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Produção agrícola em 2020 bate novo recorde e atinge R$ 470,5 bilhões

Produto que mais contribuiu para o resultado foi a soja.

O valor da produção agrícola do país em 2020 bateu novo recorde e atingiu R$ 470,5 bilhões, 30,4% a mais do que em 2019. A produção agrícola nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas chegou, no ano passado, a 255,4 milhões de toneladas, 5% maior que a de 2019, e a área plantada totalizou 83,4 milhões de hectares, 2,7% superior à de 2019.

Os dados constam da publicação Produção Agrícola Municipal (PAM) 2020, divulgada hoje (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Com a valorização do dólar frente ao real, houve também um crescimento na demanda externa desses produtos, o que causou impacto direto nos preços das principais commodities, que apresentaram significativo aumento ao longo do ano. Como resultado, os dez principais produtos agrícolas, em 2020, apresentaram expressivo crescimento no valor de produção, na comparação com o ano anterior”, explicou o IBGE.

A cultura agrícola que mais contribuiu para a safra 2020 foi a soja, principal produto da pauta de exportação nacional, com produção de 121,8 milhões de toneladas, gerando R$ 169,1 bilhões, 35% acima do valor de produção desta cultura em 2019.

Em segundo lugar no ranking de valor, veio o milho, cujo valor de produção chegou a R$ 73,949 bilhões, com alta de 55,4% ante 2019. Pela primeira vez desde 2008, o valor de produção do milho superou o da cana-de-açúcar (R$ 60,8 bilhões), que caiu para a terceira posição. A produção de milho cresceu 2,8%, atingindo novo recorde: 104 milhões de toneladas.

O café foi o quarto produto em valor de produção, atingindo R$ 27,3 bilhões, uma alta de 54,4% frente ao valor de 2019. Já a produção de café chegou a 3,7 milhões de toneladas, com alta de 22,9% em relação ao ano anterior, mantendo o Brasil como maior produtor mundial.

No ano passado, Mato Grosso foi o maior produtor de cereais, leguminosas e oleaginosas do país, seguido pelo Paraná, por Goiás e o Rio Grande do Sul.

Em relação ao valor da produção, Mato Grosso, destaque nacional na produção de soja, milho e algodão, continua na primeira posição no ranking, aumentando sua participação nacional para 16,8%, novamente à frente de São Paulo, destaque no cultivo da cana-de-açúcar. O Paraná, maior produtor nacional de trigo e segundo de soja e milho, ocupou, em 2020, a terceira posição em valor de produção, à frente de Minas Gerais, destaque na produção de café.

“O Rio Grande do Sul, que teve a produtividade de boa parte das culturas de verão afetadas pela estiagem prolongada no início de 2020, apresentou retração de 6,9% no valor de produção agrícola, caindo para a quinta posição no ranking, com participação nacional de 8,1%”, informou o IBGE,

Os 50 municípios com os maiores valores de produção agrícola do país concentram 22,7% (ou R$ 106,9 bilhões) do valor total da produção agrícola nacional. Desses 50 municípios, 20 eram de Mato Grosso, seis da Bahia e seis de Mato Grosso do Sul.

Sorriso (MT) manteve a liderança entre os municípios com maior valor de produção: R$ 5,3 bilhões, ou 1,1% do valor de produção agrícola do país. Em seguida, vieram São Desidério (BA), com R$ 4,6 bilhões, e Sapezal (MT) com R$ 4,3 bilhões.

Por: Agência Brasil

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Agricultura

Fim do vazio sanitário da soja: confira a previsão do tempo estendida para o plantio

Termina nesta terça-feira, 15, o vazio sanitário em Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e a faixa sul do Pará.

Termina nesta terça-feira, 15, o vazio sanitário em Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e a faixa sul do Pará.

Para muitas áreas destes importantes estados produtores, a chuva aparece antes comparado com o mesmo período do ano passado. De acordo com a Somar Meteorologia, a semana deve ser marcada por forte chuva sobre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná. A umidade do solo aumentará o suficiente para o início da instalação, inclusive no oeste do estado.

Por outro lado, no norte do Paraná e nas regiões Sudeste e Centro-Oeste não há previsão de chuva suficiente para início da instalação após o término do vazio sanitário.

De 20 e 26 de setembro, a chuva mais intensa permanecerá sobre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Apesar da precipitação acima dos 20 mm sobre o oeste de Minas Gerais, a regularização da precipitação somente acontecerá a partir do início de outubro no estado. O mesmo vale para boa parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste, além do norte do Paraná.

Por: Canal Rural

 

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Agricultura

Produção de grãos na safra 2020/21 deve chegar a 252,3 milhões de toneladas

Apesar da diminuição na produção total da safra, a soja deve ter uma produção recorde estimada em 135,9 milhões de toneladas.

A produção da atual safra brasileira de grãos deverá chegar a 252,3 milhões de toneladas. A estimativa foi divulgada nesta quinta-feira (9) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no 12º Levantamento da Safra de Grãos 2020/21. Em comparação com a safra passada, houve uma redução de 1,8%.

“Esta foi a safra mais difícil dos últimos 30 anos que nós tivemos no país. Chuvas tardias no início do plantio, chuvas na colheita, secas, geadas, pragas. Mas mesmo assim tivemos recordes em algumas produções”, ressaltou o diretor-presidente da Conab, Guilherme Ribeiro.

Apesar da diminuição na produção total da safra, algumas culturas apresentam crescimento. É o caso da soja, que deve ter uma produção recorde estimada em 135,9 milhões de toneladas, aumento de 8,9% em relação à safra 2019/20.

Outra cultura com número positivo é o arroz, que nesta safra tem produção estimada em 11,75 milhões de toneladas, 5% superior ao volume produzido na temporada anterior.

Já para as culturas de inverno (aveia, canola, centeio, cevada, trigo e triticale), a projeção é de aumento de 13,1% na área plantada. O destaque é para o trigo, que apresenta um expressivo crescimento na área de 14,9%, chegando em torno de 2,69 milhões de hectares. A estimativa atual é de uma produção de 8,15 milhões de toneladas.

Entre as culturas que devem apresentar redução na produção estão o milho, com produção total de 85,75 milhões de toneladas, volume 16,4% menor do que em 2019/20. Outro é o feijão, com produção total estimada em 2,86 milhões de toneladas, 11,4% menor que a obtida na safra anterior.

Exportação

O algodão em pluma e a soja seguem com cenário positivo no mercado internacional. A previsão é de que sejam exportadas 2,1 milhões de toneladas de fibra de algodão e aproximadamente 83 milhões de toneladas de soja neste ano.

Por outro lado, foi reduzida a previsão do volume exportado de milho. A expectativa é de que as vendas do produto no mercado externo caiam 37%. A projeção de importação está mantida em 2,3 milhões de toneladas.

Este é o último levantamento para esta safra 2020/2021. A partir de outubro, a Conab reinicia o ciclo e passa a contabilizar os números da próxima colheita no país.

Próxima safra

O Governo Federal prevê R$ 251,22 bilhões para apoiar a produção agropecuária nacional na safra 2021/2022. O valor reflete um aumento de R$ 14,9 bilhões (6,3%) em relação ao Plano anterior.

“Os dados de contratação de crédito rural nos dois primeiros meses, assim que foi anunciado o plano safra, já ultrapassaram os R$ 64 bilhões. As operações de custeio estão 25% mais fortes do que no ano passado, são R$ 36 bilhões. Nos investimentos, as tomadas de recursos somaram R$ 18,3 bilhões nesses dois primeiros meses, tendo uma alta de 61% em relação ao ano passado. As premissas para uma boa safra estão dadas”, destacou o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Abastecimento, Guilherme Bastos.

Por: Governo do Brasil

 

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Agricultura

Alto preço de fertilizante desafia produtor

De olho nas condições climáticas e nas cotações agrícolas, os produtores brasileiros preparam-se para iniciar o plantio da safra 2021/22 a partir de setembro – após o encerramento do vazio sanitário contra a ferrugem da soja.

Foram muitos os desafios para adequar o orçamento desta próxima safra, especialmente diante do cenário econômico instável do País e do mundo e, especificamente, dos expressivos reajustes nos preços médios dos agroquímicos. Nestes comentários o foco recairá sobre o caso dos fertilizantes nos mercados interno e externo.

No contexto internacional, as valorizações dos nitrogenados estiveram atreladas à menor produção chinesa destes fertilizantes. Quanto aos fosfatados, os valores foram impulsionados pelo início da taxação norte-americana sobre o produto proveniente do Marrocos, que é um grande produtor de fosfatados. Assim, os produtores dos Estados Unidos estão buscando se abastecer em outras origens.

Alto preço de fertilizante desafia produtor

De janeiro a julho de 2021, o valor médio da tonelada de ureia prill negociada nos principais portos do mundo ficou 60,3% acima do registrado no mesmo período do ano passado. O preço médio da tonelada da ureia no porto ucraniano (Yuznhy) em julho, inclusive, foi o maior, em termos nominais, desde julho de 2012.

Também entre janeiro a julho deste ano, o preço médio do MAP (fosfatado monoamônico) negociado nos portos de Casa Blanca (Marrocos) e de São Petersburgo (Rússia) ficou 96,3% superior ao do mesmo período de 2020. Para este insumo, foram observadas fortes valorizações nos dois primeiros meses de 2021. Em julho, especificamente, a cotação média da tonelada do MAP no porto russo foi a maior desde outubro de 2008, em termos nominais.

Quanto ao cloreto de potássio, um forte reajuste foi observado mais recentemente. De junho para julho, o preço do cloreto de potássio disparou, com forte avanço de 39,6% no porto de Vancouver (Canadá). Essa valorização se deve à medida restritiva da União Europeia aplicada à Bielorrússia, aprovada no final de junho, que inclui a proibição da venda, fornecimento, transferência ou exportação via direta ou indireta de vários bens (equipamentos, softwares, equipamentos militares, etc.), produtos petroquímicos e cloreto de potássio. Vale lembrar que Bielorrússia é responsável por pelo menos com 1/5 da produção mundial de cloreto de potássio, sendo o segundo maior produtor do mundo. De janeiro a julho de 2021, o preço médio do cloreto de potássio no porto de Vancouver ficou 26,9% acima do observado no mesmo período de 2020. Em julho, o valor médio foi o maior nominal desde dezembro de 2012.

Diante disso, agentes nacionais e internacionais estão atentos à intervenção do governo chinês sobre as vendas de fertilizantes, à relação política entre Bielorússia e a União Europeia e também ao novo avanço de casos de covid-19 em muitos países. Na China, empresas de fertilizantes estão sofrendo pressão do governo para suspender temporariamente a exportação, visando a garantir o abastecimento doméstico. A intervenção do governo chinês no mercado, por sua vez, tem como objetivo conter a alta de preços dos fertilizantes no país. A China é a maior produtora e consumidora de nitrogenado e fosfatado, mas também é uma grande exportadora dos dois produtos.

No Brasil (considerados todos os estados acompanhados mensalmente pelo Cepea), a média de janeiro a julho deste ano do preço da tonelada da ureia subiu 58,4% frente ao mesmo intervalo de 2020, atingindo, em julho, o maior patamar nominal desde outubro de 2008 nos estados do Paraná e de Mato Grosso. No caso do MAP, a cotação média da tonelada do período avançou significativos 90,3% na mesma comparação, com os preços de julho sendo os maiores desde novembro de 2008 em Mato Grosso e no Paraná. A tonelada do cloreto de potássio se valorizou 52,4% na parcial deste ano frente ao mesmo período de 2020, com o insumo comercializado em julho ao preço mais alto desde agosto de 2009 em Mato Grosso e no Paraná.

 

Diante disso, simulações[1] realizadas pelo Cepea mostram que o gasto médio orçado com fertilizantes para a produção de soja e de milho verão na safra 2021/22 deve subir 50,1% e 55,4%, respectivamente, frente ao da temporada anterior (2020/21). Para o milho segunda safra, feijão, arroz irrigado e trigo, são estimados aumentos nos gastos médios com fertilizantes de 2020/21 para 2021/22 das ordens de 53%, 65,2%, 68,2% e 71,1%, respectivamente.

Outros dois importantes itens na composição de custo de produção também apresentaram avanços. No caso dos defensivos agrícolas, a elevação estimada de gastos da safra 2021/22 foi de 3% para a produção de trigo, de 6,7% para o milho verão, de 9% para o feijão, de 11,1% para o arroz irrigado, de 11,2% milho segunda safra e de 12,5% para a soja. Nos casos dos gastos com diesel e com a manutenção preventiva das máquinas, foram calculadas elevações de 10,3% para a produção de soja na safra 2021/22, de 10,5% para o milho verão, de 15% para o milho segunda safra, de 11,9% para o trigo, de 15,4% para o feijão e de expressivos 21,1% para o arroz irrigado, também da safra 2021/22 em relação à anterior.

Diante dos aumentos nos gastos com os fertilizantes, defensivos agrícolas, diesel, com a manutenção preventiva das máquinas e também de outros itens, a estimativa do orçamento total de produção para a safra 2021/22 cresceu, sendo a maior alta a calculada para a soja, de 32,9%. No caso do trigo, o incremento nos custos de produção calculado pelo Cepea foi de 31,6%; para o milho verão, de 30,9%; para o milho segunda safra, de 28,7%; para o arroz irrigado, de 20,1%; e, para o feijão, de 16,1%. A propósito, esses custos podem registrar novos avanços no decorrer desta safra 2021/22, dependendo muito do clima e de incidências de pragas e doenças nas lavouras, do comportamento da taxa de câmbio (dólar) e dos preços das matérias-primas dos agroquímicos e do petróleo nos países produtores.

[1] Para as simulações acima, foram considerados dados técnicos levantados pelo Projeto Campo Futuro (parceria entre o Cepea e a CNA) da safra 2019/20, os preços dos insumos atualizados mensalmente pela Equipe do Cepea e os custos médios de produção da soja e do milho verão da safra 2020/21. Além disso, foi considerado que, em média, 60% dos fertilizantes desta temporada 2021/22 foram comprados com os preços médios do primeiro trimestre de 2021 e outros 40%, com os valores médios do segundo trimestre de 2021. No caso dos demais itens que estruturam o custo de produção, foram considerados que os valores médios do primeiro trimestre de 2021 representaram 30% do custo e os preços do segundo trimestre de 2021 tiveram peso de 70%. Os valores médios estimados para milho segunda safra, feijão e arroz irrigado compreendem o período de abril a julho de 2020 para representar a safra 2020/21 e o de abril a julho de 2021 para sinalizar a safra 2021/22; para o trigo, os valores médios abrangem o intervalo de fevereiro a maio de 2020 para retratar a safra 2020/21 e o mesmo período de 2021 para caracterizar a temporada 2021/22.

Mauro Osaki – Pesquisador da área de Custos Agrícolas do Cepea

Por: Portal do Agro

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Agricultura

Cresce número de registros de produtos biológicos para uso agrícola

Em 2018 o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) bateu o recorde no registro de defensivos de baixa toxicidade: 52 novos produtos de um total de 450 registrados. Estes agrotóxicos de baixa toxicidade – menos nocivos à saúde humana – são aqueles que contém organismos biológicos, microbiológicos, bioquímicos, semioquímicos ou extratos vegetais, e podem até mesmo ser usados na agricultura orgânica.

Em 2017 foram registrados 40 produtos de baixa toxicidade somando 405 registrados; em 2016 foram 39 biológicos e 277 no total. “A variedade de produtos beneficia muitas culturas, pois a maior parte deles são registrados para um ou mais alvos biológicos, independente da cultivar onde estas pragas são encontradas”, explica o chefe da Divisão de Registro de Produtos Formulados da Secretaria de Defesa Agropecuária, Bruno Cavalheiro Breitenbach.

Segundo Breitenbach “o recorde de registro de produtos menos tóxicos é resultado da política adotada pelo governo federal de priorizar a análise dos processos de registro destes produtos”. Ele disse ainda que há uma maior demanda dos produtores rurais brasileiros por alternativas menos agressivas ao meio ambiente e ao consumidor.

Com a nova política de priorizar os produtos biológicos, a demora para o registro destes produtos foi reduzida drasticamente. Atualmente o tempo médio entre o pedido de registro pelo interessado e a conclusão do processo varia de três a seis meses.
Atualmente existem 1.345 pedidos de registro de agrotóxicos em análise no Mapa. Além do Ministério também analisam os pedidos os Ministérios da Saúde, do Meio Ambiente e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Vespas

Exemplos de defensivo biológico são algumas espécies de vespas ou fungos que ao serem liberados nas lavouras atacam unicamente as lagartas que causam danos às culturas. O produtor brasileiro pode então dispensar o uso de produtos químicos para travar uma guerra biológica com as pragas, onde quem ganha é o bolso do produtor, a sociedade e o meio-ambiente.

Na avaliação de Breitenbach o mercado dos produtos biológicos tende a aumentar pois têm sido observados volumes cada vez maiores de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, bem como um aumento do número de empresas que atuam neste segmento.

Fonte: Mapa

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Agricultura

Interação planta-nematóide: entender para conviver


Os nematóides constituem um diverso grupo dos invertebrados, abundantes como parasitas ou na forma de vida livre no solo, em ambientes aquáticos ou marinhos. Cerca de 26% dos gêneros descritos habitam o solo sob diferentes grupos funcionais delimitados pelos seus hábitos alimentares: bacteriófagos (se alimentam de bactérias), micófagos (se alimentam de fungos), onívoros (se alimentam de bactérias e fungos), predadores (se alimentam de outros nematoides) ou fitoparasitas (se alimentam de plantas). A umidade do solo, a umidade relativa e os fatores ambientais afetam diretamente a sobrevivência dos nematóides. Os nematóides possuem variadas formas de adaptação a mudanças que ocorrem no ambiente, causadas por diversos fatores, entre os quais o manejo dos cultivos, estresse climático, época de plantio, fisiologia das plantas e melhoramento genético.

A importância dos fitonematoides é justificada pela dificuldade e pelos altos custos envolvidos no seu controle, onde certamente estão entre os fitopatógenos mais danosos às plantas. Com mais de 4.100 espécies descritas de fitonematoides, as mais importantes, em relação às pesquisas e danos econômicos, são os nematóides formadores de galhas (Meloidogyne spp.), os nematóides de lesões radiculares (Pratylenchus spp.) e os nematóides s de cisto (Heterodera spp. e Globodera spp.). Estima-se que 12 a 15% da produção mundial de alimentos sejam perdidos anualmente como consequências de ataque dos nematóides parasitas de plantas. Esses danos podem ser ainda maiores, em regiões menos desenvolvidas, nas quais a tecnologia empregada na exploração agrícola não alcança níveis mínimos encontrados nas regiões com alto nível de tecnificação agrícola. Para alavancar o sucesso na redução populacional dos fitonematóides na agricultura, sem dúvida, é necessário entender a interação planta- nematóides para desenvolver e implementar métodos para “conviver” em harmonia com esses fitoparasitas em baixa população e causando o mínimo de danos econômicos para a produtividade das plantas.

A interação planta- nematóides envolve dois sistemas complexos e bem distintos, nematóides do Reino Animal e as plantas do Reino Vegetal. Os nematóides fitoparasitas adaptaram-se à outra fonte de alimento, evitando a competição com os bacteriófagos, micófagos e parasitas de pequenos animais e plantas inferiores. Para isso, tiveram que adaptar suas peças bucais para se alimentar e parasitar as plantas, desenvolvendo um órgão pontiagudo com canalículos interno ligado a músculos constrictores possibilitando a introdução do mesmo na planta e a sua retração, chamado estilete. Apenas os fitonematóides possuem estiletes.

A interação planta- nematóides envolve diversas fases, começando pela atração do nematóides para o local de alimentação no órgão da planta e o contato inicial com suas camadas externas, principalmente as raízes. Esse contato gera uma liberação de compostos químicos para a penetração do estilete na planta, permitindo que os nematóides absorvam os conteúdos celulares ou líquidos nutritivos diretamente do floema.

Por outro lado, as plantas têm desenvolvido uma gama de mecanismos de defesa envolvidos na resistência e proteção contra os nematóides. Esses mecanismos incluem a síntese de fitoalexinas e inibidores de proteases, o reforço físico químico da parede celular e o acumulo de enzimas hidrolíticas, como as quitinases. A resistência pode depender da capacidade da planta em reconhecer rapidamente o patógeno e induzir essas respostas de defesa a fim de limitar a dispersão dos mesmo em campo.

Seguindo a linha de ataque dos fitonematóides e defesa das plantas, inúmeros métodos de redução populacional desses agentes são utilizados em diferentes sistemas de produção vegetal como:

Métodos químicos: nematicidas químicos são os mais utilizados para o controle de fitonematoides, entretanto, a maior parte desses compostos estão perdendo a eficiência ao decorrer dos anos pelo uso massivo e pela falta de manejo adequado das lavouras, acarretando a seleção dos nematóides resistente e aumento descontrolado de suas populações.

Método Biológico: dentre os diversos inimigos naturais dos nematóides comumente encontrados nos solos, os que apresentam maior potencial como agentes de controle biológico são as bactérias e os fungos. Esses microrganismos podem atuar diretamente nos fitonematóides ou em suas massas de ovos, parasitando ou inibindo sua “aterrissagem” e posterior alimentação dos conteúdos celulares das raízes das plantas. Os principais agentes que desempenham esses mecanismos são os fungos Trichoderma spp., Purpureocillium lilacinum e Pochonia chlamydosporia. Já pesando em bactérias, o Bacillus subtilis ainda é o mais utilizado. Observando ainda que a indução dos mecanismos de resistência das plantas por agentes microrgabianos também possui sua relevância na inibição do parasistimos dos nematóides nas plantas. Dessa maneira, podemos citar todos os microrganismos supracitados, principalmente o Trichoderma spp., Pochonia chlamydosporia e Bacilluis subtilis.

Rotação de culturas: esse método, que também pode ser considerado como biológico, têm ampla utilização na agricultura como adubo verde, cobertura morta, fixação de nitrogênio, controle de nematóides e reciclagem de nutrientes. Entre as leguminosas promissoras para essas práticas, destacam-se: a mucuna-preta (Stilozobium aterrimum Piper e Tracy), a crotalária (Crotalaria juncea, Crotalaria spectabilis ) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis D.C.), por serem plantas rústicas e de eficiente desenvolvimento vegetativo, adaptadas às condições de baixa fertilidade e de elevadas temperaturas. Visando a redução populacional dos fitonematoides a utilização da Crotalaria spectabilis é umas das mais utilizadas. Há muito tempo sabe-se que a Crotalaria spectabilis têm ação sobre os fitonematóides. De acordo com Lordello (1973), já em 1940, Barrons demonstrou que as larvas infestantes do nematóide das galhas (Meloidogyne spp.) penetram nas raízes de C. spectabilis, mas não sobrevivem, perecendo prematuramente sem deixar sobreviventes. Outro fator importante na rotação de culturas é o manejo para acumular palhada e matéria orgânica no solo. Esse fator é de grande relevância na agricultura, onde o solo é estimulado a desenvolver uma microbiota antagônica que propicia o controle biológico dos nematóides e até de outros fitopatógenos fúngicos ou bacterianos.

Utilização de variedades resistentes: embora seja o método ideal de controle de doenças, nem sempre é possível aplicá-lo, pois depende da disponibilidade de genótipos que combinem características de resistência com qualidades agronômica. Assim, a utilização dessa ferramenta deve ser utilizada com cautela, respeitando todo o manejo dessas variedades e não deixando de lado as ferramentas já mencionadas anteriormente.

Assim, o estudo do modelo de vida dos nematóides em relação à pratica agrícola é de extrema importância para a tomada de decisão quanto à redução populacional dos nematóides e o incremento da microbiota do solo. O manejo agrícola correto deve surtir efeito em médio prazo não apenas para os nematóides, esse processo irá desencadear o controle biológico de outros fitopatógenos e gerar aumento na produtividade vegetal.

Dr. Magno Rodrigues de Carvalho Filho

PhD em Fitopatologia

Universidade de Brasília/Universidade do Minho-Portugal
Área de concentração: Controle biológico de pragas e doenças de plantas

Fonte: Gerente de pesquisa e Desenvolvimento: JCO Bioprodutos

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Agricultura

Ações da Adepará garantem qualidade do limão Thaiti de Monte Alegre

 

 

A produção de limão Taiti em Monte Alegre, no oeste do Pará, deve chegar a 98 mil toneladas neste ano, somando as duas safras anuais, superando a de 2020, que foi 86,184 mil toneladas. Para garantir que o fruto chegue com qualidade na mesa da população, a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), promove ações periódicas de fiscalização de controle sanitário e documental.

Foto: Divulgação

Na última semana, uma ação de fiscalização ocorreu no Terminal Hidroviário Argemiro Bahia da Costa, do município, onde os técnicos da Adepará realizaram o levantamento da documentação fitossanitária das cargas, que para trânsito interestadual é a Permissão de Trânsito Vegetal (PTV), assim como identificação de pragas e doenças. Durante a ação, não foi identificada nenhuma irregularidade.

Segundo Cesar Augusto Sousa Filho, Agente Fiscal Agropecuário (AFA) da Adepará, o município de Monte Alegre é um importante polo de citricultura da região do baixo amazonas, e é reconhecido como área livre de cancro cítrico e zona tampão para a mosca-da carambola, pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).

“E como o município abastece estados como Amazonas, Amapá, Maranhão e também para outros países, é necessário que este produto esteja totalmente regularizado. Neste sentido, a Adepará trabalha ativamente na fiscalização no Posto de Fiscalização Agropecuária (PFA) de Monte Alegre, para controlar o envio dessas cargas”, explicou Cesar.

Produção – Atualmente, a produção de limão representa algo em torno de 20% a 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do município de Monte Alegre, gerando uma receita anual superior a 40 milhões de reais aos produtores da região.

E 90% da produção de Monte Alegre é absorvida pelo mercado de Manaus no Amazonas, indo também para Macapá, no Amapá, Belém no Pará, Imperatriz no Maranhão e Sinop no Mato Grosso.

De acordo com o último levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017, o Pará é o segundo maior produtor de limão do Brasil, perdendo apenas para o Estado de São Paulo.

 

Foto: Divulgação

Apoio – Há cerca de 25 anos o cultivo de limão já é desenvolvido em Monte Alegre, mas comercialmente o produto começou a se fortalecer uma década depois e há 10 anos vem recebendo o apoio contínuo de órgão do Estado, como a Adepará e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater). A produção é significativa e grande parte dos agricultores são familiares.

O técnico em agropecuária da Emater em Monte Alegre, Francisco Lima, comenta que o apoio sistemático dos órgãos do Estado tem proporcionado o crescimento considerável da produção local.

“A Emater atua para fortalecer a relação com o produtor, levando assistência técnica diferenciada, crédito rural e políticas públicas. A expectativa é chegar a mais de 4.000 hectares de área plantada, neste ano. É um limão de qualidade e que tem conquistado cada vez mais mercados no Brasil e no mundo”, garante o técnico em agropecuária.

Morador da comunidade Novo Brasil, na zona rural do município, o produtor Jean Silva trabalha há nove anos com o plantio do fruto, em uma área de mais de oito hectares. Ele pretende aumentar a área e, assim, gerar maior renda para a família. “É do limão que eu tiro o meu sustento, então tenho que investir para aumentar a produção e vender mais. Conto com o apoio da Adepará e Emater, isso é fundamental”, pontua.

Controle – O trabalho de controle de pragas, educação e inspeção sanitária foi importante para colocar o Pará como pioneiro entre os Estados com o título de área livre de cancro cítrico, pelo Mapa, por meio das resoluções números 1 e 6, de março de 2017. No mesmo ano, por meio do decreto nº. 1943, o Governo do Estado criou dois pólos citrícolas, localizados no nordeste e oeste paraense.

No ano de 2017, o município recebeu o status de área livre do cancro cítrico, com um produto de excelente qualidade. O Pará também é ausente para as pragas pinta preta e greening.
“Esse status proporcionou um grande avanço pra cadeia produtiva, com a ampliação do mercado e reconhecimento da qualidade e padrão sanitário, segurança alimentar, fomentando ainda mais a cadeia produtiva e gerando emprego e renda”, finaliza Cesar Filho.

O cancro cítrico é uma praga que ataca todas as variedades e espécies de citros. Altamente contagiosa, a bactéria é resistente e consegue sobreviver em diversos ambientes por vários meses. Por tratar-se de uma praga quarentenária, o comércio de frutos cítricos e seus derivados, é regulamentado por legislação internacional. A não adoção de medidas de exclusão ou erradicação da doença impede o comércio para países livres do cancro.

Para que tenha autorização de trânsito e comércio, o produtor deve estar cadastrado na Adepará. O cadastramento pode ser feito no site da Agência ou na unidade Adepará mais próxima.

Por: Rodrigo Reis (Adepará)

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Agricultura Tecnologia

Tecnologia de aplicação no sulco de plantio amplia eficiência dos biológicos

 

Parceria entre Biotrop e Orion para aplicação de bioinsumos via sulco de plantio vai atingir mais de 100 mil hectares tratados em menos de um ano. – Foto: Divulgação

O processo de seleção e manipulação das bactérias para compor os produtos biológicos e naturais na indústria e em seus laboratórios é algo complexo e que exige muita tecnologia, segurança e preparo por parte das empresas. A Biotrop, companhia que tem feito massivos investimentos principalmente em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e biossegurança, visando a alta performance de seus bioinsumos, é um grande exemplo. Para oferecer aos produtores o alto desempenho nos biodefensivos, inoculantes e bioativadores na lavoura, a empresa firmou, no fim do ano, uma parceria com a Orion Tecnologia e Sistemas Agrícolas Ltda, de Pompeia/SP, que desenvolve equipamentos profissionais de alta qualidade para aplicação de produtos líquidos no sulco do plantio.

Por meio do exclusivo programa de fidelidade Biopontos, os agricultores clientes tiveram acesso a condições comerciais diferenciadas para a compra dos equipamentos de aplicação no sulco fabricados pela Orion. Em menos de um ano, a parceria teve grande adesão por parte dos produtores, que reconheceram os ganhos em aliar as duas tecnologias. Até o momento mais de 50 mil hectares estão sendo tratados com produtos da empresa em equipamentos da Orion.

De acordo com Ivan Grossi Nakamoto, e especialista de inteligência de mercado da Biotrop, já foram fechados mais 50 mil hectares até safra 2024, dentro da parceria. “Hoje já atendemos em torno de 50 produtores em oito estados diferentes, principalmente de Goiás, São Paulo e Mato Grosso, o que comprova o sucesso dessa parceria.”, acrescentou.

O sucesso do Programa Biopontos deve-se à unificação de tecnologias de ponta no atendimento ao agricultor, com uma excelente produtividade e rentabilidade das lavouras. O programa está disponível em todas as grandes regiões agrícolas do Brasil, sendo encontrado em todos os canais de distribuição parceiros Biotrop e Orion.

Tecnologia na aplicação

Existe uma série de fatores que precisam ser observados para que os bioinsumos possam expressar todo o seu potencial uma vez aplicados. Com a tecnologia da Orion, a Biotrop tem a segurança de que as bactérias atingem o alvo perfeitamente ativas. “Com a aplicação de produtos biológicos e naturais com jato dirigido no sulco de plantio, o produtor se beneficia da precisão, condição, local, quantidade e momento correto que a prática permite, protegendo não só a semente, mas também o microambiente no qual ela é depositada”, diz Ricardo Rodrigues da Cunha, fundador e CEO da Orion.

Segundo ele, o uso da tecnologia de aplicação de produtos líquidos no sulco de plantio já é comum para algumas culturas, sendo muito utilizada em soja e milho. Entretanto para culturas como algodão, arroz, centeio, cevada, trigo, amendoim, batata, entre outras, o aumento da adoção tem acontecido de forma bastante intensa, nas últimas safras.

Para que a aplicação seja efetiva, entretanto, faz-se necessária uma especial atenção para alguns parâmetros, que interferem diretamente na ação dos produtos biológicos. “Estamos lidando com organismos vivos e a Orion sempre teve o devido cuidado com fatores como o pH da água, temperatura da calda e pressão de trabalho, que se mantidos nos padrões adequados e garantem o sucesso da operação”, ressalta Ricardo Cunha.

Ainda segundo o diretor, quando o uso dos produtos é realizado seguindo todos os parâmetros destacados, os feedbacks dos produtores sempre são positivos: “Nosso compromisso é com uma produção mais rentável e sustentável, e essa parceria com a Biotrop garante isso”, finaliza Ricardo Cunha.

Por: Revista Cultivar

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Agricultura

Soja: armazenagem própria deve ser estratégia de produtores para nova safra

Em painel realizado para celebrar a abertura da 10ª temporada do projeto Soja Brasil, representantes das principais entidades do setor discutiram desafios e as possíveis soluções para a nova safra de soja.
silo para armazenagem
Foto: Wenderson Araujo-Trilux/CNA

Em painel organizado pelo projeto Soja Brasil nesta quinta-feira, 5, representantes de importantes entidades do setor se reuniram para discutir os desafios para a produção e suas possíveis soluções para a nova safra de soja. A armazenagem foi apontado como principal problema para esse segmento da agricultura brasileira. “Temos relatos de produtor colhendo safra com 25% de umidade, sem ter onde armazenar”, relata o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Antonio Galvan. O debate celebrou a abertura da 10ª temporada do projeto Soja Brasil.

Segundo Galvan, é preciso buscar um meio para que o produtor rural consiga armazenar a soja em sua propriedade. Usando os Estados Unidos como exemplo, ele disse que o país tem capacidade para armazenar até o dobro do que produz. Thiago Rocha, consultor de Política Agrícola da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), aponta que as propriedades americanas armazenam de 75% a 80% do que é produzido.

“Aqui, temos a visão errada de que o armazém é apenas para suportar [a produção], como se fosse um pulmão. Colho, armazeno e entrego”, ressaltou Rocha. Porém, pelo gargalo representado pela falta de investimento em armazenagem, as perdas na soja se tornam frequentes. “Às vezes, nós que temos que juntar duas safras e deixar no tempo, estragando”, lamenta o presidente da Aprosoja Brasil.

Considerando que a armazenagem é a maior deficiência no Brasil, a Aprosoja-MT lançou recentemente o projeto “Armazém para Todos”, que visa facilitar o acesso dos produtores ao crédito. “Temos que mostrar ao governo federal que a safra garantida é aquela que está no armazém. Não aquela que está plantada, para ser colhida. É aquela que está lá para ser colhida”, declarou Galvan.

Dessa forma, é esperado que seja perdida uma menor quantidade do produto, o que aumenta o volume disponível para ser negociado, bem como possibilita a oferta de soja brasileira de maior qualidade.

Por: Canal Rural

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Agricultura

Adepará investe no potencial competitivo e sustentável da agricultura paraense

Promoção de ações rotineiras de fiscalização, educação sanitária, monitoramento de pragas e doenças, entre outras frentes, garantem o desenvolvimento sustentável e competitivo.

O controle de qualidade, bem como de inspeção, padronização e armazenamento de produtos e subprodutos de origem animal e vegetal, são fatores fundamentais para garantir que os produtos paraenses atendam a exigência do mercado interno e possam competir em preço e qualidade no restante do país. A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) promove ações rotineiras de fiscalização, educação sanitária, monitoramento de pragas e doenças, entre outras frentes, para garantir o desenvolvimento sustentável e competitivo do agronegócio.

Foto: Ascom/Adepará

Entre os programas permanentes na área vegetal estão: atividades de monitoramento da mosca-da-carambola em todo o Estado – controle e erradicação do foco em no distrito de Monte Dourado, em Almeirim, e no município de Gurupá (Marajó); inspeções nas áreas de citrus, para manutenção do status de Área Livre; levantamento de detecção de pragas dos citros, monilíase do cacaueiro (causada pelo fungo Moniliophthora roreri) e inspeções de pragas nas lavouras de soja.

Entre as ações, destaca-se ainda a investigação epidemiológica, trabalho desenvolvido pela Adepará que assegura a sanidade aos produtos, para que estejam sempre aptos à comercialização.

As ações periódicas de fiscalização fixa e móvel são necessárias para manter a regularização dos produtos e subprodutos de origem vegetal.

Jamir Macedo, diretor-geral da AdeparáFoto: Ascom/AdeparáO diretor-geral da Adepará, Jamir Macedo, explica que a agricultura paraense tem papel de grande relevância para o desenvolvimento econômico do Estado. “O Pará tem características geográficas peculiares, que proporcionam o crescimento e expansão de diversas culturas, dentre as quais podemos destacar o rebanho bovino que supera 21 milhões de cabeças, a produção de cacau e abacaxi como as maiores do Brasil e o avanço crescente dos grãos e soja. Com isso, o Agro ganha força e maiores investimentos, tanto da iniciativa privada como do governo do Estado, estimulam o desenvolvimento do setor em todas as etapas da produção de maneira perene e sustentável”, explicou.

 

Liderança

O Pará está no topo da produção nacional de cacau, abacaxi e açaí, além de ocupar a oitava posição na produção de banana. Outras culturas, como a da soja, estão surgindo como grandes potenciais para o agronegócio paraense.

A produção de citros também está crescendo, com destaque para o município de Monte Alegre, no Baixo Amazonas, que é considerado o maior polo produtor de limão Thaiti do Pará. Dados da Unidade de Certificação Fitossanitária de Origem (UCFO) da Adepará, apontam 6.613 propriedades cadastradas e 5.912 agricultores desenvolvendo atividades na área vegetal. Os dados são do Sistema de Integração Agropecuária (Siapec).

Foto: Veloso Junior / Ascom Emater

Cacau

Mais da metade do cacau produzido no Brasil é paraense. Em 2020, a produção da fruta no Estado foi de 144.663 toneladas, o equivalente a 52% da produção nacional. A Adepará é responsável pelo planejamento e execução de atividades que promovam a sanidade e a qualidade da produção agrícola. Cerca de 30 mil produtores atuam com a cacauicultura no Estado, em 29 municípios. Medicilândia, Tucumã e Tomé-açu lideram o ranking de produção paraense.

Banana

Com 33.662 hectares de área plantada e uma produção de 381.248 toneladas ao ano, o Pará é o 8º produtor de banana no ranking nacional. 38,27% da produção paraense de banana é proveniente da Transamazônica. As principais variedades produzidas no Pará são: banana Prata (90% em Belém consome essa variedade), Mysore, Nanica, Comprida, Conquista, Branca (maçã) e a Inajá.

Abacaxi

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Pará é o maior produtor de abacaxi no Brasil, com uma produção de 22.726 unidades por hectare. A fruta, cultivada em uma área de 18.779 hectares, tem sua produção acompanhada pelos técnicos Adepará, por meio do Programa Fitossanitário da Cultura do Abacaxi.

Os municípios de Floresta do Araguaia, Conceição do Araguaia, na região sudeste, e Salvaterra, no arquipélago do Marajó, são os maiores produtores.

Comércio

A rastreabilidade do fruto garante o comércio de abacaxi paraense dentro e fora das fronteiras nacionais. Ou seja, sua cadeia produtiva está organizada e passível de acompanhamento desde o momento da produção até à comercialização do fruto, o que garante ao consumidor informações sobre a origem e as práticas de produção do produto consumido.

A ferramenta utilizada para fazer esse rastreio de frutas e vegetais frescos, no Pará, é o Guia de Trânsito Vegetal (GTV), documento que deve acompanhar as cargas de vegetais dentro do Estado. A Guia é emitida pela Adepará com base nas informações de cadastro de produtores. Ela identifica a origem, rota, quantidade do produto, finalidade e seu destino.

Educação sanitária – Uma das frentes mais importantes da Adepará é a educação sanitária, fundamental para instruir o produtor sobre o manejo das plantações e notificações de doenças que possam atingir as lavouras. Por isso, a educação sanitária é outro trabalho desenvolvido de forma regular pela Adepará, levando ao público ações educativas desenvolvidas com as comunidades e entidades representativas de produtores rurais, além de escolas do meio urbano, feiras agropecuárias, universidades e outros eventos do setor. Essas ações geralmente são elaboradas e executadas em parceria com as comunidades, valorizando a integração.

CAPACITAÇÃO

A equipe técnica da Adepará também promove capacitações regulares, cuja proposta é conscientizar e sensibilizar agricultores sobre a importância em identificar e notificar doenças obrigatórias como brucelose, tuberculose, febre aftosa, peste suína clássica e doença de newcastle.

A gerente de Educação Sanitária da Adepará, Karina Santos, destaca a importância das capacitações rotineiras nos municípios e como as ações contribuem para fortalecer a relação da Agência e os produtores.

“São temas que têm relação direta com o dia a dia do produtor, então ele precisa conhecer e se atualizar sobre as doenças que podem atingir seus animais. E, também, como proceder caso identifique qualquer suspeita. É uma oportunidade de ouvir sugestões e ideias dos produtores, para melhorar ainda mais os serviços ofertados pela Adepará em seus municípios”, garante.

 

Fonte: ADEPARÁ