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Estudo sobre regeneração de capoeiras embasa política pública no Pará

Adam Ronan - Capoeiras em regeneração absorvem carbono
Foto: Adam Ronan. Capoeiras em regeneração absorvem carbono.

O estudo da Rede Amazônia Sustentável que mostra o acúmulo de carbono em florestas em regeneração no Pará é um dos pilares do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), que foi decretado (decreto n° 941) este mês pelo Governo do Estado do Pará. De acordo com o PEAA, o estado deverá zerar suas emissões líquidas de carbono a partir do ano de 2036. Ou seja, ao mesmo tempo em que precisa reduzir o desmatamento ilegal, tem que promover o aumento da regeneração de florestas secundárias (capoeiras) que atuam na absorção do carbono.

Para apoiar a política pública, os pesquisadores calcularam o acúmulo de carbono em florestas secundárias (capoeiras) na região de quatro municípios do estado: Marabá, Parauapebas, Bragança e Santarém. “Os resultados mostram que as capoeiras em regeneração apresentam uma boa relação custo-benefício para ações de recuperação ambiental, sendo uma estratégia eficaz para tomadores de decisão”, afirma a cientista.

Segundo a pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, uma das instituições coordenadoras da Rede Amazônia Sustentável (RAS), há vários fatores que incidem sobre a regeneração das florestas secundárias. “A presença ou ausência de floresta ao redor das capoeiras é um deles. Ela influencia diretamente na recuperação dessas áreas, diminuindo ou acelerando seu ritmo de crescimento. Por isso equilibrar a emissão pela redução do desmatamento e a absorção pelas capoeiras é o ponto-chave para atingir o estágio carbono neutro”, explica a cientista.

“Para solucionar um problema grave com muitas variáveis associadas, como é o desmatamento, precisamos de um conjunto de politicas públicas bem desenhadas e amparadas na ciência”, afirma Wendell Andrade, diretor de Projetos Especiais, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas). O gestor explica ainda que para tornar o Pará um estado “carbono neutro”, capaz de absorver a mesma quantidade que emite, foi necessário o apoio das bases de dados da pesquisa. “Nós tivemos um pool de parceiros, como o Observatório do Clima, instituições públicas de pesquisa, entre elas Embrapa, Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), Museu Goeldi, e instituições do terceiro setor voltadas a entender o comportamento de emissões do Brasil e ter uma base digital atualizada”, afirma.

Menos desmatamento, mais regeneração de capoeiras

A Rede Amazônia Sustentável, um consórcio de instituições que desenvolve trabalhos de pesquisa na região, monitora mais de 400 sítios em diferentes localidades do Pará. São  parcelas permanentes de acompanhamento do crescimento das florestas secundárias de diferentes idades, que vão de 5 a mais de 20 anos.

Os resultados apontam que as capoeiras (florestas secundárias) com menos de 20 anos – consideradas jovens – acumulam um valor médio de 1,36 toneladas de carbono por hectare ao ano. O maior acúmulo foi na região de Santarém (2,46 ton de carbono por hectare/ano) e o menor na região Bragantina (0,35 ton/carbono/hectare/ano).

Esses números são menos otimistas do que se imaginava no início das pesquisas, mas isso se deve, segundo a pesquisadora Joice Ferreira, às secas mais frequentes na regiçao de Bragança e às condições de paisagem. “As capoeiras localizadas em regiões muito desmatadas crescem mais lentamente e absorvem menos carbono. Se o desmatamento diminui, naturalmente isso contribui também para as florestas que já estão em regeneração”, esclarece.

Ela conta ainda que o diferencial desse trabalho são as parcelas permanentes que o grupo de pesquisadores vem acompanhando durante 20 anos. “Fazemos a avaliação nas mesmas áreas ao longo do tempo”, relata. As estimativas são baseadas em indicadores específicos das áreas levando em conta a realidade de cada local.

O Pará, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/Prodes), tem atualmente cerca de 152 mil quilômetros quadrados de área desmatada. Para o diretor da Semas, Wendell Andrade, a mensagem é clara e urgente: reduzir cada vez mais o desmatamento, pois o desafio de alcançar a emissão liquida zero, passa pela redução das emissões. “Quanto menos emissões, menor o esforço de regeneração de áreas para compensar as emissões”, afirma.

Foto: Alexander Lees

Ciência como elemento de políticas públicas

O decreto n°941 que institui Plano Estadual Amazônia Agora, cria também o Comitê Científico do Plano e o Núcleo Permanente de Acompanhamento do PEAA. A pesquisadora Joice Ferreira é a representante da Embrapa Amazônia Oriental no comitê.

“Trata-se de um grupo de trabalho permanente que por meio de estudos de longa duração, consegue dar respostas rápidas ao poder público”, analisa a cientista. O trabalho da Embrapa tem focado na contribuição a politicas de redução do desmatamento, seja por meio da socialização de tecnologias de intensificação sustentável da produção, quanto por meio da geração de conhecimento e informações de base científica para a tomada de decisão.

Para Wendell Andrade, da Semas, a informação gerada pela ciência é um elemento fundamental das políticas públicas. “A gente está rompendo aquele padrão de academia estudando para um lado e os órgãos executivos criando ou revisando politicas publicas de outro lado”, conclui o gestor.

Fonte: Embrapa

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Pastagem

Gado em sistema integrado com floresta procura menos água

Resultados de pesquisa envolvendo o comportamento de bovinos revelam que animais criados em sistemas integrados com árvores frequentam menos os bebedouros em comparação com aqueles criados em sistemas convencionais, a pleno sol. A redução chega a 19%, de acordo com estudo desenvolvido na Embrapa Pecuária Sudeste (SP). Trata-se de uma das vantagens de sistemas de produção como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que vem sendo adotada gradativamente no País, chegando a quase 12 milhões de hectares.

Essa e outras vantagens da estratégia de produção ILPF são relatadas pelo pesquisador Alexandre Rossetto Garcia, que trabalha com biotecnologia da reprodução animal. Ele integra uma equipe multidisciplinar que vem comparando a criação de bovinos nos sistemas integrados e convencionais.

Rossetto é orientador da dissertação de mestrado de Alessandro Giro, da Universidade Federal do Pará (UFPA), médico veterinário que desenvolveu a pesquisa sobre o conforto térmico dos bovinos criados em ILPF. Durante a pesquisa, foram avaliados também o comportamento dos animais e a frequência de ida a bebedouros e cochos de sal mineral. O consumo de água em volume não foi diretamente medido. O trabalho de campo foi realizado de janeiro a junho de 2017 e a dissertação foi defendida em julho de 2018.

O trabalho foi feito por observação visual em campanhas mensais de dois dias consecutivos, ao longo de oito horas por dia. A equipe ficava a uma distância que não interferisse no comportamento dos animais. O estudo constatou que, no período da tarde, 87% dos animais que estavam expostos ao sol foram ao bebedouro. Na área sombreada, esse índice caiu para 63% no mesmo período. A diferença foi maior nos meses de janeiro a março, quando as temperaturas, em geral, são mais elevadas.

Sistemas ILPF otimizam os recursos naturais

Na área de ILPF, onde estão as árvores, buscamos também observar se os animais procuravam mais os espaços sombreados ou com sol. Medimos o tempo em minutos em que eles permaneceram no sol e na sombra. Constatamos que eles preferem a sombra, independentemente do turno”, afirmou Alessandro. Os animais que tiveram possibilidade de escolha entre sol e sombra passaram mais tempo pastejando, em ócio ou ruminando sob a copa das árvores.

O animal que sofre com o estresse pelo calor reduz a ingestão de alimentos. “Quando se abriga na sombra, a carga térmica sobre o animal diminui e ele tem menor necessidade de dissipar o calor para o meio. Isso reduz a ofegação e a transpiração, minimizando a demanda por ingestão de água”, explica Rossetto.

Quando precisa dissipar calor, o animal gasta energia em processos não relacionados à produção de leite e carne e à reprodução. Segundo o pesquisador da Embrapa, a ILPF permite o uso mais inteligente do recurso natural. O sombreamento reduz a temperatura ambiente em até 5ºC, o que é relevante para o conforto térmico e o bem-estar animal.

Precisão no monitoramento do gado

Rossetto explica ainda que a variação de 0,5 ºC na temperatura interna dos animais é bastante expressiva. Os termógrafos utilizados para medir as temperaturas de superfície dos bovinos são muito precisos, chegando a mensurar os centésimos de graus. Segundo ele, dois fatores influenciam o bem-estar animal: o microclima (conjunto de informações que pode ser avaliado com auxílio de estações meteorológicas) e as condições térmicas dos indivíduos nessas áreas.

Em estudos mais recentes, outros equipamentos têm ajudado a ciência a levantar dados para monitorar o gado. A Embrapa Pecuária Sudeste também consegue informações sobre comportamento animal graças a adaptações de técnicas disponíveis no mercado. Pesquisadores têm trabalhado em projetos de pecuária de precisão, utilizando um sistema computadorizado que identifica o deslocamento, o ócio e a ruminação a partir de colares com sensores acoplados.

Para que os equipamentos funcionem em áreas de pastagens para gado de corte, inclusive em ILPF, foi preciso instalar antenas para emitir os sinais sem fio e placas de energia solar para alimentar o sistema. As placas solares para captação de energia foram desenvolvidas pelo centro de pesquisa como forma de reduzir custos e viabilizar o uso de equipamentos a campo. Originalmente, a empresa privada que produziu o sistema computadorizado direcionou os equipamentos para monitorar gado de leite, que tem movimentações diárias mais previsíveis, como o momento das ordenhas.

De acordo com Edilson da Silva Guimarães, supervisor do Núcleo de Tecnologia da Informação, a Embrapa Pecuária Sudeste indicou a essa empresa adaptações para os sistemas de energia e de comunicação. “A transmissão de dados é feita de uma antena a outra, como se fosse uma malha. Sugerimos que mudassem o tipo de antena para melhorar a comunicação entre elas”, afirmou. Os dados coletados pelos sensores são enviados para uma central e podem ser acessados a distância, em computadores. Esses equipamentos foram adquiridos com recursos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) com contrapartida da Embrapa.

O trabalho avaliou comportamento de fêmeas bovinas de corte em pastagens sem árvores com o sistema wireless de monitoramento e foi apresentado no III Workshop Internacional de Ambiência de Precisão, em 2017, em Campinas.

Pesquisas multidisciplinares

A equipe multidisciplinar da Embrapa Pecuária Sudeste estuda na ILPF, além do comportamento animal, a disponibilidade e qualidade de forrageiras, a fertilidade do solo, o desenvolvimento do componente arbóreo, a produtividade agrícola, o desempenho e eficiência reprodutiva do componente animal, além de algumas ações que investigam a emissão de metano e a microbiota do solo.

De acordo com Rossetto, o comportamento dos bovinos está muito relacionado à interação entre eles e à ocupação do espaço. Perguntas como “os animais aproveitam a sombra?” e “em que momentos do dia preferem as áreas sombreadas?” ajudam a ciência a entender melhor as diferenças entre os sistemas integrados com árvores e a criação exclusiva no sol.

Conforto térmico e capacidade reprodutiva

A fertilidade de bovinos também pode ser afetada pela exposição a temperaturas elevadas e à radiação solar intensa. Sempre que a temperatura corpórea dos bovinos de corte ou de leite aumenta, uma série de consequências negativas se desencadeia. Quando um animal sente desconforto devido ao calor, ele passa a produzir uma quantidade maior de cortisol, hormônio diretamente ligado ao estresse. De acordo com Rossetto, o aumento da concentração desse hormônio faz com que os animais se alimentem menos, o que prejudica significativamente a produção. Em um animal de corte, o crescimento é menor e, consequentemente, a produtividade.

Do ponto de vista reprodutivo, os altos índices termocorpóreos representam prejuízos ao produtor. Por exemplo, quando a temperatura corpórea de um touro aumenta, a temperatura interna dos testículos também sobe. Isso faz com que a qualidade do sêmen reduza. Na fêmea, o processo é similar. Quando sua temperatura interna aumenta, os ovócitos produzidos são de baixa qualidade, impedindo, muitas vezes, a fecundação.

Caso ela ocorra, o embrião exige condições favoráveis para seu desenvolvimento e a temperatura ideal é uma delas. O feto é altamente sensível às oscilações térmicas e pode até morrer precocemente, sem que os profissionais que acompanham a gestação percebam. Ainda assim, em situações de estresse durante a fase gestacional, o desenvolvimento e a funcionalidade da placenta são prejudicados e o feto pode apresentar malformações.

As pesquisas sobre conforto térmico e eficiência reprodutiva foram feitas com novilhas e fêmeas adultas de corte em projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Rossetto está planejando a continuidade de pesquisas nessa linha com machos em idade reprodutiva.

Por: Ana Maio
Fonte: Embrapa

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Lavoura Pecuária Floresta

Integração LAVOURA / PECUÁRIA / FLORESTA – 05 dicas para não errar

A integração é como um quebra-cabeças a ser montado pelo agricultor. Cada fazenda tem um retrato único, o que permite uma customização da integração, levando em consideração informações técnicas relacionadas ao clima da região, relevo e solo da fazenda. “Não existe uma receita pronta. O produtor tem de ter objetivos claros e saber qual vai ser a principal fonte de renda. A integração vai depender da expertise dele e das condições da região”, diz o pesquisador João Meneguci, da Embrapa Agrossilvipastoril.

Sistemas de integração são capazes de revolucionar a agropecuária em clima tropical. De acordo com dados da Embrapa, o Brasil tem mais de 180 milhões de hectares de pastagens, sendo que mais da metade dessa área apresenta algum estágio de degradação e pode ser revertida em áreas de alta produtividade de grãos e carne. Isso muita gente já sabe. Porém, para tirar essa teoria promissora do papel e explorar o potencial da integração, há muito trabalho a ser feito. O desafio é ajudar o produtor a chegar lá.

Confira 5 dicas da Embrapa para ter sucesso na adoção da tecnologia.

1 – Múltiplas possibilidades

Integração engloba lavopura-pecuária, pecuária-floresta, lavoura-floresta, tudo junto e misturado. Há infinitas possibilidades, mas o produtor tem de acabar com preconceitos e se dispor a aprender novas culturas. “Ainda há uma resistência para integrar, existe um choque cultural”, diz Meneguci. “Mas a resistência dos produtores não é por birra. É que quando não se conhece uma atividade, a ignorância assusta.”

2 – Qual é o objetivo?

É fundamental definir os objetivos do negócio, avaliar a estrutura física da fazenda e dimensionar o investimento. “Se a fazenda estiver numa região de solo arenoso onde seja difícil produzir grãos, a principal atividade pode ser a produção de gado”, afirma Meneguci.

3 – Parcerias

Para os mais conservadores que temem a integração, é possível começar aos poucos e em parceria com outros produtores. O pecuarista pode firmar parceria com um agricultor para implantar as lavouras. Um agricultor, por sua vez, pode manter parceria com um pecuarista para aprender a manejar o gado.

4 – Cuidado com as finanças

O produtor deve estudar o novo negócio e entender como o mercado funciona, como períodos de alta e baixa da atividade, valor dos insumos, logística e cotação final do produto. “Tem que ter organização, planejamento e acompanhamento agronômico”, diz Meneguci.

5 – Vale a pena

Entre as vantagens dos sistemas, Meneguci enumera a diversificação da fonte de renda, melhoria do solo, aumento de produtividade e a adoção de práticas mais sustentáveis. “Se considerarmos um pasto degradado, a partir do momento que adota o sistema, a lotação dos animais pode quadruplicar”, diz o pesquisador.

* Essa foi a reportagem de capa publicada na primeira edição da revista Farming Brasil.

INTEGRAÇÃO EM NÚMEROS
No Brasil, as fazendas com sistemas ILP e ILPF ocupam 11,5 milhões de hectares

Mato Grosso do Sul – 2 milhões
Mato Grosso – 1,5 milhão
Rio Grande do Sul – 1,4 milhão
Minas Gerais – 1 milhão
Santa Catarina – 680 mil hectares

* Fonte: Rede de Fomento de ILPF

Repost: SF Agro | Farming Brasil


Nós da ruralbook encontramos uma cartilha da EMBRAPA que esclarece todos os pontos para implantação do sistema – Arborização de Pastagens com
Espécies Florestais Madeireiras: Implantação e Manejo

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Meio Ambiente

Fundo Amazônia investe 65 milhões em Inventário Florestal na Amazônia

Dos nove estados que abrigam o bioma, o levantamento está em andamento em cinco e já foi concluído em Rondônia e parte do Pará e Mato Grosso

Equipes do Inventário Florestal Nacional (IFN) estão percorrendo a Amazônia com o objetivo de coletar dados sobre as condições das florestas e realizar entrevistas com moradores. Nos estados do Acre, Maranhão, Tocantins e na região de Manaus, no Amazonas, as equipes foram capacitadas em março e deram início ao trabalho de campo, com previsão de quase 700 pontos de coleta de dados.

Além destas regiões, o levantamento também está sendo realizado em Roraima desde setembro de 2017 e a previsão é terminar em julho, com coleta de dados em 201 pontos da floresta. Realizado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, o levantamento já foi concluído em Rondônia, parte do Pará e do Mato Grosso.

A expectativa é que a coleta de dados em campo em toda a Amazônia seja concluída até o final de 2020. O levantamento conta com investimento do Fundo Amazônia, num total de mais de R$ 65 milhões.

O objetivo é conhecer não só a quantidade dos recursos florestais como também o estado de conservação, a sua diversidade e a relação da população com as florestas. “Produzir informações sobre as florestas é uma forma de valorizá-las, de potencializar o seu manejo sustentável e de influenciar na formulação de políticas que fortaleçam o uso adequado de seus recursos e a permanência das florestas em pé”, explica Joberto Freitas, diretor de Pesquisa e Informações Florestais do Serviço Florestal.

De acordo com o diretor, os resultados poderão orientar a formulação de políticas de conservação, uso e desenvolvimento florestal. “A biodiversidade da Amazônia e seu estado de conservação ainda são pouco conhecidos. O IFN está fazendo um levantamento detalhado em campo da floresta, o que inclui dados sobre a flora, o solo, estoque de carbono, o uso que a população faz da floresta, entre outros dados”, explica Freitas.

Raio-x da floresta

A Amazônia é a maior reserva de biodiversidade do mundo e o maior bioma do Brasil – ocupa 420 milhões de hectares, quase metade do território nacional. O bioma cobre totalmente cinco estados (Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima), quase totalmente Rondônia (98,8%) e parcialmente Mato Grosso (54%), Maranhão (34%) e Tocantins (9%).

20180314 IFN Amazônia TO 52 Pedido de autorização e divulgação do trabalho Foto Krüger Florestal siteAs equipes estão indo a campo medir as árvores, analisar sua saúde e vitalidade, coletar amostras do solo e de material botânico, entre outros aspectos. Além disso, são realizadas entrevistas com moradores do entorno das áreas pesquisadas para levantar informações sobre a sua relação com a floresta e o uso dos recursos florestais.

Andamento do IFN

Realizada em todo o país, a coleta de dados do Inventário Florestal Nacional já foi concluída em 48% dos estados: Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe. Em outros 11 estados (40,7%), o levantamento está em andamento.

Quase 51 mil amostras botânicas e mais de 12 mil amostras de solo foram coletadas, entre outros dados, em mais de 6 mil pontos do país. Além disso, quase 17 mil pessoas já foram entrevistadas pelas equipes do IFN nas proximidades das áreas pesquisadas.

Repost: Serviço Florestal Brasileiro

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Meio Ambiente

Ciclo de debates aborda florestas e o mercado de madeira – Embrapa

A primeira manhã do workshop “Manejo para Uso Múltiplo – A Árvore de Pinus do Futuro”, promovido pela Apre e Embrapa Florestas, contextualizou o mercado atual para o setor florestal e as tendências. A primeira palestra foi feita por João Mancini, engenheiro florestal e gerente comercial da Valor Florestal, que falou sobre “Florestas e o mercado de madeira”. Segundo Mancini, o mercado florestal apresenta diversos clusters industriais e diferentes cadeias de valor, que demandam todas as classes de produtos florestais. No momento, o setor ainda enfrenta a crise iniciada em 2008, mas vem se recuperando.

 Foto: Paula Saiz
Foto: Paula Saiz

Sobre demanda, Mancini citou que a procura por pinus é de 16,5 milhões de metros cúbicos por ano. Nesse cenário, as indústrias de madeira sólida representam 51% do volume total da região, enquanto que papel e celulose representam 32%. Nas toras, o marketshare é de 60%.

No caso do eucalipto, a demanda é de 8,3 milhões de metros cúbicos por ano, e o principal consumo vem da indústria de papel e celulose. As indústrias de painéis representam 3% do consumo. Porém, o gerente comercial destacou que esse número está aumentando, já que algumas empresas florestais estão substituindo florestas de pinus por eucalipto.

Ainda para contextualizar o setor, muitos acontecimentos vêm marcando o setor. Mancini lembrou que nos últimos 10 anos, as empresas, principalmente as líderes de mercado, estão alterando seus regimes de manejo, evitando realizar desbastes e podas. “Isso é uma estratégia para maximizar a quantidade de fibra por hectare. Os investidores independentes continuam focados no manejo florestal, discutindo estrategicamente qual o melhor modelo, tudo pensando em maximizar o retorno econômico de seus investimentos”, explicou.

Com relação aos pequenos proprietários, o palestrante revelou que muitos estão desistindo da atividade florestal e optando por colher suas florestas em idade jovem para converter para pecuária e agricultura. “Muitos não têm capacidade financeira para esperar um ciclo todo, que é de no mínimo de 15 anos. Por isso, estão realizando desbastes inclusive sem aproveitamento da madeira”, comentou.

No mercado florestal regional, Mancini destacou, ainda, os principais acontecimentos: a indústria da madeira sólida está sentindo a forte recessão econômica do país e muitas empresas estão buscando redirecionar sua produção para o mercado externo, mas encontram desafios por conta da volatilidade do câmbio; está acontecendo uma redução da oferta de toras medias e grossas de pinus, com consequente desequilíbrio entre oferta e demanda e com o aumento dos preços, mas a criatividade das empresas merece destaque; ocorre a migração da demanda de toras grossas e médias para toras finas; os custos dos fatores de produção na cadeia de suprimento florestal estão aumentando; observa-se desequilíbrio entre oferta e demanda para madeira de processo de pinus com conseqüente aumento de preços.

Para finalizar, Mancini falou sobre o que é preciso para que o setor florestal consiga avançar. O principal ponto, segundo ele, é melhorar a base de informações para ajudar na tomada de decisões estratégicas, já que muitos dados que circulam pelo setor não retratam a realidade do campo. Ele também citou que o setor deve priorizar desbastes em florestas com alto crescimento e mais próximas da indústria consumidora; continuar focado na execução dos desbastes para garantir alto percentual de toras no corte final em idade mais jovens do que os modelos tradicionais; substituir materiais genéticos de baixo crescimento e qualidade por materiais comprovadamente de alta qualidade e rendimento; e reduzir o número de mudas a serem plantadas por hectare em áreas mais acidentadas, mais distantes do mercado consumidor e de maior custo de manejo.

“Com tudo isso, a principal mensagem que quero passar é que precisamos continuar capturando informações do mercado para suportar as decisões estratégicas e operacionais das empresas”, completou.

Produtos florestais

Felipe Fuck, diretor da Compensados Fuck, também participou do primeiro bloco do workshop e falou sobre o mercado para produtos florestais. Ele contou que a empresa apostou em nova tecnologia de máquinas, para alcançar diâmetro menor, maior produtividade e melhor aproveitamento. Outra mudança foi a do uso do sortimento para produto final.

Sobre o futuro, ele disse que o setor florestal precisa desenvolver os mercados interno e externo para uso da madeira de maneira estrutural ou decorativa, por exemplo, entre outros, tudo que agregue mais valor ao produto.

“Também precisamos pensar em novas espécies, porque não temos como fugir disso, já que temos que buscar meios de reduzir custos para sermos mais competitivos. O manejo é outro ponto que merece atenção, justamente para avaliar de que forma a utilização da madeira vai afetar o manejo. A dinâmica do mercado está mudando e nosso setor depende de influências externas para nos adaptarmos”, destacou. 

O engenheiro Guilherme Stamato, da Stamade, também foi um dos palestrantes da manhã, e falou sobre a demanda por madeira na construção civil. No Brasil, ele citou que existem novas perspectivas para a madeira, como a construção de prédios de três andares em woodframe, construídos pela curitibana Tecverde. “Não é fácil fazer algo assim no Brasil com o que temos disponível de produtos. Não falo somente da madeira, mas no geral. A madeira é um dos piores gargalos que as empresas de woodframe têm sofrido”, disse.

Além do woodframe, Stamato lembrou que o Brasil está começando a explorar também o mercado de madeira laminada colada, que pode ser utilizada de diversas formas, ou a madeira laminada cruzada (CLT).

“Tudo isso fez romper uma barreira na construção civil. No mundo, já existem prédios de mais de nove andares com esse sistema. É algo muito recente e, por isso, é uma grande oportunidade. Somente na Europa, a produção de CLT em 2014 foi de 625.000 metros cúbicos, e a previsão para 2015 era de que esse número subisse para 700.000. Segundo o engenheiro, uma grande previsão de crescimento.

Para se ter ideia de como anda o Brasil quando o assunto é construção com madeira, Stamato salientou que a expectativa hoje é de que sejam construídos mais de 50 mil metros quadrados em 2016. Há cinco anos, esse número de menor que mil metros quadrados/ano. E essa tendência de crescimento aparece no mercado mundial. Na Suécia, por exemplo, entre 80% e 90% das construções é em woodframe.

“Se a construção de woodframe no BR atendesse 10% do mercado (com previsão de um milhão de unidades por ano), teríamos algo próximo de cinco milhões de metros quadrados para construir, representando 0,5 milhão de metros cúbicos de madeira de pinus serrado, além da demanda já existente. A quem interessa o aumento desse marketshare? Ao setor madeireiro”, reforçou.

Porém, mesmo apresentando essa visão, Stamato garantiu que as dificuldades para aumentar esse marketshare vêm do próprio setor madeireiro, que, segundo ele, “é omisso e não colabora com isso”. Ele salientou que no Brasil as escolas de engenharia ou arquitetura não ensinam os alunos a trabalharem com estruturas de madeira, por exemplo. “Também tem desconhecimento do público em geral e, principalmente dos profissionais, que deveriam conhecer, mas não conhecem. Nós, do setor madeireiro, não pressionamos isso. As pessoas desconhecem as qualidades da madeira, e os próprios madeireiros não valorizam a madeira. Também temos o problema de falta de credibilidade no mercado do produto. Não existe padrão, qualidade, nem confiança. Isso é algo que me frustra”, avaliou.

Para melhorar esse cenário, o engenheiro garantiu que os envolvidos devem se preocupar, em primeiro lugar, com a qualidade da madeira em todo o processo. É preciso obter madeira de árvores adultas, acima de 25 anos; madeira seca em estufa após tratamento em autoclave; classificação visual e mecânica; identificação de classe, fornecedor, teor de umidade etc.

“O mercado se movimenta por tendências e sempre remunera melhor quem assume mais riscos, investindo nas tendências antes de elas se popularizarem. No caso das construções em madeira, se alguém deve apostar nessa tendência, é quem naturalmente já tem interesse em aumentar o consumo de pinus serrado no Brasil. Ou seja, o próprio setor madeireiro. Cabe a nós mesmos trabalhar para que isso aconteça”, sugeriu.

E para fechar a primeira manhã de trabalhos, Sergio Anibal Martini, diretor presidente da Ekomposit do Brasil, apresentou a “Madeira engenheirada a partir de lâminas e seus compósitos”, e falou sobre a criação da empresa, que está começando suas operações neste ano.

“A Ekomposit nasceu depois de muitos estudos que mostraram, entre outras coisas, que a madeira tropical, hoje, tem carência de alternativa a ela. Percebemos essas carências e procuramos entender de que forma o mercado gostaria de receber a madeira. Com conhecimento de mercado e conhecimento tecnológico, pensamos na inovação”, contou.

A madeira engenheirada, comercializada pela Ekomposit, é resultado da aplicação de tecnologias com o objetivo de eliminar os defeitos naturais indesejáveis na matéria –prima. Dessa forma melhora-se o desempenho da madeira.

“A madeira de pinus, por exemplo, apresenta inúmeras vantagens, mas também tem algumas desvantagens. Para anular essas desvantagens encontramos algumas soluções, como a utilização de lâminas torneadas e faqueadas, de colas estruturais e a prova d’água, de técnicas aperfeiçoadas de colagem e de emendas para aumento do comprimento das peças, além de sistemas exclusivos de encaixes e fixação. Queremos oferecer ao mercado produtos engenheirados, ecologicamente corretos e ambientalmente amigáveis”, concluiu.

Maureen Bertol – Interact Comunicação (MTb 8330/PR)
Embrapa Florestas

Fonte: Embrapa

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Meio Ambiente

Inventário florestal será base para implementação de políticas públicas

O novo Inventário Florestal Nacional, que está em andamento no Brasil, deverá ser entregue em 2017 e, além de fornecer indicadores da biodiversidade brasileira, suas informações servirão de base para o desenvolvimento de políticas públicas específicas para cada localidade, como programas de reflorestamento, combate à degradação e proteção do solo. Segundo o diretor de Pesquisa e Informações Florestais do Serviço Florestal Brasileiro, Joberto Freitas, o levantamento sobre a quantidade de biomassa e carbono armazenado também poderá ser utilizado para melhorar as informações do país em convenções da agenda ambiental.

globoruralO tema começou a ser debatido nesta segunda-feira (10/11) em Manaus no 3º Simpósio Nacional de Inventário Florestal, que termina na próxima quarta (12). Durante o evento serão apresentados trabalhos científicos e experiências de países da América do Norte e do Sul em inventários florestais.

O objetivo do Serviço Florestal Brasileiro é manter o inventário atualizado, em ciclos de cinco anos. “Queremos determinar pontos permanentes de coletas de informação, para que, a cada cinco anos, o pesquisador volte ao mesmo lugar e possa medir as mudanças da cobertura vegetal, como as perdas e a fitossanidade da floresta”, explicou Freitas. Segundo o Serviço Florestal Brasileiro, o primeiro e único inventário nacional das florestas foi feito na década de 1980, com foco principal na produção de madeira. Depois disso, apenas inventários regionais foram feitos no país.

No último dia do seminário em Manaus haverá a demonstração da metodologia que vem sendo aplicada na execução do inventário nacional. Freitas explica que o trabalho começou em 2005 com as discussões sobre o método de levantamento que seria aplicado. “Foi um processo participativo, com várias oficinas para construirmos uma metodologia padronizada. Isso, no caso brasileiro, foi um desafio, pois temos seis biomas diferentes pelo país. Então a coleta de dados começou efetivamente em 2012”, disse Freitas.

O simpósio é feito em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e tem apoio do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, da Universidade Federal do Amazonas, Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas e Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas.

Fonte: Globo Rural

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Projeto Pecuária Verde

Integração Lavoura-Pecuária-Floresta como alternativa para pecuária na Amazônia

O Brasil tornou-se em 2003 o maior exportador de carne bovina do mundo e grande parte desse crescimento é decorrente da expansão da pecuária na Amazônia. Nesse cenário, o estado de Rondônia se encontra dentre os cinco maiores exportadores de carne do país, além de ser o maior produtor de leite da região Norte. Essa virtuosa importância econômica, contrasta com problemas ambientais, já que o crescimento da pecuária na Amazônia é associado ao desmatamento e, por essa razão, chama atenção dos mercados internacionais que usam isso para criação de barreiras “econômico-ambientais” contra a exportação da carne produzida na região.

Além do estigma dos impactos ambientais negativos, a pecuária enfrenta o real problema da degradação das pastagens que gera prejuízos econômicos e sociais bilionários para o país, pois a propriedade agrícola torna-se improdutiva e incapaz de sustentar as famílias que dela dependem. Dessa forma, são necessários estudos que identifiquem as limitações do componente pecuário nas propriedades de modo a fornecer soluções tecnológicas apropriadas e subsídios às políticas públicas para o setor. Do mesmo modo, é importante desenvolver uma base científica que suporte o uso mais amplo dos sistemas integrados de produção como alternativa ao sistema tradicional de pecuária baseado no monocultivo de pastagem.

Uma das alternativas é a reforma, recuperação ou renovação de pastagens por meio da integração lavoura-pecuária-floresta (iLP) que pode proporcionar uma série de benefícios para os empreendimentos rurais. Temos como exemplo de benefícios: a diversificação na produção da propriedade; redução no custo de formação das pastagens pela recuperação do solo e renda com as culturas anuais; diminuição do risco de perda de renda do produtor, pois sua produtividade aumenta e não fica dependente de somente um produto; maior conservação do solo e, consequentemente, redução de perdas com erosão e menor impacto ambiental; melhor aproveitamento da propriedade rural.

A inclusão do componente arbóreo aos componentes lavoura e pastagem representa avanço inovador da iLP, com evolução para o conceito de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), que é uma estratégia de produção sustentável que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais, realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotação. Pode-se utilizar a iLPF para implantar um sistema agrícola sustentável, com base nos princípios da rotação de culturas e do consórcio entre culturas de grãos, forrageiras e espécies arbóreas, para produzir, na mesma área, grãos, carne ou leite e produtos madeireiros e não madeireiros ao longo de todo ano.

A iLPF é atualmente uma política pública prioritária do governo federal do Brasil (Programa ABC), tida como estratégia governamental, visando à recuperação de áreas degradadas e à sustentabilidade ambiental.

Existem inúmeras variações de sistemas iLPF, porém, a recuperação da pastagem por meio da iLPF normalmente envolve dois estágios:

1) substituição da pastagem por um ou dois ciclos de culturas anuais para recuperação da fertilidade do solo e,
2) a manutenção da nova pastagem em consórcio com árvores (sistema silvipastoril).

Após alguns anos, nova rotação de culturas anuais-pastagem pode ser feita para revitalizar o pasto, buscando a retomada da produtividade da pastagem com consequente resposta em termos de produtividade animal.

Em muitas propriedades rurais amazônicas, a iLPF vem sendo adotada com uso de diversas espécies forrageiras e arbóreas. As principais limitações tecnológicas observadas nesse sistema são: falta de persistência da pastagem sob as árvores; danos às árvores provocados pelos animais; a reduzida velocidade de crescimento das espécies arbóreas; elevado investimento econômico inicial; falta de infraestrutura e mão de obra especializada; complexidade do sistema e desconhecimento dos seus benefícios.

Visando fornecer informações técnicas para técnicos e produtores interessados em explorar os benefícios de espécies arbóreas nativas em sistemas pecuários, a Embrapa Acre em parceria com a Embrapa Rondônia lançou em 2012 o Guia arbopasto: manual de identificação e seleção de espécies arbóreas para sistemas silvipastoris. Neste livro são descritas 51 opções de espécies arbóreas nativas da Amazônia Ocidental. Estas espécies são classificadas e ranqueadas com base na sua aptidão para produção de madeira e fornecimento de serviços múltiplos em sistemas silvipastoris. Sendo portanto, uma ferramenta indispensável para produtores rurais que planejem utilizar espécies nativas em sua pastagem, escolham as espécies arbóreas mais adequadas para esta finalidade.

Além disso, experiências com sistemas de iLPF realizadas pela Embrapa e por parceiros nos estados do Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima têm demonstrado a viabilidade técnica e econômica da tecnologia na recuperação e manutenção de pastagens. Um dos principais resultados obtidos pela Embrapa na região refere-se à amortização dos custos destinados à recuperação de pastos degradados pelo uso de lavouras (sistema iLP).

Estes resultados e outros foram apresentados no Workshop Integração Lavoura-Pecuária-Floresta realizado em 2010 pela Embrapa Rondônia. Neste evento também foram apresentados os arranjos de sistemas de iLPF que têm sido trabalhados e pesquisados na Amazônia. Dentre outros, integram, principalmente, os seguintes componentes: agrícola, com milho, soja, arroz e feijão-caupi; forragem, com Urochloa ruziziensis e Urochloa brizantha cv Xaraés e florestal, com mogno-africano (Khaya ivorensis), teca (Tectona grandis), eucalipto (Eucalyptus spp.) e paricá (Schizolobium parahyba var. amazonicum).

A Embrapa investe em pesquisas na busca de modelos de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta para a região amazônica, pois acredita que a tecnologia representa uma evolução do modo como se produz no campo; construindo novos modelos de uso da terra, conjugando a sustentabilidade do agronegócio com a preservação ambiental.

Ana Karina Dias Salman: Doutora em zootecnia e pesquisadora da Embrapa Rondônia; e-mail: ana.salman@embrapa.br
Alexandre Martins Abdão dos Passos: Engenheiro agrônomo,doutor em Fitotecnia e pesquisador da Embrapa Rondônia; e-mail: alexandre.abdao@embrapa.br
Henrique Nery Cipriani: Engenheiro florestal, Mestre em Solos e Nutrição de Plantas e pesquisador da Embrapa Rondônia; e-mail: henrique.cipriani@embrapa.br
Helaine de Sousa: Engenheira Florestal, especialista em Gestão Ambiental

Fonte: Embrapa Rondônia

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Meio Ambiente

Guia explica Código Florestal para produtores rurais

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – IMAFLORA e o Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF) somaram esforços para elaborar um Guia técnico sobre o Código Florestal, que explicasse, de forma clara, a complexidade da nova Lei, e sua aplicação para as propriedades rurais de qualquer tamanho, e localizadas em todas as regiões e biomas do Brasil.

Imagem: greenitbrasil
Imagem: greenitbrasil

O principal objetivo do “Guia para a aplicação da nova lei florestal em propriedades rurais” é colaborar para um melhor entendimento sobre a lei por parte dos produtores, bem como para sua efetiva implementação no campo.

Elaborado por Maria José Zakia, assessora do IPEF, e por Luis Fernando Guedes Pinto, engenheiro agrônomo do IMAFLORA, a publicação traz definições para aplicação da Lei, capítulos específicos sobre áreas de preservação permanente, reserva legal, regularização de imóveis rurais, cadastro ambiental rural e sobre a novidade do Código, os instrumentos econômicos para auxiliar a conservação em terras privadas, além de casos práticos.

O trabalho é rico em recursos gráficos, como ilustrações, diagramas e fotografias que ajudam a explicar cada tema abordado. Traz ainda “caixas” com explicações adicionais de conceitos tratados naquele capítulo, além da indicação de links para aprofundamento das informações técnicas, leis complementares, informações sobre agências ambientais, e casos práticos e reais da implantação da Lei em fazendas.

Os autores do Guia lembram, na apresentação do trabalho, que “o Brasil tem a agropecuária como um dos pilares de sua economia, constituindo-se um grande produtor e exportador de alimentos, de fibras e de bicombustíveis. Também se configura como um dos países com a maior cobertura florestal do planeta.,além de um dos maiores detentores de biodiversidade, provendo serviços ambientais, e dos maiores possuidores de reservas de água doce superficial e subterrânea do mundo” e lembra que 68% das florestas brasileiras estão em áreas particulares, fora da proteção pública. Daí a motivação para realizá-lo.

O “Guia para aplicação da nova lei florestal em propriedades rurais” pode ser baixado livremente nas páginas eletrônicas do IMAFLORA e do IPEF, em:

http://www.imaflora.org/downloads/biblioteca/52d7c3a819c3e_Guia_Aplicao_Nova_Lei_Florestal.pdf

http://www.ipef.br/publicacoes/

Fonte: Imaflora

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Meio Ambiente

Florestas plantadas respondem por 90% de toda a madeira produzida no país

De um total de 146,8 milhões de metros cúbicos (m³) de madeira em tora produzidos no país, em 2012, 89,8% são provenientes da silvicultura (florestas plantadas) e 10,2% oriundos do extrativismo vegetal. Em 2012, a produção de madeira em tora originada da silvicultura destinada a papel e celulose contribuiu com 56% no total nacional.

o-novo-codigo-florestal-1Os dados constam da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 2012 (Pevs 2012), estudo que o Instituto de Geografia e estatística (IBGE) divulga hoje (5). Os dados indicam que a produção de carvão vegetal chegou a 6,2 milhões de toneladas, das quais, 81,5% foram produzidos pela silvicultura e 18,5% pela extração vegetal. Na participação da produção de lenha, o extrativismo vegetal colaborou com 37,7% de um total de 91,07 milhões de m³, contra 62,3% da silvicultura.

Segundo dados do Anuário Estatístico da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), divulgados este ano, dos principais produtos florestais, apenas o segmento da celulose apresentou desempenho negativo em 2012 quanto às exportações e o consumo interno, quando comparado ao ano de 2011.

Os demais segmentos da indústria brasileira de base florestal (papel, painéis industrializados, compensados e carvão vegetal) apresentaram variações positivas. A área total de plantios florestais em 2012 chegou a 7,18 milhões de hectares. Quando comparado a 2011, o número mostra aumento de cerca de 180 mil hectares.

As áreas plantadas com eucalipto ocupam 70,8% desse total, em seguida aparece o pinus (22%) e as demais espécies como acácia, araucária, pópulus, teca, seringueira e paricá (7,2%). Os plantios de eucalipto e pinus estão concentrados em Minas Gerais, São Paulo, no Paraná, em Santa Catarina, na Bahia e em Mato Grosso do Sul.

Por outro lado, o estudo do IBGE indica que a produção de carvão vegetal da silvicultura em 2012 alcançou 5,09 toneladas, volume 23,5% superior ao obtido em 2011. Minas Gerais foi o estado que registrou a maior produção nacional (4,3 milhões de toneladas ou 85%), seguido do Maranhão (312,29 mil toneladas); e a Bahia (155,85 mil toneladas).

O estudo comprova ainda a tendência de queda nas produções de carvão vegetal e da lenha em 2012, quando essas produções registraram decréscimos de 14,2% e 8,7%, em relação a 2011. “A fiscalização de órgãos oficiais e a crescente oferta destes por produtos oriundos de florestas plantadas explicam o comportamento”, informa o estudo.

Em 2012, quantidade de carvão vegetal obtida do extrativismo no país chegou a 1,1 milhões de toneladas. As produções dos estados do Maranhão (346,2 mil toneladas) e de Mato Grosso do Sul (259,6 mil toneladas) participaram com 52,2% na produção nacional. O Piauí, Minas Gerais e a Bahia registraram produção superior a 100 mil toneladas.

Fonte: Agência Brasil

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Meio Ambiente

Participação de áreas plantadas na produção florestal avança, diz IBGE

A participação da silvicultura (extração em áreas plantadas) na produção primária florestal passou de 72,6% para 76,9% de 2011 para 2012, o que representa R$ 14,2 bilhões do total geral da produção florestal brasileira, que alcançou R$ 18,4 bilhões. A extração vegetal (retirada de áreas nativas), cuja participação caiu de 27,4% para 23,1%, somou apenas R$ 4,2 bilhões.

eco09-05-12-13Os dados da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 2012 (Pevs) 2012, divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que essa inversão decorre diretamente do aumento da fiscalização e de uma maior conscientização ambiental no país.

Em 1994, a silvicultura representava menos de 30% da produção florestal, enquanto o extrativismo ultrapassava os 70%. Entre 1998 e 2002, ambos praticamente se igualaram, mas a partir de 2003 a silvicultura acentuou a predominância e vem se distanciando do extrativismo. Os técnicos do IBGE ressaltaram a implementação de políticas públicas, ao longo dos anos, de incentivo da silvicultura, de forma econômica e sustentável.

“A exploração madeireira predatória, que tantos danos causou ao meio ambiente, vem sendo substituída por técnicas de impacto reduzido, preservando o setor madeireiro através do uso racional e sustentável”, destaca o documento.

A adoção de um sistema de manejo florestal aliado a iniciativas conservacionistas que procuram conter os desmatamentos constituem um fator preponderante para preservação das matas, segundo o IBGE. “O crescimento da silvicultura é fator preponderante na amenização do impacto causado pela retirada de produtos madeireiros.”

Ainda no âmbito do fenômeno da inversão silvicultura-extração vegetal, a troca da lenha de matas nativas – muito usada como combustível nas zonas rurais para cozinhar alimentos – por lenha de reflorestamento e a substituição delas nas indústrias que utilizam a lenha como fonte energética são exemplos de como a atividade vem contribuindo para reduzir a pressão sobre as florestas nativas.

“Isso sem contar que o eucalipto, principal espécie plantada no Brasil, pode ser abatido com excelente produtividade a partir do sexto ano, prazo este bem inferior à regeneração de nossas florestas”, enfatiza a pesquisa.

Para acompanhar o desempenho dessas atividades, a pesquisa fez um registro dos principais produtos obtidos nas florestas naturais e plantadas, investigando em todos os municípios brasileiros, 38 itens oriundos do extrativismo vegetal e sete, da silvicultura.

Para o IBGE, o coco do açaí, o látex, a cera de carnaúba, a fibra de piaçava, a casca de angico, o coco de babaçu, o pequi, a castanha-do-pará e o urucum são exemplos de produtos extraídos nas matas e florestas naturais do país.

“Tais produtos ocupam relevante importância na complementação da renda ou se configuram como a única fonte de renda das populações extrativistas em determinadas localidades do Brasil”, informa o estudo.

Fonte: Agência Brasil