Coleta de espécies aromáticas do Cerrado para o desenvolvimento de produtos –

Coletar espécies aromáticas nativas do bioma Cerrado a fim de estudar suas propriedades químicas e aromáticas e, assim, descobrir possíveis aplicações úteis às indústria de perfumes e de medicamentos levou a equipe do projeto Espécies Aromáticas do Cerrado a promover mais uma saída a campo, na última semana de junho, da qual participou o pesquisador Humberto Bizzo. Desta vez, o destino foi o Parque Estadual da Serra Dourada, situado na cidade de Goiás, antiga capital do Estado, a 300km a oeste de Brasília. A denominação da serra deve-se à coloração dourada que o formação calcária assume ao pôr do sol. O estádio de futebol da capital Goiânia também é chamado de Serra Dourada.
 

À esq., Humberto Bizzo e os participantes da viagem à campo na Serra Dourada

À esq., Humberto Bizzo e os participantes da viagem à campo na Serra Dourada

Munido das autorizações necessárias para a coleta, o grupo subiu o maciço pelo Sul e cruzou par Norte, fazendo a coleta de material. Desta vez, foram coletadas apenas cinco espécies diferentes, quando nas viagens anteriores normalmente era de 20 a 30 espécies. Uma possível explicação é que, devido à precária delimitação do Parque, o local tenha sofrido atividade pecuária o que teria reduzido a vegetação nativa. Uma das espécies encontrada, uma arnica, já havia sido coletada em viagem anterior.

Além da coleta, o grupo montou um laboratório de campo para realizar a extração de óleos essenciais de algumas plantas ainda frescas. Outra parte do material foi enviado à Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, líder do projeto para sua destilação. Em campo nem sempre é possível identificar as espécies; só após o processamento denominado herborização é que o botânico integrante da equipe e responsável pelo herbário do Cenargen faz a classificação com base na exsicata. Uma alíquota dos óleos essenciais extraídos será analisada no laboratório de Óleos Essenciais da Embrapa Agroindústria de Alimentos enquanto outra parte será encaminhada ao laboratório de Produtos Naturais do Cenargen onde o pessoal da empresa de perfumes parceira Givaudan fará a avaliação olfativa dos extratos.

Segundo Humberto Bizzo, inicialmente a ideia do projeto era conseguir materiais naturais que se prestassem a uso comercial em perfumaria, mas, depois, se optou por dar maior aproveitamento ao material de que se dispunha. Com a parceria do Instituto de Microbiologia da UFRJ estão sendo realizados experimentos de atividades antimicrobiana para possível uso como antimicrobiano e com a pesquisadora Ana Carolina Chagas, da Embrapa Pecuária Sudeste, os extratos estão sendo testados contra carrapatos bovinos. “Segundo maior bioma brasileiro, o Cerrado tem aproximadamente 12 mil espécies vegetais já classificadas, mas poucas foram estudadas do ponto de vista de possíveis usos. A concepção original do projeto estava dirigido para perfumaria, mas decidimos testar outros usos, como: medicamento e antiparasitário. Desta maneira, além da aquisição de conhecimento químico e olfativo, temos a possibilidade de avançar o conhecimento nestas duas outras dimensões”.

Os possíveis desdobramentos com as espécies selecionadas são trabalhar em novos projetos para torná-las cultiváveis, de modo a obter escala e segurança de produção, de modo a fornecê-las a agricultores da região para que as cultivem para abastecer a indústria com matéria prima; e o desenvolvimento de novos produtos antimicrobianos e veterinários, neste caso, extratos de origem natural para o tratamento contra ectoparasitas.

Uma nova coleta será realizada em agosto, em uma região de transição do Cerrado para Mata Atlântica, em Aiuruoca, no sul de Minas Gerais, de uma espécie específica.

 

João Eugênio Diaz Rocha (MTb 19276 RJ)
Embrapa Agroindústria de Alimentos

Fonte: Embrapa

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