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Avanço do desmatamento no Brasil é sinal de alerta no Dia de Proteção às Florestas

Relatório mostra que 13,8 mil km² foram desmatados no país em 2020, 99% de forma ilegal, um crescimento de 14% em comparação a 2019.

Neste sábado (17/7), o Brasil celebra o Dia de Proteção às Florestas em meio à alta nos índices de desmatamento. Segundo dados do Relatório Anual do Desmatamento, elaborado pelo projeto MapBiomas, 13,8 mil quilômetros quadrados foram desmatados no país em 2020, 99% de forma ilegal.

O crescimento é de 14% em comparação a 2019. O relatório ainda mostra que o desmatamento cresceu em todos os biomas, sendo a Amazônia (60%) e o Cerrado (31%) as regiões com maior percentual de áreas desmatadas. Caatinga (4,4%), Mata Atlântica (1,1%), Pantanal (1,1%) e Pampa (0,1%) também sofreram no último ano.

desmatamento (Foto: Verde Brasil/17)
Desmatamento nas florestas brasileiras (Foto: Verde Brasil/17)

Para Cecília Herzog, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), professora e pesquisadora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a importância das florestas pode ser considerada por diferentes ângulos, desde o nível macro, por sua relação direta com as mudanças climáticas, até no aspecto regional ou local, observado na saúde e qualidade de vida da população nos centros urbanos.

“As florestas nos fornecem serviços ecossistêmicos de valor inestimável. Desde a regulação do clima e das chuvas necessárias para garantir as atividades econômicas diversas, como a agricultura, passando pelo fornecimento de água e energia para a população, até a sensação de bem-estar que a natureza proporciona, mesmo por meio de ilhas verdes nas selvas de pedras”, ressalta a pesquisadora.

A professora observa que o Dia de Proteção às Florestas deve ser encarado como um alerta para a sociedade brasileira. “Vivemos um momento de enorme gravidade, com ameaças à natureza em todos os nossos biomas e a possibilidade de perda irreversível não apenas para o Brasil, mas para toda a humanidade. Precisamos entender que o desmatamento nos diz respeito mesmo que estejamos a milhares de quilômetros da Amazônia, pois já sentimos o desequilíbrio do clima por causa da destruição das florestas e, infelizmente, isso tende a piorar se não revertermos esse ciclo de degradação”, salienta Cecília.

A especialista faz questão de destacar também os serviços ecossistêmicos fornecidos pela natureza em áreas urbanas, chamando a atenção para a necessidade de conservar espaços verdes e reflorestar áreas dentro das cidades e do seu entorno.

 

 

“Florestas em regiões urbanizadas, parques e corredores verdes preservam a vida de muitas espécies, inclusive a humana, reduzem ilhas de calor, garantem captação de água, contribuem para uma redução do impacto de enchentes, melhoram a qualidade do ar, reduzem ruídos e ainda proporcionam serviços ecossistêmicos culturais, favorecendo atividades ligadas ao lazer, ao bem-estar e à qualidade de vida, como ciclismo, caminhadas, entre outras”, explica.

O impacto às florestas também traz eleva a pressão sobre o agronegócio, em especial sobre a pecuária, apontada como uma das principais causas para o desmatamento.

“80% do desmatamento no Brasil é causado pela pecuária para a abertura de pastos, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas). Ou seja, a pecuária é, de longe, a principal causa da destruição das nossas florestas”, destaca Isabel Siano, da Million Dollar Vegan, ONG que estimula a adoção de um estilo de vida baseado em vegetais.

Vania Plaza Nunes, médica veterinária e diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, alerta que plantar mais árvores é preciso, mas com critério, porque existe uma intrincada relação entre centenas e milhares de formas de vida em cada fragmento florestal.

“É preciso equilíbrio das espécies plantadas com as espécies animais que existem no local. A relação íntima que existe entre a floresta, a mata e toda forma de vida que existe ali dentro é o que suporta e sustenta toda a vida humana. Se tivéssemos de fato essa dimensão, com certeza estaríamos tendo mais responsabilidade e respeito para preservar o verde, que é o que a gente vê, e toda a forma de vida que a gente não vê”, destaca.

Por: Globo Rural

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Meio Ambiente

Ibama determina recolhimento de brigadas de combate a incêndios por falta de recursos

Decisão foi comunicada em ofício, e órgão fala em ‘indisponibilidade financeira’. Vice Hamilton Mourão, chefe de Conselho da Amazônia, informou que vai conversar com ministro Ricardo Salles; em agosto Mourão desautorizou Salles de suspender operações contra incêndios.

O ofício de quarta-feira (21) que determina a suspensão dos trabalhos é assinada pelo chefe do Centro Especializado Prevfogo/Dipro, Ricardo Vianna Barreto.

Trecho de circular que determina o recolhimento de brigadas de incêndio florestal do Ibama — Foto: Reprodução
Trecho de circular que determina o recolhimento de brigadas de incêndio florestal do Ibama — Foto: Reprodução

“Determino o recolhimento de todas as Brigadas de Incêndio Florestal do IBAMA para as suas respectivas Bases de origem, a partir das 00:00H (zero hora) do dia 22 de outubro de 2020, onde deverão permanecer aguardando ordens para atuação operacional em campo”, diz o documento.

Já o despacho desta quinta é da diretoria de licenciamento ambiental do órgão (veja abaixo).

Em nota (veja a íntegra ao final da reportagem), o Ibama informou que a determinação para suspender o trabalho dos brigadistas “acontece em virtude da exaustão de recursos” e que “já contabiliza 19 milhões [de reais] de pagamentos atrasados, o que afeta todas as diretorias e ações do instituto, inclusive, as do Prevfogo”.

Documento do Ibama desta quinta-feira (22) fala em 'indisponibilidade financeira' para fechar o mês de outubro. — Foto: Reprodução
Documento do Ibama desta quinta-feira (22) fala em ‘indisponibilidade financeira’ para fechar o mês de outubro. — Foto: Reprodução

Ministro e vice-presidente

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, declarou nesta quinta-feira (22), após a divulgação dos documentos do Ibama, que vai “esclarecer a situação” com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. O instituto é subordinado à pasta comandada por Salles.

Mourão comanda o Conselho Nacional da Amazônia Legal, colegiado criado em fevereiro por Bolsonaro para avaliar medidas como o combate a incêndios na floresta. No fim de agosto, o vice-presidente chegou a desautorizar Salles após o ministro anunciar que as operações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia e às queimadas no Pantanal seriam suspensas por bloqueio de verbas.

“Você empenha e para liquidar você tem que ter o financeiro. Se não tem o financeiro você não paga. Pode ser isso que está acontecendo. Se é atraso de financeiro, vamos ver como a economia pode auxiliar. Por isso tenho que esclarecer a situação”, acrescentou.

Veja a íntegra da nota do Ibama:

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) informa que a determinação para o retorno dos brigadistas que atuam no Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) acontece em virtude da exaustão de recursos. Desde setembro, a autarquia passa por dificuldades quanto à liberação financeira por parte da Secretaria do Tesouro Nacional.

Para a manutenção de suas atividades, o Ibama tem recorrido a créditos especiais, fundos e emendas. Mesmo assim, já contabiliza 19 milhões [de reais] de pagamentos atrasados, o que afeta todas as diretorias e ações do instituto, inclusive, as do Prevfogo.

Queimadas na Amazônia e no Pantanal

Incêndios na Amazônia: Moradora olha enquanto fogo se aproxima de sua casa perto de Porto Velho, no dia 16 de agosto. — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
Incêndios na Amazônia: Moradora olha enquanto fogo se aproxima de sua casa perto de Porto Velho, no dia 16 de agosto. — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A suspensão dos trabalhos de combate a incêndios ocorre logo após as queimadas na Amazôniae no Pantanal atingirem marcas recordes neste ano.

Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostram que o número de focos de incêndio registrados na Amazônia de janeiro a setembro deste ano foi o maior desde 2010. Naquele ano, foram 102.409 pontos de fogo na floresta de 1º de janeiro a 30 de setembro; em 2020, no mesmo período, foram 76.030.

No caso do Pantanal, também segundo o Inpe, 14% do bioma foi queimado apenas em setembro – é a maior devastação anual do território causada pelo fogo desde o início das medições, em 2002, pelo governo federal. A área atingida no ano chega a quase 33 mil km², que equivale à soma do território do Distrito Federal e de Alagoas.

Por: G1

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Meio Ambiente

Como a agricultura pode se tornar uma protetora do clima

 

Como a agricultura pode se tornar uma protetora do clima
Legenda: Plantação de soja no Brasil (Mato Grosso)

Visto com vilão, por emitir grande parte dos gases que causam o aquecimento global, cultivo de terras tem potencial para proteger o clima. Mas, para isso, mudanças em métodos e comportamento alimentar são necessárias.

O solo é particularmente importante para a proteção do clima, ao absorver uma grande quantidade carbono. Se esse carbono escapar, ele se liga ao oxigênio e forma CO2 – o gás do efeito estufa. Neste processo, a camada de húmus no solo desempenha um papel fundamental armazenando quatro vezes mais carbono do que o presente na atmosfera sob a forma de CO2.

Rico em nutrientes, o húmus consiste em partes de plantas mortas que foram decompostas por inúmeros organismos, como bactérias, fungos e minhocas. Ele mantém a fertilidade do solo, é um nutriente importante para o crescimento de novas plantas, além de ser fundamental para a proteção do clima, graças ao carbono armazenado.

Sua proporção nos solos varia bastante. Na média global, há mais húmus nas pastagens naturais do que nas terras aráveis, e é especialmente abundante em zonas úmidas e pântanos.

Como resultado de uma prática agrícola com muitas monoculturas, há anos que o solo vem perdendo cada vez mais húmus – o que significa um aumento cada vez maior CO2 na atmosfera. A razão é simples: em vez de preservar o húmus através da rotação de culturas e do cultivo de diferentes plantas, as monoculturas desgastam o solo. Embora os fertilizantes químicos garantam as colheitas e economizem mão-de-obra, o teor húmico do solo é cada vez menor.

Por meio da rotação das culturas e da incorporação de resíduos vegetais, os agricultores podem preservar e aumentar a quantidade de húmus, e, dessa forma, também a fertilidade natural do solo. Tais técnicas eram usadas antes do surgimento do agronegócio, quando não havia alternativas. Para garantir as colheitas, os agricultores dependiam de um solo fértil, e, portanto, da preservação de húmus.

Outro fator na perda mundial de húmus é o aumento global de terras aráveis. Cada vez mais elas são necessárias para o cultivo de ração animal destinada à crescente produção de carne. Para isso, zonas úmidas e pântanos, ricas em húmus, estão sendo drenadas; pastagens estão sendo convertidas em terras aráveis, e mais e mais florestas estão sendo queimadas. Isso faz com que o carbono, até então retido nas árvores, seja perdido e escape na forma de CO2. E assim a quantidade de húmus no solo segue diminuindo ano após ano devido aos métodos de cultivo.

Gases de efeito estufa decorrentes da indústria de alimentos

A perda de húmus e, portanto, de solo fértil, também é uma grande ameaça à alimentação mundial, avalia a Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a perda de húmus e florestas libera cerca de 5,8 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera a cada ano – ou seja, cerca de 11% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Outros gases de efeito estufa surgem na agricultura por meio da pecuária, fertilização, produção intensiva de fertilizantes artificiais, pesticidas, processamento de alimentos, produção de embalagens e transporte.

No total, cerca de 31% do total das emissões globais de CO2 são geradas na produção de alimentos.

Para frear o aquecimento global, a agricultura precisa se tornar climaticamente neutra. Ela tem ainda o poder de reter o CO2 adicional da atmosfera por meio do cultivo de plantas. Um relatório especial do IPCC sobre uso da terra e segurança alimentar recomenda a redução de pastagens e terras aráveis em todo o mundo. Além disso, as florestas devem ser reflorestadas e o teor de húmus nos solos deve ser aumentando.

De acordo com especialistas, o reflorestamento é capaz de reter 3,6 bilhões de toneladas de CO2 por ano durante a fase de crescimento. Um aumento global de húmus, por sua vez, poderia reter outros de 2 a 5 bilhões de toneladas de CO2 por ano, segundo um recente estudo da Fundação de Ciência e Política (SWP). 

Uma outra maneira de aumentar a absorção de CO2 é o uso do chamado biochar: materiais orgânicos, como madeira e resíduos de plantas, são carbonizados com a ajuda de calor, pressão e expulsão de oxigênio e, em seguida, introduzidos no solo. Dessa forma, o carbono aglutinado pode permanecer no solo por séculos e, em combinação com húmus e bactérias, aumentar significativamente a fertilidade do solo. 

De acordo com o estudo do SWP, a aplicação global desta tecnologia poderia armazenar entre 0,5 e 2 bilhões de toneladas de CO2 adicional por ano.

Agricultura orgânica: um modelo sustentável

A agricultura industrial tem sido cada vez mais alvo de críticas. E isso não apenas por causa do equilíbrio de CO2, mas também por ser apontada como a principal causa da extinção global de espécies.

Iniciativas para melhorar as técnicas de cultivo existem em diversos setores, entre elas em uma estratégia da União Europeia batizada de “Farm to Fork”. “A estratégia de biodiversidade e a estratégia ‘da fazenda para a mesa’ constituem o cerne do ‘Acordo Verde’ e representam uma nova interação mais harmoniosa entre natureza, produção de alimentos e diversidade biológica. Trata-se, afinal, da saúde e do bem-estar das pessoas” explica o Comissário da UE para a Proteção do Clima, Frans Timmermans.

Com o objetivo de proteger o clima, o Ministério do Meio Ambiente da Alemanha também pretende reduzir as importações de rações como a soja. “A regionalidade dos bens agrícolas produzidos deve voltar a receber um nível de importância muito maior, a fim de contribuir para uma redução correspondente no desmatamento das florestas tropicais para o cultivo da soja”, disse uma porta-voz do ministério à DW.

Ao garantir o acúmulo de húmus sem utilizar fertilizantes sintéticos, pesticidas e ração importada do exterior, a agricultura orgânica reduz significativamente as emissões de gases de efeito estufa, tornando-se um modelo de proteção do clima e das espécies.

Outra chave para reduzir as emissões é diminuir o desperdício de alimentos. Estima-se que “um terço de todos os alimentos produzidos no mundo acaba no lixo”, afirma Rosa Rolle, gerente de projetos do programa Perda e Desperdício de Alimentos, da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

No total, são produzidos cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos que não são consumidos. De acordo com estimativas da FAO, isso representa cerca de 3,6 bilhões de toneladas de CO2 a cada ano.

Redução do consumo de carne e leite

Nos últimos 50 anos, a produção mundial de carne praticamente quadruplicou – e consequentemente aumentou rapidamente a demanda por terras aráveis para o cultivo de culturas voltadas para a produção de forragens, como soja, milho e trigo.

Segundo a Agência Alemã do Meio Ambiente (UBA), cerca de 71% das terras aráveis do mundo são atualmente usadas para pasto, enquanto apenas 18% são destinadas ao cultivo de alimentos. A fim de garantir a alimentação de uma população mundial crescente no futuro e, ao mesmo tempo, ter espaço suficiente para reflorestamento, os especialistas sugerem uma nova abordagem.

“Podemos consumir mais vegetais saudáveis e menos carne”, diz Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático (PIK) e copresidente da Comissão EAT-Lancet. 

Em um para uma vida e planeta saudáveis, a comissão recomenda um consumo médio de carne por pessoa em torno de 300 gramas por semana (16 kg/ano) e um consumo de laticínios de 630 gramas por semana (33 kg/ano). No momento, consome-se até sete vezes mais carne na América do Norte e do Sul, Europa e China. No caso de laticínios, principalmente na Europa e nos EUA, o consumo é quase oito vezes superior ao recomendado.

“Curiosamente, apenas mudar para uma dieta ‘flexitariana’, mais baseada em vegetais, pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa da produção agrícola aproximadamente pela metade”, disse Rockström. A mudança na dieta “pode ajudar a manter todos saudáveis: o planeta e as pessoas”.

Por: Brasil agro

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Meio Ambiente

Veja dicas para prevenir incêndio na fazenda e evitar denúncia por crime ambiental

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Prejuízo na logística, em que as vias ficam intransitáveis pela fumaça; prejuízo financeiro, em que estruturas, como barracões e cercas, e até maquinários são perdidos dentro das porteiras; prejuízo para a biodiversidade, em que animais silvestres e de criação não resistem e vão a óbito; e até mesmo a perda de vida humana, como no caso do zootecnista Luciano da Silva Beijo, morto aos 36 anos ao tentar controlar queimada na região de Cáceres-MT.

O período seco deste ano no Brasil tem sido impiedoso ao facilitar o alastramento do fogo nos biomas que passam pelo momento mais agudo de restrição de água, como Cerrado, Pantanal e parte do Amazônico. Segundo dados do Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o estado do Mato Grosso, por exemplo, já sofreu com mais de 24 mil focos de calor em 2020, o pior indicador para dez anos. Já no Amazonas, apenas no mês de agosto foram registrados mais de 8 mil focos de incêndio, maior volume para um único mês desde 1998.

Nesta sexta, 11, o Giro do Boi levou ao ar entrevistas com especialistas no assunto para indicar os melhores manejos técnicos e também jurídicos para evitar alastramento do fogo e algumas consequências paralelas, como possível denúncia por crime ambiental.

O PROBLEMA

“A região aqui está sendo bastante agredida pelo fogo, tanto esta região sudeste (do MT), área onde me insiro e trabalho, que é região de Rondonópolis, Primavera do Leste e Barra do Garças, quanto nas regiões mais baixas, como região do Pantanal, também a gente tem relatos de lá. E o fogo está sendo bastante agressivo também, destruindo bastante tanto a parte do parque do Pantanal como de propriedades de pecuaristas da região. […] Outro exemplo que falei é a BR 070, que liga Goiás até Cuiabá. Esta rodovia tem uma região ali de Cerrado muito grande, uma região que está bastante seca agora, e ela recentemente foi tomada pelo fogo e durante pelo menos quatro a cinco horas ficou intransitável. Você não conseguiria passar muito pela fumaça e pelo risco de poder estar incendiando os carros que ali passavam. É uma região onde a gente tem grandes áreas de reservas ambientais, até indígenas, e que estavam em fogo pouco tempo atrás”, disse o médico veterinário Rômulo Dutra em entrevista ao Giro do Boi.

PREVENINDO AS QUEIMADAS E FACILITANDO SEU CONTROLE

“A forma mais simples que o produtor tem para se prevenir é buscar a eliminação, ou então a redução destas fontes de propagação do fogo. E, para isso, existem algumas técnicas que são preconizadas, como a construção e manutenção de aceiros, a redução também de materiais combustíveis e as cortinas de segurança. Cada uma dessas técnicas pode ser utilizada para que você evite que esse fogo invada sua propriedade”, apresentou Dutra.

  • Aceiro: “A maioria dos produtores já sabe, é aquela faixa livre de vegetação onde a gente tem o solo mineral exposto e, por isso, ele impede que o fogo ultrapasse. Mas com os ventos, ele pode ultrapassar. De toda forma, o aceiro também vai ser utilizado como ponto de apoio para você poder combater esse fogo”, apontou.
  • Redução de material combustível: “É a forma em que a gente pode dizer que é a mais eficiente de se combater esse fogo porque ali você vai estar eliminando ou reduzindo a vegetação seca em volta da propriedade ou perto de propriedades vizinhas, próximos até a reservas de vegetação nativa. Com isso você impede que esse incêndio florestal ou que esse incêndio vindo do vizinho chegue até a sua propriedade”, continuou.
  • Cortinas de segurança: “é a implantação de vegetação com uma folhagem menos inflamável, ou seja, como se fossem cercas vivas feitas ao redor da propriedade. Essa é uma prática eficiente porque reduz a propagação do fogo pelo vento e também pode ser utilizada como uma primeira barreira, o que dificulta o acesso do fogo até a propriedade”, acrescentou o veterinário.

O QUE FAZER QUANDO IDENTIFICAR O FOCO DE INCÊNDIO?

Além dos esforços físicos para prevenir o alastramento do fogo, o produtor deve ter uma estratégia jurídica também para evitar que o prejuízo material não evolua para um prejuízo financeiro mais significativo, como no caso de uma possível denúncia jurídica por crime ambiental. Foi o que apontou a advogada e gestora rural de Juara-MT, Rebeca Youssef.

“O fogo alastrado em áreas de plantio e até áreas de pastagem e perda de rebanhos é frequente e é um prejuízo considerável para o produtor. Então o ideal é que esse prejuízo não seja aumentado com o prejuízo que também é financeiro em relação a possíveis multas ambientais”, alertou.

No caso de identificar um foco de incêndio na propriedade, o produtor deve tomar algumas providências, ou instruir seu gestor para tomar atitudes, como mobilizar os colaboradores de toda a propriedade, avisar a unidade do Corpo de Bombeiros mais próxima e também a Defesa Civil do município mais próximo.

“(Serve) Tanto no sentido de comunicação do incêndio como para pedido de socorro, caso a propriedade não disponha de todos os meios para conter este fogo. Inclusive nós também orientamos a produção de fotografia e filmagens da ação de todos os envolvidos na contenção do fogo e também na documentação de quais equipamentos a propriedade dispõe para isso. Um dos exemplos mais comuns é a presença de caminhões pipa e, claro, se necessário, providenciar o socorro médico imediato”, instruiu Rebeca.

MANEJO DO GADO

“A gente deve manejar os animais para uma área em que o risco de incêndio seja o menor possível, pensando na segurança deles. E também deve monitorar frequentemente os focos da queimada. Esses focos precisam ser monitorados. Além disso, precisamos monitorar também a direção do vento, porque ele acaba por espalhar o fogo, o que pode trazer surpresas nada agradáveis”, revelou o veterinário Rômulo Dutra.

“A gente precisa também garantir que a área por onde esses animais foram não seja afetada e, além de tudo isso, a gente precisa certificar que existe também uma rota de fuga para esses animais nesta nova área. Assim a gente consegue evitar imprevistos e salvar a vida desses animais, caso a área onde eles estejam alocados também seja afetada. A gente precisa lembrar sempre que os animais são totalmente dependentes das ações humanas para se salvarem, então, logicamente, é obrigatório que o produtor garanta a segurança desses animais para que o pior não venha a acontecer”, ressaltou.

O QUE FAZER DEPOIS DA CONTENÇÃO DA QUEIMADA?

“Num segundo momento, após a contenção do fogo, a nossa atenção muda um pouquinho. A gente foca em documentar tanto a ocorrência de incêndio como a ação dos produtores. A nossa intenção nesta segunda parte é evitar o enquadramento de crime ambiental, como se o produtor tivesse feito uso de fogo de maneira intencional”, salientou a advogada Rebeca Youssef.

Veja abaixo as medidas listadas pela especialista para construir uma base sólida de defesa no caso de possível autuação:

  • Registrar em fotos e vídeos todos os prejuízos causados: perdas de animais, perda de lavoura, de pastagem, prejuízos em cercas, em barracões;
  • Registrar boletim de ocorrência de maneira detalhada, com presença de testemunhas;
  • Obter relatos dos colaboradores, vizinhos e de todos os envolvidos na contenção do incêndio, inclusive por meio de declarações redigidas, reconhecidas em cartório;
  • Redação de ata notarial.

“É importante que, após a contenção do fogo, o olhar do produtor rural mude para um olhar preventivo em relação a possíveis autuações ambientais para que aquele incêndio que é acidental não seja caracterizado como de uso intencional, que seria, no caso, o uso de fogo ou realização de queimada tanto sem autorização ou em período proibitivo, que é pior ainda”, advertiu Youssef.

A advogada especialista em agronegócio Júlia Bastos acrescentou detalhes às recomendações. “Se o vizinho excede os limites da queima controlada dele, ou realiza até mesmo uma queimada ilegal e isso de alguma forma traz prejuízos para o pecuarista, morte de animais, perda do maquinário ou até mesmo estruturas como curral e tudo mais, é importante apagar realmente o incêndio, mas depois chame o engenheiro florestal ou o engenheiro agrônomo ou qualquer outro profissional técnico, um advogado, um veterinário para poder emitir um laudo de vistoria técnica que comprove tudo isso, além de registrar de todas as formas possíveis mediante vídeos, fotos. Porque se realmente houver um dano, o justo é que se peça uma indenização mediante acordo ou até mesmo ação judicial indenizatória para você recuperar tudo aquilo que você perdeu”, sugeriu.

SOLIDARIEDADE

Para o veterinário Rômulo Dutra, a soma de forças é imprescindível para atenuar a gravidade dos incêndios. “A gente vê quando um incêndio atinge alguma propriedade os vizinhos se ajudando de forma a entregar materiais, equipamentos agrícolas para estar fazendo um rápido aceiro. Então esta solidariedade, esta ajuda tem que vir de forma geral e não só na hora que acontece. Essa solidariedade precisa acontecer antes do incêndio chegar, ela precisa vir do vizinho poder emprestar uma máquina para o pequeno produtor que não tenha condição de fazer um aceiro, ela precisa vir do grande proprietário, às vezes, ajudar o pequeno a se prevenir contra o fogo. Porque o fogo está passando de uma propriedade para outra, ele não distingue quem tem uma propriedade grande ou pequena. Então eu acredito que essa solidariedade, esta humanização do problema vai ajudar de todas as formas”, concluiu Dutra.

Confira a reportagem completa no vídeo a seguir:

Por: Canal Rural

Fonte: Giro do Boi

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Agro com uma cara bem brasileira

Cooperação entre Embrapa e Bayer visa mercado de carbono ajustado às condições nacionais.

A adoção de práticas mais sustentáveis também gera renda aos agricultores pelos benefícios ambientais resultantes da diminuição das emissões de gases de efeito estufa
Pixahere/Divulgação. A adoção de práticas mais sustentáveis também gera renda aos agricultores pelos benefícios ambientais resultantes da diminuição das emissões de gases de efeito estufa

 

A Embrapa e a Bayer estão criando uma cooperação técnica para consolidar um mercado de carbono específico para a agricultura brasileira. A parceria público-privada vai investir em ações de pesquisa científica para estabelecer protocolos e diminuir o custo na quantificação do balanço de carbono pelos produtores de soja e de milho. Isso deve gerar renda para os agricultores pelos benefícios ambientais resultantes da diminuição das emissões de gases de efeito estufa (GEE).
A cooperação entre os dois atores será feita com a participação de três centros de pesquisa da Embrapa no Estado de São Paulo: Embrapa Informática Agropecuária (Campinas), Embrapa Instrumentação (São Carlos) e Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna). O projeto de pesquisa piloto tem o nome de Avaliação piloto do balanço de carbono na produção de milho e soja no Centro-Sul do Brasil: cooperação Bayer e Embrapa para o desenvolvimento sustentável e abrange o ano agrícola 2020/2021, com duração de 12 meses.
“O propósito é contribuir para a valorização e consequente benefício econômico para o agricultor, da adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis, com balanços de carbono mais favoráveis, por meio da definição e avaliação de protocolos para estimar, projetar e monitorar a dinâmica e o balanço do carbono em sistemas de produção dessas culturas”, informa o pesquisador da Embrapa Luís Gustavo Barioni.
Boas práticas
A agricultura brasileira já emprega diversas boas práticas que são adaptadoras da agricultura, podendo trazer ganhos de eficiência técnica e produtiva e também maior renda para o agricultor.
“Essas práticas poderiam ter maior adoção com o pagamento pelos cobenefícios ambientais associados a elas, em particular a redução das emissões e o aumento da captura de carbono nos solos agrícolas”, explica Giampaolo Pellegrino, pesquisador da Embrapa e presidente do Portfólio de Mudanças Climáticas da Empresa.
“A proposta está alinhada com os desafios para inovação priorizados pelo comitê gestor do Portfólio, sobretudo quanto aos desafios vinculados à quantificação de carbono e à redução das emissões de GEE, que se configuram como as mais sustentáveis e as melhores práticas na agricultura. Uma questão importante e que temos trabalhado sempre é a adaptação da agricultura vinculada a essas ações, focadas no tripé da sustentabilidade, ou seja, em benefícios ambientais, sociais e econômicos, que representam os objetivos de inovação definidos no Portfólio”, conta Pellegrino.
De acordo com a Embrapa, há um enfoque na divulgação de práticas sustentáveis que os agricultores podem adotar cada vez mais, para gerar eficiência e maior renda no campo.
“Os produtores podem realmente contribuir muito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, otimizando a captura e armazenamento de carbono no solo e sendo recompensados pela ação. É por isso que a Bayer está atuando em parceria com eles para trabalhar em prol de um futuro de baixo carbono na agricultura a partir da Iniciativa Carbono Bayer”, afirma o presidente da divisão agrícola da Bayer para a América Latina, Rodrigo Santos.
Com a adoção de práticas de baixo carbono, como o uso eficaz da terra e melhor manejo de áreas produtivas e agricultáveis, as emissões podem ser significativamente reduzidas e mais carbono pode ser capturado no solo — beneficiando o planeta e a rentabilidade dos produtores, pois assim eles podem produzir mais alimentos na mesma terra, além de comercializar o carbono capturado, destaca o presidente.
Projeto-piloto procura aplicar metodologias mais inovadoras
O projeto-piloto vai aplicar metodologias inovadoras e técnicas em modelagem agroambiental desenvolvidas pelos centros de pesquisa da Embrapa, de modo que a Bayer possa remunerar os agricultores que, ao adotarem boas práticas estimuladas pela empresa, foram capazes de melhorar a capacidade adaptativa e o balanço de carbono em seus sistemas de produção.
Porém, os pesquisadores da Embrapa ressaltam que os aprimoramentos técnico-científicos, necessários para vencer as barreiras apontadas e evolutivamente oferecer a credibilidade necessária para o reconhecimento internacional, e até possível registro em certificadora com abrangência global, permitindo o acesso a fundos verdes, serão obtidos com o desenvolvimento da etapa de médio e longo prazo, ou seja, aproximadamente quatro anos, em nova proposta da Embrapa com a Bayer, como sequência do piloto.
A pesquisadora Marília Folegatti, da Embrapa Meio Ambiente, enfatiza que para que os produtores de grãos acessem futuramente um mercado de carbono, que é a intenção da Bayer, será necessário quantificar o balanço de carbono dos sistemas de produção de grãos, mas também a pegada de carbono dos produtos. “Esta pegada de carbono é calculada pela Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), uma técnica desenvolvida para verificar o impacto de produtos no meio ambiente”, explica.
Facilitação do acesso a financiamento internacional
A expectativa é que, com a incorporação dessas características, as boas práticas agrícolas brasileiras possam ter acesso mais facilmente aos fundos internacionais focados em financiar ações sustentáveis e mitigadoras do aquecimento global, provocado pelas emissões de GEE na agricultura. Os pesquisadores alertam que esses fundos são extremamente rigorosos com relação às garantias de que a atividade financiada de fato oferece o benefício do estoque de carbono no ambiente agrícola.
Com a parceria, a Embrapa e a Bayer querem mudar esse contexto, contribuindo para a quebra dessas barreiras e oferecendo, a médio e a longo prazo, protocolos que permitam estimar e monitorar as emissões de forma ágil e com baixo custo, mas mantendo a acurácia e a credibilidade necessárias para aceitação internacional. Isso vai permitir ao Brasil avançar na direção do desenvolvimento de um mercado de carbono nacional que faça a intermediação entre os agricultores brasileiros e os fundos verdes internacionais.
Conforme o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi, sustentabilidade é algo concreto, mensurável, que pode ser construído e precificado e que entrou definitivamente na agenda da agricultura. Para ele, os avanços em produtividade garantem efeitos poupa-recursos, além de aprofundar a consciência ambiental dos produtores.
“Essa parceria será um grande marco, porque permitirá a construção de uma métrica adequada para a estimação do sequestro de carbono no solo em condições tropicais de cultivo, em função das boas práticas agrícolas. Isso permitirá não só a mitigação dos efeitos das mudanças do clima, assim como a precificação deste serviço ambiental prestado pelo sistema produtivo, em adição ao que já é feito nas áreas de preservação. Portanto, abre um novo campo para investimentos verdes na agricultura”, avalia.
Nessa iniciativa, a Bayer contribuirá com a cessão de acesso aos dados de quantificação de carbono no solo e às informações referentes aos sistemas produtivos de clientes cujos contratos concedam tal autorização, além do financiamento das atividades a serem realizadas. A Embrapa, por sua vez, oferecerá em contrapartida uma estrutura computacional e laboratorial especializada e a competência técnica da equipe de profissionais multidisciplinares, para a geração de soluções técnico-científicas que tragam as melhorias previstas e fortaleçam o uso de tecnologias digitais, de acordo com a chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Silvia Massruhá.
Fonte: Correio
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Meio Ambiente

ABAG neutraliza emissões de gases de efeito estufa

Essa ação foi possível devido ao novo ativo ambiental do agronegócio brasileiro, os CBios.

Imagem: Marcel Oliveira

Durante a abertura do Congresso Brasileiro do Agronegócio, o presidente executivo da Abag, Marcello Brito, ainda anunciou que a entidade é a primeira associação do agronegócio em nível mundial a neutralizar todas as suas emissões de gases de efeito estufa em 2019. Essa ação inédita, pioneira e inovadora foi possível devido ao novo ativo ambiental do agronegócio brasileiro, os CBios, créditos de descarbonização criados em nossa Política Nacional de Biocombustíveis (Renovabio).
A neutralização das emissões da ABAG foi feita pela Block C, um ecossistema de gestão e rastreabilidade de emissões baseado em tecnologia Blockchain. “Não se trata apenas de fazer o cálculo, auditar as informações, e adquirir os créditos. Nesta empreitada, a Block C e a ABAG contaram com “vontade boa” de demonstrar esta inovação por todos os atores na cadeia. A SGS na auditoria, a StoneX na estruturação, a B3, nossa parceira nesse congresso, no registro do ativo”, disse Brito. Foram comprados e retirados de circulação 55 CBios (cada um equivalente a 1 tonelada de carbono de emissão evitada com a substituição de combustíveis fósseis por renováveis). O preço médio ficou em R$ 22.

Para ele, este é, sem dúvida, um exemplo de empresas e setores que estão comprometidos com o agronegócio de impacto positivo e contribuindo para a sociedade. “Esperamos que esse pequeno gesto econômico, seja um gesto gigante no exemplo e na disseminação de ações mitigadoras das mudanças climáticas e um novo mercado para os CBIOs. Essa ação somente acontece quando se reúne protagonismo, legalidade e ciência”, concluiu.

Fonte: Agrolink

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Meio Ambiente

Ricardo Salles anuncia pagamento por serviços ambientais na Amazônia

Para o ministro do Meio Ambiente, o objetivo é remunerar quem cuida da floresta, na lógica da reserva legal e dentro do percentual estabelecido pelo Código Florestal

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, Ministério do Meio Ambiente

Outro ponto anunciado por Ricardo Salles foi a regularização fundiária em áreas da Amazônia – Foto: Gilberto Soares/Ministério do Meio Ambiente

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciou nesta quarta-feira, 20, um plano com diversas ações para incentivar a preservação da Amazônia. Em entrevista coletiva, ele afirmou que um dos pontos que o governo federal pretende trabalhar é o pagamento por serviços ambientais prestados. Ele considerou a medida como uma espécie de ‘monetização’. “(Queremos) remunerar quem cuida da floresta, na lógica da reserva legal e dentro do percentual estabelecido pelo Código Florestal”, disse.

Ele afirmou ainda que a medida prevê pagamento por preservação de áreas excedentes de reserva legal e serviços relacionados às Áreas de Preservação Permanentes (APP’s). “A monetização no sentido de ter meios para preservação é fundamental. Isso tem direta relação com o que foi discutido acerca da COP 25 [Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas]”, afirmou.

Outro ponto anunciado por Salles foi a regularização fundiária em áreas da Amazônia. Segundo ele, há consenso entre todos os governadores da Amazônia Legal e de órgãos federais de que é fundamental promover regularização fundiária no bioma amazônico.

“A regularização é um problema em todo território nacional, mas na Amazônia esse problema se torna mais sério”, disse. Segundo ele, a ideia é criar recursos para que essa regularização aconteça, através de mecanismos jurídicos, facilitação de documentação, agenda necessária, cooperação, entre outros.

Salles afirmou, ainda, que também foi conversado com os governadores da Amazônia Legal sobre estratégias para acelerar o processo de zoneamento econômico e ecológico da região. “Para determinar quais são as potencialidades, vocações e locais que podem receber infraestrutura. Assim, poderemos fazer o ordenamento territorial necessário para preservar a Amazônia”, diz.

Segundo o ministro, a medida visa não só a preservação, mas também a inclusão das famílias que vivem “na região mais do rica do país com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)”.

Por fim, Salles anunciou também o alinhamento da agenda de bioeconomia na região. “Recebemos diversos setores produtivos que representam potenciais investidores e que podem agregar valor aos produtos e gerar emprego e renda”, conta.

O ministro afirma que o governo está buscando mais recursos junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para atrair o setor privado. “Discutimos a desoneração de produtos oriundos da floresta, mas isso ainda carece de análise financeiras, porque tem impacto para os estados e outros entes federativos, como União e municípios”, diz. “Procuramos, ao longo dos últimos 60 dias, identificar os gargalos da bioeconomia”.

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Como alimentar o mundo e preservar o meio ambiente?

Pergunta vem sendo motivo de estudos nos últimos anos

Alimentar o mundo e preservar o meio ambiente ao mesmo tempo tem sido o objetivo de toda a indústria alimentar ao redor do mundo, principalmente dentro dos grupos de pesquisa das universidades. De acordo com Sylvie Brouder, professora do Departamento de Agronomia da Universidade de  Purdue, nos Estados Unidos, é possível fazer as duas coisas.

O seu trabalho centra-se no ciclo do carbono e do azoto no solo, no sequestro de carbono, nas emissões de gases com efeito de estufa e nos impactos da agricultura na qualidade da água. À medida que a tecnologia evolui, novas variedades de culturas entram nos campos e as práticas de gestão mudam, Brouder tem que avaliar continuamente esses impactos e como comunicar novas informações aos agricultores e partes interessadas.

“Nunca teremos uma solução única para o problema da sustentabilidade. Não é apenas um nutriente ou cultura, porque são sistemas agrícolas e eles sempre mudam “, disse Brouder. “Sempre haverá novos desafios e sempre haverá concessões. Você trabalha para entender essas compensações e a sociedade decidirá quais são aceitáveis”, completa.

A investigação levou ao desenvolvimento de linhas de orientação de gestão e tecnologias de nutrientes que reduzem as emissões de gases de efeito de estufa e melhorar a qualidade do ar e da água para equilibrar a quantidade de azoto e outros fertilizantes aplicados aos campos. Reservas de solos saudáveis também se concentram na modificação de sistemas de drenagem de ladrilhos e rotações de culturas para impedir que os nutrientes entrem nos cursos d’água. Outro esforço levou a modelos que ajudam os agricultores a determinar se podem usar terras marginais para cultivar culturas de bioenergia.

Fonte: Agrolink

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Meio Ambiente

Fundo Amazônia investe 65 milhões em Inventário Florestal na Amazônia

Dos nove estados que abrigam o bioma, o levantamento está em andamento em cinco e já foi concluído em Rondônia e parte do Pará e Mato Grosso

Equipes do Inventário Florestal Nacional (IFN) estão percorrendo a Amazônia com o objetivo de coletar dados sobre as condições das florestas e realizar entrevistas com moradores. Nos estados do Acre, Maranhão, Tocantins e na região de Manaus, no Amazonas, as equipes foram capacitadas em março e deram início ao trabalho de campo, com previsão de quase 700 pontos de coleta de dados.

Além destas regiões, o levantamento também está sendo realizado em Roraima desde setembro de 2017 e a previsão é terminar em julho, com coleta de dados em 201 pontos da floresta. Realizado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, o levantamento já foi concluído em Rondônia, parte do Pará e do Mato Grosso.

A expectativa é que a coleta de dados em campo em toda a Amazônia seja concluída até o final de 2020. O levantamento conta com investimento do Fundo Amazônia, num total de mais de R$ 65 milhões.

O objetivo é conhecer não só a quantidade dos recursos florestais como também o estado de conservação, a sua diversidade e a relação da população com as florestas. “Produzir informações sobre as florestas é uma forma de valorizá-las, de potencializar o seu manejo sustentável e de influenciar na formulação de políticas que fortaleçam o uso adequado de seus recursos e a permanência das florestas em pé”, explica Joberto Freitas, diretor de Pesquisa e Informações Florestais do Serviço Florestal.

De acordo com o diretor, os resultados poderão orientar a formulação de políticas de conservação, uso e desenvolvimento florestal. “A biodiversidade da Amazônia e seu estado de conservação ainda são pouco conhecidos. O IFN está fazendo um levantamento detalhado em campo da floresta, o que inclui dados sobre a flora, o solo, estoque de carbono, o uso que a população faz da floresta, entre outros dados”, explica Freitas.

Raio-x da floresta

A Amazônia é a maior reserva de biodiversidade do mundo e o maior bioma do Brasil – ocupa 420 milhões de hectares, quase metade do território nacional. O bioma cobre totalmente cinco estados (Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima), quase totalmente Rondônia (98,8%) e parcialmente Mato Grosso (54%), Maranhão (34%) e Tocantins (9%).

20180314 IFN Amazônia TO 52 Pedido de autorização e divulgação do trabalho Foto Krüger Florestal siteAs equipes estão indo a campo medir as árvores, analisar sua saúde e vitalidade, coletar amostras do solo e de material botânico, entre outros aspectos. Além disso, são realizadas entrevistas com moradores do entorno das áreas pesquisadas para levantar informações sobre a sua relação com a floresta e o uso dos recursos florestais.

Andamento do IFN

Realizada em todo o país, a coleta de dados do Inventário Florestal Nacional já foi concluída em 48% dos estados: Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe. Em outros 11 estados (40,7%), o levantamento está em andamento.

Quase 51 mil amostras botânicas e mais de 12 mil amostras de solo foram coletadas, entre outros dados, em mais de 6 mil pontos do país. Além disso, quase 17 mil pessoas já foram entrevistadas pelas equipes do IFN nas proximidades das áreas pesquisadas.

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Meio Ambiente

Votorantim vai usar caroço de açaí como fonte de energia

A Votorantim vai substituir sua matriz energética (coque de petróleo, não renovável) pela queima de caroços de açaí como fonte de energia em sua fábrica de cimento no município de Primavera

A Votorantim vai substituir sua matriz energética (coque de petróleo, não renovável) pela queima de caroços de açaí como fonte de energia em sua fábrica de cimento no município de Primavera, nordeste do Pará. A empresa recebe o apoio do Governo do Estado, via secretarias de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) e de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), que concedeu Selo de Prioridade ao projeto por meio de Protocolo de Intenções assinado no dia 14 passado.

Com este selo, todos os trâmites de implantação terão prioridade em órgãos do governo, como a própria Semas e o Corpo de Bombeiros. A intenção é garantir as vantagens da nova fonte energética o mais rápido possível. “O caroço de açaí é uma fonte renovável e hoje é um problema ambiental, mas assim se transforma em solução, explica o titular da Sedeme, Adnan Demachki. “Haverá uma diminuição significativa na emissão de C02 e a não-emissão de dióxido de enxofre, além de gerar alternativas novas de renda em municípios de baixo IDH e para famílias praticamente sem renda”. A previsão é de que a Votorantim irá consumir, por ano, mais de 100 mil toneladas de caroços de açaí.

A Votorantim está comprando os caroços secos (no máximo, 10% de umidade) da fábrica Ecobiomassa, de Igarapé-Miri, que por sua vez adquire os caroços “brutos” pela região (Abaetetuba, Mocajuba, Barcarena, Igarapé-Miri). Este ano, já foram transportados, em caminhões, 2,5 toneladas de caroços para Primavera.

“Este projeto piloto foi exitoso e a expectativa agora é fornecer numa escala maior”, informa o dono da Ecobiomassa, Marcos Tadeu Bragatto. “Isto resolverá o problema dos resíduos gerados pela grande quantidade de caroços em Igarapé-Miri e região e também será uma fonte a mais de renda para pequenos produtores”.

Reaproveitamento seria solução também para a capital paraense

Como a Votorantim é uma gigante, espera-se que este tipo de solução seja seguido por outras empresas, até para resolver também um problema sério em Belém: 50% dos resíduos sólidos produzidos na capital são caroços de açaí (130 mil toneladas/ano).

Em Igarapé-Miri e região, o recolhimento dos caroços se dá por meio de bags (recipientes de plástico que parecem sacos gigantes) que são colocados por um munch num caminhão e substituídos por outros vazios.

“A Política Estadual do Açaí, implementada pelo Governo do Pará, vai tornar este fruto uma coqueluche mundial”, garante Adnan Demachki. “A partir de ações da Sedeme, 12 empresas já ampliaram, estão ampliando suas instalações ou implementam novas indústrias, com vistas a verticalizar a cadeia em produtos com valor agregado”.

Com isto, a produção de caroços de açaí vai crescer exponencialmente e “precisamos transformar este fato, ao invés de um problema, em fonte de renda: quem se interessar pode procurar a Sedeme que apoiaremos os projetos”, conclui Adnan.

Pelo Protocolo de Intenções assinado com o Governo do Estado, a Votorantim se compromete também a apoiar a implantação de cooperativa de secagem de caroço de açaí; participar dos estudos de viabilidade de plantação e produção de capim-elefante para produção de biomassa e estimular a produção de açaí na região de atuação da indústria.

Por Edson Coelho

Fonte: Agência Pará