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Piscicultura

Pesquisa recomenda uso de armadilhas para controle da tilápia-do-nilo em bacia no Amapá – Embrapa

Foto: Gabriel Pupo Nogueira
Foto: Gabriel Pupo Nogueira

Estudos conduzidos pela Embrapa Amapá indicam a necessidade de um plano de manejo para o controle da tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) na Bacia Igarapé Fortaleza, que abrange os municípios de Macapá e Santana (AP). Como não é um peixe nativo, está causando forte pressão sobre espécies nativas como os peixes conhecidos por acarás, reduzindo sua população. Também tem potencial para comprometer a estrutura da população de outras espécies de peixes dessa região da Amazônia. A tilápia-do-nilo foi introduzida no Brasil no início da década de 1970, para repovoamento de açudes do Nordeste, por meio de um plano do governo federal de combate à fome nessa região. Depois, o cultivo espalhou-se por todo o País.

As várzeas da Bacia Igarapé Fortaleza, integrada ao Rio Amazonas, são áreas de preservação permanente (APP) que servem de abrigo e alimentação para diversas espécies de peixes e têm importância na pesca de subsistência para famílias dos municípios de Santana e Macapá. Nessa região, a tilápia-do-nilo foi introduzida em diversas pisciculturas para alimentar pirarucus, devido à sua capacidade de se reproduzir naturalmente em viveiros de cultivo. Porém, a criação trouxe impactos ambientais decorrentes de  escapes e solturas para a natureza.

Para controlar a proliferação do peixe exótico, a Embrapa recomenda o uso de armadilhas tradicionais como redes e tarrafas ou captura mais moderna como a pesca elétrica. Os dados fazem parte de publicação técnico-científica da Embrapa Amapá, de autoria do pesquisador Marcos Tavares-Dias.

A introdução da tilápia-do-nilo no Estado do Amapá remete a 1970, por iniciativa de uma mineradora que aproveitou suas áreas escavadas para o cultivo desse peixe, mas não há registro do sucesso do empreendimento. Na década de 1990, houve uma nova introdução da tilápia-do-nilo, quando alevinos foram obtidos para cultivo em algumas pisciculturas de Macapá. “Essa introdução deve-se ao fato de que esse peixe já dispunha de tecnologias para sua criação intensiva e vinha sendo cultivado em outras regiões do Brasil”, explica Marcos Tavares-Dias, pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Aquicultura da Embrapa Amapá.

Entre 2001 e 2002, um levantamento conduzido na região da Bacia Igarapé Fortaleza mostrou que a maioria dos piscicultores aproveitava a disponibilidade de água das áreas de várzeas para cultivo da tilápia-do-nilo, mas nascentes e o próprio rio também eram usados com essa finalidade.

A tilápia-do-nilo originária do Rio Nilo, no continente africano, é uma espécie de água doce disseminada em diversas regiões do planeta. O cultivo desse peixe pelo mundo foi promovido visando à subsistência de populações pobres de países em desenvolvimento. A publicação da Embrapa destaca que atualmente essa espécie de tilápia vem causando também problemas ambientais e comprometendo espécies nativas do México, Panamá, Austrália, Estados Unidos, Filipinas e Madagascar, por causa do elevado potencial invasor desse peixe nos ambientes.

Invasão de espécie exótica ocorre em cinco fases

O impacto ambiental ocorre devido a um processo que inclui o fato de a tilápia-do-nilo possuir extrema plasticidade alimentar, ou seja, alimenta-se de invertebrados aquáticos que não têm capacidade fotossintética e que vivem dispersos na coluna de água e com pouca capacidade de locomoção; como também de organismos aquáticos microscópicos que têm capacidade fotossintética e vivem dispersos flutuando na coluna de água; além de detritos, sedimentos, larvas de insetos e ovos de outros peixes, dependendo da fase do ciclo de vida. Outro fator é que a espécie invasora apresenta grande resistência aos ambientes com elevada concentração de matéria orgânica acumulada nos ambientes aquáticos, altas temperaturas, altas concentrações de amônia e baixas concentrações de oxigênio dissolvido na água. Em ambiente natural, a tilápia-do-nilo pode reduzir a biomassa dos organismos que vivem dispersos nas águas doces da Bacia do Igarapé Fortaleza tanto diretamente pelo consumo dos organismos planctônicos como indiretamente, pelo consumo dos seus principais recursos alimentares.

O autor da publicação lembra que como os alevinos da maioria das espécies de peixe dependem do plâncton (organismos dispersos na água da bacia), é possível que o recrutamento (entrada de indivíduos jovens no ambiente) das espécies de peixes nativos seja negativamente afetado pela competição com a tilápia-do-nilo. Essa espécie exótica tem forte comportamento territorialista, ocupa preferencialmente as margens dos corpos de água, locais preferidos para a desova da maioria das espécies de peixe como os acarás. Portanto, suas características tornam a tilápia um invasor biológico com forte potencial de impacto para ecossistemas naturais.

Fases da invasão

O processo de invasão de uma espécie não nativa inclui, geralmente, cinco fases. Na primeira fase, os invasores biológicos recém-chegados adaptam-se às novas condições ambientais ou não. Na segunda fase, se reproduzem para iniciar uma nova população. Na terceira, a abundância do invasor aumenta drasticamente, pela ausência de predadores, competidores e doenças no novo ecossistema invadido. Na quarta fase, a abundância do invasor diminui, por causa da  exacerbação das relações bióticas no ecossistema. Na quinta fase, o invasor naturaliza-se, formando uma população de peixes com capacidade reprodutiva estável. Porém, as mesmas características de comportamento dos invasores podem estimular o processo de invasão biológica em alguma dessas fases e inibir em outra fase.

No Brasil, o cultivo da tilápia-do-nilo começou a ganhar importância na década de 1990, principalmente nos estados do Sul e Sudeste. Nesse período, a criação dessa espécie exótica mostrou grande vantagem sobre as espécies nativas em relação ao conhecimento técnico-científico disponível, principalmente quanto à sua biologia e tecnologias para a produção intensiva. Consta também na publicação que, atualmente, essa tilápia representa o principal modelo de cultivo em diferentes sistemas de produção intensiva no País, principalmente nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste, mas sua maior produção tem sido na região Nordeste.

O cultivo ocorre principalmente em sistemas intensivos de viveiros escavados e tanques-rede. A tilápia-do-nilo, juntamente com as carpas, foram as espécies responsáveis pelo crescimento da produção na piscicultura continental brasileira em 2011, representando quase 64% do total de peixes produzidos no país. Embora o cultivo de espécies não nativas seja uma atividade econômica importante para o País, os escapes e solturas representam um problema ambiental pouco avaliado. Na Amazônia Legal, esse peixe é cultivado nos estados do Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Tocantins. De acordo com dados do IBGE, em 2014 a produção de tilápia-do-nilo no município de Macapá foi de 16.206 kg.

 

Dulcivânia Freitas (MTb 1063-96/PB)
Embrapa Amapá

Fonte: Embrapa

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Fatos e Acontecimentos

Ideflor-bio lança cartilha sobre pesca artesanal em unidade de conservação – Agência Pará

Foto: Ascom / Ideflor-Bio
Foto: Ascom / Ideflor-Bio

Uma cartilha com orientações sobre a legislação vigente da pesca artesanal em unidades de conservação ambiental foi lançada nesta quarta-feira (19) pela Gerência da Região Administrativa Mosaico do Lago de Tucuruí, do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio). O documento visa informar os usuários da área sobre os aspectos legais da atividade pesqueira, com base na Instrução Normativa Interministerial n° 13, de 25 de outubro de 2011, que estabelece normas gerais da pesca e período de defeso da bacia hidrográfica do Rio Tocantins, com uma abordagem para o reservatório.

A cartilha mostra aos pescadores que a garantia do próprio sustento e o futuro da atividade pesqueira também dependem deles, além de incentivar a prática da pesca de forma legal, com a aplicação correta da legislação, e informar sobre quais apetrechos de pesca são permitidos e proibidos, tamanho mínimo de captura dos peixes da região, as penalidades para a pesca em período de defeso, transporte, comercialização, beneficiamento

 ou industrialização de espécimes provenientes de coleta e pesca proibidas.

O Mosaico Lago de Tucuruí é formado por três Unidades de Conservação: Área de Proteção Ambiental (APA) Lago de Tucuruí e Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Alcobaça e Pucuruí-Ararão, compreendendo os municípios de Tucuruí, Breu Branco, Goianésia do Pará, Jacundá, Novo Repartimento, Nova Ipixuna e Itupiranga. É considerado o primeiro Mosaico de Unidades de Conservação constituído na Amazônia Legal. Foi criado após mobilização dos moradores locais, em função dos impactos ambientais e socioculturais causados pela implantação da Hidrelétrica de Tucuruí, maior usina de geração de energia elétrica genuinamente brasileira.

O conteúdo da cartilha está disponível no link http://ideflorbio.pa.gov.br/unidades-de-conservacao/regiao-administrativa-tucurui/

Por Denise Silva

Fonte: Agência Pará

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Meio Ambiente

Áreas degradadas da Amazônia poderão servir como lavoura de cana-de-açúcar

Foi apresentado nesta quarta-feira 11/12/2014, projeto de lei de autoria do Senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) que trata do cultivo sustentável da cana-de-açúcar em áreas alteradas e nos biomas Cerrado e Campos Gerais, situados na Amazônia Legal. Segundo o parlamentar não há nada que impeça o plantio de cana na região, haja vista que sua proposta prevê o cultivo da gramínea somente em áreas já degradadas, sem prejuízo para a preservação ambiental e sem a derrubada de uma só árvore.

O dispositivo prevê em seu texto que o cultivo de cana-de-açúcar deve obedecer critérios como o cultivo sustentável, restrito a áreas degradadas da Amazônia Legal e “estabelece diretrizes para o zoneamento agroecológico da região”, segundo as determinações do Código Florestal Brasileiro.

DELFIM MARTINS CANAVIAL GUAÍRA-SP 06/2001 PULSARSegundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, entre 2011 e 2013 mais de 38 mil km² de área estavam em algum estágio de degradação do solo, boa parte proveniente do uso indiscriminado do fogo na região como forma de abertura de pastagens ou novas lavouras. Segundo especialistas, o calor gerado pelas queimadas empobrece o solo porque mata diversos tipos de bactérias e micro-organismos importantes para a fertilidade da terra.

Em sua justificativa para a proposição, o Senador Ribeiro elenca alguns elementos que considera importantes para o uso da cana-de-açúcar como cultura na correção destes problemas, entre eles a proteção ao meio ambiente; a conservação da biodiversidade; a utilização racional dos recursos naturais; o uso da tecnologia apropriada para produção em áreas alteradas e nos Cerrado e Campos Gerais; o respeito à função social da propriedade; a promoção do desenvolvimento econômico e social da região, e; a ocupação prioritária de áreas degradadas ou de pastagens.

Fonte: Cenário MT

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Meio Ambiente

Sema formará agentes ambientais indígenas para combater o desmatamento

Proteger uma das últimas grandes áreas de floresta primária do nordeste paraense, refúgio de espécies ameaçadas de extinção, é o objetivo da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), por meio da Gerência de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais, ao contratar da Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam) para a execução da primeira fase do Programa de Formação e Treinamento de Agentes Ambientais Indígenas do Pará.

Internet
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O curso será ministrado na Terra Indígena Alto Rio Guamá, localizada nos municípios de Paragominas e Nova Esperança do Piriá, na região de Integração Rio Capim, e em Santa Luzia do Pará, na região Rio Caeté. “Nas últimas décadas, o desmatamento provocado pela extração ilegal de madeira nessa área tem gerado graves impactos e danos socioambientais, que prejudicam a qualidade de vida dos índios Tembé, e ameaçam de extinção a biodiversidade local”, informa a antropóloga Cláudia Kahwage, titular da Gerência de Povos Indígenas da Sema.

A Ecam (organização não governamental indigenista) tem experiência na capacitação indígena em gestão ambiental e territorial. Com apoio da equipe técnica da Sema, serão treinados e formados 30 agentes ambientais indígenas para atividades de proteção e monitoramento ambiental do seu território, prevendo a redução do desmatamento ilegal e a perda de biodiversidade no Estado.

Além disso, o programa visa a elaboração participativa e a publicação do Plano de Proteção e Vigilância Ambiental e Territorial, a instalação e colocação de equipamentos em duas bases de estudo, proteção e monitoramento territorial e ambiental, e ainda o plaqueamento dos limites da Terra Indígena. Essas ações serão desenvolvidas em parceria com os índios Tembé, para gerar resultados efetivos de proteção e gestão ambiental do território indígena.

Fonte: Agência Pará

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Meio Ambiente

Florestas plantadas respondem por 90% de toda a madeira produzida no país

De um total de 146,8 milhões de metros cúbicos (m³) de madeira em tora produzidos no país, em 2012, 89,8% são provenientes da silvicultura (florestas plantadas) e 10,2% oriundos do extrativismo vegetal. Em 2012, a produção de madeira em tora originada da silvicultura destinada a papel e celulose contribuiu com 56% no total nacional.

o-novo-codigo-florestal-1Os dados constam da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 2012 (Pevs 2012), estudo que o Instituto de Geografia e estatística (IBGE) divulga hoje (5). Os dados indicam que a produção de carvão vegetal chegou a 6,2 milhões de toneladas, das quais, 81,5% foram produzidos pela silvicultura e 18,5% pela extração vegetal. Na participação da produção de lenha, o extrativismo vegetal colaborou com 37,7% de um total de 91,07 milhões de m³, contra 62,3% da silvicultura.

Segundo dados do Anuário Estatístico da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), divulgados este ano, dos principais produtos florestais, apenas o segmento da celulose apresentou desempenho negativo em 2012 quanto às exportações e o consumo interno, quando comparado ao ano de 2011.

Os demais segmentos da indústria brasileira de base florestal (papel, painéis industrializados, compensados e carvão vegetal) apresentaram variações positivas. A área total de plantios florestais em 2012 chegou a 7,18 milhões de hectares. Quando comparado a 2011, o número mostra aumento de cerca de 180 mil hectares.

As áreas plantadas com eucalipto ocupam 70,8% desse total, em seguida aparece o pinus (22%) e as demais espécies como acácia, araucária, pópulus, teca, seringueira e paricá (7,2%). Os plantios de eucalipto e pinus estão concentrados em Minas Gerais, São Paulo, no Paraná, em Santa Catarina, na Bahia e em Mato Grosso do Sul.

Por outro lado, o estudo do IBGE indica que a produção de carvão vegetal da silvicultura em 2012 alcançou 5,09 toneladas, volume 23,5% superior ao obtido em 2011. Minas Gerais foi o estado que registrou a maior produção nacional (4,3 milhões de toneladas ou 85%), seguido do Maranhão (312,29 mil toneladas); e a Bahia (155,85 mil toneladas).

O estudo comprova ainda a tendência de queda nas produções de carvão vegetal e da lenha em 2012, quando essas produções registraram decréscimos de 14,2% e 8,7%, em relação a 2011. “A fiscalização de órgãos oficiais e a crescente oferta destes por produtos oriundos de florestas plantadas explicam o comportamento”, informa o estudo.

Em 2012, quantidade de carvão vegetal obtida do extrativismo no país chegou a 1,1 milhões de toneladas. As produções dos estados do Maranhão (346,2 mil toneladas) e de Mato Grosso do Sul (259,6 mil toneladas) participaram com 52,2% na produção nacional. O Piauí, Minas Gerais e a Bahia registraram produção superior a 100 mil toneladas.

Fonte: Agência Brasil

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Pecuária

Pacto pela pecuária sustentável evita que consumidor compre carne de área desmatada

O trabalho Pacto com os Supermercados pela Pecuária Sustentável no Brasil, do Ministério Público Federal (MPF), ganhou a primeira menção honrosa do Prêmio Innovare na categoria Ministério Público. Com a iniciativa, grandes redes de supermercado passaram a oferecer linhas de produtos rastreados desde a origem, permitindo que os consumidores saibam que a carne não é resultado de desmatamento ou trabalho escravo.

1300VC264Concedido pelo Instituto Innovare na semana passada, o prêmio é um dos mais prestigiados da Justiça brasileira. Ele destaca, anualmente, as melhores iniciativas nos diversos setores do sistema Judiciário em prol da modernização da prestação jurisdicional.

O termo de cooperação pela pecuária sustentável foi firmado no final de março entre o MPF e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O objetivo é evitar que os supermercados brasileiros comprem carne bovina proveniente de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia ou onde tenham sido constatadas irregularidades como invasão de terras públicas e trabalho escravo.

O procurador da República Daniel César Azeredo Avelino, coordenador do grupo de trabalho Amazônia Legal, disse que o prêmio é uma oportunidade de dar visibilidade ao projeto, “de mostrar que é possível para o consumidor participar do controle do desmatamento ilegal na Região Amazônica”.

De acordo com Avelino, o pacto conta com a participação das empresas e dos consumidores. “Logo após a assinatura do acordo, grandes redes de supermercado lançaram linhas específicas de produtos com a identificação de origem. O consumidor, na prateleira do supermercado, consegue atestar a origem do produto e ter a comprovação de que o produto não é fruto nem de desmatamento nem de trabalho escravo”, acrescentou.

Muitas empresas lançaram, inclusive, selo específico para facilitar a identificação por parte dos clientes. “Fazemos reuniões periódicas com a Abras e com os supermercados para discutir formas de melhorar a implementação do acordo. A maioria dos produtores rurais consegue vislumbrar hoje que o seu produto só vai ter aceitação no mercado se for acompanhado de um mínimo de regularização ambiental”, disse o procurador.

Pelo termo de cooperação, a Abras se comprometeu a informar e orientar as empresas do setor supermercadista sobre práticas que ajudem a coibir o trabalho escravo na cadeia da carne, ampliem a redução do desmatamento e a recuperação de áreas desmatadas e combatam o abate clandestino.

Esse pacto é fruto de uma série de ações propostas pelo MPF, iniciadas no Pará em 2009, que buscava indenizações por danos ambientais causados pela criação irregular de gado no estado. Segundo o MPF do Pará, as ações levaram à assinatura de termos de Ajuste de Conduta (TACs) com cerca de 100 frigoríficos, curtumes e empresas calçadistas, que se comprometeram a cobrar medidas de sustentabilidade ambiental e social dos seus fornecedores.

“Em 2009, tínhamos vários estudos e dados públicos reconhecendo que a atividade da pecuária era a que mais causava desmatamento na Amazônia. Foi isso que gerou a atuação do Ministério Público”, informou o procurador Avelino.

Fonte: Agência Brasil

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Mercados e Créditos

Agricultores de Anapu recebem quase meio milhão de reais para pecuária e cacau

Mais de R$ 400 mil da linha Mais Alimentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) foram investidos, neste fim de ano, em projetos de pecuária e cacau em Anapu, na Transamazônica, por meio do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) e do Banco da Amazônia.

mi_3487106686338731Em novembro, quatro pecuaristas receberam R$ 94 mil cada para adquirir matrizes e touro puro de origem da raça girolândia, com aptidão para leite, e construir curral, porteiras, cerca de arame liso e cocho coberto, entre outras aplicações. Atendidos pela Emater há cerca de 10 anos, eles fazem parte das comunidades do Travessão dos Curicas, do Travessão do Santana, do Travessão do Flamingo Norte e da colonização antiga do Km 140 da rodovia.

“A inserção de animais aperfeiçoados geneticamente vai, aos poucos, qualificando o rebanho original, que é, em média, de 200 cabeças de misto e nelore em cada propriedade”, diz o chefe do escritório local da Emater, o técnico em agropecuária Neilson Monteiro.

No mesmo mês, outros dois agricultores, da Vicinal Surubim e do Travessão do Água Preta, também parceiros da Emater há uma década, assinaram contratos de R$ 17 mil e R$ 54 mil, respectivamente, para melhorar suas lavouras cacaueiras.

Fonte: Agência Pará

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Meio Ambiente

Participação de áreas plantadas na produção florestal avança, diz IBGE

A participação da silvicultura (extração em áreas plantadas) na produção primária florestal passou de 72,6% para 76,9% de 2011 para 2012, o que representa R$ 14,2 bilhões do total geral da produção florestal brasileira, que alcançou R$ 18,4 bilhões. A extração vegetal (retirada de áreas nativas), cuja participação caiu de 27,4% para 23,1%, somou apenas R$ 4,2 bilhões.

eco09-05-12-13Os dados da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 2012 (Pevs) 2012, divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que essa inversão decorre diretamente do aumento da fiscalização e de uma maior conscientização ambiental no país.

Em 1994, a silvicultura representava menos de 30% da produção florestal, enquanto o extrativismo ultrapassava os 70%. Entre 1998 e 2002, ambos praticamente se igualaram, mas a partir de 2003 a silvicultura acentuou a predominância e vem se distanciando do extrativismo. Os técnicos do IBGE ressaltaram a implementação de políticas públicas, ao longo dos anos, de incentivo da silvicultura, de forma econômica e sustentável.

“A exploração madeireira predatória, que tantos danos causou ao meio ambiente, vem sendo substituída por técnicas de impacto reduzido, preservando o setor madeireiro através do uso racional e sustentável”, destaca o documento.

A adoção de um sistema de manejo florestal aliado a iniciativas conservacionistas que procuram conter os desmatamentos constituem um fator preponderante para preservação das matas, segundo o IBGE. “O crescimento da silvicultura é fator preponderante na amenização do impacto causado pela retirada de produtos madeireiros.”

Ainda no âmbito do fenômeno da inversão silvicultura-extração vegetal, a troca da lenha de matas nativas – muito usada como combustível nas zonas rurais para cozinhar alimentos – por lenha de reflorestamento e a substituição delas nas indústrias que utilizam a lenha como fonte energética são exemplos de como a atividade vem contribuindo para reduzir a pressão sobre as florestas nativas.

“Isso sem contar que o eucalipto, principal espécie plantada no Brasil, pode ser abatido com excelente produtividade a partir do sexto ano, prazo este bem inferior à regeneração de nossas florestas”, enfatiza a pesquisa.

Para acompanhar o desempenho dessas atividades, a pesquisa fez um registro dos principais produtos obtidos nas florestas naturais e plantadas, investigando em todos os municípios brasileiros, 38 itens oriundos do extrativismo vegetal e sete, da silvicultura.

Para o IBGE, o coco do açaí, o látex, a cera de carnaúba, a fibra de piaçava, a casca de angico, o coco de babaçu, o pequi, a castanha-do-pará e o urucum são exemplos de produtos extraídos nas matas e florestas naturais do país.

“Tais produtos ocupam relevante importância na complementação da renda ou se configuram como a única fonte de renda das populações extrativistas em determinadas localidades do Brasil”, informa o estudo.

Fonte: Agência Brasil

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PA: Emater orienta agricultores a diversificarem a produção em Castelo dos Sonhos

Agricultores familiares do distrito de Castelo dos Sonhos, município de Altamira, no oeste paraense, já começaram a receber informações técnicas sobre a viabilidade do cultivo de hortaliças pelo método da hidroponia. A iniciativa é da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) e propõe uma alternativa de renda local, que tem como base econômica a pecuária.

14224_59834Para trabalhar a ação junto aos agricultores, a Emater utiliza a experiência, bem sucedida, do agricultor familiar Rony Clécio, que há seis meses recebeu financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), cujo projeto técnico tem a assinatura da Emater. A experiência é inédita em Castelo dos Sonhos. O espaço produtivo é utilizado para a realização de palestras e para dar orientações a agricultores que tenham aptidão com o cultivo de hortaliças ou que estejam interessados em trabalhar com a cultura.

O projeto hidropônico, conforme orientação da Emater, deverá ser expandido e, ao invés do cultivo apenas do alface, também serão incluídas outras folhosas, como couve e agrião, e o plantio de tomate. Hoje o agricultor familiar colhe, por mês, quatro mil pés de alface que abastecem o mercado local. “Queremos incentivar o cultivo como alternativa de renda, além disso, pela ausência dos produtos aqui na localidade, hortaliça tem mercado garantido”, disse Leonardo Sampaio, técnico da Emater.

Segundo Rony Clécio, desde a implantação do projeto, no último mês de julho, a renda familiar aumentou pelo menos 50%. “Antes eu já trabalhava com hidroponia, mas muito timidamente. Depois que comecei a receber orientação técnica minha produção triplicou. Agora quero expandir o negócio”, afirmou o agricultor. O projeto com hidroponia deverá ser estendido para outras famílias de agricultores da Região das Chácaras, no perímetro urbano de Castelo dos Sonhos.

Fonte: Agência Pará

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Meio Ambiente

Enfraquecimento do real ameaça Amazônia no Brasil

A maior queda de uma moeda no mundo está ameaçando os ganhos do Brasil no combate ao desmatamento da Amazônia, segundo um ecologista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

size_590_desmatamento-na-amazoniaA queda de 9,7% do real nos últimos seis meses, para 2,3537 por dólar, o pior desempenho entre as 16 principais moedas monitoradas pela Bloomberg, significa que lucros maiores podem ser alcançados com a conversão da floresta em fazendas ou sítios para a exportação de commodities, disse Philip Fearnside, em entrevista concedida em 2 de dezembro, em seu escritório, em Manaus. Uma moeda mais fraca incha a receita para os exportadores, que vendem seus produtos em dólares.

Neste ano, o desmatamento da Amazônia aumentou em relação à sua maior baixa em 24 anos, segundo a Agência Especial Brasileira, que monitora os dados com fotografias de satélite. O real ganhou 55 por cento entre 2004 e 2011, o melhor desempenho entre as moedas principais, enquanto as taxas de juros em queda reforçaram o crescimento econômico.

“A maior parte da redução do desmatamento desde 2004 foi explicada pelos preços da soja e da carne bovina e deve-se à taxa de câmbio”, disse Fearnside, que possui um doutorado em ecologia pela Universidade de Michigan. “Se o exportador de soja teve despesas em reais e foi pago em dólares, ele recebeu metade do que antes devido ao fortalecimento do real. Agora, com o real a 2,30 por dólar, o negócio se tornou mais lucrativo do que quando o real estava a 1,50 por dólar”.

Os dados de satélite relativos aos 12 meses terminados em julho mostraram que desmatamento na região da Amazônia, que é do tamanho da Europa Ocidental, cresceu 28 por cento em relação ao ano anterior. O total de terras desmatadas atingiu 5.843 quilômetros quadrados, segundo dados da AEB publicados no mês passado.

Classificação de crédito

O real caiu neste ano em meio às previsões de crescimento reduzido e um corte, pela Standard Poor’s e pelo Moody’s Investors Service, da perspectiva em relação à classificação de investimento do país.

A Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse no mês passado que o aumento do desmatamento foi impulsionado pela derrubada ilegal de árvores nos estados do Pará e do Mato Grosso do Sul.

“O governo não aceitará nenhum aumento”, disse ela, em Brasília, em 14 de novembro, segundo um comunicado no site do ministério. “Não há a menor possibilidade de regularizar desmatamentos ilegais”.

Fonte: Exame Abril