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Agronegócio

Desempenho do frango, boi e suíno vivos em julho de 2020

Mesmo faltando, ainda, três dias para o encerramento do mês, fica claro que boi em pé e frango vivo devem obter em julho corrente valorização mensal em torno de 6%, enquanto o suíno alcança valor quase um quarto superior ao de junho passado.

Os três, enfim, registraram ganhos superiores aos do milho e do farelo de soja. Mas, para frango e suíno tais ganhos acabam minimizados ao se constatar que, em relação a julho de 2019, a variação de ambos (13,64% e 15,63%, respectivamente) ficou muito aquém da observada por suas duas principais matérias-primas.

Tais perdas se aprofundam (especialmente para o frango) ao se considerarem os preços médios registrados nos sete primeiros meses de 2020. Pois, frente a valorizações superiores a 30% do boi em pé, do milho e do farelo de soja, o suíno valorizou-se apenas 17%, enquanto o frango só agora acumula valor médio que supera, por margem mínima, o preço médio dos sete primeiros meses de 2019.

Fonte: AviSite

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Agronotícias

Desempenho do frango, boi e suíno vivos em fevereiro de 2020

Os resultados preliminares do segundo mês do ano indicam que somente frango vivo e boi em pé alcançarão no mês preços superiores aos de janeiro passado. Ou seja: o suíno vivo tende a uma redução mensal em torno de 7%.

Mas como o setor se encontra em recuperação, as baixas registradas não têm maior significado, porquanto a cotação atual se encontra aquém, apenas, dos bons resultados registrados no trimestre novembro/19-janeiro/20. Ou seja: encontram-se em patamar que corresponde ao quarto melhor preço nominal já alcançado pelo suíno vivo. O que faz este fevereiro registrar valores 40% e 55% superiores aos de um e dois anos atrás, respectivamente.

O frango vivo apresenta condições bem mais modestas, mesmo assim favoráveis. Pois seu valor atual se encontra quase 10% e 30% acima do alcançado há um e dois anos, respectivamente. Mas sob esse aspecto permanece bem aquém do boi gordo que, frente a tais períodos, obtém valorização de 30% e 36%.

Milho e farelo de soja fecham fevereiro em relativa estabilidade comparativamente ao mês anterior. Mas apenas porque o ano ainda não começou para as duas matérias-primas em decorrência, sobretudo, de indefinições no mercado internacional. De toda forma, obtêm no bimestre expressiva valorização em relação aos preços praticados em fevereiro de 2019 e 2018.

Reposts: Agrolink

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Agronotícias

Exportação de carne de frango do Brasil cresce 14,9% em janeiro; China compra 87%

As exportações de carne de frango do Brasil avançaram 14,9% em janeiro na comparação com mesmo mês do ano passado, impulsionadas por um forte aumento nas aquisições pela China, disse nesta quinta-feira a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Segundo a entidade, os embarques do produto (in natura e processado) totalizaram 323,8 mil toneladas no período, gerando receita de 529,1 milhões de dólares, crescimento de 16,5% em relação a janeiro de 2019.

“O mercado internacional segue pressionado, o que se reflete em preços maiores em relação ao registrado em 2019. O mix de produtos enviado para mercados com maior valor agregado, como Japão, China e União Europeia, também favorecera o desempenho mensal”, disse em nota o presidente da ABPA, Francisco Turra.

Considerando apenas os embarques para a China, principal destino das exportações brasileiras de carne de frango, a alta é de expressivos 87%, com 62,7 mil toneladas.

O país asiático tem acelerado aquisições de carnes no mercado externo desde o ano passado, diante da escassez doméstica de proteínas causada por um surto de peste suína africana, e tende a ampliar importações mesmo com a atual epidemia de coronavírus, avaliou na segunda-feira o presidente da ABPA, em entrevista à Reuters.

Em dezembro, antes de o coronavírus vir à tona, a entidade projetava um aumento de 7% nos embarques totais de carne de frango do Brasil em 2020, para um recorde de 4,5 milhões de toneladas, com impulso especialmente da China.

Outros mercados importantes também apresentaram resultados positivos no mês passado, de acordo com a associação, como Japão (alta de 17%, a 31,9 mil toneladas

Fonte: noticiasagricolans

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Avicultura

Brasil embarca 91,6 mil toneladas de carne de frango

Na comparação com 2018 a média diária de embarque é 12,2% maior

Na primeira semana de dezembro, com cinco dias úteis, o Brasil enviou ao mercado externo 91,6 mil toneladas de carne de frango, registrando uma média diária de 18,3 mil toneladas. Na comparação com novembro a média registrada na semana é 18,5% maior, já na comparação com dezembro de 2019, o incremento é de 12,2%.

A soma dos embarques dessa primeira semana ficou em US$ 145,16 milhões. O preço pago por tonelada no período foi de US$ 1584,88, 06% menor que os US$ 1593,74 pagos em novembro e 0,8% menor que os US$ 1596,93 pagos em dezembro de 2018.

O mês de dezembro conta com 21 dias úteis, se a média for mantida o volume embarcado no mês pode chegar aos 384 mil toneladas embarcadas.

RESULTADOS GERAIS

Na primeira semana de dezembro de 2019, com 5 dias úteis, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,646 bilhão e corrente de comércio de US$ 8,500 bilhões, resultados de exportações no valor de US$ 5,073 bilhões e importações de US$ 3,427 bilhões. No ano, as exportações somam US$ 210,936 bilhões e as importações, US$ 168,216 bilhões, com saldo positivo de US$ 42,720 bilhões e corrente de comércio de 379,152 bilhões.

Fonte: Agrolink

 

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Agronotícias

Frango: mercado fecha sem muita variação; demanda deve crescer

Não houve variações drásticas no fechamento de mercado para o frango nesta quarta-feira (27). Apesar dos resultados de hoje, de acordo com análise do Cepea/Esalq, a demanda, que já vinha aquecida na primeira quinzena de novembro, deve crescer pela maior competitividade desta proteína frente à carne suína e bovina.

Segundo informações da Scot Consultoria, em São Paulo o frango de granja ficou em R$ 3,20 o quilo, enquanto a ave no atacado cravou R$ 5,25, sem mudança em relação ao dia anterior.

Os preços informados pelo DERAL/DEB – SEAB/PR e Epagri/Cepa também mostram estabilidade para o frango vivo. No Paraná, o quilo da ave permaneceu em R$ 3,10, enquanto em Santa Catarina, o valor é de R$ 2,49.

Os dados do Cepea/Esalq referentes à terça-feira (26) apontam para movimentos inversos entre o frango congelado e resfriado. Enquanto o produto congelado teve alta de 0,19%, alcançando R$ 5,29, a ave resfriada teve queda de 0,19%, descendo para R$ 5,15 o quilo.

Reposts: Noticiasagricolas

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Agronotícias

Por que o uso de antibióticos na agropecuária preocupa médicos e cientistas

Estudo global revela que o Brasil é um dos países com situação preocupante no monitoramento e resistência a antibióticos em alimentos de origem animal.

 

Cientistas têm tentado detalhar os caminhos pelos quais bactérias resistentes passam dos alimentos de origem animal aos humanos — Foto: Getty Images
Cientistas têm tentado detalhar os caminhos pelos quais bactérias resistentes passam dos alimentos de origem animal aos humanos — Foto: Getty Images

A bactéria resistente encontrada no suíno, uma Escherichia coli, levou os cientistas da China a aprofundar os exames — agora, também em frangos de fazendas de quatro províncias chinesas, nas carnes cruas desses animais à venda em mercados de Guangzhou, e em amostras de pessoas hospitalizadas com infecções nas províncias de Guangdong e Zhejiang.

Já nos humanos, a incidência foi menor, mas se mostrou presente — em 16 amostras de 1.322 pacientes hospitalizados.

“Por causa da proporção relativamente baixa de amostras positivas coletadas em humanos na comparação com animais, é provável que a resistência à colistina mediada pelo MCR-1 tenha se originado em animais e posteriormente se alastrado para os humanos”, explicou em 2015 Jianzhong Shen, da Universidade de Agricultura em Pequim, um dos autores do estudo, cujos resultados foram publicados no periódico The Lancet Infectious Diseases.

Mas como esse material genético resistente pode ter passado dos animais para os humanos? O caminho de “transmissão” de microrganismos (bactérias, parasitas, fungos e etc) resistentes é uma incógnita não só para o caso dos porcos, frangos e pacientes na China, mas para o uso veterinário e médico de antibióticos como um todo.

Pode ser que esses microrganismos ou resquícios de antibióticos (restos dos medicamentos que, em contato com os micróbios, podem estimular sua resistência) possam estar se alastrando pelos alimentos, ou ainda através do lixo hospitalar, lençóis freáticos, rios e canais de esgoto — e a investigação para desvendar as rotas de bactérias tem motivado inúmeras pesquisas no Brasil e no mundo (veja detalhes sobre esses estudos abaixo).

“Com a globalização, não só o transporte de pessoas é rápido, como os alimentos da China chegam ao Brasil e vice-versa. Essa cadeia mimetiza o que acontece com o clima: estamos todos interligados. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem trabalhando com o enfoque de ‘One Health’ (‘Saúde única’ em português, a perspectiva de que a saúde das pessoas, dos animais e o ambiente estão conectados).”

Agora, a dimensão global do problema ganhou um mapeamento inédito juntando pesquisas já feitas medindo a presença de microrganismos resistentes em alimentos de origem animal em países de baixa e média renda — e o Brasil aparece no grupo de lugares com situação preocupante. Não quer dizer que o estudo considere o país como um todo, mas pontos que já foram submetidos a pesquisas, como abatedouros de bois em cidades gaúchas ou em uma fazenda produtora de leite e queijo em Goiás.

Ovos, leite, carnes... A ciência tem hoje métodos para detectar microrganismos resistentes nos alimentos, mas poucos países fazem esse monitoramento sistematicamente — Foto: Getty Images
Ovos, leite, carnes… A ciência tem hoje métodos para detectar microrganismos resistentes nos alimentos, mas poucos países fazem esse monitoramento sistematicamente — Foto: Getty Images

China e Índia foram, segundo os autores do estudo, publicado na revista Science, “claramente” os lugares em que os maiores níveis de resistência foram encontrados.

Mas o Sul do Brasil, leste da Turquia, os arredores da Cidade do México e Johanesburgo (África do Sul), entre outros, se destacaram também como hotspots, ou focos de resistência microbiana em animais destinados à alimentação, principalmente bovinos, porcos e frangos (com níveis elevados de P50, percentual acima de 50% de amostras de microrganismos resistentes a determinados antibióticos).

As maiores resistências observadas foram relacionadas a alguns dos antibióticos mais usados na produção animal, como as tetraciclinas, sulfonamidas e penicilinas. Entre aqueles importantes para tratamento também em humanos, destacaram-se a resistência à ciprofloxacina e eritromicina.

Após ler o estudo, a pesquisadora brasileira Silvana Lima Gorniak, professora titular da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, liga o destaque ao Sul justamente a uma maior criação de aves e suínos na região, animais para os quais há maior uso de antimicrobianos com a finalidade de promover o crescimento (entenda os diferentes usos de antibióticos veterinários e seus impactos abaixo).

A situação da América do Sul é particularmente preocupante por causa da carência de dados, diz o estudo: “Considerando que Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil são exportadores de carne, é preocupante que haja pouca vigilância epidemiológica da resistência microbiana disponível publicamente para esses países. Muitos países africanos de baixa renda têm mais pesquisas desse tipo do que os países de renda média na América do Sul. Globalmente, o número de pesquisas per capita não se correlacionou com o PIB per capita, sugerindo que a capacidade de vigilância não é impulsionada apenas por recursos financeiros.”

Buscando ampliar, em partes, o acesso a esse tipo de informação, os autores do estudo lançaram um banco de dados colaborativo para cadastro de pesquisas sobre o tema em todo o mundo, o “Resistance Bank”.

“O Brasil precisa urgentemente de dados de vigilância disponíveis publicamente sobre a resistência microbiana. É um grande exportador de carne, todos comemos frango brasileiro, seria bom saber o que há nele”, escreveu por e-mail à BBC News Brasil Thomas Van Boeckel, um dos autores do estudo e pesquisador do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich), na Suíça.

Em nota enviada à BBC News Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) afirmou que, “em relação ao estudo da revista Science”, está “ciente sobre a importância da resistência aos antimicrobianos”. “Trata-se de um dos maiores desafios globais de saúde pública e que deve ser abordado pelos países atendendo ao conceito de Saúde Única, exigindo ações imediatas de todos os envolvidos”.

A pasta garante que o país está correndo atrás para ter um sistema de vigilância, por meio do Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Agropecuária (PAN-BR AGRO), cujo prazo previsto para implementação vai de 2018 a 2022.

Segundo fontes consultadas pela reportagem, o cronograma do plano tem sido cumprido.

Já foram detectadas em alimentos de origem animal bactérias resistentes que representam grandes riscos para os humanos — Foto: Getty Images
Já foram detectadas em alimentos de origem animal bactérias resistentes que representam grandes riscos para os humanos — Foto: Getty Images

São amostragens aleatórias de ovos, leite, mel e de animais encaminhados para abate sob inspeção federal, mas o que se busca são resquícios de antibióticos, e não microrganismos resistentes.

Em 2018, o relatório apresentado pelo ministério mostra que o percentual de amostras com resquícios de antibióticos em conformidade ficou na casa dos 99%.

“Para ser seguro para consumo alimentar, a presença de determinadas bactérias tem que estar dentro de limites estabelecidos pelas agências de saúde de cada país, o que já é feito. Mas mais do que saber, por exemplo, a presença de Salmonella (gênero de bactérias) em galinhas ou porcos, é possível testar sistematicamente a suscetibilidade dela aos antibióticos — que é realmente o que nos permite saber se as bactérias são ou não resistentes”, aponta João Pedro do Couto Pires, também coautor do estudo e pesquisador do ETH Zurich.

Frangos com Salmonella resistente em Estados brasileiros

Ainda que não tenha hoje um levantamento sistematizado, o Brasil já teve experiências pontuais na medição da resistência microbiana em alimentos de origem animal.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento destacou ainda que vem progressivamente proibindo medicamentos veterinários usados com o objetivo principal de fazer os animais engordarem, os chamados melhoradores de desempenho. Já foram proibidas substâncias do tipo como os anfenicóis, as tetraciclinas e as quinolonas.

“Na criação animal, há basicamente três tipos de uso de antimicrobianos. O primeiro é o terapêutico, como ocorre com o ser humano. A segunda maneira é a preventiva, como no desmame dos suínos — esse animal provavelmente vai passar por estresse, vai ter uma imunossupressão (redução da atividade do sistema imunológico), e ela pode levar à infecção por várias bactérias, então se faz preventivamente o tratamento”, explica Silvana Lima Gorniak, da USP.

“A terceira maneira é a mais polêmica, a mais discutida na ciência, que é a administração (de antimicrobianos) como melhorador de desempenho. Nesse caso, o animal não tem nenhuma doença, provavelmente não vai ficar doente, e o antimicrobiano é empregado com a finalidade de promover o crescimento. Não se sabe exatamente como, mas o animal de fato cresce.”

Ao mesmo tempo, esta substância é colocada pela OMS no grupo mais crítico entre os antibióticos que precisam urgentemente de substitutos — já que são o último recurso para o tratamento de algumas doenças para as quais outros antibióticos não funcionam mais, são amplamente usados na medicina humana e já se mostraram altamente vulneráveis à resistência microbiana.

Antimicrobianos passaram a ser mais significativamente usados na criação de animais para consumo nos anos 1950 em países de alta renda, algo que foi se estendendo para países de baixa e média renda — onde hoje, inclusive, projeções mostram que o uso desses medicamentos aumentará, já que a produção e consumo de carne nesses países tem crescido.

O elo entre precariedade e uso de antibióticos

Produção em larga escala de animais com fins alimentícios está associada ao uso de antibióticos — Foto: Getty Images
Produção em larga escala de animais com fins alimentícios está associada ao uso de antibióticos — Foto: Getty Images

Sandra Lopes, diretora da organização Mercy for Animals no Brasil, vê o uso de antibióticos como uma das práticas degradantes impostas aos animais.

“O uso de antibióticos força esses animais a seguirem produzindo em um sistema completamente cruel, onde os animais não podem exercer nenhum de seus comportamentos naturais”, aponta a representante da ONG, dedicada ao bem estar de animais ditos de produção, aqueles destinados ao consumo alimentício.

Como exemplos, ela menciona criações com confinamento intensivo em gaiolas.

As galinhas poedeiras, confinadas em uma área análoga ao que seria passar a vida inteira dividindo um elevador com outras 12 pessoas, segundo a ONG, não têm espaço para exercer comportamentos naturais como abrir as asas ou ciscar. Sem forças nas pernas por não movimentá-las, essas galinhas podem sofrer fraturas com o peso do próprio corpo. Isso leva a um ciclo em que o uso de antibióticos se faz necessário.

Há ainda a debicagem, quando os bicos dessas aves são retirados para evitar, entre outros, o canibalismo — intensificado pelo estresse vivido pelos animais. É algo que leva também ao corte dos rabos dos porcos, procedimentos esses que muitas vezes exigem também o emprego de antibióticos.

Silvana Lima Gorniak destaca que a ligação entre precariedade na produção e uso excessivo de antibióticos fica mais evidente, uma vez mais, no caso dos melhoradores de desempenho.

“As condições sanitárias impactam diretamente no uso de antimicrobianos. Os melhoradores de desempenho têm um efeito muito benéfico naqueles lugares onde as condições sanitárias não são tão adequadas. Em locais com higiene adequada, é claro que há benefícios, mas ele é diluído”, explica a pesquisadora.

Já os autores do artigo publicado na Science destacam que o cenário de precariedade e consequente uso de antibióticos pode ser uma faca de dois gumes para os produtores: “Uma consequência fundamental desta tendência é um esgotamento do portfólio de tratamento para animais doentes. Essa perda tem consequências econômicas para os agricultores, porque os antimicrobianos acessíveis são usados como tratamento de primeira linha, e isso pode eventualmente se refletir em alimentos com preços mais altos.”

Entidade veterinária pede maior controle de vendas de medicamentos no setor

“É como para a gente, humanos: os antibióticos resolveram muitas questões, mas se a gente abusa, vai chegar uma hora que eles não serão mais eficazes”, resume Fernando Zacchi, assessor técnico da presidência do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).

Zacchi diz que a entidade está empenhada em educar a categoria para um uso mais racional de antibióticos e tornar mais rigoroso o acesso a antimicrobianos veterinários — hoje, ele explica ser necessária a apresentação, mas não retenção, da receita.

“Aí está uma fragilidade: estamos trabalhando com outros órgãos para a obrigatoriedade da retenção e escrituração”, aponta, lembrando que entra na questão ainda o uso de antimicrobianos em animais domésticos.

Outro ponto é o cumprimento da exigência de um responsável técnico nos pontos de venda destes medicamentos, algo que é fiscalizado pelo próprio CFMV — a BBC News Brasil pediu dados sobre multas e autuações relacionadas a essas regras, mas não teve a solicitação atendida.

“Embora o conselho e o Mapa entendam que deve haver um responsável técnico nesses estabelecimentos, o Judiciário está eventualmente dispensando este profissional, cuja presença garante mais controle e rastreabilidade.”

Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), nos últimos cinco anos, os antimicrobianos abocanharam cerca de 16% das vendas de tratamentos veterinários (que incluem ainda as categorias antiparasitários; biológicos; suplementos e aditivos; terapêuticos). A reportagem pediu valores — e não apenas percentuais — por categoria, mas não teve a demanda atendida.

A Aliança defende que há controle interno, com análises diárias feitas pelas próprias empresas sobre a questão e que o “Brasil cumpre rigorosamente as determinações técnicas de todas as nações importadoras”.

Em relação à produção em escala, a entidade aponta que o país “segue as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para o alojamento dos animais”.

“Na produção industrial, o sistema produtivo é isolado em controles restritivos de acesso, o que evita a circulação de doenças. Em situações de produção precária, sem as devidas salvaguardas técnico-veterinárias, os riscos de enfermidades e o uso inadequado de antibióticos são maiores”, acrescentou.

E agora, o que fazemos em casa?

Estudo recém-publicado na Science alerta: uso de antibiótiocos em países de baixa e média renda como o Brasil deve aumentar nos próximos anos — Foto: Getty Images
Estudo recém-publicado na Science alerta: uso de antibiótiocos em países de baixa e média renda como o Brasil deve aumentar nos próximos anos — Foto: Getty Images

À frente do Laboratório de Controle Microbiológico de Alimentos da Escola de Nutrição (Lacomen), ele e seus alunos e orientandos têm desenvolvido uma metodologia própria para encontrar bactérias resistentes em alimentos minimamente processados, aqueles prontos para consumo, como frutas e queijos. Um resumo do que eles têm encontrado até aqui: muitas bactérias resistentes.

Em sua dissertação de mestrado orientada por Marin, Cristiane Rodrigues Silva, por exemplo, buscou bactérias resistentes em amostras de queijo minas frescal. Todos exemplares estudados apresentaram algum conjunto de bactérias resistentes — em 13%, a resistência foi constatada para todos os antibióticos testados e em 80%, para 8 a 10 diferentes antibióticos. Foi constatada ainda resistência em 87% dos queijos aos carbapanêmicos, tipo de antibiótico potente que é considerado uma das últimas alternativas na luta contra microrganismos muito resistentes.

Agora, Silva, Marin e o resto da equipe estão estudando outros tipos de queijo, como minas padrão, parmesão, ricota e cottage; além de frutas compradas no comércio comum, como manga, laranja e caju. Eles também querem verificar se outras formas de produção, como a orgânica, podem alterar a presença de microrganismos resistentes.

“Como essa bactéria chegou ao queijo? Tem que voltar ao campo: a vaca come capim, que tem dentro dela bactérias endofíticas, que vivem dentro das plantas. A vaca ingere a planta, produz leite e o leite vai para o queijo. Mas é difícil falar quem originou a bactéria primeiro — elas evoluem junto com os humanos e animais. Também são promíscuas: trocam material genético.”

As diversas variáveis que influenciam a resistência dos micróbios são justamente o que representa um desafio para as pesquisas: para traçar o caminho dos microrganismos através dos animais, humanos e do ambiente, seriam necessários grandes volumes de amostras desses elementos.

E em tempo real, lembra João Pedro do Couto Pires, já que muitas vezes é diagnosticada alguma infecção em uma ponta, mas sua origem muitas vezes já se perdeu no tempo.

Por isso, o alarme tocado pelo artigo na Science traz um porém: “Está além do escopo deste estudo tirar conclusões sobre a intensidade e a direcionalidade da transferência de resistência microbiana entre animais e humanos — aspectos que devem ser investigados com métodos genômicos robustos”.

Flávia Rossi, patologista da USP, lembra de procedimentos básicos de saneamento e higiene que cortam a circulação de microrganismos, como lavar as mãos; o uso de água potável na cozinha; e o armazenamento adequado de alimentos.

O cuidado deve ser redobrado com pessoas mais vulneráveis, como hospitalizados, imunossuprimidos ou transplantados. “As bactérias também nos protegem, estão no nosso intestino, na nossa pele… Mas elas nos atacam quando há um desequilíbrio”, diz.

João Pedro do Couto Pires brinca que, hoje, nossas casas são mais perigosas do que restaurantes por haver menos cuidado com questões sanitárias.

Ele destaca ações a serem evitadas: misturar alimentos crus e cozidos; ou carnes e vegetais, como, por exemplo, no refrigerador ou no uso de uma mesma faca ou tábua para esses dois tipos de alimentos. Essas misturas levam a fluxos de microrganismos que, no caso de alimentos crus, como vegetais em uma salada, acabam sendo ingeridos pela pessoa que está comendo.

Marin garante que não se trata de parar de comer alimentos como os estudados por sua equipe, como queijos e frutas, mas de aprofundar investigações sobre como a resistência microbiana se expressa neles — para, aí sim, fazer-se uma escolha entre custos e benefícios. Por exemplo, algo a ser levado em conta, segundo descobriu sua equipe, é que queijos mais úmidos exigem maior cuidado no assunto.

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Avicultura

Indústria de carne de frango vive cenário positivo

“Países com acesso à China e ao Vietnã verão preços melhores para carne de frango escura”

Imagem créditos: Arquivo

Dados divulgados pelo Rabobank indicaram que a indústria brasileira de carne de frango vive um cenário bastante positivo. De acordo com a CarneTec Brasil, o setor tem conseguido margens positivas enquanto outros países produtores passam por excesso de oferta do produto.

 

“Brasil, China e México são os únicos enfrentando cenário positivo de mercado para a carne de frango neste momento, enquanto União Europeia, Estados Unidos e África do Sul lidam com excesso de oferta do produto. No caso do Brasil, o reajuste na produção realizado pelos frigoríficos no último ano e a forte demanda externa pela carne de frango têm favorecido o setor, segundo o Rabobank”, comenta a CarneTec.

Além disso, a demanda externa vem em grande parte da China, país que enfrenta casos de peste suína africana que reduzem a produção local de carne suína, e tem buscado suprir esta lacuna com o aumento nas importações de todas as proteínas animais. “A demanda gerada pela peste suína africana deverá dar um suporte indireto aos preços de carne de frango em países que têm um bom acesso ao mercado de carne suína da China, incluindo o Brasil, segundo o banco”, completa o portal especializado.

“Países com acesso à China e ao Vietnã (afetados pela peste suína africana) verão preços melhores para carne de frango escura, mas a fraca demanda global por peito de frango continua a ser uma importante preocupação para companhias globais, já que este (corte) é a fonte de lucros de muitas companhias”, escreveram os analistas do Rabobank em relatório, que foi divulgado recentemente.

Fonte: Agrolink

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Mercados e Créditos

Produção de carne de frango crescerá 1,5%

“Além disso, a economia brasileira deve se recuperar no próximo ano”, diz o USDA.

A produção de carne de frango em 2020 crescerá 2,5%, para 13,975 milhões de toneladas, com a demanda global, especialmente da China, impulsionando o crescimento devido ao impacto da peste suína africana na Ásia. Foi isso que informou um relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O USDA acredita que as fontes comerciais continuam otimistas de que as exportações para a China permanecerão firmes no próximo ano devido ao surto da Febre Suína Africana (AFS) na Ásia. “Prevê-se também que a demanda doméstica por carne de frango aumente devido à recuperação esperada da economia brasileira em 2020, projeção de inflação mais baixa e queda nas taxas de desemprego”, completa.

“Outros fatores que contribuem para a perspectiva otimista do próximo ano incluem: os custos de alimentação provavelmente permanecerão estáveis devido a um recorde de safras 2019/2020 de soja e milho, um número acima da média de pintos colocados em operações de cultivo de carne nos últimos meses, refletindo os produtores ‘confiança no mercado, o peso vivo médio das aves continua a crescer devido à melhoria da genética e aos preços competitivos do produto brasileiro. O último fator assume uma taxa de câmbio média acima de R $ 3,85 por dólar americano”, conclui o relatório do USDA.

Fonte: Agrolink

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Agronotícias

Exportações brasileiras de carne de frango crescem 5,8% até julho

A China, principal destino dos embarques, aumentou a compra da proteína no mês em 15%.

China aumentou as compras de carne de frango após uma crise de peste suína africana afetar a oferta de proteínas no país — Foto: Reprodução/JN

s exportações brasileiras de carne de frango cresceram 5,8% de janeiro a julho de 2019 na comparação com o mesmo período do ano passado, informou nesta quinta-feira (8) a associação que representa as exportadoras do setor (ABPA).

No ano, foram vendidas ao exterior 2,43 milhões de toneladas. Com este desempenho, a receita do setor acumulam alta de 10,8% em 2019, com faturamento de US$ 4,07 bilhões.

  • Exportações de carne suína crescem 19,6% no ano

“O mercado internacional está aquecido, e os preços estão em alta. Novamente registramos valores médios acima de US$ 1,7 mil dólares por tonelada. Apenas para efeito comparativo, a média de preços de 2018 foi de US$ 1,6 mil por tonelada”, detalhou em nota o diretor-executivo da ABPA, Ricardo Santin.

Considerando apenas o mês de julho, os embarques de carne de frango chegaram a 387,6 mil toneladas. O saldo é 16,4% inferior às 463,5 mil toneladas registradas em julho de 2018, quando o volume recorde foi motivado pelo represamento das vendas por conta da greve dos caminhoneiros.

Principal destino das exportações de carne de frango, a China, que passa por uma crise de peste suína africana e busca outras proteínas para equilibrar a oferta para consumidores do país, importou em julho 52,7 mil toneladas, volume 15% superior ao embarcado no mesmo período do ano passado.

O saldo cambial de julho de 2019, com US$ 665,6 milhões, foi 6,4% menor que o registrado no mesmo período do ano anterior, com US$ US$ 710,9 milhões.

Fonte: G1

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Exportações

Embarques de frango para China crescem 50%

No período foram enviadas ao mercado externo 1.909.681 toneladas de carne de frango

As exportações de carne de frango entre janeiro e junho registraram variação positiva de 11,1% no volume embarcado. No período foram enviadas ao mercado externo 1.909.681 toneladas de carne de frango. Os dados são do Ministério da Economia Indústria, Comércio Exterior E Serviços.

Em valores monetários, os embarques somam US 3.088,52 milhões, (FOB – valores livres de impostos e taxas), o que representa um crescimento de 17,8%. Ainda de acordo com os dados do ministério, os preços da carne enviada ao mercado externo registrou valorização de 6% no período.

A China foi o principal destino junto com Hong Kong recebendo 22,7% dos embarques brasileiros. Somente para o gigante asiático foram US$ 547,02 milhões embarcados, um crescimento de 50%. Já Hong Kong soma US$ 143,7 milhões

O segundo principal destino foi a Arábia Saudita com 14% de participação das exportações, somando um montante de US$ 422,73 milhões. Na sequencia vem o Japão com 12% dos embarques somando US$ 383,43 milhões.

Já os Emirados Árabes Unidos detiveram 10% dos embarques com US$ 320,13 milhões. Coreia do Sul, Kuwait, Cingapura, Omã, Iraque e Catar  juntos somaram 15,9% do total embarcado.

Somente o Paraná foi responsável por 39,3% das exportações somando US$ 1,21 Bilhão, registrando crescimento de 18,5% no período. Santa Catarina foi o segundo maior exportador com 34,8% de participação. O estado teve um crescimento 62,4% no período com US$ 1,08 bilhão em exportações.

Já o Rio Grande do Sul foi responsável por 10,4% da carne enviada ao mercado externo. No período o estado soma US$ 321,24 milhões. Na sequência vem São Paulo com 4,07%, Minas Gerais com 23,2%,  Goiás com 3,28% e Mato Grosso do Sul 3,26%.

Reposts: Agrolink