% ante 2019. Pela primeira vez desde 2008, o valor de produção do milho superou o da cana-de-açúcar (R$ 60,8 bilhões), que caiu para a terceira posição. A produção de milho cresceu 2,8%, atingindo novo recorde: 104 milhões de toneladas.

O café foi o quarto produto em valor de produção, atingindo R$ 27,3 bilhões, uma alta de 54,4% frente ao valor de 2019. Já a produção de café chegou a 3,7 milhões de toneladas, com alta de 22,9% em relação ao ano anterior, mantendo o Brasil como maior produtor mundial.

No ano passado, Mato Grosso foi o maior produtor de cereais, leguminosas e oleaginosas do país, seguido pelo Paraná, por Goiás e o Rio Grande do Sul.

Em relação ao valor da produção, Mato Grosso, destaque nacional na produção de soja, milho e algodão, continua na primeira posição no ranking, aumentando sua participação nacional para 16,8%, novamente à frente de São Paulo, destaque no cultivo da cana-de-açúcar. O Paraná, maior produtor nacional de trigo e segundo de soja e milho, ocupou, em 2020, a terceira posição em valor de produção, à frente de Minas Gerais, destaque na produção de café.

“O Rio Grande do Sul, que teve a produtividade de boa parte das culturas de verão afetadas pela estiagem prolongada no início de 2020, apresentou retração de 6,9% no valor de produção agrícola, caindo para a quinta posição no ranking, com participação nacional de 8,1%”, informou o IBGE,

Os 50 municípios com os maiores valores de produção agrícola do país concentram 22,7% (ou R$ 106,9 bilhões) do valor total da produção agrícola nacional. Desses 50 municípios, 20 eram de Mato Grosso, seis da Bahia e seis de Mato Grosso do Sul.

Sorriso (MT) manteve a liderança entre os municípios com maior valor de produção: R$ 5,3 bilhões, ou 1,1% do valor de produção agrícola do país. Em seguida, vieram São Desidério (BA), com R$ 4,6 bilhões, e Sapezal (MT) com R$ 4,3 bilhões.

Por: Agência Brasil

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Eventos do Agronegócio

Diretoria da Agropec reúne com imprensa local em Paragominas

Nesta terça-feira (21), o Sindicato Dos Produtores Rurais de Paragominas (SPRP), promoveu duas reuniões de grande valia, a respeito da realização da 54ª Feira Agropecuária de Paragominas (AGROPEC), a acontecer no período de 23 a 31 de outubro de 2021.

Ambos os diálogos contaram com a presença de Maxiely Scaramussa, presidente do SPRP, Bruno Lombardi Vice-Presidente do SPRP, Leonice Araújo, setor comercial da Agropec, e Antonio Filho, promotor dos shows e proprietário da empresa Shok Produções.
A primeira reunião aconteceu com os membros da imprensa local, visando dialogar sobre a mídia da feira, bem como agregar os comunicadores na realização do evento, debatendo assim sobre todos os questionamentos acerca da Agropec.

Na ocasião, os profissionais puderam tirar dúvidas sobre toda a parte de divulgação do evento, e principalmente sobre as questões do cumprimento dos protocolos de segurança, impostos pelos decretos Estaduais, seguindo o bandeiramento atual (verde).

Pela parte da tarde, a diretoria do SPRP se reuniu diretamente com representantes dos órgãos de segurança pública – Corpo de Bombeiros, Ministério Público, Polícias Civil e Militar, Prefeitura de Paragominas, Secretaria Municipal de Saúde, Conselho Tutelar, e outros – a fim de debater sobre todas as demandas acerca da realização da Agropec, e também discutir sobre os protocolos de segurança.

A Presidente do SPRP, Maxiely Scaramussa, também esclareceu sobre a reunião direta com o Governo do Pará, na presença do Governador Hélder Barbalho, que foi favorável a realização da Agropec, bem como de mais 6 feiras por todo o Estado, e esclareceu quanto a questão da vacinação, obrigatoriedade da apresentação do exame de Covid-19, bem como da carteirinha de vacina, e outros protocolos a serem seguidos à risca, todos de acordo com o Decreto Estadual.

Por: Amanda Silva – Assessoria de Comunicação SPRP

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Exportações FAEPA/CNA/SENAR Pecuária

Senado volta ameaçar a exportação de gado vivo no País

Para debater esse assunto e mostrar a importância desse mercado, o DBO Entrevista desta segunda, 20, conversou com Carlos Fernandes Xavier, presidente da Faepa e Lincoln Bueno, presidente da Abeg.

No início deste mês de setembro a proibição do comércio internacional de boi em pé voltou à tona no País, através de uma sugestão legislativa no Senado. A repercussão foi negativa no setor de pecuária brasileiro, gerando inúmeras críticas de entidades de criadores e genética animal.

O fato é que não é a primeira vez que os congressistas se posicionam contra esse mercado. Desde 2018, um projeto de lei tenta proibir esse comércio, que no ano passado movimentou US$ 217,2 milhões.

Para debater esse assunto e mostrar a importância desse mercado, o DBO Entrevista chamou para a roda de conversa Carlos Fernandes Xavier, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) e Lincoln Bueno, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg).

A exportação de bovinos vivos é liderada pelo Pará. Na última década, o Estado respondeu por 83% dos embarques de bovino vivo. É seguido por Rio Grande do Sul e São Paulo. Será que é possível esse mercado se reerguer e mostrar que está alinhado com todas as diretrizes de bem-estar animal? Confira na nossa roda de conversa!

Por: Portal DBO

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Agronotícias

Quase duas toneladas de pescado foram servidos gratuitamente à população de Paragominas

Com o objetivo de mostrar para população da cidade que o consumo de peixes criados em cativeiro é saudável, a Associação dos Piscicultores e Peixeiros da cidade, em parceria com a Prefeitura de Paragominas, serviu neste domingo, 19, 1500 quilos de peixe assado na brasa à população – com direito a farofa da melhor qualidade -, no estacionamento do principal cartão postal paragominense: o Lago Verde.

Desde que surgiu no Estado do Amazonas a confirmação de um caso da síndrome de Haff, a chamada “doença da urina preta”, há 9 dias, o comércio do peixe começou a viver uma crise sem precedentes, muito mais pela desinformação e pelas chamadas ‘fake news’ que abastecem atualmente as redes sociais.

Para o presidente da Associação dos Piscicultores de Paragominas, Maurício Brandão, o evento teve total êxito, porque além de unir os grandes piscicultores – com cada um doando aproximadamente de 100 quilos – e os peixeiros do município, foi possível se fazer entender que o peixe de cativeiro é saudável e pode ser consumido à vontade, sem medo.

Secretário de Saúde, Marinaldo Ferreira, participa da ação

O secretário de saúde de Paragominas, Marinaldo Ferreira, ratificou que “todo o peixe consumido por meio da piscicultura é livre dessa contaminação e que a vigilância sanitária do município está atenta à maneira que o peixe é oferecido em mercados e feiras da cidade”. A Prefeitura apoia essa ação e incentiva o consumo saudável de pescado”, completou o secretário.

Seu João Rodrigues foi um dos moradores de Paragominas que passaram no Lago Verde para comer o peixe assado. Ele declarou que o peixe, além de gostoso, é saudável, e que “não existe coisa melhor do que peixe para se alimentar”. Já o piscicultor Diego Silva, da fazenda Juparanã Fish, declarou que o evento é de suma importância para chamar a atenção da população quanto à qualidade do pescado da piscicultura de Paragominas.

Peixe de Paragominas é saudável e livre de doenças

Vale lembrar que todos os critérios de segurança alimentar são monitorados na criação desse pescado e nunca foi encontrado esse tipo de contaminação em cativeiro. Lider em produção,
Paragominas detém cerca de 40% da produção de piscicultura do Estado do Pará, assumindo hoje a liderança entre os municípios paraenses produtores e vendedores de peixe de cativeiro. São cerca de mil hectares de lamina d’água de produção e o município ainda conta com uma fábrica de ração. Além disso, por meio de um programa arrojado de incentivo, está desenvolvendo em parceria com a pmPrefeitura, Governo do Estado e Associação de Piscicultores um programa para dobrar esses números tornando o município a maior referência em psicultura da Amazônia, segundo o prefeito de Paragominas, Lucídio Paes.

Pesquisador esclarece sobre doença de Haff

Marcos Braso é engenheiro de Pesca, doutor em Ciência Animal, professor da Universidade Federal do Pará e presidente da Associação dos Engenheiros de Pesca dos Estados do Pará e Amapá (AEP-PA/AP). Ele esclareceu algumas dúvidas referentes a doença de Haff.

Peixe servido gratuitamente à população no Lago Veree

É verdade de que o peixe de cativeiro ou da piscicultura, seria naturalmente um peixe com controle melhor de qualidade e por isso estaria isento dessa doença?

Marcos Braso: O tambaqui e a pirapitinga que consumimos no Brasil e na Amazônia são principalmente provenientes de piscicultura, em especial de viveiros escavados. Neste ambiente, há controle da entrada e da saída de água, da qualidade da água de uso e da alimentação, fatores que nos permitem afirmar que este pescado é seguro para consumo. Não há registro de casos de doença da urina preta no Brasil ligados a peixes advindos de cativeiro.

A procedência do pescado, higiene e condicionamento também seriam fatores decisivos na hora de adquirir o peixe pra se evitar comprar um produto que possa vir a estar contaminado?

Marcos Braso: A melhor forma de diminuir os riscos de ser acometido pela doença é conhecendo a procedência do pescado que está sendo consumido. Neste momento, é importante evitar o consumo de peixes dos locais onde houveram os surtos, visto que o ambiente pode ser decisivo para a formação da toxina no pescado. Quando a conservação e aspectos higiênico-sanitarios, independente da doença da urina preta, é importante que as condições estabelecidas pelos órgãos competentes sejam levadas em consideração pelos intermediários e comerciantes, além de ser um fator limitante na tomada de decisão dos consumidores na hora de adquirir o produto.

Existe algum projeto ou programa de rastreabilidade do pescado?
Secretário de Saúde de Paragominas, Marinaldo Ferreira, participou da ação

Marcos Braso: No pescado que é direcionado à indústria, sim! Existe rastreabilidade. Porém, o produto que é comercializado em espaços públicos, como mercados e feiras livres, não conta com este cuidado. No caso de supermercados e peixarias, depende muito do proprietário e da sua preocupação com a qualidade do pescado comercializado. Uma informação importante é que em se tratando de tambaqui, mais de 100.000 toneladas são provenientes de piscicultura e apenas cerca de 4.000 toneladas são oriundas da pesca. No caso da pirapitinga, são quase 2.000 toneladas da pesca e cerca de 2.000 toneladas da piscicultura.

Diante desse episódio qual sua reflexão?

Marcos Braso: Que o pescado é um alimento tradicional na mesa do amazônida e temos o maior consumo de pescado do Brasil, um alimento saudável, nutritivo e saboroso, que provém de nossas águas, seja pela pesca ou pela aquicultura, digno de ser aparecido nós melhores restaurantes do mundo. Não deixe que a falta de informação lhe impeça de continuar a consumir o que temos de melhor em termos de proteína animal. Consuma mais pescado! Pescado é saúde! Seja seletivo quanto a fonte de informações que forma a sua opinião.