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Regularização Fundiária

Ministra da Agricultura pede aprovação rápida de lei de regularização fundiária

Tereza Cristina quer ainda a aprovação de crédito orçamentário para viabilizar o Plano Safra; deputados cobram solução para a queda no preço do leite e para falta de milho para pecuários.

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, pediu a aprovação rápida, pelos parlamentares, do projeto de lei do governo que estabelece critérios para a regularização fundiária de imóveis do governo federal, incluindo assentamentos da reforma agrária (PL 2633/20). Segundo a ministra, a aprovação vai facilitar, a entrega de títulos de propriedade de terra a agricultores, o que garante acesso a crédito rural e políticas públicas.

Ela participou de audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária e Abastecimento da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (5), para discutir as metas, planos e prioridades do ministério para este ano. A audiência atendeu a pedido da presidente do colegiado, deputada Aline Sleutjes (PSL-PR).

Segundo a ministra, em 2020, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) entregou 109 mil títulos definitivos e provisórios de terra a agricultores, e a meta deve ser superada neste ano. “Para o corrente ano, espera-se emitir 130 mil títulos em assentamentos e glebas públicas, sendo que, destes 80 mil apenas na Amazônia Legal. Para o ano de 2022, o objetivo é alcançar a marca de 170 mil títulos”, disse.

A ministra disse ainda que tem o objetivo de ver implementado em todo o País, em prazo de até dois anos, o Cadastro Ambiental Rural(CAR), instrumento que ajudará a definir se uma propriedade está aderente à legislação ambiental ou não. Ela anunciou o lançamento, ainda em maio, da plataforma Analisa CAR, que permitirá que estados acessem de maneira remota os registros do CAR.

Grilagem
O deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP) defende a regularização fundiária, mas explicou por que a proposta vem causando polêmica na Câmara. “A gente tem medo muito grande, e esse medo tem impedido e dificultado a votação da matéria, de como separar o que merece ser regularizado daquilo que é grilagem de terras.”

O parlamentar pediu que que ministério, ao regulamentar a matéria após aprovação da lei, separe o que merece se regularizado do que é grilagem. “Não vamos colocar grileiro para dentro. Temos que aprovar logo”, respondeu a ministra.

Incra
Já o deputado Valmir Assunção (PT-BA) acusou o Incra de enganar os assentados ao prometer a entrega do Contrato de Concessão de Uso (CCU) da terra, que deve ser recebido quando o agricultor é assentado e não é o título da terra de fato.

Além disso, o parlamentar acusou o Incra de descumprir a Constituição, ao não promover a reforma agrária. “Os artigos 184 e 185 dizem que todas as terras improdutivas devem ser destinadas para a reforma agrária, e até agora não vi em nenhum momento o Incra tentar cumprir esse artigo. E é preciso cumprir a Constituição independentemente se gosta ou não.”

O presidente do Incra, Geraldo Melo Filho, rebateu a acusação. “É verdade que este governo não fez ainda desapropriação de terras produtivas, mas a lei também diz que, quando o governo faz desapropriação de terras improdutivas tem que pagar por elas, e o governo não vinha pagando. Tanto que parte do que foi colocado no orçamento da União deste ano, mais de R$ 30 bilhões de precatórios, é para pagamento de desapropriações que nunca foram pagas por governos anteriores ”, disse.

Além disso, Melo Filho afirmou que o governo entrega o contrato de concessão da terra agora porque ele não foi emitido por governos anteriores, mas quer entregar também os títulos definitivos.

Plano Safra
No debate, a ministra pediu ainda apoio dos deputados para a rápida aprovação do projeto do governo que abre crédito suplementar de R$ 19,768 bilhões para o Orçamento (PLN 4/21), para viabilizar o terceiro Plano Safra, para o biênio 2021-2022, que começa em 1º de julho. A ideia é enviar a proposta de plano para o Conselho Monetário até o fim de maio.

“Precisamos do orçamento para saber sobre o tamanho do Plano Safra para este ano”, explicou. Conforme ela, como “o cobertor é curto”, a ideia é priorizar o atendimento de pequenos e médios produtores, como ocorreu nos planos anteriores.

Tereza Cristina ainda pediu empenho para a aprovação do Projeto de Lei 1293/21, do Poder Executivo, que trata dos programas de autocontrole dos agentes privados regulados pela defesa agropecuária.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Sérgio Souza (MDB-PR), manifestou apoio à proposta. “Essa proposta de reorganizar a parte de vigilância sanitária, dando condições para a empresa que produz fazer a própria fiscalização, e o ministério auditar isso, é um avanço muito importante”, avaliou.

Milho e leite
No debate, alguns deputados, como Dra. Soraya Manato (PSL-ES) e General Girão (PSL-RN),  reclamaram da falta de milho para atender aos produtores agropecuários de seus estados e alimentar bovinos, aves e suínos.

A ministra disse que a expectativa para a próxima safra é “muito boa”, de 108 milhões de toneladas, 17 milhões de toneladas a mais do que no ano passado. Segundo ela, o Brasil vem batendo recordes na produção de milho há dois anos, e o Ministério da Agricultura faz campanha para aumento da área do milho, cuja produção era desincentivada anteriormente.

Tereza Cristina anunciou ainda que deverá ser enviada em breve à Câmara medida provisória para criar mecanismos que permitam a compra de milho acima do preço mínimo de garantia, a fim de formar estoques para atender aos criadores de animais.

Outros deputados, como Jaqueline Cassol (PP-RO) e Domingos Sávio (PSDB-MG), pediram à ministra solução para a queda do preço do leite. A ministra disse que a solução está sendo estudada pelo ministério e prometeu dar retorno sobre o tema para os parlamentares até o fim do mês.

Cúpula da biodiversidade

A ministra da Agricultura destacou, por fim, a necessidade de os países da América do Sul pensarem em uma mensagem única da região para a Cúpula dos Sistemas Alimentares, que será promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro deste ano. “É uma cúpula que muito nos preocupa, porque um dos temas que estão lá colocados é a diminuição na alimentação da proteína animal, de carne de boi”, ressaltou.

De acordo com Tereza Cristina, a produção pecuária é essencial para a economia brasileira e de outros países da América do Sul, como Argentina, Paraguai e Uruguai. “A Europa quer impor o seu sistema para o resto do mundo”, opinou.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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Agronotícias

Leite: ministra defende união dos Conseleites para equilibrar o setor

Conseleites se reuniram nesta quarta-feira, em um evento virtual, para promover harmonia entre produtores e indústria

O primeiro seminário dos Conselhos Paritários Produtores/Indústria de Leite dos estados aconteceu nesta quarta-feira, 14. O encontro virtual foi uma iniciativa do Ministério da Agricultura para ampliar a harmonização do setor, algo que tem avançado nos últimos anos com a criação dos Conseleites, que estabelecem valores referenciais para a livre comercialização.

O evento contou com a presença da ministra Tereza Cristina, que incentivou a união das entidades para equilibrar o setor. “Tenho certeza que nos estados que têm os Conseleites ativos, eles trazem segurança ao produtor rural dos custos de produção, do equilíbrio que precisamos nestas cadeias”, afirma. “Temos que ter união para que o leite possa ter voz. Não adianta reclamar e não sair da cadeira”.

Fonte: Canarural

 

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Pecuária

SENAR-SP dá 4 dicas para você fazer ordenha corretamente

Conhecer boas práticas na ordenha garante o bem-estar animal e ajuda manter boa qualidade do leite.

SENAR-SP dá 4 dicas para você fazer ordenha corretamente
Na pecuária leiteira, é essencial que as vacas estejam em boas condições de saúde para que você obtenha um leite saudável e de boa qualidade. Para isso, o ordenhador deve prestar atenção sobre os sinais apresentados pelas vacas, como olhos fundos, pelos arrepiados, diminuição na ingestão de alimentos, parada da ruminação, queda na produção de leite e alterações na urina ou nas fezes, que podem ser indicativos de problemas de saúde.

Antes de tudo, é necessário lembrar que existem dois tipos de ordenha: manual e mecanizada. A técnica manual é antiga e ainda muito comum, especialmente em rebanhos pequenos, pois o investimento em equipamentos é baixo, mas demanda mais esforço do ordenhador. Já a mecanizada faz a retirada de leite mais rápido e com menor risco de contaminação, quando bem realizada. Ela deve acontecer na sala de ordenha e exige maior investimento.

Através do Programa Pró-Leite, o SENAR-SP (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de São Paulo) vem capacitando os produtores rurais paulistas com boas práticas na extração e exploração dos derivados do leite.

Abaixo, listamos algumas dicas para você fazer ordenha corretamente:

Rotina da ordenha

As vacas leiteiras são conhecidas como animais de rotina. Por isso, elas se sentem mais confortáveis com a definição de horários para alimentação, descanso e ordenha. Sendo assim, é indicado que tanto a alimentação quanto a ordenha seja realizada pela mesma pessoa sempre nos mesmos horários.

Preparo do ordenhador

Cabe ao ordenhador garantir que a extração seja bem conduzida. Para tanto, entre suas responsabilidades, estão o cumprimento dos horários de ordenha, preparação das instalações, acompanhamento da saúde das vacas, realização da ordenha e acompanhamento da qualidade do leite.

Você deve conhecer os procedimentos para a manutenção adequada das instalações e dos equipamentos, além de ter meios para garantir boas condições de saúde para si mesmo e para os animais.

Entre as competências pessoais, o ordenhador deve ter paciência, habilidade e sensibilidade no manejo das vacas. Deve ainda estar fisicamente apto para o desenvolvimento do trabalho.

Instalações necessárias

O local da ordenha idealmente precisa ser projetado de maneira que as vacas fiquem bem acomodadas e tranquilas, com segurança para o ordenhador.

Em propriedades com animais de raças que sofrem maior estresse pelo calor, é altamente recomendada a instalação de sistemas de resfriamento (ventiladores e nebulizadores) nas salas de espera e de ordenha.

Linha de ordenha

As vacas devem ser ordenhas em ordem, a chamada de linha de ordenha. Esta é geralmente definida com base no diagnóstico de mastite (inflamação da mama comum durante a amamentação), acontecendo nesta sequência:

  • Vacas primíparas (de primeira cria), sem mastite
  • Vacas pluríparas que nunca tiveram mastite
  • Vacas que já tiveram mastite, mas que foram curadas
  • Vacas com mastite subclínica
  • Vacas com mastite clínica

Este sistema é pensado para evitar a transmissão da mastite contagiosa no momento da ordenha. Além disso, é importante respeitar a individualidade das vacas, não misturando na mesma bateria animais que não são companheiros.

Por: Nação agro.

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Pecuária

Relação de troca para produtor de leite piora

CIProdutor de leite precisou de 58,1 litros de leite para aquisição de 60 kg de mistura concentrada.

Imagem: Pixabay

O preço do leite ao produtor registrou nova queda em fevereiro e os insumos continuam subindo. Isso faz com que a relação de troca siga piorando. Segundo o Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, na média Brasil a cotação no mês passado fechou em R$1,99 por litro, recuo de 2,2% sobre janeiro. Na comparação anual, o preço nominal ao produtor ficou 40,3% acima do valor recebido em fevereiro de 2020.

No varejo, o preço da cesta de lácteos caiu 0,64%, puxado pelo leite UHT, único produto a registrar queda no mês (-3,3%). Em 12 meses, todos os lácteos registram altas, sendo as mais elevadas para o leite UHT e o leite em pó. De fevereiro de 2020 a fevereiro de 2021 a alta foi de 15,43%.

Apesar da alta anual nos preços do leite, os aumentos expressivos no milho e no farelo de soja continuam comprometendo a relação de troca leite/insumos. Em fevereiro, o produtor de leite precisou de 58,1 litros de leite para aquisição de 60 kg de mistura concentrada, alta de 32% em relação ao mesmo mês de 2020.

Por: Agrolink

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Agronotícias

5 dicas para aumentar a qualidade do leite na fazenda

Cuidado na ordenha, saúde das vacas, transporte e armazenamento são algumas boas práticas para atingir níveis de excelência.

5 dicas para aumentar a qualidade do leite na fazenda

Alimento essencial para o dia a dia do consumidor, o leite é um produto cada vez mais valorizado pelo mercado, por conta de suas diversas formas de utilização. Devido a demanda sempre alta, a produção do líquido pode resultar em uma importante fonte de renda nas fazendas. Mas, para isso, os pecuaristas devem atentar para a qualidade do leite.

Cuidado minucioso em processos de ordenha, da saúde das vacas, transporte e armazenamento são algumas das boas práticas para que sua produção apresente o nível de excelência requisitado por mercado que se torna mais exigente a cada dia. Abaixo, listamos 5 passos simples que você precisa seguir para aumentar a qualidade do leite em sua propriedade.

Confira:

1 – Saúde animal

O rebanho deve estar livre de zoonoses como tuberculose e brucelose e com baixa Contagem de Células Somáticas (CCS) no leite. Para isso, é importante que a vacinação esteja em dia, bem como é necessário a orientação e acompanhamento de um profissional veterinário.

2 – Nutrição

O manejo nutricional adequado tem impacto na constituição do leite, pois, maximiza o potencial genético dos animais. Além disso, uma dieta equilibrada ajuda a produção de leite a alcançar os padrões nutricionais recomendados e a prevenir doenças como a mastite.

3 – Higiene

O controle higiênico precisa ser realizado durante todo o processo de ordenha, desde a extração até a conservação do leite na propriedade. Cuidados como o uso de luvas e a realização de pré-dipping são imprescindíveis para resguardar o leite e o animal de contaminações.

4 – Infraestrutura

O espaço adequado pode ser uma garantia ao bem-estar animal, enquanto a manutenção correta dos equipamentos assegura a realização dos processos da forma correta. Por exemplo, uma ordenhadeira sem a manutenção pode lesionar as vacas, provocando seu sofrimento e queda na produção.

5 – Resfriamento

Para inibir o crescimento bacteriano, é importante ser feito o resfriamento do leite ainda na fazenda, logo depois da ordenha.

Por: Nação agro

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Agronotícias

Embrapa: Setor lácteo encerra 2020 com balanço positivo

Os preços dos produtos lácteos no atacado chegaram a dezembro em alta, fechando um ano atípico devido à pandemia de coronavírus. Segundo dados do Cepea/OCB, na variação sobre o final de novembro, o leite UHT (caixinha) está sendo vendido à R$ 3,32/litro (alta de 1,4%) e o queijo muçarela (derivado que mais subiu de preço durante a crise), a R$ 26,61/Kg (alta de 1,5%). O leite Spot (venda de leite entre laticínios), voltou a acelerar no início de dezembro, chegando a R$ 2,40 o litro (variação positiva de 6,5%). Já o leite em pó fracionado teve um ligeiro recuo (-1%), vendido no início do mês a R$22,90/Kg.

Quanto ao preço pago na fazenda, durante a reunião mensal de conjuntura do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite, pesquisadores e analistas da instituição afirmaram que 2020 foi um bom ano para os produtores, apesar do aumento nos custos. Embora o preço do leite tenha recuado no pagamento de novembro em 5,3% em relação a outubro, na comparação com o mesmo mês de 2019, os preços estão 51,4% maiores, segundo dados do Cepea, na média nacional. Para o pagamento de dezembro, o analista Denis Rocha acredita que, o cenário de oferta restrita em função da seca no Sul e custos elevados podem segurar os preços próximos aos patamares atuais.

Quanto aos preços pagos pelo consumidor, em novembro, o IPCA (índice de Preços ao Consumidor Ampliado – apurado pelo IBGE) indicou queda na cesta de leite e derivados (- 1.02%) após meses de elevação, com destaque para o leite longa vida (- 3,47%) e leite condensado (- 1,72). As altas foram registradas na manteiga (1,74), leite em pó (1,54%), queijo (0,71%) e iogurte e bebidas lácteas (0,38%).

As importações de leite e derivados continuam em alta. Em novembro, o volume importado foi de 189 milhões de litros de leite equivalente, que representa mais de 8% da produção inspecionada esperada para o mês. Entretanto, o também analista da Embrapa Gado de Leite, José Luiz Belline, informou que o preço de importação do produto está mais próximo aos praticados no Brasil, com os movimentos recentes de queda na taxa de câmbio e de elevação das cotações internacionais. O que mais preocupa no momento são os preços do milho e do farelo de soja que, mesmo perdendo força na última semana, continuam em patamares elevados. Com queda de – 6%, o milho está sendo cotado a R$ 74,69/Kg e a o farelo de soja (queda de – 1%) a R$ 2.922,00/tonelada.

Para 2021, o pesquisador Glauco Carvalho acredita numa recuperação do cenário macroeconômico, ainda que modesta. “Ainda há muitas incertezas sobre fatores que podem gerar grande impacto no mercado lácteo, como o fim do auxílio emergencial e a duração da pandemia, que influenciam a velocidade de retomada da economia”. De todo modo, reforça o pesquisador, “existe uma previsão de forte crescimento da Ásia e a economia mundial está se recuperando, o que é bom para nossas exportações em geral. Além disso, as baixas taxas de juros tendem a redirecionar capital do mercado financeiro para a economia real, o que deve contribuir para a retomada da economia”.

O balanço final dos pesquisadores da Embrapa prevê a permanência dos custos de produção em patamares elevados que juntamente com a questão do clima devem manter a oferta de leite ainda limitada no início de 2021, mas acreditam que os produtores devam manter uma margem de rentabilidade satisfatória.

Fonte: Embrapa
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Agronotícias

Manejo adequado das lavouras fortalece a bovinocultura leite

Os solos da região de Guarapuava, quando manejados adequadamente, têm um grande potencial produtivo. Além desse fato, novas cultivares e a adoção de tecnologias de manejo e cultivo têm melhorado ainda mais a produtividade das lavouras. A pecuária leiteira se beneficia dessas conquistas. Com a maior oferta de milho para o gado, os produtores da região têm conseguido aumentar a produtividade do seu rebanho. Os extensionistas do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater (IDR-Paraná) têm colaborado com esses resultados por meio do Projeto Centro-Sul de Feijão e Milho (PCSFM).

A maior parte da área de milho plantada pelos produtores que participam do PCSFM é transformada em silagem para o rebanho leiteiro. Nesta safra foram instaladas 28 Unidades de Referência do projeto na região de Guarapuava. O trabalho é feito em parceria com os produtores de doze municípios. As unidades, acompanhadas regularmente pelos técnicos, servem de modelo para que outros produtores adotem as tecnologias ali validadas.

Um exemplo desta ação extensionista é a propriedade de Carlos dos Santos, produtor de leite e morador da comunidade Santo Antão, em Reserva do Iguaçu. Ele participa do projeto e também contou com a orientação dos extensionistas do IDR-Paraná para fazer o manejo adequado das pastagens de inverno, aveia e azevém. O alimento é oferecido aos animais no sistema de pastejo e as plantas também produzem biomassa para cobertura do solo. Com base na análise do solo, o produtor foi orientado a corrigir a acidez e também a usar fertilizante formulado, mais adequado para a área que apresentava deficiência em fósforo. Os técnicos do IDR-Paraná ainda orientaram a regulagem da semeadora e acompanharam a semeadura que foi feita em nível, reduzindo a ocorrência de erosão do solo.

Os ganhos são notórios. Santos tem uma área de 11 hectares de pastagens e um hectare destinado ao cultivo de milho para silagem. O produtor consegue fornecer alimento para vinte vacas, das quais dez estão em lactação, além de oito bezerras. Antes de participar do projeto, o rebanho de Santos produzia 1.050 litros de leite por mês. Atualmente a produção chega a 2.929 litros mensais. Depois de colher o milho para a silagem, a mesma área é ocupada com feijão. Na última safra, Santos colheu 50 sacas, vendidas a R$ 260,00, o que rendeu R$13.000 ao produtor. Para Leandro Michalovicz, engenheiro agrônomo do IDR-Paraná de Reserva do Iguaçu, com a implantação da Unidade de Referência o agricultor teve a possibilidade de usar sementes de feijão e milho híbrido de alta tecnologia o que resultou em melhores resultados na produção de grãos. Além disso, Santos melhorou a qualidade da silagem, o que refletiu em um salto na produtividade do rebanho leiteiro.

Fonte:  IDR-Paraná
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Agronotícias

Pecuária legal, um movimento nacional

O Brasil vai saindo do módulo OU para o módulo E. Ou seja, com inteligência científica e emocional brasileiros do agronegócio vão cristalizando aquilo que tem que ser feito. E numa cadeia produtiva muito observada e exigida, a bovinocultura, criaram o movimento pecuária legal.

Não adianta reclamar contra ambientalistas. Precisa integrar o meio ambiente na produção como a liga do Araguaia, no Mato Grosso, nascida dos próprios produtores rurais. E são projetos em parceria com organizações nacionais e internacionais. Destaco o exemplo baixo carbono monitorando 82 mil hectares de pastagem junto com a Dow.

Da mesma forma a Marfrig, uma das maiores companhias de proteína animal do mundo, assume doravante o compromisso com a sustentabilidade, a responsabilidade social, cria um sistema de monitoramento e de database, com blockchain, para assegurar aos consumidores finais do planeta que na sua rede de pecuaristas todos são absolutamente legais.

Não adianta reclamar contra quem pede para não derrubar árvores e não desmatar. Como a própria ministra Tereza Cristina diz: “podemos triplicar o Brasil de tamanho sem derrubar uma árvore”. Temos milhões de hectares de terras degradadas esperando pelas práticas da agricultura de baixo carbono, da integração lavoura pecuária e floresta (ILPF).

Exemplos do módulo E produção E meio ambiente não nos faltam, como da mesma forma a pecuária sustentável da Amazônia, dentre vários movimentos, mostrando que o Brasil pode e sabe. Pode, tem conhecimento e sabe fazer, tem know how para oferecer um produto único ao mundo.

Ser legal. Pecuária legal. Não adianta reclamar contra quem pede bem-estar animal. Precisa ser legal. Legal na lei e legal na moral. O mundo está marcado pela dor e sofrimento. Já contabilizamos mais de 100 mil mortes no Brasil, o vice-líder desse tenebroso placar.

Precisamos divulgar, promover ações de consciência humana, onde o lucro faz parte, mas a moral do lucro dependerá da sustentabilidade com a qual está sendo feito. A hora do agronegócio, hora da pecuária legal e da moral. Hora do módulo E, derrotando o velho módulo OU.

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Pecuária

Forte alta no preço do leite pago ao produtor, por Scot Consultoria

O preço do leite pago ao produtor teve forte alta no pagamento realizado em julho, referente à produção de junho. Considerando a média ponderada dos dezoito estados pesquisados pela Scot Consultoria, o incremento foi de 8,7%.

A produção nacional de leite cresceu em junho (1,6%) e em julho (4,6%), mas o volume médio captado nesses dois meses foi, em média, 4,5% abaixo na comparação com igual período do ano passado.

Do lado da demanda por leite cru, as indústrias de laticínios aumentaram o processamento diante da maior movimentação no mercado interno com a flexibilização da abertura do comércio e auxílios do governo, que têm refletido em melhora do escoamento. Os estoques mais enxutos nas indústrias nos últimos meses, devido às incertezas com relação a pandemia, acirraram a concorrência pela matéria-prima.

Para o pagamento a ser realizado em agosto/20, referente a produção entregue em julho/20, o viés é de alta no preço do leite pago ao produtor, com 60,0% dos laticínios pesquisados pela Scot Consultoria estimando aumento e os 40,0% restantes apontando para manutenção nos preços.

Mesmo nos estados do Sul do país, com a produção crescendo com mais força, a expectativa é de alta para o produtor, mas o maior volume poderá diminuir a intensidade, comparativamente com os pagamentos anteriores.

Para o pagamento a ser realizado em setembro, a maior parte das indústrias de laticínios apontam para manutenção dos preços do leite pago ao produtor, mas uma parcela ainda fala em alta, principalmente no Brasil Central e região Sudeste, onde a produção deverá retomar com mais força apenas com a volta das chuvas (setembro/outubro).

Ainda com relação a julho, os preços do leite subiram no mercado spot e também foram registradas altas nas cotações dos produtos lácteos no atacado e no varejo.

Fonte: Scot Consultoria

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Agricultura

Pecuária e as pastagens na região Norte do Brasil

A região apresenta condições de clima favoráveis à produção pecuária e o rebanho bovino é o que mais cresce percentualmente

 

 

Dentre as cinco regiões brasileiras, a Norte é a maior delas, representando 45,25% do nosso território. Se fosse um país, seria o 7º maior do mundo em área.

O PIB (Produto Interno Bruto) da região é de R$ 320,8 bilhões e representa 5,4% do PIB nacional (IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). As principais atividades econômicas são:

  • Extrativismo mineral,
  • Extrativismo vegetal,
  • Indústria (Zona Franca de Manaus),
  • Pecuária,
  • Agricultura.

Existem inúmeras justificativas para esclarecer esse crescimento: pressão da agricultura na região Centro-Sul brasileira, terras baratas, desenvolvimento regional, mas todo esse movimento não seria consolidado se a região não apresentasse alto potencial produtivo para exploração da atividade pecuária.

Não existe outro lugar no mundo onde se consiga tanta eficiência econômica na produção pecuária. Em boa parte das microrregiões, a posição geográfica e as condições edafoclimáticas são ideais para a produção intensiva a pasto durante o ano inteiro, mas não podemos generalizar.

A baixa latitude e a proximidade do equador fazem com que a região tenha pequena variação de comprimento de dia, alta incidência solar, médias térmicas anuais altas e temperaturas mínimas raramente abaixo de 16° C (na maioria das regiões não existe frio) e altos índices pluviométricos (características que vão se acentuando conforme a latitude diminui). Todas são condições indispensáveis para o crescimento vegetativo das gramíneas tropicais.

Como exemplo prático dessa situação, seguem os dados climáticos (pluviometria e temperatura) de Oriximiná – PA, município localizado na calha norte do Rio Amazonas, em que um dos limites é o Rio Trombetas (afluente do Rio Amazonas) e o outro extremo faz divisa com as Guianas.

Tabela 1.
Pluviometria de três propriedades assistidas pela ViaVerde no município de Oriximiná – PA, em milímetros.

pastagens na região Norte
Fonte: ViaVerde

Figura 1.
Médias térmicas mensais (máximas e mínimas) no município de Oriximiná – PA.

Fonte: climate-data.org

Quando essas condições são associadas ao bom manejo das pastagens, à adição de insumos corretivos de solo e a nutrientes que estimulam a produção, se torna possível explorar a pecuária de maneira intensiva, com alto rendimento por unidade de área, sustentável e competitiva com outros segmentos da exploração agropecuária.

pastagens na região Norte
Foto 1: Panicum rotacionado, corrigido e adubado. Fonte: ViaVerde
pastagens na região Norte
Foto 2: Panicum rotacionado e com adubação moderada. Fonte: ViaVerde
pastagens na região Norte
Foto 3: Área recém dividida para iniciar manejo em rodízio e sem correção. Fonte: ViaVerde

juquira, que é a denominação regional para a rebrota da mata nas áreas de produção, é um grande problema que limita a produção e que deve ser combatido com correção do solo, aplicação de herbicidas seletivos e melhoria no manejo das pastagens.

Hoje existe grande disponibilidade de princípios ativos eficientes para esse controle. Nas fotos abaixo, é possível ver o resultado da ação de herbicidas em áreas de pastagens da região Norte.

pastagens na região Norte
Fotos 4 e 5: Controle da juquira com herbicida em áreas de pastagens da região Norte.

Em tempos de grande e justificada atenção às questões ambientais e à preservação de recursos naturais, essa competitividade que as pastagens da região Norte do país apresentam pode ser uma grande aliada na geração de riqueza, bem-estar social e conservação da floresta.

Apenas para apresentar números que representam e endossam esse potencial produtivo regional, podemos citar exemplos de algumas propriedades que são assistidas pela ViaVerde no Norte do Brasil.

Nessa região, encontramos áreas ainda sem correção de solo e/ou adubação (apenas adotando manejo adequado) mantendo lotações entre 2,5 – 3 UA/ha durante todo o ano. E locais onde ocorreu o incremento de corretivos e fertilizantes (ainda que em dosagens moderadas) associados ao bom manejo com taxas de lotação de 6 – 7 UA/ha (com picos longos de 12 UA/ha) e ganhos de 0,8 a 1,1 kg/cab/dia durante 9 meses do ano.

Essa situação de alta produção/ha, por um período expressivo do ano, com altos ganhos individuais e baixo custo, permitiu lucros de R$ 3.000,00 a R$ 3.200,00/ha/ano. Resultados muito superiores à grande maioria dos mais eficientes sistemas de exploração pecuária no país e bem acima dos resultados médios nacionais, que estão próximos de R$ 150,00 – R$ 300,00 por hectare.

Isso nos permite dizer que tecnicamente a região Norte é um dos melhores locais do mundo para produzir carne e leite de qualidade a custo baixo e com bons lucros.

Autores: Renato Vianna Peres – Engenheiro Agrônomo; Denis Tostes – Técnico em Agropecuária
ViaVerde Agroconsultoria