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Dia do Agricultor – 28 de julho: quem trabalha no campo, trabalha para todos

Confira a história desse dia, quais os motivos que temos para celebrar, as mudanças do agricultor nos dias de hoje e muito mais.

Dia 28 de Julho comemoramos o Dia do Agricultor. A data foi instituída em 1960, pelo então presidente Juscelino Kubitschek, para comemorar os 100 anos da criação do Ministério da Agricultura. Muita coisa mudou desde essa época: a ciência, a tecnologia e o empreendedorismo inerentes aos agricultores brasileiros transformaram a arte de produzir alimento.

Tanto é assim, que a produção brasileira de grãos cresceu 400% nos últimos 40 anos, enquanto a área efetivamente semeada aumentou apenas 40%. Mas não é só nisso que se baseia o agro do Brasil. Do algodão da roupa, passando pelo etanol do seu carro, até o pãozinho de cada dia, passam pelas mãos do agricultor.

Do campo à internet, grande parte da audiência do portal Clic Camaquã vem do ‘interior’. Pensando nisso, criamos o primeiro programa da ClicRádio totalmente dedicado ao produtor rural.

A história por trás da data do Dia do Agricultor

Em 28 de julho de 1860, Dom Pedro II criou a Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Já em 1930, depois de diversas mudanças de nomenclatura, a Pasta passou a se chamar Ministério da Agricultura.

E em 1960, o presidente Juscelino Kubitschek foi o responsável pela instituição do dia 28 de julho como Dia do Agricultor, sancionando o Decreto de Lei nº 48.630, de 27 de julho de 1960.

O então presidente criou a data exatamente em homenagem ao centenário da fundação do Ministério da Agricultura por D. Pedro II.

Na época, o presidente disse em seu discurso que “o Brasil deve grande parte da sua prosperidade à economia agrícola”.

Nós veremos que, quase 60 anos depois, essa frase ainda é bastante atual!

Dia do Agricultor
O governo de JK, que instituiu o Dia do Agricultor, possuía um Plano de Metas, sendo uma delas a meta de mecanização da agricultura, a qual indicava a necessidade de fabricação de tratores, prevista na meta da indústria automobilística (Fonte: FGV)

A importância do Dia do Agricultor

Como já comentamos, a importância do agricultor vai muito além de colocar um alimento em sua mesa.

Além de produzir alimentos, o agricultor é responsável por produzir matéria-prima para inúmeros insumos que você consome no dia a dia.

O papel, a borracha e o lápis que você utilizou só estavam disponíveis porque algum agricultor trabalhou arduamente plantando árvores, como eucalipto e pinus, por exemplo.

O mesmo sentido vale para sua roupa que precisa do algodão, seus móveis que precisam da madeira, enfim… todos os produtos de nosso dia a dia têm uma ligação com o agricultor.

Só quem é agricultor sabe que essa profissão vai muito além. Não existe feriado, finais de semanas, “muito cedo” ou “muito tarde”.

Além disso, a agricultura envolve muitas outras habilidades que as ciências agrárias:

  • Gestão de pessoas para que sua equipe esteja motivada e treinada;
  • Gestão empresarial para a saúde financeira e operacional;
  • Entender e conhecer o mercado para não perder oportunidades – e tantas outras funções que acabam exercendo.

Isso sem falar do dinamismo empreendedor que os agricultores brasileiros sempre tiveram para tornar as safras do Brasil as maiores e melhores do mundo todo.

Vale destacar aqui os inúmeros agricultores e suas famílias que deixaram seu lar em sua cidade natal e foram enfrentar fronteiras agrícolas como Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Eles desbravaram o Brasil e conseguiram transformar condições impróprias, como o solo ácido do Cerrado ou o clima do Norte e Nordeste, em oportunidades para prosperar.

Por isso, o agricultor é um membro muito importante para a sociedade, justificando ter um dia para sua homenagem.

Centro-Oeste, antes local considerado impróprio para a agricultura, se tornou o líder em produção de grãos pelas mãos dos agricultores com ciência, tecnologia e muito empreendedorismo! (Fonte: Embrapa)

Dia do agricultor: agricultor(a) do passado e do presente

Conforme os anos foram passando, muita coisa mudou no campo e os agricultores também acompanharam essa evolução.

Antigamente, o produtor rural era visto como um trabalhador que vivia isolado da sociedade, sem muita escolaridade, desatualizado das informações e com poucos meios de comunicação.

Essa realidade mudou, começando pela escolaridade dos produtores, os quais, especialmente em médias e grandes propriedades, possuem graduação completa.

Não foi só o desenvolvimento do Brasil que levou a isso, mas também a necessidade de conhecimento para ter lucro com o trabalho rural que exigiu essa escolaridade.

Os agricultores sabem que, sem o devido estudo, é impossível ter sucesso em um negócio que exige tantas habilidades como já comentamos.

A comunicação e tecnologia também impulsionam o trabalho do agricultor. Hoje, 96% utilizam celulares, sendo que, destes, quase 3/4 utilizam as redes sociais.

Dia do Agricultor
Produtor rural em grandes e pequenas propriedades hoje tem mais acesso à tecnologia (Fonte: ABMRA)

Com isso, aplicativos para auxiliar na gestão de sua propriedade, sistemas de agricultura de precisão, irrigação e outros estão se tornando comuns e vieram para ficar na agricultura brasileira, ajudando e otimizando o trabalho do agricultor.

Falando em mudanças e no agricultor do presente, o termo mais correto aqui seria o Dia do(a) Agricultor(a).

A presença feminina do campo passou de figurante para protagonismo, lugar conquistado e merecido já há tempos pelas mulheres do nosso agro.

6 motivos para o Dia do Agricultor: Por que quem trabalha no campo trabalha para todos?

Ainda tem dúvidas de que quem trabalha no campo trabalha para todos? Confira então 6 motivos para isso:

1°: Porque move os veículos com etanol e veste o mundo todo com algodão

As malhas de algodão sempre são as mais confortáveis e mais utilizadas em todo o mundo. O Brasil vem crescendo no plantio dealgodão, com aumento de quase 20% em 2018/19.

Além disso, é claro que você já ouviu falar em energia limpa, energia renovável ou em biocombustíveis.

O agricultor produz a matéria-prima para a realização de todas essas técnicas, como soja, mandioca, canola e, especialmente, a cana-de-açúcar.

2º: Porque estimula a geração de empregos

O agricultor gera emprego não apenas em sua lavoura, mas em toda cadeia produtiva.

Desde o funcionário de uma fábrica de roupas a uma startup, proporcionando crescimento econômico.

No último ano, por exemplo, o setor agropecuário fechou com saldo positivo de geração de empregos: cerca de 3,4 mil postos de trabalho.

3º: Porque usa a tecnologia para o desenvolvimento do país

O agricultor está sempre em busca de novas tecnologias para aumentar o rendimento de suas lavouras. Indiretamente, fomenta a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico voltados para o setor agro.

4º: Porque cuida da nossa terra

Além de cuidar das fronteiras com outros países, o agricultor tem o dever de cuidar da terra.

E muito se engana quem pensa que é exatamente ele que prejudica a terra, pelo menos não intencionalmente. É da terra que ele tira o sustento próprio e o de sua família e é claro que ele não tem nenhuma intenção de danar o solo.

O cuidado com as erosões, o manejo para que o solo fique próprio para os cultivos e todas as operações agrícolas têm sempre como objetivo maior cuidar da terra para que a mesma seja viável para as futuras gerações. É a sustentabilidade no agro.

5º: Porque alavanca a economia

Além dos inúmeros motivos que já destacamos aqui nesse texto sobre a importância do agricultor na sociedade, vamos ressaltar com alguns números:

Hoje, o mercado agrícola é responsável por mais de 20% do PIB e movimenta 38% dos empregos no país, sendo o setor que mais movimenta a economia.

6º: Porque alimenta o mundo!

Sabe aquela frase clichê: “Você já se alimentou hoje? Agradeça a um agricultor!”? Realmente ela faz sentido. Se o produtor rural não existisse, você não teria alimento em sua mesa.

Para você ter ideia, as fazendas brasileiras produzem o suficiente para alimentar quatro vezes a nossa população – ou mais de 850 milhões de pessoas ao redor do globo.

Dia do Agricultor
Produção de alimento no Brasil é suficiente para alimentar 850 milhões de pessoas; país é o um dos maiores produtores agrícolas do mundo (Fonte: Blog Léo Gomes)

Merecida homenagem

Na visão geral do mundo, o agricultor é o exemplo da simplicidade, até pelo meio em que vive. De fato, não estão errados em pensar assim e, em alguns casos, essa singeleza alcança patamares de humildade que são capazes de emocionar qualquer um, ainda mais quando se trata do amor pela agricultura. Neste dia do agricultor, o Projeto Soja Brasil fará uma justa homenagem a um produtor de soja que conseguiu aliar esse amor pela agricultura, humildade e a propagação dos conhecimentos.

O produtor que estamos falando não é nenhum desconhecido, mas nas últimas semanas viu sua fama alcançar patamares que ele nem imaginava. Mas se engana quem pensa que o produtor de soja de Mangueirinha (PR), Laércio Dalla Vecchia, mudou a sua rotina após conquistar o título de campeão nacional de produtividade do Cesb.

Na verdade, podemos falar em ampliação da fama, porque entre os produtores rurais, “Laércio, o Agricultor” (nome usado nas redes sociais) já era conhecido por seus vídeos repassando os conhecimentos que adquiriu empiricamente, ou seja, debateu, testou e repassou o que aprendeu.

E, sabe o que ele tem feito com o aumento de sua notoriedade? O mesmo que fazia antes, continuou a debater técnicas da agricultura com outros produtores, gravou videos mostrando o uso de manejos diferenciados e destacou a importância de se fazer o básico bem feito, a fim de garantir uma produtividade melhor, sem aumento de custos.

“O principal segredo do sucesso de uma lavoura não é encontrada em uma revenda ou em uma cooperativa. Temos que fazer o básico bem feito, com plantio direto, rotação de culturas e princípios ativos e a escolha da variedade certa para a área. Sempre há algo que podemos fazer dentro da porteira que não representará aumento de custos, mas certamente gerará mais sacas de soja por hectare”, disse Laércio ao finalizar sua participação na live do Projeto Soja Brasil da última quinta-feira, 23.

O básico bem feito, no qual Laércio se refere, não é um lema para as lavouras apenas, mas para a vida. O sucesso ainda maior do agricultor após o Cesb se deve a um traço de personalidade que ele tem de sobra: a humildade!

Humildade que pode ser notada perfeitamente em uma das marcas registradas dele: o chapéu de palha de trigo, feito a mão por sua mãe, a Dona Rosa, enquanto ele ainda era criança. Até nisso o básico foi bem feito, pois o chapéu tem a simples finalidade de o proteger do sol durante as longas caminhadas para monitorar suas lavouras, duas coisas que ele nunca dispensa.

Laércio fazendo o monitoramento das lavouras com o seu tradicional chapéu de palha de trigo – Foto: Daniel Popov

Felicidade por poder mostrar mais

Há quase duas semanas, o Laércio recebia o prêmio de campeão nacional de produtividade de soja do Cesb. Mas não foi somente o fato de ter colhido 118,8 sacas por hectare que o deixou emocionado, mas também a oportunidade de fazer e mostrar aquilo que ele mais aprecia: o compartilhamento do conhecimento. E, ali, ele poderia ajudar muita gente, muitos outros produtores que também querem colher mais gastando menos.

O Projeto Soja Brasil pode acompanhar um pouco desse momento incrível vivido pelo agricultor, desde espera e apreensão antes da premiação, até o desabafo e choro dos familiares após a consagração. A emoção do Laércio contagiou todo mundo nos grupos que ele administra, sem falar em quem acompanhava a premiação pela internet, os jornalistas do Canal Rural e até o comentarista Alexandre Garcia, que fez questão de fazer uma homenagem a ele.

Claro que os grupos que o produtor mantém estavam em uma festa só. Pena que, como muitos disseram, a pandemia não permitiu um grande churrasco de comemoração!

O próprio Laércio faz questão de ressaltar que não concluiu uma faculdade na área que ama. “Sou apenas agricultor”, completa. Mas isso não faz a menor diferença quando o assunto é agricultura. Para ele, os grupos não têm caráter de autopromoção, mas servem para debater as muitas possibilidades que os manejos diferentes ocorridos em outras fazendas possam agregar em sua produção.

“Não sou formado, sou agricultor. E todo o conhecimento que possuo hoje é empírico. Tenho pelo menos três grandes grupos técnicos de debate de agricultura. É muita informação, muita troca de experiências e conhecimentos. O que funciona para um pode não dar certo com o outro, mas testamos para aprender e entender o que é melhor para nossa área”, destaca.

Da esq. para a dir. a esposa Andreia, a filha Maria Sofia, Laércio, o filho Gustavo, a mãe Rosa, o pai Clemente e o filho Ricardo. Todos com o chapéu de palha de trigo!

Por essas e outras razões que o Projeto Soja Brasil agradece a dedicação de todos os agricultores do país neste dia mais do que especial. O exemplo do Laércio é um entre tantos, mas certamente ficará marcado por tudo que pode agregar para o crescimento e expansão da soja no Brasil.

Obrigado Laércio e obrigado agricultores, este dia é de vocês, o país agradece!

Fonte: Canal Rural

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Tecnologia

Aplicativo auxilia na identificação de inimigos naturais de pragas agrícolas

Uma das maiores dificuldades para o produtor é identificar os inimigos naturais das pragas que atacam sua lavoura, especialmente para quem pretende utilizá-los como método de controle, pois esses aliados naturais podem ser confundidos com as próprias pragas. Para facilitar a identificação, especialistas da Embrapa Agrobiologia (RJ) desenvolveram um aplicativo com o qual é possível acessar imagens dos agentes naturais de controle mais comuns. O Guia InNaté gratuito e está disponível para download na loja de aplicativos Google Play.

Aplicativo auxilia na identificação de inimigos naturais de pragas agrícolas
Arquivo FMC

Com um smartphone em mãos, o produtor pode comparar um inseto coletado em campo com a galeria de imagens. Além disso, pode ir para o campo, fotografar um inseto presente na sua lavoura e comparar no mesmo momento a foto tirada com a câmera do celular com as imagens da galeria do Guia InNat. Além de fotos, o aplicativo contém informações sobre cada grupo de inimigo natural e sua função na natureza. “De nada adianta a presença de insetos benéficos na lavoura, se o agricultor confundi-los com os que podem causar danos à plantação”, alerta a pesquisadora da Embrapa Alessandra de Carvalho Silva, especialista em controle biológico de pragas e uma das idealizadoras do aplicativo.

Comem diferentes insetos-praga

A galeria de imagens do Guia InNat contempla 13 famílias de insetos predadores e mais os parasitoides e as aranhas. São inimigos naturais generalistas, ou seja, não são muito específicos e comem uma grande quantidade de insetos-praga. A ferramenta possibilita, por exemplo, a identificação de um determinado inseto visto com frequência na lavoura. “É também uma forma de o produtor saber se a área dele está bem ecologicamente. Se há mais inimigos naturais é porque o manejo está adequado”, explica Carvalho.

O fato de o aplicativo conter informações sobre o papel dos inimigos naturais como agente de controle ajuda o agricultor no momento de tomar decisões. A joaninha, por exemplo, vem com a informação de que suas larvas e adultos se alimentam, preferencialmente de pulgões, cochonilhas, ácaros, moscas-brancas, larvas e também de ovos de diferentes insetos. Portanto, se o produtor encontrar joaninhas em uma lavoura atacada por pulgões, ele saberá que brevemente a população da praga será reduzida, como explica a pesquisadora da Embrapa. “O InNat pode facilitar o entendimento sobre quem são os vilões e quais os insetos benéficos para as lavouras”, enfatiza.

Se há lagartas na lavoura e o agricultor encontra o inseto conhecido por “tesourinha” na plantação, com o InNat em mãos, ele vai constatar que este é um inimigo natural muito útil. “[Tesourinhas] São predadores de ovos, pulgões, moscas-brancas, lagartas pequenas…”, informa o aplicativo, que traz ainda dez fotos desse agente de controle. Na dúvida, basta fotografar o inseto que está presente na lavoura e comparar com as fotos do aplicativo.

Alessandra Carvalho explica que as tesourinhas costumam ser temidas por algumas pessoas, por isso a importância do esclarecimento. “As pinças que o inseto possui no final do abdome lhe dão uma aparência agressiva; se a pessoa não sabe o quanto ele pode contribuir para a redução de lagartas nas lavouras, uma vez que se alimenta dos ovos das mariposas, ele pode ser morto,” lamenta a cientista.

Aliado no Manejo Integrado de Pragas

Para os produtores que fazem uso do manejo integrado de pragas (MIP), o aplicativo pode ser um facilitador. A prática procura preservar e incrementar os fatores de mortalidade natural por meio do uso integrado de técnicas que visam manter a densidade de insetos abaixo de um nível que possa provocar dano econômico. Um inseto fitófago (que se alimenta de plantas) só é considerado praga se causa dano econômico, antes disso não é necessária nenhuma medida curativa.

Seja por meio da avaliação do controle biológico natural no agroecossistema, pela ação de inimigos naturais nativos ou pelo uso do controle biológico aplicado, com a liberação de inimigos naturais no campo, o reconhecimento desses agentes pelo produtor é de extrema importância para o sucesso do MIP. “Sem o devido reconhecimento desses organismos benéficos, as etapas seguintes do MIP ficam comprometidas”, explica a cientista.

Uma vez que o equilíbrio populacional dos insetos fitófagos na lavoura depende dos agentes naturais de controle, a pesquisadora ressalta que o aplicativo pode auxiliar nessa prática agrícola.  “Os microrganismos entomopatogênicos (que causam doenças nos insetos), bem como os predadores e parasitoides são disponibilizados gratuitamente pela natureza e apenas temos que reconhecê-los e preservá-los para obter sucesso na produção agrícola”, orienta a especialista.

Fonte: Dinheiro Rural

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Fatos e Acontecimentos

Agricultor investe em irrigação localizada e reduz mais de 80% no consumo de água e energia – Notícias Agrícolas

sem-tituloConhecido como Netinho, o agricultor Manoel Marcos Cardoso tem sido um grande exemplo para as comunidades rurais que trabalham com agricultura em Claro dos Poções, Norte de Minas. Com o apoio da Emater-MG, ele implantou um projeto na sua propriedade utilizando a irrigação localizada e microaspersão. Com isso, reduziu em mais de 80% o consumo de água e energia elétrica.

Netinho mora na comunidade rural do Brejão e, em fevereiro deste ano, começou a adotar práticas racionais de cultivo e métodos de irrigação com menor impacto ambiental. Ele conta que antes trabalhava com o modelo de irrigação convencional e pagava mensalmente em torno de R$1.150,00 a R$1.400,00 de energia elétrica. Com a implantação do novo método esses valores estão variando entre R$120,00 e R$190,00. No uso da água, também houve uma redução expressiva. Antes, ele gastava 38 horas para irrigar dois hectares. Atualmente, gasta em média 8 horas para irrigar a mesma área.

O técnico da Emater-MG, Manoel Cardoso, é o autor do projeto e acompanhou este trabalho desde o início. Segundo ele, a água utilizada para irrigar vem do rio São Lamberto com a autorização legal do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). “A principal proposta do projeto seria a utilização racional dos recursos naturais e econômicos, com o objetivo de aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida do agricultor familiar. Com isso, conseguimos diminuir os impactos ambientais, ou seja, produzir alimentos saudáveis, evitar o desperdício de água, reduzir os custos com energia elétrica e utilizar métodos naturais de controle de pragas e doenças”, afirma.

Para implantar o projeto, Netinho teve que fazer um investimento na propriedade, adequando ao novo sistema de irrigação e às culturas envolvidas. “Estou muito satisfeito com os resultados que consegui, pois tive um retorno rápido e expressivo. Hoje me tornei exemplo para os meus colegas em Claro dos Poções e outros municípios vizinhos, que já vieram conhecer o projeto”, comenta o agricultor.

Atualmente o agricultor cultiva quiabo, maxixe, coentro, alface americana, lisa e crespa, cebolinha, milho doce, dentre outras. O maracujá ocupa um hectare e é a cultura que desperta maior expectativa de rendimento. Está no sexto mês de implantação, iniciando a fase de florescimento. Os produtos são vendidos no município de Claro dos Poções.

As mudanças no trabalho do agricultor foram expressivas não só na economia de água e energia elétrica, mas também na forma de combater as pragas. O controle é feito utilizando extratos naturais de plantas. Satisfeito com a dimensão que o seu negócio tomou, Netinho agradece pela assistência da Emater. “É muito importante o acompanhamento que tenho. Isso foi imprescindível para o sucesso desse projeto”, finaliza o agricultor.

Fonte: Notícias Agrícolas

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Mercados e Créditos

Agricultor que renegociar dívida poderá ter crédito facilitado — Senado Federal


senado

O agricultor que renegociar dívida de crédito rural poderá obter novo financiamento sem precisar amortizar as prestações do contrato anterior. O Projeto de Lei da Câmara (PLC) 87/2015, que facilita o crédito para os produtores rurais, foi aprovado pelo Plenário nesta quarta-feira (27) e segue para sanção da presidente da República.

O texto, do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), elimina a restrição à tomada de novos empréstimos mesmo que o mutuário não tenha feito o pagamento das parcelas previstas no contrato de renegociação. O relator na CRA, senador José Medeiros (PSD-MT), apresentou voto favorável  e disse que a mudança não resulta em “implicação fiscal direta, uma vez que não ocorreria aumento da despesa pública, sendo avaliada caso a caso a situação do tomador do crédito”.

Para o senador Blairo Maggi (PR-MT), relator ad hoc do projeto na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), a matéria abre uma oportunidade de novo crédito para o produtor. A senadora Lúcia Vânia (PSB-GO) elogiou a proposta, que pode estimular o agronegócio.

Segundo o senador José Pìmentel (PT-CE), a matéria é de “suma importância” e beneficia em especial os produtores das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Ele ressaltou que a MP 707/2015 também beneficia os agricultores endividados.

O senador Telmário Mota (PDT-RR) registrou que, mesmo diante da tramitação do processo de impeachment, o Senado não deixa de trabalhar. Já a senadora Simone Tebet (PMDB-MS) destacou que o agronegócio é o que ainda salva a economia do país. Para ela, o projeto vem em “boa hora”.

— Mesmo com a crise, o Senado tem condições de dar boas respostas para a população — declarou, lembrando que 80% das propriedades rurais são de pequenos agricultores.

O PLC 87/2015 modifica a Lei 11.775/2008, que institui medidas de estímulo à regularização de dívidas de crédito rural e crédito fundiário. Conforme a lei, o agricultor que renegociar sua dívida não poderá contratar novo financiamento até que pague as prestações previstas para o ano seguinte ao da renegociação. A restrição vale para crédito do Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e para financiamentos com recursos dos Fundos Constitucionais do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO).

Fonte: Agência Senado

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Agricultura

PA: Produção de flores garante renda de mulheres agricultoras de Benevides

Doraci Borralho, de 71 anos, cultiva flores e plantas ornamentais para a venda em sua propriedade de três hectares, na comunidade de Murinim, em Benevides, há mais de 20 anos. Ela começou o negócio com o marido, que era agricultor, mas depois da morte dele, em 2003, levou adiante sozinha o trabalho. Hoje, dona Doraci mora com a família do seu neto, mas está longe de ser a vovó dependente graças ao sucesso do seu negócio. Com a atividade da floricultura artesanal, ela obtém uma receita mensal de dois salários mínimos e é fundamental na renda familiar. Pioneira na venda de flores em grande escala no município de Benevides, ela aponta o segredo da prosperidade do seu negócio: o apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater). “Os cursos da Emater foram muito importantes pra mim. Através deles, aprendi tudo sobre as doenças das plantas e com isso, a minha produção só fez aumentar. Antes, eu e meu marido não tínhamos quem nos ensinar. A gente tinha que se virar sozinho. Agora não, aprendo cada vez mais”, comemorou.

Com o apoio da Emater, mulheres de Benevides conseguem a independência financeira na floricultura. Na foto, Doraci Borralho, 71 anos de idade, cultiva flores e plantas ornamentais para a venda em sua propriedade. FOTO: CLÁUDIO SANTOS / AG. PARÁ DATA: 29.12.2015 BENEVIDES - PARÁ
Com o apoio da Emater, mulheres de Benevides conseguem a independência financeira na floricultura. Na foto, Doraci Borralho, 71 anos de idade, cultiva flores e plantas ornamentais para a venda em sua propriedade.
FOTO: CLÁUDIO SANTOS / AG. PARÁ
DATA: 29.12.2015
BENEVIDES – PARÁ

Dona Doraci faz parte de uma das 30 famílias assistidas pela Emater, que fazem de Benevides o maior produtor de flores do Pará. A produção por ano do município gira em torno de 300 mil hastes de flores tropicais de corte, 280 mil unidades de plantas envasadas e 100 mil unidades de flores temperadas (sorriso de Maria, angélica e celósia).

Desde 2011, a Emater abraçou de forma efetiva o incentivo à produção de flores, tanto em Benevides, como em outros municípios da região metropolitana de Belém e também Santarém. “Nossa ajuda se dá principalmente através da organização da produção e dos cursos de capacitação que oferecemos aos produtores. A meta agora é criar novos canais de comercialização, além das feiras como a ExpoflorBen, que acontece todo primeiro final de semana de maio”, disse Soraia Araújo, engenheira agrônoma da Emater. Além da realização dos cursos de capacitação, a Empresa atua também com adoção de tecnologias e concessão de créditos rurais.

Benevides tem condições que ajudaram a transformar o município no principal pólo de flores do estado. Além do acesso rápido à capital paraense, o solo do município é propício à agricultura e à produção de adubo orgânico, essencial para a produção, tanto das flores tropicais, quanto das temperadas.

O que chama atenção é que quem está à frente de 20 das 30 famílias que vivem da produção de flores em Benevides são as mulheres. “Muitas mulheres procuraram esse meio para conseguir a independência financeira. A gente se sente muito feliz em estar ajudando essas donas de casa a produzirem as flores e assim, ganhar dinheiro e sair das asas do marido”, contou Leíde Iracema, presidente da Associação Florben, dos produtores de flores de Benevides. Além dos cursos de capacitação na área da agricultura e manejo de flores, a Emater oferece cursos de corte e costura e artesanato, que ajudam a criar uma alternativa de renda.

Para 2016, a  Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará planeja estimular a produção de orquídeas e principalmente rosas, em Benevides. A maior procura dos compradores é por essas flores, que precisam de condições climáticas especiais para serem produzidas. Atualmente, todas as rosas que são comercializadas no Pará vêm de fora, assim como a maioria das orquídeas. Com a compra de mudas e a produção de estufas, a Emater quer começar a mudar esse quadro. E é justamente esse o sonho de dona Doraci. Com o dinheiro que vem guardando e o apoio decisivo da Emater, ela quer se tornar a primeira produtora de rosas do Estado. “Fui pioneira na produção de flores. Agora quero ser a primeira a produzir rosas”, finalizou.

Syanne Neno
Secretaria de Estado de Comunicação
Fonte: Agência Pará