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Embrapa desenvolve vacina contra o carrapato bovino

Segundo pesquisador, a eficácia do imunizante é de 69%, mas as pesquisas continuam para melhorar esse índice.

O carrapato bovino já é um desafio conhecido pelos pecuaristas. De acordo com a Embrapa Gado de Corte, a pecuária brasileira perde cerca de US$ 3 bilhões por ano por causa dele. No mundo, o prejuízo passa de US$ 17 bilhões.

Para o controle eficiente, a Embrapa, em parceria com um laboratório farmacêutico, desenvolveu a primeira vacina contra o carrapato.

“A gente vem trabalhando nela há muito tempo, e conseguimos registrar a patente depois de um ano. Isso nos traz uma possibilidade real de oferecer uma ferramenta, a curto prazo, para o controle do carrapato sem uso de produto químico”, diz o pesquisador Renato Andreotti.

Segundo ele, a eficácia do imunizante é de 69% até o momento. “A gente pretende continuar fazendo estudos e aumentar essa eficiência da vacina”, diz.

A vacina já teve a patente aprovada, mas não vai chegar ao mercado neste ano. “Assim como estamos vendo com a vacina da Coronavac, é um processo muito semelhante. Acredito que leve um ano e meio a dois anos para ser aprovado [o uso] junto ao Ministério da Agricultura, sendo bem otimista. A ciência é algo fundamental para o país, e a construção da ciência se dá a longo prazo”, destaca.

Por: Canal Rural

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Programa de monitoramento da ferrugem asiática auxilia no manejo da cultura da soja

O programa publica dados semanais com informações sobre detecção da presença de esporos associada às condições meteorológicas, gerando mapas indicativos de predisposição da ocorrência da ferrugem asiática nas regiões produtoras.

A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR) e a Emater/RS-Ascar criaram uma ferramenta para auxiliar os sojicultores no manejo da ferrugem asiática da soja: o Programa Monitora Ferrugem RS, disponível no link.

O programa publica dados semanais com informações sobre detecção da presença de esporos associada às condições meteorológicas, gerando mapas indicativos de predisposição da ocorrência da ferrugem asiática nas regiões produtoras. “São informações importantes na tomada de decisão dos técnicos e produtores, para adoção de medidas de manejo da doença”, explica Ricardo Felicetti, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da SEAPDR.

O Monitora Ferrugem RS foi implementado na safra 2019/2020, e na safra atual foi aprimorado para incluir informações sobre condições meteorológicas, tais como precipitação pluvial, temperatura e molhamento foliar. Os dados são gerados pelo Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS), da SEAPDR.

Além da Secretaria e da Emater/RS-Ascar, estão envolvidas no Programa Monitora Ferrugem RS as seguintes entidades: Universidade de Passo Fundo (UPF), Embrapa Clima Temperado, Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) Câmpus Ibirubá, Sociedade Educacional Três de Maio (Setrem), Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) Câmpus Santiago, Universidade Federal do Pampa (Unipampa) Câmpus Itaqui e São Gabriel, Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e Universidade de Cruz Alta (Unicruz).

Por: Portal do agronegócio.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do RS.

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Precocidade sexual de novilhas pode representar o futuro da pecuária brasileira

De acordo com a pesquisadora da Embrapa, estratégia pode solucionar problemas de abastecimento internacional devido ao crescimento da demanda pela carne.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), o Brasil possui um rebanho bovino de 213,5 milhões cabeças distribuídas em 164,70 milhões de hectares, com taxa de lotação média de 0,7 (Unidade Animal (UA) por hectare, sendo 80% destas cabeças sendo de boi Zebu, por apresentarem melhor adaptação às condições climáticas.

Apesar da elevada extensão territorial, condições ambientais favoráveis e dieta baseada em pastagens que favorece a produção de carne, o Brasil apresenta taxa de desfrute muito abaixo dos outros importantes países produtores de carne.

Dito isso, Juliana Corrêa, médica veterinária e pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) acredita que a precocidade sexual de novilhas Nelore faz parte do futuro da pecuária brasileira, visto que o aumento da eficiência da pecuária está diretamente ligado à redução da idade ao primeiro parto, e redução do intervalo de partos.

De acordo com o boletim da Centro de Inteligência da Carne Bovina (Cicarne), a produção de carne bovina aumentou 146,4% em 22 anos, tendo saído de 3,3 milhões de toneladas em 1997 para 8,2 milhões de toneladas em 2019. Nesse mesmo ritmo ocorre o aumento das exportações, sendo que, nos 12 anos finais do tempo analisado, entre 2007 e 2019, o crescimento foi de 22,8%.

Segundo a pesquisadora, o mercado internacional sinaliza que o Brasil será o grande abastecedor de carne bovina para a crescente demanda mundial, sendo assim, será preciso aumentar sua produção em quantidade e qualidade, ou seja, precisará cada vez mais de novilhas mais precoces para suprir as demandas internas e externas da carne.

“A precocidade é uma característica unânime nos diferentes setores de produção como um dos mais importantes parâmetros de escolha para melhoria da qualidade da carne e de eficiência de sistemas de produção de bovinos de corte. Por isso, há grande interesse econômico em se obter a entrada das fêmeas à idade reprodutiva e, consequentemente, ao ciclo de produção, seja pela produção de bezerros ou de carne”, diz Juliana.

Reduzir a idade para a entrada à reprodução, de 36 para 24 meses, como a maioria das regiões marginais para onde a cria está se deslocando, ou de 24 para 14 meses, em sistemas mais intensificados, potencializaria os índices produtivos e resultaria em aumento de arroba produzida por hectare, segundo a médica.

“Não é um processo tão simples quanto parece, pois atrelado a essa precocidade está à intensificação do processo, principalmente, nas questões reprodutivas, nutricionais e genéticas, todas interagindo com o benefício/custo. Ou seja, precocemente introduzir fêmeas na idade reprodutiva é interessante se for possível e sustentável”, afirma a pesquisadora.

De acordo com Juliana, por conta destes fatores, a demanda do setor produtivo é grande, seja para produtor comercial, genética, cria ou de ciclo completo, em relação às soluções dos fatores que influenciam negativamente à adoção do processo de redução da idade à reprodução, como:

  • Baixa taxa de prenhez
  • Alta perda embrionária (em fêmeas super precoces, de 14 meses)
  • Incerteza quanto ao desenvolvimento e desempenho produtivo de seus produtos
  • Problemas associados à baixa reconcepção da primípara precoce
  • Altos custos de produção, falta de consenso das estratégias nutricionais
  • Não expressão do potencial genético para a característica da precocidade sexual (ou pela não utilização de genótipos dentro do rebanho, ou pela falta de oferecimento de condições ambientais)

Essas questões mostram que a tomada de decisão para a redução da idade para reprodução depende de vários fatores dentro de um sistema de produção.

A pesquisadora da Embrapa afirma que não é possível olhar isoladamente para os protocolos hormonais de indução de precocidade e de inseminação artificial em tempo fixo  como solução dos problemas para alcançar a precocidade, se não for oferecido condições nutricionais para o desenvolvimento das novilhas com certeza haverá limitação no desenvolvimento e desempenho do animal.

“Se cuidarmos com atenção dessa fêmea e dermos condições nutricionais adequadas, com protocolos reprodutivos adequados, juntamente com o uso correto da genética e do manejo nutricional, estaremos andando no rumo certo para alcançar a sustentabilidade do sistema e escrever novos capítulos na história da pecuária brasileira”, finaliza Juliana.

Fonte: Canal Rural

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Dicas de bem-estar animal para bovinos e ovinos de acordo com as cientistas Temple Gradin e Erika Voogd

A importância do bem-estar animal e as melhores técnicas para abate halal em bovinos e ovinos com as cientistas Temple Grandin e Erika Voogd

As cientistas renomadas Temple Grandin, Ph.D em Ciência animal e Erika Voogd, consultora da Voogd Consulting, Inc. e expertise em Bem-Estar Animal e Segurança Alimentar comentaram na webinar promovida pela Cdial Halal, no último dia 29, sobre o mercado halal e o bem-estar animal para bovinos e ovinos.

O evento contou com as boas vindas dos executivos, presidente Ahmad Ali Saifi e do CEO, Ali Saifi, da Cdial Halal e ao final, o Sheik Mohamad Al Bukai explicou com assertividade a importância da religião no processo halal.

Em sua fala, Ali Saifi lembrou que “o bem-estar animal e o halal é um conjunto. Nosso objetivo principal, como islâmicos, é respeitar o bem-estar animal, proporcionando um abate profissional, respeitando a jurisprudência islâmica. Deus nos dá a oportunidade de consumir animais, mas desde que os tratamos com dignidade. Como certificadores, independente das diversas culturas, fazemos com que as boas práticas sejam realizadas”, comenta o CEO da Cdial Halal, Ali Saifi.

Em seguida a doutora Temple Grandin iniciou a webinar ressaltando que os profissionais precisam ficar mais atentos aos movimentos dos animais para entender, aplicar as boas práticas de criação e é claro seu bem-estar animal.

Confira os itens mais comentados pelas doutoras Temple Grandin e Erika Voogd:

1-    Os animais que estão a caminho do abate sentem medo de pequenas coisas que as pessoas não percebem, como por exemplo, reflexo, iluminação forte, barulhos, estes fatos incomodam o bem-estar do animal.

2-    O gado deve ser acomodado de forma que todos os animais consigam descansar deitados e com espaço no curral. Amontoá-los de forma numerosa não é bem-estar.

3-    É preciso ter uma correta estabulação no curral. Verifique se piso não está liso e derrapante. Se mais de 1% dos animais caem durante o manejo, há problema no piso instalado.

4-    Para manusear o gado, não é aconselhado utilizar bastão elétrico e nem grite com o animal. Estes atos geram estresse.

Manuseio do gado com uma pá

5-    É muito comum mover o gado de forma silenciosa com um pandeiro como ferramenta para estimular o gado para a seringa de abate.

6-    Reflexos no chão fazem com que os animais tenham mais hesitação.

7-    Iluminar a entrada da área de contenção com luz portátil.

Uso de lâmpada portátil

8-  Bloquear o espaço de contenção dos raios solares com lonas, utilizar cortina para que o animal não veja a circulação de pessoas durante o caminho para o abate.

9-  A contagem de vocalização deve ser 5% ou menos.

Dicas de bem-estar animal

1.- Tolerância zero quanto à pendura do animal quando dá sinais de consciência.

2.- Realizar o corte na garganta imediatamente após a contenção. Utilizar facas afiadas para não causar desconforto ao animal. A faca deve ter o dobro do tamanho do pescoço do animal.

3.- Tolerância zero para esfolamento, escaldamento, remoção dos pelos ou de qualquer parte do animal que apresente quaisquer sinais de sensibilidade.

4.- O chão não deve ser escorregadio e nem de concreto grosso. Estes ambientes causam danos aos animais como má conformidade nas pernas, formação de cascos impróprios, entre outros.

5.- Para completar o ciclo, é estritamente necessário que haja manuseio correto e nutrição adequada aos animais.

6.- Não é correto acelerar o crescimento rápido dos novilhos. Devemos respeitar o tempo natural de crescimento.

7.- Todo o gado tem que ter espaço suficiente para se deitar sem que haja necessidade de se deitar um sobre o outro.

8.- Deve-se oferecer espaço mínimo para o transporte. Utilizar o mínimo de amônia durante a locomoção dos animais.

9.-  As auditorias precisam ser mais assertivas. Os padrões de diretrizes devem ser claramente escritos, os quais não devem ter diferentes interpretações subjetivas por pessoas diferentes. A manutenção de padrões altos requer medidas de prevenção quanto às práticas do manuseio, evitando deterioração.

10.- As equipes devem ser bem treinadas de forma objetiva e de única interpretação, para que não haja dúvida quanto ao manuseio dos animais.

Sistema moderno de rampas curvas para o abate.

 Cortina e papelão bloqueiam a visão dos animais, para que não vejam as pessoas e os equipamentos de abate.

A questão religiosa com Sheik Muhammad Albukai – As pessoas que realizam o abate halal precisam ser treinadas de forma espiritual. “O mercado halal é diferente dos outros. Halal não se resume apenas a forma como a degola é praticada, mas sim, a um conjunto de princípios e regras legislativas islâmicas, que devem ser seguidas e preservadas que envolvem inclusive como o animal deve ser tratado antes, durante e pós degola”, ressalta o sheik.

Há um versículo 6:38 do alcorão que diz: “Não existe ser algum que ande sobre a terra, nem aves que voem, que não constituam nações semelhantes a vós. Nada omitimos no Livro”. O Profeta Mohammad (que a paz e a benção de Deus estejam sobre ele) ressalta a importância de respeitar os animais. A relação do animal e o ser humano é muito forte. “Os animais, como os frangos, são bençãos de Deus ao ser humano. Nós, seres humanos, nos beneficiamos deles para nos alimentar, portanto, devemos respeitá-los. Para enfatizar nosso respeito a todas as espécies de animais, a sociedade islâmica em suas distintas capitais se dedicou a criação de hospitais específicos para tratamentos de enfermos. Há diversas entidades como Awqaf para cuidar exclusivamente de animais idosos em condições especiais; Waqf Al Marj Terra Verde em Damasco e a Waqf Gatos perdidos, entre outros. Ou seja, os animais na jurisprudência islâmica precisam ter direito à vida, à sua alimentação, não serem judiados e ter sua espécie protegida e preservada. Todos têm um único propósito: oferecer bem-estar animal”, finaliza sheik.

A Cdial Halal – uma das maiores e importantes certificadoras halal do Brasil. É única certificadora da América Latina acreditados pelos principais órgãos oficiais dos Emirados Árabes (EIAC) e do Golfo (GAC), o que confere seriedade e competência nos segmentos que atua. “São certificações que comprovam que seguimos as rígidas regras e garantimos a excelência e integridade dos produtos e empresas acreditadas. Somos a certificadora brasileira com maior número de categorias certificadas pelo GAC. Podemos certificar as categorias C, voltada a produtos de origem animal, e L, de produtos químicos. E recentemente, conquistamos mais cinco categorias, sendo: D (voltada para sucos); E (destinada para produtos industrializados com maior tempo de prateleira); F (produção de ração); H (Centros de Distribuição) e J (Transporte e Centros de Armazenagem)”, finaliza Saifi.

Lucia Nunes – diretora e jornalista responsável

Marianna Cardoso – assessoria de imprensa

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Aftosa: você sabe identificar a diferença entre lesão vacinal e abscesso?

Uma das preocupações dos produtores na época de vacinação contra a febre aftosa é com a reação vacinal. Mas, você sabe a diferença entre lesão vacinal e abscesso? Será que é a mesma coisa? O diluente da vacina é por si só um produto que causa irritação no local de aplicação. Por isso, sempre teremos a formação de um edema que pode variar de tamanho. No entanto, em 95% dos casos, o edema regride sozinho sem causar dano à carcaça.

Mas é preciso estar atento! Isso só ocorrerá se a vacinação for feita de maneira correta, na região indicada – tábua do pescoço – e com agulha certa, tanto no comprimento quanto na espessura, com animal contido individualmente no equipamento e não no brete coletivo, sem a conhecida pressa.

Já o abscesso ocorre após a vacinação. É uma lesão com conteúdo chamado de pus, líquido espesso, que exige uma drenagem como tratamento. Ele causa muita dor no animal e só se forma por contaminação, ou seja, por falta de higiene e/ou outros descuidos.

Existe uma recomendação corriqueira que pode minimizar a incidência de abscessos que é a troca de agulhas a cada dez animais, ou ainda fazer a vacinação de forma individualizada, iniciativa que reduz ainda mais o risco de contaminação.

O ideal seria trocar a agulha a cada abastecimento e não a cada dez animais, pois a intenção é de não contaminar o conteúdo do frasco.

De forma prática: se o frasco contém 50 doses, retiro dez doses, aplico em alguns animais e abasteço novamente o aparelho sem trocar a agulha, com certeza houve contaminação no frasco. Por isso, só evitamos a contaminação de animal para o outro se trocarmos a agulha a cada um.

Como fazer então uma boa desinfecção das agulhas e do aparelho de aplicação? A resposta é simples: apenas com fervura. Nunca use desinfetante, iodo e ou qualquer outra substância química! Esta pode ser uma solução simples, mas eficaz durante o período de vacinação que podemos e devemo implantar para diminuir os prejuízos.

*Renato Santos, autor do artigo acima, é médico-veterinário e consultor em manejo racional e bem-estar animal. O artigo foi publicado em alguns portais como Agrolink e Revista Nelore.

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Alertas de Mercado: Açúcar, Boi, Leite, Milho, Soja e Trigo

Açúcar 

O clima de início de safra fez com que os preços do açúcar cristal voltassem a cair no mercado spot de 1º a 5 de abril, primeira semana oficial da safra 2019/20 do Centro-Sul, segundo levantamento do Cepea.

Pouco mais de 30% da amostra das usinas de São Paulo consultada pelo Cepea já havia iniciado a moagem da cana da nova safra até sexta-feira, 5. No entanto, poucas são as unidades já produzindo o açúcar Icumsa até 180 da nova safra para venda no spot.

Dessa forma, a maioria dos volumes captados pelo Cepea nas negociações spot foi de estoques remanescentes da temporada 2018/19.

A média do Indicador CEPEA/ESALQ, cor Icumsa de 130 a 180, mercado paulista, de 1º a 5 de abril, foi de R$ 67,87/saca de 50 kg, queda de 0,38% em relação à média de 25 a 29 de março (R$ 68,13/saca de 50 kg).

 

Boi

A curta oferta de boiadas dá sustentação às cotações da arroba do boi gordo. No fechamento da última segunda-feira (8/4) tivemos altas em oito praças pecuárias.

Em Paragominas-PA, o grande volume de chuvas tem dificultado os embarques, o que reduziu ainda mais a disponibilidade de matéria-prima para a indústria.

Na região, a ponta compradora iniciou a semana ofertando preços acima das referências e a cotação da arroba subiu 0,4% frente ao último levantamento (5/4).

Em São Paulo, o preço também subiu 0,6%, o que significa R$1,00/@ a mais frente à sexta-feira última. As escalas de abate paulistas giram em torno de cinco dias.

A maior demanda por carne na primeira quinzena do mês puxou o mercado atacadista de carne bovina com osso, e os preços fecharam com alta de 2,4% e o boi casado de animais castrados está cotado em R$10,34/kg.

Leite

O preço do leite UHT subiu na primeira semana de abril, após três semanas consecutivas de queda. Entre 1º a 5 de abril, a cotação média do derivado foi de a R$ 2,3927/litro – o menor preço mensal dos últimos cinco anos –, alta de 0,36% frente à semana anterior.

De acordo com colaboradores do Cepea, esse cenário se deve à melhora nas vendas, por causa do período de início de mês, e aos estoques controlados de laticínios.

Por outro lado, o queijo muçarela seguiu em baixa pela terceira semana seguida, reflexo do baixo consumo e das poucas negociações entre laticínios e atacados.

Assim, de 1º a 5 de abril, o preço médio foi de R$17,2804/kg, baixa de 0,26% em comparação à semana passada. Participe da pesquisa do leite UHT e do queijo muçarela no atacado de São Paulo e receba informações exclusivas. Envie um e-mail para leicepea@usp.br ou ligue para (19) 3429-8834.

Milho 

As negociações envolvendo milho no mercado spot estão em ritmo lento e os preços, em queda. Segundo colaboradores do Cepea, vendedores têm limitado as vendas na expectativa de valores maiores no período de entressafra, enquanto compradores realizam apenas pequenas aquisições para repor estoques de curto prazo.

O movimento de queda nos preços é mais expressivo nas regiões ofertantes – como Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais –, onde o avanço da colheita aumenta a disponibilidade do cereal.

Nos mercados consumidores, como o paulista e o catarinense, o movimento de baixa é limitado. Em algumas regiões, os preços chegaram a subir, influenciados pela necessidade de compradores e pela restrição de vendedores.

O Indicador ESALQ/BM&FBovespa (região de Campinas – SP) teve queda de 0,9% entre 29 de março e 5 de abril, fechando a R$ 38,08/saca de 60 kg na sexta-feira, 5. Em março, o Indicador acumulou baixa de 9,2%.

Soja 

A proximidade do encerramento da colheita de soja no Brasil e as expectativas quanto ao possível acordo comercial entre Estados Unidos e China – o que levaria o país asiático a voltar a comprar a oleaginosa norte-americana – têm levado sojicultores brasileiros a disponibilizar maiores lotes do grão no mercado.

Quanto à demanda doméstica, indústrias adquirem apenas volumes pequenos – parte das fábricas indica ter estoques até meados de maio, alegando que as vendas internas de farelo e de óleo estão reduzidas.

Além disso, com a finalização da colheita no Brasil, consumidores do complexo soja esperam adquirir volumes a preços menores.

Nesse cenário, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa da soja Paranaguá (PR) recuou ligeiro 0,3% entre 29 de março e 5 de abril, a R$ 77,45/saca de 60 kg na sexta-feira, 5. No mesmo comparativo, o Indicador CEPEA/ESALQ Paraná permaneceu estável (+0,01), a R$ 72,52/sc de 60 kg no dia 5.

A queda no mercado doméstico foi limitada pela valorização dos contratos futuros na CME Group (Bolsa de Chicago). A alta internacional, por sua vez, esteve atrelada às estimativas de menor área a ser semeada com soja nos Estados Unidos.

Trigo 

Apesar da oferta elevada de trigo no segundo semestre de 2018 e das expectativas de maiores estoques de passagens, as importações de trigo seguem firmes.

De acordo com pesquisadores do Cepea, a qualidade do produto colhido no ano passado ficou abaixo da expectativa, justificando a necessidade de importação, mesmo com as cotações externas em alta.

Segundo a Secex, em março, foram importadas 659,53 mil toneladas do grão, volume 8,9% superior ao de fevereiro e o maior desde julho de 2018. Deste total, 91,5% vieram da Argentina, 4,3%, do Paraguai e 4,2%, dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo que ocorrem as importações, o excedente interno favorece as exportações. Em março, foram exportadas 125,27 mil toneladas, tendo como principais destinos a Indonésia e as Filipinas.

Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br  e Scot Consultoria

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Fazenda investe em técnica para garantir o bem estar do gado

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Bem-estar animal: uma questão de humanidade que gera bons resultados

É raro encontrar na nossa atividade, produtores que não tem apreço por seus animais. Os sinais são claros: nomes carinhosos, afagos, rotinas que demonstram que o manejo é tranquilo, como por exemplo – animais que caminham para a sala de ordenha por conta própria, na hora certa, que sabem sua posição na área de alimentação. Porém, o bom sentimento e as boas intenções não bastam para garantir que os animais vivam com bem-estar. Falhas de manejo, planejamento e estruturais podem colocar o rebanho em risco, diminuindo a produção e a longevidade.

Propriedades que estão avançadas na rotina das boas práticas em bem-estar animal conseguem um melhor aproveitamento da capacidade produtiva do rebanho. Um exemplo recente disso é a grande adesão na atualidade para sistemas de confinamento compost barn. Produtores têm sido atraídos para o sistema pelo considerável aumento de produção média, quase que instantâneo, que conseguem ao tirar as vacas em produção de ambientes menos especializados, com destino aos galpões. Esse sucesso nada mais é do que a recompensa que as vacas dão a uma iniciativa que aumenta o conforto e o bem-estar delas.

Não é necessário, entretanto, que todos os produtores adotem o compost barn como sinônimo de bem-estar. Quando mal planejado, ele pode ser uma ferramenta de efeito contrário. Outros sistemas de produção são perfeitamente adaptáveis ao melhor conforto animal. Temos fazendas em pastejo, sistemas mistos e outros tipos de confinamento que tem excelentes padrões, conseguindo ótimos resultados na nossa certificação BPBEA (Boas Práticas em Bem-Estar Animal).

Ao implementar essa certificação, a Verde Campo está atendendo demandas convergentes com os valores e com as crenças que direcionam as atividades da empresa. Entendemos que propiciamos conforto aos animais, resultados financeiros aos produtores e garantimos para os nossos consumidores que ao comprar as nossas marcas, estarão participando de uma cadeia que não permite maus tratos e uma exploração descompromissada com os animais. Crises éticas de grandes proporções, principalmente na Europa,  já causaram prejuízos para os produtores.

Mudanças tiveram que ser realizadas a toque de caixa para evitar maiores problemas. Atualmente por exemplo, a produção de suínos na Europa tem requisitos de bem-estar muito superiores aos adotados no Brasil. Alguns países do bloco impõem barreiras a compra de suínos brasileiros em função das diferenças nesses padrões. Está estabelecida então uma tendência mundial: o consumidor não quer somente qualidade final no alimento, mas quer saber como é produzido. Se o sistema de produção respeita o meio ambiente, as pessoas envolvidas e se é adequado aos animais.

A certificação que implantamos BPBEA foi planejada a partir do conceito das 5 liberdades, criado em 1979 pelo Farm Animal Welfare Council. As liberdades fundamentais são:

  • Livre de Fome e Sede;
  • Livre de Desconforto;
  • Livre de Dor, Lesões e Doenças;
  • Livre para Expressar seu Comportamento Natural;
  • Livre de Medo e Angústia.

A seguir, um esquema que resume pontos de atenção primordiais direcionados pelas cinco liberdades:

bem-estar animal

Ao iniciar o processo de certificação em bem-estar animal, técnicos especializados realizam um check list de admissão da fazenda. São definidos itens para adequação e após adoção das práticas desejadas , a propriedade recebe a visita de um auditor externo. Atingindo a pontuação necessária, é conferida a certificação anual BPBEA. Uma propriedade certificada BPBEA, tem os procedimentos monitorados e padronizados, vinculados sempre a uma ou mais liberdades com padrões auditáveis específicos.

Exemplifico a seguir, alguns itens resumidamente (o check list original tem itens de A a Z mais padrões auditáveis):

1 – Livre de fome e sede:

  • Verificação se a produção de volumoso é suficiente para o ano inteiro;
  • Se existem bebedouros em quantidade suficiente e de fácil acesso;
  • Se a água é de qualidade para os animais;
  • A dieta é balanceada considerando a fase de vida do animal e as suas demandas?

2 – Livre de desconforto:

  • A área de alimentação tem cochos devidamente dimensionados, sem provocar disputa e sem acúmulo de barro e esterco?
  • As instalações de manejo dispõem de sistema de arrefecimento ou proteção ao sol para os animais em horários de exposição ao estresse térmico?
bem-estar animal
Fotos 1 e 2: área de espera sem sombra e sala com temperatura controlada > mais conforto, mais produção.
  • As áreas de alimentação e alojamento tem sombra corretamente dimensionada para o número de animais sem acúmulo de barro e esterco?
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Fotos 3 e 4: ambiente inadequado e ambiente controlado e com conforto > reflexo na produção e na sanidade.
  • Quando o confinamento dispõe de camas devidamente dimensionadas e suficientes para o número de animais?

3 – Livres de dor, lesões e doenças:

  • A área de locomoção, manejo, acomodação ou pastejo são livres de irregularidades no piso, pedras e obstáculos?
bem-estar animal
Fotos 5 e 6: piso acidentado causando lesões de casco e dor na rotina. Outra sala simples, mas com piso adequado.
  • O bezerreiro permite que os animais se desenvolvam bem, livres de doenças e parasitas?
  • São mantidos no rebanho animais com sérios problemas locomotores?
  • Existe prevenção e controle estabelecido da mastite na propriedade?
  • Existe controle racional contra carrapatos e parasitas diversos?
bem-estar animal
Fotos 7 e 8: animal infestado de carrapatos e animal sem infestação > mais capacidade produtiva, conforto e sanidade.

4 – Livres para expressar seu comportamento natural:

  • Os animais tem liberdade de locomoção mínima indicada durante o dia?

5 – Livre de medo e angústia:

  • As vacas são conduzidas para a ordenha de forma calma e ordenada?
  • A ordenha é realizada de forma calma, sem uso de violência ou insulto aos animais?
  • A estrutura de ordenha e manejo é de fácil circulação para os animais?
  • É utilizado algum objeto pontiagudo ou cortante na condução dos animais?

Todos os itens acima, além dos que não mencionamos no texto se não observados, têm reflexos imediatos na produção na reprodução e na sanidade. O benefício financeiro alcançado com a adoção de práticas adequadas ao bem-estar dos animais é importante, mas o grande objetivo é o respeito aos animais

Produtores de todos os tamanhos e sistemas são capazes de conseguir internalizar os hábitos que propiciam o bem-estar. Na Verde Campo estamos levando essa oportunidade a todos, sem qualquer distinção.

bem-estar animal
Fotos 9 e 10: Sérgio Sebastião, de Nazareno/MG e Diego Ribeiro, de Madre de Deus/MG. Tamanhos e sistemas diferentes, mas um propósito.

Temos visto ultimamente protestos isolados realizados por extremistas protetores dos animais. Os argumentos utilizados por eles são vazios, radicais e não representam a meu ver uma preocupação que deve ser levada a sério pela cadeia produtiva do leite. Porém, está claro que os consumidores estão mais esclarecidos e que preferem alimentos que comuniquem seus valores. Devemos priorizar as boas práticas em várias etapas do processo produtivo além de nos certificar de que estamos realmente fazendo o correto.

produção de leite sempre foi uma atividade respeitada, que propicia renda e emprego a uma camada importantíssima da população. É de primordial importância adotar atitudes que melhorem continuamente a reputação do setor, combatendo às mentiras e os ataques absurdos com bons exemplos.

Fonte: MilkPoint

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Compost barn: presente em 22% das fazendas do Top 100, produtores relatam experiências com o sistema

A última pesquisa Top 100 realizada pelo MilkPoint e divulgada neste mês de março apontou que a produção média diária do conjunto dos 100 maiores produtores de leite do país foi de 17.929 litros de leite por dia no ano passado, ante 16.179 litros em 2016. Quando questionados sobre o alojamento utilizado para as vacas em lactação, as propriedades participantes desta edição utilizam em sua maioria o sistema confinado, predominantemente o free stall, em 46% das propriedades. Na sequência, aparece o compost barn, representando 22%.

Confira na tabela abaixo os sistemas utilizados pelos Top 100:

compost barn presente entre os 100 maiores produtores de leite do Brasil

Não é novidade que os produtores de leite no Brasil estão buscando com maior frequência informações sobre o compost barn. O ‘boom’ do sistema ocorreu após algumas suposições como a maior facilidade de manejo e a finalidade clara e adequada para os dejetos dos animais.

“Se questionarmos aos produtores de leite o motivo pelo qual eles estão indo para compost barn e não para o free stall, provavelmente as justificativas serão essas. Muitos acreditam que o composto exige uma menor mão de obra comparada ao free stall, já que é mais fácil dar fim a cama do composto – que, diferente da areia do free stall – é constituída por uma matéria orgânica de ótima qualidade”, comentou Eduardo Pinheiro, médico veterinário e produtor de leite (Fazenda Rio Doce, localizada em Itobi/SP). Eduardo compõe a grade de palestrantes do Interleite Sul 2018 e sua apresentação abordará um dos pontos cruciais para quem pensa em trabalhar ou já é adepto ao compost barn: “Manejo da cama em compost barn: como não errar?”.

Pinheiro destaca que alguns desafios do sistema devem ser ressaltados. “No meu ponto de vista e pela minha experiência, o compost é interessante até certo número de vacas. Até aproximadamente 500 animais em lactação, o composto vai bem, isso com dois barracões de tamanhos intermediários. Quando o barracão fica muito grande, começa a dar mais trabalho, visto que o tempo necessário para que os funcionários revirem a cama às vezes é maior que o tempo de ordenha. Isso ocorre para otimizar o sistema e para que, quando a vaca retorne da ordenha, a cama já esteja pronta”.

Compost barn & Top 100

O MilkPoint entrou em contato com alguns dos 100 maiores produtores de leite do Brasil para saber como o compost barn está se desenvolvendo na propriedade, os desafios do sistema, resultados alcançados, entre outros.

Segundo Eduardo Xavier, da Granja 4 Irmãos Agropecuária, de Rio Grande/RS e a 48ª colocada no ranking Top 100 2018, a propriedade iniciou com o compost há 13 meses e 70% do rebanho. “Há sete meses, 100% do nosso rebanho migrou para o sistema. O processo de transição para as vacas foi excelente. Nós colocamos os animais para dentro do barracão e eles se adaptaram muito bem. Com relação à alimentação, em 10 dias eles se adequaram às mudanças. Antes, nós fornecíamos dois tratos nas saídas da ordenha e eles pastejavam no restante do dia. Agora no compost, são oferecidos três tratos por dia e eles sempre têm alimentos à disposição”, diz Eduardo, que ressalta alguns benefícios observados até agora.

compost barn presente entre os 100 maiores produtores de leite do Brasil
Compost barn da Granja 4 Irmãos Agropecuária 
compost barn presente entre os 100 maiores produtores de leite do Brasil
Compost barn da Granja 4 Irmãos Agropecuária 

Aumento de 64% na média de litros/vaca/dia (isso na média total de 2017, considerando que em janeiro de 2017 não era compost e até julho de 2017, a 4 Irmãos ainda mantinha alguns animais a pasto;

  • Redução de 61% nos casos de mastite clínica;
  • Redução de 20% no número de colaboradores;
  • Melhores indicadores de desempenho, como taxa de concepção;
  • Bem-estar animal.

 “O ponto negativo é que a nossa CCS (Contagem de Células Somáticas) não diminuiu, porém, ainda não fizemos nenhum trabalhado focado nesse item. Estamos iniciando agora”, explicou.

A cama do compost na 4 Irmãos é manejada da seguinte forma: a cada 15 dias uma nova camada é adicionada. “Viramos a cama duas vezes ao dia e até três vezes nas épocas mais úmidas. Também, mantemos a ventilação, o que ajuda a manter a cama seca”. A capacidade atual do compost barn da Granja 4 Irmãos é para 500 animais, mas está abrigando 530. A média de produção de leite diária na fazenda é de 14.228 litros.

“O que não podemos negar é o espetacular bem-estar dos animais”

Sítio Tapir, de Rolândia/PR, produz 9.253 litros de leite por dia. Na 90ª posição do Top 100 2018, a propriedade utiliza o compost barn há aproximadamente quatro anos. De acordo com Carlos Baudraz, foi erguido um barracão para testar o compost barn com 48 animais e – notado o bem-estar dos mesmos e outros benefícios – outros barracões passaram a ser instalados por etapas.

animais alojados em compost barn
Compost barn no Sítio Tapir

“Finalizamos toda a instalação no ano passado e obtivemos muitas melhorias como aumento de produtividade em nível de produção e reprodução, melhorias na locomoção dos animais, longevidade, entre outros. O que notamos de negativo e que vale compartilhar é que os animais ficam mais suscetíveis às doenças parasitárias, pois eles ficam muito tempo sem ter contato com os parasitas, perdendo imunidade”.

No Sítio Tapir a capacidade do compost é para 300 animais em lactação, a cama é revolvida duas vezes por dia e a ventilação é mantida durante todo o tempo. “Quando ocorre aumento de umidade, colocamos uma cama de cepilho a cada 20 dias mais ou menos e a cada dois anos, essa cama é removida e utilizada como biofertilizante na lavoura. O que não podemos negar é o espetacular bem-estar dos animais. É de impressionar como eles se sentem bem. Quanto à mastite, os níveis aqui estão baixíssimos, tanto que minha CCS está abaixo de 200 mil células/ml há mais de cinco meses (para um rebanho em ordenha com 270 animais em média). Também, a nossa produção cresceu 16%. Posso afirmar que o compost foi a nossa ‘tábua de salvação’”.

Corroborando com esse caso prático da família Baudraz, Eduardo Pinheiro, palestrante do Interleite Sul 2018, destaca que em um compost barn bem manejado, o conforto é maior do que em um free stall bem manejado. “Estudos já comprovaram isso. Em uma pesquisa realizada nos EUA, que comparou o tempo que uma vaca fica deitada no compost e no free stall, no primeiro, o tempo é em média 13 horas por dia, e no segundo, 9 horas, o que é um indicativo de bem-estar”.

Fazenda Vitória, em Monte Alegre de Minas/MG, teve muitos desafios no início com o compost porque não tinha experiência e foi a primeira da região a aderir ao sistema. Para Raphael Rocha, a capacidade do compost na fazenda é de 330 animais e o principal ponto observado foi o aumento na produtividade dos animais. “A média de aumento foi de 5 litros/animal/dia, mas, a reprodução não evoluiu na mesma proporção da produção leiteira. Em compensação, a nossa mastite caiu para menos que metade e passamos a observar os animais mais tranquilos, deitados e ruminando em várias horas do dia”.

A cama da Fazenda Vitória, 95ª colocada no ranking Top 100 (9.143 litros/dia), é manejada duas vezes ao dia com subsolador e enxada rotativa. No geral, o compost contribuiu com um aumento na produção de leite de 25%.

Cama do compost barn e a mastite

Com relação à mastite, Pinheiro destaca que os resultados são controversos e questionáveis. “Ainda não tenho uma resposta para dizer se um sistema é melhor que o outro (compost x free stall). O que posso afirmar é que quando trabalhamos com matéria orgânica, o risco de dar mastite cresce. Algumas pesquisas mostram que a contagem bacteriana ambiental na cama do composto é ‘infinitivamente’ maior que numa cama de free stall, o que expande as possibilidades de infecções intramamárias, porém, esse fator está totalmente relacionado à umidade da cama. Esta última pode conter muitos micro-organismos, mas, sem umidade suficiente para ela aderir ao orifício ou pele do teto, as bactérias não conseguem ascender para a glândula. Não é porque há muita bactéria no composto que o animal terá mastite”.

É por isso que a revirada da cama se faz necessária, assim como, a averiguação do teor de umidade da mesma. “Todos esses detalhes devem ser milimetricamente ajustados no composto, até porque, se faltar muita umidade na cama, faltará água para as bactérias compostarem a matéria orgânica. No entanto, alguns estudos já mostraram que camas com umidade abaixo do ideal considerado atingiram temperaturas maiores que 45 ou 50ºC – o que prova que nessas condições, também pode ocorrer a compostagem. Mas se a cama ficar muito seca – o que é vantajoso para evitar a mastite – favorece as doenças respiratórias. Por isso, o ajuste precisa ser fino”.

Em sua palestra, Eduardo apresentará alguns dados de produção de leite após ter transferido o seu sistema anterior para o compost barn, mas, já adianta: “no meu caso, comparado ao semiconfinamento, a minha produção de leite aumentou 9 litros por animal na média/ano. Identificar qual é o melhor sistema para a sua fazenda, equilibrar os desafios e as oportunidades que cada um deles apresenta e caprichar no manejo adotado são alguns um dos caminhos”, completa.

“Zeramos casos de claudicação, mas, tivemos alguns casos de pneumonia”

Agropecuária Tolazzi, de Cruz Alta/RS, é a 96ª no ranking Top 100 e produz em média 9.073 litros de leite/dia. Desde 2016 utilizando o compost barn, a fazenda não teve problemas na transição com o sistema anterior. Segundo Cristian Tolazzi, a propriedade contou com um incremento de aproximadamente 9-10 litros na média/dia no verão e 7-8 litros no inverno. “Nossa CCS baixou, assim como a incidência de mastite. Também, zeramos casos de claudicação, mas, tivemos alguns casos de pneumonia. A nossa capacidade atual é de 400 animais com 10,5 m² por animal”.

Por lá, a cama também é revolvida duas vezes ao dia durante as ordenhas e em períodos de chuvas, três vezes por dia. “Caso a revirada não seja suficiente e comece a apresentar torrões, é feita a reposição da mesma”.

Os benefícios do compost barn na Fazenda Barreiras, de Edgar Moreira Guimarães, localizada em Patos de Minas/MG, também foram muitos. Com uma produção diária de 9.045 litros por dia e o 98º no Top 100, o aumento na taxa de prenhez foi de 3% na média/ano.

“A nossa produção de leite no período de inverno passou de 31,5 litros/vaca/dia para uma média de 38,5. No verão, foi de 24 para 34 litros/vaca/dia. Em 2016 colocamos as primeiras 100 vacas no compost barn, em março de 2017 mais 88 vacas, em abril mais 88 e agora neste mês de março, o lote pré-parto e o lote de vacas no final da lactação também entraram. Sabemos da importância da revirada da cama e realizamos essa ação duas vezes por dia com subsolador a 25 cm de profundidade. Ele passa apenas uma vez em cada local da cama”, comentou Álvaro Moriya Shiota, consultor da Fazenda Barreiras e diretor da Empresa Grupo Apoiar Consultoria.

A produção de leite em 2016 foi de 2.400.000 litros com 260 vacas em lactação/média/ano e em 2017, o total foi 3.300.000 litros, com média de 308 vacas em lactação/média/ano. “Na Barreiras, o número de mastite caiu drasticamente. No período de verão saímos de 18% para 2% e no inverno, de 8% para 1%”, enfatiza.

Compost barn e Google Trends

O Google Trends é uma ferramenta do Google que mostra os mais populares termos buscados em um passado recente. A ferramenta apresenta gráficos com a frequência em que um termo particular é procurado em várias regiões do mundo, e em vários idiomas.

Curiosamente, o MilkPoint buscou por meio desta ferramenta a palavra compost barn, bem como, a localização dos principais estados de busca. Veja os gráficos abaixo:

Estados brasileiros onde a palavra ‘compost barn’ é mais buscada: 

Fluxo da busca pela palavra ‘compost barn’ no Google Trends por período: 

Fonte: MilkPoint

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Manejo

Plantio direto reduz em 85% ocorrência de plantas daninhas no tomate

Estudo constatou menor necessidade de aplicação de herbicidas com esse sistema

Um estudo realizado pela Embrapa Hortaliças uma redução de 85,9% na infestação de plantas daninhas na lavoura de tomate rasteiro para processamento industrial. O resultado foi obtido na comparação com o sistema de produção de plantio direto com o sistema convencional, no que se refere ao controle de plantas daninhas no plantio de tomate entre duas culturas como milho e soja.

“Os produtores costumam utilizar o plantio direto no cultivo de grãos, em especial de soja, mas quando entram com o tomate na área, optam pelo sistema convencional, com aração e gradagem. Esse ensaio mostrou que há grandes benefícios quando se mantém o plantio direto também no cultivo de tomate em sucessão”, explica, em comunicado da Embrapa, a pesquisadora Núbia Correia, responsável pelo experimento.

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Fonte: Google

Após os experimentos, o tomate não apresentou diferença de produtividade entre os dois sistemas de produção. Contudo, devido à redução de plantas daninhas na área com palhada de milho, houve menor necessidade de aplicação de herbicidas, o que se traduz em ganhos econômicos e ambientais para o agricultor.

Ainda segundo a pesquisadora da Embrapa, apesar do controle químico ser a principal estratégia de manejo de plantas daninhas nas culturas agrícolas, ele não pode ser o único e que a adoção de outras práticas agrícolas como a manutenção de cobertura morta sobre o solo podem trazer vantagens para todo o sistema produtivo.

Fonte: UniversoAgro