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Agro em Dados de setembro destaca a recuperação de preços no mercado de leite, safra de grãos e exportações do agro em GO

Em Goiás, a conjuntura no mercado de leite é de recuperação dos preços e com tendência a continuar em crescimento

Agro em Dados de setembro destaca a recuperação de preços no mercado de leite, safra de grãos e exportações do agro em GO

No cenário nacional é de demanda doméstica aquecida, puxada principalmente pelo auxílio emergencial que contribuiu para o aumento do consumo de produtos como o leite UHT. Em relação à safra de grãos 2019/2020, o estado de Goiás confirma sua representatividade e apresenta taxa de crescimento de 10,3% em relação à safra anterior – acima da média nacional -, devendo produzir 27,18 milhões de toneladas de grãos, representando 10,7% da produção do país. Essas informações integram a 12ª edição do boletim Agro em Dados, divulgada pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

A publicação mostra ainda que os bons resultados na produção, a demanda internacional aquecida por grãos e carnes e a valorização do Dólar frente ao Real seguem impactando positivamente no Valor Bruto de Produção (VBP). Quinto entre os estados, Goiás representa 7,96% do VBP da agropecuária nacional, estimado para 2020 em R$ 59,08 bilhões, um acréscimo de 9,51% em relação a 2019.

Puxado pelo câmbio favorável e pela demanda chinesa, o cenário é positivo também para as exportações, destaca o Agro em Dados de setembro. De janeiro a julho de 2020, o país registrou um total de US$ 120,89 bilhões em exportações, em que 50,61% foram de produtos do agro. O peso do agro em Goiás é ainda mais significativo: 81,07% das exportações goianas foram do agro em 2020, contabilizando US$ 3,97 bilhões, 30,35% a mais que no mesmo período de 2019.

Referência em informação

Segundo o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Carlos de Souza Lima Neto, é motivo de comemoração e orgulho saber que o boletim Agro em Dados, a cada mês, leva informações relevantes e promove conhecimento sobre a agropecuária, com análises de mercado e outros conteúdos que contribuem não só para o trabalho do produtor, mas de todos que integram, direta e indiretamente, as cadeias produtivas rurais.

Ele enfatiza que ao longo de 12 edições do boletim foi possível apresentar a evolução do agro no último ano, com Goiás se tornando o terceiro maior produtor de grãos no Brasil, as exportações no Estado aumentando e conquistando novos mercados, o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária alcançando números importantes, puxando o PIB positivo de Goiás, e o segmento sendo o único na economia goiana a registrar saldo positivo de emprego em todos os meses de 2020. Foram 7.064 novos empregos formais de janeiro a julho deste ano no estado.

Antônio Carlos reforça ainda que o resultado impressionante do segmento, divulgado nas edições do Agro em Dados, só confirma que a agropecuária vai garantir a retomada econômica no Estado e em todo o Brasil no pós-pandemia. “O governador Ronaldo Caiado, com a visão pioneira, estratégica e focada em garantir segurança à população goiana, criou a Secretaria da Retomada. É o único Estado a contar com uma pasta específica voltada para fortalecer a economia e o social, buscando proporcionar emprego, renda e qualidade de vida às pessoas”, informa.

Entre as primeiras ações para promover a retomada econômica em Goiás, estão iniciativas voltadas ao setor. “O agronegócio tem ratificado cada vez mais sua importância neste cenário de pandemia da Covid-19, seja pela produção e industrialização de alimentos, que tem garantido o abastecimento do mercado doméstico, seja pela comercialização internacional, que tem contribuído para a geração de divisas ao país. É o agro gerando renda e emprego, conduzindo a retomada econômica do país e de nosso estado. Isso tem sido possível devido ao excelente resultado da safra de grãos e também pela valorização das commodities”, acrescenta.

Fonte: SEAPA GO – Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás

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Agricultura

INTL FCStone reduz estimativa de entregas de fertilizantes no Brasil

Perspectiva da consultoria considera um leve incremento nas aplicações dos adubos nas lavouras de grãos e recuo na aplicação dos insumos em culturas que sofrem desvalorização no momento.

A consultoria INTL FCStone reduziu a sua estimativa de previsão de entregas de fertilizantes no mercado brasileiro em 2020 de 36,9 milhões de toneladas, apontadas em fevereiro, para 36,6 milhões de toneladas. Se confirmado o consumo, o volume será 1% maior que o reportado no ano passado.

A perspectiva, segundo a consultoria, considera um leve incremento nas aplicações dos adubos nas lavouras de grãos e recuo na aplicação dos insumos em culturas que sofrem desvalorização no momento.

“A pandemia do novo coronavírus instaurou um quadro de incertezas em nível mundial, influenciando as perspectivas de crescimento econômico de importantes consumidores do complexo NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) e de insumos”, disse a analista de mercado de fertilizantes da INTL FCStone, Gabriela Fontanari, em relatório divulgado nesta sexta-feira.

A consultoria observa que, apesar de a conjuntura atual acarretar na maior volatilidade das cotações das principais commodities, como os grãos, a comercialização em dólar está compensando as quedas dos preços de soja e milho para o produtor brasileiro.

Esse cenário, segundo a análise da FCStone, corrobora para perspectivas ainda favoráveis para aplicação de adubos no segundo semestre – período em que é semeada a safra de verão 2020/21.

Em compensação, o consumo de fertilizantes por setores nos quais as cotações permanecem em patamares mais baixos pode ser afetado, em virtude do custo “dolarizado” dos adubos no mercado interno.

“A atual taxa de câmbio brasileira impede que a queda das cotações internacionais do complexo NPK seja repassada completamente para o âmbito doméstico, chegando a alterar a trajetória dos preços em semanas de desvalorização acentuada da moeda nacional”, comenta Gabriela.

Neste sentido, a FCStone considera que o nível de investimentos em fertilizantes por setores com custos de produção mais acentuados, como o do algodão e da cana-de-açúcar, tende a ser prejudicado.

A consultoria pontua também que fatores como a disponibilidade de crédito público e privado, o nível de remuneração dos produtores, as relações de troca entre fertilizantes e grãos e os reflexos econômicos da pandemia da Covid-19 devem ainda influenciar as perspectivas para o mercado brasileiro de fertilizantes no segundo semestre.

Fonte: Estadão Conteúdo / Portal DBO

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Agronegócio

Carne bovina no mercado atacadista tem valorização de 1% na semana

Segundo análise da Scot Consultoria, após a maior demanda por carne bovina devido ao Dia das Mães, a compra para reposição das gôndolas trouxe valorização do produto na última semana no atacado.

Na cotação semanal, houve alta de 1% na média dos cortes pesquisados pela Scot Consultoria e, na comparação mensal, a variação foi de 2,4%.

Com a procura por cortes nobres, a demanda por peças do traseiro bovino aumentou, o que aponta para a maior valorização da semana, com alta de 1,7%.

Fonte: Scot Consultoria 

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Impostos e Taxas

Grande clamor do setor produtivo para Plano Safra é redução da taxa de juros

“Os juros praticados no crédito agropecuário estão em descompasso com a taxa Selic e com os demais fundamentos da economia”, disse o vice-presidente da CNA

A redução da taxa de juros será o principal ponto da proposta ao Plano Safra 2020/21 enviada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) ao governo federal, segundo o vice-presidente da entidade, José Mário Schreiner. “O grande clamor do setor é a redução da taxa de juros, pois os juros praticados no crédito agropecuário estão em descompasso com a taxa Selic e com os demais fundamentos da economia”, disse Schreiner, em uma videoconferência realizada nesta sexta-feira, 24.

Schreiner, que também é deputado federal por Goiás e presidente da Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA, afirmou que uma das causas da “alta” taxa de juros aplicada ao setor são os spreads bancários – diferença entre taxa de captação de recursos pela instituição financeira e taxa adotada no empréstimo. “Os spreads bancários têm sido estratosféricos, além de uma série de taxas adicionais que são cobradas ao produtor, como tarifas cartoriais, taxas de assistência técnica, entre outras”, disse.

Segundo ele, a redução das taxas adicionais também será pedida pela CNA na proposta que será enviada ao Ministério da Agricultura. “A taxa real de juros (incluindo essas tarifas) pode chegar a 18% por ano, o que é totalmente inviável ao setor produtivo”, acrescentou. Na transmissão ao vivo, o superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, reforçou a defesa da entidade quanto à redução dos juros para o próximo plano de crédito agrícola e pecuário. “A redução da taxa de juros será bandeira da entidade independentemente do porte do produtor”, ressaltou.

A entidade também comentou sobre a possibilidade de antecipação do anúncio do Plano Safra. “Neste momento, a antecipação é muito importante para que o produtor possa fazer o seu planejamento e a tomada de decisão quanto ao investimento baseada nos recursos que serão disponibilizados”, avaliou Schreiner.

Outro ponto debatido foi a unificação do pequeno, médio e grande produtor na divisão de recursos. “Temos que tratar agricultura e pecuária como uma só no Brasil, do grande produtor ao agricultor familiar, do empresarial ao de pequeno porte”, defendeu Schreiner.

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Agronotícias

Como a Lei do Agro pode ajudar o produtor rural?

Apesar de comemorada, o Produtor Rural deve ser alertado que nem tudo é benéfico quanto parece

A atividade agropecuária constitui uma das principais fontes de renda para o Brasil, tanto é que o setor agrícola atualmente representa um quinto do produto interno bruto nacional.

A potência do setor agropecuário está fortemente atrelada aos financiamentos agrícolas, que contribuem no aumento das operações e redução de seus custos, realização de investimentos, e otimização dos processos de comercialização de produtos agropecuários.

Com o objetivo de reduzir o custo do crédito rural, em 2019 foi elaborada a Medida Provisória nº 897, mais conhecida como MP do Agro. Em 07/04/2020 a medida foi sancionada pelo Presidente da República e convertida na Lei nº 13.986, de 7 de abril de 2020.

O Portal Agrolink conversou com a Dra. Isabella Nunes, advogada da DASA Advogados sobre A MP do Agro, agora sancionada e convertida na Lei nº 13.986/2020 ‘Lei do Agro’.

Como a Lei do Agro vem a ajudar o produtor rural?

A MP do Agro, agora sancionada e convertida na Lei nº 13.986/2020 ‘Lei do Agro’, estabeleceu diversas providências com o objetivo de facilitar o acesso dos Produtores Rurais ao crédito rural, bem como reduzir o custo do crédito rural.

A referida lei visa impulsionar o agronegócio no Brasil criando instrumentos como Fundo Garantidor Solidário (FGS), o patrimônio rural de afetação e a Cédula Imobiliária Rural (CIR).

Contudo, apesar de comemorada, o Produtor Rural deve ser alertado que nem tudo é benéfico quanto parece. Assim, podemos destacar algumas “pegadinhas” trazidas pela lei.

 O Fundo Garantidor Solidário poderá ser composto, por no mínimo dois devedores, que deverão integralizar cotas no percentual de 4% sobre o saldo devedor das operações a serem garantidas. Estes Fundos terão estatuto próprio, que o devedor deverá ter ciência.

O patrimônio de afetação permite que o Produtor Rural a segregação de parte de seu patrimônio para figurar como garantia em CIR ou CPR. Os bens e os direitos integrantes do patrimônio rural em afetação não se comunicam com os demais bens, direitos e obrigações do patrimônio geral do proprietário ou de outros patrimônios rurais em afetação por ele constituído.

A Cédula de Produto Rural, quando emitida em patrimônio de afetação, além de não integrar os bens de Produtores Rurais em caso de Recuperação Judicial, poderá ser emitida com taxa de juros fixa ou flutuante, até mesmo com variação cambial, o que pode implicar ao devedor a incerteza sobre o valor da dívida a ser paga.

 A Lei do Agro caracteriza ainda como estelionato fazer declarações inexatas acerca de sua natureza jurídica ou qualificação, bem como dos bens oferecidos em garantia da CPR (penhor, hipoteca etc.). Assim qualquer declaração inexata de bens poderá complicar a vida do produtor rural.

 Em decorrência das novidades trazidas, torna-se ainda mais importante que o Produtor Rural busque sempre o auxílio de advogados capacitados no assunto, visto que aparentemente a Lei é benéfica, entretanto quando analisados seus aspectos no cotidiano rural notamos que poderá causar enormes prejuízos caso não analisado minuciosamente.

 – A nova Lei regulamentou o patrimônio de afetação de propriedades rurais e instituiu a Cédula Imobiliária Rural. Como ficará a situação para o produtor?

O patrimônio de afetação permitirá ao Produtor Rural submeter seu imóvel rural ou fração dele ao regime através de emissão de CRI ou CPR. Os bens e direitos integrantes do patrimônio rural em afetação não se comunicam com os demais bens, direitos e obrigações do patrimônio geral do Produtor Rural, essa incomunicabilidade é limita às garantias vinculadas às CPRs e às CIRs.

 Entretanto, não nos parece razoável as consequências advindas pela regulamentação destes institutos, sendo necessário ter extrema cautela ao utilizá-los.

 Isso porque, embora a constituição do patrimônio de afetação não altere a titularidade do imóvel, esta impõe restrições à sua disponibilidade pelo Produtor Rural. Primeiramente, não poderá ser constituído sobre o imóvel rural em afetação nenhuma garantia real, com exceção da própria CIR ou CPR. Além disso, o imóvel não poderá ser alienado por compra e venda, doação, ou qualquer outra modalidade por iniciativa do proprietário.

 O patrimônio de afetação vinculado a CIR ou CPR torna-se impenhorável, não se sujeitando a nenhuma constrição judicial. Não podendo, ainda, ser utilizado para realizar ou garantir o cumprimento de qualquer outra obrigação assumida pelo proprietário estranha e vinculada a CIR ou CPR.

 No mais, está disposto no art. 10, § 4º, da Lei nº 13.986/20[1] que o patrimônio rural em afetação vinculados a CIR ou a CPR, não serão atingidos pelos efeitos da decretação de falência, insolvência civil ou recuperação judicial do proprietário de imóvel rural, além de não integrar a massa concursal dos devedores.

 E, mesmo após o STJ reconhecer a legitimidade da Recuperação Judicial de Produtores Rurais, adveio a Lei do Agro que, de certa maneira, a CPR – principal instrumento de garantia oferecido por produtores rurais, restou excluída do procedimento Recuperacional.

 Por fim, caso a CIR ou CPR não sejam liquidadas no vencimento, o credor detentor da garantia poderá exercer de imediato seu direito à transferência de registro de propriedade da área rural que constitui o patrimônio em afetação, diretamente no cartório de registro de imóveis.

  – Como a advocacia consultiva preventiva pode contribuir?

A referida Lei traz inúmeras “pegadinhas”, visto que seu objetivo era facilitar o acesso do Produtor ao crédito rural.

Assim, ante todos os efeitos e as consequências jurídicas que poderão sobrevir, é ainda mais importante a consulta de um advogado, principalmente antes de vincular o patrimônio rural ao regime de afetação.

Veja o artigo da Dra. Isabella Nunes, advogada da DASA Advogados

Patrimônio de afetação e a Recuperação Judicial dos Produtores Rurais

A atividade agropecuária constitui uma das principais fontes de renda para o Brasil, tanto é que o setor agrícola atualmente representa um quinto do produto interno bruto nacional.

A potência do setor agropecuário está fortemente atrelada aos financiamentos agrícolas, que contribuem no aumento das operações e redução de seus custos, realização de investimentos, e otimização dos processos de comercialização de produtos agropecuários.

Com o objetivo de reduzir o custo do crédito rural, em 2019 foi elaborada a Medida Provisória nº 897, mais conhecida como MP do Agro. Em 07/04/2020 a medida foi sancionada pelo Presidente da República e convertida na Lei nº 13.986, de 7 de abril de 2020.

Dentre diversas providências, a nova Lei regulamentou o patrimônio de afetação de propriedades rurais e instituiu a Cédula Imobiliária Rural.

O regime de afetação ao patrimônio rural se difere dos regimes de afetação tradicionais existentes na legislação brasileira, como a afetação patrimonial na incorporação imobiliária.

Enquanto a afetação do mercado imobiliário possui o objetivo de assegurar direitos aos adquirentes de unidades do edifício em construção, em caso de falência ou insolvência civil do incorporador, a afetação do patrimônio rural objetiva efetivar um instrumento de garantia de Cédulas Imobiliárias Rurais (CIR) e Cédula de Produto Rural (CPR).

O proprietário do imóvel rural que optar pela adoção deste regime de afetação terá o terreno, as acessões e as benfeitorias fixados como patrimônio de afetação, os quais serão destinados a prestar garantias por meio da emissão da CPR ou em operações financeiras contratadas pelo proprietário por meio de CIR.[1]

Importante consequência deste instituto é a possibilidade de segregação patrimonial da propriedade rural. Os bens e os direitos integrantes do patrimônio rural em afetação não se comunicam com os demais bens, direitos e obrigações do patrimônio geral do proprietário ou de outros patrimônios rurais em afetação por ele constituído. No entanto, essa incomunicabilidade é limitada as garantias vinculadas às CPRs e CIRs.[2]

As Cédulas Imobiliárias Rurais (CIRs), são títulos de crédito nominativo, transferível e de livre negociação. É apto a emitir o título somente o produtor rural que houver constituído patrimônio rural de afetação e realizado uma operação de crédito de qualquer modalidade.

Por sua vez, a Cédula de Produto Rural (CPR), fora instituída no ano de 1994 pela Lei 8.929, como título de crédito representativo de promessa de entrega de produtos rurais (em grãos/sacas). Somente tem legitimidade para emiti-la o Produtor Rural, a cooperativa agropecuária e a associação de Produtores Rurais.

Desse modo, ambas as Cédulas – CIR e CPR, destinam-se a garantir uma operação de crédito por meio da obrigação de entregar, em favor do credor, bem imóvel rural, ou fração deste, vinculado ao patrimônio rural em afetação.

No entanto, apesar da nova lei objetivar reduzir os custos do crédito rural, há uma medida que está sendo duramente criticada pelos produtores rurais.

O projeto da Medida Provisória do Agro, antes de ter o seu texto-base finalizado, preceituava que todos créditos originários de CPRs seriam extraconcursais no regime recuperacional, ou seja, não seriam submetidos aos efeitos da Recuperação Judicial.

Ocorre que, diante de um acordo entre a bancada ruralista do Congresso e lideranças da Câmara dos Deputados, essa disposição original da MP foi totalmente suprimida no texto-base aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados em 11/02/2020 e posteriormente pelo Senado Federal em 04/03/2020.

Porém, para a surpresa daqueles que acompanhavam estas discussões legislativas relacionadas ao agronegócio, a MP do Agro ao ser convertida Lei regulamentou um novo meio de exclusão da CPR do processo de Recuperação Judicial.

O art. 10, § 4º, da Lei nº 13.986/20, dispõe que o patrimônio rural em afetação vinculados a CIR ou a CPR, não serão atingidos pelos efeitos da decretação de falência, insolvência civil ou recuperação judicial do proprietário de imóvel rural, além de não integrar a massa concursal dos devedores.

É evidente a manobra legislativa realizada após a aprovação do texto-base da referida Lei!

Isso porque, no texto-base da Medida Provisória não era citada a CPR como meio de prestar a garantia da afetação de patrimônio rural, restando suprimida a exclusão da CPR do procedimento recuperacional.

Porém, em meados de novembro de 2019, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que é possível a Recuperação Judicial para o Produtor Rural, por meio do julgamento do Recurso Especial nº 1.800.032/MT.

No mesmo trimestre desta decisão emblemática foi sancionada a Lei nº 13.986/20, a qual excluiu do procedimento recuperacional o principal instrumento de garantia oferecida pelo Produtor Rural aos bancos e tradings.

Cumpre ressaltar que entre os anos de 2018 e 2019 houve um crescimento exponencial dos pedidos de recuperação judicial dos produtores rurais, tendo em vista, principalmente, a quebra da safra de soja neste período.

A exclusão das CPRs vinculadas ao patrimônio de afetação, pode ser equiparada a exceção concedida a alienação fiduciária e arrendamentos mercantis, os quais são considerados como “SUPER GARANTIA” não sujeitas ao processo de Recuperação Judicial.

No que tange a Recuperação Judicial, essa garantia prestada pela afetação do patrimônio rural poderá ser ainda mais benéfica aos credores, quando comparada a garantia da alienação fiduciária.

No caso da exceção trazida pela alienação fiduciária, os Produtores encontram-se protegidos pela parte final do artigo 49, § 3º da Lei 11.101/2005, que dispõem sobre essencialidade do bem às suas atividades. Isto é, quando é determinado judicialmente a essencialidade dos bens garantidos fiduciariamente para as atividades empresariais do produtor rural, o crédito automaticamente volta a ser concursal, recaindo os efeitos da recuperação judicial a eles.

 Todavia, no caso da CIR/CPR vinculada ao patrimônio de afetação o reconhecimento de essencialidade do bem não poderá interferir na retirada do bem da posse dos Produtores Rurais.

Resumindo: em pese podermos equiparar o patrimônio de afetação à alienação fiduciária como uma “SUPER GARANTIA” aos credores, a afetação do patrimônio rural poderá ser ainda mais prejudicial aos Produtores Rurais. Visto que em caso de inadimplemento da obrigação o credor estará autorizado a exercer de imediato o direito à transferência do imóvel rural para sua titularidade.

Diante das disposições desta nova lei sancionada, é certo que os credores, principalmente bancos e tradings, irão atrelar a emissão de CPR’s ao patrimônio de afetação, não se sujeitando ao procedimento recuperacional.

Além disso, do ponto de vista da insolvência, caso os Produtores Rurais aceitem essa nova modalidade de garantia da CPR (afetação do patrimônio) a sua ruína poderá estar mais próxima.

Pois, além de oferecerem os frutos de sua produção agrícola em garantia aos contratos, o patrimônio rural em afetação não se comunicará com seu patrimônio geral e não se sujeitará ao processo de Recuperação Judicial.

Com efeito, a advocacia consultiva preventiva torna-se ainda mais importante para os produtores rurais, bem como para o agronegócio em geral, sendo imprescindível a submissão de todos os contratos, principalmente aqueles relacionados a tomada de créditos, à análise prévia dos advogados especializados no agronegócio e reestruturação.

*Dra. Isabella da Costa Nunes (OAB/GO – 49077), Do escritório DASA Advogados

Fonte: Agrolink

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Mercado de grãos

Alta acumulada superior a 30% do dólar consolida ainda mais competitividade da soja do Brasil

A competitividade da soja brasileira foi destaque essa semana e o mercado nacional registra novos dias de bons negócios e bons preços. “Os preços da soja em reais seguem em níveis historicamente altos. A motivação maior vem do câmbio e assim deve permanecer”, acredita o consultor de mercado Steve Cachia, da Cerealpar e da AgroCulte.

Ao longo de toda semana, o Notícias Agrícolas destacou a concentração da demanda dos importadores, principalmente da China, no Brasil, o que justifica, portanto que o percentual de comercialização da safra 2019/20 já alcance os 80% – contra 60% de média dos últimos anos – e históricos 35% para a safra 2020/21, enquanto a média para este período é de 15%.

Uma série de fatores se alinham neste momento para criar o atual cenário para a soja nacional, que atualmente é a mais competitiva do mundo. Entre eles estão o dólar, a demanda forte diante da necessidade crescente entre os consumidores e a qualidade.

“Estamos exportando muita soja e o Brasil está sendo protagonista não só na produção, mas também nas exportações e nas negociações futuras. O dólar deu muitas oportunidades e o produtor aproveitou e foi vendendo”, disse o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz Pereira. “Então, os compradores têm que apertar o passo, porque a soja brasileira é a mais competitiva do mundo tanto em qualidade, com o teor de óleo e proteína, quanto em sustentabilidade ambiental”, completa.

Como explica Carlos Cogo, diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, o real é a moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar e esse ainda é o principal pilar de suporte e estímulo das cotações da soja no mercado brasileiro. Somente nesta semana, a divisa americana subiu 2,9% e fechou com R$ 5,2359.
Ao observar o acumulado de 2020, a alta já é de 30,48%. Como noticiou a agência Reuters, de 16 semanas do ano, o dólar subiu em 14 delas. Assim, as perdas na Bolsa de Chicago, que somente nesta semana foram de 3% entre os principais contratos, acabaram neutralizadas pelo câmbio.

“O Brasil está entrando agora num período onde a doença ganha proporções maiores e as infecções aumentam de forma exponencial. Infelizmente, a atual realidade econômica brasileira não proporciona um horizonte seguro para a manutenção de sua estrutura financeira. A ARC vê a possibilidade do dólar atingir novos recordes frente ao real, buscando os patamares de R$5,50 a R$5,70 nestas próximas semanas”, acreditam os analistas de mercado da ARC Mercosul.

Ainda de acordo com a consultoria, a soja com referência junho/20 no porto de Paranaguá tem indicativo de US$ 335,30 por tonelada, enquanto a mesma referência no Golfo dos EUA é de US$ 337,50/t. Os prêmios são de, respectivamente, 67 e 73 cents de dólar por bushel.

Dessa forma, ainda como explica o executivo da Cogo Inteligência em Agronegócio, as baixas acumuladas pela soja na Bolsa de Chicago passam de 5%, enquanto a referência para a oleaginosa no porto de Paranaguá tem um ganho de pouco mais de 15%. E complementa dizendo que além de todos estes fatores, a logística nacional operando normalmente também favorece os bons negócios no Brasil, o que pode, inclusive, trazer uma surpresa para os números dos embarques de soja agora em abril.

Na demanda interna, apesar do consumo interno menor de proteínas, a força também é mantida diante de boas exportações de carnes suína, de frango e bovina. As indústrias sofrem com alguma preocupação sobre a necessidade do fechamento de plantas, mas enxergam a força das vendas internas e seguem demandando não só farelo de soja, como milho também.

BRASIL X EUA

Todo este bom momento da soja brasileira é mais um fator de pressão sobre os futuros da oleaginosa negociadas na Bolsa de Chicago. Nesta sexta-feira, as cotações encerraram o pregão com baixas de 3,25 a 4,25 pontos nos principais contratos, levando o maio a US$ 8,32 e o agosto para US$ 8,44 por bushel.

A ausência da demanda pesa severamente sobre o mercado norte-americano e já traz prejuízos severos aos produtores dos EUA. O movimento se iniciou com a guerra comercial entre chineses e americanos, que foi iniciada no meio de 2018, e que afastou a nação asiática da soja dos Estados Unidos.

A briga correu e hoje, apesar de algum acordo alcançado entre os dois países, a China segue comprando soja onde é mais barato, como já havia adiantado que faria.

“A notícia maior de demanda do lado da soja nos EUA é de exportação e não demanda interna. Com o real fraco frente ao dólar e também o volume de soja que o Brasil tem, as exportações brasileiras estão tomando espaço no mercado internacional e as americanas, sofrendo mais um pouco”, explica Aaron Edwards, consultor de mercado da Roach Ag Marketing, direto dos EUA ao Notícias Agrícolas.

Para Edwards, as exportações de soja dos EUA deverão ganhar mais espaço no segundo semestre. “E a razão para isso é bastante simples. Se olharmos para o acordo firmado no começo de janeiro eles disseram que queriam comprar dos EUA mas dariam preferência para quem tivesse o preço mais competitivo. Neste quadro, a coisa mais sensata é olhar para o padrão de exportações antes da guerra comercial”, diz.

E ao se observar esse padrão, sempre foi bem determinado que o período pós-safra de cada país tinha a soja mais competitiva, sendo o Brasil no primeiro semestre do ano e os EUA, no segundo, mais ao final do ano. “Assim, acho muito plausível que as exportações dos Estados Unidos ganhem mais força no último trimestre de 2020 e primeiro trimestre de 2021, porque esse é o padrão histórico dos dois países”, acredita o analista.

Todavia, caso estas compras não comecem a acontecer efetivamente, os preços da soja na Bolsa de Chicago podem vir a registrar valores ainda mais baixos.

E tudo isso se desenha com mais intensidade no início da nova safra de grãos dos EUA.

Os produtores norte-americanos já deram início aos seus trabalhos de campo em algumas regiões do país, principalmente com o milho nas áreas do Delta do Mississipi. De acordo com os útimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) são 3% da área do cereal já semeada, contra o mesmo índice em 2019 e 4% da média dos últimos cinco anos.

No entanto, é possível observar que em muitas regiões os produtores optam por esperar condições um pouco mais favoráveis para darem continuidade a suas atividades.

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Carne bovina: baixo volume de negócios no atacado

Carne bovina: baixo volume de negócios no atacado

Escalas curtas e cautela nas compras são características vistas nos frigoríficos. A incerteza sobre o consumo de carne bovina em curto prazo não dá margem para grandes compras de boiadas.

Apesar das vendas fracas no atacado, que agora abastecem apenas açougues e mercados, o preço médio da carne bovina sem osso teve alta de 0,4% no atacado na semana passada, segundo levantamento da Scot Consultoria. No entanto, na comparação mensal, o preço é 1,2% menor.

Com a China voltando à rotina, mesmo que vagarosamente, espera-se que o país retorne às compras de carne brasileira em bons volumes, trazendo uma “fuga” para o escoamento da produção no caso dos frigoríficos habilitados à exportação para os chineses, alguns inclusive estão em férias gerais devido à situação atual.

Para esta semana, os volumes negociados internamente devem continuar abaixo dos padrões “normais”, o que deve manter os preços da carne bovina frouxos do atacado.

Fonte: scotconsultoria

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Aprosoja descarta redução de compra de soja do Brasil pela China

Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja afirma que a estimativa é que as exportações cresçam 10% em relação à safra passada

caminhos da safra - soja - porto - rodovia - máquinas agrícolas - bahia  (Foto: Fellipe Abreu/Editora Globo)
Para a Aprosoja Brasil, exportações do grão para a China estão dentro da normalidade (Foto: Fellipe Abreu/Editora Globo)

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz Pereira, descartou a possibilidade da China reduzir o volume de compra de soja do Brasil em meio à crise do coronavírus. “Para ele, as exportações estão dentro da normalidade e “a pressão de compra está forte e crescente”, estimando que as vendas externas cresçam 10% em 2020 em relação ao ano passado.

A preocupação surgiu depois de reportagem do jornal Folha de S.Paulo noticiar que Wei Baigang, membro do ministério da Agricultura chinesa, em coletiva sobre “segurança e suprimento alimentar”, sinalizou que pessoas do país asiático estão preocupadas com a soja importada do Brasil devido à forma que o governo brasileiro está conduzindo a pandemia.

Ainda segundo o jornal, Baigang afirmou que “as importações do Brasil não foram afetadas em março, e as importações dos EUA devem crescer”. Neste sentido, o presidente da Aprosoja lembra que os Estados Unidos teve problemas com a safra de 2019 devido a problemas climáticos e a safra de 2020 ainda será plantada.

“A gente está tendo uma super safra e os Estados Unidos perderam grande parte da safra, ainda vão plantar. Não é soja deles, não é soja de ninguém, os chineses estão levando a nossa soja. Produzimos com sustentabilidade e alto nível de proteína. Quem oferece proteína de qualidade somos nós”, diz Bartolomeu.

Questionado sobre a possibilidade de algum impacto nas negociações com a China depois do ministro da Educação, Abraham Weintraub, ter feito uma publicação no Twitter com insinuações de que o país asiático poderia se beneficiar, de propósito, da crise do coronavírus, o presidente da Aprosoja afirmou que não há relação entre os assuntos.  “Estamos falando de alimentos. Não de educação.”

Fonte: Globorural

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Pandemia de coronavírus aumenta procura por ovos e preço já é o maior desde 2013

Segundo o Cepea, enquanto ovo branco tipo extra teve alta de 3%, valor do ovo vermelho subiu 4,3% em sete dias

ovo-ovos-ave-galinha-frango (Foto: Globo Rural)
(Foto: Globo Rural)

As cotações dos ovos atingiram o maior patamar real da série história iniciada em 2013 pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP).

O principal motivo é o aumento da demanda pelo produto e à queda na oferta, já que o número de pedidos tem superado a produção das granjas.

Isso se dá, principalmente, pela preocupação da população com uma possível falta de alimentos nas próximas semanas, por conta da pandemia de coronavírus. O efeito disso é que mercados atacadistas e varejistas tem aumentado seus pedidos.

Vermelhos valorizados

Segundo pesquisas do Cepea em Bastos (SP), onde se concentra a maior parte da produção nacional, o ovo branco tipo extra teve preço médio de R$ 116,84 a caixa de 30 dúzias na quinta-feira (2/4), alta de 3% em sete dias.

Para os ovos vermelhos, as valorizações têm sido ainda mais intensas. Com produção geralmente inferior à de ovos brancos, a cadeia é mais sensível a elevações de demanda. Na praça paulista, a caixa valia R$ 137,36 na quinta (2/4), alta de 4,3% na semana.

Fonte: Globorural

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Agronotícias

Temos uma pecuária sustentável?

Em meio às discussões entre campo e cidade setor trilha caminho de muito trabalho rumo à sustentabilidade

O Brasil é um dos maiores produtores de carne bovina do mundo. Em 2018 o país tinha 222 milhões de cabeças de bovinos segundo dados do Mapa. No período de 2017/18 a 2027/28 a produção de carne bovina tem um crescimento projetado de 1,9% ao ano, o que também representa um valor relativamente elevado, pois consegue atender ao consumo doméstico e às exportações. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Pará, Rondônia e Rio Grande do Sul lideram os abates. Isso significa que a produção ocorre de Norte a Sul, em condições diferentes e com impactos também diferentes. Um terço dos rebanhos estão na região amazônica, por exemplo.

Eis o desafio que a atividade caminha para se alinhar à sustentabilidade. Com 70% das pastagens brasileiras degradadas e a emissão de metano ( que aumenta a emissão de gases do efeito estufa) pelo sistema digestivo do boi, a demanda para produzir carne e leite é elevada no país. É aí que entram medidas simples que aumentam lucros, eficiência produtiva e ainda faz a pazes com o meio ambiente. Uma delas é a ILPF, que vamos falar mais adiante.

Há mais de dez anos o Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS) vem trabalhando estas e outras questões com o intuito de melhorar a atividade pecuária brasileira, fazendo a articulação entre os elos da cadeia e trazendo informação confiável aos produtores e a sociedade. Nós conversamos com Luiza Bruscato, coodernadora executiva do GTPS, para entender melhor a atuação e as frentes de trabalho, além de ideias para melhorar a pecuária.

Como o GTPS trabalha hoje, ações e atuação no Brasil?
Luiza: 
atualmente, temos 3 principais frentes de atuação: o GIPS, PSA e o Mapa de Iniciativas em Pecuária Sustentável. A primeira frente é a aplicação extensiva do GIPS (Guia de Indicadores de Pecuária Sustentável) com pecuaristas de diversas regiões. Através de acordos com os dois principais frigoríficos, Minerva e JBS, estamos implementando a ferramenta com os fornecedores deles nas regiões Norte e Centro-oeste brasileira. O principal objetivo dessa ação é levar conhecimento sobre sustentabilidade para ponta da cadeia de pecuária, auxiliando o produtor a realizar uma auto avaliação da sua fazenda, bem como, gerar insumos para que este possa melhorar a gestão da propriedade.

A segunda frente é a de conteúdo, na qual estamos trabalhando, entre outros temas, com o desenvolvimento de estratégias para Pagamentos por Serviços Ambientais.

A terceira frente de atuação é o Mapa de Iniciativas em Pecuária Sustentável, uma plataforma que reúne, de maneira organizada, muitas iniciativas e projetos do setor, demonstrando que já existem ações concretas que contribuem para a sustentabilidade nas fazendas, nas indústrias, nas empresas de insumos e no varejo. Esta plataforma existe desde 2016 e está em constante atualização. Contamos com a inscrição voluntária de projetos de pecuária sustentável.

Muitos pecuaristas de corte observam a sustentabilidade como uma demanda fundamental e no leite como uma exigência já vindo de parte do consumidor. O que ele deve levar em conta para se adequar a isso?
Luiza: 
o GTPS oferece o GIPS como uma ferramenta de auto avaliação para o produtor obter uma fotografia de como a fazenda está em termos de sustentabilidade, dentro dos aspectos de gestão, trabalhadores, meio ambiente, e outros aspectos técnicos de manejo. A partir do relatório gerado pelo GIPS ele tem acesso a quais indicadores ele precisa buscar melhorar, e para isso temos o Manual de Práticas em Pecuária Sustentável. Neste manual, temos bastante conteúdo de apoio a tomada de decisão para melhoria contínua da fazenda e busca do desenvolvimento sustentável. Existem também outros conteúdos disponíveis, de outros parceiros, como o Manual de Boas Práticas da Embrapa, cursos técnicos do Senar, entre outros.

ILPF é uma boa aliada?
Luiza: 
a integração Lavoura-Pecuária-Floresta é uma importante aliada da sustentabilidade, dando destaque para as áreas em que a pecuária tem perdido espaço para agricultura. É uma alternativa para integrar as duas atividades, e utilizar o mesmo solo para ambas culturas. A ILPF tem se mostrado um sistema viável, e a sua implementação pode ser realizada por etapas. Importante ressaltar que se faz necessário ter uma boa gestão e estabelecer um bom plano de trabalho, e, claro, se possível, obter suporte técnico ou de consultorias para que a transição ocorra de forma mais tranquila. Tanto o agricultor quanto o pecuarista podem buscar essa solução, a depender do perfil de cada um.

Com a epidemia de COVID-19 a poluição do planeta diminuiu consideravelmente mas, por outro lado, ouvimos de pecuaristas “o número de bois segue o mesmo”. Ainda é preciso desmistificar essa questão da emissão de gases por parte da pecuária?
Luiza:
 a epidemia do Corona Vírus teve um maior impacto nas atividades da cidade, por isso foi observado a diminuição da poluição relativa à produção industrial e queima de combustível pelos veículos. É um assunto bastante complexo e difícil de resumir. Entretanto, o que posso relatar é que com relação às emissões do setor de pecuária, o GTPS criou um grupo de trabalho, no qual convidamos os maiores especialistas no assunto (temos Embrapa, FGV, CEPEA, Imaflora, Consultorias, entre outros), para tratar e compilar estudos sobre balanço de carbono e nos apoiar a dar encaminhamentos necessários sobre o tema. Acreditamos que o manejo adequado da pastagem é o maior aliado no sequestro de carbono da cadeia de produção bovina. Vale destacar que uma agropecuária de baixo carbono e mais resiliente é importante para garantir a produção de alimentos, principalmente em condições de restrição.

Como a sustentabilidade impacta ou vem impactando a atividade nos últimos anos?
Luiza:
 a sustentabilidade é um caminho a ser percorrido, e todo o setor vem em busca de melhoria nos aspectos técnicos, econômicos, sociais e ambientais, principalmente porque a demanda e a exigência dos mercados interno e externo são crescentes. Acredito que não há mais como fugir do assunto há tempos. E, como todos os setores, estamos nos adequando, agregando tecnologia e conhecimento para atingir uma maior eficiência e produtividade o que caminha aliado à sustentabilidade.

Muitas vezes o produtor ou o pequeno produtor ouvem a palavra sustentável e pensa “não tenho dinheiro ou espaço pra isso”. Como é feita essa conscientização?
Luiza:
 somos bastante surpreendidos pelos produtores. A maioria já realiza ações sustentáveis, e tem alguns direcionamentos nesse sentido, mas não se dá conta até obter um conhecimento mais amplo sobre o tema. Num primeiro momento, algum investimento pode ser necessário, mas há várias possibilidades de melhoria sem investimento. Por exemplo, realizar o descarte adequado das embalagens de agentes químicos. Simples, quando for à cidade o produtor leva as embalagens até o órgão responsável pela coleta. Prático e indolor, brincamos durante o treinamento. Gostamos de lembrar que sustentabilidade abrange os aspectos ambientais, econômicos e sociais, ou seja, tem estar adequado ao bolso do pecuarista também.

Quais as metas de trabalho para este ano?
Luiza: Para este ano, temos algumas metas de trabalho nessas frentes que comentei. Antes disso, gostaria de dizer que estamos criando um novo site para o GTPS, mais moderno e interativo, e estará no ar até o final deste mês de abril.  Este ano temos a ambição de dobrar o número de produtores que preencheram o GIPS. Atualmente, temos cerca de 300 GIPS válidos de produtores, e com as parcerias estabelecidas com os frigoríficos queremos dobrar este número.Também queremos crescer o número de iniciativas cadastradas no Mapa. Atualmente temos cerca de 40 iniciativas. Pretendemos expandir para mais regiões do Brasil e fortalecer a base de projetos de boas práticas de toda cadeia, demonstrando que é possível estabelecer a sustentabilidade no setor e já temos muitos casos de sucesso na pecuária.

Fonte: Agrolink