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Sustentabilidade

Conheça a 1ª usina do Brasil a gerar energia elétrica em escala comercial com resíduos da cana

Produção ocorre através do biogás, que é obtido por meio da vinhaça e da torta de filtro, parte sólida que sai da filtração do caldo da cana. Cultura é a principal fonte de energia renovável do país.

O Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo e a cultura é a principal fonte de energia renovável do país.

Além de produzir o etanol, as usinas usam os resíduos da moagem da cana para produzir energia elétrica. Primeiro foi a vez do bagaço, que passou a ser queimado para alimentar as caldeiras. Depois, a vez do biogás, obtido a partir da palha, vinhaça e torta de filtro da cana.

Essa tecnologia em si não é nova, mas, no interior de São Paulo, em Guariba, uma usina da Raízen está produzindo, pela primeira vez no Brasil, energia elétrica com o biogás para ser usada escala comercial.

“Essa experiência de grande escala para a gente é um marco. É algo que é para comemorar”, comenta Marcelo Zaiat, engenheiro químico da Universidade de São Paulo (USP).

Na usina, os resíduos utilizados são a vinhaça e a torta de filtro que, antes, eram usadas apenas como fertilizantes.

A vinhaça é a parte líquida que sobra da destilação do caldo da cana. Ela sai da usina por dutos e retorna para a lavoura por ser rica em potássio.

Já a torta de filtro, parte sólida que sai da filtração do caldo da cana, é rica em fósforo e também é reaproveitada no campo depois de ser misturada com as cinzas.

Produção do biogás

Antes de ir para as lavouras, a vinhaça e a torta de filtro da cana-de-açúcar vão para os biodigestores da usina de Guariba. Nesses equipamentos, parte da matéria orgânica das duas é transformada em biogás pela ação das bactérias.

O gás metano produzido neste processo vai para a superfície dos biodigestores e é levado por dutos até os motogeradores, onde ele será queimado para gerar energia elétrica. A queima emite gás carbônico, mas evita que o metano, muito mais prejudicial ao meio ambiente, vá para a atmosfera.

Os resíduos restantes continuam sendo utilizados como fertilizantes, conta João Paulo Miranda, engenheiro de automação.

Ele explica que a vantagem de fazer a codigestão utilizando a matéria orgânica dos dois insumos é produzir energia por mais tempo.

“A torta de filtro é um produto estratégico para nós porque a gente consegue armazenar, é onde eu consigo produzir o ano inteiro energia elétrica. A vinhaça é um volume maior, porém eu não armazeno, eu utilizo ela durante o período de safra. Então, essa planta deixa de ser sazonal e trabalha os 365 dias por ano”, afirma.

Mais sustentável

Enquanto as usinas reaproveitam cada vez mais os subprodutos da cana, na universidade, os pesquisadores estão buscando tornar essas fontes de energia cada vez mais sustentáveis.

Uma dessas iniciativas está no laboratório da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Araras. No local, um equipamento está medindo a quantidade de metano que é emitida durante a biodigestão da vinhaça. A ideia é buscar uma energia que emita menos poluentes na atmosfera.

“O nosso foco é retirar esse metano na vinhaça justamente com o objetivo de separar o carbono, porque metano é ch4: tem quatro moléculas de hidrogênio e o hidrogênio é a bola da vez do mundo em termos de mobilidade”, diz Otávio Valsechi, engenheiro agrônomo da UFSCar.

“O mundo vai se mover por eletricidade e uma das grandes fontes de oferta de eletricidade seria o hidrogênio utilizado em células a combustível”, acrescenta.

Valsechi trabalha com cana-de-açúcar há 40 anos e vê um grande potencial no uso da cultura para gerar cada vez mais energia limpa, melhorar a eficiência das lavouras e minimizar os danos ao meio ambiente.

“Até digo que são as galinhas dos ovos de ouro [a cana-de-açúcar]. Nós temos hidrogênio no etanol, hidrogênio no metano da vinhaça, hidrogênio do gás de síntese da gaseificação do bagaço. É um potencial fantástico na geração de eletricidade”, diz ele.

Por: Globo Rural

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Agronotícias

Setor sucroenergético ganha nova associação de tecnologia

Astecna tem como objetivo alavancar os negócios da agroindústria do setor através da participação conjunta de especialistas.

Com a missão de prover de forma integrada soluções que maximizem resultados para o setor agroindustrial, no setor sucroenergético, será apresentada, no próximo dia 27 de abril, durante uma live de lançamento, a Astecna – Associação de Tecnologia Agroindustrial de Piracicaba.

A entidade é uma iniciativa de especialistas oriundos do Centro de Tecnologia de Pesquisa e Desenvolvimento na cultura de cana-de-açúcar. Eles juntaram-se visando reunir competências multidisciplinares traçando um plano para oferecer ao mercado seus conhecimentos de processos e produtos desenvolvidos nas mais diversas áreas da indústria sucroenergética.

A Astecna é voltada a atender de forma abrangente toda a cadeia de produção e tecnologia do setor, contemplando as áreas agronômicas e industriais. Essa sinergia é sua principal atratividade para o setor que poderá contratar as mais diversas especialidades em um só lugar. “Reunimos 14 empresas especialistas que têm atuação consistente nesse mercado devido ao conhecimento adquirido ao longo da carreira profissional e hoje tornaram-se grandes empresários e são referências nas usinas”, diz Jorge L. Donzelli presidente da associação.

Especializada no desenvolvimento de soluções para a gestão agroindustrial, a GAtec é uma das idealizadoras e fundadoras da Astecna. Segundo Paulo Lordello Novaes, CEO da GAtec e Diretor Administrativo da Associação, existirá constante sinergia nas áreas na atuação, como gestão administrativa e financeira, marketing, entre outras. “A GAtec sempre pautou sua atuação na pluralidade de ideias e no trabalho conjunto de diversos profissionais integrando soluções. Não será diferente dentro da Astecna, por isso, a idealização e a criação da entidade têm em sua missão oferecer às usinas e fornecedores um leque abrangente de possibilidades, envolvendo produtos e serviços de consultorias e que eles busquem essas soluções em um único local”, destaca.

Ainda segundo Novaes, essa iniciativa é inédita e irá fortalecer ainda mais o setor sucroenergético. “Os avanços tecnológicos gerados serão muitos, prevê-se que estes ganhos virão da atuação integrada dos mais diversos profissionais das áreas agrícola e industrial. Notar que cada uma das associadas fundadoras tem em seu DNA a inovação e o desenvolvimento tecnológico, cuja base está na pesquisa, desenvolvimento e sustentabilidade. Estes são os motores do agro”, diz.

Lançamento oficial

O evento de lançamento formal da Astecna, estava programado inicialmente para acontecer de forma presencial, mas devido à pandemia do COVID-19, precisou ser alterado. Agora, já tem nova data e será realizado no formato digital, em uma live no dia 27 de abril, com previsão de abertura para às 9h30.

A programação contempla a apresentação institucional da Associação e após o lançamento oficial da entidade, ocorrerá um debate com o tema: Diretrizes para aplicação de subprodutos na lavoura de cana-de-açúcar – Atendimento à Legislação Ambiental.

Por: Notícias do agro

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Etanol

Especialistas projetam recuo de 3,5% na safra 2021/2022 da cana e queda em produção de açúcar e etanol

Cenário ainda marcado por pandemia, chuvas irregulares e atraso no início das atividades deve representar baixa de 20 milhões de toneladas no Centro-Sul em relação ao ciclo que se encerra este ano. Açúcar ainda encontra mercado internacional favorável, mas matéria-prima deve ter baixa em rendimento.

Colheita de cana-de-açúcar na região de Ribeirão Preto — Foto: EPTV/Reprodução
Colheita de cana-de-açúcar na região de Ribeirão Preto — Foto: EPTV/Reprodução

Em um cenário ainda marcado pela pandemia da Covid-19, regime irregular de chuvas e atraso nas operações, a safra 2021/2022 da cana-de-açúcar deve ter um recuo de 3,5% no Centro-Sul, com quedas nas produções de açúcar e etanol, segundo projeções da Datagro divulgadas nesta quarta-feira (10).

De acordo com o painel, anualmente realizado em Ribeirão Preto (SP) e promovido em 2021 em formato virtual, as usinas da região que responde por cerca de 90% da produção sucroenergética brasileira devem processar 586 milhões de toneladas da matéria-prima, mais de 20 milhões a menos do que o projetado para o término do ciclo 2020/2021, de 607 milhões de toneladas.

“A expectativa é que haverá atraso para o início da safra. Muito embora haja casos específicos de usinas já atentadas a iniciar a safra em março, por conta do aumento do preço do etanol, mas em um contexto geral é que haverá um pouco desse retardamento para o início das operações”, afirmou o economista da Datagro Bruno Freitas.

Ainda com demanda e precificação favoráveis no cenário internacional, depois de uma queda inédita no consumo mundial em 40 anos, o açúcar deve ter um incremento no mix em relação ao etanol, chegando a 46,5% da destinação da matéria-prima.

“O açúcar já acumula um aumento [no preço] em torno de 13% em relação aos níveis pré-pandemia”, observou Freitas.

No entanto, o adoçante deve ter queda de 4,7% na produção, com volume estimado em 36,7 milhões de toneladas, quase 2 milhões a menos do que o esperado para o fim da safra 2020/2021.

A diminuição está ligada a uma redução de 2,4% no rendimento da cana, que deve chegar a 141 açúcares totais recuperáveis por tonelada de cana.

Mesmo com uma expectativa de aumento na oferta de etanol de milho, o biocombustível deve ter um recuo de 4,1%, com 29,7 bilhões de litros, dos quais 19,38 bilhões serão de etanol hidratado, que concorre com a gasolina, em queda de 7%.

Em alta de 3,9%, os 10,06 bilhões de litros restantes devem ser de etanol anidro, usado na mistura com o combustível fóssil.

Ainda assim, Freitas observa que as usinas devem estar atentas ao mercado de etanol, diante de um superávit na produção mundial de açúcar e da alta dos preços do produto associada à elevação do petróleo, que deixa o retorno das vendas do combustível mais próximo do obtido com o adoçante.

“Os preços do etanol subiram bastante encostando na remuneração do preço do açúcar”, observa.

Safra 2020/2021

Na safra que se encerra este mês, as usinas da região Centro-Sul registram uma alta acumulada de 44,3% na produção de açúcar em contraposição a uma baixa de 11,5% na produção de etanol hidratado, segundo relatório divulgado na terça-feira (9) pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

Perto do encerramento da safra 2020/2021, as indústrias produziram, entre abril do ano passado e o final de fevereiro, 38,24 milhões de toneladas do adoçante, contra 26,49 milhões de toneladas no ciclo agrícola anterior.

A elevação está associada a fatores como a alta do dólar, que torna a commodity mais rentável, ao clima mais seco, que acelerou a colheita, e a um incremento de 4,28% na qualidade da cana colhida, que rendeu 145 açúcares totais recuperáveis (ATR) para cada tonelada de cana no ciclo 2020/2021.

“O Brasil conseguiu testar uma capacidade de produção de açúcar que não havia sido testada nas safras anteriores”, afirmou o economista Bruno Freitas, durante o painel Datagro.

Segundo a Unica, a moagem segue em alta de 3,25%, com um montante de 598,79 milhões de toneladas de matéria-prima processada, dentro da previsão inicial feita por especialistas em 2020, mesmo com as incertezas causadas pela pandemia da Covid-19.

Nesse cenário, a participação do açúcar corresponde a 46,19% do mix de produção das usinas – em 2020 era de 34,4%.

Em um cenário inverso, o etanol hidratado, utilizado como concorrente da gasolina nos postos, teve uma produção acumulada pouco acima de 20 bilhões de litros ao longo de 11 meses, 2,7 bilhões a menos do que o obtido no mesmo período da safra 2019/2020.

Contabilizada a produção de etanol anidro – que vai na mistura da gasolina -, a produção total do biocombustível é de 29,8 bilhões de litros, em baixa de 8,5%.

Apesar da queda, segundo a Unica, os estoques do produto seguem 11% maiores do que no ano passado e devem ser suficientes para atender a demanda, marcada por uma queda de 0,4% nas vendas para o mercado interno no mês passado, mesmo com mais dias úteis no cancelamento do carnaval.

Além disso, as recentes elevações nos preços têm sido criticadas pelos consumidores. Na região de Ribeirão Preto (SP), conhecida como um dos principais polos produtores de cana do país, o etanol hidratado chegou à casa dos R$ 4,00.

Usina de Sertãozinho (SP), na região de Ribeirão Preto — Foto: Sérgio Oliveira/EPTV
Usina de Sertãozinho (SP), na região de Ribeirão Preto — Foto: Sérgio Oliveira/EPTV

Por: G1

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Agronotícias

Período de maior potencial de desenvolvimento em Cana-de-açúcar irrigada

O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares plantados com cana-de-açúcar.

No entanto, apesar de sermos o maior produtor de cana do mundo, a nossa produtividade é relativamente baixa quando comparada a outros países produtores. Por exemplo, na última safra, o Brasil produziu aproximadamente 77 ton/há, enquanto países como Colômbia e Guatemala produziram 118 ton/há e 88 ton/há, respectivamente.

Muito se discute sobre os vários modos de manejo e tecnologias para o aumento da produtividade. Em várias reuniões técnicas, foi ressaltado que o clima representa 50% das condições que impactam na produtividade de cana-de-açúcar e que, os demais fatores se distribuem entre variedades, fertilidade do solo e fatores biótipos. No entanto, erroneamente esquecemos que o clima não é simplesmente o volume de chuva, mas também, outras variáveis, como: insolação solar e temperatura; e que esses fatores estão totalmente interligados com os demais, levando a um ambiente propício para o desenvolvimento da cultura.

Conhecer o período de maior propensão ao crescimento vegetativo da cana é de extrema importância para planejar seu manejo. Realizar o melhor manejo de adubação da cultura (estimulação nutricional), melhor época de plantio, o tipo de irrigação a se adotar, manejo de maturação e a época de colheita.

Após alguns levantamentos de dados de estações meteorológicas nas regiões sudeste e centro-oeste do país, podemos observar o gráfico abaixo referente ao potencial de crescimento dentro do ciclo da cana-de-açúcar, quando avaliados fatores climáticos.

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Gráfico 01. Potencial de crescimento de cana-de-açúcar na região sudeste do Brasil
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Gráfico 02. Potencial de crescimento de cana-de-açúcar na região central do Brasil

O que podemos observar nos gráficos é que a cultura tem um potencial de crescimento muito maior entre os meses de setembro a abril, e que esse potencial diminui nas regiões entre os meses de maio a agosto.

Podemos concluir que as ações voltadas ao desenvolvimento da cana-de-açúcar devem ser realizadas nesse período, deixando o período de menor desenvolvimento voltado para a colheita.

Temos que considerar outro fator, no segundo semestre, nas duas regiões (sudeste e centro-oeste), é quando ocorre o maior déficit hídrico, e coincide com o período de grande, ou senão de maior crescimento e isso demonstra a grande necessidade do uso da irrigação nesse período.  Principalmente o uso de tecnologias que permitam a irrigação em cana grande e também, o parcelamento nutricional (nutrirrigação), como no caso do sistema de irrigação por gotejamento.

Fonte: Portal do agronegócio.

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Agronotícias

Bagaço de cana-de-açúcar nanomodificado é capaz de ‘limpar’ água contaminada com cobre ou crômio

O bagaço da cana-de-açúcar, um dos principais resíduos da agroindústria brasileira, revelou-se promissor para ser usado em processo de descontaminação de água com concentração de íons metálicos potencialmente tóxicos. Um compósito – material híbrido que apresenta características distintas de seus precursores – produzido a partir do bagaço e de nanopartículas magnéticas removeu cobre e crômio em meio aquoso. Esses resultados foram obtidos por um grupo de pesquisadores brasileiros e publicado no periódico Environmental Science and Pollution Research.

O cobre é um metal maleável e bom condutor de eletricidade, por isso muito usado na indústria, construção civil e em atividades agrícolas. É largamente utilizado para controle de proliferação de cianobactérias em reservatórios de água para consumo humano. Em pequenas quantidades é elemento essencial a organismos vivos, mas em altas concentrações na água pode provocar náusea, vômito e diarreia, segundo análises da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Já a maior parte das emissões de crômio (Cr) para o ambiente tem origem em atividade humana, destacando a aplicação em processos industriais, como o curtimento de couro e o tingimento têxtil. A toxicidade depende do seu estado de oxidação: o Cr(VI) é a forma mais tóxica, considerada cancerígena, enquanto Cr(III) é um micronutriente essencial para a manutenção do metabolismo em humanos. Devido aos seus efeitos adversos e à grande quantidade de resíduos industriais contendo Cr(VI), novas técnicas empregando biossorventes têm sido propostas para sua remoção em águas e efluentes.

Na pesquisa, o grupo brasileiro desenvolveu um compósito de bagaço (resíduo de biomassa proveniente do processamento da cana pelas usinas de etanol e de açúcar) e nanopartículas de magnetita sintéticas, mas que são encontradas na natureza. O compósito apresenta propriedades adsorventes e magnéticas, sendo eficiente na remoção de diferentes espécies químicas contaminantes presentes no meio aquoso.

Após a remoção do contaminante pelo compósito por processo de adsorção (pelo qual espécies químicas são retidas nas superfícies sólidas do adsorvente), o material é retirado do meio aquoso pela ação de um ímã, deixando a água limpa.

“Sua natureza híbrida, que une as propriedades da matriz biológica [bagaço de cana] com as magnéticas das nanopartículas de magnetita, permite que os materiais propostos no trabalho sejam versáteis. Ou seja, o material também pode ser aplicado na remoção de moléculas orgânicas [corantes sintéticos, drogas, hormônios e pesticidas], o que reforça seu potencial para tratamento de água e efluentes”, escreveu o grupo nos artigos Nanomodified sugarcane bagasse biosorbent: synthesis, characterization, and application for Cu(II) removal from aqueous medium e Hexavalent chromium removal from water: adsorption properties of in natura and magnetic nanomodified sugarcane bagasse.

As pesquisas tiveram como primeiras autoras as alunas Juliana Tosta Theodoro Carvalho e Thais Eduarda Abílio, com a supervisão da pesquisadora Elma Neide Vasconcelos Martins Carrilho, do Laboratório de Materiais Poliméricos e Biossorventes (Lab-MPB), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no campus de Araras, em colaboração com Geórgia Labuto, do Laboratory of Integrated Sciences (LabInSciences) do Departamento de Química da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em Diadema. A linha de pesquisa tem apoio da FAPESP e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

De acordo com Carrilho, o estudo faz parte de uma série de outros trabalhos que seu grupo vem desenvolvendo no Lab-MPB (UFSCar), usando biomassas como biossorventes, alternativa viável e eficiente para a descontaminação de ambientes aquáticos. Uma das pesquisas, apoiada pela FAPESP, envolveu, por exemplo, o desenvolvimento de material adsorvente feito com biomassa de levedura (resíduo também resultante de processos fermentativos da indústria sucroalcooleira).

“Com esses materiais, a proposta é criar colunas de adsorção em leito fixo contendo os compósitos adsorventes produzidos com resíduos de biomassa que seriam descartados, considerados lixo, para atuarem como filtros biossorventes. Esperamos que a produção científica com base no uso desse tipo de tecnologia continue crescendo no Brasil e impulsione a bioeconomia no país”, afirma.

Carrilho lembra que houve um crescimento considerável nos últimos anos do número de pesquisas produzidas por cientistas brasileiros envolvendo biossorção. Os biossorventes mais pesquisados no período são originados de matéria-prima vegetal, seguido de algas e microrganismos. Esses dados estão no capítulo assinado pela pesquisadora e por Labuto no livro Bioremediation and Bioeconomy publicado em 2016.

Potencial

Segundo a pesquisadora, o interesse por estudos envolvendo biomateriais e processos capazes de remover contaminantes do meio aquoso, como hormônios, metais, pesticidas e outros, vem aumentando nos últimos anos, principalmente diante dos cenários de escassez de água traçados para o futuro.

Os recursos de água doce disponíveis por pessoa no mundo diminuíram mais de 20% nas últimas duas décadas. O dado está no mais recente relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), publicado em novembro de 2020.

O documento The State of Food and Agriculture 2020 aponta que “melhorar a gestão da água, apoiada por uma governança eficaz e instituições fortes, incluindo a segurança da posse e direitos, será crítica para garantir a segurança alimentar e nutricional globalmente”.

Além disso, cerca de 2,2 bilhões de pessoas no planeta têm dificuldade de acesso à água potável e 4,2 bilhões não têm saneamento adequado. Com os impactos das mudanças climáticas previstos até 2050, entre 3,5 bilhões e 4 bilhões de pessoas viverão com acesso limitado à água, sendo que mais de 1 bilhão devem morar em cidades.

Apenas 3% da água do mundo é doce, mas somente metade está acessível (o restante é parte de geleiras e aquíferos inacessíveis). Já o território brasileiro concentra 12% da água doce do mundo. Como é a mesma quantidade de água que circula continuamente pelo planeta, a importância do tratamento é cada vez maior. Pelos dados da ONU, 80% das águas residuais não recebem tratamento antes de serem devolvidas ao meio ambiente.

Outras aplicações

Carrilho lembra que os nanocompósitos magnéticos estudados pelo grupo também têm potencial para auxiliar na remoção de óleos (como o petróleo cru) da superfície da água em casos de derramamento.

Em testes de laboratório, os cientistas já conseguiram que outros compósitos – feitos à base de resíduos de biomassa e magnetita – removessem petróleo bruto e outros tipos de óleo derramados em água, com mais de 80% de eficácia. Esse projeto também tem o apoio da FAPESP.

Fonte: Agência FAPESP

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Agronotícias

Setor sucroenergético discute manejo inteligente de invasoras

Motivo é discussão de custo-benefício

Engenheiros agrônomos e dirigentes de empresas do setor sucroenergético participarão de um encontro virtual com a divisão de cana-de-açúcar da companhia de origem ítalo-japonesa Sipcam Nichino Brasil e o consultor para empresas do setor sucroenergético, Michel Fernandes. A reunião terá como tema central o manejo inteligente de plantas daninhas da cana-de-açúcar, em pós-emergência, baseado na aplicação do herbicida de contato Ancosar® (MSMA).

De acordo com o engenheiro agrônomo Edson Campana, gerente de vendas da Sipcam Nichino Brasil, o consultor Michel Fernandes, da MS Fernandes Consultoria Agrícola, apresentará resultados de ensaios em áreas comerciais de cana-de-açúcar, cujos dados demonstram a eficácia do herbicida Ancosar® sobre ervas de difícil controle, como brachiaria e capim-colonião, entre outras. “O objetivo é mostrar a representantes do setor canavieiro como uma tecnologia que está no mercado há décadas ainda se apresenta como solução inovadora, e de excelente relação custo-benefício, frente a demandas específicas de usinas e fornecedores da matéria-prima”, resume Campana.

Campana explicou que o consultor liderou estudos com ênfase na aplicação de Ancosar® em sinergia a outros ingredientes ativos. Essas práticas de manejo, acrescenta o agrônomo da Sipcam Nichino, resultaram na ampliação da seletividade desse herbicida em relação à cultura da cana. “Além deste aspecto, altamente relevante, os ensaios evidenciaram que tais práticas solucionam, com rapidez e eficiência, eventuais falhas de controle de ervas difíceis não cobertas nos tratamentos convencionais em pré-emergência”, conclui.

Fonte: AGROLINK

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Agronotícias

CNA levanta custos de produção de cana, café e pecuária de corte

CNA levanta custos de produção de cana, café e pecuária de corte

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou, na última semana, levantamentos de custos de produção de cana-de-açúcar, café e pecuária de corte dos municípios de Ituverava (SP), Uberaba (MG), Caconde (SP) e São Miguel do Araguaia (GO).

A iniciativa faz parte do Projeto Campo Futuro, que analisa as informações obtidas a partir da realidade produtiva apresentada pelos produtores nos painéis, que passaram a ser virtuais neste ano por medidas de segurança e prevenção contra o coronavírus para evitar o contágio da doença.

Cana-de-açúcar

Na sexta (2), o levantamento dos custos de produção aconteceu em Ituverava (SP). A propriedade modal da região é de 400 hectares, com 80% do plantio feto de forma manual e 20% mecanizado, enquanto a colheita é 100% mecanizada.

Segundo dados preliminares do painel, a produtividade obtida na última safra foi de 85 toneladas por hectare, ganho de 9% em relação ao levantamento anterior. Também houve alta de 14,5% no preço do Açúcar Total Recuperável (ATR).

De acordo com Rogério Avellar, assessor técnico da CNA, a receita obtida com a atividade foi de R$ 97,98/tonelada e cobre o Custo Operacional Total (COT), que foi de R$ 89,71/tonelada e envolve as despesas rotineiras com a produção mais depreciação de patrimônio e pró-labore, gerando margem líquida positiva R$ 8,27/tonelada. No entanto, em relação ao Custo Total (CT), de R$ 123,37/tonelada, que engloba COT e remuneração de terra e capital, o produtor tem prejuízo de R$ 25,39/tonelada.

No dia 29, o levantamento feito em Uberaba (MG) teve como base uma propriedade modal de 500 hectares. “Houve um aumento considerável dos custos com insumos, especialmente defensivos e constatou-se também uma migração, principalmente de pequenos produtores, para a cultura de grãos, que está remunerando melhor”, explicou Avellar.

A receita obtida com a produção de cana, segundo relato dos produtores, foi de R$ 93,08/tonelada, suficiente para cobrir o COT de R$ 82,61/tonelada, dando uma margem líquida positiva de R$ 10,74/tonelada. Contudo, esta mesma margem fica negativa (-R$8,80/tonelada) quando são incluídos no cálculo os custos totais (R$ 101,88/tonelada).

Também participaram do levantamento analistas do Pecege/Esalq/USP, representantes dos Sistemas Faemg/Senar e Faesp/Senar, produtores e representantes dos sindicatos rurais dos dois municípios.

Café

Na quinta (1º) foi realizado o levantamento dos custos de produção da cafeicultura em Caconde (SP), em parceria com o Centro de Inteligência de Mercado da Universidade Federal de Lavras (CIM/UFLA). Dados preliminares do painel identificam uma propriedade modal de 5 hectares de lavoura de café arábica e produtividade de 45 sacas por hectare. As atividades de condução e colheita são manuais e a lavoura não é irrigada. Neste modal, predomina a mão de obra familiar, havendo a contratação de trabalhadores eventuais apenas durante a colheita.

De acordo com relatos dos produtores, a qualidade da bebida em 2020 foi muito superior aos anos anteriores, com elevado percentual de bebida mole. As despesas com mão de obra representam 34% do Custo Operacional Efetivo (COE), enquanto os custos com mecanização respondem por 11% do COE, e os insumos, 37%.

“As margens bruta e líquida foram positivas e também atividade tem lucro remunerando o produtor no longo prazo pela alta produtividade de Caconde. A produtividade interfere na lucratividade”, explica Raquel Miranda, assessora técnica da CNA, que conduziu o painel, juntamente com o coordenador do CIM/UFLA, Matheus Marques. Também participaram representantes do Sindicato Rural de Caconde, da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento e produtores rurais do município.

No mesmo dia, a CNA lançou a pesquisa Safra Cafeeira para levantar informações sobre a safra 2020/2021 e convida os produtores que participam dos painéis a responder a pesquisa. Para mais informações clique aqui (link).

Pecuária de corte

Na terça (29), a CNA e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) realizaram o levantamento dos custos de produção em São Miguel do Araguaia (GO). As propriedades modais da região são de recria e recria e engorda, mas o painel focou no sistema de cria.

Uma das características da região foi o uso de instrumentos para o melhoramento genético, como a Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF), com cruzamento de nelores com outras raças, agregando valor ao produto final, porém o cruzamento industrial ainda não é amplamente utilizado na região. A inseminação artificial representa pouco mais de 4,8% do custo operacional efetivo e, aliada a demais tecnologias de alavancagem de produtividade, pode garantir ótimos resultados ao pecuarista.

Dentro da atividade de cria, o maior desembolso está atrelado a suplementação animal (26,8%) e a mão de obra (26,2%). Devido ao baixo investimento em alguns setores da produção, o pecuarista da região acaba enfrentando dificuldade para diluir alguns custos fixos, reduzindo a competitividade frente a outras atividades na região. Logo, a cria não é competitiva no longo prazo, sendo necessários mais investimentos e tecnologias para explorar o potencial produtivo, principalmente no setor de produção de forragens, que acaba limitando a exploração da área.

Outro gargalo do resultado é o objetivo de crescimento do rebanho, que faz com que o produtor obtenha menor receita e amplie seus custos de forma geral, porém, no longo prazo, com as fêmeas passando para a condição de reprodutoras, a receita poderá aumentar e a atividade passar a ser mais competitiva.

Fonte: Por assessoria de comunicação CNA

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Agronegócio

Produção agrícola bate novo recorde e atinge R$ 361 bilhões em 2019, diz IBGE; veja os 3 principais municípios

Valor cresceu 5% em relação a 2018, puxado, principalmente, por milho, algodão e cana-de-açúcar. Cidades de Mato Grosso e Bahia lideram ranking de produtores.

Plantação campo Triângulo Mineiro Uberaba  — Foto: Reprodução/TV Integração
Plantação campo Triângulo Mineiro Uberaba — Foto: Reprodução/TV Integração

O valor da produção agrícola do país bateu um novo recorde, ao atingir R$ 361 bilhões em 2019, expansão de 5,1% em relação a 2018, puxada pelo aumento do valor das safras de grãos, com destaque para o milho (+26,3%), algodão (+24,8%) e cana-de-açúcar (+5,3%).

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (01) no relatório Produção Agrícola Municipal 2019, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Variação do Valor Produção Agrícola em 2019 — Foto: Agronegócios/G1
Variação do Valor Produção Agrícola em 2019 — Foto: Agronegócios/G1

Os principais fatores que ajudaram no resultado foram:

  • Preço das principais commodities em alta;
  • Valorização do dólar em relação ao real;
  • Demanda externa aquecida;
  • Clima favorável;
  • Bons resultados das últimas safras.

Principais Municípios

Dos 50 municípios com os maiores valores da produção agrícola, 22 pertenciam a Mato Grosso (MT) e somaram R$ 37,1 bilhões. Goiás, Bahia e Mato Grosso do Sul vieram na sequência, com seis cidades cada um.

Os três primeiros colocados foram Sorriso (MT), Sapezal (MT) e São Desidério (BA), cidade baiana que tinha conquistado o primeiro lugar em 2018.

Ranking dos municípios agrícolas em 2019 — Foto: Reprodução/IBGE
Ranking dos municípios agrícolas em 2019 — Foto: Reprodução/IBGE

Sorriso respondeu, sozinho, por 1,1% da produção nacional no ano passado, retomando, assim, a posição perdida para São Desidério em 2018.

Com importante participação na geração de grãos, a cidade mato-grossense se destacou como o maior produtor nacional de milho e soja: 3,2 milhões de toneladas de milho, crescimento anual de 11,4%; e 2,1 milhões toneladas de soja, queda de 4,0%.

Cultivo de algodão impulsionou os valores de produção de Sapezal (MT) e São Desidério (BA) — Foto: Reprodução/TV TEM
Cultivo de algodão impulsionou os valores de produção de Sapezal (MT) e São Desidério (BA) — Foto: Reprodução/TV TEM

Já Sapezal (MT), teve destaque na produção de seis produtos: algodão herbáceo (em caroço), soja, milho, feijão, arroz e girassol. Somente o algodão chegou a 894,8 mil toneladas, crescimento de 18,2%, o que representou um valor da produção de R$ 1,9 bilhão.

Esse volume fez com que o município se destacasse como o maior representante da cultura no país, com participação de 13% do total nacional.

São Desidério também contou com o impulso da cotonicultura (cultivo de algodão) que gerou R$ 1,5 bilhão, alta de 2,7%. No total, foram produzidas 592,7 mil toneladas, tornando a cidade baiana o segundo maior produtor de algodão do país.

A soja, porém, teve queda de 19%, totalizando 1,3 milhão de toneladas, com um valor da produção de R$ 1,4 bilhão, enquanto o milho registrou R$ 170,2 milhões, com retração de 39,6% em relação a 2018.

Por região

Dentre as cinco regiões do país, o Centro-Oeste alcançou o maior valor da produção agrícola, com R$ 107,9 bilhões, alta anual 12,2%, com a soja como principal lavoura, seguida do milho e da cana-de-açúcar.

Em seguida, está o Sudeste, com R$ 97,6 bilhões, com destaque também para a produção de cana-de-açúcar. O município de Unaí, em Minas Gerais, liderou o valor da produção na região, com as culturas de soja e milho.

Valor da produção agrícola por região do país — Foto: Agronegócios/G1
Valor da produção agrícola por região do país — Foto: Agronegócios/G1

No Sul, o destaque ficou com o Município de Guarapuava, no Paraná, que teve maior valor de produção R$ 772, 8 milhões dentre as cidades da região, puxada pela soja.

A oleaginosa também impulsionou a produção do Nordeste, junto com a cana-de-açúcar.

E, na região Norte, o Pará apresentou o maior valor da produção agrícola da região, tendo o açaí como principal cultura. O destaque ficou com o município de Igarapé-Miri, que teve o maior valor da produção regional (R$ 891,0 milhões).

Fonte: G.1

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Agricultura

Valor da produção agrícola foi recorde em 2019 e atingiu R$ 361 bilhões

Valor da produção agrícola foi recorde em 2019 e atingiu R$ 361 bilhões
Valor da produção agrícola foi recorde em 2019 e atingiu R$ 361 bilhões

produção agrícola nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas somou, no ano passado, 243,3 milhões de toneladas, alta de 6,8% em comparação a 2018, com valor de produção recorde de R$ 361 bilhões e expansão de 5,1% sobre o ano anterior.

O destaque foi para o milho, que ultrapassou pela primeira vez 100 milhões de toneladas. A cultura do milho registrou 101,1 milhões de toneladas em 2019, mostrando aumento de 22,8% em relação à safra anterior.

O algodão herbáceo (em caroço) também atingiu recorde de 6,9 milhões de toneladas, incremento de 39,1%, enquanto a cana-de-açúcar apresentou recuperação frente a 2018, com crescimento no valor de produção de 5,3% no ano passado.

Os dados constam da pesquisa Produção Agrícola Municipal 2019 (PAM 2019), divulgada hoje (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Quanto à soja, a principal commodity (produto mineral e agrícola comercializado no mercado internacional) agrícola do Brasil, a área colhida cresceu 3,2%, mas o volume gerado caiu 3,1%, em razão de fatores climáticos adversos em alguns dos principais estados produtores (Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul).

Mesmo assim, os pesquisadores do IBGE analisaram que 2019 se consolidou com a terceira maior produção de soja na série histórica.

A área plantada no país totalizou 81,2 milhões de hectares (evolução de 3,3%), destacando aumento de 1,2 milhão de hectares para o cultivo de milho e de 1,1 milhão de hectares para cultivo da soja. A área colhida em 2019 foi de 80,6 milhões de hectares, com crescimento de 3,5% ante 2018 (Agência Brasil, 1/10/20)

Fonte: Brasil Agro

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Boas Práticas

Portaria que suspende queima da cana-de-açúcar é prorrogada

Medida passa a vigorar a partir do dia 17 de agosto, permitindo que o setor se adeque.

Imagem: Marcel Oliveira

O setor sucroalcooleiro do Paraná tem até o dia 17 de agosto para se adequar à Portaria 221, que suspende, pelo período de 30 dias, a prática de queima controlada como método para a despalha de cana-de-açúcar no Estado, publicada pelo Instituto Água e Terra (IAT), vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo (Sedest). Antes válida a partir do dia 6 de agosto, a medida foi prorrogada para o dia 17 do mesmo mês após um pedido da FAEP. A nova decisão do IAT, mediante Portaria 225, foi publicada no Diário Oficial do Estado do Paraná desta quarta-feira (12).

Com a nova medida, além da data de vigência a partir de 17 de agosto, a medida cancela os eventuais autos de infração lavrados do dia 6 de agosto até o dia 17 do mesmo mês.

“A mudança na data da medida permite que as usinas e produtores do Paraná possam se adequar, minimizando os impactos no campo. Sabemos da importância quanto a qualidade do ar e o combate as formas que podem gerar poluição, mas uma medida como essa precisa levar em consideração diversos aspectos de todos os envolvidos. E isso que aconteceu com a prorrogação da data”, afirma o presidente da FAEP, Ágide Meneguette.

No dia 7 de agosto, a FAEP encaminhou ofício aos órgãos estaduais solicitando um prazo de 15 dias para adequação e providências antes da vigência da Portaria 221. No pedido, a Federação apontou impactos econômicos e sociais que poderiam atingir o setor sucroalcooleiro do Paraná caso a suspensão imediata entrasse em vigência. No primeiro momento, a Portaria 221 interferiria nas atividades de 21 usinas licenciadas, localizadas em sua maioria na região Norte, além de produtores rurais de todo o Estado.

Ainda, a FAEP destacou o cumprimento do Decreto Estadual 10.068/2014, que determina como prazo até 2025 para que as indústrias e produtores de cana-de-açúcar deixem de realizar a prática da queima e façam a colheita de forma mecanizada. Nas áreas não mecanizáveis, a utilização da queima controlada deverá ser eliminada até a data de 31 de dezembro de 2030, desde que exista tecnologia viável.

“O protocolo firmado com o governo estadual está sendo cumprido rigorosamente pelo setor agroindustrial. A prática da queima é utilizada onde há colheita manual da cana-de-açúcar, o que atinge milhares de hectares e produtores rurais paranaenses. As usinas precisam deste tempo de planejamento para encontrar alternativas, de modo que a produtividade seja mantida e estes trabalhados e suas famílias não sejam prejudicados”, reforça Meneguette.

Fonte: Agrolink