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Johanna Döbereiner descobriu que plantas podem gerar seu próprio adubo interagindo com bactérias

Técnica sustentável fez o Brasil reduzir o uso de fertilizantes químicos nas lavouras de soja, o que provocou economia US$ 2 bi por ano na cultura e ajudou a impulsionar o país como um dos maiores produtores do grão.

 

Johanna Döbereiner no laboratório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner no laboratório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). — Foto: Divulgação

Nascida em 1924 na antiga Tchecoslováquia (hoje República Tcheca e a Eslováquia), imigrou para o Brasil em 1950, em meio à instabilidade e perdas deixadas pelo fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.

Por aqui, dedicou toda a sua vida à ciência, liderando pesquisas de microbiologia do solo a partir a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), até o final de sua vida, em 2000.

Sempre com foco em sustentabilidade, em uma época em que o tema era pouco debatido, Johanna demonstrou que é possível eliminar o uso de adubos químicos poluentes e caros em culturas como a soja, aproveitando-se somente do que já existe na natureza.

Mais especificamente das Bactérias Fixadoras de Nitrogênio, que são capazes de capturar o nitrogênio do ar, um adubo natural para as plantas. Esses seres vivos, que vivem no solo, nas folhas, nos caules, foram descobertos em 1901 pelo microbiologista Martinus Beijerinck.

Johanna Döbereiner sempre focou em sustentabilidade, em uma época em que o tema era pouco debatido. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner sempre focou em sustentabilidade, em uma época em que o tema era pouco debatido. — Foto: Divulgação

Mas foram os estudos de Johanna, a partir da década de 1950, que mostraram como usar as bactérias a serviço da agricultura, já que nem todas têm capacidade de transferir o nitrogênio para as plantas, explica a agrônoma Vera Baldani, aluna, colega de trabalho e amiga muito próxima da cientista.

“A Johanna e os pesquisadores que embarcaram na ideia dela descobriram que as bactérias Rizóbio fazem uma simbiose perfeita com a soja: elas se alimentam da seiva da planta e, em troca, fornecem o nitrogênio para a soja. Uma tecnologia limpa”, conta Vera.

A técnica consiste em introduzir as bactérias nas sementes de soja, que, quando começam a germinar, produzem nódulos nas raízes da planta que funcionam como usinas para a extração de nitrogênio do ar.

A fixação biológica de nitrogênio no plantio da soja gera uma economia de US$ 2 bilhões por ano com adubos químicos, diz Embrapa. — Foto: Divulgação/Ascom Seagri
A fixação biológica de nitrogênio no plantio da soja gera uma economia de US$ 2 bilhões por ano com adubos químicos, diz Embrapa. — Foto: Divulgação/Ascom Seagri

Os estudos derrubaram a crença da época de que os fertilizantes químicos eram insubstituíveis. A descoberta, ao reduzir os custos de produção, ajudou a transformar a soja nacional em um dos principais produtos de exportação do Brasil.

Estima-se, inclusive, que a fixação biológica de nitrogênio no plantio da soja gere uma economia de US$ 2 bilhões por ano com adubos químicos, segundo a Embrapa.

Uma vida dedicada às bactérias

Além da soja, Johanna liderou pesquisas sobre a fixação biológica de nitrogênio por palmáceas, como o dendezeiro. E descreveu a bactéria Beijerinckia fluminensis, que interage com a cana-de-açúcar, o que foi um de seus grandes feitos, conta a jornalista Kristina Michahelles, em seu livro “Johanna Döbereiner: uma vida dedicada à ciência”.

A cientista dizia que seu “insight “se deu a partir da observação de que a planta da cana-de-açúcar estava sempre verde, mantendo certa produção constante há séculos no país, mesmo em períodos secos, sem o uso de adubação especial.

 

Johanna Döbereiner fala, em campo, sobre as pesquisas com a planta da cana-de-açúcar. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner fala, em campo, sobre as pesquisas com a planta da cana-de-açúcar. — Foto: Divulgação

Além disso, Johanna coordenou estudos sobre as limitações da fixação de nitrogênio em leguminosas, como o feijão, nos quais Vera trabalhou.

Ela foi também professora e orientadora de vários cientistas que hoje ocupam posição de destaque na pesquisa no Brasil. Tem mais de 500 títulos publicados, mais de 20 prêmios, além de uma indicação ao Prêmio Nobel de Química em 1997.

 

Anos de turbulência na guerra

Antes de fazer história na ciência, Johanna passou por duras perdas na Europa. Uma das principais foi a de sua mãe, Margarethe Kubelka, que morreu em um campo de concentração após o fim da Segunda Guerra, em 1945, como muitos sudetos, povos de origem alemã.

Nascido austríaco, o pai de Johanna, Paul Kubelka, recebeu a cidadania tcheca em 1918, que foi anulada com a ocupação nazista no país, em 1939. A família se tornou alemã, mas “não tinham a menor simpatia pelos invasores”, conta a jornalista Kristina.

Paul, que era químico, foi constantemente espionado pela Gestapo, teve seus cursos proibidos da Universidade de Praga e ajudou amigos judeus a fugirem da perseguição nazista.

Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação

Com o fim da guerra, os pais de Johanna foram internados em um campo de trabalho forçado, enquanto ela conseguiu fugir para a Alemanha com seus avós paternos. Seu pai teve um destino diferente do sua mãe, e conseguiu escapar do campo de concentração para as terras alemãs.

Da sua mãe, ficaram lembranças de uma mulher com ideias à frente de seu tempo: “Não devemos falar para a nossa filha que o seu destino será encontrar um marido. Devemos dizer à nossa filha que a sua vitória terá sido alcançada quando se orgulhar daquilo que realizou”, anotou Margarethe, em seu diário.

Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação

Com a Europa em escombros, o pai de Johanna imigrou em 1948 para o Brasil.

A cientista, entretanto, só chegaria dois anos depois, após ter se formado em agronomia na Escola Superior Técnica de Munique, onde conheceu o seu esposo, o médico veterinário Jürgen Döbereiner, que a acompanhou na mudança de país.

Nova pátria

“A minha mãe viu o Brasil como o início de uma nova vida. Não tinha como voltar para Praga, que estava sob o comunismo, e a Alemanha não era o lar dela. Então ela abraçou o Brasil com tudo e aprendeu logo a língua”, conta a filha mais velha de Johanna, Marlis Arkcoll.

Johanna não perdeu mesmo tempo. Assim que chegou, fez contatos para conseguir trabalhar com pesquisa e, em menos de seis meses, já estava empregada no Instituto de Ecologia e Experimentação Agrícola (IEEA), precursor do que atualmente é a Embrapa Agrobiologia, em Seropédica, interior do Rio de Janeiro.

Ela e seu esposo se naturalizaram brasileiros em 1956.

Johanna Döbereiner em sua casa em em Seropédica, interior do Rio de Janeiro. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner em sua casa em em Seropédica, interior do Rio de Janeiro. — Foto: Divulgação

Quem abriu as portas para ela foi o pesquisador Álvaro Barcellos Fagundes, diretor do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas, que tinha enorme interesse pelas aplicações práticas da fixação biológica de nitrogênio no solo por meio das bactérias.

Foi em Seropédica também que Johanna e seu marido Jürgen fizeram morada e criaram seus três filhos: Marlis, Christian e Lorenz.

 

Olhares de filha e amiga
Johanna Döbereiner com seu marido e filhos. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner com seu marido e filhos. — Foto: Divulgação

Desde que entrou na pesquisa, Johanna não parou mais. Eram constantes as suas viagens para congressos e seminários, rememora Marlis.

“Ela fez com que nós, filhos, nos tornássemos responsáveis bem cedo na vida. Ela viajava muito, em uma época que era difícil ver mulher viajando sozinha. Ela adora viajar, voltava com os olhos brilhando e com a mala cheia de presentinhos exóticos, sementes”, conta Marlis,.

Em casa, Johanna e Jürgen também faziam com que os que filhos só lessem em alemão e em inglês para que eles pudessem aprender outras línguas além do português na escola.

Johanna Döbereiner no laboratório da Embrapa. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner no laboratório da Embrapa. — Foto: Divulgação

No laboratório, ela também era dinâmica, além de uma incansável questionadora, conta a pesquisadora Vera Baldani, amiga de toda uma vida de Johanna, que entrou na Embrapa em 1976.

“Com ela não tinha meio termo, ela era bem direta. A gente discutia muito por causa de experimento, pesquisa, porque ela ensinava a gente a ser crítica. Era bastante exigente e enérgica. Mas também de um coração fantástico […] Sabia quando tinha algo errado com a gente apenas com o olhar”, conta Vera.

Fora do laboratório, era comum que Vera e Johanna se reunissem para fazer tricô e ouvir música clássica. “A gente conversava de tudo, ciência, música, marido, filho. Nós tínhamos uma ligação muito forte, de mãe e filha”, diz Vera.

Últimos anos de vida

Vera acompanhou ainda os primeiros sinais do Alzheimer que acometeu Johanna no início dos anos 90.

“Mesmo com a doença, ela nunca deixou de ir para a Embrapa. Foi duro porque, naquela época, não se acreditava que as pessoas que trabalhavam tanto a mente teriam Alzheimer”, conta Vera.

A doença piorou com a trágica morte de seu filho mais novo, Lorenz, assinado em março de 1996, com um tiro disparado por um motoqueiro, em um sinal de trânsito em São Paulo, em circunstâncias que não foram esclarecidas até hoje.

Johanna morreu quatro anos depois, com 75 anos, em 5 de outubro de 2000, por uma broncopneumonia causada por aspiração.

Seu nome ressoa até hoje nas pesquisas de microbiologia do solo. E foi até imortalizado em suas companheiras de toda uma vida: as bactérias fixadoras de nitrogênio Cluconacetobacter johannae sp. e Azospirillum doebereinerae sp.

Por:  Paula Salati, G1

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Curiosidades sobre o Vazio Sanitário na Soja

 

 

O tema e a curiosidade do agro no vídeo de hoje é: VAZIO SANITÁRIO NA SOJA O vazio sanitário da soja são estratégias para o manejo da ferrugem-asiática da soja, mas essas medidas têm objetivos bem diferentes.

O vazio sanitário é o período de, no mínimo, 90 dias sem a cultura e plantas voluntárias no campo. O objetivo do vazio sanitário é reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem-asiática durante a entressafra e assim atrasar a ocorrência da doença na safra. No Brasil, treze estados e o Distrito Federal adotaram essa medida, estabelecida por meio de normativas. E, além do Brasil, o Paraguai também estabeleceu o período de vazio sanitário, lá chamado de “pausa fitossanitária”.

O fungo que causa a ferrugem-asiática é biotrófico, o que significa que precisa de hospedeiro vivo para se desenvolver e multiplicar.

Ao eliminarmos as plantas de soja na entressafra “quebramos” o ciclo do fungo, reduzindo assim a quantidade de esporos presentes no ambiente. Comente o video sobre o que achou do tema e sugira mais algum tema para eu desvendar e informar a todos.

 

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De onde vem o que eu como: além da farinha, mandioca é usada na produção de cerveja, melaço e ajuda a extrair o ouro

Conhecida por diferentes nomes pelo país, como por macaxeira ou aipim, raiz é produzida, em maior parte, por agricultores familiares que estão agregando valor ao alimento para diversificar renda.

Brasil produz cerca de 18 milhões de toneladas de mandioca por ano e é 4º maior produtor — Foto: Divulgação

Brasil produz cerca de 18 milhões de toneladas de mandioca por ano e é 4º maior produtor — Foto: Divulgação

Aipim, macaxeira, mandioca: em cada canto do país, ela assume um nome e um uso diferente.

No Norte, é transformada nas tradicionais farinhas d’água ou de puba, que são fermentadas em água, em um processo passado de geração em geração pelos índios

farinha de mandioca também está na base da alimentação dos nordestinos, mas eles não fermentam o alimento e, por isso, a chamam de “seca”. Pelo Nordeste, ela também está presentes nos tradicionais beijus e, agora, na cerveja.

Já no Centro-Sul do país, com destaque para o Paraná, o amido extraído da mandioca é matéria-prima de diversas indústrias.

Somente na alimentícia, vai para a produção de pão-de-queijo, tapioca e biscoitos. Serve também como aglutinante nos embutidos, para engrossar iogurtes e deixar os papéis bem brancos, conta Ivo Pierin Júnior, da Associação Brasileira dos Produtores de Amido (Abam).

Nativa da América do Sul, a mandioca foi levada para outros países por colonizadores europeus e, atualmente, o Brasil ocupa o 4º lugar na produção mundial, atrás da NigériaTailândia e Indonésia.

A produção nacional gira em torno de 18 milhões de toneladas por ano e é impulsionada por agricultores familiares, que respondem por 80% do cultivo.

Utilidade da mandioca vai da raiz às folhas — Foto: Arte/G1

Utilidade da mandioca vai da raiz às folhas — Foto: Arte/G1

Extração do ouro

A vocação da mandioca vai além da culinária. Na Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, o brasileiro Marcello Maruiz Veiga, professor titular da instituição, está em busca da mandioca brava com o maior índice de ácido cianídrico, um cianeto capaz de extrair o ouro (veja as diferenças entre as mandiocas brava e mansa mais abaixo).

Seu objetivo é reduzir a utilização de mercúrio nos garimpos, que gera poluição ao meio ambiente e prejuízos à saúde humana, como problemas neurológicos e deterioração dos rins.

“O cianeto extraído do líquido da mandioca brava é capaz de dissolver o ouro que fica grudado no minério”, diz Veiga.

 

Barras de ouro em uma fábrica austríaca em Viena — Foto: Leonhard Foeger/Reuters

Barras de ouro em uma fábrica austríaca em Viena — Foto: Leonhard Foeger/Reuters

Nos primeiros experimentos feitos em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), já foi possível encontrar uma mandioca com um índice de ácido cianídrico capaz de extrair 60% do ouro de um minério. “Mas queremos chegar a 80%, 90%”, diz Veiga.

Segundo ele, apesar de o ácido cianídrico ser altamente tóxico, é possível fazer um tratamento que aumenta o nível de acidez dele, impedindo a emissão de vapores tóxicos para o meio ambiente.

Mandioca brava sendo avaliada no laboratório da Embrapa, em Cruz das Almas (BA) — Foto: Arquivo Pessoal/Marcelo Veiga

Mandioca brava sendo avaliada no laboratório da Embrapa, em Cruz das Almas (BA) — Foto: Arquivo Pessoal/Marcelo Veiga

Brava e mansa

Por ser extremamente tóxica, a mandioca brava não pode ser consumida diretamente. A que é usada na alimentação, a mansa – também chamada de mandioca doce, de mesa, aipim ou macaxeira – não chega a produzir “nem um miligrama de ácido cianídrico por litro”, diz Veiga.

“Já na brava usada em nossa pesquisa, por exemplo, havia 300 miligramas de cianeto por litro”, compara.

A mansa é a mandioca que vai direto para a mesa dos brasileiros e o seu consumo não gera risco à saúde, ressalta Joselito Motta, pesquisador da Embrapa de Cruz das Almas (BA).

Segundo ele, mesmo as farinhas que são feitas com a brava passam por um processo que elimina o ácido cianídrico delas, deixando-as apropriadas para a alimentação.

“Para fazer a farinha, a mandioca é ralada, prensada, esfarelada e torrada. Nesse percurso, o ácido cianídrico volatiliza (evapora)”, explica Motta.

Mandioca mansa e brava. Você sabe a diferença?

Mandioca mansa e brava. Você sabe a diferença?

Cerveja de origem nordestina

Uma outra inovação recente feita a partir da mandioca, mais especificamente com a fécula (ou amido) extraída de sua raiz, é a produção de cerveja.

Cervejas Magnífica (MA), Nossa (PE) e Legítima (CE) feitas à base de fécula de mandioca — Foto: Divulgação/Ambev

Cervejas Magnífica (MA), Nossa (PE) e Legítima (CE) feitas à base de fécula de mandioca — Foto: Divulgação/Ambev

A origem é nordestina. Lançadas entre os anos de 2018 e 2019, as cervejas Nossa (PE), Legítima (CE) e Magnífica (MA) são fruto de uma parceria entre a Ambev e agricultores familiares da região.

Os pequenos produtores fornecem a mandioca e, com o amido, a empresa fermenta a bebida.

Vitor Monteiro, gerente Agro Brasil da companhia, conta que o intuito da parceria é diversificar a fonte de renda dos agricultores da região – muito focada para a produção de farinha – e colocar no mercado um produto que reflete a cultura nordestina.

“Ao mesmo tempo, havia a necessidade de produzir uma cerveja leve e refrescante, muito em função da temperatura alta dos estados do Nordeste”, diz Monteiro.

Lourival dos Santos Brandão e sua esposa Suely. Ele trabalha na colheita para a cerveja Magnífica (MA) — Foto: Ambev/Divulgação

Lourival dos Santos Brandão e sua esposa Suely. Ele trabalha na colheita para a cerveja Magnífica (MA) — Foto: Ambev/Divulgação

Quem atua na colheita conta que a iniciativa trouxe mais alternativas para o sustento da família.

“Graças ao projeto, tanto eu como outros agricultores aqui do Tabuleiro São Bernardo (MA), conseguimos utilizar a mandioca além da farinha”, diz o agricultor Lourival dos Santos Brandão, que trabalha na colheita para a produção da Magnífica.

“A parceria nos ajudou a gerar mais empregos na região, pois foi preciso ampliar o número de pessoas na colheita, já que apenas as famílias não estavam conseguindo realizar todo o processo sozinhas”, conta Lourival.

Produtos amazônicos

 

Melaço de mandiocaba produzido pelo Sítio Mearim e por Leo Modesto — Foto: Arquivo pessoal/Leo Modesto

Melaço de mandiocaba produzido pelo Sítio Mearim e por Leo Modesto — Foto: Arquivo pessoal/Leo Modesto

Já ao norte do país, o chef paraense Leo Modesto também sempre sonhou em montar um projeto que gerasse mais renda para a sua família e, ao mesmo tempo, valorizasse a culinária de origem amazônica.

E o melaço da mandiocaba, uma das variedades da mandioca, foi uma das invenções de Leo que proporcionou a realização dos seus objetivos.

“Eu comecei a desenvolver o melaço de mandiocaba em 2015. Foram seis meses de testes até chegar na receita que eu queria. O caldo da mandiocaba é doce e, com o processo de redução (cozimento), fica parecendo um mel”, conta o chef, dono da Maniua Cozinha, consultoria de culinária amazônica.

 

Com o melaço de mandiocaba, os chefs preparam desde caldos para sobremesas até caramelização de carnes.

A mandiocaba é rica em glicose e sacarose — Foto: Arquivo pessoal/Leo Modesto

A mandiocaba é rica em glicose e sacarose — Foto: Arquivo pessoal/Leo Modesto

Hoje, a mãe e os irmãos de Leo, que sempre trabalharam na roça com o cultivo da mandioca, tiram o seu sustento do Sítio Mearim, um espaço onde vivem quatro famílias que agregam valor a diferentes alimentos da Amazônia.

Lá se produz, com a mandioca, desde os tradicionais tucupis – feitos a partir do líquido do tubérculo – até vinagres e mostardas.

“Nós sabemos que, por aqui, não tem futuro ficar na roça. É um trabalho muito árduo sem muito retorno”, diz Leo.

Mas não foi só o Sítio Mearim que se beneficiou. A produção do melaço incentivou outros agricultores do Pará a plantar a mandiocaba mais de uma vez por ano.

“A mandiocaba só é utilizada para fazer um mingau tradicional, que é consumido apenas no Dia de Finados”, diz Leo.

 

Da entrada à sobremesa

 

Madu Melo, dona do Mandioca Cozinha em São Paulo (SP) — Foto: Divulgação/Mandioca Cozinha

Madu Melo, dona do Mandioca Cozinha em São Paulo (SP) — Foto: Divulgação/Mandioca Cozinha

A pernambucana Madu Melo, dona do Mandioca Cozinha, em São Paulo, já usou o melaço de mandiocaba em seus pratos. No restaurante, a mandioca vai da entrada à sobremesa, como ingrediente principal ou subproduto.

 

Ela muda os pratos de três em três meses, para dar conta de apresentar os diversos tipos de uso do alimento de norte a sul do país.

“Eu fiz uma imersão pelo Brasil antes de montar o restaurante. E, nessas viagens, eu me deparei que a mandioca é um ingrediente que une todos os nossos estados”, diz Madu.

 

“Somente quando falamos de farinha, no Norte, temos as farinhas d’água, que são mais ácidas, com granulação mais grossinha, como as de Uarini, produzidas no Amazonas. Já no Nordeste, temos as farinhas secas, como a de Copioba, por exemplo, que é mais fina e é produzida no Recôncavo Baiano”, conta Madu.

Peixe com açaí e farinha de puba ou d'água, típica da região Nordeste — Foto: Divulgação/Mandioca Cozinha

Peixe com açaí e farinha de puba ou d’água, típica da região Nordeste — Foto: Divulgação/Mandioca Cozinha

“Quando vamos ao Centro-Oeste, encontramos, por exemplo, um produto superexclusivo, que é a farinha de Poxoréu (do Mato Grosso), de granulação mais grossa. E, descendo para o Sul, pouca gente sabe, mas as farinhas brancas de mesa são produzidas por lá”, diz.

 

Mantendo tradições

 

A ideia de Madu de ter um cardápio itinerante também tem o objetivo de valorizar a produção de produtos à base de mandioca em pequenas comunidades da agricultura familiar, indígenas, quilombolas. “Se não tiver gente valorizando, muitas das nossas farinhas podem se perder”, diz.

Saiba como é feito a produção de mandioca e farinha na zona rural de Pau D'arco (PA)

Saiba como é feito a produção de mandioca e farinha na zona rural de Pau D’arco (PA)

Delival Batista, extensionista rural da Emater do Pará é uma das pessoas que, atualmente, trabalha para ajudar a manter e a aprimorar a cultura da produção da farinha.

Ele atua hoje no Projeto Farinha Munduruku, que fica dentro das terras indígenas do município de Jacareacanga (PA), espaço que abriga 140 aldeias da etnia Munduruku.

Agricultora trabalha na produção de farinha nas aldeias da etnia Munduruku, em Jacareacanga (PA) — Foto: Arquivo pessoal/Delival Batista

Agricultora trabalha na produção de farinha nas aldeias da etnia Munduruku, em Jacareacanga (PA) — Foto: Arquivo pessoal/Delival Batista

“Quando começamos a prestar assistência técnica nas aldeias em 2011, a farinha não conseguia mercado. A mandioca era colocada dentro dos rios e igarapés (para ser fermentada), mas hoje é colocada em caixas d’água e lavadas antes de serem beneficiadas”, diz Batista.

“Nosso trabalho é dar orientação desde o plantio, para buscar melhor rendimento da raiz, até a comercialização. Hoje a farinha da aldeia é comercializada no município e vai até para a merenda escolar”.

 

As aldeias da etnia Munduruku produzem, atualmente, farinha de mandioca, goma de tapioca e tucupi.

Com a renda da comercialização, muitas aldeias se uniram para comprar motor gerador, motobomba, equipamentos para as casas de farinha, além de alimento para a família.

Rosival Possidonio, diretor técnico da Emater do Pará, conta que as técnicas tradicionais de produção de farinha são bem presentes em muitas comunidades indígenas.

“Muito dos pequenos produtores ainda usam as tecnologias dos seus ancestrais”, diz ele.

Uma dessas técnicas é o tipiti é um instrumento de palha trançado utilizado para secar a massa da mandioca para fazer a farinha. O líquido extraído da massa é aproveitado para produzir, por exemplo, o tucupi, um caldo amarelo e ácido que incrementa diversos pratos do Norte, como o tacacá.

Produtora Nazaré armazenando mandioca moída em tipiti — Foto: Clarissa Carramilo/G1

Produtora Nazaré armazenando mandioca moída em tipiti — Foto: Clarissa Carramilo/G1

“A mandioca é carregada de história. Ela estava no Brasil antes mesmo de os portugueses chegarem e, quando eles vieram, foram os índios que os ensinaram a cultivá-la, passando, por exemplo, conhecimentos sobre como retirar o ácido cianídrico dela”, conta Motta.

Desafio de mecanização

 

Carlos Estevão, também da Embrapa (BA), destaca que um dos desafios da cultura da mandioca hoje é aumentar a mecanização do cultivo, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

“Há uma reclamação muito frequente dos agricultores da falta de mecanização na colheita. O trabalho manual da colheita de mandioca é muito desgastante e árduo”, diz Estevão.

 

Esse cenário tem provocado até mesmo uma escassez de mão de obra no setor, o que levou, consequentemente, a um aumento do custo de contratação.

“No Centro-Sul do país, o plantio é totalmente mecanizado, mas na colheita, só em parte. Agora, no Norte e Nordeste existe muito pouco avanço (nas duas etapas)”, afirma Estevão.

Paula Salati, G1

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De onde vem o que eu como: caju pode virar até ‘queijo’, mas não é fruta

Por: G.1

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Da proibição ao domínio do mercado: o caminho da cachaça no Brasil

Capacidade da produção brasileira é de 1,2 bilhão de litros por ano; 13 de setembro é oficialmente o Dia Nacional da Cachaça desde 2009 e celebra um verdadeiro patrimônio nacional.

cachaça

Esse dia existe, oficialmente, desde 2009 e celebra um verdadeiro patrimônio nacional. A cachaça foi criada no Brasil entre os anos de 1516 e 1532 e foi o primeiro destilado nascido na América Latina, antes mesmo da tequila mexicana e do rum caribenho.

Atualmente, a cachaça não vê fronteiras sociais. Está presente nas casas mais abastadas e também nas mais humildes; nos mais refinados empórios e nos botecos mais modestos. Mas ela não teve vida fácil para se estabelecer. Ainda no século 17, precisou superar o preconceito e o lobby real em favor de outra bebida, a bagaceira, feita pelos portugueses a partir do bagaço da uva.

Em 1635, o rei de Portugal chegou a proibir a produção da cachaça, mas isso não diminuiu seu comércio, graças à escassa fiscalização. Vinte e quatro anos depois, o governo da época decidiu emitir um decreto proibindo o comércio da cachaça. Junto com ele vieram as apreensões do produto, destruição de alambiques e ameaças de deportação. Foi o suficiente para a deflagração da Revolta da Cachaça. Produtores fluminenses lideraram uma rebelião e tomaram o governo da cidade. Esse movimento pavimentou a legalização da bebida, em 1661.

A cachaça é como o brasileiro. Doce, mas forte; popular, mas rebelde. Hoje é uma das caras do Brasil, produto tipo exportação e destaque em concursos nacionais e internacionais. Com o passar do tempo, mostrou-se uma bebida versátil, apta a compor coquetéis e até mesmo reinventar drinques famosos, como o mojito e a margarita.

A ascensão da cachaça

Essa popularização se reflete em números. A cachaça é hoje a segunda bebida alcoólica mais consumida no Brasil, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Cachaça (Ibrac). A bebida representa 72% do mercado de destilados no país. Mais do que isso, a cachaça é um dos quatro destilados mais consumidos no mundo.

A branquinha, a água-que-passarinho-não-bebe, a pinga, o “mé” exportou 7,26 milhões de litros ano passado. Foram US$ 14,45 milhões favoráveis à balança comercial graças à bebida que outrora os portugueses proibiram por decreto. Além disso, o setor faturou R$ 14 bilhões em 2019.

Os números mais recentes do setor mostram que o Brasil tinha, em 2019, 1.086 estabelecimentos produtores de cachaça. A capacidade de produção é de 1,2 bilhão de litros por ano, mas a estimativa de produção gira em torno de 700 a 800 milhões de litros. Os dez estados com mais estabelecimentos produtores de cachaça registrados são Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraíba, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Bahia. Os maiores consumidores são os estados de São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará, Bahia e Minas Gerais.

Um estudo de 2020 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostrou que houve, em 2019, aumento de 9,73% no número de marcas e produtos classificados como cachaça, mesmo que tenha havido redução na quantidade de produtores (em 2018 eram 1.397). O número de produtos passou de 3.648, em 2018, para 4.003 no ano passado.

Os produtores começam a mostrar preocupação com um possível aumento na carga tributária da bebida. Eles temem que a reforma tributária, que está sendo discutida no Congresso, possa sobrecarregar mais o setor.

De acordo com o Ibrac, os principais impostos – Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep), Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) – representam mais da metade do preço de venda de uma cachaça, 59,25%. Se considerar todos os impostos diretos e indiretos, esse número sobre para cerca de 82%.

“Já não há mais espaços para aumento de impostos no setor e a nossa tributação já ultrapassou o ponto ótimo. Apoiamos uma reforma tributária que traga simplicidade, corrija distorções existentes, promova o crescimento sustentável e não onere ainda mais o setor”, disse Carlos Lima, diretor-executivo do Ibrac.

Por: Agência Brasil

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Conheça técnicas de defumação de carnes: dá até para fazer no fogão!

defumar-churrasco

A técnica de defumação vem de outras épocas e surgiu como modo de preservação das carnes. De lá para cá, o processo de manter carnes frescas foi aprimorado e a utilização da fumaça também ajuda a agregar sabor e maciez às carnes.

A fumaça da lenha ajuda a preservar os alimentos desde que nossos antepassados dominaram o fogo. Ao longo dos séculos, entretanto, essa função de preservação se tornou menos importante, e a defumação passou a ser uma maneira de dar mais sabor aos alimentos.

Leia também: Veja dicas para afiar sua faca de churrasco

A defumação, diferentemente do churrasco comum, que usa fogo alimentado com carvão, utiliza lenha seca, de alguns tipos específicos de árvores, como as frutíferas ou de castanhas. “A gente faz esse processo para dar pra carne o que ela não tem, como durabilidade, sabor ou maciez”, conta o pitmaster e churrasqueiro Bruno Panhoca. “Por exemplo, uma ponta de peito, que é uma carne super saborosa e dura, ganha maciez no processo”, complementa.

A maciez ocorre porque são assadas lentamente, e com a alta temperatura, há um processo de gelatinização do colágeno, amaciamento das fibras que preserva a suculência.

Tipos de defumação

Panhoca nos contou que existem três tipos de defumação e cada uma tem uma funcionalidade.

Fria – este tipo de defumação é um método de conservação, através da leve desidratação feita com as partículas da fumaça e de algumas partículas que são bactericidas. Com ela é possível promover uma maior durabilidade da carne e obviamente isso acaba provocando uma adição de sabor. Ela é feita em temperaturas de até 40 ºC, ou seja, em temperatura ambiente.

Quente –  a temperatura fica entre 50 ºC e 60 ºC. Neste tipo de defumação, há um processo de conservação, de adição de sabor e uma leve alteração de cor. Mas ainda não tem a cocção do alimento e ele ainda pode passar por outros processos de cozimento.

Super quente – é a utilizada para fazer o famoso “american barbecue”. A temperatura fica partir de 95 ºC até no máximo de 130 ºC, é uma defumação de cocção. A fumaça não é o principal da história e sim, a temperatura. “Eu costumo brincar que no american barbecue a fumaça é ingrediente tão importante quanto o sal e a pimenta”, diz Panhoca.

Defumação caseira

O processo de defumação das carnes é feito na pit smoker, um defumador típico do churrasco americano, porém existem formas de fazer a defumação caseira, no fogão, forno ou churrasqueira.

Para quem quer começar a defumar, o principal é entender que tipo de lenha escolher para o processo. “Algumas lenhas não deixam sabor agradável, como eucaliptos, pinus ou lenhas que contenham óleos que deixam a carne com um sabor amargo. Já as frutíferas e de castanhas são as mais indicadas”, conta o pitmaster.

A essência do processo sempre será “aprisionar” o alimento e a fumaça no mesmo ambiente. Uma forma fácil de começar em casa é com uma uma assadeira forrada com papel-alumínio e pedacinhos de lenha. Depois é só aquecer na boca do fogão e esperar a fumaça se formar. Coloque a comida, tampe totalmente com papel alumínio e leve ao forno. “Essa é uma forma de conhecer o sabor e entender mais sobre como funciona a defumação, e a partir daí, ver se quer continuar ou testar novos jeitos”, finaliza.

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O que aprender com as fazendas mais rentáveis?

Categoria Geral – 9 de junho de 2020

A pecuária moderna está passando por grandes transformações. Alguns estudos apontam que até 2030, praticamente 40% dos produtores de gado de corte no Brasil sairão da atividade por falta de viabilidade econômica em suas fazendas.

Nesse cenário, o que aprender com aquelas empresas rurais que apesar de toda adversidade, têm conseguido se destacar?

De maneira geral as fazendas mais rentáveis têm 3 grandes prioridades: as pessoas, os processos produtivos e a saúde financeira.

Pessoas comprometidas com o negócio: As pessoas são motivadas quando se sentem parte da construção de algo relevante para o projeto. Dessa forma, as empresas rurais mais bem sucedidas envolvem os colaboradores na construção do plano safra, compartilham as dificuldades, pedem sugestões de melhoria na execução dos processos, e mais do que isso, comemoram juntos as conquistas. Assim conseguem um nível de comprometimento da equipe que faz total diferença no resultado produtivo e consequentemente econômico do negócio.
Ações muito bem planejadas e executadas à risca: As empresas rurais bem sucedidas são uma fábrica de números. Não entendeu? Eu explico. Nas fazendas bem sucedidas, tudo é medido, tudo é anotado e mais do que isso, tudo é analisado. Assim todas as tomadas de decisões seguem o planejamento e são baseadas em fatos. Quando não agimos assim, tendemos a acreditar naquilo que agrada os sentimentos, faltando assim bom senso e sobrando ego na hora de tomar decisões.

O caixa está para a empresa assim como o oxigênio para os seres vivos. Como princípio básico, devemos nos lembrar que a vida de uma empresa depende diretamente do caixa. As empresas rurais mais rentáveis, não só conhecem, como monitoram e protegem o fluxo de caixa a todo custo. O monitoramento do fluxo de caixa permite que tenham mais tempo para manobrar o “avião” com margem de segurança antes da chegada da tempestade. Assim estão menos vulneráveis a impactos como, aumento de preços de insumos e diminuição dos preços de venda.
Vivemos a era da informação em excesso e em meio a tanta informação, temos as informações verdadeiras, as irrelevantes, as fake news e aquelas que apesar de recentes, já estão velhas. O segredo é sabermos filtrar e transformar informações de diferentes setores em conhecimento, conectando-as de forma relevante para a tomada de decisões cada vez mais rápidas e assertivas.

Fonte/crédito: Precisão Agro

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Como evitar um crime ambiental em confinamento e semiconfinamento bovino?

Bruna Gonçalves, advogada atuante em consultoria e assessoria jurídica agroambiental, bem como no contencioso judicial e administrativo da área de agroambiental e em crimes ambientais do segmento de confinamento e semiconfinamento de bovinocultura de corte e de leite

O confinamento e semiconfinamento de bovinos de corte e de leite são considerados uma prática de impacto ambiental significativo devido à geração de resíduos.

Fato é que essas práticas de confinamento e semiconfinamento são praticadas no meio ambiente e que este é um recurso essencial à humanidade. Por este motivo ele é garantido e preservado legalmente.

Neste sentido, a Constituição Federal e a Lei 9.605 de 1998 trazem a previsão da possibilidade de responsabilizar civil, administrativa e penalmente a pessoa física e jurídica de crimes que estas venham a cometer contra o meio ambiente.

As medidas preventivas são a melhor atitude a ser seguida, com o objetivo de moderar ou conter o risco de condenações em todas as esferas. Preparar um plano de ação para identificar um problema e sua causa, de forma a ser solucionado e dar continuidade na prevenção, são as medidas ideais a serem adotadas.

Outra solução preventiva, talvez a mais importante seja o licenciamento ambiental, assim a empresa se adequa às legislações e padrões estabelecidos em lei. O licenciamento é um documento que autoriza a instalação, operação ou até mesmo a ampliação de um empreendimento, cujo principal objetivo da exigência por esta autorização é promover o equilíbrio entre o uso do meio ambiente e o desenvolvimento econômico, sem que a natureza seja atingida.

A legislação estabelece a documentação e parâmetros necessários para o licenciamento da atividade, atendendo a categoria do empreendimento, sistema de criação e pelo número de animais, ou seja, o confinamento e semiconfinamento estão listados nos empreendimentos que necessitam de licenciamento ambiental.

As sanções previstas em casos de condenação da pessoa física ou jurídica vão desde medidas restritivas da atividade empresarial até multas e/ou pena de prisão.

Portanto, investir em medidas preventivas é o melhor caminho para evitar maiores prejuízos financeiros no futuro

Fonte: GSP Advogadas Associadas

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Soja: veja dicas sobre o que deve mexer com os preços nesta semana

Além dos impactos já conhecidos do coronavírus, as movimentações de Argentina, Estados Unidos e Brasil podem afetar as cotações na Bolsa e nos mercados internos

soja preço câmbio
Foto: Ascom Famasul

Acompanhe abaixo os fatos que deverão merecer a atenção do mercado de soja na semana. As dicas são do analista da consultoria Safras & Mercado, Luiz Fernando Gutierrez.

  • As atenções do mercado de soja permanecem centralizadas na pandemia de coronavírus e seus impactos econômicos nas principais economias do mundo. No lado fundamental, os players também acompanham a situação da safra na América do Sul e sua logística, além dos movimentos da demanda chinesa no mercado internacional.
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  • Os mercados de renda variável continuam registrando grande volatilidade diante das incertezas relacionadas aos impactos econômicos e sociais da pandemia ao redor do mundo. Tal volatilidade deve continuar pelas próximas semanas, com os mercados respondendo diretamente a novidades (positivas ou negativas) relacionadas ao combate da doença e aos estímulos governamentais na esfera econômica.
  • O fato de que os Estados Unidos agora se tornaram o país com mais casos da doença no mundo deve ser mais um fator preocupante daqui para frente no âmbito social. Apesar disso, a recente aprovação, também nos EUA, do maior pacote de estímulos econômicos da história é fator positivo no âmbito da economia. O momento traz uma grande dificuldade para se fazer previsões sobre os mercados.
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  • A única previsão possível é que, como ainda não chegamos no pico da pandemia no Brasil e nos EUA, alguns fatores ainda podem piorar, antes de melhorar.
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  • A colheita brasileira avança para a reta final nos estados da faixa central do país, revelando grande produtividades. Apesar disso, a evolução dos trabalhos também revela que as perdas no Rio Grande do Sul foram muito grandes nesta temporada. Mesmo assim, a produção brasileira está se consolidando como um novo recorde (124,19 milhões de toneladas).
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  • Na Argentina, além de alguns problemas produtivos que devem culminar em uma produção de 52 milhões de toneladas nesta temporada, a soma de problemas logísticos derivados do “lockdown” nacional somados ao aumento das retenciones sobre o complexo soja continuam a atrapalhar a cadeia da oleaginosa. Neste momento, tais problemas se tornam um fator fundamental de sustentação para Chicago, mesmo que de forma pontual.

Repost: Canalrural

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Como evitar o estresse das aves no chão

Galinhas “não gostam” de temperaturas acima dos 36ºC

Ao contrário da maioria dos mamíferos, as aves não têm glândulas sudoríparas, portanto não têm a possibilidade de dissipar o excesso de temperatura através da transpiração, o que causa estresse nas aves que vivem no chão, como as galinhas. Foi isso que afirmou o veterinário Pablo Barbano, do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina.

É que, segundo o especialista, “com altas temperaturas, o consumo voluntário de alimentos diminui, a conversão alimentar e a produção de ovos na fase postural caem”. Nesse sentido, Barbano destacou que “temperaturas ambientes acima de 36 ° C diminuem a postura diária pelo baixo consumo em 5%, o que também prejudica a qualidade e o peso do ovo”.

Dentre as principais diretrizes de gestão, a fim de evitar esses riscos, o especialista destacou a importância de planejar a localização do galpão. “Para Buenos Aires, a orientação adequada em armazéns de queda única é localizar a frente mais alta do norte”, ele recomendou. Assim, haverá luz solar ao longo do dia e a incidência da luz solar será evitada durante o meio dia, fatores que devem ser evitados em qualquer lugar do mundo.

Além disso, Barbano disse que “você deve ter pelo menos os lados e a frente com soquetes fechados de 50 cm (cegos) e até a altura do lintel com fiação romboidal / hexagonal aberta e com cortinas plastilares”. Para o especialista, o manuseio da cortina é “vital” para controlar a ventilação e a umidade relativa do ar dentro do local.

No piquete de pastagem, ao redor do galpão, é aconselhável plantar um bosque com espécies decíduas de rápido crescimento, como cinzas, salgueiros, paraíso ou amora. Com essa particularidade proporciona boa sombra no verão e boa penetração da radiação solar no inverno.

Para o controle interno da temperatura, uma meia sombra de 30 centímetros deve ser colocada no teto do lado externo para evitar aquecimento por radiação extrema na folha. Além disso, também é uma maneira válida de regar o telhado em altas temperaturas para dissipar o calor. Em áreas muito quentes, colchões / paliçadas de grama são usados no telhado para a mesma finalidade.

Fonte: Agrolink