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Pequenas fazendas são mais produtivas e biodiversas, aponta estudo

Autoridades e cientistas argumentam que propriedades menores superam as grandes operações em uma série de indicadores ambientais e socioeconômicos.
Segundo estudo, pequenas propriedades superam as grandes operações industriais, responsáveis pelo fornecimento da maior parte dos alimentos do mundo –  Freepik/Reprodução

Um estudo da Universidade de British Columbia em Vancouver, no Canadá, revelou que as pequenas fazendas tendem a ser mais produtivas e biodiversas do que as grandes, e são quase tão lucrativas e eficientes em termos de recursos. Vincent Ricciardi liderou um grupo de cientistas na análise de 118 estudos realizados ao longo de cinquenta anos em 51 países para avaliar como o tamanho da propriedade afeta outros resultados além da produção de alimentos. As descobertas foram publicadas na revista científica Nature.

De acordo com o estudo, 84% das fazendas no mundo têm menos de 2 hectares. Agências governamentais e cientistas argumentam que essas pequenas propriedades superam as grandes operações industriais, responsáveis pelo fornecimento da maior parte dos alimentos do mundo, em uma série de indicadores ambientais e socioeconômicos.

Na análise dos dados colhidos ao longo de cinco décadas, a equipe descobriu que as pequenas propriedades têm mais rendimentos do que as grandes, talvez devido à maior disponibilidade de mão-de-obra familiar. Fazendas menores também tendem a ter mais diversidade de culturas, bem como maior biodiversidade não agrícola. Isso provavelmente ocorre porque, em comparação com fazendas industriais, as menores dependem menos de inseticidas, cobrem paisagens mais diversas e têm mais faixas de campo entre plantações e terras não cultivadas.

Como conclusão, os autores sugerem que o apoio a pequenas propriedades aumenta a produção de alimentos, ao mesmo tempo que proporciona importantes benefícios humanitários e ecológicos.

Por: Veja

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Fatos e Acontecimentos

Cooperativa de Belterra ganha edital nacional de mais de R$ 500 mil – Agência Pará

A partir de um projeto elaborado com o assessoramento do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), um grupo de agricultores de Belterra, no Baixo Amazonas, acaba de ser contemplado com mais de R$ 500 mil da Fundação Banco do Brasil para investir na agroindústria de polpa de frutas instalada na Comunidade de Maguari, dentro da Floresta Nacional (Flona) do Tapajós. Na área vivem cerca de mil famílias, 21 comunidades tradicionais e três aldeias Munduruku.

O edital tem a parceria do Fundo Amazônia e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Cooperativa Mista da Floresta Nacional do Tapajós (Coomflona) concorreu com todas as unidades de conservação do Brasil e ganhou o edital Ecoforte Extrativismo, assegurando um incentivo de R$ 556 mil. O resultado foi divulgado este mês.

O projeto foi elaborado em conjunto por dois técnicos da Emater – o sociólogo Arilson Brito e a veterinária Ângela Mocelim – e pelo representante da Coomflona, responsável pelo setor não-madeireiro, Arimar Feitosa.

Constam do projeto a aquisição de um caminhão-baú refrigerado para a coleta de frutos e transporte de polpas congeladas, uma despolpadeira, uma embaladora, embalagens padronizadas, 10 freezers e um gerador de energia elétrica automatizado.

“Com o aparelhamento da agroindústria teremos não só um aumento imediato da produtividade, como a expansão dos quintais produtivos e a comercialização regional e nacional da marca, por meio dos sabores regionais, visando ao incremento de renda e melhoria de vida da população da Flona Tapajós”, diz Arilson Brito.

Atendida pela Emater desde 2015 por força de um convênio multi-institucional que tem participação ainda do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Coomflona tem trabalhado também com recuperação de áreas degradadas com plantio de frutíferas e sistemas agroflorestais (SAFs). 

Por Aline Miranda

Fonte: Agência Pará 

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Fatos e Acontecimentos

Demandas da agricultura familiar em agroecologia no estado de Goiás – Embrapa

Foto: Embrapa

Muitos agricultores em Goiás consideram a agroecologia a base para se produzir de forma sustentável. Alterando os sistemas produtivos, estes produtores modificam os cultivos, os tipos e a intensidade de insumos aplicados na produção com vistas à sustentabilidade e segurança alimentar.

As ações destes produtores tendem a apresentar maior biodiversidade, comparadas às grandes propriedades rurais, em função da tendência aos policultivos e pluriatividade local que são desenvolvidos por eles.

As formas de agricultura baseadas na agroecologia vêm se convertendo em uma via utilizada pelos agricultores familiares, que utilizam distintas maneiras para superar a exclusão econômica e social e, também, à deterioração ambiental. 

Um fator importante neste processo é o papel do associativismo como uma das formas de ação coletiva utilizada pelos agricultores familiares, e que põe em marcha projetos de agricultura mais adequados no contexto socioespacial em que vivem.

Como exemplo de experiências de busca por formas de produção agroecológicas se destacam algumas práticas utilizadas pelos agricultores familiares, tais como, os sistemas agroflorestais, ou simplesmente, SAF’s.

Neste sistema são utilizados o manejo da terra, nas quais as árvores e os arbustos são utilizados em conjunto com a agricultura e os animais na mesma área, de maneira simultânea ou numa sequência de tempo.

Devido a grande diversidade de espécies vegetais os SAF’s criam condições favoráveis para o restabelecimento das funções agroecológicas-ambientais na propriedade permitindo, também, maior fixação de mão-de-obra no campo e uma maior rentabilidade financeira, devido sua diversificação na produção.

As ações agroecológicas buscam a valorização do espaço rural de cada comunidade como um ambiente rico em experiência de vida e intimamente ligada à preservação dos recursos naturais da região.

Objetivando fortalecer as ações em agroecologia no Estado de Goiás a equipe de pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás/GO), executam o projeto Compostar, iniciado em junho de 2014, sob a coordenação da pesquisadora Flavia Alcântara.

A proposta do projeto tem como base desenvolver e validar fertilizantes orgânicos e organominerais a partir de resíduos da pecuária leiteira, dando suporte ao manejo produtivo agropecuário na região. 

O senhor Elísio Pinheiro é um agricultor familiar que produz banana, feijão, hortaliças e faz parte de um grupo de agricultores agroecológicos em Taquaral (município de Orizona/GO). Na equipe do Projeto Compostar, ele passou a perceber a riqueza de materiais que tinha disponíveis na propriedade para fazer compostagem, como, por exemplo, serapilheira da mata (folhas, galhos e frutos que caem das árvores), além das próprias folhas de bananeira. “Vi a diferença do composto que faço agora e do que eu fazia antes do projeto. O último que eu fiz ficou bem melhor e eu usei nas hortaliças e o resultado foi muito bom. Aqui a gente corre atrás de tecnologia para ajudar a gente”, destacou o produtor.

A ação tem como suporte a pesquisa participativa feita junto aos agricultores e por meio da produção e do uso dos fertilizantes orgânicos e organominerais produzidos nas próprias propriedades, passam a funcionar como polos de irradiação dos conhecimentos e práticas gerados.

Além do projeto agroecológico junto aos produtores de Orizona, o centro de pesquisa da Embrapa em Goiás, conta com outra ação com foco em sustentabilidade, segurança alimentar e qualidade de vida do produtor, com o projeto ‘Uso de sistemas agroflorestais para a recuperação de áreas degradadas, produção de alimentos e desenvolvimento rural sustentável’.

Coordenado pelo pesquisador Agostinho Didonet, o projeto reúne desenvolver conhecimento técnico, científico e caráter ecofisiológico, ambiental e social, utilizando um sistema agroflorestal com espécies arbóreas nativas do Cerrado brasileiro, fortalecendo a segurança alimentar, a recuperação de áreas degradadas e a recomposição florestal para o desenvolvimento rural da localidade.

Esta associação da produção de cultivos destinados à produção de alimentos básicos, com sistemas agroflorestais de finalidades múltiplas e agroecológicas pode ser uma alternativa importante e sustentável na preservação ambiental com agregação de renda e valor para a agricultura familiar.

 

Hélio Magalhães (4911 – MTb/MG)
Embrapa Arroz e Feijão

Fonte: Embrapa

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Fatos e Acontecimentos

Manejo de açaizais para gerar renda e conservar a biodiversidade no Marajó – Embrapa

Foto: Dulcivânia Freitas
Foto: Dulcivânia Freitas

Projeto Bem Diverso – A fartura de açaizeiros nas comunidades ribeirinhas do Afuá, município do arquipélago do Marajó, localizado no Pará e mais próximo do Amapá, é a inspiração para um projeto que concilia a melhoria de renda dos extrativistas e a conservação da biodiversidade da região. Por meio do Projeto Bem Diverso, homens e mulheres destas comunidades são os protagonistas de uma série de capacitações em manejo de açaizais nativos. A orientação técnica é realizada com o extrativista no ambiente onde ele vive e trabalha. Depois da Ilha do Meio, nesta semana é a vez da Ilha do Pará, também em Afuá, ser beneficiada com a capacitação de dois dias. Realizada em parceria com a Emater do Pará, a etapa desta semana segue o programa que consiste em apresentações sobre as florestas de várzeas e o açaizeiro, o novo código florestal e o manejo dos açaizais, a diversidade e a estrutura das florestas de várzea, os princípios e requisitos para o manejo da floresta de várzea, licenciamento ambiental e manejo sustentável de açaizal de várzea. Na fase prática acontecem as intervenções no açaizal, onde os participantes demarcam blocos, limpam, fazem inventário, analisam dados e ainda executam atividades de manutenção do açaizal.  

O Bem Diverso é uma parceria entre a Embrapa e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e tem como objetivo a conservação da biodiversidade brasileira e a geração de renda para comunidades tradicionais e agricultores familiares. Atende seis Territórios da Cidadania. As principais ameaças à conservação da floresta, no Território da Cidadania Marajó, são o desmatamento para a produção de madeira serrada; a exploração excessiva de açaí; o uso do fogo na agricultura de subsistência; o manejo inadequado das florestas; e a criação de búfalos que compacta solos em estações chuvosas e destrói a vegetação nativa. Trata-se de um dos IDHs-médio mais baixos do Brasil, de 0,519. Neste território, o projeto irá trabalhar com prioridade o açaí e a andiroba. O pesquisador Silas Mochiutti, responsável pelo projeto no âmbito da Embrapa Amapá, observa que “ao mesmo tempo em que você enxerga muita riqueza natural nesta região, há um povo que não alcança bons índices de desenvolvimento humano”.  É justamente por conta desse paradoxo que foi elaborado o projeto. O assessor técnico da coordenação do Projeto Bem Diverso, Fernando Moretti, explicou que o foco do projeto são regiões situadas em municípios de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e também onde já exista unidade da Embrapa com ações de pesquisa e desenvolvimento. “O Território da Cidadania do Marajó foi escolhido porque já existe um trabalho das unidades da Embrapa Amapá e do Pará. Então a ideia é trabalharmos com a espécie prioritária o açaí, e o projeto é dividido em dois resultados. O primeiro é fortalecer o arcabouço de extrativismo de produtos florestais não-madeireiros, por meio de boas práticas e manejo, e também a questão do acesso ao mercado, ao crédito, as políticas públicas de aquisição de alimentos”, acrescentou Moretti, durante sua viagem à Ilha do Meio. Ele disse que o fato de integrantes da equipe coordenadora se deslocar ate à comunidade e conhecer in loco a realidade dos extrativistas é importante porque quando as demandas são encaminhadas, a equipe da gestão terá a exata noção de como é o funcionamento e a importância do trabalho desenvolvido na comunidade. “É a primeira vez que venho ao Marajó, uma experiência fantástica. É lindo ver a integração das pessoas, o interesse em participar, a boa vontade de todos sobre esse tema, a motivação das lideranças e das pessoas da comunidade”, destacou o assessor técnico, que embarcou em uma lancha de Macapá para a Ilha do Meio para a viagem de quase duas horas.         

O pesquisador Silas Mochiutti embarca junto e comenta que este projeto é uma oportunidade para somar com a experiência dos ribeirinhos e melhorar a renda deles, a partir de um modelo de exploração sustentável, mantendo a floresta e o açaizeiro. “A programação de quatro anos do projeto prevê inicialmente uma capacitação continuada de manejo de açaizais. Vamos trabalhar juntos o manejo e implementar uma unidade de aprendizado. Nessa unidade se troca conhecimento técnico e o conhecimento tradicional do ribeirinho.  Nossa expectativa é uma melhoria considerável no manejo do açaí, atendendo requisitos de sustentabilidade, mantendo a diversidade da floresta e produzindo açaí, mas também aprimorado os canais de comercialização e políticas públicas e melhorando a qualidade do preço pago aos produtores, e que os produtores tenham acesso a créditos”, detalhou Mochiutti. A expectativa é otimista devido a dois fatores: o manejo de açaizais de mínimo impacto em área de várzeas já é um conhecimento técnico consolidado e as comunidades locais tem experiência com o açaí. “Mais de metade da renda dos ribeirinhos vem do açaí, mas já sentimos a perda da biodiversidade da floresta causada pela falta de um manejo de mínimo impacto. Também precisamos aprimorar os equipamentos e utensílios para a colheita, debulha de frutos, acondicionamento e transporte”, acrescenta o pesquisador.

Liderança reconhecida na Ilha do Meio (Afuá), Francisco Nazaré de Almeida, demonstra grande satisfação em mobilizar seus vizinhos para dar início às capacitações em manejo de açaizais nativos. De cara, ele faz logo referência ao fato do Afuá ter mais fluxo de relações econômicas com o Amapá. “Aqui estamos em um município do Pará, mas quando vemos a distância é muito maior para chegar até Belém do que em Macapá”, compara. E cita que o ribeirinho da Ilha do Meio, por exemplo, apanha o açaí até 10 horas e por volta das 15h já está comercializando em Macapá. “Se fosse para o Pará, gastaria em torno de 36 horas para chegar em Belém.  Então essa proximidade com o Amapá favorece muito para a gente vender em Macapá”. É por isso que a cooperativa criada pelos extrativistas do Afuá está ligada à filial do Amapá de outra cooperativa sediada no Pará. “Aqui (no Afuá) temos uma época de grande safra de açaí que vai de maio a agosto, e depois outra safra de outubro até fevereiro. Isso acontece porque na mesma ilha temos localidades que produzem em épocas diferentes, coisas da natureza”. Ele lembra que atualmente há cerca de 500 famílias extrativistas de açaí na Ilha do Meio, sendo que em todo o município de Afuá esse número sobe 4mil e 433 famílias assentadas, todas de ribeirinhos agroextrativistas. A produção gerada por estas comunidades está em torno de 900 toneladas por dia de açaí do Afuá. “E muito grande a produção. Estamos otimistas porque vamos trabalhar com a Embrapa e a cooperativa, de forma que teremos a questão do melhoramento da produção, do manejo do açaizal, espaçamento, para que a gente possa produzir mais e melhor”, afirmou Francisco Nazaré. Presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) no Amapá, Gilcemar Pureza, também acompanha de perto a programação de apresentação do projeto na comunidade Ilha do Meio. “Nosso papel é ser um parceiro. A OCB aqui representa as cooperativas do Amapá, e nesse caso como a Açaícoop é sediada no Pará tem filial em Macapá, estamos trazendo a cooperativa Bioaçaí e mais quatro que integram o projeto Consórcio de Produção de Alimentos para dar apoio na realização do evento como suporte logístico, material de trabalho, o que for necessário e não estiver contemplado no Projeto Bem Diverso”, explicou Pureza.

Projeto Bem Diverso

O Projeto Bem Diverso é liderado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), sediada em Brasília. Foi iniciado em 2015, com duração prevista de cinco anos. A atuação das equipes é voltada para dois eixos principais: desenvolvimento e promoção do uso de técnicas de manejo para extração e uso sustentável de produtos florestais não madeireiros e promoção de sistemas agroflorestais; e identificação dos gargalos financeiros e de mercado que comprometem o aumento da produção e da renda de comunidades agroextrativistas e agricultores familiares. O Território da Cidadania Marajó é formado por 16 municípios no Pará (incluindo alguns que são mais próximos de Macapá e por isso serão cobertos pela Embrapa Amapá), 10 milhões de hectares e cerca de 37 mil famílias de pequenos agricultores.

Números do projeto:
 – 3 Biomas

 – 6 territórios da cidadania

 – 12 Espécies Nativas

 – 13 Unidades da Embrapa

 – 8 Instituições Parceiras

 –  Investimento de R$ 33 milhões. 

 

Dulcivânia Freitas (DRT-PB 1.063/96)
Embrapa Amapá

Fonte: Embrapa

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Fatos e Acontecimentos

Brasil possui 20% da biodiversidade mundial mas consome alimentos de outros países – Embrapa

O Brasil detém 20% de toda a biodiversidade mundial, mas a maioria dos alimentos consumidos internamente é de origem exótica, ou seja, originária de outros países. Nativos do Brasil e presentes na alimentação dos brasileiros estão poucos produtos, como a mandioca, o amendoim, a castanha do Brasil e o açaí, entre outros. Outro dado preocupante é que, desde 1900, 75% da diversidade genética de plantas já foi perdida. “A utilização de espécies nativas é muito pequena, o que significa que a possibilidade de crescimento desse mercado é enorme”, afirmou a analista ambiental da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Camila Oliveira. Esse é um dos objetivos do workshop “Nichos de Mercado para o Setor Agroindustrial – Espécies nativas do Brasil: conhecimentos, tecnologias e negócios”, que acontece hoje (21) e amanhã (22) em Campinas – SP.

Foto: Irene Santana
Foto: Irene Santana

O evento tem como objetivo promover a articulação e interação entre instituições e empresas relacionadas com o setor agroindustrial de espécies nativas brasileiras. Um dos gargalos para que essa interação aconteça é, de acordo com o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Aldicir Scariot, a escassez de soluções tecnológicas destinadas ao setor agroextrativista, como máquinas e equipamentos para a extração de frutas e óleos de espécies nativas.

Resolver este gargalo é um dos objetivos do Projeto Bem Diverso, que nasceu fruto de uma parceria entre a Embrapa e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). O projeto apóia-se em dois pilares: contribuir para a conservação da biodiversidade por meio do uso sustentável e a criar subsídios para a formulação de políticas públicas.

“Queremos contribuir com o mercado capacitando os produtores e assegurando a qualidade dos produtos da biodiversidade”, afirmou Scariot, que é líder do projeto. Além de contribuir com a melhoria da qualidade dos produtos que serão ofertados ao mercado, o projeto também visa valorizar a cultura e os meios de vida do homem do campo através da melhoria da renda dos agroextrativistas e manutenção das economias locais. “Estamos perdendo espécies e a oportunidade de melhorar a alimentação e assegurar renda para o nosso povo”, finalizou.

Uso da biodiversidade é estratégia de conservação

O novo conceito de preservação da biodiversidade passa pela consciência de que a conservar não é evitar o uso, mas fazer o uso sustentável das espécies. Essa é a opinião do Diretor do Departamento de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente, Rafael de Sá Marques, que proferiu a palestra “Acesso ao patrimônio genético brasileiro: aspectos regulatórios”.

Segundo Rafael, a nova Lei da Biodiversidade facilitou o acesso dos pesquisadores e do próprio mercado à biodiversidade brasileira. Ele lembrou que alguns setores da economia que fazem uso da biodiversidade, como o de cosméticos, têm crescido mesmo em tempos de crise econômica. “O Brasil ainda tem isso pouco explorado”, afirmou.

O Gerente-geral da Embrapa Produtos e Mercado, Frederico Durães, enfatizou que o objetivo do evento é fazer a mediação possível para que o uso da biodiversidade brasileira seja um tema “portador de futuro”. “A Embrapa tem a responsabilidade de oferecer subsídios para políticas públicas e para o mercado com base em dados e evidências científicas. O mercado de nichos é bilionário”, disse.

A programação do workshop “Nichos de Mercado para o Setor Agroindustrial – Espécies nativas do Brasil: conhecimentos, tecnologias e negócios” conta com palestras, estudos de caso e debates sobre políticas públicas, aspectos regulatórios e de alimentação e nutrição, agroextrativismo, alimentos dos biomas brasileiros e cosméticos e fragrâncias. O evento acontece hoje (21) e amanhã (22) na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, em Campinas – SP.

Irene Santana (MTb 11.354/DF)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
irene.santana@embrapa.br

Fonte: Embrapa

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Meio Ambiente

Pesquisa oferece novos subsídios para proteção da biodiversidade de florestas – Embrapa

Estudo realizado no Pará por cientistas de 18 instituições internacionais, entre as quais 11 brasileiras, todas integrantes do consórcio científico Rede Amazônia Sustentável (RAS), mostra que a degradação no interior de uma floresta causada por atividade humana pode ter tanta importância na geração de perdas da biodiversidade tropical quanto o desmatamento.

O trabalho “Anthropogenic disturbance in tropical forests can double biodiversity loss from deforestation” (Perturbação antropogênica em florestas tropicais pode dobrar a perda da biodiversidade por desmatamento) foi publicado no dia 29 de junho, na revista Nature.Pesquisadores consideram que ele oferece subsídios para fortalecer o Código Florestal e aperfeiçoar as políticas públicas.

Foto: Ronaldo Rosa - Proteção da biodiversidade passa pela saúde da floresta
Foto: Ronaldo Rosa – Proteção da biodiversidade passa pela saúde da floresta

Os cientistas participantes do estudo mediram o impacto geral das alterações florestais (degradação florestal) mais comuns causadas por ação humana, entre elas os incêndios florestais, a exploração madeireira ilegal e a fragmentação de florestas remanescentes, em 1.538 espécies de árvores, 460 de aves e 156 de besouros. A pesquisa foi feita nos últimos seis anos tanto no campo, em 371 áreas espalhadas por três milhões de hectares nos municípios de Paragominas e Santarém (nordeste e oeste do Pará, respectivamente), como em laboratório de análise de imagens de satélite.

Os dados avaliados permitiram as primeiras comparações já feitas entre a perda de espécies em áreas florestais remanescentes sob distúrbios pela ação do homem e a decorrente da perda de habitat pelo desmatamento (corte raso). “O estudo concluiu que, no Pará, a perda de biodiversidade estimada com base no estado atual da degradação florestal é equivalente ao que se perdeu por desmatamento desde 1988”, relata a pesquisadora Joice Ferreira da Embrapa Amazônia Oriental (PA), uma das autoras do trabalho.

A descoberta dessa equivalência levou os cientistas a constatarem que a biodiversidade perdida no Pará é o dobro do que se imaginava. “Levando em conta a estimativa da perda de espécies por degradação, é como se outros quase 140 mil quilômetros quadrados de floresta intacta tivessem sido derrubados”, compara a pesquisadora, referindo-se à taxa de desmatamento desde 1988 no Pará disponibilizada pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Essa mesma estimativa também revela que as perdas de biodiversidade por degradação só no Pará são maiores do que as derivadas do desmatamento na Amazônia inteira na última década (2006-2015).

Com respeito à quantificação de área equivalente de desmatamento, o engenheiro florestal Giampaolo Pellegrino, pesquisador e presidente do Portfólio de Mudanças Climáticas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, que não participou do estudo, mas conheceu seus resultados, pondera: “justamente por seu ineditismo e por uma primeira aproximação, que à primeira vista poderia parecer superestimada, acredito que, como de praxe, essas estimativas ainda serão debatidas pela comunidade científica e poderão ser confirmadas ou ajustadas em estudos mais específicos, onde algumas premissas adotadas no atual estudo, a exemplo da distribuição das áreas de amostragem, e sua extrapolação para todo o Pará possam ser revisitadas”.

Por outro lado, Pellegrino ressalta que o trabalho traz alertas importantes sobre a perda da biodiversidade brasileira e destaca a necessidade de políticas públicas para conter esse problema.

Nesse sentido, a autora Joice Ferreira destaca que “o resultado da pesquisa pode vir a subsidiar tecnicamente o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à conservação e restauração de florestas, pois oferece evidências convincentes de que as iniciativas de conservação amazônica também precisam levar em conta a redução de perturbações florestais”.

Ao enfatizar a importância do monitoramento em estratégias de redução de perdas, o pesquisador Luiz Aragão, do Inpe, lembra que o Brasil conseguiu reduzir seu desmatamento em cerca de 80% como resultado do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). “O próximo passo é avançar na quantificação da extensão e impactos da degradação florestal tendo em vista o resguardo da nossa biodiversidade, estoques de carbono e serviços ecossistêmicos”, antevê Aragão.

Efeitos das atividades humanas

O estudo demonstrou que a intervenção humana provoca significativas perdas de biodiversidade que vão além dos danos mais visíveis causados pela derrubada de árvores.

A pesquisadora Joice Ferreira ressalta outro aspecto da importância de se controlar a degradação florestal. “O valor da conservação cai se a floresta sofre perturbações como as estudadas. Além do efeito direto da perturbação em si, perde-se biodiversidade e qualidade no que resta afetado por ela. A adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis e a recuperação de florestas na paisagem reduzem a incidência do fogo, constituindo uma solução importante para esse problema”, explica.

Sobre o mesmo aspecto, o pesquisador Toby Gardner, do Instituto Ambiental de Estocolmo (Suécia), recomenda cuidados com a vegetação remanescente. “As florestas tropicais correm risco se as iniciativas de conservação focarem exclusivamente nas extensões de floresta remanescentes, sem levar em conta o estado de saúde dessas áreas”, pontua.

O novo estudo também demonstra que espécies sob o risco máximo de extinção foram as mais vulneráveis a essas perturbações causadas por atividade humana. A pesquisadora Ima Vieira, do Museu Paraense Emilio Goeldi, informa que o Estado do Pará abriga mais de 10% das espécies de aves do planeta, muitas das quais endêmicas. “Nossos estudos demonstram que são justamente essas espécies as que estão sofrendo o maior impacto da ação antrópica, pois elas não sobrevivem em ambientes com esses níveis de perturbação”, revela.

Código Florestal e Saúde da floresta

Silvio Ferraz, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), lembra a importância do Brasil no cenário da conservação florestal mundial, já que o País possui 40% dos remanescentes de florestas tropicais da Terra.

O pesquisador da Embrapa Giampaolo Pellegrino observa que o trabalho permite realizar avaliações positivas sobre o Código Florestal. “É de reconhecimento internacional que, mesmo considerando questionamentos sobre sua última alteração, o Código Florestal Brasileiro é um instrumento essencial na preservação de áreas de importância ecológica para o País, além de regularizar e reduzir significativamente o desmatamento, e os próprios autores reforçam isso. Reduzir o desmatamento permitido a 20% é muito significativo, a ponto de a perda do valor de conservação provocada pelas perturbações internas e na paisagem das grandes áreas florestais remanescentes serem da mesma ordem da perda das áreas desmatadas com corte raso – o que certamente seria muito maior sem o Código”, diz Pellegrino.

Sobre os alertas do estudo, Giampaolo Pellegrino chama a atenção para o fato de que a função do Código é preservar os processos hidrológicos, conservar o solo e seus processos, assim como a biodiversidade, baseando-se num índice facilmente mensurável e de aplicação geral pelo País, a área preservada. Na visão do pesquisador da Embrapa, “o Código não deve ser a única política pública e essa é a grande contribuição do estudo, ou seja, alertar para um efeito que não era claro e quantificado e que demanda atenção do governo e da sociedade”.

Para o pesquisador Jos Barlow, da Universidade de Lancaster (Reino Unido) e principal autor do estudo, “o Brasil demonstrou uma liderança sem precedentes no combate ao desmatamento na última década e o mesmo nível de liderança é necessário agora para proteger a saúde das florestas restantes nos trópicos”.

O estudo publicado na Nature é fruto da Rede Amazônia Sustentável, um consórcio de instituições brasileiras e estrangeiras, coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental, Museu Paraense Emílio Goeldi, Universidade de Lancaster e Instituto Ambiental de Estocolmo. A RAS também tem parte do INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq.

Izabel Drulla Brandão (MTb 1084/PR)
Embrapa Amazônia Oriental

Fonte: Embrapa