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Agricultura Agronotícias

Insumos: próxima safra pode ser a mais cara do século, diz CNA

Contexto nacional e internacional de alta de preços é apontado como a causa; para especialista, problema pode demorar para ser resolvido.

Em entrevista no programa Direto ao Ponto deste domingo (14), o diretor técnico adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Reginaldo Minaré, disse que a próxima safra poderá ser a mais cara desde o início dos anos 2000. O motivo seria os altos custos, entre eles dos insumos.

“Toda essa conjuntura de aumento de preço – seja do combustível, aproximadamente 65% este ano, da energia, 25%, dos insumos, fertilizantes e defensivos, em média 100% mais caros e problemas com o aumento de frete, de contêineres – coloca uma expectativa de que a próxima safra será a mais cara do século”, afirma.

Minaré ressalta que a situação é preocupante para o produtor rural. “Sabemos que o preço dos insumos aumentou muito, mas não sabemos como o preço da safra vai se comportar quando ela for colhida”. Ele completa dizendo que a margem de lucro ou prejuízo dos agricultores só será calculada no final da safra.

Para o representante da CNA, os preços devem continuar elevados e a solução não chegará logo. “Essa cadeia de abastecimento é complexa, e quando ela se desestrutura, não é algo que se corrige rapidamente”, coloca.

Cuidados que o produtor deve ter

O diretor da CNA também fala que os agricultores devem tomar alguns cuidados na hora de comprar insumos. Um deles é com relação aos contratos. De acrodo com Minaré, em caso de problemas na entrega, é importante checar os contratos de compra que já possui e avaliar os novos acordos para que as duas partes, comprador e vendedor, sejam resguardadas.

Outro ponto de atenção é com relação a possíveis especulações dos produtos. O diretor reforça que, caso haja configuração dessa prática, o produtor deve denunciar.

Questão do glifosato

Agricultores já têm reclamado da dificuldade de encontrar glifosato nos estabelecimentos de venda. O representante da CNA afirma que as circunstâncias desse produto diferem de outras pois depende de uma matéria-prima da qual a China responde por um terço da produção mundial.

“Ele tem uma situação peculiar devido à matéria prima, que é o fósforo amarelo. A retirada dessa substância exige um trabalho industrial muito robusto, principalmente, com muito uso de energia e água. Como a China está com certa dificuldade de energia, as indústrias que mais utilizam energia foram convidadas a reduzir a produção. No caso da produção do fósforo amarelo, de setembro a dezembro deste ano, se estabeleceu uma redução de 90% na produção chinesa. Isso não é uma coisa que se supre muito rápido”, conta.

Ainda de acordo com Minaré, há esperanças de que a produção chinesa se normalize no início do próximo ano, mas não há garantias disso. “O glifosato pode ser um produto que vá ter problemas para a próxima safra. Essa é uma realidade posta. Já tem algumas pessoas com dificuldade de encontrar e talvez isso continue até o próximo ano”, afirmou o convidado do programa.

Por: Canal Rural

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Agronotícias

CNA discute iniciativas para o setor de irrigação

A Comissão Nacional de Irrigação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu, na quarta (12), para discutir iniciativas para a expansão do setor de agricultura irrigada no País.

Um dos itens da pauta foi a apresentação da 2ª edição do Atlas de Irrigação, realizada pelo coordenador de Estudos Setoriais da Agência Nacional de Águas (ANA), Thiago Fontenelle.

O documento traz um compilado de informações sobre o uso da água na irrigação, principais sistemas, culturas, e o potencial de expansão da área irrigada no Brasil. A primeira edição foi publicada pela Agência em 2017.

“É uma iniciativa de técnicos da própria ANA que viram o uso apenas de dados técnicos do Censo Agropecuário feito de 10 em 10 anos e que a dinâmica da atividade não pode esperar 10 anos para ter dados renovados e então resolveram formar uma base técnica sobre o tema”, afirmou Fontenelle.

O atlas é coordenado pela ANA e foi produzido em parceria com outras entidades como a Embrapa, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), IBGE, além de universidades. Segundo a publicação, até 2040 poderá ter um acréscimo de 76% da área irrigada atual, com estabilidade na área fertirrigada e um aumento da participação de pivôs centrais na agricultura, passando dos atuais 27% para 38%.

Hoje o potencial efetivo da irrigação no País é de 13,7 milhões de hectares e pode chegar a 55,85 milhões se melhorar a infraestrutura de algumas regiões do País, afirmou Fontenelle. Ele acrescentou que o atlas servirá para contribuir com o reconhecimento da agricultura irrigada no Brasil, além de dar subsídios para a tomada de decisões e implementação de políticas públicas direcionadas ao setor.

De acordo com o presidente da Comissão Nacional de Irrigação, Eduardo Veras, a CNA e as demais entidades que compõem a comissão, estão dispostas a estabelecer uma parceria com a ANA para que a atualização do Atlas seja feita de forma constante e sirva como propulsora de políticas públicas para o setor “Comparado com o potencial que a agricultura irrigada tem no país, estamos muito aquém no uso dessa tecnologia, por isso, a CNA buscará meios de divulgar o atlas, pois é um trabalho completo e a sua atualização deve ser constante.”

Energia – A comissão também tratou da Resolução n.° 901/2020 que altera artigos na resolução n.º 800/2017, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que estabelecem o recadastramento para fins de aplicação dos descontos da tarifa de energia elétrica.

As atividades de irrigação e aquicultura podem receber desconto na fatura de energia elétrica utilizada durante 8,5 horas por dia, em geral entre 21h30 e 6h.

Os descontos são para o Nordeste e demais municípios da área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), sendo 90% para consumidores atendidos em baixa tensão. No Norte, Centro-Oeste e demais municípios de Minas Gerais, os descontos são de 80% para alta tensão e de 67% para baixa tensão. Demais regiões, 70% de alta tensão e 60% de baixa tensão.

A assessora técnica da Comissão de Irrigação da CNA, Jordana Girardello, explicou que o produtor pode solicitar o benefício tanto para as unidades consumidoras já existentes como para novas instalações, basta seguir os requisitos estabelecidos.

Além disso, uma nova revisão cadastral será realizada a cada três anos. “Mesmo com esse novo prazo para o recadastramento e a opção de auto declaração nesse primeiro cadastro, entendemos que ainda existem problemas a serem sanados como, por exemplo, a demora dos órgãos na emissão das autorizações ambientais e de outorga, que pode fazer com que o produtor perca o desconto inviabilizando a atividade em alguns casos”, disse Jordana.

Outro item da pauta foi o uso da energia solar como alternativa para irrigação no campo. A empresa Valmont apresentou alternativas à rede elétrica para auxiliar o produtor rural a reduzir custos e a ter mais um negócio na propriedade ao gerar energia solar.

O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) também apresentou as iniciativas de apoio à produção irrigada. Antônio Leite, representante do órgão, afirmou que as principais dificuldades para a expansão da agricultura irrigada, de acordo com levantamento realizado pelos polos de irrigação nos estados, são o licenciamento de barramentos, a outorga, o licenciamento ambiental e os custos com energia.

Para auxiliar na questão da energia, estão trabalhando uma proposta para financiar estruturas de uso comum que serão geridas pelas associações locais e sejam capazes de fornecer energia elétrica para a comunidade privada de irrigantes, que terão prazos e condições viáveis de pagamento pelo investimento.

Fonte: CNA

 

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Agronegócio

CNA defende regularização fundiária em audiência pública no Senado

O presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento da Região Norte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, defendeu, no Senado Federal, a regularização fundiária como política pública para o desenvolvimento econômico e social do País.

Lourenço participou da audiência pública quinta (29), na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), para debater a legislação sobre o tema, em especial, o Projeto de Lei 510/2021, que altera a Lei n° 11.952, de 25 de junho de 2009, sobre a regularização fundiária das ocupações em terras da União.

“Para nós, regularização fundiária é sinônimo de segurança jurídica, cidadania e acesso às politicas públicas como, por exemplo, o financiamento do crédito rural, tão fundamentais para o crescimento da renda das famílias rurais, trazendo paz e desenvolvimento econômico e social para o campo”, disse.

Segundo Muni Lourenço, esse debate é importante e urgente para que se tenham regras que acelerem a regularização fundiária com segurança e “garantam o reconhecimento do direito à propriedade, assegurado constitucionalmente, para milhares de brasileiros e produtores que vivem especialmente na região amazônica”.

Ele destacou ainda que a CNA é favorável ao relatório do senador Irajá Abreu (PSD-TO), por “apresentar significativos avanços no sentido de proporcionar essa celeridade para a regularização fundiária”.

O debate foi encerrado devido à Ordem do Dia no Senado, mas será retomado na próxima segunda (3/5). Também participaram da audiência pública o presidente do Incra, Geraldo Melo, o secretário especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Luiz Antônio Nabhan, a pesquisadora do Imazon, Brenda Brito, e o secretário de Política Agrária da Contag, Alair Luiz dos Santos.

Por: CNA

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Agronotícias

Ministério da Agricultura disponibiliza o plano de ações do Agro 4.0

O documento foi aprovado no começo do mês de abril pela Câmara do Agro 4.0, coordenada pelo Mapa e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

As estratégias digitais e ações para Incentivar soluções tecnológicas e acesso à internet no campo estão disponíveis no Plano de Ação para o período 2021-2024, publicado no site Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O documento foi aprovado no começo do mês de abril pela Câmara do Agro 4.0, coordenada pelo Mapa e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações (MCTIC), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

O diretor de Apoio à Inovação para Agropecuária, Cleber Soares, explica que há grande expectativa do setor agropecuário em relação à transformação digital.

“O plano norteia as prioridades em termos de políticas públicas para esse grande eixo estratégico que é a agricultura digital”.

O documento define prioridades e campos tecnológicos levando em conta a integração de importantes áreas como a conectividade, a agricultura e pecuária de precisão, os avanços em inteligência artificial, machine learningmineração de dados, realidade aumentada, cloud computing, big data, internet das coisas, computação holográfica e outras tecnologias.

“A agenda Agro 4.0 levará ao campo conectividade, informação qualificada, tecnologia e inovação, elementos essenciais para manter o Brasil como protagonista no Agro global”, diz o coordenador-geral de Inovação Aberta, Daniel Trento.

A importância do tema engloba ainda novos modelos de negócio, entendendo o contexto de inovações crescentes para gerar emprego e renda tanto para as empresas como para os produtores rurais.

Por: Ministério da Agricultura

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Agronegócio

Incra deve emitir mais de 80 mil títulos em terras da União na Amazônia Legal

No total, emissão pode ultrapassar 130 mil títulos em glebas públicas federais em 2021; tema foi discutido durante reunião de comissão da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.

O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Geraldo Melo, afirmou que o órgão deve emitir em 2021 mais de 130 mil títulos em glebas públicas federais, sendo que 80.427 mil nos estados da Amazônia Legal. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 7, em reunião da Comissão Nacional de Desenvolvimento da Região Norte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A comissão debateu as metas e prioridades do Incra para a região, como a regulamentação do Programa Titula Brasil, instituído pela Portaria Conjunta n.º 01/2020 entre o órgão e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

“Regularização fundiária é sinônimo de tranquilidade e segurança jurídica para o produtor rural poder investir, além de ser fundamental no contexto ambiental e para a sucessão familiar no campo”, afirmou Muni Lourenço, presidente da comissão e da Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea).

De acordo com os dados do Incra, em 2020 apenas na Amazônia Legal, somando assentamentos e glebas públicas, o órgão emitiu 69.366 títulos, o que representa uma área de 4.023.760,63 hectares. Em todo o país foram mais de 109 mil títulos provisórios e definitivos.

“O desafio do Incra é entregar 130 mil títulos definitivos e provisórios em 2021, entre glebas públicas e assentamentos, em todo o Brasil. Os números deste ano estão bastante encaminhados, já emitimos 26 mil títulos apenas no primeiro trimestre”, relatou.

Para agilizar a emissão dos títulos, Melo ressaltou que o Incra está desenvolvendo uma plataforma de Governança Fundiária em parceria com o Serpro, que tem o objetivo de desburocratizar a consulta do Certificado de Cadastro do Imóvel Rural (CCIR) pelas instituições financeiras, para facilitar a acesso do produtor rural ao crédito rural. Além disso, quer promover a unificação de cadastros e acelerar o processo de análise e emissão de títulos.

Em relação ao programa Titula Brasil, o presidente do Incra afirmou que 567 municípios já aderiram à iniciativa e 221 estão na Amazônia Legal. “O programa pretende ampliar o alcance dos serviços do Incra e agilizar os processos de regulação fundiária por meio de acordos de cooperação técnica com as prefeituras. ”

A comissão também debateu a metodologia “Fit for Purpose”, que tem como objetivo o cadastro e a formalização das propriedades de uma maneira rápida, digital e com um custo viável, para simplificar o processo de regularização fundiária. O consultor técnico de projetos da empresa Kadaster Internacional, Bastiaan Reydon, fez uma apresentação sobre o tema.

Segundo ele, utilizando-se de dispositivos móveis e satélites, essa metodologia possibilita a mensuração do perímetro de cada imóvel de forma célere, além da participação dos produtores no processo junto com a articulação com os Cartórios de Registro de Imóveis.

O projeto piloto foi realizado em um conjunto de imóveis nos municípios de Tangará da Serra e de Diamantino em Mato Grosso (MT) em 2017. A ideia é aplicar o “Fit for Purpose” em municípios da região Norte que possuam glebas públicas federais e projetos de assentamentos da reforma agrária.

Por: Canal Rural

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Pecuária

Faturamento é bom, mas produtor precisa ficar atento à alta de custos

O Valor Bruto da Produção poderá atingir R$ 1,2 trilhão neste ano, 16% mais do que em 2020.

Faturamento é bom, mas produtor precisa ficar atento à alta de custos
Faturamento é bom, mas produtor precisa ficar atento à alta de custos

O faturamento da agropecuária deverá atingir R$ 1,2 trilhão neste ano, valor que, se confirmado, ficará 16% acima do de 2020, que já tinha sido um período muito bom.

Dois produtos sustentam valores tão elevados para este ano: o boi e a soja. Juntos, eles representam 50% de todo o faturamento da agropecuária dentro da porteira.

O setor vive um momento muito bom, segundo Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

O coordenador afirma que o produtor investiu na produção e, devido à alta das commodities no mercado internacional e à desvalorização do real, as cotações internas estão favoráveis. Volume elevado e preços bons seguram as receitas.

O momento é favorável, mas também preocupa, segundo ele. O mesmo dólar que eleva os preços internos das commodities para patamares altos, traz para dentro do país novos custos, via compra de insumos.

A alta dos custos reduz a margem de lucro, e a preocupação é com os produtores desavisados. Ainda se ganha dinheiro, mas no futuro poderá haver um descasamento entre custos e receitas para os que não adotarem medidas de proteção. O custo sobe, e a rentabilidade cai.

É cedo ainda, mas esse possível cenário deve estar no radar do produtor. Ele precisa de um planejamento financeiro, afirma o representante da CNA.

A agricultura deverá render R$ 778 bilhões neste ano, puxada por soja e por milho, que representam 69% do volume financeiro deste setor.

Esse valor, no entanto, pode não se confirmar, uma vez que o milho está sendo plantado fora do período ideal. Qualquer problema climático reduzirá o volume produzido.

Do ponto de vista dos preços, incentivados pelos valores internacionais, não haverá grandes oscilações, acredita Conchon. A demanda externa continua, e a colheita dos americanos, devido ao clima, ainda é incerta.

Dois produtos, da lista dos 23 da agricultura analisados pela CNA, chamaram a atenção do coordenador da entidade. Um deles é a banana, que terá evolução de 22% no faturamento neste ano, por causa do aumento dos preços. O segmento deverá render R$ 15 bilhões.

O outro é o café arábica, cuja queda nas receitas poderá atingir 30%. Os preços estão bons, e em alta, mas a produção deverá recuar para 33 milhões de sacas, devido à bienalidade negativa.

O café, normalmente, tem uma safra boa, seguida de uma ruim. Neste ano, é o período de queda.

Os segmentos mais representativos da agropecuária brasileira deste ano serão a soja, com faturamento de R$ 382 bilhões, e a bovinocultura, com receitas de R$ 210 bilhões. Milho, com R$ 153 bilhões, e o setor de leite, com R$ 73 bilhões, vêm a seguir.

Por: Brasil Agro

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Agronotícias

Saiba por que a carne continua mais cara em 2021

Especialistas consultados pelo G1 apontam que problemas climáticos e custos deixaram o produto mais salgado para o bolso. Alimento subiu 1,72% em fevereiro e acumula alta de 29,5% nos últimos 12 meses.

Preço da carne, que estava em queda de 0,08% em janeiro, aumentou 1,72% em fevereiro. — Foto: AMANDA PEROBELLI/Reuters
Preço da carne, que estava em queda de 0,08% em janeiro, aumentou 1,72% em fevereiro. — Foto: AMANDA PEROBELLI/Reuters

Depois de subir 18% em 2020 e ficar escassa na mesa dos brasileiros, a carne continua registrando alta nos supermercados, devido a problemas climáticos e custos.

Em fevereiro, o alimento subiu 1,72% na comparação com janeiro e, nos últimos 12 meses, registra alta de 29,5%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), publicado na quinta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IPCA é o índice que mede a inflação oficial no país.

Em fevereiro, o corte com maior variação foi o lagarto comum, com avanço de 3,60%. Já o contra filé aumentou 2,06% e a alcatra subiu 3,05%. Diferentemente destas carnes, a de porco, por exemplo, caiu 2,05%.

Com os preços mais salgados, a população tem escolhido ovo e frango como mistura.

Os especialistas consultados pelo G1 acreditam que cortes de custos pelos frigoríficos e menos consumo na quaresma podem fazer com que a alta de preços seja freada. Contudo, a aprovação de uma nova rodada do Auxílio Emergencial pode elevar a demanda e, consequentemente, puxar novamente os preços.

Por que está caro?

Uma das explicações para a alta de preço é a menor disponibilidade de gado para o abate, que vem acontecendo desde 2020, segundo o assessor técnico da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Nissen.

Ele explica que tudo começou ainda nos anos anteriores a 2019, quando havia uma presença maior do abate de fêmeas. Isso levou a uma menor quantidade de bezerros atualmente o que, por sua vez, diminuiu a oferta do animal para o abate.

“Quando a gente observa as escalas de abates dos frigoríficos, eles estão com dificuldade de comprar boi para levar para o frigorífico efetivamente, porque o mercado está muito vazio”, comenta.

Mas este não é o único motivo para o crescimento dos preços. De acordo com Nissen, no final do ano aconteceu uma seca mais longa do que o normal, o que levou a um atraso na produção do boi de pasto.

Sem o pasto, o boi não obtém todos os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento e o produtor precisa investir em suplementos para resolver este problema, conta o assessor.

Além disso, a produção pecuária está mais cara também devido à desvalorização do real, como explica o coordenador do Índice de Preço do Consumidor (IPC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV – IBRE), André Braz.

“A carne brasileira sofre duas ações do dólar. Ele tanto favorece a exportação, porque quanto mais a gente exporta, a gente recebe em dólar (…) Essas vendas aumentam quando a nossa moeda desvaloriza porque todos querem comprar do Brasil”, diz.:

“Mas, por outro lado, essa desvalorização cambial também aumenta os custos da pecuária e da criação de outros animais”, complementa.

“Isso onera o pecuarista. Se, por um lado, ele consegue vender melhor porque está vendendo em dólar, por outro ele tem custos pressionando a cadeia produtiva”, completa.

Todos esses custos são repassados ao consumidor final, elevando os preços.

No IPC, o aumento do valor da carne também foi percebido, sendo identificada uma variação de 0,94% em janeiro, para 1,24% em fevereiro, acumulando alta de 26,92% em 12 meses.

Vai faltar carne?

Apesar da menor oferta, o Brasil ainda é um grande produtor – e, deste modo, consegue suprir a demanda interna, segundo o assessor técnico da CNA, Ricardo Nissen.

“A gente é o segundo maior mercado produtor de carne bovina do mundo. A questão é: a gente tá colocando menos carne no mercado. Mas não vai faltar carne, só tem uma pressão maior”, afirma Nissen.

O que esperar para o futuro?

Com menos animais para o abate, os frigoríficos têm dispensado funcionários para aliviar os custos. Para o assessor técnico da CNA, isso acaba freando o preço para o consumidor.

“Quando você reduz a sua capacidade de abate, você reduz a sua ociosidade, seus custos, você consegue manter uma planta frigorífica com menos abate e isso acaba reduzindo a pressão por compra de boi gordo no mercado”, explica.

Nissan exemplifica que, com menos abate, “aumenta a disponibilidade do boi gordo e você vai acabar conseguindo comprar esses animais de forma mais barata”.

Mas esse reflexo não acontece de forma rápida no mercado: “A gente vem percebendo que, mesmo com menos abate nos frigoríficos, a aquisição dos animais continua sendo dificultosa, continua precisando de um pagamento alto”, conta o técnico.

Para Nissen, o prazo para aumentar a oferta do animal para a compra dos produtores e para que essa maior oferta leve a um menor preço para o consumidor final, deve ser de cerca de um mês.

Porém, ele também acredita que caso a nova rodada do Auxílio Emergencial se concretize, o poder de consumo irá aumentar novamente. Com isso, a procura nos supermercados pela carne aumentaria e a maior demanda pode fazer com que os preços se mantenham altos.

Já o coordenador do IPC na FGV, André Braz, acredita que o preço continuará subindo nos próximos dias. Contudo, ele considera a possibilidade de uma baixa procura pelo produto devido ao período de quaresma, quando os cristãos diminuem o consumo de animais, derrubar os preços temporariamente ainda em março e início de abril.

Quem não tem carne, caça com o ovo

Com o menor consumo de carne, seja pelo preço ou por razões religiosas, a população tem recorrido a outras proteínas, como o ovo.

“Esse mês o ovo também teve uma alta variação, justamente porque, com o aumento do preço dessas outras proteínas, o consumidor acaba buscando alternativas de alto valor biológico, mas com o valor agregado um pouco menor”, explica Nissen.

A carne de frango também tem tido maior procura pelos consumidores por ser mais barata, segundo o técnico.

Inflação dos alimentos

De modo geral, o grupo de Alimentação e Bebidas apresentou uma desaceleração nos preços pelo terceiro mês consecutivo: em novembro, a taxa havia sido de 2,54%; em dezembro, foi de 1,74%; e, no mês passado, foi de 1,02%. Agora em fevereiro recuou para 0,27%.

Segundo o IBGE, esta queda é atribuída à diminuição nos preços da batata-inglesa, que declinou 14,70%; do tomate, com (- 8,55%); do leite longa vida (- 3,30%); do óleo de soja (- 3,15%); e do arroz (- 1,52%).

Fonte: G1

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Agronotícias

Agronegócio cresce 24,3% em 2020 e responde por mais de um quarto do PIB do Brasil, diz CNA

Houve alta em todos os setores do agro: produção dentro das fazendas, serviços, indústria e insumos.

Agro ampliou a sua participação no PIB nacional de 20,5% em 2019, para 26,6% em 2020. — Foto: TV TEM/Reprodução
Agro ampliou a sua participação no PIB nacional de 20,5% em 2019, para 26,6% em 2020. — Foto: TV TEM/Reprodução

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio teve uma expansão recorde de 24,31% em 2020, informou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) nesta quinta-feira (11), em nota.

Com esse resultado, o setor ampliou para 26,6% sua participação no PIB total do país no ano passado, contra 20,5% em 2019.

O PIB calculado pela CNA e o Cepea leva em conta o movimento de toda a cadeia do setor: produção dentro da porteira, insumos, agroindústria e serviços.

Já o calculado pelo IBGE considera somente a produção dentro das fazendas. Este foi divulgado na semana passada e mostrou expansão de 2% da agropecuária.

Alta por segmento

Tanto a cadeia produtiva da agricultura quanto da pecuária tiveram expansões expressivas em 2020, avançando 24,2% e 24,56%, respectivamente, impulsionadas por uma alta de preços e safras recordes.

Todos os segmentos da cadeia produtiva do agronegócio brasileiro no geral tiveram alta em 2020:

.Setor primário – atividade dentro das fazendas (+56,59%);
.Agrosserviços (+20,93%);
.Agroindústria (+8,72%);
.Insumos (6,72%).

“O desempenho do PIB do agronegócio reflete a evolução da renda real do setor, em que são consideradas as variações tanto de volume quanto de preços reais”, informou a CNA.

Entretanto, CNA e Cepea ressaltam que, apesar do resultado recorde do PIB no ano passado, a cadeia produtiva agrícola ainda se recupera de um cenário adverso de anos anteriores.

Quando se considera o cenário dentro das fazendas, por exemplo, a renda real recuou 20% de 2017 a 2019, apesar do crescimento de 20% da produção no mesmo período, devido a preços.

O uso intenso de venda antecipada de grãos também contribuiu para que a maior parte dos produtores não se beneficiasse plenamente da forte alta dos preços ao longo de 2020, afirmou a entidade. Além disso, houve elevação dos custos de produção.

Em relação ao ramo pecuário, a elevação dos preços das proteínas animais em relação a 2019 e a expansão da produção e do abate de suínos e aves e da oferta de ovos e leite refletiram o resultado do ano passado no PIB.

“Mas o forte aumento nos custos de produção afetou negativamente as margens dentro da porteira e na agroindústria”, disse a nota.

O indicador para o PIB dentro da porteira, do IBGE, deverá voltar a crescer este ano, com a CNA projetando aumento de 2,5% sobre 2020.

Por: G1

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Agronegócio

CNA e Embrapa lançam projeto para fortalecer regularização ambiental na agropecuária

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançaram nesta quarta-feira (10) o piloto do projeto PRAVALER. A iniciativa vai levar ao campo as pesquisas desenvolvidas pelo Projeto Biomas e outros conhecimentos e mostrar ao produtor como agregar sustentabilidade à produção e fortalecer a regularização ambiental das propriedades rurais.

A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) disse que o PRAVALER chega em um momento crucial para implementação do Código Florestal Brasileiro. “Este dia vai ser lembrado como um marco nos nossos esforços da agricultura brasileira em promover o desenvolvimento sustentável, integrando a produção agropecuária com a conservação e o uso dos recursos naturais tão fartos do nosso país”.

Segundo a ministra, o avanço na agenda do Código Florestal é prioridade para o Mapa e o desafio neste momento é a qualificação dos dados declarados no Cadastro Ambiental Rural (CAR), por meio de ferramentas que irão dar celeridade ao processo de análise. “Acredito que nos próximos meses teremos a apresentação dessa ferramenta que vai dar aos estados condições de avançarmos na regularidade ambiental das propriedades rurais”, explicou.

Os estados e o Distrito Federal  são os entes legalmente responsáveis pela gestão local do CAR e devem implantar o Programa de Regularização Ambiental (PRA), que é um conjunto de ações para os proprietários rurais se adequarem e promoverem a regularização ambiental com vistas ao cumprimento do Código Florestal. A inscrição do imóvel rural no Cadastro Ambiental Rural (CAR) é condição obrigatória para a adesão ao PRA.

O presidente da CNA, João Martins, disse que a entidade pode colaborar para que os produtores façam sua regularização ambiental. “Podemos ser um facilitador, mostrar aos produtores rurais que um projeto como este vai mais do que fazer a regularização dele perante a lei, mas mostrar que é economicamente viável”

O PRAVALER é um dos resultados do Projeto Biomas, criado em 2010 para viabilizar aos produtores soluções para a proteção, a recuperação e o uso econômico e sustentável de propriedades rurais nos seis biomas brasileiros (Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa, Amazônia e Pantanal).

Participam do projeto o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), órgãos ambientais dos estados, federações representativas dos produtores e a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ).

Por: MAPA

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Pecuária

Agropecuária foi o único setor que cresceu no PIB de 2020; entenda

Atividade avançou 2% em relação a 2019, apoiada em safra e preços recordes e demanda aquecida. Expectativa é de mais crescimento este ano, apesar de preocupação dos produtores com clima e custos.

Em ano de fortes perdas geradas pela pandemia do coronavírus, a agropecuária foi o único dos três grandes setores da economia (serviços e indústria) que cresceu em 2020.

Em relação a 2019, o segmento avançou 2%, em meio ao tombo recorde de 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB), mostram dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (3).

Com este resultado, a agropecuária aumentou a sua participação no PIB brasileiro de 5,1% em 2019, para 6,8% em 2020.

Segundo o IBGE, essa alta ocorreu pelo crescimento e ganho de produtividade das lavouras, com destaque para a soja (7,1%) e o café (24,4%), que alcançaram produções recordes na série histórica.

Por outro lado, no 4º trimestre de 2020, em relação a igual período de 2019, o agro teve variação negativa de 0,4% por perdas em culturas como a laranja (-10,6%) e o fumo (-8,4%).

Produtores e economistas consultados pelo G1 afirmam que os fatores ajudaram a impulsionar o agro em 2020 foram:

.A safra recorde de grãos de 257,8 milhões de toneladas em 2019/2020;
.Investimento dos produtores em pacotes tecnológicos avançados – sementes, defensivos, fertilizantes e rações de maior qualidade;
.Clima favorável;
.Demanda externa aquecida – receio de desabastecimento de alimentos por causa do fechamento de fronteiras impulsionou importações dos países. E Brasil é um grande exportador do setor;
.Agro foi considerado uma atividade essencial durante a pandemia para evitar falta de mantimentos;
.Auxílio emergencial aqueceu a demanda interna;
.Valorização do dólar em relação ao real impulsionou exportações do agro;
.Recomposição do rebanho suíno chinês após peste suína africana puxou vendas de soja e milho do Brasil – grãos viram ração para os animais;
.Aumento da produção e exportação de carnes.

E 2021?

Para este ano, a expectativa é de mais crescimento, apesar de algumas preocupações dos produtores com o clima e custos de produção.

Consultado pelo G1, o economista Renato Conchon, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), espera que a agropecuária avance mais 2,5% no PIB de 2021, apoiada na expectativa de mais uma safra recorde de grãos, estimada em 268,3 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até o momento.

“A colheita de grãos deve ser maior este ano do que em 2020, mas ela não deve vir tão boa quanto se esperava por questões climáticas e estabilização dos preços”, diz Talita Pinto, pesquisadora do FGVAgro.

Os fatores que preocupam os produtores são:

.O atraso na colheita de soja que postergou o plantio de milho;
.Chuvas intensas na colheita que estão prejudicando a qualidade da soja em alguns locais do país;
.Alta do dólar aumentou custo de importação de insumos, como fertilizantes e defensivos;
.Preços elevados da soja e milho pressionam o custo da ração animal;

Apesar disso, economistas avaliam que as expectativas de crescimento para o PIB agropecuário e para a safra de grãos continuam muito positivas para o ano.

Agro: ‘ilha da prosperidade’

 

Soja — Foto: Divulgação/Confederação Nacional da Agropecuária
Soja — Foto: Divulgação/Confederação Nacional da Agropecuária

Zilto, que também é diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), afirma que as chuvas comprometeram a qualidade da soja nesta safra.

E que, diante deste cenário, prevê uma diminuição de 25% a 30% na produtividade da sua plantação. O que significa que ele espera colher menos grão por hectare.

O PIB calculado pelo IBGE leva em conta somente o que é produzido dentro das fazendas. Mas se colocar nessa conta tudo o que acontece da porteira para a fora, o crescimento do agro pode ter sido bem maior em 2020, e ter alcançando 19%, estima Talita, pesquisadora da FGV.

A projeção dela é para o PIB do agronegócio calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a CNA.

Esse indicador leva em conta o movimento de toda a cadeia do setor: insumos, agroindústria e serviços, que não pararam durante a pandemia, já que foram considerados atividades essenciais.

De janeiro a novembro de 2020, o índice expandiu 19,66%, contra o mesmo período de 2019. “Uma grande ilha de prosperidade para a economia brasileira”, comenta Guilherme Bellotti, gerente de consultoria de Agronegócios do Itaú BBA.

“Apesar de todas as preocupações da pandemia, as pessoas continuam comprando comida. Elas podem substituir, por exemplo, uma carne de boi por frango ou porco, que seria mais barato, mas, ainda assim, continuam comprando”, diz Talita, da FGV.

Este cenário, somado à valorização do dólar em relação ao real, puxou as exportações do agronegócio brasileiro, que chegaram a US$ 100,81 bilhões em 2020, segundo maior valor da série histórica, atrás somente de 2018.

As vendas externas foram puxadas, principalmente, pela soja. Somente a China comprou 73,2% do grão nacional.

“Algo importante que tem puxado as exportações brasileiras é a recomposição do rebanho suíno chinês, depois de uma liquidação que teve entre 2018 e 2019”, diz Bellotti, do Itaú.

“Essa recomposição está ocorrendo baseado em um modelo de produção mais industrial, que depende de ração. E ração é basicamente farelo de soja e milho”, acrescenta.

A redução do rebanho suíno aumentou também a demanda chinesa por proteínas animais, o que favoreceu, mais uma vez, o Brasil. Em 2020, o país bateu recorde de exportação de carne bovina e suína.

Quem ficou de fora?

Por outro lado, o economista da CNA, Renato Conchon, lembra que nem todas as atividades do agro conseguiram se beneficiar do dólar alto.

“O real desvalorizado oferece mais renda aos produtores exportadores, e temos muitos produtores que destinam alimentos ao mercado interno, como hortaliças e frutas”, ressalta.

Outras atividades sofreram bastante no início da pandemia. É o caso do setor de flores, por exemplo, que costuma vender mais no Dia das Mães, em maio, período em que medidas de restrição de circulação e de isolamento social estavam em curso em boa parte do país.

“Naquele momento, houve uma redução do consumo de lácteos também e deixou-se de comprar leite dos produtores rurais”, lembra Renato.

Clima e investimentos

No campo, os agricultores também foram “coroados” por um clima bom durante toda a safra de grãos de 2019/20.

“O produtor fez um planejamento que deu tudo certo. Ele investiu em um pacote tecnológico avançado: isso quer dizer que ele utilizou sementes, fertilizantes e defensivos de maior qualidade, o que gerou uma maior produtividade”, diz o economista da CNA, Renato Conchon.

Atraso nas lavouras

Mas, neste ano, o clima tem preocupado os produtores. A seca em setembro de 2020 atrasou o plantio de soja em Mato Grosso e no Paraná, principais estados produtores e que “dão a largada” na semeadura do grão.

Já as chuvas intensas estão prejudicando a colheita neste início de ano, pois há dificuldade para avançar com as máquinas nas lavouras. E, com isso, o plantio do milho também está sendo postergado.

“Eu tive 30 dias de atraso no plantio [de soja], e mais 15 dias na colheita. Então, grosso modo, nós temos um atraso de 40, 45 dias no plantio do milho”, diz o produtor rural do município de Cláudia (MT), Zilto Donadello.

Plantio do milho atrasou 45 dias na propriedade de Zilto Donadello — Foto: Arquivo pessoal
Plantio do milho atrasou 45 dias na propriedade de Zilto Donadello — Foto: Arquivo pessoal

“Se as condições climáticas não melhorarem durante o [cultivo do] milho segunda safra, a gente pode ter uma redução da quantidade produzida ao longo de 2021”, diz o economista da CNA.

Ele reforça, porém, que as expectativas para o setor continuam muito positivas, diante da demanda internacional aquecida e projeção de safra recorde.

Em resposta ao G1, a Conab diz que, “até o presente momento”, não tem informações de que o atraso nos cultivos de soja e milho possa impactar “a produção estimada para estas duas culturas”.

Renda

Zilto acrescenta ainda que produtores que venderam a soja antecipadamente não têm se beneficiado dos preços recordes da oleaginosa.

“Eu comecei minhas vendas com R$ 78, R$ 80 [a saca] e terminei de vender por cerca de R$ 92, R$ 94. Pelo menos eu consegui cumprir meus contratos […] Mas essa rentabilidade que está no mercado eu não vou ter”, diz.

A saca de 60 kg de soja fechou a terça-feira (2) cotada a R$ 168,96, segundo o Cepea.

Custos de produção

Se, por um lado, a valorização do dólar tem remunerado bem os produtores, por outro, deve aumentar os gastos para produzir neste ano, afirma o economista da CNA.

“O custo de produção da safra 2020/2021 subiu significativamente com a desvalorização do real em relação ao dólar. Com isso, fica mais caro importar insumos. 85% do fertilizante que a gente usa, por exemplo, é importado. E temos defensivos que são atrelados o câmbio também”, diz Conchon.

O pecuarista Aldo Rezende Telles, presidente da Associação dos Criadores Nelore de Mato Grosso (ACNMT), conta que os gastos de alguns criadores para engordar o gado também aumentaram.

O setor tem sido bem remunerado na venda do boi gordo e o preço da arroba chegou a bater recorde em fevereiro.

“Dá uma aparência que é bom, mas os custos de produção estão crescendo. […] Se usa milho e o caroço de algodão [para a ração], por exemplo. Nós compramos o caroço de algodão a R$ 420 a tonelada no ano passado, hoje ele custa R$ 1.150”, diz.

Aldo Rezende Telles, pecuarista de Mato Grosso e presidente da Associação dos Criadores Nelore de Mato Grosso (ACNMT) — Foto: Arquivo pessoal
Aldo Rezende Telles, pecuarista de Mato Grosso e presidente da Associação dos Criadores Nelore de Mato Grosso (ACNMT) — Foto: Arquivo pessoal

“Mas, na minha propriedade, estamos indo razoavelmente bem, porque sobrou muito produto do ano anterior. Então vai pesar para a gente na hora de voltar a comprar os produtos as próximas safras. Nós temos trato até junho”, diz Telles.

Para o economista da CNA, o aumento dos custos pode impactar mais o PIB agro de 2022 do que o deste ano.

Baixa oferta de carne

Telles menciona ainda que há, atualmente, no mercado uma baixa oferta de gado para a produção de carnes.

“Do ano passado para cá, o bezerro valorizou muito, então o pessoal deixou de matar vaca. Em vez de abater [a vaca], leva ela para o pasto e insemina para ter produção. Por isso que tem baixa oferta”, diz Telles.

Apesar deste cenário, o consultor de agronegócios do Itaú, Guilherme Bellotti, diz que, diante da demanda internacional aquecida, o setor de carnes, em geral, deve ter crescimento este ano.

“Com relação à carne bovina, provavelmente a gente deve ter um nível de produção oscilando ao redor do que foi 2020”, diz Bellotti.

Segundo a pesquisadora da FGVAgro, Talita Pinto, a produção de carne bovina alcançou 10,1 milhões de toneladas no ano passado, mas deve avançar para 10,5 milhões este ano.

Por: G1