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Pecuária

Técnica facilita adubação orgânica com dejetos

O método mede estimar a quantidade de nitrogênio e fósforo visando o aproveitamento desse material como fertilizante orgânico

Os dejetos da pecuária bovina têm grande potencial poluente e são um problema para os produtores. Em grande parte das propriedades paranaenses, terminam descartados diretamente no solo.

No entanto, esse resíduo – uma mistura de estrume, urina, restos de ração e água de limpeza proveniente, em sua maior parte, de salas de alimentação e ordenha – é rico em nitrogênio e fósforo, nutrientes que podem ser utilizados para a adubação de lavouras comerciais, explica a engenheira Graziela Barbosa, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná Iapar-Emater.

Foi pensando nessas duas características que a pesquisadora Graziela Barbosa desenvolveu uma metodologia para estimar a quantidade de nitrogênio e fósforo dos dejetos líquidos de bovinos, visando o aproveitamento desse material como fertilizante orgânico, em vez do simples descarte no solo. “A ideia era criar uma técnica rápida e possível de ser feita no campo para o produtor usar o dejeto com critério agronômico”, ela conta.

O resultado é a publicação “Uso do dejeto líquido de bovino baseado nos teores de nitrogênio e fósforo”, que apresenta a metodologia passo a passo e foi apresentada no início deste mês em Cascavel (Oeste do Paraná), durante o Show Rural. Além de Graziela Barbosa, também figuram como autores da obra o pesquisador Mário Miyazawa, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná Iapar-Emater, e Danilo Bernardino Ruiz, doutorando em química na Universidade Estadual de Londrina (UEL).

TÉCNICA – O cálculo do teor de nitrogênio e fósforo presente nos dejetos é feito com ajuda de um densímetro. Trata-se de um instrumento de laboratório parecido com aquele que se vê nas bombas dos postos de combustível, e que pode ser encontrado com facilidade no comércio, segundo a pesquisadora.

A partir da medida obtida no densímetro, o produtor consulta uma tabela para saber quanto há de nitrogênio e fósforo nos dejetos de sua propriedade.

“Além de dar uma destinação adequada aos dejetos que gera na propriedade, o produtor diminui a quantidade desses nutrientes na adubação química e, com isso reduz o custo de produção da lavoura”, esclarece Graziela Barbosa.

A pesquisadora aponta que perto de 170 mil propriedades dedicadas à pecuária no Paraná podem aproveitar dejetos líquidos de bovinos na adubação de lavouras e, dessa forma, reduzir o risco de poluição do solo e dos rios.

PARCERIA – O desenvolvimento da tecnologia resulta de parceria entre o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná Iapar-Emater, Itaipu Binacional e Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio (Fapeagro), no âmbito do Projeto Ibitiba, um convênio de cooperação técnica entre as três entidades com o objetivo de promover e apoiar o desenvolvimento agrícola sustentável da Região Oeste do Paraná.

Reposts: Agrolink

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Agronotícias

Média diária de exportação de carne de boi está 24% maior, aponta Agrifatto

Caso sigam neste ritmo, o volume embarcado deve crescer quase 40% em fevereiro se comparado ao desempenho no mesmo período do ano passado; saiba mais

Foto: Pixabay

Nos primeiros 11 dias úteis de fevereiro, a média diária de exportação de carne bovina in natura está 24,2% acima de igual período de 2018, informou a consultoria Agrifatto em nota. Em relação a janeiro de 2019, o avanço é de 45,9%. Até o momento, neste mês, foram vendidas ao exterior 74,7 mil toneladas de carne bovina in natura, com base nos números do Ministério da Economia, o que resulta em média diária de 6,79 mil toneladas.

A consultoria informa que a receita média por tonelada foi de US$ 3.783,56, resultando em faturamento de US$ 282,64 milhões no período. “Em janeiro/2019 e fevereiro/2018, a receita média foi de US$ 3.748,40 e US$ 4.000,50 por tonelada, respectivamente”, diz a Agrifatto.

A consultoria considera que se a média diária atual se repetir no restante do mês (20 dias úteis), projeta-se que em fevereiro serão embarcadas 135,82 mil toneladas de carne bovina in natura, avanço de 38% em relação a fevereiro de 2018.

Em boletim anterior, a Agrifatto projetava embarques maiores para o segundo mês do ano, de 142,71 mil toneladas (45% mais ante fevereiro de 2018), também com base na média diária até então, que era de 7,1 mil toneladas nas duas primeiras semanas do mês.

Repost: Estadão Conteúdo

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Mercado pecuário

BOI/CEPEA: Lenta recuperação da economia pode limitar demanda – Cepea

Fonte: Internet

Em 2017, o principal desafio do setor pecuário brasileiro deve ser a demanda doméstica por carne bovina. Conforme pesquisadores do Cepea, o lento ritmo de crescimento do Brasil projetado para este ano deve manter enfraquecido o poder de compra do consumidor.

Esse cenário, combinado à expectativa de aumento da oferta, pode pressionar as cotações em todos os elos da cadeia ao longo de 2017. Caso os valores subam, o movimento deve ficar abaixo da inflação esperada para o ano, de 5,13%, de acordo com o Banco Central. Nesse contexto, a conta do produtor só fecha com aumento de produtividade.

Fonte: Cepea

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Suinocultura

Preço de suínos está mais competitivo do que carne bovina no atacado – Globo Rural

A constatação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-USP)

Foto: Ernesto de Souza / Editora Globo.
Foto: Ernesto de Souza / Editora Globo.

Os preços da carne suína, no atacado da Grande São Paulo, ganharam competitividade em relação à carne bovina ao longo deste mês, na comparação com o registrado em novembro de 2015 e 2014. A constatação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-USP), em análise semanal sobre o setor.

Segundo os estudiosos, a diferença entre a carcaça casada bovina e a especial suína está em R$ 3,82/kg neste mês, ante R$ 3,35/kg em novembro de 2015 e de R$ 1,39/kg em novembro de 2014. O Cepea destaca que os preços da carne suína tendem a subir no fim do ano, impulsionados pela época de Festas Natalinas, já que os frigoríficos se antecipam iniciando a formação de estoques.

No entanto, neste mês, apesar a melhora da demanda, os valores estão praticamente estáveis. Na parcial deste mês (até o dia 22), a carcaça especial suína é negociada, em média, a R$ 6,21/kg, valor 0,3% menor que o de novembro/15 e quase 20% inferior ao de novembro/14. Já a carcaça casada bovina apresenta média de R$ 10,03/kg, a maior para um mês de novembro, em termos nominais, 3% acima da de novembro/15 e 11,3% superior à de novembro/14.

Fonte: Globo Rural

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Mercado pecuário

Boi Gordo: Mercado com oferta enxuta e preços firmes – Notícias Agrícolas

Foto: José Adair Gomercindo-SECS
Foto: José Adair Gomercindo-SECS

Mercado do boi gordo com oferta enxuta e preços firmes nesta quarta-feira.

A pequena disponibilidade de boiadas mantém os preços sustentados. Na maioria dos estados, as indústrias que não têm contratos a termo ou parcerias estão com suas programações especialmente apertadas.

No balanço geral, o boi gordo subiu em oito das trinta e uma praças pesquisadas pela Scot Consultoria, o que retrata o cenário de cotações em alta em grande parte do país. 

Porém, para a carne bovina, a situação é de mercado mais frouxo. 

Apesar dos estoques ainda enxutos, os preços da carne com osso tiveram queda no atacado. O boi casado de animais castrados está cotado em R$9,89/kg, queda de 2,9% desde o início desta semana.

Em curto prazo, este pode ser um fator limitante para valorizações mais expressivas para a arroba.

Fonte: Notícias Agrícolas

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Suinocultura

Suíno Vivo: Estabilidade marca o mercado neste final de mês – Notícias Agrícolas

Na quarta-feira (28) os preços do suíno vivo no mercado independente fecharam estáveis. A demanda evoluí lentamente e os preços do animal vivo continuam com dificuldade de elevação.

Fonte: Internet
Fonte: Internet

Nessa semana, quatro praças definiram manutenção nas cotações, ao passo que somente Santa Catarina registrou acréscimo de R$ 0,10 na referência, fechando cotado a R$ 3,90/kg.

Já Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Rio Grande do Sul têm cotações estáveis. As praças mineiras e goianas mantiveram os preços em R$ 4,20/kg. Em São Paulo, a APCS/Bolsa de Suínos informou permanência na referência entre R$ 4,11 a R$ 4,21/Kg. E o mesmo cenário foi observado no mercado gaúcho com manutenção de R$ 3,92 o quilo do animal vivo, condição bolsa.

Devido à restrição do consumo, os preços da carne suína no atacado também registram quedas. Com isso a proteína bovina ficou, em setembro, menos competitiva em relação à carne suína.

De acordo com dados da Scot Consultoria, atualmente é possível comprar 1,7 quilos de carne suína com um quilo de carne bovina (boi casado) no atacado em São Paulo. Este valor é 28,0% maior quando comparado ao mês anterior.

Este cenário é resultado das recentes altas para a carne bovina (16,4%) e queda para a carne suína (9,1%).

Como fator positivo está à demanda externa, que vem reagindo de maneira oposta ao consumo no mercado brasileiro. A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) aponta que em agosto houve acréscimo de 30,7% na comparação com o mesmo período de 2015.

Além disso, o Brasil poderá receber 15 missões veterinárias de vários países, até o final do ano, para inspeção sanitária em estabelecimentos registrados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Quatro delas já estão confirmadas, sendo uma de Cuba (para carne suína e de aves); e outra da Bolívia (para carnes de aves, bovina e suína).

Por: Larissa Albuquerque

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Pecuária

Fertilização in vitro pode acelerar melhoramento genético de rebanhos leiteiros – Embrapa

Com o uso da técnica de fertilização in vitro (FIV) na reprodução de bovinos leiteiros, o caminho da seleção e do melhoramento genético pode ser encurtado em pelo menos três gerações ou cerca de 10 anos de seleção, permitindo rápidos saltos na produção e na qualidade do leite. Pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) trabalham no aperfeiçoamento da técnica para mostrar que o procedimento é o investimento mais assertivo para que os produtores melhorem o padrão genético dos rebanhos.

Foto: Breno Lobato
Foto: Breno Lobato

Apesar de um pouco mais cara que a inseminação artificial por tempo fixo (IATF), a FIV pode contribuir para o aumento da produtividade em bacias leiteiras como a do Distrito Federal e dos municípios vizinhos. Considerando hipoteticamente um rebanho de produção média de 4.000 kg de leite/lactação, se fosse utilizada a inseminação artificial com sêmen de um touro que adicione 500kg de leite/lactação em sua filhas, seria necessário aproximadamente 30 anos para se obter um fêmea com produção de 9.000 kg de leite/lactação. Com a FIV, utilizando uma fêmea superior (9.000kg/lactação) de outro rebanho e o sêmen sexado do touro do exemplo acima, já na primeira geração (três anos) seria possível obter uma fêmea com produção média de 9.500kg/lactação. A produção de leite da primeira lactação desta fêmea já pagaria com tranquilidade o investimento com a compra de genética, por meio de prenhezes de FIV.

Martins explica que muitos criadores não incorporam genética de qualidade aos rebanhos por falta de conhecimento. Mas, segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, a FIV está cada dia mais acessível, sendo realizada por um crescente número de laboratórios. Dados da International Embryo Transfer Society (IETS) apontam que o Brasil é líder mundial na produção de embriões bovinos por FIV. Em 2013, ano do último relatório publicado pelo IETS, o País produziu mais de 366 mil embriões bovinos pela técnica, ou 70,8% do total mundial.

“Talvez os criadores não saibam que podem comprar um processo de tecnologia ou genética por um preço mais baixo que há alguns anos. É possível financiar a aquisição de prenhezes de animais extremamente produtivos e premiados e obter retorno imediato, já que as mães e os pais são provados (avaliados em provas de genética) e a chance de as filhas serem grandes produtoras de leite é bastante elevada”, explica o pesquisador Carlos Frederico Martins, da Embrapa Cerrados.

No DF, a maioria dos produtores de leite é de pequeno e médio porte, sendo que 80% das propriedades têm área de até 20 hectares. Segundo especialistas, o fraco desempenho produtivo na região tem estreita ligação com a qualidade genética dos rebanhos, predominantemente mestiços das raças Gir e Holandês e sem registro de genealogia. “A monta natural ainda é muito utilizada, principalmente por pequenos produtores. Isso atrasa a seleção genética, pois os cruzamentos são feitos sempre com os mesmos touros, e esses animais normalmente não são provados”, aponta.

Resultados no campo

Produtor e selecionador de Gir Leiteiro em Planaltina (DF) há mais de 30 anos, Paulo Horta começou a contar com a tecnologia ainda no início da década de 1990. Ele destaca que a FIV permite ganho de tempo e de velocidade na seleção genética. “Tenho uma vaca top, de alta lactação, que rendeu 12 prenhezes em uma aspiração folicular. Podemos multiplicar rapidamente uma cabeceira de rebanho”, diz Horta, que também utiliza sêmen de touros provados em programas de avaliação como os da Embrapa.

Para o produtor, o avanço genético permitido pela técnica é significativo, uma vez que o potencial do animal já se traduz em aumento de produção logo na primeira geração, e o investimento já é pago. “A FIV e a transferência de embriões mudaram tremendamente o Gir Leiteiro nos aspectos de venda e genética”. Horta é usuário de tecnologias reprodutivas desde que iniciou na atividade – o primeiro animal Gir Leiteiro da propriedade nasceu de inseminação artificial em outubro de 1983. “Sou pequeno produtor, comecei do zero. Então, tenho que ganhar em tecnologia e me cercar de bons profissionais”, afirma, destacando o apoio técnico da Emater-DF e da Embrapa.

Marcelo Toledo, superintendente técnico da Associação de Criadores de Zebu do Planalto (ACZP), filiada à Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), diz que ainda faltam políticas públicas para facilitar o acesso dos pequenos produtores à técnica. “Com o aumento da concorrência entre laboratórios, o custo da FIV tem diminuído, ficando cada vez mais acessível. Antes, você não conseguia uma prenhez por menos de R$ 800, e hoje há empresas oferecendo por R$ 400. A logística no DF é favorável e existem linhas de crédito, mas é preciso haver um trabalho direcionado para essa tecnologia”, afirma.

A técnica e suas vantagens

Na FIV, oócitos (células sexuais femininas) aspirados dos folículos ovarianos de uma vaca são fecundados, em laboratório, por espermatozoides contidos no sêmen de um touro. Os embriões originados desse processo são transferidos a uma fêmea receptora, que deve ser preferencialmente novilha ou vaca de primeira cria. Por essa técnica, uma fêmea pode produzir, em média, 10 embriões, considerando-se a taxa de 50% de sucesso na fecundação. Isso permite a triagem dos animais de forma mais rápida que na IATF, técnica que gera apenas um embrião por inseminação.
 
A cada 15 dias, uma nova aspiração folicular pode ser feita, obtendo-se assim mais prenhezes. Como o sêmen de vários touros pode ser usado, a técnica permite variabilidade genética. “Mesmo se a vaca doadora ficar prenha, é possível fazer aspirações durante os cinco primeiros meses de gestação. Com oito aspirações em apenas quatro meses, por exemplo, obtém-se cerca de 80 embriões e 32 a 40 prenhezes, contra apenas uma prenhez para cada IATF, que vai imobilizar a fêmea por quase um ano”, explica Martins.

Segundo o pesquisador, para quem seleciona genética, o uso da FIV permite um salto de três gerações em comparação à monta natural e à IATF: “É o tempo de o animal crescer e ter a primeira lactação. Para quem está formando o rebanho, a técnica é ainda mais indicada, porque você vai direto ao que há de melhor em genética, juntando a melhor fêmea provada com o melhor touro e produzindo embriões em escala”.

Outra vantagem é a maior eficiência na utilização do sêmen sexado para fêmea, ferramenta muito importante para a pecuária de leite, pois proporciona cerca de 90% de chances de nascimento de animais do sexo feminino. “Você dirige o melhoramento. Com o sêmen não sexado, a chance de nascer fêmeas é de apenas 50%. Já com o sêmen sexado, aumenta a chance de o produtor obter mais fêmeas extremamente melhoradas na propriedade sem a necessidade de descartar ou vender os machos”, ressalta.

Custo que compensa

Apesar de mais elevado que o da IATF, o custo da FIV com sêmen sexado de um touro de elevado valor genético é inferior ao de um animal arrematado em leilão – e que pode não ter sido avaliado em provas de genética, o que não garante a certeza de filhas produtivas. Martins explica que por R$ 2 mil, o criador pode adquirir uma prenhez de elevado valor genético, produzido com espermatozoide de um touro bem ranqueado em teste de progênie e com oócito de vaca provada. Mas ele não consegue comprar bons animais num leilão por esse preço. “É, portanto, um investimento com retorno rápido e assertivo, com quase 100% de chance de inserção de uma boa genética no rebanho”, garante. “A partir do momento em que essa genética de qualidade é instituída na propriedade, o ganho é imediato. A produção pode duplicar ou triplicar com essa ação”, completa Marcelo Toledo, da ACZP.

A IATF é um procedimento mais simples que a FIV e até mais barato que a própria monta natural, por eliminar a necessidade de manter touros na propriedade. O produtor pode comprar doses de sêmen de diferentes touros provados, ganhando em variabilidade genética. A desvantagem é que não há garantia de alta eficiência de prenhez quando se utiliza sêmen sexado na técnica.

Caso o criador utilize na IATF sêmen sexado de um touro provado de boa qualidade, deve desembolsar cerca de R$ 120 por dose, sendo que cada dose é inseminada em apenas uma fêmea. Martins ressalta: “A IATF não garante um rebanho com genética melhorada em curto tempo. Haverá prenhez de animais certamente superiores, mas será no máximo uma para cada inseminação. E o produtor ainda corre o risco de perder uma dose de sêmen num valor mais elevado na inseminação (que não resultar em prenhez)”.

Já na FIV, a dose de sêmen sexado é maximizada, garantindo economia com o material genético do macho. Produtor e selecionador das raças Gir Leiteiro e Girolando em Paracatu (MG), a 230 km de Brasília, Rodrigo Borges passou a utilizar a técnica em 2009. Ele estima que pelo menos 60% dos animais criados e comercializados pela propriedade desde então sejam oriundos da FIV.  “Além de multiplicar animais identificados como superiores, o custo do sêmen sexado é diluído no maior número de prenhezes, já que uma dose pode ser usada em até 200 oócitos e gerar vários embriões ao mesmo tempo”, diz. Outra vantagem, segundo Borges, é que a técnica dispensa o uso de hormônios nas vacas doadoras. “Nunca tive problemas de perda de vacas ou de fertilidade dos animais por causa da FIV”, completa.

Além de comercializar prenhezes de Gir Leiteiro e de Girolando para diversas regiões do País, ele tem feito parcerias com pequenos produtores de Paracatu, Luziânia (GO) e Cristalina (GO) para compartilhar genética Girolando meio sangue. As fêmeas selecionadas do produtor são aspiradas e os oócitos fertilizados em laboratório. Os embriões resultantes são inseridos em vacas dos produtores parceiros. “A produção é dividida de acordo com o que cada um paga ao laboratório. É uma relação ganha-ganha, já que aumentamos o número de receptoras e os parceiros têm acesso mais facilitado à FIV”, garante.

Carlos Frederico Martins salienta que o produtor que ainda não conta com animais de valor genético na fazenda não deve utilizar a FIV com o material genético do próprio rebanho, pois nesse caso a técnica não trará benefícios. Ele recomenda que o produtor primeiro identifique o material genético de um animal diferenciado no mercado, com características desejáveis, para depois iniciar o processo na propriedade.

Benefícios para a cadeia produtiva

No Centro de Tecnologias em Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL) da Embrapa Cerrados, os trabalhos de pesquisa buscam a validação de animais de genética superior nas raças Gir, Sindi e Girolando, além de acelerar a multiplicação de animais de alta produção de leite por meio das técnicas de reprodução, entre elas a FIV.

A estratégia do CTZL é formar um rebanho forte de Zebu, com Gir, Sindi e Guzerá, que servirá de base para a formação de rebanhos mestiços, utilizando o melhor touro de uma raça com a melhor vaca de outra e vice-versa. “A ideia é testar diferentes formas de se fazer mestiços. Queremos fazer o Sindolando, animal um pouco maior, rústico e voltado à maior produção de leite, o Sinjersey, que é um animal menor, com leite rico em sólidos e com maior produção, além de um rebanho Girolando de alta produção em escala”, projeta Martins.
 

 

Breno Lobato (MTb 9417/MG)
Embrapa Cerrados

Fonte: Embrapa

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Pecuária

Pesquisa mostra que carne do peito bovino é boa para a saúde – BeefPoint

A carne moída produzida a partir do peito bovino – brisket – contém altos níveis de ácido oleico, o que aumenta os níveis de colesterol HDL ou colesterol “bom” em humanos, disse o pesquisador do Texas A&M AgriLife Research, Stephen Smith.

Fonte: Internet
Fonte: Internet

“O peito tem mais ácido oleico do que o flanco ou plate, que são cortes tipicamente usados para produzir carne moída”, disse ele. “A gordura no peito também tem um baixo ponto de fusão, motivo pelo qual o peito é tão suculento. É por isso que gostamos tanto dele aqui no Texas e é, de longe, a opção mais popular para o churrasco do Texas”.

“O principal objetivo do meu programa de pesquisa é avaliar os métodos para aumentar o marmoreio e tornar a carne bovina mais saudável. Meu universo se desenvolve ao redor do ácido oleico. Esse é o ácido graxo mais abundante da carne bovina. Também é mais abundante no óleo de canola e oliva. Quando os bovinos são alimentados com dietas altamente concentradas por um período longo, a carne se torna rica em ácido oleico e outras gordura monoinsaturadas”.

Em estudos conduzidos no Texas A&M, Smith disse que os resultados mostraram que o bom colesterol sempre aumenta em pessoas que consomem carne moída rica em ácido oleico. “A carne moída não matará você. Quando você tira a gordura da carne, isso reduz o LDL, mas também reduz o HDL. Nossos estudos mostraram que a gordura é um componente muito importante da carne”.

Fonte: MeatingPlace.com, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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Mercado pecuário

Exportação de carne bovina recua 6% em julho, revela Abrafrigo – Globo Rural

Mercado externo continua preocupando frigoríficos brasileiros, avalia entidade que representa pequenas e médias do setor 

Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo
Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo

A exportação de carne bovina in natura e processada registrou queda de 6% em julho em comparação com igual mês do ano passado. O setor embarcou 105.041 toneladas ante 111.835 toneladas no mesmo mês do ano passado. O faturamento teve queda de 18%, na mesma base de comparação, para US$ 408,7 milhões.

Estas informações são da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), compiladas pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). A instituição afirma que o “mercado externo continua preocupando frigoríficos brasileiros” e que esta foi a primeira vez neste ano que as exportações apresentaram um resultado mensal inferior aos meses de 2015.

“E a base de comparação não é boa porque 2015 já foi um ano de redução nas exportações”, afirma relatório da associação. No acumulado do ano, as exportações estão 10% maiores do que no mesmo período do ano passado, com 818,120 mil toneladas e faturamento de US$ 3,13 bilhões (-2%).

Principais compradores

Pelos dados da Abrafrigo, entre os principais compradores, o mercado chinês continua ampliando suas aquisições: pela cidade Estado de Hong Kong a importação nos primeiros sete meses do ano foi 177.764 toneladas (+16%). Pela China Continental as importações subiram de 15.140 toneladas para 90.362 toneladas, na mesma base de comparação.

Já a Rússia importou 26% menos, caindo para 82.104 toneladas. Os Estados Unidos reduziram suas compras de 20.210 toneladas no ano passado para 18.278 toneladas neste ano (-9,6%).

Fonte: Globo Rural

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Pecuária

Medicamento com nanotecnologia é aposta da pesquisa para tratar mastite bovina – Embrapa

Um produto baseado na nanotecnologia é a mais nova aposta da pesquisa agropecuária para enfrentar a mastite bovina – a inflamação da glândula mamária que afeta rebanhos leiteiros em todo o mundo. Acredita-se que uma em cada quatro vacas apresente a mastite pelo menos uma vez ao longo de sua vida produtiva. Desenvolvida pela Embrapa Gado de Leite (MG) e a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), a tecnologia será oferecida em edital voltado a interessados na produção e comercialização desse novo medicamento. O objetivo é buscar parceiros junto à indústria farmacêutica interessados em levar o produto ao mercado. O edital será publicado no dia quatro de agosto no site da Embrapa Gado de Leite (www.embrapa.br/gado-de-leite/licitacoes).

Humberto Nicoline - Mastite bovina: um dos grandes problemas da pecuária de leite
Humberto Nicoline – Mastite bovina: um dos grandes problemas da pecuária de leite

Embora o Brasil não possua números oficiais dos prejuízos causados pelo problema, estima-se que o impacto alcance até 10% do faturamento das propriedades. O pesquisador Guilherme Nunes de Souza avalia que, somente nos Estados Unidos, onde as estatísticas sobre a questão estão mais avançadas, a mastite provoque perdas anuais da ordem de dois bilhões de dólares por ano devido à redução na produção, ao descarte do leite e de animais e aos custos com medicamentos e honorários veterinários.

Uma das respostas da pesquisa agropecuária a essas perdas está na nanotecnologia, ciência que manipula partículas em escala microscópica (até um bilhão de vezes menor do que o metro) e tem revolucionado a farmacologia mundial. O pesquisador Humberto de Mello Brandão trabalha há dez anos no desenvolvimento de nanoestruturas capazes de tornar mais eficiente a ação dos antibióticos contra a mastite.

Brandão explica que nem todos os antibióticos conseguem atuar de forma ampla para combater os agentes que provocam a mastite. Segundo o especialista “com o tratamento convencional, bactérias como oStaphylococcus aureus, grande responsável pela doença, costumam ser eliminadas fora das células fagocitárias (de defesa do organismo), mas continuam vivas no espaço intracelular. Quando a célula fagocitária morre, a bactéria fica livre e volta a se proliferar no interior do úbere da vaca, dificultando a cura dos animais tratados”.

Isso explica por que essa inflamação é tão difícil de ser combatida. Segundo Nunes, a possibilidade de se eliminar o Staphylococcus aureus durante o período de lactação, via tratamento intramamário, gira em torno de 30%. Com o tratamento da vaca seca (início do período entre as lactações) é possível obter êxito de até 80%. “Dificilmente a eliminação se dá totalmente”, afirma o pesquisador.

Numericamente, os resultados clínicos obtidos com a nova formulação, resultaram num incremento de até 15% no combate ao Staphylococcus aureus em comparação ao medicamento convencional. Brandão ressalta que esses resultados foram obtidos com a metade da dose do antibiótico. “Em nossas pesquisas, o número de animais portadores de mastite infecciosa diminuiu”, comemora o pesquisador, que completa: “o medicamento também demonstrou potencial para prevenir novas infecções”.

Como atua a nanoestrutura

A diferença entre o tratamento convencional e a utilização de nanoestruturas está basicamente em como o medicamento é carreado no organismo. Em tese, nada muda em relação ao princípio ativo em si (o antibiótico), mas no seu transporte até às células. O antibiótico é encapsulado em uma nanopartícula menor do que a célula. Essa nanoestrutura possibilita que o medicamento chegue a compartimentos biológicos que formulações farmacêuticas convencionais não têm acesso como, por exemplo, o interior das células de defesa da glândula mamária.

A partir daí, é feita uma liberação controlada e direcionada do antibiótico diretamente no local onde o agente causador da doença fica protegido das formulações convencionais. Por ser mais eficiente e utilizar de forma mais racional os antibióticos, a nanoestrutura dificulta a seleção de bactérias resistentes, aumentando a vida útil do fármaco.

O projeto de pesquisa que deu origem ao produto, que será submetido às indústrias farmacêuticas por meio de edital público, teve início em 2007. As pesquisas contaram com o financiamento da Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais) e foram desenvolvidas nos laboratórios da Embrapa e da Faculdade de Farmácia da UFOP. Nesse período, foram realizados diversos ensaios para garantir a segurança do medicamento.

Mastite

A inflamação da glândula mamaria das vacas tem como consequência a redução da produção, a perda da qualidade do leite, o descarte prematuro ou até a morte do animal. O controle da doença se dá por meio de práticas de manejo corretas, entre elas, a desinfecção das tetas antes e após a ordenha. A prevenção e o tratamento são realizados em todo o rebanho no período de secagem das vacas, quando é administrado um antibiótico preventivo em todos os quartos mamários do animal. Esse é um dos momentos em que o antibiótico nanoestruturado alcança sua maior eficiência.

 

Rubens Neiva (MTb 5445)
Embrapa Gado de Leite

Fonte: Embrapa