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Agricultura

Uso de água na agricultura é um dos desafios quando se trata de economizar recurso hídrico

Tecnologia e apoio do estado são essenciais para os agricultores produzirem mais, gastando menos água

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(foto: Pixabay)

A irrigação das lavouras é um sistema essencial quando se trata de conservação dos recursos hídricos. Por isso, segundo o pesquisador Lineu Rodrigues, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Cerrados, a irrigação na agricultura é uma tecnologia fundamental para alcançar a sustentabilidade ambiental e na produção de alimentos. Ele alerta que o desafio é fazer com que os produtores se apropriem de tecnologias para aumentar a produtividade.

Como exemplo, Rodrigues conta que, há 20 anos, quando a produção média do milho no país era de duas toneladas por hectare, já havia áreas irrigadas produzindo em torno de 16 toneladas por hectare. Quando se produz mais na mesma unidade de área, evita-se a necessidade de ocupar mais terrenos com lavouras, além de se garantir produção até 2,5 vezes maior.

“Garante-se a estabilidade na produção de alimentos. No sequeiro (método que usa apenas água da chuva para irrigação), a produção é variável de ano para ano e tem essa incerteza. Não conseguiremos atender a demanda mundial de alimentos sem irrigação e precisamos de boa gestão e bom planejamento”, comenta o pesquisador da Embrapa.

Lineu Rodrigues ressalta que existem regiões críticas e conflitos pelo uso da água no Brasil, mas que, de maneira geral, menos de 1% dos recursos hídricos são utilizados. “Em grande parte do Brasil, o desafio é a gestão e o planejamento. É preciso envolver a população na definição de planos de uso de recursos hídricos. Fazer planos com metas claras e definir a qualidade de uso da água”, diz o especialista.

Para ele, o pequeno produtor é fundamental na produção de alimentos diretos para a população, principalmente perto dos centros urbanos. Por isso, ele acredita que esse produtor precisa se aproximar mais dos centros de pesquisa e se apropriar das tecnologias de irrigação, assim como, o estado e os governos precisam integrar as políticas públicas de segurança hídrica e alimentar.

“Temos tecnologias de diversos níveis e formas, das mais qualificadas às de custo barato. Quando o produtor, seja pequeno ou grande, começa a manejar sua irrigação, ele começa a ter noção de como está usando a água, a ter essa visão de que está integrado a um sistema maior”, ressalta Lineu Rodrigues.

De acordo com Nelson Ananias Filho, coordenador de Sustentabilidade da Confederação Nacional da Agricultura, de toda a água que é outorgada pelo estado, dentro da lei, 70% são usados nas lavouras. Entretanto, 95% da produção ainda é sequeiro, não tem suporte suplementar de água. “Entendemos que a água existe, mas falta melhor planejamento. Mesmo durante o processo de escassez hídrica (que afetou o país há alguns anos), a primeira torneira que fechou foi a da irrigação. Auferimos perdas no cinturão verde de São Paulo de até 50%, abrindo mão da água utilizada na irrigação para abastecimento urbano”, comenta Ananias Filho.
(com Agência Brasil)

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Fatos e Acontecimentos

Agronegócio vai pedir a Temer que utilize o Exército em conflitos contra os sem-terras – Blasting News


Exército Brasileiro, em exercício militar.
Exército Brasileiro, em exercício militar.

Os graves problemas decorrentes de conflitos armados no campo e invasões de terras em todo o Brasil, em razão da deficiência de políticas públicas de governo, e opondo os fazendeiros a movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), podem estar com os dias contados. Antecipando a suspensão da presidente Dilma Rousseff em meio ao processo de impeachment, um grupo de congressistas pertencentes à “bancada rural” da Câmara e Senado, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), num almoço realizado nesta terça-feira (26), concordou em apresentar propostas que possam beneficiar o setor da agricultura no Brasil, com o objetivo de que o vice-presidente Temer, se vier a ser empossado, tenha melhor interlocução para com os parlamentares.

Durante a reunião dos parlamentares da bancada rural, constatou-se que a bancada contribuiu favoravelmente com a maioria dos votos em prol do impeachment da presidente Dilma. O governo do PT é habitualmente mais próximo dos movimentos sociais, por questões ideológicas e pela histórica proximidade do ex-presidente Lula ao MST. Os parlamentares, dessa forma, pretendem brevemente, até mesmo nessa semana, apresentar ao vice-presidente da República, Michel Temer, um documento preparado pela Frente e entidades do agronegócio recheados de propostas para a área.

A FPA pretende que suas sugestões possam ser implementadas por um possível governo Michel Temer, que não toleraria conflitos que tragam mais instabilidade, desde que o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff resulte no afastamento definitivo da atual mandatária, de acordo com o prosseguimento dos trabalhos e desfecho no Senado Federal que encaminhe para isso.

Uma das propostas mais polêmicas que será apresentada a Temer, trata-se da utilização das Forças Armadas, em nível nacional, para coibir conflitos no campo e invasões de terras. Atualmente, essas ações ficam a cargo das polícias militares dos estados. Outro tema sensível e bastante complexo, de acordo com a FPA, é a situação que envolve a demarcação de terras indígenas no Brasil.

Os representantes do agronegócio acreditam que estas medidas poderão controlar a propagação da violência no campo, que por vezes resulta até mesmo em vítimas fatais, em razão de conflitos envolvendo fazendeiros e os movimentos sociais. Não se conhece ainda qualquer reação de Temer a esta questão.

Fonte: Blasting News

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Fatos e Acontecimentos

Ministério Público no Pará acompanha tensão entre colonos e índios Tembé no nordeste do Estado

Confronto chegou a ocorrer no último dia 1º, com cinco pessoas feridas a tiros. A desocupação da área indígena já foi determinada pela Justiça, mas o Incra precisa reassentar os agricultores

O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) acompanha de perto a tensão entre índios Tembé e colonos no nordeste do Pará, município de Garrafão do Norte, onde cinco pessoas ficaram feridas em um confronto no dia 1º de dezembro. O conflito é objeto de duas ações do MPF/PA na Justiça Federal que ordenam a retirada de todos os invasores (de boa-fé e de má-fé) da terra indígena. Mas até agora o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não cumpriu o dever de reassentar os agricultores.

A invasão da Terra Indígena Alto Rio Guamá por colonos e agricultores é um problema antigo, quase sempre ligado ao interesse de grandes fazendeiros e madeireiros. No caso da Vila Livramento, onde ocorreu o tiroteio dessa semana, os colonos foram atraídos pelo fazendeiro Mejer Kabacznic, que invadiu a área dos índios em 1976 e conseguiu abrir uma estrada, por onde outros invasores entraram. O fazendeiro já morreu, mas os herdeiros brigaram pela posse da terra contra o MPF/PA na Justiça até recentemente e perderam.

Duas sentenças da Justiça Federal em Paragominas obrigam a retirada de todos os invasores da região da fazenda de Mejer, também chamada Irmãos Coragem, incluindo os moradores da Vila Livramento. No dia 24 de novembro passado, para que a sentença fosse cumprida, o MPF/PA enviou recomendação ao Incra pedindo o reassentamento urgente dos colonos. Uma semana depois, o conflito estourou.

índio-e-colonos-300x187Além da ação judicial que pediu a desintrusão (retirada de invasores) da terra indígena, o MPF/PA, avisado do conflito no dia 1 de dezembro, também acionou a Polícia Federal e a Polícia Militar para se dirigirem ao local do conflito. São considerados invasores de boa-fé aqueles que são beneficiários da reforma agrária e deveriam ser assentados pelo poder público. De má-fé, grandes fazendeiros, grileiros e latifundiários que invadem terras públicas, áreas quilombolas e indígenas. Os primeiros têm direito a indenizações e reassentamento, enquanto os segundos, se for o caso, têm direito apenas à indenização por benfeitorias.

No próximo dia 12, uma reunião será realizada na sede da Polícia Federal em Belém, para tratar da retirada dos invasores, com a presença do MPF/PA, Fundação Nacional do Índio (Funai) e Incra.

Histórico – A Terra Indígena Alto Rio Guamá, com pouco mais de 279 mil hectares, é uma das mais antigas da Amazônia e teve o território reconhecido em 1945 por Magalhães Barata, então governador do Pará. Em 1988, durante o processo de demarcação federal, o ministro da reforma agrária à época, Jader Barbalho, dividiu a terra dos Tembé, Timbira e Ka’apor em duas partes, criando vilas agrícolas no meio do território indígena e criando o terreno para as invasões em vários pontos.

Em 1993, a divisão feita por Barbalho é anulada e a TI Alto Rio Guamá tem a demarcação definitiva homologada pelo governo federal, em toda sua extensão. Mesmo assim, até 2014, as consequências dos erros governamentais provocam situações de conflito como a do último dia 1º de dezembro.

Fonte: Justiça em foco