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BRF dispara mais de 8% com Pedro Parente cotado para presidir Conselho

Pedro Parente, indicado para assumir a presidência da Petrobras, no Palácio do Planalto. 19/05/2016 REUTERS/Adriano Machado

As ações da BRF (SA:BRFS3) aceleram o ritmo de valorização e agora sobem 8,56% a R$ 22,84, com a divulgação da notícia de que o atual presidente da Petrobras (SA:PETR4), Pedro Parente, deverá substituir Abílio Diniz na presidência do Conselho de Administração da companhia. As informações são do site do jornal Folha de S. Paulo.

As negociações, capitaneadas por Abílio, ainda estão em andamento e devem ser confirmadas na quinta-feira. De acordo com a publicação, Parente só deve aceitar o desafio se seu nome for consenso entre os acionistas. O presidente da Petrobras é atualmente também membro do conselho da B3 e, caso aceite a oferta, deverá deixar a administradora da bolsa paulista.

Caso o nome de Parente seja realmente confirmado, a Folha informa que o fundo britânico Aberdeen, que tem 5,02% da BRF, deve retirar o pedido de possibilidade de voto múltiplo. Com isso, deve ser apresentada uma única chapa na assembleia que acontece no dia 26.

O nome de Parente teve resistência inicial dos fundos de pensão Petros e Previ, já que o executivo que comanda a Petrobras é muito bem avaliado pelo mercado e apontado como um dos responsáveis pela recuperação da estatal.

Furlan

Luiz Fernando Furlan, 15º maior acionista da BRF, disse em teleconferência com jornalistas que a empresa precisa de um conselho que trabalhe como equipe e que permita que a companhia avance no preenchimento de importantes posições executivas.

“Brigas por poder destroem valor na companhia”, afirmou Furlan, cuja família fundou a empresa que posteriormente se uniu à rival Perdigão para criar a BRF. “A companhia precisa recuperar sua posição de liderança e retomar o crescimento”.

Furlan disse que hoje há 14 candidatos para 10 assentos no conselho. Esse número pode crescer, já que acionistas podem propor outros nomes, até o dia da assembleia de acionistas programada para 26 de abril, quando o novo conselho será eleito.

Entenda a crise

O fraco resultado em 2017, com prejuízo total de R$ 1,1 bilhão e a Operação Carne Fraca levou os fundos de pensão Petros (Petrobras) e Previ (Banco do Brasil (SA:BBAS3)) a convocar uma assembleia extraordinária para a substituição Abílio Diniz na presidência do conselho.

Os acionistas da BRF estão em guerra pelo comando da companhia. De um lado, os fundos de pensão Petros (Petrobras) e Previ (Banco do Brasil). Do outro, Península (holding da família Diniz) e o fundo Tarpon (SA:TRPN3).

Os fundos são donos de 22% do capital da empresa e já haviam indicado o nome de Augusto Cruz, presidente do conselho da BR Distribuidora (SA:BRDT3), para o posto de Abílio. Por outro lado, o ex-dono do Grupo Pão de Açúcar (SA:PCAR4) tentava emplacar o nome de Luiz Fernando Furlan, herdeiro da Sadia.

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Operação Trapaça: PF cumpre mandados de prisão em nova fase da Carne Fraca

A Polícia Federal cumpre 91 ordens judiciais da Operação Carne Fraca, em São Paulo, e em outros quatro estados: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás, e já prendeu o ex-presidente da BRF, Pedro de Andrade Faria, e o vice-presidente de Operações Globais da empresa, Hélio Rubens Mendes dos Santos Júnio. A BRF é dona das marcas Sadia e Perdigão. Executivos em cargos de gerência da companhia também tiveram pedido de prisão. Ao todo, são 11 mandados de prisão temporária, 27 de condução coercitiva e 53 de busca e apreensão. Esta é a terceira fase da Carne Fraca e recebeu o nome de “Operação Trapaça”.

operação carne fraca - operação trapaça
O nome dado à fase é uma alusão ao sistema de fraudes operadas por um grupo empresarial do ramo alimentício e por laboratórios de análises de alimentos a ele vinculados

Segundo a Polícia Federal, as investigações mostraram que cinco laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura e setores de análise de determinado grupo fraudavam os resultados dos exames de amostras do processo industrial. O objetivo era burlar a inspeção e, assim, impedir a fiscalização do ministério sobre a qualidade do processo industrial da empresa investigada. A Polícia Federal argumenta que as fraudes tinham a anuência de executivos da companhia, além do corpo técnico e de profissionais que respondiam pela qualidade dos produtos da empresa.

Pedro de Andrade Faria, preso na operação, foi presidente global da BRF entre 2014 e 2018. Entre 2002 e 2013, ele trabalhou na Tarpon Investimentos, sócia da BRF, para onde voltou no início deste ano. A BRF é um dos principais negócios da gestora de investimentos.

Manobras extrajudiciais 

Também foram constatadas manobras extrajudiciais, operadas pelos executivos do grupo, com o fim de acobertar a prática desses ilícitos ao longo das investigações. O nome dado à fase é uma alusão ao sistema de fraudes operadas por um grupo empresarial do ramo alimentício e por laboratórios de análises de alimentos a ele vinculados.

Os investigados poderão responder, dentre outros, pelos crimes de falsidade documental, estelionato qualificado e formação de quadrilha ou bando, além de crimes contra a saúde pública. A Carne Fraca investiga suposto esquema de corrupção e indicações políticas envolvendo frigoríficos brasileiros. A primeira fase da operação foi deflagrada em março do ano passado.

Salmonela seria alvo

Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), o foco principal da operação é a fraude nos resultados associados ao grupo de bactérias Salmonella spp. Nem toda salmonela faz mal à saúde: segundo o sindicato, ela é comum em carne de aves porque faz parte da flora intestinal destes animais, mas, em geral, é destruída no preparo regular dos alimentos.

Dois tipos de salmonela, no entanto, trazem danos à saúde pública e outros dois à saúde animal. O sindicato defende que, ao serem detectados, é preciso desencadear uma série de procedimentos dentro de granjas e nos produtos, com objetivo de garantir a segurança alimentar do consumidor.

Segundo o jornal “Valor Econômico”, a operação desta segunda-feira acontece a partir de informações repassadas aos investigadores por Daniel Gonçalves Filho, acusado de ser o chefe de um esquema de corrupção no Ministério da Agricultura no Paraná. Gonçalves Filho fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República, que foi homologado em 19 de dezembro de 2017 pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

A BRF está no meio de um grande movimento para mudar sua gestão, depois da divulgação de um prejuízo recorde de R$ 1,1 bilhão em 2017. Fundos de pensão como Petros (dos funcionários da Petrobras, com 11,4% da BRF) e Previ (do Banco do Brasil, com 10,7%), além do fundo britânico Standard Life Aberdeen (5%) e a gestora carioca JGP (0,34%), querem destituir o empresário Abilio Diniz da presidência do conselho de administração.

Ações de frigoríficos caem 

As ações de frigoríficos recuaram nesta segunda-feira (5). Às 10h49, os papéis da BRF despencavam 11,12%, depois de ficarem em leilão na Bolsa. O leilão é um mecanismo adotado pela Bolsa brasileira como proteção contra fortes oscilações de ações. No mesmo horário, os papéis da JBS caíam 3,90%. A Marfrig recuava 1,42% e a Minerva, 2,67%. A Bolsa brasileira tinha queda de 0,50%, para 85.333 pontos.

No leilão de ações, a Bolsa não fecha negócios com os papéis à medida que as ofertas chegam, como ocorre normalmente durante as negociações: as ofertas de compra e de venda das ações são apenas registradas e só depois de todas aceitas é que os negócios são fechados, quando os preços de compra e venda se encaixam. Durante esse processo, as ações saem do pregão. Mas a Bolsa não utiliza o termo “suspensão” para caracterizar o leilão, já que os papéis continuam recebendo ofertas.

A intenção do leilão é evitar que os valores continuem oscilando de maneira descontrolada. No caso da desvalorização de um papel, isso é possível porque, no leilão, são registradas apenas ofertas de compra a valores iguais ou maiores que o preço da ação naquele momento. O mecanismo também vale para casos de valorização a partir de 10%, com o propósito de evitar altas mais expressivas.

As informações são do jornal O Globo, jornal Valor Econômico e Folha de São Paulo.

Fonte: MilkPoint