Plantio direto – construindo uma agricultura sustentável

Foto: Embrapa

Introdução

Em 1971, o pioneiro Herbert Bartz começou a delinear o que posteriormente foi chamado de “plantio direto” ou “semeadura direta”, na cidade de Rolândia-PR.

A percepção de que o revolvimento do solo, em ambientes tropicais, acabava deixando o solo extremamente vulnerável às intempéries intensas nessas regiões, principalmente processos erosivos, serviram de inspiração para o desenvolvimento do sistema.

Mas, foi em 1974 que, de fato, o sistema começou a ser difundido na região norte do Paraná. Com mais de quatro décadas, a técnica já é empregada em todas as regiões produtoras, com excelentes resultados.

Figura 1. Evolução da área plantada em sistema de plantio direto (SPD) no Brasil, em milhões de ha.

Fonte: Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (Febrapdp)/ Scot Consultoria

Conceitos

Esse sistema é sustentado por três conceitos principais: o revolvimento mínimo do solo; a cobertura permanente do solo com plantas vivas ou palhada; e a rotação de culturas. Quando bem implantado, o sistema de plantio direto (SPD) atende com maestria aos fundamentos de um cultivo sustentável.

A diversidade de sistemas radiculares, promovida pela torração de culturas e pelas plantas de cobertura, além do revolvimento mínimo do solo, resulta em diversos pontos positivos, os principais estão assim listados:

  • Maior capacidade de infiltração e armazenamento de água no solo;
  • Maior desenvolvimento de raízes;
  • Menor amplitude térmica;
  • Maior diversidade macro/microbiológica, favorecendo organismos benéficos;
  • Aumento da fixação de carbono atmosférico, que, na forma de matéria orgânica, acaba por mitigar a emissão de gases de efeito estufa (GEE);
  • Menor consumo de combustíveis fósseis;
  • Evita o carregamento excessivo de solo pela enxurrada, evitando assoreamento de cursos d’água próximos. Além de evitar a perda das camadas férteis do solo (superficiais) e até mesmo de sementes.

Na fase de implantação, geralmente o sistema apresenta um custo mais elevado em curto prazo, quando comparado a sistemas convencionais.

Esse custo adicional está relacionado principalmente com a necessidade de investimentos em maquinário adequado, condicionamento do solo (se necessário) e  maior utilização de herbicidas.

Em longo prazo, com a consolidação do sistema, a tendência é que ocorra redução dos custos, principalmente pelo menor uso de máquinas e combustível, maior vida útil do maquinário, menor susceptibilidade das culturas às intempéries (principalmente veranicos e altas temperaturas) e menor perda de solo fértil, sendo assim mais eficiente em relação aos recursos produtivos disponíveis.

Considerações finais

Agricultura sustentável deve ser aquela que garante, permanentemente, uma boa produtividade, onde o ambiente apresenta equilíbrio, com viabilidade econômica.

Nesse contexto, o plantio direto se destaca, pois é menos agressivo ao ambiente que os sistemas convencionais, gera economia em longo prazo e aumenta gradativamente a produtividade, gerando maior segurança alimentar.

Por: Scot consultoria

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