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As consequências das mudanças macroeconômicas para o agronegócio – Globo Rural

Foto: ThinkStock

O desequilíbrio macroeconômico brasileiro afetou o agronegócio especialmente através de três canais: câmbio, crédito e consumo.

A forte desvalorização do real ocorrida em 2015 permitiu ganhos expressivos de rentabilidade na agricultura brasileira. Normalmente, a desvalorização melhora as margens da maior parte dos produtos agrícolas, pois apenas uma parcela dos custos é cotada em dólar.

Entretanto, esse fato não é necessariamente verdadeiro para o setor pecuário, pois a desvalorização pode acarretar aumento nos preços dos grãos. Isso se mostrou verdadeiro em 2016, com uma relevante deterioração das margens operacionais da produção de frangos, ovos, suínos e leite.

Além disso, a elevação do desemprego para os níveis recordes de 12%, associada à alta inflação, derrubou o poder aquisitivo do brasileiro. A consequência desse movimento foi a queda de consumo, especialmente de produtos de maior valor, como as carnes e o leite e seus derivados. Esse desenho marcou todo o ano de 2015 e o de 2016, e é possível afirmar que diversos mercados retrocederam em tamanho.

“Essa perda de poder aquisitivo resultou em uma redução importante no consumo per capita de carne bovina, que retoma o nível de 15 anos atrás. Além disso, não houve a migração esperada para a carne de aves ou mesmo a suína, que também foram impactadas e registraram quedas”, explica Antonio Carlos P. Costa, gerente do departamento de Agronegócio da Fiesp.

Já a desvalorização do câmbio, ocorrida até o início de 2016, gerou outro desequilíbrio no balanço de diversas empresas que, nos últimos anos, se endividaram em dólar. A depreciação do real afetou as métricas financeiras, comprometendo sua situação de crédito. Esse ponto se tornou especialmente relevante diante do quadro de elevação da taxa de juros e redução da oferta de crédito que marcou a segunda metade de 2015 e o ano de 2016.

Com a queda do PIB e a elevação da inflação, o montante de depósitos à vista caiu, reduzindo a oferta de crédito. Além disso, a degradação do quadro econômico fez com que diversos setores da economia sofressem reduções de demanda e suas receitas caíram significativamente, complicando os balanços. Com isso, as provisões dos bancos comerciais aumentaram muito, o que limitou o volume de crédito disponível às empresas agrícolas e aos produtores rurais.

Essa restrição foi compensada por uma maior participação das empresas ligadas fisicamente ao setor, como os traders, as indústrias de insumos, os distribuidores e as cooperativas de produção, com financiamentos superiores a 180 dias.

O que esperar para os próximos anos?
O desenho macroeconômico que se configura é o de recuperação e de retomada de crescimento do consumo. A queda no desemprego e na inflação trará de volta a demanda por alimentos, fibras e energia. “Mais de 60% do PIB é proveniente do consumo familiar. Qualquer incremento de renda acaba refletindo imediatamente no aumento do consumo de alimentos”, lembra o especialista da Fiesp.

A recuperação econômica, ainda que mais lenta do que o desejado, e a queda da inflação devem restabelecer os depósitos à vista aos níveis anteriores à recessão, incrementando a disponibilidade de crédito rural. A redução na taxa de juros deve conferir forte alívio às empresas endividadas.

Do ponto de vista da taxa de câmbio, assistiu-se a uma valorização do real em 2016 que desenhou uma piora nas margens de rentabilidade de diversas culturas, a despeito da redução dos custos decorrentes de um real mais forte.

Entretanto, o balanço de oferta e demanda mundial de alguns produtos vem criando uma situação atípica de melhora nas margens de culturas como a cana-de-açúcar, o café e a laranja. Essas commodities estão vivendo um momento semelhante de desequilíbrio entre oferta e demanda. A relação entre os estoques de suco de laranja, açúcar e café vem diminuindo em relação ao consumo mundial.

Assim, a combinação da queda na oferta mundial com a valorização do real provocou a alta das cotações em dólares dessas commodities, compensando o efeito da valorização da nossa moeda nos preços aos produtores. Essa situação vem fazendo com que os preços em reais estejam estáveis (em nível alto) ou em ascensão. A valorização do real, no entanto, gera queda nos custos de produção, ao mesmo tempo que reduz a alavancagem das empresas e dos produtores que têm dívidas em moeda estrangeira.

“Entramos no ano de 2017 otimistas, já com perspectiva de safra recorde para as culturas de soja e milho, com reflexos importantes para as indústrias de insumos agropecuários. As produções de açúcar, suco de laranja e café também devem desfrutar de um mercado positivo. Outro avanço foi o anúncio da queda mais acelerada na taxa Selic, que deve favorecer setores importantes e que sofreram bastante com o efeito da crise, como o de máquinas e equipamentos”, finaliza Antonio Carlos P. Costa.

Fonte: Globo Rural

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Agricultura

Plantio de soja atinge 1,2% da área prevista em Mato Grosso – Globo Rural

Imea e Aprosoja apertam produtor sobre a variação da taxa de câmbio, que pode comprometer a renda na safra nova

O plantio de soja em Mato Grosso atingia 1,20% da área prevista até 22 de setembro, informou nesta sexta-feira (23) o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). A área esperada para 2016/2017 é de 9,368 milhões de hectares no Estado.

Foto: José Medeiros/Ed. Globo
Foto: José Medeiros/Ed. Globo

Em igual período do ano passado, 0,55% da área havia sido plantada, segundo o instituto. Este foi o primeiro reporte de plantio divulgado pelo Imea para a safra 2016/2017. Por enquanto, a região mais adiantada é o oeste do Estado, com 2,15% da área já semeada. O médio-norte, maior área produtora de Mato Grosso, tem 1,79% do plantio concluído.

Câmbio

A valorização do real em relação ao dólar exigirá atenção dos produtores rurais de Mato Grosso na safra 2016/2017, avaliou Daniel Latorraca, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No lançamento da safra de soja nesta quinta-feira (22/9), em Sinop, ele disse que os agricultores compraram insumos com o dólar a US$ 3,66, em média, e ontem a moeda norte-americana estava em torno de US$ 3,19 – nesta sexta-feira (23/9) a moeda é negociada a R$ 3,23.

“O produtor planejou a safra em um cenário instável e está sendo desafiadora”, disse Latorraca, segundo nota distribuída pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja). “Há risco porque ainda há muito a ser comercializado.”

De acordo com o Imea, apenas 27% da safra foi comercializada até o momento. O custo de produção está em US$ 920,00 por hectare, o que requer uma produtividade mínima de 53 sacas por hectare para cobrir os gastos. Na mesma nota, Endrigo Dalcin, presidente da Aprosoja, afirma que os agricultores “não podem errar”.

De acordo com ele, não há muita disponibilidade de sementes e, por isso, é preciso evitar plantar “no seco” e perder a lavoura. Dalcin pediu ao ministro interino da Agricultura, Eumar Novacki, e ao secretário de Política Agrícola, Neri Geller, presentes ao evento, a prorrogação de custeio para alguns produtores rurais que tiveram frustração de safra de milho.

De acordo com a nota da Aprosoja, Geller informou que os pagamentos de seguro rural estão em dia e que o custeio passou de R$ 1,2 milhão para R$ 1,8 milhão.

Fonte: Globo Rural

 

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