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Falando em Bem-Estar: Bovinos também gostam de sombra

Quando falamos em terminação de bovinos de corte, na grande maioria das vezes, nos vem à mente grandes estruturas para a terminação dos animais, como por exemplo: o confinamento. Sem dúvida, trata-se de um sistema que pode melhorar os índices produtivos e econômicos das propriedades, porém, visto o aporte financeiro necessário para a implantação do projeto, aspectos como a condução operacional são de suma importância para que a atividade seja conduzida de maneira ideal.

Os resultados obtidos no confinamento estão intimamente ligados à gestão da rotina, uma vez que os animais dependem 100% das pessoas responsáveis pelo manejo. Podemos chamar o animal de “unidade de produção do sistema”, já que os resultados dos trabalhos são vistos em função do desempenho dos mesmos durante a fase de terminação. Independente da forma de avaliar o resultado obtido, seja ele por meio do ganho de peso vivo diário, do ganho de peso em carcaça, do rendimento de carcaça, da eficiência biológica ou qualquer outro parâmetro, toda ação exercida sobre a unidade de produção, visando a rentabilidade e retorno econômico, deve levar em consideração aspectos da ambiência.

Assim, quando falamos em ambiência, estamos nos referindo às condições físicas e psicológicas que iremos oferecer aos animais como, por exemplo, sistema hídrico (reservatórios, bebedouros automáticos e, principalmente, qualidade do recurso: água), áreas de permanência dos animais, estruturas que possibilitam o conforto térmico (aspersores, sombreamento) e estruturas para distribuição de ração (espaçamento de cochos para dieta total ou para dieta seca). Sabemos que se não entendemos a realidade em que os bovinos são submetidos nesse sistema, assim com suas necessidades básicas (físicas e psicológicas), podemos correr vários riscos que comprometem um ótimo desempenho.

A necessidade de aumentar a produção sempre é muito discutida, no entanto, muitas vezes, esquecem-se que bovinos são seres vivos e que necessitam de condições adequadas para entregar o seu melhor desempenho. Extrair o máximo potencial de cada animal só é possível se eles possuírem boa genética, atrelada a um manejo nutricional excelente, status ótimo de saúde, possibilidade para expressar seu comportamento natural e também se houver conforto no ambiente.

Vale lembrar que é crescente a preocupação do mercado consumidor em conhecer as reais condições em que os animais são criados e abatidos, ou seja, qual o grau de bem-estar dos animais na fazenda e durante o manejo pré-abate.

Diante desse cenário, ao falarmos em instalações, precisamos ir mais além e focar em ambiência e – de uma forma mais específica – conforto térmico dentro das baias. Várias estratégias podem ser descritas para o atingimento dessas exigências, mas uma em especial será abordada neste texto: a disponibilidade de sombra nas baias de confinamento.

Em um país de clima tropical como o nosso, o objetivo do sombreamento é proporcionar melhores sensações térmicas para os animais, o que consequentemente afeta seu conforto térmico. Diante da variabilidade dos grupos raciais de bovinos terminados em confinamento, são esperados diferentes graus de tolerância às variações de temperatura. É de conhecimento geral que animais zebuínos são mais adaptados às regiões de clima quente em comparação aos taurinos, adaptados aos ao clima mais frio ou temperado. Porém, isso não significa dizer que os zebuínos não necessitam de um ambiente confortável termicamente.

Quando oferecemos aos animais boas condições, estamos aumentando as chances de adaptação ao sistema de produção. O uso de sombra trará diversos benefícios, como: amenizar a radiação solar diretamente, diminuição do estresse térmico e redução do estresse devido à alteração do comportamento (disputa pelo alimento e estabelecimento de hierarquia), benefícios que resultarão em ganho adicional no desempenho do animal.

O sucesso deste recurso depende de um bom planejamento, e da escolha dos materiais ideais para sua construção. O primeiro ponto a ser planejado é a área sombreada ofertada aos animais. Ao falarmos em oferecer 1,5m/animal (480 kg peso vivo), em uma baia de 100 animais = 150m2 de sombra/baia, corremos o risco de que nem todos os animais poderão usar o recurso no horário mais crítico do dia (ou sol a pino), resultando em uma disputa semelhante àquela por alimento, quando a área de cochos não é suficiente para o lote. Havendo essa disputa teríamos um enorme impacto – aos animais -, em função do elevado estresse, no qual todos os benefícios promovidos pelo uso da sombra seriam perdidos. Por esse motivo, é melhor ofertarmos o máximo possível de sombra a fim de evitarmos um indesejável nível de estresse, prejudicando o desempenho como um todo ao lote. Trabalhos realizados em fazendas do estado de Mato Grosso apontaram área de sombra utilizável de 2,6mpor animal, ou mais, e obtiveram resultados superiores a 0,100 kg adicional/animal/dia.

O sentido e posicionamento da cobertura também são muito importantes e devem seguir orientação Norte-Sul, permitindo que a projeção da sombra possa ser móvel dentro da baia ao longo do dia, promovendo também a secagem na superfície debaixo da tela de sombreamento, diminuindo assim a formação de lama. Além disso, as estruturas de sombreamento não devem ficar no mesmo lugar que o bebedouro ou o cocho, para evitar a disputa entre os animais pelo recurso. Vale ressaltar que a disputa nem sempre é uma briga propriamente dita. Por vezes, pode ser um domínio da área para evitar que alguns animais deitem e/ou impeçam com ameaças que outros animais acessem o cocho ou o bebedouro.

Foto 1: Garrotes 13@ – Nelore – Uso de sombra (artificial) de acordo com a posição da estrutura na baia.

Nutrição Animal - Agroceres Multimix

Quando falamos em desempenho no confinamento, sabemos que o potencial genético, a composição da dieta e a sanidade possuem um papel fundamental para chegar aos resultados, mas é preciso considerar que a disponibilidade de sombra dentro do sistema de produção nos auxilia a conseguirmos incrementos nos ganhos de peso, facilidade de adaptação e maiores pesos de carcaça. Estudos práticos têm apontado ganhos adicionais de 100 gramas/dia e 7,0 kg a mais no peso da carcaça para animais confinados com sombra, quando comparados aos animais sem esse recurso.

Muitas vezes, esse recurso não é aplicado devido à falta de conhecimento sobre as estruturas necessárias e os custos da implantação, sendo taxado como caro e desnecessário. Assim, é importante destacar que certos “custos” são na verdade investimentos, uma vez que terá impacto significativo nos resultados de desempenho final, que se resume a maior receita financeira.

Normalmente, não são medidos esforços para aquisição de animais com boa genética, boa nutrição, capacitação de mão de obra, modernização das instalações, aquisição de máquinas e equipamentos de última geração sempre em busca de atingir mercados diferenciados. Entretanto, pode passar batido que dentre esses mesmos “mercados diferenciados”, além dos itens citados, o bem-estar animal pode atuar com uma peça chave para o fechamento de contratos e, nesse cenário, o sombreamento tem posição de destaque. Pense nisso!

Fonte: Agroceres Multimix

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8 fundamentos sobre Manejo Integrado de Pragas que você ainda não aprendeu

O manejo integrado de pragas ou MIP, tem se tornado uma alternativa bastante eficaz no combate de pragas. As lavouras são muito afetadas pelas pragas, o que tira o sono de qualquer agricultor. Pragas agrícolas são sinônimos de perdas de produção e lucro.

Então, como isso pode ser minimizado? Você pode utilizar o planejamento agrícola, que é o ato de planejar pensando no seu objetivo agrícola . O planejamento agrícola é importante para você se antecipar e se preparar contra os inimigos naturais que podem surgir na sua lavoura. Assim, no planejamento de sua lavoura você pode, e deve,  usar o manejo integrado de pragas (MIP).

A partir da implantação do MIP é possível reduzir as pulverizações com inseticidas em até 68%.

Milho atacado por lagarta do cartucho
Lagarta-do-cartucho é uma das pragas chaves ou  principais pragas em milho, podendo reduzir até 55,6% dos rendimentos. (Fonte: Ivan Cruz em A Granja)

Mas, o que é este tipo de manejo?

1. O que é manejo integrado de pragas (MIP)?

É a utilização de diversas técnicas de  manejo para manter a população da praga abaixo do nível de dano econômico, relacionando com aspectos econômicos, sociais e ecológicos. Tomar uma decisão não é uma tarefa nada fácil. E o MIP pode te auxiliar nessa tarefa. Você deve estar se perguntando o que são essas diversas técnicas de manejo? E como posso utilizá-las na minha lavoura?

2. Algumas técnicas de manejo utilizadas no MIP

Primeiramente, você utiliza qual tipo de manejo para controlar pragas em sua lavoura? O primeiro manejo que veio à sua cabeça certamente foi o controle químico. Mas, você pode utilizar outros tipos de manejo em sua cultura.

manejo integrado de pragas
(Fonte: Amici mecanização agrícola).

Um bom exemplo de controle integrado é o controle biológico, que utiliza organismos benéficos para o controle de pragas, ou seja, utiliza um inimigo natural para reduzir a ocorrência da praga em sua lavoura. Um exemplo de controle biológico no manejo integrado de pragas é a utilização do ácaro predador no manejo do ácaro rajado em diversas culturas, como feijão, cultura do milho e soja.

controle biológico e manejo integrado de pragas
(Fonte: Governo do Estado de São Paulo, APTA e Instituto Agronômico).

Além disso, você pode utilizar outras técnicas integradas de manejo. Tais como: rotação de culturas, mudas sadias, eliminação de plantas doentes, época de plantio e o controle genético (variedades resistentes).

Esses métodos são utilizados principalmente, antes ou na instalação da lavoura, por isso, o MIP faz parte do planejamento agrícola, como já citei lá no começo do texto. Claro, que você pode utilizar o controle químico, mas deve realizar as pulverizações de uma forma mais consciente e racional. E o MIP pode te ajudar a realizar essas pulverizações de forma racional, veja como a seguir:

3. Mantenha as pragas abaixo do Nível de Dano Econômico

Você deve estar se perguntando, como assim, “manter a praga abaixo do nível de dano econômico”? Nível de dano econômico é a menor densidade populacional da praga que causa dano econômico. Devemos realizar o controle da praga quando a população da mesma alcançar o “Nível de Controle” (NC),  assim não haverá nenhum dano econômico para a cultura.

nivel de dano economico
(Fonte: [Infográfico] Tudo o que você precisa saber sobre Manejo Integrado de Pragas ).

No MIP é necessário o monitoramento da praga para você saber quando atingiu o NC. E antes de falar sobre monitoramento das pragas, vamos falar de alguns benefícios que o MIP pode trazer para sua lavoura.

4. Benefícios do Manejo Integrado de Pragas

Manejar sua lavoura no momento certo pode reduzir o custo de produção, através da utilização de menos aplicações de defensivos agrícolas. Com este tipo de manejo há menores riscos para o meio ambiente e esta prática pode ser utilizada em propriedades de qualquer tamanho. Pode reduzir o número de aplicações e diminuir 8% (cerca de 70 mil reais) do seu custo de produção na sua lavoura de soja com a utilização do MIP .

lagarta em plântula de soja
(Fonte: Mais Soja)

Embrapa e Emater apontaram que na safra 2016/2017 nas lavouras de soja no Paraná, o manejo integrado de pragas e doenças reduziu o uso de defensivos em 45%. Reduzir o custo de produção torna seu negócio mais lucrativo. Para conseguir esses resultados você deve seguir as etapas do MIP.

5. Etapas Fundamentais para você seguir

Para implementar o MIP algumas etapas a serem seguidas são:

  1. Avaliação do ecossistema : conheça as pragas da cultura e qual seu nível pelo monitoramento;

  2. Tomada de decisão : com o monitoramento e o nível de dano econômico saiba qual é o momento certo para efetuar o controle;

  3. Escolha da estratégia de controle a ser utilizada na sua lavoura: avalie suas opções de controle após o estabelecimento da praga na lavoura: controle biológico ou químico.

Além disso, a regra número 1 é o planejamento da sua lavoura, primordial para não permitir que a praga se estabeleça na cultura. E regra número 2: você deve conhecer sua lavoura, quais são as pragas existentes, áreas com maior incidência de pragas e qual a incidência. Para isso, o monitoramento é essencial.

6. Monitoramento de sua Lavoura

Um dos pilares do MIP é o monitoramento da lavoura para determinar o momento correto para manejar a praga. Para isso, há necessidade de realizar o monitoramento frequentemente. Primeiramente, para o monitoramento, você deve conhecer as pragas que atacam sua cultura.

O pano de batida é um dos métodos de monitoramento que você pode usar na sua propriedade. Aliás, é o método mais utilizado de monitoramento.

metodo-pano-de-batida
Método de pano de batida utilizado para o monitoramento de pragas (dimensões de 1×1,5m). (Fonte: [Infográfico] Tudo o que você precisa saber sobre Manejo Integrado de Pragas )

Você pode fazer planilhas para anotar os dados do monitoramento.

ficha MIP
Exemplo de planilha para o monitoramento da praga em sua lavoura, amostrando 10 pontos. (Fonte: Fundação MS)

Ou você pode usar um aplicativo que guarda seus dados de maneira muito mais segura.

Monitoramento Aegro
(Fonte: Aegro)

O monitoramento com mapas de danos pode ser feito digitalmente e diretamente na área pelos funcionários da fazenda e você ainda pode conferir quando e onde esse monitoramento foi realizado. Após o monitoramento da cultura, você deve procurar qual o nível de controle para cada praga.

MIP na soja
(Fonte: Fundação MS)

Quando a praga atingir o NC , você deve utilizar algum método de controle em sua lavoura para não ter perdas de produção. Há várias publicações gratuitas que ajudam você a determinar quais as pragas que podem ocorrer em sua lavoura. Algumas publicações para a cultura da soja:

Artropodes soja
(Fonte: Embrapa clique aqui para acessar)
Manual de Pragas Soja
(Fonte : Agrolink clique aqui para acessar)

Nesta publicação da Fundação MS, você encontra sobre a identificação da praga, seu ciclo de vida e o dano na cultura. A identificação com foto da praga te ajuda a compreender seu comportamento e ver se há infestação desse inseto na sua lavoura.

falsa medideira
(Fonte: Fundação MS  clique aqui para acessar)

E também encontra o NC (Nível de Controle ou Nível de Ação de Controle), ou seja, qual a quantidade de insetos identificados no monitoramento indica que se deve fazer o controle.

falsa medideira

No caso da falsa-medideira, deve ser feito o controle quando for encontrado 40 lagartas grandes por pano de batida. Você já identificou a praga e descobriu que a infestação está em nível de controle, mas qual método de controle utilizar?

7. Métodos de Controle de Pragas. Qual medida de controle utilizar?

Para determinar qual tipo de medida utilizar, você pode consultar publicações, como as relatadas acima, que além da descrição da praga também mostra quais os métodos de manejo. E também consulte um engenheiro agrônomo para a prescrição de algum produto. Consultando o Agrofit , você consegue ver os produtos químicos e biológicos registrados para sua lavoura, a praga que o produto controla e a dose que deve ser utilizada do produto.

Você pode pesquisar os produtos por pragas (insetos, doenças e plantas daninhas), ingrediente ativo e produtos formulados.

agrofit-manejo-integrado-de-pragas

8. Manejo integrado de pragas e doenças

Os principais fundamentos do MIP são os mesmos para plantas daninhas e doenças. Porém, existe também o manejo integrado utilizado para doenças, o qual é chamado deMID (manejo integrado de doenças). Este tipo de manejo ainda é de pouca utilização para as doenças, em função do nível de dano econômico que ainda é difícil de ser medido. Isso porque, na maioria das vezes, quando se identifica uma doença em campo, esta já causou perdas de produção. Por isso, é difícil determinar qual é o nível de dano econômico para as doenças antes de ocorrer reduções de produtividade e, consequentemente, perdas econômicas. Mas, já existem algumas pesquisas para  aperfeiçoar o MID.

Para a ferrugem da soja, foram monitorados os esporos do patógeno Phakopsora pachyrhizi, para determinar a presença precoce do fungo e determinar quando utilizar fungicidas para esta doença.

Conclusão

Voltando a pergunta inicial, como posso minimizar perdas por pragas? Primeiramente, realize o planejamento de sua lavoura. O MIP faz parte deste planejamento. Realizando o manejo integrado de pragas, você saberá o momento certo de fazer o controle, reduzindo custo de produção e aumentando sua lucratividade. E com isso, ter sucesso com sua lavoura.

Fonte: Lavoura10

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Como a dieta pode alterar a concentração de proteína no leite?

Maximiliano H. O. Pasetti
Pesquisador da Clínica do Leite. Zootecnista formado pela Universidade do Estado de Santa Catarina, Mestre e Doutorando em Ciência Animal e Pastagens– ESALQ/USP

Alterações na nutrição das vacas podem contribuir de forma modesta para aumentar o teor de proteína presente no leite – em geral, o incremento gerado pela dieta varia de 0,1% a 0,4%, somente. Um fator que explica essa pequena variação é o fato de que, ao tentar elevar a proteína no leite, também estimulamos o aumento da produção, o que pode diluir o teor de proteína. Ainda assim, pensando na rentabilidade no negócio, todo ganho é importante.

O aumento no nível de proteína do leite pode ser alcançado de duas formas. A principal é o fornecimento de uma dieta equilibrada em energia (carboidratos) e proteína, gerando um crescimento ideal dos microrganismos presentes no rúmen da vaca. Os microrganismos, por sua vez, produzem os aminoácidos – componentes fundamentais da proteína presente na glândula mamária do animal. Esse resultado pode ser alcançado fornecendo aos animais quantidades equilibradas de milho moído (energia) e farelo de soja (proteína), por exemplo.

Outra forma de alterar a proteína do leite é adicionar à dieta fontes de ureia combinadas a fontes de energia, pois os microrganismos do rúmen são capazes de convertê-la em proteína. No entanto, é importante destacar que quando consumida em quantidades inadequadas e em curto período de tempo, a ureia apresenta riscos à saúde da vaca, podendo levar à morte do animal. Para animais não adaptados, o consumo de 45 a 50 gramas por dia de ureia para cada 100 kg de peso vivo pode ser fatal. Já animais adaptados toleram doses duas a três vezes mais no mesmo período de tempo. Vale lembrar que a ureia deve sempre ser fornecida juntamente com alimentos concentrados para otimizar a produção de proteína e evitar quaisquer problemas de saúde.

Por fim, outra maneira de aumentar a proteína no leite está em ampliar os níveis de proteína e aminoácidos que passam intactos na digestão ruminal e são absorvidos diretamente no intestino da vaca. Esses nutrientes têm como destino a glândula mamária e, consequentemente, se transformam em proteína no leite. Para contribuir com esse processo, existem no mercado fontes de proteína protegida da digestão ruminal, que podem ser agregadas à dieta dos animais.

Como precisamos uma dieta equilibrada para alcançar níveis ideais de proteína, recomenda-se observar se os valores de nitrogênio ureico do leite (NUL) estão em níveis adequados – o que pode ser feito a partir da análise de uma amostra do leite cru. A ureia no leite é um indicador do equilíbrio do sistema ruminal, de forma que concentrações elevadas servem como alerta para desequilíbrios entre proteína e carboidratos. De forma geral, um animal com dieta balanceada em energia e proteína é capaz de produzir leite com teor de proteína maior que 3,3%, apresentando NUL entre 10 a 14 mg/dL.

Vale enfatizar que, apesar de todos os esforços para tentar aumentar os níveis que proteína no leite, essa é uma tarefa bastante difícil, pois diversos outros fatores influenciam esse resultado – efeitos genéticos, aspectos ambientais, número de parições, estágio da lactação, mastite e nutrição, entre outros. Por isso, é importante se manter atento à nutrição e também a todos eles.

Fonte: Milkpoint

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Trator auxilia agricultores desde o preparo no solo até a colheita

A máquina vem equipada com transmissão mecânica de doze marchas a frente e doze a ré e eixo dianteiro reforçado. Além disso, a linha permite a incorporação de implementos que evitam a patinagem e traz mais agilidade na operação.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=PRbY6Jwxd9M]

Na região de Turvo/SC, a propriedade da família Sartor conta com o trator da linha 8000s da Mahindra que opera nas lavouras de milho, arroz e feijão. Contudo, os tratores têm baixo consumo de combustível em 40 minutos operando chega a consumir apenas 6 litros de óleo diesel.

De acordo com o coordenador de serviços da Mahindra, Josué Beutler, o diferencial da máquina é que o primeiro projeto de engenharia nacional. “Por isso, foi projetada com maior espaço entre o volante e o assento do operador. Além de um maior facilidade do acesso nos comandos hidráulicos que eram características desejadas pelo o mercado”, afirma.

Dentre as atividades que o trator ajuda os produtores rurais vai desde a incorporação da palha até a colheita. “É uma máquina curta e é muito bom para fazer voltas sem contar que é um ótimo trator para trabalhar”, destaca o produtor rural, Donato Sartor.

Fonte: Notícias Agrícolas

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Aprenda mais sobre o ciclo completo de produção

Agora que você já aprendeu a selecionar o rebanho através das características de desmama, habilidade materna e índice final de seleção, chegou a hora da última dica da nossa série sobre critérios de seleção, onde vamos aprender mais sobre o ciclo completo de produção.

Na dica de hoje, Caio Tristão, gerente de produto Corte Zebu da CRV Lagoa, foca não só nas características de ganho de peso, como, também, na composição de carcaça, acabamento dos animais e novilhas para reprodução.

Confira!

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=XCNhbF3fctI]

Fonte: CRV Lagoa

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10 dicas de ouro para aumentar a taxa de prenhez

Atualmente, especialistas da área de reprodução bovina consideram que a taxa de prenhez é a ferramenta mais eficiente para monitorar o desempenho reprodutivo dos rebanhos. Esse indicador pode ser obtido em curto espaço de tempo, inclui primíparas e pluríparas, e possibilita a implementação de ações corretivas em tempo hábil. Neste artigo, citaremos 10 dicas que poderão ser implementadas em curto ou médio prazo, com o objetivo de aumentar a taxa de prenhez do seu rebanho.

A taxa de prenhez indica o percentual de vacas que está se tornando gestante em relação ao total de vacas aptas do rebanho, a cada 21 dias. Vacas aptas são aquelas que retornam à reprodução após o período de espera voluntário (PEV), em torno de 45 dias após o parto. Quanto maior a taxa de gestação de um rebanho, maior a quantidade de vacas gestantes nos primeiros ciclos reprodutivos após o PEV, e maior o retorno econômico para o sistema de produção.

A taxa de prenhez engloba dois importantes índices: a taxa de serviço e a taxa de concepção. A taxa de serviço é a porcentagem de vacas inseminadas em relação ao total de vacas aptas em um período de 21 dias. A taxa de concepção é a porcentagem de vacas gestantes em relação ao total de vacas que foram inseminadas. Portanto, para obter alta taxa de prenhez é necessário que a maioria das vacas aptas estejam ciclando, sejam observadas em cio e sejam inseminadas corretamente (aumento da taxa de serviço). Além disso, essas vacas devem apresentar ambiente uterino adequado para o desenvolvimento embrionário inicial e manutenção da gestação (aumento da taxa de concepção).

Com o objetivo de auxiliar o leitor a melhorar a taxa de prenhez do seu rebanho, listamos a seguir dez dicas que poderão proporcionar impacto significativo na eficiência reprodutiva e produtiva.

DICA 1 – Monitorar intensivamente o periparto, visando minimizar a perda de peso e a ocorrência de transtornos puerperais.

A rápida involução uterina e o retorno da ciclicidade ovariana até quatro semanas após o parto são essenciais para aumentar a taxa de prenhez logo após o PEV. O periparto das vacas leiteiras é caracterizado pela diminuição da ingestão de alimentos e aumento súbito da demanda energética, imposta pelo início da lactação. Mudanças fisiológicas ocorridas nessa fase podem afetar o sistema imunológico, favorecendo o estabelecimento de infecções uterinas e outras doenças puerperais, além de interferir no retorno da ciclicidade ovariana. A compreensão das alterações que ocorrem no metabolismo durante o período de preparação para a nova lactação é primordial para estabelecer programas de prevenção para as afecções puerperais.

As adaptações metabólicas ocorrem em todos os animais, inclusive naqueles com boa condição corporal, porém, vacas obesas tendem a ingerir menor quantidade de alimentos e a apresentar perda de peso mais acentuada no início da lactação (Figuras 1 e 2). A redução de uma unidade na condição corporal até 30 dias após o parto interfere na atividade ovariana, prejudicando a qualidade dos oócitos e o desenvolvimento embrionário. A subfertilidade desses animais resulta em baixas taxas de concepção. Para evitar a obesidade no pré-parto e a perda excessiva de peso no pós-parto, recomenda-se a adequação da nutrição no terço final da lactação e o balanceamento correto da dieta em cada fase do periparto.

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Figura 1. Vaca recém-parida com boa condição corporal.
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Figura 2. Vaca obesa

DICA 2 – Respeitar o período de espera voluntário, que pode variar de acordo com a raça e o grau de sangue das vacas, ordem de parto e ocorrência ou não de doenças puerperais.

Teoricamente, quanto mais rapidamente é realizado o primeiro serviço (inseminação artificial ou monta natural) após o parto, maior a chance de emprenhar uma vaca, reduzindo os dias em aberto e o intervalo de partos. No entanto, deve-se respeitar o PEV, que geralmente varia de 45 a 60 dias, com intervalos mais curtos (30 dias) ou mais longos (90 dias), dependendo da raça, do grau de sangue, da ordem de parto, da época do ano, da ocorrência ou não de doenças no pós-parto, dentre outros fatores.

Durante o PEV, as vacas devem apresentar involução uterina completa, voltar a ciclar regularmente, aumentar a ingestão de alimentos e atingir o pico da lactação. Alguns estudos indicam que o período de máxima fertilidade após o parto de vacas leiteiras de alta produção esteja compreendido entre 80 e 100 dias após o parto. O retorno econômico para os produtores é maior quando o período de serviço (intervalo do parto à nova gestação) é de 105 dias para primíparas e 63 dias para pluríparas. Portanto, quanto maior a taxa de gestação, maior a quantidade de vacas gestantes nos primeiros ciclos reprodutivos após o período de espera voluntário, e maior o lucro para a propriedade.

Na Tabela 1, apresentamos a evolução da situação reprodutiva de três propriedades hipotéticas, considerando que cada uma apresentava 100 vacas aptas à reprodução após o período voluntário de espera de 45 dias. Observe que a propriedade 1 tem maior chance de descartar vacas vazias ao final da lactação quando comparada às propriedades 2 e 3. O leitor pode usar esses exemplos para simular a situação da sua propriedade.

Tabela 1. Evolução do desempenho reprodutivo de três propriedades hipotéticas (1, 2, 3), considerando a presença de 100 vacas aptas após período de espera voluntário (PEV) de 45 dias.

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DICA 3 – Ter muito cuidado com a qualidade do sêmen, principalmente com o armazenamento e descongelamento do sêmen utilizado na IA, e com a sanidade e fertilidade de touros em regime de monta natural.

O sêmen é responsável por 50% do sucesso de uma gestação, e muitas vezes sua qualidade é negligenciada. Geralmente, apenas a fertilidade das fêmeas é questionada quando deparamos com rebanhos com baixas taxas de concepção.

Nas propriedades que adotam a inseminação artificial, as doses de sêmen devem ser provenientes de centrais idôneas e devem apresentar os resultados de testes de fertilidade. A manipulação do botijão de sêmen deve ser feita somente por pessoas treinadas, as quais devem evitar a exposição das palhetas à temperatura ambiente, além de verificar periodicamente o nível de nitrogênio líquido para conservação adequada do sêmen (Figura 3). Recomenda-se o descongelamento das palhetas de sêmen em água aquecida a 37°C, durante 30 segundos. Outras formas de descongelamento prejudicam a estrutura dos espermatozoides e comprometem a fertilidade do sêmen.

Nas propriedades que adotam a monta natural, os touros devem ser avaliados por meio de exames andrológicos completos, descartando-se animais subférteis. Um rigoroso controle sanitário deve ser realizado nesses rebanhos, evitando-se a disseminação de doenças que podem afetar a reprodução. O cuidado com o conforto térmico dos touros, principalmente aqueles de raças taurinas, é outra preocupação dos proprietários que desejam evitar a redução da qualidade do sêmen.

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 Figura 3. A qualidade do sêmen depende da manipulação adequada do botijão e do nível de nitrogênio líquido.

DICA 4 – Conscientizar os inseminadores sobre a importância do bom desempenho das suas funções.

O inseminador é diretamente responsável pelos resultados das taxas de serviço e concepção. Entre suas funções, podemos citar a observação diária de cio, a execução correta de todas as etapas da técnica de inseminação, a inseminação no momento mais adequado, a deposição do sêmen no local certo, além da higiene pessoal, com os materiais e os animais. A conscientização desses profissionais sobre a importância das suas funções é fundamental para aumentar a taxa de prenhez.

Diversas estratégias podem ser adotadas para auxiliar o inseminador na observação de cio, contribuindo para aumentar significativamente a taxa de serviço do rebanho. Na edição de junho/2016 (número 87) da Revista Leite Integral, foram apresentadas algumas dessas estratégias.

DICA 5 – Investir em capacitação da mão de obra e valorizar inseminadores com bom desempenho.

Somente funcionários responsáveis e interessados devem compor a equipe de inseminadores de uma propriedade. O investimento em cursos de capacitação, o treinamento da equipe e o acompanhamento periódico das atividades por um veterinário são fundamentais para a formação de bons inseminadores. Para valorizar o trabalho desses profissionais e estimula-los a estarem sempre melhorando o seu desempenho, podemos estabelecer metas individuais e oferecer o pagamento de bônus salarial por gestação confirmada ou meta alcançada, por exemplo.

A oportunidade de fazerem cursos de reciclagem é uma forma de incentiva-los a detectar possíveis falhas. “Um bom inseminador não custa, vale”. O resultado do investimento em bons inseminadores é refletido na melhoria dos índices reprodutivos, principalmente a taxa de prenhez.

DICA 6 – A adoção de protocolos hormonais pode ser uma alternativa para aumentar a taxa de prenhez em rebanhos com baixa taxa de detecção de cio.

Para aumentar a taxa de observação de cio em rebanhos leiteiros, várias estratégias de manejo têm sido adotadas, por exemplo, a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), que consiste na adoção de protocolos hormonais para indução/sincronização do cio e da ovulação, visando realizar as inseminações em dia e horário pré-determinados. Verifica-se aumento da taxa de serviço, que nem sempre resulta em aumento da taxa de prenhez.

Apesar dos avanços nas pesquisas, os protocolos hormonais desenvolvidos para IATF em vacas leiteiras apresentam resultados variáveis e podem não ser economicamente vantajosos. Sendo assim, a adoção de protocolos hormonais tem sido recomendada para melhorar a eficiência reprodutiva somente em rebanhos com taxa de observação de cio inferior a 50%. Em todos os casos, recomenda-se fazer uma avaliação prévia à implantação da IATF, para verificar se o mais viável seria solucionar os problemas que estão reduzindo a eficiência reprodutiva da propriedade, como o estresse calórico, os problemas de casco, a baixa condição corporal, etc.

DICA 7 – Não descuidar da sanidade do rebanho, visto que diversas doenças infecciosas podem levar à repetição de cios, mortalidade embrionária e abortos.

Algumas patologias são mais frequentes no puerpério, como as infecções uterinas e os cistos ovarianos, e podem comprometer o retorno à reprodução devido ao atraso da involução uterina e do retorno à ciclicidade ovariana.

Em rebanhos confinados, as doenças do casco podem comprometer a manifestação do cio. Outras enfermidades como a mastite clínica, podem levar a quadros de hipertermia, aumentando a chance de ocorrer mortalidade embrionária precoce. Classificadas como doenças infecciosas, a brucelose, a leptospirose, a diarreia viral bovina, a neosporose, a campilobacteriose, dentre outras, podem levar à repetição de cios devido a falhas no estabelecimento inicial da gestação, ou podem afetar o desenvolvimento fetal, levando à ocorrência de abortos em determinadas fases da gestação. A maioria dessas doenças é controlada por meio de vacinações periódicas do rebanho.

DICA 8 – A preocupação com o bem-estar dos animais também é primordial para melhorar os índices reprodutivos.

Fatores estressantes, como temperatura ambiental elevada, alta lotação de animais por área e oferta reduzida de água e alimentos, são extremamente prejudiciais para o estabelecimento inicial da gestação. Todos esses fatores contribuem para o quadro de estresse calórico, levando à elevada incidência de mortalidade embrionária precoce.

Nas regiões de clima tropical, as vacas leiteiras de alta produção devem ser mantidas em ambientes climatizados, com baixa lotação, com acesso fácil à água e dietas balanceadas, visando o conforto térmico desses animais. Vacas mantidas a pasto devem ter acesso à sombra de árvores (ou pelo menos, de sombrites), água fresca e forragens de boa qualidade.

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Figura 4. Fêmeas mantidas a pasto, com acesso a sombra de árvores ou de sombrite. O conforto térmico é essencial para aumentar a taxa de prenhez do rebanho

DICA 9 – Dar atenção ao manejo nutricional e controle da condição corporal de todas as categorias do rebanho.

A reprodução eficiente de um rebanho é totalmente dependente de um manejo nutricional adequado. Esse elo entre a reprodução e a nutrição é explicado pelas funções que fatores nutricionais assumem no metabolismo, possibilitando ao animal a expressão de seu potencial reprodutivo e produtivo. Por exemplo, a secreção de determinados hormônios relacionados ao controle da reprodução é dependente dos níveis de glicose e ácidos graxos.

Dietas balanceadas com forragens, concentrados e minerais de boa qualidade são importantes para o desenvolvimento corporal e ganho de peso das novilhas pré-púberes, púberes e gestantes, bem como para as vacas primíparas. A condição corporal deve ser controlada por meio de nutrição adequada em cada terço da lactação, no período seco e no periparto, como mencionado anteriormente na dica 1. Em todas as categorias do rebanho, a baixa condição corporal e a elevada condição corporal são incompatíveis com um bom desempenho reprodutivo.

DICA 10 – Aguardar o desenvolvimento do trato reprodutivo das novilhas antes de submetê-las ao primeiro serviço.

Para serem submetidas ao primeiro serviço, as fêmeas bovinas precisam atingir a puberdade e apresentar completo desenvolvimento do trato reprodutivo. A novilha é considerada púbere quando manifesta o primeiro cio acompanhado de ovulação e desenvolvimento de um corpo lúteo capaz de manter uma gestação. A idade à puberdade está diretamente relacionada com o peso das novilhas e com a sua condição corporal. O manejo nutricional, a presença do macho e a genética dos animas são fatores que influenciam na idade à puberdade das novilhas.

Um dos hormônios relacionados à reprodução é a leptina, que é secretada tecido adiposo. Em novilhas, a reserva corporal de gordura é importante para o desencadeamento da puberdade. O nível de leptina aumenta com a proximidade da puberdade, indicando que a nutrição, a condição corporal, o peso e a idade estão positivamente correlacionados com este hormônio e, consequentemente, com a reprodução.

Inseminar ou acasalar novilhas com baixo peso pode comprometer as altas taxas de concepção esperadas para essa categoria, que é considerada a mais fértil do rebanho. É necessário aguardar a maturidade sexual para obter boas taxas de gestação em novilhas. As taxas de concepção de novilhas inseminadas a partir do terceiro cio são maiores que no primeiro e no segundo cio.

Considerações finais

A maioria das dicas citadas anteriormente consiste na correção de erros de manejo e não demanda alto investimento financeiro, viabilizando a implementação em propriedades leiteiras. A ação conjunta do produtor, dos inseminadores e do veterinário responsável pelo acompanhamento reprodutivo é essencial para obter sucesso na adoção dessas estratégias. Quanto maior a taxa de prenhez, maior o número de vacas gestantes no terço inicial da lactação, menor o número de dias improdutivos e menor a chance de descartar vacas vazias e secas. Consequentemente, maior a lucratividade do sistema de produção.

Telma da Mata Martins Pós-Doutoranda em Reprodução Animal – EV/UFMG; Adolfo Pérez Fonseca Mestrando em Reprodução Animal – EV/UFMG; Saulo Viana Dias Graduando em Medicina Veterinária – EV/UFMG; Patrícia Alves Dutra Professora Substituta – EV/UFMG e Álan Maia Borges Professor Associado – EV/UFMG

Fonte: Gestão no Campo

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Ação&Manejo: Produção de ovos orgânicos

A criação de aves no sistema orgânico é uma alternativa para produzir ovos livres de resíduos, respeitando o bem-estar animal e a sustentabilidade ambiental. A atividade considera as pessoas que trabalham no sistema, a preservação do meio ambiente e biodiversidade, além de agregar renda e segurança alimentar à pequena propriedade.

O sistema de produção orgânico de aves poedeiras é definido pela lei nº 10.831, de 23/12/2003 (BRASIL, 2003) e regulamentado principalmente pelas IN nº46 de 06/10/11 (BRASIL, 2011) e IN n°17 de 18/06/2014 (BRASIL, 2014) do MAPA, nas quais se faz referência aos produtos obtidos pelo sistema orgânico, ecológico, biológico, biodinâmico, natural, sustentável, regenerativo e agroecológico

Produzir ovos para consumo humano é uma tarefa nobre, devido ao valor nutricional do ovo e os cuidados específicos para se evitar contaminações. O ovo é um produto de alto valor biológico e sua composição nutricional é muito próxima das necessidades humanas, sendo superado, em qualidade, apenas pelo leite materno. Por esses motivos, o produtor deve se conscientizar de que não está produzindo um simples produto, mas sim, um alimento essencial para a saúde humana, que como outros alimentos, sofre riscos de contaminação e é facilmente perecível.

Podem ser criados diversos tipos de aves em sistema orgânico (galinhas, patos, perus, marrecos, etc.), desde que sejam fornecidas instalações, nutrição, conforto e cuidados sanitários necessários a cada espécie.

Para a produção de ovos, podem ser utilizadas galinhas de raças, cruzamentos, linhagens de postura ou até mesmo sem raça definida, desde que sejam adaptadas ao sistema orgânico de produção, do modo que será descrito ao longo do texto.

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Fonte: Google

De acordo com as normas da produção orgânica, as instalações devem dispor de áreas – também chamadas de piquetes ou parques – para o contato social, movimento e descanso, para que as aves possam expressar o seu comportamento natural, bem como área para alimentação, proteção de inimigos naturais e de agente climáticos (chuva, vendo, insolação). No sistema orgânico, não é permitido a criação em gaiolas ou em galpões totalmente fechados. As aves devem ter espaço necessário para movimentação, alimentação, pastejo, descanso e realização da postura. Os piquetes devem apresentar uma cobertura vegetal, seja de capim ou vegetação nativa, para proteger o solo da erosão e do pisoteio constante das aves durante o pastejo, sendo recomentado também o plantio de árvores para fornecer sombra às aves durante o dia.

Os comedouros e bebedouros podem ser de diversos tipos, devendo ser respeitado o número máximo de aves por comedouro, ajustando a altura a cada mudança de fase da ave, para evitar desperdícios de ração e aumento da umidade da cama. Na instalação para produção orgânica, também devem existir ninhos e poleiros, que podem ser de vários modelos. De modo geral, o ninho tem como medidas 35 cm (largura) x 40 cm (altura) x 40 cm (profundidade), sendo que uma boca de ninho deve ser utilizada para cada 4 aves.  Já os poleiros, são construídos geralmente no modo horizontal para que todas as galinhas fiquem no mesmo nível, evitando assim, possíveis problemas com hierarquia entre as aves. Outro fator a ser considerado é a densidade no alojamento, ou seja, o número de aves que podem ser alojadas em determinada área, sendo sugerido – segundo a Instrução Normativa (IN) nº 64 (BRASIL, 2008) – uma lotação máxima de 6 aves/m2 no galpão e na área externa. No caso de piquete rotacionado, a densidade é de 1m2 por ave.

Os procedimentos de biosseguridade devem ser adotados para a redução da carga microbiana no sistema de produção, uma vez que, em sistemas orgânicos, o uso de medicamentos convencionais é restrito.  A vacinação é uma prática recomendada para a prevenção e controle de doenças na avicultura orgânica e o programa de vacinação é específico para cada situação.

No sistema orgânico é priorizado o uso de tratamentos alternativos como homeopatia e fitoterapia. Antissépticos naturais (própolis, alho, etc.) também são utilizados, bem como os probióticos para promover o equilíbrio da microflora intestinal e os ácidos orgânicos. O tronco e as folhas da bananeira, por exemplo, podem ser utilizados para o controle das verminoses nas aves. Além disso, como a densidade de aves por área é menor, as chances de doenças diminuem de forma bastante significativa.

Na parte de alimentação, para produção de uma ração orgânica balanceada, é necessário que a propriedade rural certificada produza os ingredientes orgânicos, isto é, sem uso de transgênicos e defensivos agrícolas. A legislação permite que o produtor coloque até 20% de produtos convencionais na formulação da ração, mas não podem ser transgênicos e ainda é preciso pedir autorização do órgão certificador para poder usar. Para as demais matérias primas da ração (suplemento vitamínico/mineral, sal, calcário, fosfato, corantes, etc.) é necessário que o fornecedor esteja credenciado a alguma certificadora como forma de controle.

De um modo geral, a criação de ovos em sistema orgânico exige um investimento inicial maior, quando comparado aos demais sistema de produção de ovos, porém é o que gera mais lucro por ave, devido ao aumento da procura por alimentos sustentáveis e saudáveis pelo consumidor.

Nas últimas décadas, os consumidores se mostram mais exigentes por produtos alternativos ou diferenciados, que podem ser representados pelos produtos avícolas orgânicos. Existe uma parcela do mercado consumidor que está disposta a pagar a mais por estes produtos diferenciados, uma vez que são substancialmente mais caros, devido ao sistema de criação.

O mercado brasileiro de alimentos orgânicos está crescendo, com taxas que passam de 20% ao ano – conforme registros do projeto Organics Brasil. O índice foi de 20%, em 2016 e, agora em 2017, deve passar de 30%. No mercado, os ovos orgânicos valem 100% mais que os ovos convencionais. Portanto, o avicultor consegue boa lucratividade, o que ajuda na manutenção do aviário, além de possibilitar a expansão dos negócios.

Fonte: Agroceres Multimix

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Aprenda a selecionar o rebanho através das características de desmama

Agora que você já aprendeu a selecionar o rebanho através das características de desmama e habilidade materna, é hora de darmos sequência na nossa série de dicas sobre critérios de seleção, falando sobre índices, que são compostos pela ponderação de diversas características das avaliações genéticas do reprodutor.

Na dica de hoje, Caio Tristão, gerente de produto Corte Zebu da CRV Lagoa, fala sobre como selecionar o rebanho utilizando essa característica e os cuidados no momento da tomada de decisão.

Confira!

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Fonte: CRV Lagoa

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Selecionando o rebanho através das características de habilidade materna

Na nossa primeira dica sobre critérios de seleção, você aprendeu a selecionar o rebanho através das características de desmama. Dessa vez, quando falamos em reposição de plantel, não só as características de volume de leite são importantes, mas algumas outras também, como a qualidade de carcaça dos animais, por exemplo.

Na dica de hoje, Caio Tristão, gerente de produto Corte Zebu da CRV Lagoa, vai te explicar como selecionar o rebanho utilizando características de habilidade materna. Confira!

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Fonte: CRV Lagoa

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Aprenda a selecionar o rebanho através das características de desmama

Na série de dicas sobre critérios de seleção de rebanhos, você aprenderá a escolher o touro mais indicado, focando as etapas diferentes do ciclo de produção.

Na dica de hoje, Caio Tristão, gerente de produto Corte Zebu da CRV Lagoa, explica como selecionar o rebanho através das características de desmama.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=dQaH17ETdLQ]

Fonte: CRV Lagoa