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CNA debate tecnologias disponíveis para o setor aquícola

CNA realizou uma reunião, na segunda (28), para debater tecnologias disponíveis para o setor aquícola.

Imagem: Pixabay

A Comissão Nacional de Aquicultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou uma reunião, na segunda (28), para debater tecnologias disponíveis para o setor aquícola. O tema foi apresentado pelo chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Alexandre Aires de Freitas, e pelo chefe de Pesquisa e Desenvolvimento, Eric Routledge, além de outros pesquisadores da unidade.

Para o presidente da Comissão Nacional de Aquicultura da CNA, Eduardo Ono, a articulação entre instituições de pesquisa, entidades e cadeias produtivas é essencial para gerar conhecimento aos produtores e crescimento do setor.

“Temos que trabalhar de uma forma mais proativa, principalmente nas temáticas sanitária e ambiental. Precisamos de planos de contingência, monitoramento, planejamento e ordenamento para evitar prejuízos e avançar”, afirmou.

Durante o encontro, os representantes da Embrapa destacaram as ações do portfólio de aquicultura, as espécies prioritárias e os desafios de inovação. Outro destaque foram os ativos tecnológicos nas áreas de sanidade, genética, sistemas de produção, nutrição e equipamentos.

“A agropecuária brasileira é movida à ciência e a aquicultura está trilhando o mesmo caminho. Precisamos nos fortalecer mutuamente para o benefício do segmento”, disse Alexandre de Freitas.

O projeto BRS Aqua, criado pela Embrapa para gerar e transferir tecnologias que promovam o desenvolvimento da aquicultura brasileira com foco na inovação, incremento da produção, aumento da competitividade e sustentabilidade da cadeia nacional do pescado também foi discutido.

A apresentação demonstrou, ainda, o funcionamento do Sistema de Inteligência Territorial Estratégica (Site). A iniciativa é voltada para a realização de análises espaciais e disponibilização de informações sobre a cadeia produtiva da aquicultura no Brasil.

“Só vamos conseguir monitorar as demandas tendo um diálogo permanente com o setor produtivo. Essa relação com a CNA é muito oportuna e fundamental para retroalimentar os nossos desafios de inovação, articular projetos em diferentes áreas e darmos um feedback dos resultados”, declarou Eric Routledge.

A reunião também contou com a participação da assessora técnica da Comissão Nacional de Aquicultura da CNA, Ana Lígia Lenat.

Por: Agrolink

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Fatos e Acontecimentos

Boas Práticas de Manejo em Aquicultura atendem ao Código Florestal – Embrapa

Foto: Julio Ferraz

Publicação da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) indica conjunto de Boas Práticas de Manejo (BPM) para a produção de peixes em tanques-rede que atende as regulamentações da Lei 12.651, conhecida como Novo Código Florestal. O Código dispõe sobre a proteção da vegetação nativa, a adoção de boas práticas agrícolas, como por exemplo, na prevenção dos processos erosivos do solo nas áreas de preservação permanente, de proteção ambiental e da preservação dos recursos hídricos. 

Atualmente, a produção de peixes em tanques-rede é praticada em vários reservatórios e pequenos açudes distribuídos em todo o território nacional. Nesse panorama, é comum observar vários projetos conduzidos de forma competitiva e sustentável. Entretanto, ainda há muito que se fazer para atingir o potencial produtivo ideal. Para isso, é preciso unir estas iniciativas com os esforços de todos os envolvidos de modo a conciliar a produção e a preservação dos recursos hídricos a partir do desenvolvimento e adoção de BPM.

Muitos procedimentos para garantir a melhoria dos índices econômicos e ambientais estão validados e disponíveis. Assim, a principal questão a ser respondida é porque muitos piscicultores ainda não adotam BPM e as aplicam corretamente. O pesquisador Julio Queiroz, da Embrapa Meio Ambiente, acredita que a resposta pode ser a dificuldade encontrada para identificar, selecionar e aplicar as melhores BPM na solução de um problema em particular. “Certamente, existe uma série de recomendações para superar os problemas relacionados com a escolha do local, com a qualidade da água, com o manejo alimentar e a prevenção de doenças”.

Conforme o pesquisador, existem várias maneiras para selecionar as BPM mais adequadas. Erros comuns ainda são recorrentes e vêm comprometendo a competitividade e a sustentabilidade do setor. É comum observar sistemas de produção considerados como exemplos de “tecnologia e eficiência”, onde foram feitos investimentos em grande escala associados ao uso de tecnologias sofisticadas sem, no entanto, obter resultados positivos.

Um olhar mais atento irá demonstrar que as principais razões para essas falhas estão fortemente relacionadas com a falta da adoção de BPM. Parece que a ideia principal é sempre produzir mais. O que realmente importa é concentrar esforços no sentido de buscar a redução dos custos de produção, associados ao aumento dos benefícios econômicos, sociais e ambientais.

Nos grandes reservatórios, os peixes estão sujeitos a vários impactos causados não só pelas condições naturais, como também pelas mudanças climáticas, hidrodinâmica do local e alterações bruscas na qualidade da água e, ainda, por outros fatores externos como o aporte de matéria orgânica e, por vezes, de poluentes transportados pelo escoamento superficial após chuvas intensas.

Com a qualidade da água prejudicada, há redução da produtividade. Uma das soluções para evitar o aporte de sedimentos, matéria orgânica e poluentes no interior dos reservatórios é manter uma cobertura vegetal mais densa e adequada ou construir, na medida do possível, uma pequena valeta para desviar o fluxo da água para longe das margens dos reservatórios.

A hidrodinâmica do reservatório é importante porque a distribuição de oxigênio dissolvido e a maneira como os resíduos e substancias contaminantes são transportadas e diluídas é determinada pela direção e velocidade das correntes da água. Outro ponto impactante é a forma do reservatório e a sua profundidade. Nos locais com pouca circulação de água, normalmente, ocorre um acumulo detritos e sólidos em suspensão na superfície da água que irão precipitar e se acumular no fundo, resultando no aumento da demanda de oxigênio dissolvido, especialmente em locais onde a coluna da água não é muito profunda.

Por outro lado, onde a profundidade é muito alta pode ocorrer grande mortalidade de peixes causada pela desestratificação da coluna de água. É importante observar que os tanques-rede devem ser instalados não muito distantes das margens para facilitar o acesso, estar distantes o suficiente para permitir a passagem de barcos e protegidos da ação de ventos fortes.

Além disso, há os impactos provocados por fontes de poluição difusas resultantes do uso de agrotóxicos aplicados em sistemas de agricultura intensiva, além da drenagem de efluentes domésticos e industriais.

As alterações climáticas também podem causar uma série de impactos. Portanto, para o desenvolvimento de estratégias de adaptação para o setor produtivo, é essencial entender esses impactos, os seus percursos, a sua variabilidade e seus riscos. Dentre as BPM apontadas pela FAO, destacam-se o zoneamento da aquicultura para minimizar os riscos para os novos empreendimentos e deslocamento para áreas menos expostas; estratégias para melhorar o monitoramento da saúde dos peixes, aumentar a eficiência do uso e reciclagem da água e aquaponia aumento da eficiência alimentar para reduzir a pressão e a dependência de recursos alimentares; desenvolvimento de estoque de alevinos e pós- larvas melhor adaptadas, procedimentos de larvicultura mais confiáveis para facilitar o crescimento em condições mais estressantes e facilitar a reabilitação da produção após desastres; melhoria dos sistemas de alerta precoce; reforço e aprimoramento dos equipamentos e unidades de cultivo, incluindo estruturas com melhor retenção, como por exemplo, tanques-rede mais resistentes e com profundidade ajustável para flutuação de acordo com a variação dos níveis da água, viveiros mais profundos, além de melhoria dos métodos de despesca e agregação de valor.

A alimentação representa mais de 50% dos custos totais. Os restos de ração não consumida, somada aos dejetos causam uma série de alterações na qualidade da água, no equilíbrio ecológico dos reservatórios e também na área de influência.

Outro ponto de destaque é a temperatura da água, que nos grandes reservatórios pode sofrer variações em função da ocorrência de frentes frias e dias nublados, durante os quais a redução da atividade fotossintética poderá diminuir a concentração de oxigênio dissolvido, e, em muitos casos, promover a mortalidade em massa das microalgas.

Outro fator é o resfriamento noturno, que diminui a temperatura da água superficial, ocasionando a estratificação da coluna da água. Além das estações do ano, os ventos, as calmarias, as chuvas e os sólidos em suspensão. O importante é selecionar uma espécie de peixe que já esteja bem adaptada ao clima local.

A concentração de oxigênio dissolvido é a variável mais crítica para os sistemas de produção em grandes reservatórios e está diretamente relacionada ao manejo e à alimentação. Antes de estocar os peixes é preciso determinar a quantidade de oxigênio dissolvido que será consumida para assegurar a sobrevivência e o crescimento satisfatório dos peixes.

Aponta-se que as causas mais comuns de estresse estão diretamente relacionadas com a composição da ração e com a sua capacidade de satisfazer as exigências nutricionais das diferentes espécies, sendo que o uso de rações de baixa qualidade aumenta as chances de ocorrência de doenças e mortalidade. Além da utilização de densidades de peixes muito elevadas.

Algumas BPM são fundamentais – controle da erosão e do aporte de sedimentos, adoção de boas práticas de conservação do solo e preservação da cobertura vegetal, proteção das margens, construção de terraços ou valetas para desviar o excesso de escoamento superficial, manutenção de um tempo mínimo de retenção hidráulica, drenagem periódica dos viveiros e/ou pequenos reservatórios rurais e manter o gado longe dos reservatórios.

Boas práticas para redução da carga orgânica – usar ração peletizada, estrusada e com concentrações adequadas de nutrientes, monitorar a temperatura da água e selecionar quais são as variáveis de qualidade de água que afetam o consumo de ração. Temperaturas altas associadas a valores de pH altos resultam em um alto percentual de amônia não ionizada que pode estressar os peixes, reduzir o apetite e, ainda, a sua habilidade de converter a ração consumida em ganho de peso e crescimento; reduzir a quantidade quando há acumulo de ração na água. No caso de distribuição manual, observar o comportamento dos peixes para evitar alimentar os peixes em excesso, reservar um espaço ventilado, seco e protegido de roedores para estocar a ração, que deve ser consumida antes do vencimento da data de validade.

Conservação dos recursos hídricos – usar poucas fontes de água para abastecimento, para assegurar um controle melhor e mais eficiente da quantidade e da qualidade da água; reservar uma área para tratamento de esgoto e resíduos de animais; evitar o armazenamento de produtos químicos como fertilizantes, agroquímicos e combustíveis perto dos reservatórios, evitar a construção de novos viveiros e reservatórios em áreas de drenagem nas bacias hidrográficas já impactadas com loteamentos de casas e atividades industriais ou agrícolas, e também a construção de reservatórios onde o solo tenha um teor muito baixo ou excessivo de argila. Solos com baixo teor de argila apresentam alta infiltração e solos com alto teor, apesar de terem boa compactação, não são indicados para a construção de diques e taludes devido a sua instabilidade, além de reduzir a frequência das trocas de água, o que também reduz o potencial de poluição e os custos com bombeamento.

Algumas BPM indicadas são resultantes de vários projetos de pesquisa conduzidos pela Embrapa Meio Ambiente em parceria com a Auburn University, EUA, com algumas Unidades da Embrapa e outras instituições de fomento, ensino e pesquisa, tais como a FINEP, CNPq, e APTA – Polo Regional do Leste Paulista.

Cristina Tordin (MTB 28499)
Embrapa Meio Ambiente

Fonte: Embrapa

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Fatos e Acontecimentos

Publicação sobre Boas Práticas de Manejo para a aquicultura é disponibilizada pela Embrapa – Embrapa

Foto: Julio Queiroz
Foto: Julio Queiroz

A adoção de Boas Práticas de Manejo (BPM) é uma das estratégias mais eficientes para reduzir eventuais impactos ambientais negativos causados pelos sistemas de produção de peixes, camarões e outros organismos aquáticos. Sua finalidade é contribuir para a melhoria da qualidade da água e dos índices de desempenho zootécnico de forma a aumentar a produtividade e a rentabilidade da produção em viveiros escavados e em tanques-rede, e também atender as demandas da Lei 12.651, de 25 de maio de 2012, conhecida como novo Código Florestal.

Por isso, explica o pesquisador Julio Queiroz, da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), foi elaborada a Circular Técnica 25, disponibilizada pela Embrapa, que busca indicar um conjunto de BPM para monitoramento e manejo da qualidade da água em viveiros escavados e reservatórios. “As BPM indicadas nessa Circular Técnica foram atualizadas a partir da síntese de vários trabalhos de modo a contribuir de forma prática e objetiva para a melhoria da produção de peixes.

Algumas das BPM propostas são resultantes de projetos de pesquisa conduzidos pela Embrapa Meio Ambiente em parceria com outras Unidades no âmbito do Projeto Aquabrasil, assim como com outras instituições de fomento, ensino e pesquisa (FINEP, CNPq, APTA – Polo Regional do Leste Paulista).

Ainda conforme o pesquisador, a base desses trabalhos foi um amplo estudo realizado nos Estados Unidos, com apoio do United States Department of Agriculture/Environmental Protection Agency (USDA/EPA), e em outros países, sob a supervisão do professor Claude Boyd da Auburn University, EUA. O objetivo sempre foi avaliar a sustentabilidade da produção de peixes e camarões a fim de identificar e propor BPM para assegurar a competitividade e sustentabilidade da aquicultura.

Normalmente, as BPM propostas para assegurar o manejo adequado dos viveiros e outros sistemas de produção aquícola incluem o uso correto de fertilizantes, rações, materiais para calagem e terapêuticos e, ainda, medidas de emergência em resposta a baixas concentrações de oxigênio dissolvido que causam grandes mortalidades. “O descarte de peixes e de camarões mortos se destaca como uma das questões sanitárias de maior relevância e deve ser tratada com a devida importância”, destaca Queiroz. “Nesse sentido, toda a propriedade onde é feita a produção deve ser mantida em ordem, segura e de forma ambientalmente responsável. Inclui aí questões fundamentais, como por exemplo, o projeto da infraestrutura de produção visando a boa conservação da bacia hidrográfica e o uso racional dos recursos hídricos, a utilização de locais adequados para armazenamento de insumos e depósito de equipamentos, tanques para armazenamento de combustíveis e instalações para eliminação de resíduos”.

É importante observar que em locais onde o meio ambiente está muito degradado – água e solo contaminados por agrotóxicos; bacias hidrográficas com várias áreas sem proteção de cobertura vegetal e avançado processo erosivo, barrancos e ravinas bem acentuados; lagos, reservatórios e viveiros eutrofizados e com alta turbidez – esses locais apresentam muitas restrições relacionadas à qualidade da água e do solo, mas  não impossibilitam que a criação de peixes ou de outros organismos aquáticos não possa ser realizada com sucesso.

Para o pesquisador, “um projeto de aquicultura poderia servir como fonte de recuperação de um ambiente degradado se os seus efluentes – ricos em nutrientes – pudessem ser utilizados para recompor essas áreas com árvores nativas, culturas apropriadas, paisagismo, entre outros. Por outro, lado desde que os custos de implantação não sejam economicamente inviáveis, é possível recobrir o fundo e os diques de viveiros escavados com filmes de PVC ou outros materiais similares”.

Além das características do local, é preciso considerar outros aspectos importantes que irão afetar diretamente os índices da produção, como a seleção da espécie, a densidade de estocagem, o uso e a aplicação de insumos para controle da acidez do solo e da água, e também da quantidade de fertilizantes e rações. Obviamente, quando são utilizadas rações comerciais, a quantidade diária deverá ser determinada em função da densidade, das trocas de água, da quantidade de aeradores e dos métodos de arraçoamento e manejo alimentar utilizados. A maneira como os peixes serão retirados dos viveiros também irá afetar a qualidade da água e dos efluentes.

Peixes estressados irão se alimentar menos e crescer mais lentamente. Além disso,  estão mais susceptíveis a doenças. A qualidade da água dos sistemas de produção aquícola é determinada, em primeiro lugar, pela condição da fonte utilizada para abastecimento, e como a sua qualidade se altera em decorrência da adição de insumos e nutrientes aos viveiros e reservatórios. Nesse sentido, é importante dar ênfase ao monitoramento das fontes de abastecimento para assegurar sua qualidade e, simultaneamente, realizar o manejo adequado dos sedimentos do fundo dos viveiros e reservatórios.

“Obviamente, as BPM contribuirão para a conservação dos recursos naturais e para a redução da descarga de resíduos para o meio ambiente promovendo, portanto, a manutenção da qualidade nos corpos de água adjacentes aos sistemas de produção aquícola. A adoção dessas BPM deve ser vista pelos produtores como uma ação proativa que resultará na redução de impactos ambientais negativos, ao contrário de ser entendida como uma despesa extra”, acredita Queiroz.

A Circular Técnica 25 pode ser acessada em
https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1056919/boas-praticas-de-manejo-bpm-para-a-aquicultura-em-viveiros-escavados-e-em-reservatorios

 

Cristina Tordin (MTB 28499)
Embrapa Meio Ambiente

Fonte: Embrapa

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