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Uso de produtos biológicos no agronegócio é alternativa menos agressiva ao meio ambiente

Produtos biológicos são a nova aposta do agronegócio brasileiro. A prática consiste na aplicação de elementos biológicos em insumos agrícolas, o que permite melhor performance na produtividade e a diminuição de impactos ambientais. Segundo Josué Lima, coordenador de pesquisas da JCO, empresa especializada em bioprodutos, cerca de 40% dos agricultores brasileiros já aderiram a técnicas biotecnológicas em seus processos produtivos. Ele explica que o novo método potencializa a ação de agentes químicos e reduz os custos da produção. 

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), inovações biotecnológicas também favorecem os consumidores pois prometem fornecer alimentos mais saudáveis e de maior qualidade com a diminuição de resíduos químicos. Lima explica que esses ativos são de baixa toxicidade e agem sem agredir o meio ambiente, o que promove a saúde de plantas e animais e o desenvolvimento sustentável da agricultura. 

Derquian Busnello, produtor rural há oito anos na região de Paragominas, adotou recentemente o uso de produtos biológicos. Apesar de ainda estar na fase inicial do processo, ele explica que aderiu à prática por conta da crescente inclinação da área ao sustentável. “Além do uso de materiais biológicos ajudar a proteger as plantas e aumentar a produtividade de forma natural, possibilita também a vida útil das moléculas existentes por não as expor sozinhas ao controle de pragas e doenças”, declara. 

Josué Lima explica que o processo dos produtos biológicos é mais lento em relação aos agroquímicos, e essa questão depende de diversos fatores, ou seja, cada caso exige um tempo específico, ainda assim, ele afirma que o efeito residual é maior. No Pará ainda há pouca informação sobre o assunto mas a tendência é que o uso dos bioprodutos cresça nos próximos anos. Lima explica que, por desconhecimento, muitos produtores paraenses não acreditam no potencial dos produtos biológicos. “Quando falamos sobre fungos e bactérias, é comum que alguns produtores associem a doenças. Nosso trabalho é introduzir o assunto e explicar que esses microrganismos também trazem benefícios”, finaliza. 

Por Manoela Ferreira
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Interação planta-nematóide: entender para conviver


Os nematóides constituem um diverso grupo dos invertebrados, abundantes como parasitas ou na forma de vida livre no solo, em ambientes aquáticos ou marinhos. Cerca de 26% dos gêneros descritos habitam o solo sob diferentes grupos funcionais delimitados pelos seus hábitos alimentares: bacteriófagos (se alimentam de bactérias), micófagos (se alimentam de fungos), onívoros (se alimentam de bactérias e fungos), predadores (se alimentam de outros nematoides) ou fitoparasitas (se alimentam de plantas). A umidade do solo, a umidade relativa e os fatores ambientais afetam diretamente a sobrevivência dos nematóides. Os nematóides possuem variadas formas de adaptação a mudanças que ocorrem no ambiente, causadas por diversos fatores, entre os quais o manejo dos cultivos, estresse climático, época de plantio, fisiologia das plantas e melhoramento genético.

A importância dos fitonematoides é justificada pela dificuldade e pelos altos custos envolvidos no seu controle, onde certamente estão entre os fitopatógenos mais danosos às plantas. Com mais de 4.100 espécies descritas de fitonematoides, as mais importantes, em relação às pesquisas e danos econômicos, são os nematóides formadores de galhas (Meloidogyne spp.), os nematóides de lesões radiculares (Pratylenchus spp.) e os nematóides s de cisto (Heterodera spp. e Globodera spp.). Estima-se que 12 a 15% da produção mundial de alimentos sejam perdidos anualmente como consequências de ataque dos nematóides parasitas de plantas. Esses danos podem ser ainda maiores, em regiões menos desenvolvidas, nas quais a tecnologia empregada na exploração agrícola não alcança níveis mínimos encontrados nas regiões com alto nível de tecnificação agrícola. Para alavancar o sucesso na redução populacional dos fitonematóides na agricultura, sem dúvida, é necessário entender a interação planta- nematóides para desenvolver e implementar métodos para “conviver” em harmonia com esses fitoparasitas em baixa população e causando o mínimo de danos econômicos para a produtividade das plantas.

A interação planta- nematóides envolve dois sistemas complexos e bem distintos, nematóides do Reino Animal e as plantas do Reino Vegetal. Os nematóides fitoparasitas adaptaram-se à outra fonte de alimento, evitando a competição com os bacteriófagos, micófagos e parasitas de pequenos animais e plantas inferiores. Para isso, tiveram que adaptar suas peças bucais para se alimentar e parasitar as plantas, desenvolvendo um órgão pontiagudo com canalículos interno ligado a músculos constrictores possibilitando a introdução do mesmo na planta e a sua retração, chamado estilete. Apenas os fitonematóides possuem estiletes.

A interação planta- nematóides envolve diversas fases, começando pela atração do nematóides para o local de alimentação no órgão da planta e o contato inicial com suas camadas externas, principalmente as raízes. Esse contato gera uma liberação de compostos químicos para a penetração do estilete na planta, permitindo que os nematóides absorvam os conteúdos celulares ou líquidos nutritivos diretamente do floema.

Por outro lado, as plantas têm desenvolvido uma gama de mecanismos de defesa envolvidos na resistência e proteção contra os nematóides. Esses mecanismos incluem a síntese de fitoalexinas e inibidores de proteases, o reforço físico químico da parede celular e o acumulo de enzimas hidrolíticas, como as quitinases. A resistência pode depender da capacidade da planta em reconhecer rapidamente o patógeno e induzir essas respostas de defesa a fim de limitar a dispersão dos mesmo em campo.

Seguindo a linha de ataque dos fitonematóides e defesa das plantas, inúmeros métodos de redução populacional desses agentes são utilizados em diferentes sistemas de produção vegetal como:

Métodos químicos: nematicidas químicos são os mais utilizados para o controle de fitonematoides, entretanto, a maior parte desses compostos estão perdendo a eficiência ao decorrer dos anos pelo uso massivo e pela falta de manejo adequado das lavouras, acarretando a seleção dos nematóides resistente e aumento descontrolado de suas populações.

Método Biológico: dentre os diversos inimigos naturais dos nematóides comumente encontrados nos solos, os que apresentam maior potencial como agentes de controle biológico são as bactérias e os fungos. Esses microrganismos podem atuar diretamente nos fitonematóides ou em suas massas de ovos, parasitando ou inibindo sua “aterrissagem” e posterior alimentação dos conteúdos celulares das raízes das plantas. Os principais agentes que desempenham esses mecanismos são os fungos Trichoderma spp., Purpureocillium lilacinum e Pochonia chlamydosporia. Já pesando em bactérias, o Bacillus subtilis ainda é o mais utilizado. Observando ainda que a indução dos mecanismos de resistência das plantas por agentes microrgabianos também possui sua relevância na inibição do parasistimos dos nematóides nas plantas. Dessa maneira, podemos citar todos os microrganismos supracitados, principalmente o Trichoderma spp., Pochonia chlamydosporia e Bacilluis subtilis.

Rotação de culturas: esse método, que também pode ser considerado como biológico, têm ampla utilização na agricultura como adubo verde, cobertura morta, fixação de nitrogênio, controle de nematóides e reciclagem de nutrientes. Entre as leguminosas promissoras para essas práticas, destacam-se: a mucuna-preta (Stilozobium aterrimum Piper e Tracy), a crotalária (Crotalaria juncea, Crotalaria spectabilis ) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis D.C.), por serem plantas rústicas e de eficiente desenvolvimento vegetativo, adaptadas às condições de baixa fertilidade e de elevadas temperaturas. Visando a redução populacional dos fitonematoides a utilização da Crotalaria spectabilis é umas das mais utilizadas. Há muito tempo sabe-se que a Crotalaria spectabilis têm ação sobre os fitonematóides. De acordo com Lordello (1973), já em 1940, Barrons demonstrou que as larvas infestantes do nematóide das galhas (Meloidogyne spp.) penetram nas raízes de C. spectabilis, mas não sobrevivem, perecendo prematuramente sem deixar sobreviventes. Outro fator importante na rotação de culturas é o manejo para acumular palhada e matéria orgânica no solo. Esse fator é de grande relevância na agricultura, onde o solo é estimulado a desenvolver uma microbiota antagônica que propicia o controle biológico dos nematóides e até de outros fitopatógenos fúngicos ou bacterianos.

Utilização de variedades resistentes: embora seja o método ideal de controle de doenças, nem sempre é possível aplicá-lo, pois depende da disponibilidade de genótipos que combinem características de resistência com qualidades agronômica. Assim, a utilização dessa ferramenta deve ser utilizada com cautela, respeitando todo o manejo dessas variedades e não deixando de lado as ferramentas já mencionadas anteriormente.

Assim, o estudo do modelo de vida dos nematóides em relação à pratica agrícola é de extrema importância para a tomada de decisão quanto à redução populacional dos nematóides e o incremento da microbiota do solo. O manejo agrícola correto deve surtir efeito em médio prazo não apenas para os nematóides, esse processo irá desencadear o controle biológico de outros fitopatógenos e gerar aumento na produtividade vegetal.

Dr. Magno Rodrigues de Carvalho Filho

PhD em Fitopatologia

Universidade de Brasília/Universidade do Minho-Portugal
Área de concentração: Controle biológico de pragas e doenças de plantas

Fonte: Gerente de pesquisa e Desenvolvimento: JCO Bioprodutos