Categorias
Agronotícias

Enxame de drones é a tendência para monitorar o campo.

Foto: Lúcio Jorge

Lúcio Jorge - Uso de robótica de enxame vem ganhando espaço dentro e fora do Brasil, como forma de potencializar os ganhos no campo.
Uso de robótica de enxame vem ganhando espaço dentro e fora do Brasil, como forma de potencializar os ganhos no campo.

Se um drone sozinho já foi associado a um filme de ficção científica, imagine um esquadrão desses aparelhos em diferentes formas e tamanhos povoando o espaço aéreo, executando tarefas como pulverização da lavoura, numa velocidade muito maior do que seria feito apenas por um.

O uso desse novo formato ainda está em fase inicial, mas vários experimentos já estão sendo conduzidos pelo mundo afora e com aplicações diversificadas. No Brasil, a Embrapa Instrumentação (São Carlos – SP) iniciou os estudos numa área com grande potencial de uso – a agricultura de precisão.

O pesquisador Lúcio André de Castro Jorge conta que a”robótica de enxame” ou “inteligência de enxame” já é alvo de pesquisa no País, envolvendo grupo de produtores de café e área florestal. “Em ambos os casos, a Embrapa foi demandada por produtores para realizar um estudo visando a escolha da melhor plataforma de drones para trabalho em comboio”, afirma o pesquisador, à frente da iniciativa.

No caso do café, o estudo conta com o apoio de uma rede de pesquisa em robótica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade de São Paulo (USP), campus de São Carlos, e institutos de pesquisa da Itália. O projeto é focado em pulverização de áreas adensadas.

Segundo Lúcio Jorge, no caso da área florestal, a demanda está pautada na realização de inventários qualitativos em áreas plantadas. “Uma tendência muito forte está indicando que o crescimento no tamanho das aeronaves não será  alterado, mas a operação de aeronaves menores deverá  ser realizada por apenas um controlador ao mesmo tempo”, avalia.

Exemplo vem da natureza

Itália e Holanda são exemplos de países que estão apostando nessa tendência. Eles se uniram para produzir e testar o primeiro protótipo no controle de ervas daninhas usando a “robótica de enxame” ou “inteligência de enxame”, segundo informações da Universidade e Pesquisa de Wageningen.

Especialistas acreditam que a aplicabilidade da robótica de enxame na agricultura de precisão vai trazer mudança de paradigma e impacto considerável, pelas vantagens que o conjunto de drones vai oferecer, entre elas, a redução de tempo para executar as tarefas e a geração de dados para tomada de decisões. Eles estimam que operações usando a inteligência de enxames vão aumentar drasticamente na próxima década.

Lúcio Jorge, que estuda o uso de drones na agricultura, processamento de imagens captadas pelas câmeras embarcadas nos aparelhos, há mais de 20 anos, diz que o “bando” de drones será capaz futuramente de avaliar alvos para aplicação de insumos agrícolas, distribuir tarefas e executá-las praticamente sem intervenção humana.

O exemplo vem da natureza, de enxames de abelhas, bando de pássaros ou cardumes de peixes, que usam a inteligência coletiva para se comunicar e resolver tarefas. “Vamos precisar dar apenas um comando para que o esquadrão se organize, assim como fazem os pássaros e de forma descentralizada”, explica.

Uso de drones se expande no País

Assim como está ocorrendo em outros países, entre eles, os Estados Unidos, onde a Federal Aviation Administration (FAA) projeta um número de unidades de drones em quase quatro milhões para 2021, no Brasil o crescimento também vem se expandindo e deverá  chegar a 400 mil aparelhos no próximo ano.

Na era das fazendas conectadas, o pesquisador afirma que os drones estão gerando milhares de informações, de forma muito rápida, assim como outros dispositivos, como satélites que contam com sensores inteligentes para cumprir tarefas.“O drone é uma ferramenta auxiliar, um complemento para tomada de decisão”, constata.

De acordo com um levantamento do começo deste ano realizado pela consultoria McKinsey&Company, a aplicação de insumos em taxa variável (VRA) e drones são as tecnologias mais adotadas pelos produtores atualmente. A empresa ouviu cerca de 750 produtores de 11 estados, sendo 53% deles afirmaram que já utilizam pelo menos uma tecnologia ou estão dispostos a adotar pelo menos uma nas próximas duas safras.

“Ainda há muito espaço para crescer, tem demanda, são esperados ganhos de produtividade, redução de custos, mudança no próprio gerenciamento da fazenda com o uso de drones. A tecnologia está em todas as áreas”, avalia Lúcio Jorge.

Mas o pesquisador chama atenção para a necessidade de convergência de várias áreas do conhecimento, como computação, engenharia,agronomia, biologia, entre outras, para analisar as camadas de informação geradas pelos aparelhos para tomada de decisão posterior. “Não é um único fator que é utilizado e analisado para fornecer um mapeamento ao produtor, por isso, é preciso vários saberes juntos”, diz.

Por: EMBRAPA

Categorias
Agronotícias

Agricultura de precisão é a base do agro inteligente, afirmam especialistas

A agricultura de precisão é considerada por especialistas a base da agricultura inteligente que está levando para o campo inovação e tecnologia de ponta.

A falta de conectividade no campo é uma barreira para o acesso às novas tecnologias que possibilitam ao agricultor conhecer de maneira mais detalhada sua propriedade. Foto: Divulgação

Por meio desse sistema, é possível gerenciar, de forma mais detalhada, todo o sistema de produção, desde a identificação de pontos mais produtivos do solo ao incremento da capacidade de previsão das condições climáticas, passando pela produção de dados estratégicos sobre aplicação de insumos, fertilizantes e defensivos.

Entre outras vantagens, a agricultura de precisão, com sua capacidade de promover o mapeamento da terra e da lavoura, favorece o planejamento da produção agrícola, o aumento da produtividade, bem como a redução de custos e dos impactos no meio ambiente.

PLANEJAMENTO E LUCRO

De acordo com Ricardo Inamasu, pesquisador da Embrapa Instrumentação, “encontrar a aptidão do solo, a partir de um sistema avançado de gestão da lavoura, para potencializá-la da melhor forma, é o elemento fundamental que faz com que a agricultura de precisão dê retorno econômico”.

Para o engenheiro agrônomo Fábio Juntolli, coordenador da Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão do Ministério da Agricultura (Mapa), além do melhor gerenciamento da propriedade agrícola e do planejamento da produção, a agricultura de precisão permite a tomada correta de decisões em campo, além de evitar perdas.

“No final das contas, um pouquinho de economia vai fazer a diferença. E, principalmente, será mais sustentável”, afirma Juntolli.

Segundo Sylvia Wachsner, coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos) da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), “a aplicação correta de nutrientes e minerais, que varia conforme a necessidade de cada solo, economiza insumos e melhora os resultados da colheita e a lucratividade do produtor”.

CONECTIVIDADE

Sylvia, que participou como palestrante na SNA de um recente seminário sobre tecnologia e inovação no agronegócio – onde a agricultura de precisão foi uma das práticas mencionadas à ocasião – lembra que a coleta, análise e utilização de dados no planejamento dos cultivos se aplica não somente às grandes propriedades mas também às pequenas e aos cultivos familiares e orgânicos.

“É um dos diferenciais da produção rural para os próximos anos”, destaca a especialista. No entanto, ela acrescenta que “a falta de conectividade no campo é uma barreira para o acesso às novas tecnologias que possibilitam ao agricultor conhecer de maneira mais detalhada sua propriedade”.

Neste sentido, uma das missões da nova Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa é a de promover o acesso à internet nas pequenas e médias propriedades do interior do País. Para isso, a secretaria deve firmar parceria com a Embrapa e a iniciativa privada a fim de identificar as áreas com potencial a serem alcançadas.

“Nós temos de ter conectividade a preços compatíveis com os pequenos e médios produtores, para que utilizem todas as tecnologias e inovações. E para fazer agricultura de precisão, a internet é primordial”, ressalta Juntolli, coordenador do Mapa.

ORGÂNICOS

No campo da produção orgânica, a coordenadora da SNA explica que o conhecimento das características dos solos da propriedade permite aos grandes produtores do setor obter dados para a tomada de decisões que possibilitem desenvolver melhor suas culturas, aplicar a adubação verde correta, reduzir insumos e incrementar a produtividade.

“No caso dos produtores orgânicos menores e dos agricultores familiares, a coleta de dados nas propriedades e sua utilização em diagnósticos e construção de cenários futuros ainda é bastante incipiente”, conclui Sylvia.

Fonte: Equipe SNA

Categorias
Agricultura

Importância da inoculação com bactérias Rhizobium e Bradyrhizobium na produção de leguminosas e o uso do Nitrogênio

Importância da inoculação com bactérias Rhizobium e Bradyrhizobium na produção de leguminosas e o uso do azoto

Por: Joana Rita Carvalho Fernandes, Biotecnóloga e Paulo Rodrigues, , Biotecnólogo

O Nitrogênio é um elemento químico necessário a todos os organismos vivos para a síntese de proteínas, ácidos nucleicos e outros compostos.

No entanto, nenhum ser vivo, a não ser algumas espécies de microrganismos, possui a capacidade de aproveitar o Nitrogênio existente no ar.

Este é um dos paradoxos da natureza.

A atmosfera terrestre contém quase 80% de Nitrogênio molecular (N2) gasoso mas, ao mesmo tempo, este nutriente é considerado escasso nos solos e caro para a alimentação, pois a maioria dos organismos vivos só consegue usar Nitrogênio “fixado” (não gasoso), que é Nitrogênio na sua forma reduzida (em combinação com hidrogênio), na forma de amônia (NH3).

Apesar de ser grande a quantidade de Nitrogênio molecular (N2) presente na atmosfera este não pode ser utilizado pelas plantas, em todo um número ainda não determinado de microrganismos é capaz de o fazer.

São dois os gêneros mais conhecidos de bactérias simbióticas fixadoras de Nitrogênio, capazes de transformar o Nitrogênio molecular em amônia, encontrando-se em associação simbiótica com plantas hospedeiras (leguminosas – quadro anexo), como é o caso do Rhizobium e Bradyrhizobium. Todos os organismos que efetuam a Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN), chamados de organismos diazotróficos, são procariotas e recorrem à enzima nitrogenase para realizarem o processo de fixação.

p34 cx

Rhizobium e Bradyrhizobium – Bactérias fixadoras simbióticas

Rhizobium spp. e o Bradyrhizobium spp., colectivamente conhecidos como rizóbios, são bactérias gram-negativas, com uma estrutura regular e oval, fixadoras de Nitrogênio, que ao infetarem as raízes das plantas hospedeiras (sempre leguminosas) formam nódulos (tumefações) (fig. 3). Estas bactérias mantêm relações simbióticas com plantas leguminosas que não podem viver sem este processo essencial de fixação de Nitrogênio.

p34 fig2p34 fig3

O processo de nodulação inicia-se quando acontece um reconhecimento da combinação adequada, por parte da planta e bactéria, dando-se de seguida a adesão da bactéria aos pêlos radiculares e a invasão destes.

Após a invasão do pêlo radicular vai ocorrer o deslocamento da bactéria para a raiz principal através do canal de infecção (hilo), como podemos verificar na figura 4, no passo (d).

Ao chegar à raiz principal dá-se a diferenciação das bactérias num novo tipo de células-bacteróides, iniciando-se a fixação de Nitrogênio. O processo de divisão das células bacterianas e vegetais é contínuo e resulta na formação de um nódulo maduro.

p34 fig4

Funcionamento do Processo de Fixação Biológica de Nitrogênio

A reação de fixação do Nitrogênio caracteriza-se pela redução do N2 (Nitrogênio gasoso) em formas mais absorvíveis e assimiláveis pelas plantas como o NH3 (amônia solúvel em água) e NO3– (nitratos), que depois entram no processo de fotossíntese da planta para a produção da cadeia de proteínas necessárias, quer para a planta, quer para o rizóbio (fig. 5). Portanto, para que a reação ocorra, é necessário que haja um transporte de electrões, mediado por moléculas aptas a realizá-lo. A enzima nitrogenase presente no rizóbio é formada por duas unidades proteicas, a Ferro-proteína (Fe-proteína) e a Molibdénio-Ferro-proteína (MoFe-proteína), ambas capazes de transportar electrões. Durante a reação de redução do N2 a nitrogenase é auxiliada por uma terceira molécula transportadora de electrões, a ferridoxina (fig. 6). Por aqui se vê a importância que os micronutrientes como o molibdénio podem ter no sucesso da cultura.

As bactérias utilizam parte dos foto assimilados da planta hospedeira para gerar a energia necessária para promover o processo de fixação biológica de Nitrogênio. Por outro lado, a planta beneficia do Nitrogênio fixado pela bactéria para síntese das suas proteínas (relação estritamente simbiótica – fig. 7).

p34 fig5-7

Rhizobium e Bradyrhizobium nas pastagens e produção de leguminosas – clima temperado e tropical

Dado o papel chave do Nitrogênio para a formação das proteínas e para a vida, a fixação biológica de Nitrogênio (FBN) é considerada, após a fotossíntese, o mais importante processo biológico do planeta.

Se a associação entre os rizóbios e as plantas for eficiente, o Nitrogênio fixado pode suprir as necessidades do vegetal, dispensando o uso de fertilizantes azotados e oferecendo, assim, vantagens econômicas e ecológicas.

Desta forma, a fixação biológica do Nitrogênio permite:

  • o menor uso de adubos azotados, que resulta em poupanças significativas;
  • contribui para o auto-fornecimento do Nitrogênio utilizado para a formação da planta, minimizando desta forma os impactos do Nitrogênio sobre o meio ambiente;
  • o uso de leguminosas como adubos verdes (siderações) eficientes na FBN cede Nitrogênio para a cultura seguinte e melhora as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo;
  • aumenta a produtividade, especialmente evidente em solos pobres.

A eficiência das bactérias fixadoras de Nitrogênio, que estabelecem simbiose com leguminosas, e a sua capacidade de sobreviver e formar nódulos no solo depende de fatores genéticos inerentes aos simbiontes e da interação com factores edafoclimáticos.

Como referido, há dois gêneros próximos de bactérias chamadas de rizóbios: o Rhizobium spp. e o Bradyrhizobium spp. O primeiro gênero é característico de plantas leguminosas de clima temperado e é mais eficiente nestas regiões, agrupando o gênero Bradyrhizobium espécies mais resistentes às temperaturas elevadas e afim com plantas de climas tropicais e sub-tropicais.

Um dos factores limitantes à realização da simbiose entre as bactérias rizóbio com leguminosas em condições tropicais é a ocorrência de altas temperaturas no solo, nomeadamente nas camadas superficiais do solo, região onde se concentra a nodulação de leguminosas como o feijoeiro e a soja. As temperaturas elevadas afetam a sobrevivência do rizóbio no solo, o processo de infecção, formação dos nódulos e ainda a atividade de fixação biológica de Nitrogênio. Por este motivo é fundamental que a nodulação seja feita com espécies adaptadas às condições climáticas e que tenha afinidade com as espécies cultivadas.

Para o efeito tenha-se em consideração que no caso da soja a fixação de Nitrogênio só é limitada por temperaturas diurnas acima de 41°C, e estimulada a 36°C, o que ocorre também no caso do amendoim. Já para o trevo e a ervilha a ótima fixação biológica de Nitrogênio é em torno dos 30°C.

Na maioria dos casos as bactérias fixadoras de Nitrogênio são incapazes de crescer abaixo dos 10°C (no solo).

A fixação de Nitrogênio é optimizada, e em alguns casos só é possível, quando uma determinada espécie de leguminosa é infectada pela espécie ou estirpe correta de bactéria.

As estirpes de rizóbio com baixa especificidade simbiótica são mais comuns nos climas tropicais do que em regiões temperadas.

Assim, os gêneros Bradyrhizobium spp. são capazes de nodular diversas espécies de leguminosas comuns nas regiões tropicais.

Seleção e inoculação de bactérias fixadoras em leguminosas

A eficiência da fixação do Nitrogênio pode ser melhorada quando se dá a associação da espécie/estirpe correta de bactéria com a espécie de planta certa (quadro 1).

p34 fig8

Quando num solo as espécies ou estirpes corretas estão ausentes ou em baixa concentração é necessária a inoculação com as espécies corretas, ou mesmo estirpes selecionadas quanto à eficiência, competitividade e adaptação às condições edafo-climáticas locais.

O uso de inoculantes rizobianos específicos em leguminosas tem sido responsável por expressivas economias no custo da produção agrícola, por meio da redução do uso de adubos minerais azotados, advinda dos benefícios do processo da FBN (quadro 2).

p34 fig9

As bactérias selecionadas são vendidas no comércio apenas com o nome de inoculante. O produtor pode comprar o inoculante ou as sementes já inoculadas com espécies selecionadas de bactérias fixadoras de Nitrogênio e, assim, elevar a produtividade da sua cultura.

De sublinhar que, quando se estabelece o par correto bactéria/leguminosa, ou seja, se dá a inoculação com a espécie ou estirpe correta os nódulos formados adquirem, geralmente, uma coloração rosada ao corte (sinal da eficiência da fixação de Nitrogênio), devido à presença da leghemoglobina, uma forma de hemoglobina necessária para fixar o azoto, dando-se a verdadeira simbiose. Quando assim não acontece, e houve nodulação por espécies não indicadas, os nódulos são brancos e na verdade as bactérias estão a absorver nutrientes da planta sem fixar azoto, estabelecendo-se, na verdade uma indesejável situação de parasitismo.

Uma vez que a racionalização do uso de adubos azotados se impõe por razões econômicas e ecologias e as plantas leguminosas são eficientes na produção de proteína de excelente qualidade quer para consumo humano quer animal, o produtor rural deve ter, cada vez mais, maior atenção na racionalização de recursos, abstendo-se ao mínimo uso de Nitrogênio nas culturas de leguminosas, preocupando-se em inocular os seus solos e sementes com as bactérias fixadoras adequadas. Em Portugal os inoculantes podiam ser adquiridos ao Laboratório Rebelo da Silva, porém, empresas como a Fertiprado inoculam as sementes das suas misturas com leguminosas com rizóbios específicos importados. Os antigos Romanos, há mais de dois mil anos, não só sabiam que o uso das leguminosas como adubo verde era altamente benéfico para os solos e para as culturas, como tinham consciência, embora desconhecendo a razão, que as terras que tinham tido leguminosas eram melhores para receber outras leguminosas, dizendo-se que chegavam a levar alguma terra de um terreno para o outro, numa evidente tentativa de “inoculação” e este saber, acredita-se, tenha sido herdado dos próprios gregos. Apesar de tão antigo este saber, no século XXI é, para muitos, uma quase novidade.

Por: Joana Rita Carvalho Fernandes, Biotecnóloga e Paulo Rodrigues, , Biotecnólogo

Bibliografia

  1. Admin, 2011. Dry peas nutritional profile. Informed Farmers.
  2. ANPII, s/d. Fixação biológica do nitrogênio – FBN.
  3. Cesar, P., 2009. Ciclo do Nitrogênio. Portal de estudos em química.
  4. Cnidus, 2009. Endosimbiosis (2): Rhizobium, a media camino de organelas celulares. La ciência y sus demónios.
  5. Dazzo, F., 1995. Microbiology. Natural Resource Sciences. McGill.
  6. Denardin, N. D., 2007. Inoculação: por quê, quando e onde. Revista Plantio Direto, edição 100. Aldeia Norte Editora.
  7. Dias, J. C. S., s/d. Código de Boas Práticas Agrícolas. Laboratório Químico-Agrícola Rebelo da Silva, 55 pp.
  8. EmDiv, s/d. As plantas leguminosas. URL: www.emdiv.org
  9. Fagan, E. B., et al, 2007. Fisiologia da fixação biológica do nitrogênio em soja. Revista da FZVA, v. 14, n.º1, p. 89-106.
  10. Ferreira, T. N., Schwarz, R .A., Streck, E.V., 2000. Solos: manejo integrado e ecológico – elementos básicos, EMATER/RS, Porto Alegre, 95 pp.
  11. Giraud, E., et al, 2009. Bradyrhizobium sp. ORS278. Genoscope.
  12. Jacinto, V., 2008. Flor da ervilheira. PBase.com.
  13. Lessa, R. N. T., 2007. Ciclo do nitrogênio. Química ambiental II. Instituto de química e geociências. Departamento de química analítica e inorgânica.
  14. Microbewiki, 2010. Bradyrhizobium.
  15. MicrobiologyBytes, 2012. Azotobacter.
  16. Miliarium, 2004. Fases del ciclo del nitrógeno.
  17. Morgante, P. G., 2008. Fixação biológica e assimilação de nitrogênio.
  18. Paulino, V. T., Paulino, T. S., 2003. Avanços no manejo de pastagens consorciadas. Revista científica de agronomia, edição número 3, 27 pp.
  19. Rahmeier, W., 2009. Caracterização de isolados e eficiência de estirpes de rizóbio em feijão-caupi no Cerrado, Gurupi-To. Universidade Federal de Tocantis.
  20. Soares, F. N., 2009. Leguminosas forrageiras. Trabalho de conclusão de curso. Universidade Federal do Pará. Faculdade de Medicina Veterinária.
  21. Straliotto, R., et al, 1999. Biodiversidade do rizóbio que nodula o feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.) e os principais fatores que afetam a simbiose. Embrapa, documento n.º 95.
  22. Tolon, Y. B., 1997. Resposta a diferentes doses de calcário, de fósforo e de aplicações de molibdênio via foliar em quatro leguminosas forrageiras arbóreas e arbustivas de clima tropical, Universidade estadual de Campinas – Faculdade de engenharia agrícola, 84 pp.
  23. Vidor, c., et al, 2000. Cultivo da soja – Inoculação das sementes cm Bradyrhizobium. Empbrapa.

Repost: agronegocios.au

Categorias
Fatos e Acontecimentos

Maior estudo do solo brasileiro começa em março – Embrapa

Foto: Carlos Dias

O pesquisador Maurício Rizzato anunciou hoje (17/02), na sede da Embrapa Solos (Rio de Janeiro-RJ), o início, em março, da elaboração do Programa Nacional de Solos do Brasil (PronaSolos). As estratégias para implantação do Programa estarão prontas em novembro.

O Pronasolos vai mapear o território brasileiro e gerar dados com diferentes graus de detalhamento para subsidiar políticas públicas, auxiliar gestão territorial, embasar agricultura de precisão e apoiar decisões de concessão do crédito agrícola, entre muitas outras aplicações. Orçado em até R$ 3 bilhões de reais, o Pronasolos deve gerar ganhos de R$40 bilhões ao País dentro de uma década, de acordo com especialistas. Esta fase inicial, de elaboração, tem um orçamento de 845 mil reais.

“Os levantamentos sistemáticos de solos no Brasil pararam nos anos 80 do século passado”, disse Maurício. “Com o PronaSolos envolveremos diversos ministérios e órgãos federais em torno de um objetivo: fazer o mapeamento do solo de norte a sul do Brasil no período entre 10 e 30 anos, em escalas que tornem viáveis a correta tomada de decisão e estabelecimento de políticas públicas nos níveis municipal, estadual e federal – 1:25 mil, 1:50 mil, 1:100 mil, respectivamente”, completa o pesquisador. Isso significa que cada um centímetro do mapa corresponde a um quilômetro de área (na escala de 1:100 mil). A definição das escalas dependerá das prioridades governamentais. O maior detalhamento (de 1:25 mil) é desejável, por exemplo, para o planejamento de propriedades e na agricultura de precisão, o que vai influenciar diretamente na concessão de crédito rural.

O Brasil paga um preço alto por não conhecer melhor seu solo: falta de água no campo e em grandes metrópoles; intensos processos erosivos do solo na área rural, que agravam enchentes e provocam desperdício de insumos agropecuários, entre várias outras consequências. Dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA) indicam que 140 milhões de hectares de terras brasileiras estão degradadas, o que corresponde a 16,5% do território nacional. “E a legislação sobre o tema é difusa, existem 26 leis de conservação do solo, em diferentes escalas: ministerial, estadual etc.”, revela o chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Solos José Carlos Polidoro.

Terras degradadas fazem com que as populações sejam forçadas a tentar produzir em terras marginais, não aptas para lavouras ou pastagens, ou avancem em direção a terras mais frágeis (Amazônia e Pantanal, por exemplo), multiplicando a degradação.

A implantação dos Pronasolos deverá proporcionar ganhos na produtividade, economia nos insumos e auxiliar na sustentabilidade do sistema agrícola, diminuindo as emissões de gases do efeito estufa”, conclui a chefe geral da Embrapa Cocais (São Luís-MA) Maria de Lourdes Mendonça.

 

Carlos Dias (20.395 MTb RJ)
Embrapa Solos

Fonte: Embrapa

Banner rodapé fornecedor

Categorias
Agricultura

Pesquisadores da Embrapa incentivam o uso da agricultura de precisão no Mato Grosso – Embrapa

Pesquisadores de três centros da Embrapa estão no Mato Grosso essa semana para disseminar o conceito e estimular o uso de tecnologias e ferramentas utilizadas na agricultura de precisão (AP) junto aos produtores rurais e técnicos daquele estado. A AP é conhecida como sistema de gestão que leva em conta a variabilidade espacial da lavoura para obtenção de retorno econômico e ambiental.

 Foto: Renan Alcântara
Foto: Renan Alcântara

O encontro é uma demanda do Instituto Matogrossense do Algodão (IMAmt) e ocorre nos dias 29 e 30, em duas instituições, na Cooperativa dos Cotonicultores de Campo Verde (CooperFibra), em Campo Verde,  e no   Centro de Treinamento e Difusão Tecnológica do Núcleo Regional Norte do IMAmt, em Sorriso, consecutivamente.

Membros da Rede de Agricultura de Precisão, os pesquisadores Ricardo Inamasu e Carlos Manoel Pedro Vaz (Embrapa Instrumentação – São Carlos/SP); Ziany Neiva Brandão (Embrapa Algodão – Campina Grande/PB) e Julio Cezar Franchini dos Santos (Embrapa Soja – Londrina/PR) vão traçar um panorama da técnica, mostrar o emprego da AP para mapear os atributos físicos e químicos do solo, além dos impactos na cultura do algodão e da soja.

Para o coordenador da Rede de Agricultura de Precisão, Ricardo Inamasu, que vai fazer uma exposição sobre os conceitos, fundamentos e ferramentas, a técnica é baseada no tripé – aquisição de dados em escala e frequência adequadas; interpretação e análise desses dados; gestão e implementação de uma resposta a uma escala espacial e de tempo.

“A AP é uma ferramenta, então, que pode trazer contribuições significativas para o estado do Mato Grosso ao ser empregada em diversas culturas, facilitando a gestão, identificando problemas pontuais e ajudando a melhorar a produtividade de uma commoditie  que tem grande participação na balança comercial”, afirma.

Parceria

A contribuição da Embrapa tem sido fundamental para identificar problemas, por exemplo, no cultivo de algodão na região de Mato Grosso, responsável por mais de 50% da área plantada do país. O pesquisador Carlos Manoel Pedro Vaz, que vai abordar o mapeamento de atributos físicos e químicos do solo – essenciais para pesquisa de fertilidade e compactação – tem utilizado os avanços científicos e tecnológicos da área para correlacionar doenças com as condições do solo na cultura do algodoeiro.

Um levantamento realizado nas safras de 2011/12 e 2012/13, que integrou esforços de quatro instituições do algodão de Mato Grosso e quatro centros de pesquisa da Embrapa apontou fatores que estão impactando diretamente na produção da cultura. Entre eles, estão o aumento da incidência de nematoide e a grande relação entre a doença e às condições de solo.

As conclusões do estudo levaram em consideração as avaliações de 1.162 amostras de solos de 263 fazendas particulares, distribuídas nos sete núcleos de produção da cultura no estado de Mato Grosso.

Durante oito meses, Vaz incorporou metodologias e equipamentos, como o Analisador Granulométrico e o Sensor de Umidade de Solo, entre outros, para analisar as propriedades físicas do solo – densidade e partículas, umidade, textura – consideradas parâmetros importantes para o entendimento das condições de solos. “As características físicas dos solos analisados com o auxílio de técnicas avançadas indicaram que há uma relação significativa entre a incidência de nematoide e a textura do solo e que há grande influência da compactação do solo na produtividade do algodoeiro”, concluiu. Segundo ele, com essas informações o produtor pode realizar intervenções na propriedade, de correções de solo ou de manejo da cultura.

Casos de sucesso

 Ziany Neiva Brandão vai apresentar casos de sucesso na adoção da AP no Brasil e no mundo de forma a estimular os produtores a adotarem cada vez mais essa técnica de gerenciamento agrícola, bem como sensores e equipamentos utilizados para monitoramento e aplicação de insumos à taxa variada no algodoeiro.

Um dos casos de sucesso que serão apresentados é resultado de um projeto da Embrapa Algodão em parceria com a SLC Agrícola – com 14 unidades produtivas em seis estados, incluindo Mato Grosso – que vem sendo realizado desde 2011 com a Embrapa Instrumentação, visando identificar quais são as ferramentas de agricultura de precisão mais apropriadas para a cultura do algodão no Brasil.

“Nesse projeto foram testados diversos índices de vegetação obtidos por imagens de satélites, fotografias aéreas ou câmeras multiespectrais embarcadas em drones e vant’s, além da condutividade elétrica do solo, mapas de produtividade e suas relações com atributos de solo e planta, doses de fósforo e nitrogênio na cultura do algodão”, conta Ziany.

De acordo com ela, o gerenciamento das lavouras por meio de ferramentas de agricultura de precisão permite identificar e tratar as variabilidades observadas na cultura, com o auxílio de mapas gerados na colheita, assim como informações de solo e o histórico da área, criando zonas de manejo para o monitoramento em tempo real das necessidades nutricionais durante o ciclo da cultura e possibilidades de intervir a tempo de elevar a produtividade.

Manejo de nematoide Pratylenchus

A agricultura de precisão é uma ferramenta que pode aumentar a eficiência das estratégias de manejo dos nematoides das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus). Durante o evento, o pesquisador Júlio Franchini, da Embrapa Soja, irá abordar aspectos sobre o monitoramento da fertilidade do solo e da população de Pratylenchus em áreas de produção de soja, em Mato Grosso.  “Sabemos que as áreas ácidas são mais propícias ao aparecimento do Pratylenchus, problema que vem crescendo no campo”, diz Franchini. 

“De certa forma, a correção da acidez do solo com calcário, nem sempre atinge seus objetivos pela falta de um diagnóstico representativo que caracterize a área”, diz o pesquisador. Nesse sentido, a agricultura de precisão faz avaliações precisas da fertilidade, o que ele considera uma ferramenta importante para garantir mapas de correção detalhados e mais próximos da realidade.

Franchini também irá apresentar algumas ferramentas para a avaliação da qualidade física do solo e sua relação com a produtividade da soja. “Vamos discutir a relação existente entre a condutividade elétrica do solo e a produtividade, considerando indicadores como a água”, ressalta. Para o pesquisador, em geral, onde a condutividade elétrica é mais alta a produtividade é menor, porque nessas áreas a densidade do solo é maior. “Quanto maior a condutividade elétrica, maior a compactação do solo, o que interfere na produtividade.”, ressalta o pesquisador.

O consultor de Tecnologia e Sustentabilidade do IMAmt, Sérgio Dutra, acredita que eventos como esses podem abrir uma oportunidade para a Rede de Agricultura de Precisão da Embrapa desenvolver novos trabalhos, em parceria com o  instituto, em Mato Grosso.

Adoção no Brasil

As pesquisas com AP tiveram início na Embrapa, praticamente ao mesmo tempo em que começaram os estudos no País, no final da década de 1990. Ainda em 1999 o tema Agricultura de Precisão fez parte das pesquisas realizadas no Laboratório Virtual da Embrapa no exterior (Labex), tendo como parceira e contraparte americana a United States Department of Agriculture/Agricultural Research Service (USDA/ARS), em Lincoln, Nebraska (EUA).

Em 2004, a Embrapa deu início ao primeiro projeto em rede no tema agricultura de precisão como continuidade das atividades dos projetos anteriores. Considerando o tema estratégico para o País, a Embrapa aprovou, em 2009, o segundo projeto, envolvendo 20 Centros de Pesquisa da Empresa e mais de 50 parceiros, como empresas, instituições de pesquisa, universidades e produtores rurais. Recentemente, foi aprovada a terceira fase da Rede de Agricultura de Precisão.

Em setembro de 2013, a Embrapa inaugurou, em São Carlos (SP), o Laboratório de Referência Nacional em Agricultura de Precisão (Lanapre). O espaço, inédito no Brasil, é utilizado para pesquisar e desenvolver equipamentos, sensores, componentes mecânicos e eletrônica embarcada, em um único local.

 

Joana Silva (Mtb 19554)
Embrapa Instrumentação

Edna Santos
Embrapa Algodão

Lebna Landgraf (MTb 2903-PR)
Embrapa Soja

Fonte: Embrapa

Banner rodapé fornecedor