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Tempo

A importância de reduzir riscos no agronegócio

A condição climática, por exemplo, é algo que tira a tranquilidade do setor.

Apesar do agronegócio ser o combustível da economia brasileira, não dá para negar que os produtores, distribuidores e financiadores do agro são obrigados a conviver com riscos incontroláveis. A condição climática, por exemplo, é algo que tira a tranquilidade do setor. Excesso ou falta de chuva, calor ou frio extremos, são apenas alguns problemas inevitáveis do setor, que muitas vezes amargam prejuízos.

Para termos uma ideia, os produtores de soja do Mato Grosso, por exemplo, enfrentam problemas com a colheita do grão que está atrasada. A umidade pode fazer a soja brotar ainda na vagem levando ao apodrecimento. Além disso, os maquinários não conseguem entrar no campo. Mas essa não é uma particularidade apenas do Mato Grosso. Segundo a Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), na safra 2019/20, o Rio Grande do Sul teve uma queda de 46% na produção de soja em relação ao ciclo anterior, devido à falta de chuva.

As perdas, na maioria das vezes, são inevitáveis e não atingem apenas o produtor rural, mas também o consumidor final – que acaba pagando mais caro pelos produtos -, os distribuidores de insumos –  que muitas vezes realizam uma operação de barter junto ao produtor, onde vendem os insumos e recebem como pagamento parte da futura produção – e os investidores do agro – que financiam e investem dinheiro no setor.

Mas como amenizar ou sair dos riscos?

Produtores

Para o produtor rural, uma alternativa – apesar de estar distante para muitos devido ao custo – é a contratação do seguro rural, que garante o pagamento de um determinado valor caso a safra sofra alguma perda. Segundo o Ministério da Agricultura, em 2020, foram contratadas 193.470 apólices por produtores de várias regiões do Brasil, 108% a mais se comparado com o ano anterior, totalizando 13,7 milhões de hectares segurados, com valor total segurado em R$ 45,7 bilhões.

Distribuidores de insumos

Para os distribuidores, uma das opções para evitar riscos e perdas é a antecipação de CPRs e duplicatas, onde o título é analisado através de recursos tecnológicos e depois “vendido” para o mercado de capitais, que realiza a “compra” e paga à vista para o distribuidor. Todo o risco de uma possível quebra de safra é transferido para quem comprou a CPR ou duplicata. Além de sair do risco, o distribuidor consegue ter dinheiro em caixa.  Para termos ideia da procura pelo serviço, somente em 2020 na TerraMagna, uma startup de crédito que oferece esse tipo de serviço, foram movimentados mais de R$ 53 milhões com a antecipação.

Financiadores e investidores do agro

Já os financiadores e investidores do agronegócio, podem reduzir os riscos através dos recursos tecnológicos.

É utilizada frequentemente a análise do Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático), um índice que tem o objetivo de melhorar a qualidade e a disponibilidade de dados e informações sobre riscos agroclimáticos no Brasil. Para aprimorar essas análises e acompanhamentos, o uso da tecnologia, que permite conhecer profundamente a lavoura financiada, é fundamental.

“Através da análise e monitoramento de lavouras por meio de um sistema que utiliza satélites, inteligência artificial e dados complementares, é possível acompanhar a plantação, desde antes do plantio até a colheita, vendo de perto os riscos e possíveis quebras de produção”, afirma Bernardo Fabiani, especialista em concessão de crédito para o agronegócio.

Muitos riscos são inevitáveis e imprevisíveis, mas estar preparado para enfrentá-los, e até mesmo se livrar deles, é o caminho para evitar perdas financeiras e continuar contribuindo para o setor que mais cresce no Brasil.

Por: Imprensa Terra Magna

 

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Meio Ambiente

Como a agricultura pode se tornar uma protetora do clima

 

Como a agricultura pode se tornar uma protetora do clima
Legenda: Plantação de soja no Brasil (Mato Grosso)

Visto com vilão, por emitir grande parte dos gases que causam o aquecimento global, cultivo de terras tem potencial para proteger o clima. Mas, para isso, mudanças em métodos e comportamento alimentar são necessárias.

O solo é particularmente importante para a proteção do clima, ao absorver uma grande quantidade carbono. Se esse carbono escapar, ele se liga ao oxigênio e forma CO2 – o gás do efeito estufa. Neste processo, a camada de húmus no solo desempenha um papel fundamental armazenando quatro vezes mais carbono do que o presente na atmosfera sob a forma de CO2.

Rico em nutrientes, o húmus consiste em partes de plantas mortas que foram decompostas por inúmeros organismos, como bactérias, fungos e minhocas. Ele mantém a fertilidade do solo, é um nutriente importante para o crescimento de novas plantas, além de ser fundamental para a proteção do clima, graças ao carbono armazenado.

Sua proporção nos solos varia bastante. Na média global, há mais húmus nas pastagens naturais do que nas terras aráveis, e é especialmente abundante em zonas úmidas e pântanos.

Como resultado de uma prática agrícola com muitas monoculturas, há anos que o solo vem perdendo cada vez mais húmus – o que significa um aumento cada vez maior CO2 na atmosfera. A razão é simples: em vez de preservar o húmus através da rotação de culturas e do cultivo de diferentes plantas, as monoculturas desgastam o solo. Embora os fertilizantes químicos garantam as colheitas e economizem mão-de-obra, o teor húmico do solo é cada vez menor.

Por meio da rotação das culturas e da incorporação de resíduos vegetais, os agricultores podem preservar e aumentar a quantidade de húmus, e, dessa forma, também a fertilidade natural do solo. Tais técnicas eram usadas antes do surgimento do agronegócio, quando não havia alternativas. Para garantir as colheitas, os agricultores dependiam de um solo fértil, e, portanto, da preservação de húmus.

Outro fator na perda mundial de húmus é o aumento global de terras aráveis. Cada vez mais elas são necessárias para o cultivo de ração animal destinada à crescente produção de carne. Para isso, zonas úmidas e pântanos, ricas em húmus, estão sendo drenadas; pastagens estão sendo convertidas em terras aráveis, e mais e mais florestas estão sendo queimadas. Isso faz com que o carbono, até então retido nas árvores, seja perdido e escape na forma de CO2. E assim a quantidade de húmus no solo segue diminuindo ano após ano devido aos métodos de cultivo.

Gases de efeito estufa decorrentes da indústria de alimentos

A perda de húmus e, portanto, de solo fértil, também é uma grande ameaça à alimentação mundial, avalia a Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a perda de húmus e florestas libera cerca de 5,8 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera a cada ano – ou seja, cerca de 11% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Outros gases de efeito estufa surgem na agricultura por meio da pecuária, fertilização, produção intensiva de fertilizantes artificiais, pesticidas, processamento de alimentos, produção de embalagens e transporte.

No total, cerca de 31% do total das emissões globais de CO2 são geradas na produção de alimentos.

Para frear o aquecimento global, a agricultura precisa se tornar climaticamente neutra. Ela tem ainda o poder de reter o CO2 adicional da atmosfera por meio do cultivo de plantas. Um relatório especial do IPCC sobre uso da terra e segurança alimentar recomenda a redução de pastagens e terras aráveis em todo o mundo. Além disso, as florestas devem ser reflorestadas e o teor de húmus nos solos deve ser aumentando.

De acordo com especialistas, o reflorestamento é capaz de reter 3,6 bilhões de toneladas de CO2 por ano durante a fase de crescimento. Um aumento global de húmus, por sua vez, poderia reter outros de 2 a 5 bilhões de toneladas de CO2 por ano, segundo um recente estudo da Fundação de Ciência e Política (SWP). 

Uma outra maneira de aumentar a absorção de CO2 é o uso do chamado biochar: materiais orgânicos, como madeira e resíduos de plantas, são carbonizados com a ajuda de calor, pressão e expulsão de oxigênio e, em seguida, introduzidos no solo. Dessa forma, o carbono aglutinado pode permanecer no solo por séculos e, em combinação com húmus e bactérias, aumentar significativamente a fertilidade do solo. 

De acordo com o estudo do SWP, a aplicação global desta tecnologia poderia armazenar entre 0,5 e 2 bilhões de toneladas de CO2 adicional por ano.

Agricultura orgânica: um modelo sustentável

A agricultura industrial tem sido cada vez mais alvo de críticas. E isso não apenas por causa do equilíbrio de CO2, mas também por ser apontada como a principal causa da extinção global de espécies.

Iniciativas para melhorar as técnicas de cultivo existem em diversos setores, entre elas em uma estratégia da União Europeia batizada de “Farm to Fork”. “A estratégia de biodiversidade e a estratégia ‘da fazenda para a mesa’ constituem o cerne do ‘Acordo Verde’ e representam uma nova interação mais harmoniosa entre natureza, produção de alimentos e diversidade biológica. Trata-se, afinal, da saúde e do bem-estar das pessoas” explica o Comissário da UE para a Proteção do Clima, Frans Timmermans.

Com o objetivo de proteger o clima, o Ministério do Meio Ambiente da Alemanha também pretende reduzir as importações de rações como a soja. “A regionalidade dos bens agrícolas produzidos deve voltar a receber um nível de importância muito maior, a fim de contribuir para uma redução correspondente no desmatamento das florestas tropicais para o cultivo da soja”, disse uma porta-voz do ministério à DW.

Ao garantir o acúmulo de húmus sem utilizar fertilizantes sintéticos, pesticidas e ração importada do exterior, a agricultura orgânica reduz significativamente as emissões de gases de efeito estufa, tornando-se um modelo de proteção do clima e das espécies.

Outra chave para reduzir as emissões é diminuir o desperdício de alimentos. Estima-se que “um terço de todos os alimentos produzidos no mundo acaba no lixo”, afirma Rosa Rolle, gerente de projetos do programa Perda e Desperdício de Alimentos, da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

No total, são produzidos cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos que não são consumidos. De acordo com estimativas da FAO, isso representa cerca de 3,6 bilhões de toneladas de CO2 a cada ano.

Redução do consumo de carne e leite

Nos últimos 50 anos, a produção mundial de carne praticamente quadruplicou – e consequentemente aumentou rapidamente a demanda por terras aráveis para o cultivo de culturas voltadas para a produção de forragens, como soja, milho e trigo.

Segundo a Agência Alemã do Meio Ambiente (UBA), cerca de 71% das terras aráveis do mundo são atualmente usadas para pasto, enquanto apenas 18% são destinadas ao cultivo de alimentos. A fim de garantir a alimentação de uma população mundial crescente no futuro e, ao mesmo tempo, ter espaço suficiente para reflorestamento, os especialistas sugerem uma nova abordagem.

“Podemos consumir mais vegetais saudáveis e menos carne”, diz Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático (PIK) e copresidente da Comissão EAT-Lancet. 

Em um para uma vida e planeta saudáveis, a comissão recomenda um consumo médio de carne por pessoa em torno de 300 gramas por semana (16 kg/ano) e um consumo de laticínios de 630 gramas por semana (33 kg/ano). No momento, consome-se até sete vezes mais carne na América do Norte e do Sul, Europa e China. No caso de laticínios, principalmente na Europa e nos EUA, o consumo é quase oito vezes superior ao recomendado.

“Curiosamente, apenas mudar para uma dieta ‘flexitariana’, mais baseada em vegetais, pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa da produção agrícola aproximadamente pela metade”, disse Rockström. A mudança na dieta “pode ajudar a manter todos saudáveis: o planeta e as pessoas”.

Por: Brasil agro

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Meteorologia

Previsão do tempo: veja onde volta a esquentar neste início de semana

Após uma intensa onda de frio atingir várias partes do Brasil, as temperaturas começam a subir gradativamente

Geada
Foto: Mycchel Legnaghi / São Joaquim Onlin

Segunda-feira, 24

Sul

Na segunda-feira, o tempo fica completamente firme no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e na maior parte do Paraná, com exceção do litoral paranaense. Isso acontece porque tem uma região de alta pressão atmosférica no Oceano, que joga ainda umidade para a costa do Paraná. Além disso, destaque para a subida das temperaturas tanto pela manhã quanto à tarde, com a intensificação dos ventos que sopram do quadrante norte, gerando sensação térmica mais agradável.

Em grande parte da região Sul, ainda tem rajadas de vento entre 40 e 50km/h. Previsão de nevoeiro nas primeiras horas do dia no leste do Rio Grande do Sul e da capital de SC até o leste do Paraná.

Sudeste

O dia tem gradativo aumento das temperaturas, em comparação com o dia anterior em todo o Sudeste, com exceção dos pontos mais altos de Serra, onde o tempo mais aberto da madrugada favorece rápido declínio das temperaturas da manhã. No entanto, a sensação de frio continua, na maior parte do estado paulista, do Rio, centro-sul-leste de Minas e no sul do Espírito Santo. No entanto, a chuva se afasta cada vez mais e passa ser mais fraca e pontual no litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Grande parte de São Paulo já tem aberturas de sol e breve elevação dos termômetros, sobretudo à tarde, mas como mencionado anteriormente, a sensação de frio continua. Porém, com a presença de um sistema de baixa pressão atmosférica na costa entre Sudeste e Nordeste, tem previsão de chuva volumosa para o Espírito Santo e rajadas de vento de mais de 70 km/h, assim como é esperado no norte do Rio de Janeiro. Por fim, tem previsão de nevoeiro novamente, nas primeiras horas do dia, de Registro, no estado de São Paulo à Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Centro-Oeste

Uma região de alta pressão atmosférica em médios e altos níveis da troposfera sobre o Centro-Oeste mantém o tempo firme na Região. O sistema inibe a formação de nuvens carregadas e garante sol em boa parte do dia. Com os ventos soprando do quadrante norte, as temperaturas se elevam bastante à tarde e a umidade relativa do ar cai para valores abaixo dos níveis críticos, em especial do norte do Mato Grosso do Sul à Goiás e Mato Grosso.

Nordeste

A chuva volta a ser mais expressiva no sul à costa baiana, até mesmo na Região Metropolitana de Salvador. Isso acontece por causa de uma área de baixa pressão atmosférica entre a costa norte do Rio de Janeiro, Espírito Santo e sul da Bahia, conhecida como ciclone subtropical, além dos ventos que sopram em altitude. Há previsão de rajadas de vento de mais de 70 km/h no litoral da Bahia. Interior da região sem mudanças no tempo, muito quente e seco. Demais capitais da faixa leste e no oeste e norte do Maranhão com pancadas pontuais de chuva, intercaladas com períodos de sol e termômetros agradáveis.

Norte

Dia de tempo seco predominando sobre grande parte da Região Norte do Brasil, que vai do Acre até Tocantins. Com índices muito baixos de umidade do ar previstos do sul do Acre e do Amazonas até o sul de Tocantins. Nessas áreas faz calor à tarde, até nos estados de Rondônia e Acre, em que sentiram a friagem nos últimos dias, onde a massa de ar de origem polar chegou por lá, e a tarde esquenta também nas localidades em que deve chover. Aliás, a chuva é forte e com trovoadas nos estados de Roraima, norte do Amazonas, Amapá e também no norte e centro do Pará.

Terça-feira, 25

Sul

O tempo segue firme na maior parte da região Sul. Vai desde o sul gaúcho até o norte do Paraná. A umidade que vem do mar ainda traz chuva fraca no final do dia no litoral paranaense.

Destaque para o início do dia com nevoeiro desde o nordeste de Santa Catarina, pegando a sua capital, e o centro leste do Paraná, incluindo Curitiba, por conta das baixas temperaturas e da alta umidade. As temperaturas sobem um pouco mais com relação aos dias anteriores, mas a sensação de frio ainda segue pela madrugada e manhã. Atenção para os ventos fortes que chegam aos 80 km/h nos litorais gaúchos e catarinenses.

Sudeste

Na terça-feira, uma área de baixa pressão atmosférica ainda atua na costa do litoral do Espírito Santo, assim como no litoral norte do Rio de Janeiro, com isso tem risco para pancadas de chuva no decorrer do dia, mas é no final que fica mais forte. Atenção as rajadas de vento de mais 80 km/h previstas nessas áreas, assim como em todo o Espírito Santo

No litoral paulista e em grande parte do Rio de Janeiro, ainda chove, só que de maneira mais fraca, ao longo do dia e intercalada por períodos de melhoria. As temperaturas mínimas do dia seguem baixas, e a madrugada fica mais fria do sul ao centro de Minas Gerais. E à tarde as temperaturas se elevam em comparação com os dias anteriores. Mesmo assim, a sensação de frio continua, de Registro, no estado de São Paulo ao Rio de Janeiro, passando pelo sul e leste mineiro. Por fim, tem previsão de nevoeiro novamente, nas primeiras horas do dia, de Registro, no estado de São Paulo à Região Metropolitana de São Paulo, passando pelo litoral sul paulista.

Centro-Oeste

Terça-feira com previsão de tempo firme mais uma vez em toda a Região Sul. Ainda por conta da área de alta pressão atmosférica em níveis médios da atmosfera. Assim, com o sol predominando, volta a esquentar à tarde mais do que nos dias anteriores, além disso, no mesmo período, a umidade do ar volta a cair, e ficar bem abaixo dos 30%, o que é prejudicial à saúde e ajuda nas ocorrências de novos focos de queimadas. E a região mais seca é entre Mato Grosso e Goiás.

Nordeste

Terça-feira com previsão de chuva em toda a costa leste do Nordeste e no norte do Maranhão. As pancadas são mais isoladas no norte maranhense, por conta da umidade que vem do mar e de instabilidades que se formam associadas ao calor e dos ventos em altos níveis, e de maneira mais forte entre Sergipe e o leste de Pernambuco, nessas áreas tem influência de um cavado na região (que é causado pela ondulações atmosféricas, neste caso, acima dos 10 km de altura, onde relativamente há uma região alongada de uma relativa baixa pressão), além da área da baixa pressão atmosférica, que também ajuda diretamente na chuva do litoral baiano. O norte do Ceará ao oeste baiano, o tempo segue firme, com elevadas e baixa umidade do ar. Atenção mais uma vez as rajadas de vento, de mais de 80km/h no leste e sul da Bahia.

Norte

Terça-feira com previsão de pancadas de chuva no norte do Amazonas, em Roraima, Amapá e norte do Pará. Essas instabilidades são de maneira forte, ao longo do dia e acompanhadas por descargas elétricas. Do oeste do Acre até Tocantins, o tempo segue seco e ensolarado, com baixos índices de umidade do ar, o que aumenta os riscos para formação de focos de queimadas.

Por Canal Rural

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Meteorologia

Primavera deve ser seca e quente

Estação começou, oficialmente, hoje em todo Hemisfério Sul

A primavera é uma estação aguardada por muitos já que é quando o frio costuma diminuir e em alguns Estados há o retorno das chuvas, amenizando o tempo seco.  A entrada da estação foi  às 4h50min desta segunda-feira. A expectativa de meteorologistas é que seja de calor acima da média e chuvas irregulares e em menor volume que no ano passado.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que as precipitações deverão começar um pouco mais tarde, em outubro. “Grande parte do Brasil tem plantio nessa época do ano, em outubro, quando as chuvas começam a se fixar”, disse o chefe da previsão do tempo do Inmet, Francisco de Assis.

 

Veja as projeções para todas as regiões do país:

Norte

A previsão para a Região Norte é que, em Roraima, Amapá, nordeste do Amazonas e meio norte do Pará as chuvas ocorram próximas ou abaixo da média para o período. Já na parte centro-sul do Amazonas, sudoeste do Pará e no Acre e Rondônia, haverá possibilidade de chuvas acima da média durante os meses de outubro a dezembro. As temperaturas serão de normal a acima da média.

A região apresentou bastante irregularidade nas chuvas entre junho a agosto. A redução das chuvas em localidades dos estados de Rondônia, Tocantins e sul do Pará e as altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar, favoreceram a incidência de queimadas, muito comuns nesta época do ano. Alguns episódios de friagem também foram registrados neste período e atingiram o Acre, Rondônia e sul do Amazonas.

Nordeste

A previsão para a primavera indica maior probabilidade de chuvas perto da média na parte leste do Nordeste. Nas demais áreas, haverá o predomínio de chuvas ligeiramente abaixo da média. Ressalta-se que o trimestre de outubro a dezembro é o mais seco da parte leste do Nordeste. As temperaturas estarão mais elevadas sobre todo o Nordeste, principalmente na região sul do Maranhão e do Piauí.

Durante os meses de inverno, as chuvas registradas foram próximas ou abaixo da média em grande parte da região.
Em lugares como João Pessoa, na Paraíba, onde geralmente chove em torno de 790 milímetros (mm) entre os meses de junho a agosto, choveu 670 mm somente em junho. As chuvas amenizaram as temperaturas nesta região, principalmente no sudeste da Bahia, onde a média das máximas em agosto ficou entre 24 ºC e 26 ºC.

Centro-Oeste

A previsão para o Centro-Oeste indica alta probabilidade de chuvas de normal a acima de normal em grande parte da região, exceto na metade norte do Goiás, onde as chuvas serão ligeiramente abaixo da média climatológica.
As temperaturas serão acima da média, principalmente no sul do Mato Grosso do Sul, norte de Mato Grosso e Distrito Federal.

Municípios de Mato Grosso e Goiás ficaram mais de 100 dias consecutivos sem chuva, a partir de maio deste ano.
Nestas mesmas áreas, as temperaturas médias foram acima do normal climatológico, em razão da permanência de massas de ar seco e quente, as quais favoreceram a ocorrência de queimadas e incêndios florestais.

Em alguns dias entre junho e setembro, a umidade relativa do ar apresentou valores abaixo de 20% nos horários com temperaturas mais elevadas, como ocorrido no Distrito Federal, em que a estação meteorológica do Inmet, no Gama (DF), registrou 8% de umidade relativa do ar no dia 4 de setembro.

Sudeste

Na Região Sudeste, a previsão é que as chuvas sejam ligeiramente abaixo da faixa normal, exceto no estado de São Paulo, sul de Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde podem ocorrer chuvas mais fortes, principalmente em novembro. As temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte do Sudeste.

A precipitação de chuvas no inverno seguiu características típicas para o período, com baixa ou total ausência de precipitação, com exceção do leste de São Paulo e Rio de Janeiro, onde as chuvas foram entre 20 e 70 mm acima da média.

As temperaturas médias foram de normal a ligeiramente acima da média em grande parte da região. Foram registrados nos estados de São Paulo e Minas Gerais alguns poucos episódios de geadas somente no início de julho, com intensidade variando de fraca a moderada.

Sul

Na primavera, ainda de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, as chuvas devem permanecer ligeiramente acima da faixa normal nos três estados da região Sul. Já as temperaturas médias devem predominar dentro da normalidade na parte oeste da região e acima da média no restante.

Durante o inverno, os maiores volumes de chuva estiveram localizados sobre a metade sul do Rio Grande do Sul. Durante os primeiros dias de junho, deu-se o início da temporada de temperaturas mais baixas, entretanto, as temperaturas abaixo de zero só ocorreram em julho e agosto.

Em áreas de serra e planalto da Região Sul do país, houve formação de geadas com intensidade variando de moderada a forte. Durante a primeira semana de julho e também de agosto, houve registro de neve na região serrana do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Fonte: Agrolink

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Meteorologia

Confira a previsão do tempo para esta segunda-feira (22) para todas as regiões do Brasil

Confira a previsão do tempo para esta segunda-feira (22) para todas as regiões do Brasil

Meteorologia – Previsão do tempo para todo o Brasil

Confira a previsão do tempo para esta segunda-feira (22) para todas as regiões do Brasil.
Informações da Climatempo:

Sul

Áreas de instabilidade se espalham pelo Sul e pode chover a qualquer hora no extremo norte do RS, em SC e no PR, ainda com risco de chuva forte. O tempo começa a abrir aos poucos nas demais áreas do RS e as temperaturas diminuem.

Sudeste

Uma frente fria chega ao litoral, mas bem afastada da costa. O céu fica com muitas nuvens e pode chover desde cedo no oeste e sul paulista. Há previsão de chuva a partir da tarde nas demais áreas de SP, no RJ e no centro-oeste e sul de MG.

Centro-Oeste

Muitas nuvens carregadas se espalham e pode chover a qualquer hora, com risco de chuva forte no sul de MS. Faz sol e calor, com previsão de pancadas de chuva entre à tarde e a noite no centro-norte de MS, em MT, GO e no DF.

Nordeste

Segunda-feira de tempo instável, com muita nebulosidade e chuva a qualquer hora, que pode ser forte, no MA, litoral do PI, CE, RN, PB e PE. Faz sol e ocorrem rápidas pancadas de chuva nas demais áreas. O tempo permanece seco no centro-sul da BA.

Norte

Nuvens carregadas se espalham e provocam chuva a qualquer hora no AP e no centro norte do PA. Nas demais áreas da Região, o sol aparece forte, faz calor e ocorrem pancadas de chuva com raios a partir da tarde.

Fonte: NoticiaAgricolas

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Meteorologia

Confira a previsão do tempo para esta segunda-feira (08) para todas as regiões do Brasil

Confira a previsão do tempo para esta segunda-feira (08) para todas as regiões do Brasil.
Informações da Climatempo:

Sul

O ar frio de origem polar ainda influencia o tempo e mantém as temperaturas amenas, com algumas aberturas de sol no RS, no oeste de SC e do PR. O tempo fica instável e pode chover a qualquer hora nas demais áreas do PR e de SC, podendo ser forte.

Sudeste

A instabilidade persiste sobre SP e chove várias vezes nesta segunda-feira. O alerta é para chuva forte no litoral do estado. O sol aparece forte com aumento das nuvens e há previsão de pancadas de chuva com raios no RJ, MG e no ES.

Centro-Oeste

O ar frio de origem polar influencia o Pantanal de MT e quase todo MS, onde as temperaturas ficam amenas e acontecem aberturas de sol. Na divisa de MS com SP chove a qualquer hora e nas demais áreas ocorrem pancadas de chuva a partir da tarde.

Nordeste

A instabilidade enfraquece um pouco e quase toda a Região tem períodos de sol e pancadas de chuva com raios somente a partir da tarde. No litoral norte, entre o MA, PI e CE, o tempo continua instável com muitas nuvens e várias pancadas de chuva.

Norte

O ar fica seco e o sol predomina no AC e RO. As temperaturas entram em elevação à tarde. Já em RR, norte do AM, norte do PA e no AP, o tempo fica mais instável com chuva a qualquer hora. Nas demais áreas chove a partir da tarde.

Post: NoticiasAgricolas

 

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Agronotícias

Regularização do clima estanca perdas e safra de soja pode ser segunda maior da história

Alto Paraíso (GO) – Plantação de soja em área do município de Alto Paraíso (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A regularização das condições climáticas no Brasil a partir de fevereiro ajudou a estancar as fortes perdas da produção de soja registradas na virada de ano. O vice-presidente da SNA Hélio Sirimarco lembra que a colheita da oleaginosa se encaminha para o fim e que a última pesquisa da Reuters, divulgada em 27 de março, mostrou que a safra 2018/2019 deve ficar em 114 milhões de toneladas.

“Na média de estimativas de 12 consultorias e entidades do mercado, o Brasil, maior exportador global de soja, produzirá na atual safra 114,24 milhões de toneladas da oleaginosa, volume 4,2% menor na comparação com o recorde de 2017/18”, acrescenta Sirimarco.

Ainda que abaixo do recorde do ano anterior, se esse volume previsto for confirmado, a safra atual será a segunda maior da história, ressalta ele, superando por pouco as 114.1 milhões de toneladas de 2016/17. A nova previsão traz ainda uma pequena redução em relação ao levantamento de fevereiro, que previa 114.59 milhões de toneladas.

O vice-presidente da SNA diz que, com a colheita de soja já bastante avançada, sobretudo nas maiores regiões produtoras, como Mato Grosso, a entidade estima que boa parte das perdas de produtividade desta safra já foram contabilizadas.

Área plantada foi recorde

“Esperava-se, inicialmente, que o Brasil produzisse mais de 120 milhões de toneladas de soja na atual temporada, graças a um plantio histórico de 36 milhões de hectares regado a boas condições climáticas. Mas uma estiagem marcada por altas temperaturas entre dezembro e janeiro jogou por terra esse prognóstico”, conta Sirimarco.

Ele explica que as precipitações voltaram ao normal a partir de fevereiro, evitando mais perdas de produtividade, mas não compensando os problemas anteriores. “O resultado é uma safra marcada por expressiva desuniformidade no que tange ao rendimento da soja”, avalia.

De acordo com o executivo, Mato Grosso do Sul e Paraná tiveram perdas de produtividade próximas de 15%, na média, em relação ao último ciclo. No Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), observou-se uma produtividade 13% abaixo do ano passado, mas, ainda assim, 9% acima da média dos últimos cinco anos.

Em termos gerais, Mato Grosso teve produção muito próxima da do ano passado e o Rio Grande do Sul tem perspectivas acima do último ano. “Há ainda trabalhos de campo principalmente no Rio Grande do Sul e no Matopiba, regiões que plantam mais tarde, bem como no Paraná, que viu as atividades perderem ritmo nas últimas semanas por causa da chuvarada”, ponderou Sirimarco.

Fonte: SNA

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Agricultura

Rainha no Brasil, soja vai destronar milho nos Estados Unidos

Após quase quatro décadas de soberania do milho, a soja deve assumir a posição de grão mais cultivado pelos americanos, alcançando 36,7 milhões de hectares

Líderes mundiais, Brasil e Estados Unidos têm quase a mesma área plantada com soja | Hugo Harada/Gazeta do Povo

Pela primeira vez em 35 anos, a soja deve roubar do milho a coroa de principal grão cultivado nos Estados Unidos. Os produtores americanos se preparam para plantar um recorde de 36,7 milhões de hectares com a leguminosa, segundo pesquisa da Bloomberg junto a 21 traders e analistas de mercado.

O cultivo de milho deverá recuar para 36,4 milhões de hectares. A última vez em que a soja superou o milho foi em 1983, quando o governo ainda pagava subsídios para terras ociosas. (Obs: no Brasil, a soja reina inconteste como grão mais cultivado desde a safra 1997/98, quando chegou a 13,2 milhões de hectares contra 11,4 milhões do milho. Na safra 2017/18, a estimativa da Conab é de 35 milhões de hectares de soja no Brasil e 16,4 milhões de milho).

Quanto à realidade dos Estados Unidos, a impressão “já vi esse filme antes” não está errada. No ano passado, nesta época, os analistas já esperavam a coroação da soja, porque a leguminosa vinha oferecendo preços melhores. Apesar de os produtores semearem soja como nunca, o cultivo ficou ligeiramente abaixo da área plantada com milho, que foi favorecido pelas condições climáticas. Então, por que dessa vez seria diferente? A resposta está na seca.

Cerca de 16% do cinturão verde do Meio Oeste já sofre com a estiagem e há previsão de mais tempo seco para o início da nova safra. Soja, trigo e algodão são mais tolerantes à falta de água do que o milho. Os preços também favorecem a soja. As cotações futuras da colheita deste ano estão 2,5 melhores do que os contratos para o milho. É o quinto ano consecutivo que a leguminosa oferece retornos melhores.

Depois de vários anos de preços baixos, esses “prêmios” são mais importantes do que nunca. É o que garante Julie Burgod, produtora de 52 anos que cria gado e cultiva grãos em 1800 hectares em Ipswich, na Dakota do Sul, junto com o marido e o filho.

Eles planejam reduzir pela metade a área de milho para abrir caminho para a soja, por que as espigas não “pagam as contas”. Julie também é dona de uma corretora de seguro rural e diz que muitos de seus clientes se inclinam a fazer o mesmo.

Dinastia

“A soja é rei, o milho é a rainha”, resume Julie. “Também estamos preocupados com a previsão de solos mais secos em 2018”. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) vai divulgar o primeiro levantamento da próxima safra no seu 94º encontro anual Agricultural Outlook Forum, que começa nesta quinta-feira em Arlington, na Virgínia.

A estiagem no momento é mais aguda na parte norte das Grandes Planícies. Em Dakota do Norte, as áreas que sofrem com a seca cobrem 65% do estado, enquanto ano passado, nesta época, o problema não existia – segundo o Drought Monitor.

Os solos áridos estão limitando as opções de plantio, segundo Jim Diepolder, produtor rural e dono de uma casa agropecuária perto de Willow City, em Dakota do Norte. As condições atuais reduzem as chances de o milho alcançar a produtividade necessária para cobrir os custos de produção.

A cevada também é menos atraente depois que uma série de colheitas abundantes inflaram os estoques, levando as empresas de cerveja a cortar contratos de fornecimento. Diepolder não está plantando nenhum milho neste ano e vai reduzir a área da cevada pela metade. Ele substituirá as culturas com outro grão que pode deve ganhar território: o trigo. E semeará também a canola, que é igualmente mais resistente à seca.

“Fico de olho no clima e nas cotações, mas o clima é que manda”, diz Diepolder. “Quanto mais seco ficar, mais trigo será plantado por que a cultura aguenta melhor a estiagem. É preciso ter alguma coisa quando chegar a época da colheita”.

Fonte: Gazeta do povo

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Sustentabilidade

Alterações climáticas podem levar mais de 122 milhões de pessoas à pobreza, diz FAO – Globo Rural

Com o planeta mais quente, haverá impactos negativos no setor agrícola

Foto: Jeff Kubina/CCommons
Foto: Jeff Kubina/CCommons

A Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) das Nações Unidas alertou na segunda-feira (17/10) para a urgência de ajudar o setor agrícola a adaptar-se às mudanças climáticas, que poderão deixar mais de 122 milhões de pessoas na pobreza.

“A menos que sejam tomadas medidas agora para tornar a agricultura mais sustentável, produtiva e resiliente, os impactos das alterações climáticas vão comprometer gravemente a produção alimentar em países e regiões que já enfrentam uma alta insegurança alimentar”, escreveu o diretor-geral da organização, José Graziano da Silva, no prefácio do relatório da FAO.

Intitulado “O Estado da Alimentação e da Agricultura”, o relatório sublinha que, se não houvesse alterações climáticas, a maioria das regiões deveria reduzir o número de pessoas em risco de pobreza até 2050.

No entanto, com as mudanças no clima e se nada for feito estima-se que entre 35 e 122 milhões de pessoas entrem para a faixa de pobreza. Isto deve-se sobretudo aos impactos negativos do aquecimento global no setor agrícola.

Os mais afetados seriam as populações nas zonas mais pobres da África subsaariana e do Sul e Sudeste Asiático, especialmente os que dependem da agricultura para viver.

Graziano da Silva defende que a fome, a pobreza e as alterações climáticas têm de ser abordadas em conjunto, “por um imperativo moral, porque aqueles que hoje mais sofrem são os que menos contribuíram para as alterações climáticas”.

O relatório da FAO recorda que para manter o aumento da temperatura global abaixo do teto de 2°C, as emissões de gases de efeito estufa terão de diminuir 70% até 2050, o que só será possível com o contribuição dos setores agrícolas.

Estes setores são responsáveis por, pelo menos, um quinto de todas as emissões, principalmente devido ao desmatamento para converter florestas em terra cultivada e também devido à pecuária e à produção agrícola.

No entanto, escrevem os autores, os setores agrícolas enfrentam um duplo desafio: reduzir as emissões de gases de efeito estufa ao mesmo tempo e aumentar a produção de alimentos para saciar uma população crescente e cada vez mais rica.

Estima-se que a procura global por alimentos em 2050 seja pelo menos 60% maior do que em 2006, mas o crescimento populacional será concentrado nas regiões onde hoje já há maior prevalência de subnutrição e maior vulnerabilidade às alterações climáticas.

Foco nos pequenos proprietários

O relatório reconhece que reformular a agricultura e os sistemas alimentares será um processo complexo, devido ao vasto número de partes envolvidas, à multiplicidade dos sistemas agrícolas e de produção alimentar e às diferenças nos ecossistemas.

No entanto, alerta, os esforços têm de começar agora, porque os impactos das alterações climáticas só piorarão com o tempo e se nada for feito os países mais pobres terão, no futuro, de enfrentar simultaneamente a fome, a pobreza e as mudanças climáticas.

Nas palavras de Graziano da Silva, “os benefícios da adaptação ultrapassam os custos da inação com margens muito grandes”.

Nas vésperas da 22ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que começa em 7 de novembro em Marrocos, o relatório sublinha que o sucesso da transformação da agricultura depende em grande medida da ajuda aos pequenos proprietários na adaptação às mudanças climáticas.

Estima-se que haja nos países em desenvolvimento cerca de 475 milhões de famílias de pequenos proprietários que produzem em contextos socioeconômicos e condições agroecológicas muito distintas, por isso não existe uma só resposta.

No entanto, a FAO descreve no relatório algumas formas “alternativas e economicamente viáveis” de ajudar os agricultores a se adptarem e especificamente a partir da adoção de práticas inteligentes, como o uso de variedades de culturas eficientes na fixação de nitrogênio e tolerantes ao calor.

A adoção generalizada de práticas nitrogênio-eficientes, por exemplo, permitiria reduzir em mais de 100 milhões o número de pessoas em risco de subnutrição, estima o relatório.

Fonte: Globo Rural

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Agroeconomia

Negócios da nova safra de soja estão travados em todo o Brasil com preços pouco atrativos – Notícias Agrícolas

Fonte: Internet
Fonte: Internet

O plantio da safra 2016/17 de soja se desenvolve ainda de forma bastante irregular nos principais estados do Brasil dadas as atuais condições climáticas. As chuvas não se mostram bem distribuídas, segundo o relato de produtores rurais e consultores de mercado, o que trava não só os trabalhos de campo, mas também a comercialização da nova temporada. Segundo Vlamir Brandalizze, há pouco mais de 30% da soja já comercializada. 

O consultor da Brandalizze Consulting afirma que, nas últimas quatro semanas, os negócios com a safra nova foram bem pontuais, com baixos volumes e mais como resultado de alguns produtores que não tiveram acesso ao crédito buscando ainda as relações de troca nas revendas. E essas operações, com a grande maioria dos sojicultores com seus insumos já comprados, se mostram mais frequentes nos estados centrais. 

Para o consultor Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios, há três fatores básicos que travam as vendas neste momento: a taxa de câmbio bem mais baixa do que a observada há alguns meses [quando foram feitos volumes maiores de negócios], um percentual já vendido que dá garantia ao produtor e a espera do mesmo pela confirmação de sua produtividade e, consequentemente, o quanto ainda poderá ser comprometido da nova safra. 

Do dia 2 de maio ao último 30 de setembro, o preço médio da soja na Bolsa de Chicago apresentou um recuo de 8,45%. Ao se considerar o pico atingido em 10 de junho, de US$ 11,79 por bushel, a baixa acumulada é de 18,98%. Nos mesmos intervalos, o dólar registra recuos de 6,83% e 5,23%, respectivamente. 

Dessa forma e focados na semeadura, os produtores esperam momentos mais oportunos para voltar às vendas, travando conforme os preços lhe trazem margens. De acordo com o consultor de mercado Flávio França Junior, da França Junior Consultoria, o último grande pico de negócio aconteceu no início de junho, quando os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago chegaram a se aproximar dos US$ 11,80. 

“Temos agora um momento bem defensivo. Há duas semanas, quando o mercado se aproximou, novamente, dos US$ 10,00, tivemos algumas operações, mas com pouco avanço e bem pontuais”, afirma França. 

Na região de Querência, em Mato Grosso, por exemplo, há algo entre 20% e 30% da nova safra já comercializada antecipadamente e, nos últimos meses, as vendas perderam bastante ritmo diante dos preços mais baixos, segundo relata o presidente do Sindicato Rural do município, Osmar Frizzo. “Hoje os preços não estão mais atrativos para a fixação”, diz.

O mesmo quadro pode ser observado em Sapezal, também no estado mato-grossense. “As comercializações foram há 90 dias, depois disso, não houve nem mais comentários de negociações futuras. Isso porque as commodities caíram e o custo aumentou, então o produtor acabou não fazendo novas fixações”, explica José Guarino Fernandes, presidente do Sindicato Rural local. 

Na região, a média da soja convencial, nesses negócios antecipados foi de algo entre R$ 75,00 e R$ 76,00 por saca e as transgênicas entre US$ 20,00 e US$ 21,00. 

Passando para o Paraná, onde o plantio está mais adiantado em função de melhores condições de clima e solo, os produtores também estão se dedicando mais ao plantio do que a novas vendas. Como Segundo explica Silvanir Rosset, presidente do Sindicato Rural de Guaíra, quem vendeu antecipado chegou a fixar preços na casa dos R$ 85,00 por saca na região. “Agora nem se fala em contratos. E os grandes desafios agora são o mercado e o clima”, conclui. 

No Mato Grosso do Sul, a mesma situação. O maior volume de negócios saiu, na região de Ponta Porã, quando as cotações variavam entre R$ 75,00 e R$ 80,00 por saca. “Esse é um bom preço para os produtores daqui, quem teve essa possibilidade, fez a venda, mas foi pouco”, relata o técnico agrícola João Pedro Roma. 

Novas Oportunidades

Para os três especialistas consultados pelo Notícias Agrícolas – Vlamir Brandalizze, Ênio Fernandes e Flávio França Junior – a atual postura defensiva dos produtores rurais brasileiros em relação à comercialização da nova safra é bastante acertada neste momento e novas e melhores oportunidades deverão aparecer mais adiante. 

Com a colheita da nova grande safra dos Estados Unidos concluída, os preços em Chicago deverão se acomodar um pouco mais e aliviar a pressão sentida nas últimas semanas, ainda de acordo com os consultores. E é quando a atenção começa a se voltar para o clima na América do Sul, especialmente no Brasil, e deverá ser redobrada à movimentação do câmbio. 

Segundo França, diferente do que aconteceu há aproximadamente dois anos e meio, o sojicultor deverá ter de garantir sua renda via preços em Chicago, uma vez que “do dólar não deverá vir nada de especial, parece que o câmbio está encontrando um equilíbrio”. No entanto, alerta ainda que esse não é um momento de fortes e consistentes altas na CBOT, já que a pressão da entrada da nova safra americana é inevitável.

E para que o produtor brasileiro se sentisse novamente atraído à novas vendas, o dólar deveria voltar, segundo Brandalizze, a atuar na casa dos R$ 3,50. Afinal, com a moeda americana nos atuais valores – na casa dos R$ 3,20 a R$ 3,25 – a referência no porto de Paranaguá, por exemplo, vai a R$ 78,00 para maio e, consequentemente, a algo entre R$ 63,00 e R$ 64,00 por saca no interior de Mato Grosso. “E nos melhores momentos, os preços se aproximaram de R$ 79,00 na região de Sorriso, por exemplo”, relata o consultor da Brandalizze Consulting. 

“Há ainda muita coisa para acontecer. Juntos, Brasil, Argentina e Paraguai plantam 51% de toda a soja do mundo e esses países estão começando a plantar agora. Então, precisaremos acompanhar o clima na América do Sul para saber o que vem pela frente”, diz Fernandes. “Assim, o produtor agora tem bastante reticência em vender nos atuais preços”, completa. 

 

Por: Carla Mendes

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