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Em dois anos, dobra exportação de gado vivo no porto de São Sebastião

Alvos de críticas de entidade de proteção animal, mas vistas como um importante mercado pelos pecuaristas brasileiros, as exportações de gado vivo dobraram no período de dois anos no porto de São Sebastião, no litoral norte paulista.

Conforme dados da Companhia Docas de São Sebastião, enquanto em 2016 foram embarcadas 46 mil cabeças de gado no porto, o total subiu para 51 mil, em 2017, e já alcançou, 92.388 cabeças de gado somente nos sete primeiros meses deste ano.

O total, porém, já é maior que esse, pois no último dia 12 5.400 bois vivos embarcaram no navio Queensland.

O Brasil é o segundo maior exportador de gado vivo, atrás da Austrália, num mercado que também tem como fortes concorrentes EUA e México.

Os portos paulistas —Santos e São Sebastião— representaram 18% das exportações de bois vivos do país em 2017, sendo 6,6% em Santos.

Além deles, o país exporta o chamado gado em pé principalmente por meio dos portos de Barcarena (PA) e Rio Grande (RS). Barcarena transportou 267 mil bois vivos em navios no ano passado, mais de 60% do total do país.

Para os pecuaristas, a exportação de animais vivos é até 35% mais vantajosa em relação à comercialização do gado no mercado interno. O principal destino é a Turquia.

Com o crescimento das operações, na mesma proporção aumentaram as críticas de vizinhos do porto no litoral norte em relação ao mau cheiro com a presença do gado no local, além do rastro de urina e esterco.

Entre a chegada dos primeiros animais e o embarque dos últimos, a operação pode levar mais de 24 horas.

Além disso, há as campanhas de ativistas que qualificam a prática como geradora de maus-tratos e pedem o fim ou a modificação das operações. Os pecuaristas negam haver problemas e dizem que todas as práticas de bem-estar são seguidas, assim como normas do Ministério da Agricultura.

Por causa do cheiro, o empresário Valdner Bertotti, vice-presidente da Abreav (Associação Brasileira dos Exportadores de Animais Vivos) e dono da VB Agrologística, que atua no porto, instalou um sistema que tem como objetivo “raptar” odores, ao captar partículas de amônia e liberar uma essência no ar.

“Ele tem um grande alcance, chega até a zona residencial. Com isso, acreditamos que reduzimos as reclamações”, afirmou.

A Abreav alega ainda que, além de a atividade ser toda regulamentada, o setor gera 17 mil empregos diretos.

NORMAS

Para poder exportar, o pecuarista tem de ter um EPE (Estabelecimento Pré-Embarque). São Paulo tem 11 deles e o país, 42.

Um deles é o do pecuarista Diogo Castilho, de Sales (a 444 km de São Paulo). Num período de 24 horas, 98 caminhões saíram da propriedade rural com os animais rumo ao porto. No caso dele, eram bois com peso entre 260 quilos e 280 quilos, que passarão por processo de engorda para serem abatidos quando atingirem ao menos 550 quilos na Turquia.

Mas há, também, casos em que os bois, já engordados, são abatidos assim que chegam ao país de destino.

O porto, segundo a Companhia Docas, é responsável por oferecer a infraestrutura, enquanto as operações de embarque são de responsabilidade das empresas de logística que atuam no local.

Fonte: Folha de São Paulo.

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Exportações

Procura por machos cruzados para exportação no PA puxa o nelore na reposição;

R$ 125/@ à vista e vaca a R$ 117. Qualidade dos pastos ainda segura até o final do mês.

Jordan Timo Carvalho – Pecuarista

[youtube= https://youtu.be/5uoqO3CIMns]

Por: Giovanni Lorenzon

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Exportações

Venda de gado vivo cresce em meio a debate sobre bem-estar animal

USDA e empresários preveem alta das exportações brasileiras do segmento, mas total ainda é baixo em relação ao número de abates no país

Para crescer, empresários se movimentam para abrir novos mercados.
Venda de gado vivo cresce em meio a debate sobre bem-estar animal
Foto:Abeg

A venda de gado vivo por frigoríficos brasileiros ganhou os holofotes no início deste mês, quando duas organizações não governamentais conseguiram decisões judiciais que impediram que o navio Nada, carregado com mais de 25 mil animais, seguisse viagem à Turquia. A embarcação acabou sendo liberada, em função de um recurso do governo federal, mas o caso jogou luz sobre um setor que vem crescendo cerca de 20% ao ano e se tornou alternativa de receita para pecuaristas e empresas de alimentos, como a Minerva Foods. Entidades ligadas ao bem-estar animal, porém, pretendem continuar a tentar barrar a atividade.

Embora a venda de gado vivo seja uma prática antiga, esse segmento da pecuária ganhou força no início desta década, quando as vendas externas chegaram a 690 mil animais. De 2010 a 2012, o principal destino dos bois brasileiros eram os frigoríficos da Venezuela. Com a severa crise econômica do país vizinho, as vendas despencaram em 2015. Para viabilizar o negócio, pecuaristas acharam um novo cliente: o mercado de religião islâmica. De 2016 para cá, as vendas voltaram a subir, até atingirem US$ 263 milhões em 2017, segundo o Ministério do Desenvolvimento, mas ainda bem longe do auge em volume.

É um número pouco relevante diante dos abates anuais no país, que somam entre 35 milhões e 40 milhões de cabeças por ano, diz César Castro Alves, analista de pecuária da MB Agro. A fatia de 1% dos abates, na visão do especialista, não deve subir de forma significativa, pois o mercado global de bovinos vivos não cresce de forma significativa – o total movimentado está estacionado em cerca de 5 milhões de cabeças por ano. “É um nicho alimentado por questões religiosas. Pode ser boa opção para quando os preços estão ruins, pois vender boi vivo não agrega valor ao produto”, aponta Alves.

Alvos – Apesar de o mercado como um todo não crescer, tanto empresários quanto o Departamento Americano da Agricultura (USDA) preveem altas de 20% a 30% nas exportações brasileiras em 2018. A Minerva Foods, dona da carga que foi retida em Santos, domina cerca de 40% das vendas de animais vivos – segmento em que as líderes em bovinos no país, JBS e Marfrig, não atuam. Procurada, a Minerva não deu entrevista.

Uma explicação para o interesse no negócio é o fato de os países muçulmanos pagarem prêmios sobre a cotação de referência do gado. Uma fonte ligada às exportadoras esclarece que os compradores exigem raças específicas – o gado Nelore, símbolo do plantel brasileiro, não é aceito em países muçulmanos, que preferem a raça Zebu. Diante das exigências, é necessário esforço para angariar animais para a venda externa, o que acaba se refletindo no preço pago pelo comprador. Entre as outras empresas nacionais com atuação relevante na exportação de gado vivo estão Mercúrio e Agroexport.

Para crescer, os empresários se movimentam para abrir novos mercados. Hoje, mais da metade das vendas brasileiras são para a Turquia. Missões comerciais, no entanto, já buscam clientes na Malásia e na Indonésia – dois países hoje atendidos sobretudo pela Austrália. A avaliação é que, se a estratégia der certo, as vendas de gado vivo podem crescer mais 50%, para 600 mil unidades por ano, até 2023.

Reação – Porém, entidades como o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e a Agência de Notícias de Direitos dos Animais (Anda), que conseguiram suspender a venda de boi vivo por alguns dias, não estão dispostas a arredar pé da tentativa de paralisar o setor. “Nossa luta é pelo respeito aos animais, que não estão contemplados nas regras de exportação brasileiras, que se limitam a aspectos sanitários”, diz Vânia Plaza Nunes, médica veterinária e diretora técnica do Fórum Animal. A briga com os frigoríficos é de longo prazo. Segundo ela, novos recursos para voltar a paralisar as vendas de gado vivo serão apresentados nas próximas semanas.

Fonte: Estadão

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Exportações

Justiça Federal suspende exportação de animais vivos em todo o país

Decisão tomada em caráter liminar determina ainda o desembarque de 27 mil bois que estão em navio no Porto de Santos

Justiça Federal em São Paulo proibiu em todo o território nacional o transporte de gado vivo por navio. A decisão, tomada em caráter liminar no início da noite desta sexta-feira (2/2), é do juiz federal Djalma Moreira Gomes, atendendo a pedido feito em ação civil pública movida pela organização não governamental Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, tendo como réu o Governo Federal.

Na quinta-feira, a Justiça de Santos havia determinado o desembarque de 27 mil bois do navio Nada, atracado em Santos e que tinha a Turquia como destino.

Na ação, a ONG alega que o transporte dos animais vivos é feito de forma cruel, causando sofrimentos e traumas por conta de condições climáticas adversas, falta de alimentação ou condições sanitárias. Ressalta que, muitas vezes, o transporte até o destino pode durar semanas. Alega ainda que, apesar de signatário das normas da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), o Brasil não segue vários artigos do Código Sanitário de Animais Terrestres.

Ao acolher o pedido, o juiz Djalma Moreira Gomes determinou que a exportação de animais vivos seja suspensa em todo o país “até que o país de destino se comprometa a adotar práticas de abate compatíveis com o preconizado no ordenamento jurídico brasileiro” além de observar normas “concretas e verificáveis” para garantir condições de manejo e bem estar dos animais.

O magistrado determinou também o desembarque de todos os 27 mil bois que estão no navio Nada, atracado no Porto de Santos, e que deram origem à batalha judicial acerca do transporte de gado vivo. Os animais são de propriedade do frigorífico Minerva. De acordo com o despacho, o plano de saída dos animais deve ser feito pelo Ministério da Agricultura e executado pela empresa proprietária dos bovinos.

Leia a conclusão do juiz abaixo:

decisao-navio-nada (Foto: Reprodução)
(Reprodução)

Fonte: Globo Rural
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Fatos e Acontecimentos

Tribunal de Justiça do Pará suspende cobrança de taxa sobre embarque de boi vivo

Em decisão tomada nesta terça-feira (10), o Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) determinou a suspensão da cobrança da taxa de certificação do embarque de boi vivos para o exterior. A decisão foi da Seção de Direito Público do TJPA em Mandado de Segurança impetrado pelas empresas Confidence – Exportação e Importação, Comércio e Representação e Consultoria Ltda. e S. C. T. Artigos para Presentes Ltda., que alegaram que a tributação pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) é inconstitucional e fere os princípios da igualdade e da livre iniciativa de mercado e de atividade econômica.

A unanimidade dos desembargadores presentes à sessão de julgamento acompanhou o voto da relatora, desembargadora Célia Regina de Lima Pinheiro. O Tribunal entendeu que os requerentes têm razão quando alegam a inconstitucionalidade da taxa, já que a cobrança vem sendo feita com base a Lei nº 8.076/2007, já julgada inconstitucional e, portanto, não tem mais nenhum efeito legal.

De acordo com o TJPA, várias ações de Mandado de Segurança sobre a matéria têm sido apreciadas pelos desembargadores, resultando no julgamento de ontem, quando a Corte concedeu segurança para que o Estado, através da Sefa, não proceda mais a cobrança da taxa.

Mercado – A exportação de bois vivos tem atraído cada vez mais os produtores brasileiros. Segundo os especialistas do setor, este é um nicho de mercado que permite negociar a arroba a um preço muito mais atraente do que o pago pelas indústrias frigoríficas, por isso um número crescente de pecuaristas tem buscado essa forma de escoar sua produção.

De janeiro a setembro deste ano, o Brasil exportou 167 milhões de dólares em gado vivo. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), foram embarcadas neste período 248,7 mil cabeças de gado, contra 201 mil cabeças no mesmo período do ano passado.

O Pará é um dos maiores exportadores de boi em pé do País. De janeiro a setembro deste ano, os produtores paraenses venderam mais de R$ 126 milhões de gado vivo, embarcado para vários países do mundo. (Com informações da Coordenadoria de Imprensa do TJPA. Imagem: Reprodução.)

Fonte: Blog do João Carlos

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FAEPA/CNA/SENAR

PA: Estado prepara novo embarque de bois

Pelo menos 50 mil cabeças de gado devem ser exportadas em breve

O embarque emergencial de 50 mil bois, pelo porto de Vila do Conde, no município de Barcarena, deverá ocorrer nos próximos 50 dias, no máximo. A informação foi dada, ontem, pelo titular da Superintendência Federal de Agricultura no Estado do Pará, Josenir Nascimento. Ele participou de uma reunião convocada pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Carlos Xavier, para discutir esse assunto e debater a padronização na exportação de animais vivos. O encontro terminou à noite e reuniu, ainda, representantes da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (ABEG) e da Companhia Docas do Pará e produtores rurais do Estado.

Fonte: Internet
Fonte: Internet

Nesse primeiro momento, não havia integrante do governo do Estado no encontro, mas eles serão convidados para participar das próximas reuniões. O embarque está suspenso desde que o navio Haidar, que transportaria cinco mil bois para a Venezuela, afundou naquele porto, no dia 6 de outubro de 2015, causando danos ambientais e afetando, principalmente, as comunidades ribeirinhas de Barcarena e Abaetetuba. Em dezembro passado, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) autorizou o embarque emergencial de 50 mil bois.

Mas o que preocupa a Superintendência Federal de Agricultura no Estado do Pará não é esse embarque emergencial, que, em breve, será feito. “O que nos preocupa é o embarque regular. Mas as condições do Pará são as melhores do Brasil. Nosso foco principal é o produtor. Nos interessa que ele esteja vendendo”, afirmou Josenir Nascimento. Ainda segundo ele, a exportação do animal vivo, no Pará, é um regulador de preços. “Se ele não existir, o produtor fica na mão de um comprador só. Esse regulador de preços é extremamente importante para o produtor rural, que é o principal foco da Faepa e do Ministério

da Agricultura. Nós lutamos para aumentar as exportações no país”, acrescentou. “Nossa estrutura para o exportação de animal vivo é uma das melhores do Brasil”, afirmou Josenir Nascimento. “O Pará tem tudo para se transformar no maior exportador de animais vivos do mundo. Precisamos padronizar procedimentos dentro do setor, mas sem encarecer o produtor e o exportador. Assim, a gente conseguirá dar esse salto de qualidade”, afirmou.

A ideia da reunião, segundo o presidente da Faepa, Carlos Xavier, é criar procedimentos uniformizados em relação à exportação do boi vivo, no Estado. “Não vamos nos dividir. Vamos ficar juntos”, afirmou, deixando claro que o desastre em Barcarena não pode prejudicar a economia paraense. Ele disse que a pecuária bovina paraense é o terceiro maior rebanho desse país (22 milhões de cabeças de bois). “É a principal atividade econômica deste Estado, estando presente em seus 144 municípios”, disse. “A melhor carne bovina do mundo é produzida no Pará. Nosso preço é competitivo e temos condições de logística para fazer a exportação e nós estamos criando embaraços para o desenvolvimento”, completou.

CONTROLE

Carlos Xavier disse que o boi do Pará “é o mais controlado do mundo. Para você vender um boi no Pará tem que atender todas as exigências ambiental e sanitária. Exigência estabelecida em um acordo internacional, do qual o Brasil é signatário, para acabar as doenças dos animais”. Ele também reafirmou que, apesar da importância do agronegócio para o Pará e para o Brasil, o governo vem criando embaraços

ao setor produtivo paraense. “O território paraense tem 76% preservados. Só utilizamos 24% do nosso território. Nenhum outro estado brasileiro tem isso, nenhum país do mundo tem isso. E ficam com exigências cada vez mais fortes, criando embaraços e criando impedimentos em uma legislação impraticável para que possamos fazer isso aqui na Amazônia”, disse.

Superintendente da ABEG, Gil Reis destacou que a exportação de bois vivos é extremamente importante para a geração de empregos e de riquezas para a economia paraense. Segundo ele, a atividade

representa o segundo item da pauta de comércio exterior do Estado, ficando atrás apenas das exportações de minério, mas com o diferencial de incentivar, aumentar e modernizar a produção rural da região. “Então a normalização do embarque representa a volta do produtor rural do Pará ao mercado internacional e a movimentação de uma grande cadeia produtiva, que gera divisas e contribui muito com o PIB (Produto Interno Bruto) do Estado”, afirmou.

Exportação do animal vivo, no Pará, é um regulador de preços

Reis disse que a normalização dos embarques de bois vivos é um tema muito importante para o Estado para evitar o risco de os compradores internacionais passarem a buscar alternativas em outros países para a demanda que vinha sendo atendida pelo Pará. Ainda segundo ele, as empresas que atuam na atividade de exportação de gado vivo estão atuando e tomando todas as providências possíveis para que os embarques de gado vivo no porto de Vila do Conde sejam normalizados o mais breve possível. Ainda conforme o superintendente da ABEG, o Pará é um Estado muito importante para esta atividade, sendo responsável por 95% da carga de boi vivo exportada pelo Brasil. Além disso, disse, o Pará deverá assumir

em breve a quarta colocação no ranking nacional de produção de gado, posição ocupada atualmente pelo Estado de Mato Grosso do Sul, conforme dados do Boletim Agropecuário do Estado do Pará 2015, da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agropecuário e Pesca (Sedap) em parceria com a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa). Gil Reis disse ainda que, nos últimos sete anos, 3,5 milhões de bois foram embarcados no Pará, sem o registro de acidentes.

Fonte: Matéria publicada no Jornal O Liberal, Caderno Poder, página 7 de 12.01.2016

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GMinssen

Exportadores pedem liberação emergencial para embarcar gado

Equipes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) vão acompanhar em conjunto nos próximos dias o plano emergencial que será apresentado pelos exportadores de boi em pé para exportação emergencial de 51 mil cabeças de bois do porto de Vila de Conde, em Barcarena, no nordeste paraense, na próxima semana.

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Foto: Tarso Sarraf/ Arquivo O Liberal

A decisão de manifestar provisoriamente a liberação do emergencial  do embarque de bois vivos, impedido há quase dois meses, saiu da reunião convocada pelo secretario de desenvolvimento economico Adnan Demachki,  com as presencas do secretario de meio ambiente do Estado Luiz Fernandes, Superintendente do Ibama Alex Lacerda, secretario Hildegardo Nunes, e representantes das empresas exportadoras Agropexport, Minerva Foods, Mercurio e ainda da Associação Brasileira de Exportadores de Gado (Abeg), na tarde desta terça-feira, 24.

A intenção é evitar maiores prejuízos ao setor com quebras de contratos e até novos danos ambientais, em razão do confinamento dos  51 mil bois, já comercializados e prontos para exportação em estações de pré-embarque, distribuídas em vários municípios do sul e sudeste do Pará, e que encontram-se já sem alimentacao adequada face ao excesso de tempo na quarentena desses Animais.

“Não estamos liberando o porto em definitivo, isso dependerá do cumprimento total das exigências feitas pelos órgãos ambientais. Trata-se de liberação provisória, emergencial, até para evitar novos danos econômicos e ambientais, pois há 51 mil bois confinados, prontos para embarque à espera dessa liberação, além da quebra de contratos já firmados pelo setor e impactos na área de logística da região de Barcarena’’, afirmou o Secretario de Meio Ambiente luiz Fernandes da Rocha na reuniao ontem a tarde no predio da Sedeme na Rua Senador Lemos

O Pará é o maior exportador de boi vivo do Brasil. Em 2014, foram exportadores 547 mil bois em 1.200 operações de embarque. Os gados são retirados das fazendas e enviados para estações de pré-embarque, onde recebem tratamento para engordar e seguir viagem para o exterior. Atualmente, a produção de bois vivos do Pará abastece 75% do consumo total da Venezuela e 65% do Líbano, além disso, 400 mil cabeças saem daqui, todos os anos, para o Nordeste brasileiro. “Temos o boi mais sadio do País, a exportação do boi em pé é a chancela da qualidade do boi do Pará. A França exporta boi vivo’’, disse Gastão Carvalho, fazendeiro e representante da Abeg, no Pará.

O governo do Estado tem reiteradamente trabalhado para a verticalização de todas as cadeias produtivas. Inclusive a pecuária. Precisamos agregar cada vez mais valor aos nossos produtos e também a carne. Contudo, a exportação de boi vivo é importante para o Estado e em especial para os pecuaristas de todo o Estado. A exportação de boi vivo ajuda a regular os preços para a pecuária e inclusive contribui com a própria agricultura de grãos, pois se produz ração do milho e soja produzidos no Pará para servirem de alimentação para o gado no transporte de navio. Claro que o desastre foi prejudicial a esse ramo da economia paraense, como também foi prejudicial à economia local em Barcarena, prejudicial a todos que exportam pelo porto e à imagem do Pará”, comentou Adnan Demachki.

Os exportadores relataram as dificuldades enfrentadas pelo segmento desde que o porto de Barcarena foi interditado há quase dois meses. Eles garantiram que já foram retiradas 526 toneladas de combustível do navio, que transportava cerca de 700 toneladas, o que significa 80% da carga total. O serviço completo deve ser concluído na sexta-feira, 27.

Eles afirmaram ainda que têm feito pressão junto ao armador, responsável pela retirada do navio e da carga afundada no porto, mas reconheceram que têm pouca ingerência sobre tal decisão, cujo prognóstico para finalização tem um prazo extenso, prevendo a retirada do navio em abril de 2016.  Os empresários afirmaram que tem total interesse em cumprir o que está posto pelos órgãos ambientais, mas reclamaram do pouco tempo hábil para fazer as coisas acontecerem.

Nas últimas semanas, os órgãos ambientais passaram a exigir um Plano de Contigenciamento, uma espécie de manual de o que fazer em eventuais novos acidentes com carga viva, em Barcarena, a empresa Minerva Foods contratou uma empresa para esse trabalho e protocolou o documento no dia 7 deste mês junto à Semas. A Secretaria, no entanto, encontrou falhas na operação descrita, o que gerou um Termo de Referência, cujo prazo de apresentação também foi reclamado pelos empresários.

“As exigências não são simples, mas nossa intenção é atender’’, afirmou Franklin Neiva, da Minerva Foods. “Temos informações de que a carga orgânica se reduziu significativamente, basicamente é osso e couro’’, completou ele.  O navio que afundou tem oito decks, já foram retiradas as cargas dos quatro decks superiores, os demais ainda têm óleo e as carcaças estão concentradas no porão da embarcação.

Fonte: ORM News

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Fatos e Acontecimentos

Embarques de bois vivos no Pará continuam suspensos

A Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) informa que recebeu da Companhia Docas do Pará (CDP) o plano de ação para lidar com o naufrágio de um navio com 5 mil bois no Porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA), ocorrido no dia 6 de outubro. A Semas também recebeu da empresa o plano de contingenciamento para o caso de futuros acidentes com cargas vivas no terminal.

Os dois documentos foram elaborados em parceria com a Minerva Foods, dona dos bois que seriam exportados para a Venezuela, e são considerados pré-requisito para a liberação do embarque de animais vivos em Vila do Conde. Em nota, a Semas informa que recebeu os planos na última semana, mas que ainda estão em fase de análise.

Esta é a segunda vez que as empresas entregam os relatórios técnicos à secretaria. A proposta apresentada em outubro não havia sido acatada, pois a Semas disse esperar um “plano de ação conclusivo” das partes e uma “solução ambiental viável” para a liberação dos embarques no porto. A maior parte da exportação nacional de gado em pé era feita por Barcarena, mas a licença para tal operação foi revogada após o naufrágio do navio Haidar, de bandeira libanesa. Anteriormente, a mesma licença havia sido concedida pela Semas sem que houvesse um plano de contingenciamento. Segundo a CDP, o Porto de Vila do Conde está operacionalmente apto a prosseguir com os embarques, embora o resgate do Haidar esteja em andamento.

portoA Semas afirma que reconhece a “importância fundamental que a atividade pecuária tem para a economia do Estado” e que se reuniu com representantes do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) para buscar soluções emergenciais que assegurem os embarques. A apresentação e aprovação dos planos, porém, é tida como essencial. Segundo a secretaria, quase 30 mil bois vivos continuam estocados em pontos de apoio de embarque, tendo como destino de saída o Porto de Vila do Conde.

Nesta semana, a Minerva reiterou que continua em busca de alternativas ao terminal para garantir a continuidade de suas vendas externas, mas a companhia não entrou em detalhes sobre as opções, que incluiriam o Porto de Itaqui (MA). A companhia é líder na exportação de bois vivos no País.

No que se refere às consequências do naufrágio, a Semas afirma que todas as carcaças bovinas que escaparam às barreiras de contenção e foram parar em praias turísticas da região já foram removidas. A retirada das 700 toneladas de óleo da embarcação está em andamento, mas restam mais de 4 mil carcaças bovinas dentro do navio, ainda submerso.

Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO

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Pecuária

Pará vai exportar 500 mil bois vivos

As exportações de boi vivo no Estado alcançaram 420 mil cabeças em 2012. A estimativa para 2013 é aumentar esse número para 500 mil cabeças. O Pará é o maior exportador, colocando 95% do boi vivo no mercado externo. Esse tipo de exportação representou a injeção de US$ 885 milhões no Estado no ano passado.

5911_576999635656783_747593136_nA Venezuela foi o país que mais importou gado vivo paraense em 2012 (368. 496 cabeças), vindo em seguida o Líbano (65.966 cabeças) e Egito (10.957 cabeças). No ano passado, o faturamento com as exportações de bovinos vivos correspondeu a 37% do PIB da pecuária paraense e 22% do PIB do agronegócio estadual.

As perspectivas de abertura de mercado internacional ficaram ainda maiores depois que o Estado do Pará se tornou 100% área livre de febre aftosa. A exportação de gado vivo brasileiro é feita em navios adaptados, ou seja, em navios que também transportam veículos, contêineres e outros. Além de serem antigos, alguns navios chegaram a quebrar e até naufragar em alto mar, tendo como consequência a morte de milhares de animais e tripulantes.

Em julho próximo, pela primeira vez estará no Pará, no porto Vila do Conde, em Barcarena o transatlântico “Ocean Outback” um dos navios mais modernos do mundo, considerado o “transatlântico do boi vivo”. O “bem-estar animal” se tornou hoje uma das principais bandeiras das entidades ambientalistas e o Ocean Outback, construído em 2010, foi criado com estrutura específica para transportar animais vivos e pode transportar até seis mil cabeças gado ou 25.000 ovelhas.

Adriano Caruso, general manager da Wellard Brasil, subsidiária da multinacional australiana Wellard, que construiu o navio, ressalta que o Ocean Outback é a nova geração em design de navio de gado. “O custo da embarcação ultrapassou os US$50 milhões. O projeto e a construção do navio estavam focados num objetivo, que é dar maior bem-estar e segurança aos animais, ao navio e à tripulação”, explicou.

O navio possui um sistema de propulsão independente duplo, motor separado e hélices, fornecendo níveis de redundância e, portanto, mais segurança, raramente vista em navios de cruzeiro e nunca antes construído em navios de gado. “O Ocean Outback foi classificado pelo Registro Italiano Navale (RINA) como um ‘Green Star navio’, devido a suas baixas emissões e projeto de prevenção de poluição e sistemas”, destaca Caruso.

O navio possui uma velocidade de 17 Knots sendo que, em média, os navios adaptados tem 12,5 Knots, uma diferença de 4,5 Knots. “Ou seja: uma viagem do porto de Barcarena ao porto Puerto Cabello na Venezuela levaria cinco dias e meio pelos navios adaptados. Já o Ocean Outback pode chegar em quatro dias, com uma redução considerável no tempo de viagem”.

Adriano Caruso possui experiência de mais de 680.000 animais embarcados no Brasil desde 2007. Ele diz que a Wellard possui mais quatro navios com a engenharia e tecnologia do Ocean Outback.

A Wellard do Brasil assinou este mês um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ministério Publico Federal, se comprometendo a praticar procedimentos pautados na defesa do meio ambiente.

Carlos Xavier, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), diz que a pecuária paraense tem demonstrado muita capacidade no aumento da sua produção, internalizando cada vez mais recursos para o Estado. “Hoje temos uma oferta de 4 milhões de cabeças para abate por ano. Dessas, 2,8 milhões são comercializadas diretamente nos frigoríficos, que são abatidos e comercializados no Estado e fora do Estado. Um milhão e 200 mil cabeças que são comercializadas vivas. Desses, algo em torno de 700 mil cabeças tem sido comercializadas nos últimos 20 anos para o nordeste brasileiro, em Estados que não tem a produção de matéria-prima nessa área”, contabiliza.

A partir de 2005/2006 o Pará começou a exportar boi vivo para o Líbano, depois Venezuela e hoje para o Egito. “O Pará atualmente representa 95% da exportação de boi vivo, em função da nossa pecuária e sobretudo da nossa condição portuária e logística. Os outros 5% são animais embarcados no Rio Grande do Sul”.

Fonte: Diário do Pará