O mundo vai precisar muito do Brasil

Documento aponta que a agricultura mundial terá de ampliar em 70% a produção de alimentos até 2050, para atender às necessidades de uma população estimada de 9,7 bilhões de pessoas.

A afirmação é do representante da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) no Brasil, Alan Bojanic, referindo-se ao mais recente relatório da Organização, feito em parceria com a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O documento aponta que a agricultura mundial terá de ampliar em 70% a produção de alimentos até 2050, para atender às necessidades de uma população estimada de 9,7 bilhões de pessoas.

O Brasil já é o terceiro maior produtor de alimentos, depois da China e dos Estados Unidos e é o segundo maior exportador, atrás dos Estados Unidos. Mas pode mais. Tem muitas áreas legalmente agricultáveis e disponíveis, tem clima favorável para produção durante praticamente os 12 meses do ano e tem domínio tecnológico para produzir em solos originalmente inférteis de climas tropicais de baixa latitude. Por causa deste potencial, a sociedade global considera que o Brasil é a principal esperança pela produção dos alimentos adicionais a serem requeridos globalmente, nos próximos 30 anos.

A dinâmica produtiva da agricultura brasileira das últimas décadas sinaliza para a conquista dessa liderança. Na média da década de 1970, a produção das principais carnes (bovina, suína e de frango) no Brasil somava meros 3,3 milhões de toneladas (Mt). Meio século depois (2019), a produção das três proteínas animais alcançou cerca de 29 Mt, quase 10 vezes a produção média dos anos 70. Com a produção de grãos não foi diferente. Era de 58 Mt a produção de 1990 e saltou para 251 Mt em meados de 2020.

Segundo a FAO, a expectativa mundial é a de que o Brasil contribuirá com 40% da demanda adicional futura de alimentos do Planeta. O Brasil tem condições para aceitar este desafio. Não apenas pela grande disponibilidade de terras, clima favorável e água abundante, mas, também, pela eficiência e sustentabilidade dos seus processos produtivos, o que tem despertado a atenção da sociedade global, dada a sua condição de país tropical e emergente.

Talvez sem o devido reconhecimento, o expressivo aumento da produtividade da agricultura brasileira foi conseguido com sustentabilidade social e ambiental, exigências da moderna sociedade consumidora, cada vez mais numerosa, mais urbana, mais educada, mais rica e mais exigente, que produzirá substancial pressão futura na produção, diversificação e especialização dos alimentos.

Se ainda existe desmatamento no Brasil? Sim. Mas o país ainda conta com 66% do seu território coberto por vegetação nativa, incluindo a Amazônia, maior floresta tropical do Planeta. A área agrícola está escasseando no mundo. Segundo o Presidente do Rabobank no Brasil, em 1960 havia no mundo, na média, 15 hectares de terras agriculturáveis por pessoa; atualmente não passa de 0,5 hectares por pessoa. E lembrou, também, que além de produzir mais, a humanidade precisa desperdiçar menos. Segundo ele, o mundo joga no lixo 2,5 milhões de toneladas de alimentos por minuto, enquanto que, segundo a ONU, 821 milhões de pessoas passam fome, apesar da produção global de alimentos ter triplicado no período 1960 a 2015.

Os futuros consumidores farão exigências distintas dos consumidores atuais quanto ao tipo de alimento. O Brasil precisará se concentrar mais em diversificar, especializar e agregar valor à sua produção, com ainda mais respeito ao meio ambiente. Essas são condições essenciais para o país ganhar competitividade e presença nos mercados mais sofisticados e complexos que irão prevalecer no futuro.

Por: Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

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