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Raça Guzerá dobrou sua participação no Teste Desempenho de Touros Jovens de 2020/2021 – Embrapa/AGCZ

A 23ª edição do Teste de Desempenho de Touros Jovens (TDTJ) conta com uma participação de peso do Guzerá, sendo a segunda raça zebuína com maior número de animais inscritos. Este ano participam 45 exemplares, o dobro de 2019. A Associação dos Criadores de Guzerá e Guzolando do Brasil (ACGB) está contribuindo com todos os associados participantes, subsidiando metade do valor das inscrições. “Isso mostra o interesse dos criadores da raça por provas de desempenho que avaliem a velocidade de ganho de peso, o desenvolvimento testicular, ultrassonografia de carcaça, área de lombo, que tem a correlação com rendimento, espessura de gordura e também sua avaliação funcional”, diz o pesquisador da Embrapa Cerrados, Cláudio Ulhoa Magnabosco.

Iniciadas no dia 29 de julho, as avaliações contemplam as provas de Ganho em Peso (PGP) a Pasto e Teste de Eficiência Alimentar, com avaliação do Consumo Alimentar Residual (CAR). Serão 294 dias de prova, sendo 70 dias de adaptação e 224 dias de prova efetiva. Os animais são mantidos em pastagens renovadas por sistema de Integração Lavoura e Pecuária, sendo suplementados com mineralização adequada para a categoria animal e época do ano.

Para o presidente da ACGB e titular da Fazenda Palestina, em Paraopeba (MG), Marcos de Almeida Carneiro somente com informações e dados científicos/técnicos a raça poderá evoluir ainda mais rápido. “A Embrapa é uma entidade renomada no mundo e com o maior número de trabalhos publicados. Vale a pena participar e apoiar esta iniciativa”, destaca Carneiro.

Participante desde as primeiras edições do TDTJ, o criador Antônio Pitangui de Salvo, da Seleção Guzerá, acredita que as prova de ganho em peso e de CAR são fundamentais para uma seleção funcional diante dos desafios da pecuária atual. “ Cada vez mais o produtor rural brasileiro vai sair à procura de animais avaliados. E a PGP é, sem dúvida nenhuma, uma das melhores ferramentas para mensurar o que realmente nos interessa, que é ganhar peso a pasto ou em confinamento”, diz Antônio de Salvo, que junto com sócios e parceiros da Seleção Guzerá, enviou animais para o TDTJ.

Outro criatório que participa desde a primeira edição da prova é o Guzerá da Capital. Segundo o pecuarista e 1° vice-presidente da ACGB, Adriano Varela, o mercado pecuário está em busca de performance, de animais provados e avaliados, ou seja, uma segurança maior em suas aquisições. “As provas são vitrines que devem ser cada vez mais exploradas para mostrar o potencial da raça Guzerá e firmá-la como opção genética aos pecuaristas que estão em busca de um grande ganho de heterose nos cruzamentos”, assegura Varela.

Essa 23ª edição também tem criatórios estreantes, como a Companhia Mate Larangeira, localizada no Mato Grosso do Sul. “Participando da prova podemos mostrar o potencial da genética do Guzerá e ajudar a fomentar a raça e seus cruzamentos aos demais pecuaristas/criadores. Outro ponto importante a se destacar é que participando desta prova conseguimos ‘medir’ nossa genética, comparando com os demais criadores que estão participando”, acredita Leandro Kendy Matsumoto, diretor Técnico da ACGB e auxiliar de Administração de Pecuária da Companhia Mate Larangeira.

Do Pará, estão participando seis animais, sendo três do Condomínio Tachy do Sal, Fazenda Encarnação, no município de Santarém Novo. Segundo o criador e diretor financeiro da ACGB, José Luiz Ferreira de Almeida Filho, a procura por touros Guzerá no estado é grande e ter animais avaliados traz muito mais valor à raça perante o mercado. “O touro Guzerá é uma ferramenta de trabalho para ser usada com grande sucesso na vacada de todo o Brasil, mas em especial no Nordeste e Oeste do Pará, onde o rebanho de fêmeas é crescente, mas carente de touros”, ressalta Almeida Filho.

O criador Milton Dias Filho, titular do Guzerá Icil, com fazendas sediadas em Itacarambi/MG, também participa da prova e reforça a grande procura por touros da raça. “Com o bom momento que atravessa a pecuária, o Guzerá tem muito a contribuir para melhorar a rentabilidade dos produtores, pois gera produtos pesados e de qualidade. O Guzerá proporciona um resultado espetacular no cruzamento, que nós que selecionamos a raça a muito tempo já sabemos há décadas, mas com provas como a da Embrapa temos como comprovar ao mercado todo esse desempenho fantástico”, reforça Milton.

Outro participante do TDTJ, o criador Luciano Bonfim destaca que o mercado está aquecido para a raça. “Por isso, manter a participação em testes como o TDTJ ajuda a mostrar ao mercado o potencial do Guzerá. Além disso, nossa contínua divulgação dos dados, quer pela imprensa ou mídias sociais, tem despertado cada vez mais o interesse dos pecuaristas na criação da raça. É uma genética que permite sua utilização tanto em cruzamentos, principalmente com a vacada Nelore que predomina em nosso país, quanto em vacas cruzadas, onde o criador procura bezerros machos de qualidade e fêmeas com razoável produção leiteira”, conclui Luciano Bonfim, que coordena a participação do Guzerá na prova.

O criador e diretor Técnico da Associação dos Criadores de Guzerá do Brasil, Leandro Botelho Neiva, reforça o fato da prova de ganho em peso ser uma ferramenta muito importante para quem faz melhoramento genético do rebanho, pois identifica exemplares de maior desempenho dentro de um grupo contemporâneo de animais. “A raça Guzerá contribui e muito para pecuária do Brasil, pois sua dupla aptidão permite o uso tanto em cruzamentos de corte quanto de leite, e em ambos os casos com grande desempenho”, assegura Leandro Neiva, da Fazenda Poção, em Paracatu/MG, que também tem animais inscritos na prova.

Por: Revista pecuária Brasil
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ACGB escolhe nova diretoria

A Associação dos Criadores de Guzerá e Guzolando do Brasil (ACGB) realizou na última terça-feira (30), a Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária (AGOE) para a escolha da nova diretoria para a Gestão 2019/2022.

Apenas uma chapa concorreu à eleição. Marcos de Almeida Carneiro, irmão do saudoso Paulo Emílio de Almeida Carneiro (Fazenda Palestina), foi escolhido como novo presidente da entidade.

A chapa conta com fortes nomes da pecuária guzeratista entre esses: Adriano Varela Galvão (atual presidente), 2ª vice-presidente, Ana Claudia Mendes Souza; 3 vice-presidente, Carlos Fernando Fontenelle Dumans (atual presidente do Centro Brasileiro de Melhoramento do Guzerá); José Luiz Ferreira de Almeida Filho – diretor financeiro, Eros Gazzinelli Metzker, como diretor de Marketing; Leandro Botelho Neiva, como diretor técnico e Marcelo Garcia Lack que encabeçará a nova diretoria de Guzolando.

Já para o conselho fiscal efetivo foram escolhidos os criadores André Malzoni Langhi, Dalton Moreira Canabrava Filho e Raul Francisco Mendes Prates. Para o Conselho Fiscal Suplente, Arilson Silva Carvalho, Juliana Pistore Ragazzi e Marcus Jacinto Espírito Santo de Brito.

 

Em sua apresentação, Marcos destacou a importância da nova diretoria, sobretudo, o intenso trabalho que será promovido em prol do avanço da carne e do leite de Guzerá/Guzolando, trazendo mais dados técnicos e informações precisa sempre ao alcance dos criadores e apaixonados pela raça.

“Essa gestão tem como proposta trazer uma diretoria com atuação institucional. Para isso foi idealizada uma estrutura horizontal e não vertical como é comum. Cada um terá o seu papel mais direcionado aos núcleos e entidades ligadas do setor com a missão de promover a raça em todo o País”, explica Marcos que tomará posse efetivamente no dia 1º de agosto de 2019.

A assembleia foi conduzida pelo presidente Adriano Varela que na oportunidade pediu uma licença da associação devido a compromissos pessoais. A partir do dia 10 de maio quem assume é o vice-presidente, Luiz Guilherme Soares Rodrigues. “Agradeço pela confiança de todos, que ao meu lado me ajudaram a conduzir a associação. E desejo que todos possam se unir cada vez mais. pois unidos podemos ir mais longe”, agradeceu Adriano.

Assessoria de Imprensa ACGB
Fonte: Guzerá
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A Consolidação do Guzerá no Brasil

O Guzerá foi a primeira raça zebuína a chegar ao Brasil, entre as que persistem . A raça foi trazida da Índia, na década de 1870, pelo Barão de Duas Barras, logo dominando a pecuária nos cafezais fluminenses. Surgia como solução para arrastar os pesados carroções e até vagões para transporte de café, nas íngremes montanhas, e também para produzir leite e carne. Com a abolição da escravidão, em 1888, os cafezais fluminenses entraram em decadência, levando os fazendeiros a buscar maior proveito do gado, por meio da seleção das características leiteiras e cárneas. Os criadores de Guzerá foram os apologistas das vantagens e virtudes do gado, enfrentando a “guerra contra o Zebu”, promovida por cientistas paulistas e estimulada pelo Governo Federal, ao mesmo tempo que abasteciam o Triângulo Mineiro, onde iria se sediar a futura “meca do Zebu”.

O Guzerá foi a raça de maior contingente até o inicio da década de 1920, quando surgiu a raça “Indubrasil”, produto da infusão de sangue Gir sobre o mestiço “GuzoneL” (Guzerá x Nelore). Seu reinado, portanto, durou mais de 50 anos Nenhuma outra raça zebuina teve um reinado tão longo, depois do Guzerá, até hoje! A partir dessa data, as fêmeas Guzerá eram adquiridas para formar a nova raça promovida no Triângulo Mineiro, culminando em uma autêntica “caçada”, resultando na decadência da raça. Apenas dois criadores sustentaram o Guzerá nesse período:João de Abreu Júnior, em Cantagalo, RJ e Cristiano Penna, em Curvelo, MG.

Mesmo com poucos criadores no país, o Guzerá manteve sua presença nas exposições nacionais e brilhava em concursos leiteiros. Na Exposição Nacional de 1936, venceu as campeãs das raças holandesa, Jersey e Guernsey, provocando entusiasmo no então presidente Getúlio Vargas. Foi a raça escolhida para diversas exportações, estando presente em duas dezenas de países, e também para implantação nos núcleos de desbravamento governamental, tais como “Projeto Radambrasil”, escolas agrícolas, postos indígenas, etc.

Depois da importação de 1962/63, o Guzerá ganhou novo impulso, principalmente quando a “Maldição dos 100 Anos liquidou grande parte do rebanho nordestino” (Grande Seca de 1978-1983, que se repete de 100 em 100 anos). Era comum ouvir a frase: “quando um Guzerá cai para morrer, todos os demais gados já morreram”. Nesse período, 70% do contingente da Exposição Nordestina era de Guzerá, pois somente esta raça continuava viva no sertão (Santos, 1998). Ao mesmo tempo, consolidava diversos cruzamentos de formação de raças bimésticas. Rapidamente, a fama como gado ideal para toda sorte de cruzamentos ganhou todo o território nacional.

Na década de 1990, o Guzerá passou a ser francamente utilizado como alternativa para formação da vaca da F-2 nos mais diversos cruzamentos de corte, abrindo horizontes que levam á crença de que será uma das mais vigorosas raças no inicio do novo milênio. Grandes e famosos criadores de Nelore passaram a criar Guzerá, para atender seus clientes, fornecendo possantes tourinhos “Guzonel” que são indicados para os cruzamentos indiscriminados com raças européias. Em dezenas de grandes leilões de Nelore ou mesmo de raças européias, vai crescendo a presença do Guzerá, atingindo bons preços (DBO, Jan/2000).

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