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Curiosidades do Agro

Johanna Döbereiner descobriu que plantas podem gerar seu próprio adubo interagindo com bactérias

Técnica sustentável fez o Brasil reduzir o uso de fertilizantes químicos nas lavouras de soja, o que provocou economia US$ 2 bi por ano na cultura e ajudou a impulsionar o país como um dos maiores produtores do grão.

 

Johanna Döbereiner no laboratório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner no laboratório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). — Foto: Divulgação

Nascida em 1924 na antiga Tchecoslováquia (hoje República Tcheca e a Eslováquia), imigrou para o Brasil em 1950, em meio à instabilidade e perdas deixadas pelo fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.

Por aqui, dedicou toda a sua vida à ciência, liderando pesquisas de microbiologia do solo a partir a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), até o final de sua vida, em 2000.

Sempre com foco em sustentabilidade, em uma época em que o tema era pouco debatido, Johanna demonstrou que é possível eliminar o uso de adubos químicos poluentes e caros em culturas como a soja, aproveitando-se somente do que já existe na natureza.

Mais especificamente das Bactérias Fixadoras de Nitrogênio, que são capazes de capturar o nitrogênio do ar, um adubo natural para as plantas. Esses seres vivos, que vivem no solo, nas folhas, nos caules, foram descobertos em 1901 pelo microbiologista Martinus Beijerinck.

Johanna Döbereiner sempre focou em sustentabilidade, em uma época em que o tema era pouco debatido. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner sempre focou em sustentabilidade, em uma época em que o tema era pouco debatido. — Foto: Divulgação

Mas foram os estudos de Johanna, a partir da década de 1950, que mostraram como usar as bactérias a serviço da agricultura, já que nem todas têm capacidade de transferir o nitrogênio para as plantas, explica a agrônoma Vera Baldani, aluna, colega de trabalho e amiga muito próxima da cientista.

“A Johanna e os pesquisadores que embarcaram na ideia dela descobriram que as bactérias Rizóbio fazem uma simbiose perfeita com a soja: elas se alimentam da seiva da planta e, em troca, fornecem o nitrogênio para a soja. Uma tecnologia limpa”, conta Vera.

A técnica consiste em introduzir as bactérias nas sementes de soja, que, quando começam a germinar, produzem nódulos nas raízes da planta que funcionam como usinas para a extração de nitrogênio do ar.

A fixação biológica de nitrogênio no plantio da soja gera uma economia de US$ 2 bilhões por ano com adubos químicos, diz Embrapa. — Foto: Divulgação/Ascom Seagri
A fixação biológica de nitrogênio no plantio da soja gera uma economia de US$ 2 bilhões por ano com adubos químicos, diz Embrapa. — Foto: Divulgação/Ascom Seagri

Os estudos derrubaram a crença da época de que os fertilizantes químicos eram insubstituíveis. A descoberta, ao reduzir os custos de produção, ajudou a transformar a soja nacional em um dos principais produtos de exportação do Brasil.

Estima-se, inclusive, que a fixação biológica de nitrogênio no plantio da soja gere uma economia de US$ 2 bilhões por ano com adubos químicos, segundo a Embrapa.

Uma vida dedicada às bactérias

Além da soja, Johanna liderou pesquisas sobre a fixação biológica de nitrogênio por palmáceas, como o dendezeiro. E descreveu a bactéria Beijerinckia fluminensis, que interage com a cana-de-açúcar, o que foi um de seus grandes feitos, conta a jornalista Kristina Michahelles, em seu livro “Johanna Döbereiner: uma vida dedicada à ciência”.

A cientista dizia que seu “insight “se deu a partir da observação de que a planta da cana-de-açúcar estava sempre verde, mantendo certa produção constante há séculos no país, mesmo em períodos secos, sem o uso de adubação especial.

 

Johanna Döbereiner fala, em campo, sobre as pesquisas com a planta da cana-de-açúcar. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner fala, em campo, sobre as pesquisas com a planta da cana-de-açúcar. — Foto: Divulgação

Além disso, Johanna coordenou estudos sobre as limitações da fixação de nitrogênio em leguminosas, como o feijão, nos quais Vera trabalhou.

Ela foi também professora e orientadora de vários cientistas que hoje ocupam posição de destaque na pesquisa no Brasil. Tem mais de 500 títulos publicados, mais de 20 prêmios, além de uma indicação ao Prêmio Nobel de Química em 1997.

 

Anos de turbulência na guerra

Antes de fazer história na ciência, Johanna passou por duras perdas na Europa. Uma das principais foi a de sua mãe, Margarethe Kubelka, que morreu em um campo de concentração após o fim da Segunda Guerra, em 1945, como muitos sudetos, povos de origem alemã.

Nascido austríaco, o pai de Johanna, Paul Kubelka, recebeu a cidadania tcheca em 1918, que foi anulada com a ocupação nazista no país, em 1939. A família se tornou alemã, mas “não tinham a menor simpatia pelos invasores”, conta a jornalista Kristina.

Paul, que era químico, foi constantemente espionado pela Gestapo, teve seus cursos proibidos da Universidade de Praga e ajudou amigos judeus a fugirem da perseguição nazista.

Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação

Com o fim da guerra, os pais de Johanna foram internados em um campo de trabalho forçado, enquanto ela conseguiu fugir para a Alemanha com seus avós paternos. Seu pai teve um destino diferente do sua mãe, e conseguiu escapar do campo de concentração para as terras alemãs.

Da sua mãe, ficaram lembranças de uma mulher com ideias à frente de seu tempo: “Não devemos falar para a nossa filha que o seu destino será encontrar um marido. Devemos dizer à nossa filha que a sua vitória terá sido alcançada quando se orgulhar daquilo que realizou”, anotou Margarethe, em seu diário.

Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação

Com a Europa em escombros, o pai de Johanna imigrou em 1948 para o Brasil.

A cientista, entretanto, só chegaria dois anos depois, após ter se formado em agronomia na Escola Superior Técnica de Munique, onde conheceu o seu esposo, o médico veterinário Jürgen Döbereiner, que a acompanhou na mudança de país.

Nova pátria

“A minha mãe viu o Brasil como o início de uma nova vida. Não tinha como voltar para Praga, que estava sob o comunismo, e a Alemanha não era o lar dela. Então ela abraçou o Brasil com tudo e aprendeu logo a língua”, conta a filha mais velha de Johanna, Marlis Arkcoll.

Johanna não perdeu mesmo tempo. Assim que chegou, fez contatos para conseguir trabalhar com pesquisa e, em menos de seis meses, já estava empregada no Instituto de Ecologia e Experimentação Agrícola (IEEA), precursor do que atualmente é a Embrapa Agrobiologia, em Seropédica, interior do Rio de Janeiro.

Ela e seu esposo se naturalizaram brasileiros em 1956.

Johanna Döbereiner em sua casa em em Seropédica, interior do Rio de Janeiro. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner em sua casa em em Seropédica, interior do Rio de Janeiro. — Foto: Divulgação

Quem abriu as portas para ela foi o pesquisador Álvaro Barcellos Fagundes, diretor do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas, que tinha enorme interesse pelas aplicações práticas da fixação biológica de nitrogênio no solo por meio das bactérias.

Foi em Seropédica também que Johanna e seu marido Jürgen fizeram morada e criaram seus três filhos: Marlis, Christian e Lorenz.

 

Olhares de filha e amiga
Johanna Döbereiner com seu marido e filhos. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner com seu marido e filhos. — Foto: Divulgação

Desde que entrou na pesquisa, Johanna não parou mais. Eram constantes as suas viagens para congressos e seminários, rememora Marlis.

“Ela fez com que nós, filhos, nos tornássemos responsáveis bem cedo na vida. Ela viajava muito, em uma época que era difícil ver mulher viajando sozinha. Ela adora viajar, voltava com os olhos brilhando e com a mala cheia de presentinhos exóticos, sementes”, conta Marlis,.

Em casa, Johanna e Jürgen também faziam com que os que filhos só lessem em alemão e em inglês para que eles pudessem aprender outras línguas além do português na escola.

Johanna Döbereiner no laboratório da Embrapa. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner no laboratório da Embrapa. — Foto: Divulgação

No laboratório, ela também era dinâmica, além de uma incansável questionadora, conta a pesquisadora Vera Baldani, amiga de toda uma vida de Johanna, que entrou na Embrapa em 1976.

“Com ela não tinha meio termo, ela era bem direta. A gente discutia muito por causa de experimento, pesquisa, porque ela ensinava a gente a ser crítica. Era bastante exigente e enérgica. Mas também de um coração fantástico […] Sabia quando tinha algo errado com a gente apenas com o olhar”, conta Vera.

Fora do laboratório, era comum que Vera e Johanna se reunissem para fazer tricô e ouvir música clássica. “A gente conversava de tudo, ciência, música, marido, filho. Nós tínhamos uma ligação muito forte, de mãe e filha”, diz Vera.

Últimos anos de vida

Vera acompanhou ainda os primeiros sinais do Alzheimer que acometeu Johanna no início dos anos 90.

“Mesmo com a doença, ela nunca deixou de ir para a Embrapa. Foi duro porque, naquela época, não se acreditava que as pessoas que trabalhavam tanto a mente teriam Alzheimer”, conta Vera.

A doença piorou com a trágica morte de seu filho mais novo, Lorenz, assinado em março de 1996, com um tiro disparado por um motoqueiro, em um sinal de trânsito em São Paulo, em circunstâncias que não foram esclarecidas até hoje.

Johanna morreu quatro anos depois, com 75 anos, em 5 de outubro de 2000, por uma broncopneumonia causada por aspiração.

Seu nome ressoa até hoje nas pesquisas de microbiologia do solo. E foi até imortalizado em suas companheiras de toda uma vida: as bactérias fixadoras de nitrogênio Cluconacetobacter johannae sp. e Azospirillum doebereinerae sp.

Por:  Paula Salati, G1

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Tecnologia

Tecnologia nas máquinas agrícolas avança para ser mais amigável ao produtor

Tecnologia nas máquinas agrícolas avança para ser mais amigável ao produtor
Tecnologia nas máquinas agrícolas avança para ser mais amigável ao produtor Legenda: Colheitadeira de cana com sistema de telemetria, utilizado nos carros da F-1, que será lançada na feira agrícola em Ribeirão Preto Divulgação.

A avaliação é de Rafael Miotto, da New Holland, que coloca novos modelos no mercado.

O campo exige cada vez mais máquinas e, consequentemente, novas tecnologias nelas. Há a necessidade de um aumento da eficiência das operações, uma vez que o país tem uma deficiência de mão de obra rural.

Como calibrar a demanda do agricultor com um produto condizente com suas necessidades e de fácil acesso? Deixar as máquinas cada vez mais amigáveis e com sistemas de controles mais acessíveis, responde Rafael Miotto, vice-presidente da New Holland Agriculture para a América do Sul.

Existe um investimento na formação e preparação das pessoas, mas é importante que as máquinas sejam mais fáceis de serem operadas e reguladas. “Há uma tendência de automação, mas ela deve ser feita com uma simplicidade das máquinas”, acrescenta.

Não é fácil atingir o ponto ideal de equilíbrio. Há uma formação de profissionais hoje, mas não adianta colocar muita tecnologia e automação na máquina e exigir complexa calibração de contatos eletrônicos.

Esse foi um erro da indústria nos últimos dez anos. As máquinas não eram amigáveis para o operador. A tecnologia é necessária, mas a operação deve ser simplificada, segundo o executivo.

O avanço da agricultura de precisão é necessário, uma vez que o produtor precisa reduzir os custos e elevar produtividade. De maneira amigável, as máquinas devem permitir a aceleração da implantação de mapeamento e entendimento da lavoura, o que auxilia na tomada de decisão.

A agricultura de precisão está muito complicada, muitas vezes com software de difíceis uso e compreensão para o agricultor. Ela tem coisa boa, mas precisa continuar aumentando a capacidade de aplicação inteligente no campo e facilitar seu uso. As startups têm ajudado, segundo Miotto. O cenário será ainda melhor com a conectividade em tempo real.

Em busca de máquinas com tecnologia mais amigável, desempenho melhor e custos menores nas operações, a New Holland está fazendo mudanças em sua linha de colheitadeiras, afirma Miotto.

Dentro da linha de automação, a empresa faz um dos seus lançamentos mais importantes da história recente da empresa, segundo o executivo.

O acompanhamento das necessidades dos produtores nos últimos anos resultou em uma máquina com maior automação, custo baixo, eficiência na colheita, conforto e agregação de tecnologia, afirma ele.

O executivo revela, porém, que foram momentos de preocupação durante o processo de mudanças. Fazer uma máquina extremamente tecnológica, fora da lógica do acesso econômico do produtor, ou ou manter o padrão da relação custo-benefício. Venceu o segundo.

“Colocamos tecnologia e fizemos inovações que aumentam o benefício, sem colocar coisas que o produtor não vai usar”, diz o executivo.

As mudanças foram na cabine, agora com mais espaço, mais automação, abertura e fechamento elétrico de peneiras e automação na parte de limpeza.

Miotto diz que a TC, uma máquina que está próxima das 40 mil unidades vendidas na América Latina, ganha uma irmã: a TX.

Ela é um passo além em capacidade, possui duplo rotor, trabalha com plataformas maiores e tem capacidade maior de colheita do que a TC. Ela ganha maior capacidade, mas sem complicação tecnológica, diz o executivo da New Holland.

A produção brasileira de grãos cresce, e a demanda por máquinas aumenta. A produção industrial deste ano, porém, foi afetada pela pandemia e deve terminar o ano com recuo. “Tivemos uma parada de quase um mês e uma redução no fornecimento de insumos, que ainda não está regularizado. Do outro lado, a agricultura demanda equipamentos, porque está saudável, independentemente da Covid-19”, diz.

Essa demanda maior por máquinas do que a oferta vai ser normalizada em algum momento, prevê. Ele acredita que a demanda deveria ser ainda maior, tendo em vista os recordes de safra.

O produtor, contudo, não está descolado do cenário econômico geral ao redor dele. Com isso, investe com cautela e faz apenas os investimentos estritamente necessários, afirma.

Por: Brasil Agro

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Meio Ambiente

Veja dicas para prevenir incêndio na fazenda e evitar denúncia por crime ambiental

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Prejuízo na logística, em que as vias ficam intransitáveis pela fumaça; prejuízo financeiro, em que estruturas, como barracões e cercas, e até maquinários são perdidos dentro das porteiras; prejuízo para a biodiversidade, em que animais silvestres e de criação não resistem e vão a óbito; e até mesmo a perda de vida humana, como no caso do zootecnista Luciano da Silva Beijo, morto aos 36 anos ao tentar controlar queimada na região de Cáceres-MT.

O período seco deste ano no Brasil tem sido impiedoso ao facilitar o alastramento do fogo nos biomas que passam pelo momento mais agudo de restrição de água, como Cerrado, Pantanal e parte do Amazônico. Segundo dados do Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o estado do Mato Grosso, por exemplo, já sofreu com mais de 24 mil focos de calor em 2020, o pior indicador para dez anos. Já no Amazonas, apenas no mês de agosto foram registrados mais de 8 mil focos de incêndio, maior volume para um único mês desde 1998.

Nesta sexta, 11, o Giro do Boi levou ao ar entrevistas com especialistas no assunto para indicar os melhores manejos técnicos e também jurídicos para evitar alastramento do fogo e algumas consequências paralelas, como possível denúncia por crime ambiental.

O PROBLEMA

“A região aqui está sendo bastante agredida pelo fogo, tanto esta região sudeste (do MT), área onde me insiro e trabalho, que é região de Rondonópolis, Primavera do Leste e Barra do Garças, quanto nas regiões mais baixas, como região do Pantanal, também a gente tem relatos de lá. E o fogo está sendo bastante agressivo também, destruindo bastante tanto a parte do parque do Pantanal como de propriedades de pecuaristas da região. […] Outro exemplo que falei é a BR 070, que liga Goiás até Cuiabá. Esta rodovia tem uma região ali de Cerrado muito grande, uma região que está bastante seca agora, e ela recentemente foi tomada pelo fogo e durante pelo menos quatro a cinco horas ficou intransitável. Você não conseguiria passar muito pela fumaça e pelo risco de poder estar incendiando os carros que ali passavam. É uma região onde a gente tem grandes áreas de reservas ambientais, até indígenas, e que estavam em fogo pouco tempo atrás”, disse o médico veterinário Rômulo Dutra em entrevista ao Giro do Boi.

PREVENINDO AS QUEIMADAS E FACILITANDO SEU CONTROLE

“A forma mais simples que o produtor tem para se prevenir é buscar a eliminação, ou então a redução destas fontes de propagação do fogo. E, para isso, existem algumas técnicas que são preconizadas, como a construção e manutenção de aceiros, a redução também de materiais combustíveis e as cortinas de segurança. Cada uma dessas técnicas pode ser utilizada para que você evite que esse fogo invada sua propriedade”, apresentou Dutra.

  • Aceiro: “A maioria dos produtores já sabe, é aquela faixa livre de vegetação onde a gente tem o solo mineral exposto e, por isso, ele impede que o fogo ultrapasse. Mas com os ventos, ele pode ultrapassar. De toda forma, o aceiro também vai ser utilizado como ponto de apoio para você poder combater esse fogo”, apontou.
  • Redução de material combustível: “É a forma em que a gente pode dizer que é a mais eficiente de se combater esse fogo porque ali você vai estar eliminando ou reduzindo a vegetação seca em volta da propriedade ou perto de propriedades vizinhas, próximos até a reservas de vegetação nativa. Com isso você impede que esse incêndio florestal ou que esse incêndio vindo do vizinho chegue até a sua propriedade”, continuou.
  • Cortinas de segurança: “é a implantação de vegetação com uma folhagem menos inflamável, ou seja, como se fossem cercas vivas feitas ao redor da propriedade. Essa é uma prática eficiente porque reduz a propagação do fogo pelo vento e também pode ser utilizada como uma primeira barreira, o que dificulta o acesso do fogo até a propriedade”, acrescentou o veterinário.

O QUE FAZER QUANDO IDENTIFICAR O FOCO DE INCÊNDIO?

Além dos esforços físicos para prevenir o alastramento do fogo, o produtor deve ter uma estratégia jurídica também para evitar que o prejuízo material não evolua para um prejuízo financeiro mais significativo, como no caso de uma possível denúncia jurídica por crime ambiental. Foi o que apontou a advogada e gestora rural de Juara-MT, Rebeca Youssef.

“O fogo alastrado em áreas de plantio e até áreas de pastagem e perda de rebanhos é frequente e é um prejuízo considerável para o produtor. Então o ideal é que esse prejuízo não seja aumentado com o prejuízo que também é financeiro em relação a possíveis multas ambientais”, alertou.

No caso de identificar um foco de incêndio na propriedade, o produtor deve tomar algumas providências, ou instruir seu gestor para tomar atitudes, como mobilizar os colaboradores de toda a propriedade, avisar a unidade do Corpo de Bombeiros mais próxima e também a Defesa Civil do município mais próximo.

“(Serve) Tanto no sentido de comunicação do incêndio como para pedido de socorro, caso a propriedade não disponha de todos os meios para conter este fogo. Inclusive nós também orientamos a produção de fotografia e filmagens da ação de todos os envolvidos na contenção do fogo e também na documentação de quais equipamentos a propriedade dispõe para isso. Um dos exemplos mais comuns é a presença de caminhões pipa e, claro, se necessário, providenciar o socorro médico imediato”, instruiu Rebeca.

MANEJO DO GADO

“A gente deve manejar os animais para uma área em que o risco de incêndio seja o menor possível, pensando na segurança deles. E também deve monitorar frequentemente os focos da queimada. Esses focos precisam ser monitorados. Além disso, precisamos monitorar também a direção do vento, porque ele acaba por espalhar o fogo, o que pode trazer surpresas nada agradáveis”, revelou o veterinário Rômulo Dutra.

“A gente precisa também garantir que a área por onde esses animais foram não seja afetada e, além de tudo isso, a gente precisa certificar que existe também uma rota de fuga para esses animais nesta nova área. Assim a gente consegue evitar imprevistos e salvar a vida desses animais, caso a área onde eles estejam alocados também seja afetada. A gente precisa lembrar sempre que os animais são totalmente dependentes das ações humanas para se salvarem, então, logicamente, é obrigatório que o produtor garanta a segurança desses animais para que o pior não venha a acontecer”, ressaltou.

O QUE FAZER DEPOIS DA CONTENÇÃO DA QUEIMADA?

“Num segundo momento, após a contenção do fogo, a nossa atenção muda um pouquinho. A gente foca em documentar tanto a ocorrência de incêndio como a ação dos produtores. A nossa intenção nesta segunda parte é evitar o enquadramento de crime ambiental, como se o produtor tivesse feito uso de fogo de maneira intencional”, salientou a advogada Rebeca Youssef.

Veja abaixo as medidas listadas pela especialista para construir uma base sólida de defesa no caso de possível autuação:

  • Registrar em fotos e vídeos todos os prejuízos causados: perdas de animais, perda de lavoura, de pastagem, prejuízos em cercas, em barracões;
  • Registrar boletim de ocorrência de maneira detalhada, com presença de testemunhas;
  • Obter relatos dos colaboradores, vizinhos e de todos os envolvidos na contenção do incêndio, inclusive por meio de declarações redigidas, reconhecidas em cartório;
  • Redação de ata notarial.

“É importante que, após a contenção do fogo, o olhar do produtor rural mude para um olhar preventivo em relação a possíveis autuações ambientais para que aquele incêndio que é acidental não seja caracterizado como de uso intencional, que seria, no caso, o uso de fogo ou realização de queimada tanto sem autorização ou em período proibitivo, que é pior ainda”, advertiu Youssef.

A advogada especialista em agronegócio Júlia Bastos acrescentou detalhes às recomendações. “Se o vizinho excede os limites da queima controlada dele, ou realiza até mesmo uma queimada ilegal e isso de alguma forma traz prejuízos para o pecuarista, morte de animais, perda do maquinário ou até mesmo estruturas como curral e tudo mais, é importante apagar realmente o incêndio, mas depois chame o engenheiro florestal ou o engenheiro agrônomo ou qualquer outro profissional técnico, um advogado, um veterinário para poder emitir um laudo de vistoria técnica que comprove tudo isso, além de registrar de todas as formas possíveis mediante vídeos, fotos. Porque se realmente houver um dano, o justo é que se peça uma indenização mediante acordo ou até mesmo ação judicial indenizatória para você recuperar tudo aquilo que você perdeu”, sugeriu.

SOLIDARIEDADE

Para o veterinário Rômulo Dutra, a soma de forças é imprescindível para atenuar a gravidade dos incêndios. “A gente vê quando um incêndio atinge alguma propriedade os vizinhos se ajudando de forma a entregar materiais, equipamentos agrícolas para estar fazendo um rápido aceiro. Então esta solidariedade, esta ajuda tem que vir de forma geral e não só na hora que acontece. Essa solidariedade precisa acontecer antes do incêndio chegar, ela precisa vir do vizinho poder emprestar uma máquina para o pequeno produtor que não tenha condição de fazer um aceiro, ela precisa vir do grande proprietário, às vezes, ajudar o pequeno a se prevenir contra o fogo. Porque o fogo está passando de uma propriedade para outra, ele não distingue quem tem uma propriedade grande ou pequena. Então eu acredito que essa solidariedade, esta humanização do problema vai ajudar de todas as formas”, concluiu Dutra.

Confira a reportagem completa no vídeo a seguir:

Por: Canal Rural

Fonte: Giro do Boi

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Economia

Tecnologia transforma autopropelidos em distribuidores

Reutilização de equipamento gera economia ao produtor.

Imagem: Divulgação

Ser sustentável é uma missão diária e desafio para uma grande parte da população mundial. Esse pensamento também vem se tomando habitual no agronegócio e pequenas atitudes se tornam grandes ações quando falamos em preservação do meio ambiente. É com esse objetivo que a MP Agro Máquinas Agrícolas desenvolveu e oferece sua Linha Z de transformação de autopropelidos antigos em distribuidores de sólidos. “Sem dúvida esta é uma alternativa para reciclar um equipamento já existente que não teria mais utilidade, economizando em novas matérias primas e ainda reaproveitando um investimento feito lá atrás”, destaca Michael Periani, diretor comercial da empresa.

E como tudo isso é feito? Na própria fazenda, conforme explica o profissional. Os modelos de distribuidores são exclusivamente desenvolvidos para todas as marcas de autopropelido do mercado, ou seja, as configurações são específicas para a máquina que o produtor tem, com fácil instalação realizada pela equipe técnica da fábrica diretamente na propriedade em menos de um dia. “Esse modelo de negócio gera uma grande economia ao produtor que transforma um equipamento próprio já amortizado em um distribuidor de fertilizantes novo investindo menos de 20% em relação ao valor de um autopropelido novo que custa em média R$750.000,00”, ressalta Periani.

Quando um autopropelido é transformado em distribuidor, há a remoção do sistema de pulverização para a instalação do sistema de distribuição totalmente compatível com o chassi da máquina. O sistema hidráulico antes utilizado para acionamento do pulverizador também é aproveitado para tocar o distribuidor. Para os casos de autopropelidos incompatíveis, a empresa ainda oferece um sistema hidráulico novo que torna a máquina apta a operar em 100% de eficiência.

Ao modernizar uma máquina e dar uma nova função a ela, estamos falando não só em economia ao produtor, mas também pensamos que um maquinário de alto valor não pode ser sucateado e nem os materiais e toda energia e mão de obra necessárias para produzi-lo.

Em média, segundo o profissional da MPAgro, o sistema de pulverização de um autopropelido fica defasado principalmente em tecnologia a cada seis anos. Além de ser muito exigido, o autopropelido é o equipamento responsável por transportar e aplicar produtos que representam um custo extremamente relevante na produção. “Portanto, toda tecnologia capaz de reduzir o desperdício de produtos se torna viável, pois o retorno do investimento precisa acontecer o quanto antes para o produtor. Que é o caso dos distribuidores de sólidos da Linha Z da empresa, que além de aproveitar o equipamento já existente, tem durabilidade eterna por sem totalmente inox, alta tecnologia de precisão e ainda economiza em insumos, mais uma vez poupando mais ainda recursos naturais”, afirma Periani.

Além disso, outra grande vantagem dessa solução é possibilitar a produtores que ainda não possuem distribuidores autopropelidos na propriedade a adquirir um equipamento desses pois o resultado gerado nesse modelo de operação é diferenciado. “Os principais fatores que classificam a aplicação de fertilizantes por distribuidores autopropelidos como a melhor opção são: menor amassamento de plantas, pois aproveita o mesmo rastro do pulverizador, economia de combustível em relação à um conjunto trator/carreta e principalmente a possibilidade de aplicação de fertilizantes em culturas altas como o caso das aplicações de cobertura de nitrogênio no milho ou algodão”, destaca.

Quem utiliza recomenda

Muitos produtores já aderiram a essa tecnologia mais sustentável. É o caso de Cristian Willy Braun, do Grupo Agro Braun, proprietário das Fazendas Maranata e Canário, de Primavera do Leste/MT, que possui há dois anos a máquina MP Z 5.0, da Linha Z em cima de um autopropelido 4630 da John Deere.

Segundo ele, antes de adquirir a Z5.0, avaliaram as máquinas disponíveis no mercado, e sempre tinha algo que não agradava. Foi quando surgiu a ideia de montar no autopropelido na fazenda mesmo. “Estudamos um plano e avaliando o equipamento, optamos pela MP pelo material de INOX. Além de bonita e muito prática, hoje tenho uma máquina que ficou muito mais barata que os autopropelidos disponíveis no mercado, e nos surpreendeu com a eficiência, que é melhor do que se encontra no mercado. O custo benefício da máquina em inox também fica evidente, pois você investe na hora de comprar o implemento em inox, mas economiza muito com manutenção em comparação à uma máquina de aço carbono que precisa de pintura, manutenção, jato de areia.”, afirma o produtor.

Por: Agrolink

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Pecuária

Forte alta no preço do leite pago ao produtor, por Scot Consultoria

O preço do leite pago ao produtor teve forte alta no pagamento realizado em julho, referente à produção de junho. Considerando a média ponderada dos dezoito estados pesquisados pela Scot Consultoria, o incremento foi de 8,7%.

A produção nacional de leite cresceu em junho (1,6%) e em julho (4,6%), mas o volume médio captado nesses dois meses foi, em média, 4,5% abaixo na comparação com igual período do ano passado.

Do lado da demanda por leite cru, as indústrias de laticínios aumentaram o processamento diante da maior movimentação no mercado interno com a flexibilização da abertura do comércio e auxílios do governo, que têm refletido em melhora do escoamento. Os estoques mais enxutos nas indústrias nos últimos meses, devido às incertezas com relação a pandemia, acirraram a concorrência pela matéria-prima.

Para o pagamento a ser realizado em agosto/20, referente a produção entregue em julho/20, o viés é de alta no preço do leite pago ao produtor, com 60,0% dos laticínios pesquisados pela Scot Consultoria estimando aumento e os 40,0% restantes apontando para manutenção nos preços.

Mesmo nos estados do Sul do país, com a produção crescendo com mais força, a expectativa é de alta para o produtor, mas o maior volume poderá diminuir a intensidade, comparativamente com os pagamentos anteriores.

Para o pagamento a ser realizado em setembro, a maior parte das indústrias de laticínios apontam para manutenção dos preços do leite pago ao produtor, mas uma parcela ainda fala em alta, principalmente no Brasil Central e região Sudeste, onde a produção deverá retomar com mais força apenas com a volta das chuvas (setembro/outubro).

Ainda com relação a julho, os preços do leite subiram no mercado spot e também foram registradas altas nas cotações dos produtos lácteos no atacado e no varejo.

Fonte: Scot Consultoria

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Agronotícias

Como a Lei do Agro pode ajudar o produtor rural?

Apesar de comemorada, o Produtor Rural deve ser alertado que nem tudo é benéfico quanto parece

A atividade agropecuária constitui uma das principais fontes de renda para o Brasil, tanto é que o setor agrícola atualmente representa um quinto do produto interno bruto nacional.

A potência do setor agropecuário está fortemente atrelada aos financiamentos agrícolas, que contribuem no aumento das operações e redução de seus custos, realização de investimentos, e otimização dos processos de comercialização de produtos agropecuários.

Com o objetivo de reduzir o custo do crédito rural, em 2019 foi elaborada a Medida Provisória nº 897, mais conhecida como MP do Agro. Em 07/04/2020 a medida foi sancionada pelo Presidente da República e convertida na Lei nº 13.986, de 7 de abril de 2020.

O Portal Agrolink conversou com a Dra. Isabella Nunes, advogada da DASA Advogados sobre A MP do Agro, agora sancionada e convertida na Lei nº 13.986/2020 ‘Lei do Agro’.

Como a Lei do Agro vem a ajudar o produtor rural?

A MP do Agro, agora sancionada e convertida na Lei nº 13.986/2020 ‘Lei do Agro’, estabeleceu diversas providências com o objetivo de facilitar o acesso dos Produtores Rurais ao crédito rural, bem como reduzir o custo do crédito rural.

A referida lei visa impulsionar o agronegócio no Brasil criando instrumentos como Fundo Garantidor Solidário (FGS), o patrimônio rural de afetação e a Cédula Imobiliária Rural (CIR).

Contudo, apesar de comemorada, o Produtor Rural deve ser alertado que nem tudo é benéfico quanto parece. Assim, podemos destacar algumas “pegadinhas” trazidas pela lei.

 O Fundo Garantidor Solidário poderá ser composto, por no mínimo dois devedores, que deverão integralizar cotas no percentual de 4% sobre o saldo devedor das operações a serem garantidas. Estes Fundos terão estatuto próprio, que o devedor deverá ter ciência.

O patrimônio de afetação permite que o Produtor Rural a segregação de parte de seu patrimônio para figurar como garantia em CIR ou CPR. Os bens e os direitos integrantes do patrimônio rural em afetação não se comunicam com os demais bens, direitos e obrigações do patrimônio geral do proprietário ou de outros patrimônios rurais em afetação por ele constituído.

A Cédula de Produto Rural, quando emitida em patrimônio de afetação, além de não integrar os bens de Produtores Rurais em caso de Recuperação Judicial, poderá ser emitida com taxa de juros fixa ou flutuante, até mesmo com variação cambial, o que pode implicar ao devedor a incerteza sobre o valor da dívida a ser paga.

 A Lei do Agro caracteriza ainda como estelionato fazer declarações inexatas acerca de sua natureza jurídica ou qualificação, bem como dos bens oferecidos em garantia da CPR (penhor, hipoteca etc.). Assim qualquer declaração inexata de bens poderá complicar a vida do produtor rural.

 Em decorrência das novidades trazidas, torna-se ainda mais importante que o Produtor Rural busque sempre o auxílio de advogados capacitados no assunto, visto que aparentemente a Lei é benéfica, entretanto quando analisados seus aspectos no cotidiano rural notamos que poderá causar enormes prejuízos caso não analisado minuciosamente.

 – A nova Lei regulamentou o patrimônio de afetação de propriedades rurais e instituiu a Cédula Imobiliária Rural. Como ficará a situação para o produtor?

O patrimônio de afetação permitirá ao Produtor Rural submeter seu imóvel rural ou fração dele ao regime através de emissão de CRI ou CPR. Os bens e direitos integrantes do patrimônio rural em afetação não se comunicam com os demais bens, direitos e obrigações do patrimônio geral do Produtor Rural, essa incomunicabilidade é limita às garantias vinculadas às CPRs e às CIRs.

 Entretanto, não nos parece razoável as consequências advindas pela regulamentação destes institutos, sendo necessário ter extrema cautela ao utilizá-los.

 Isso porque, embora a constituição do patrimônio de afetação não altere a titularidade do imóvel, esta impõe restrições à sua disponibilidade pelo Produtor Rural. Primeiramente, não poderá ser constituído sobre o imóvel rural em afetação nenhuma garantia real, com exceção da própria CIR ou CPR. Além disso, o imóvel não poderá ser alienado por compra e venda, doação, ou qualquer outra modalidade por iniciativa do proprietário.

 O patrimônio de afetação vinculado a CIR ou CPR torna-se impenhorável, não se sujeitando a nenhuma constrição judicial. Não podendo, ainda, ser utilizado para realizar ou garantir o cumprimento de qualquer outra obrigação assumida pelo proprietário estranha e vinculada a CIR ou CPR.

 No mais, está disposto no art. 10, § 4º, da Lei nº 13.986/20[1] que o patrimônio rural em afetação vinculados a CIR ou a CPR, não serão atingidos pelos efeitos da decretação de falência, insolvência civil ou recuperação judicial do proprietário de imóvel rural, além de não integrar a massa concursal dos devedores.

 E, mesmo após o STJ reconhecer a legitimidade da Recuperação Judicial de Produtores Rurais, adveio a Lei do Agro que, de certa maneira, a CPR – principal instrumento de garantia oferecido por produtores rurais, restou excluída do procedimento Recuperacional.

 Por fim, caso a CIR ou CPR não sejam liquidadas no vencimento, o credor detentor da garantia poderá exercer de imediato seu direito à transferência de registro de propriedade da área rural que constitui o patrimônio em afetação, diretamente no cartório de registro de imóveis.

  – Como a advocacia consultiva preventiva pode contribuir?

A referida Lei traz inúmeras “pegadinhas”, visto que seu objetivo era facilitar o acesso do Produtor ao crédito rural.

Assim, ante todos os efeitos e as consequências jurídicas que poderão sobrevir, é ainda mais importante a consulta de um advogado, principalmente antes de vincular o patrimônio rural ao regime de afetação.

Veja o artigo da Dra. Isabella Nunes, advogada da DASA Advogados

Patrimônio de afetação e a Recuperação Judicial dos Produtores Rurais

A atividade agropecuária constitui uma das principais fontes de renda para o Brasil, tanto é que o setor agrícola atualmente representa um quinto do produto interno bruto nacional.

A potência do setor agropecuário está fortemente atrelada aos financiamentos agrícolas, que contribuem no aumento das operações e redução de seus custos, realização de investimentos, e otimização dos processos de comercialização de produtos agropecuários.

Com o objetivo de reduzir o custo do crédito rural, em 2019 foi elaborada a Medida Provisória nº 897, mais conhecida como MP do Agro. Em 07/04/2020 a medida foi sancionada pelo Presidente da República e convertida na Lei nº 13.986, de 7 de abril de 2020.

Dentre diversas providências, a nova Lei regulamentou o patrimônio de afetação de propriedades rurais e instituiu a Cédula Imobiliária Rural.

O regime de afetação ao patrimônio rural se difere dos regimes de afetação tradicionais existentes na legislação brasileira, como a afetação patrimonial na incorporação imobiliária.

Enquanto a afetação do mercado imobiliário possui o objetivo de assegurar direitos aos adquirentes de unidades do edifício em construção, em caso de falência ou insolvência civil do incorporador, a afetação do patrimônio rural objetiva efetivar um instrumento de garantia de Cédulas Imobiliárias Rurais (CIR) e Cédula de Produto Rural (CPR).

O proprietário do imóvel rural que optar pela adoção deste regime de afetação terá o terreno, as acessões e as benfeitorias fixados como patrimônio de afetação, os quais serão destinados a prestar garantias por meio da emissão da CPR ou em operações financeiras contratadas pelo proprietário por meio de CIR.[1]

Importante consequência deste instituto é a possibilidade de segregação patrimonial da propriedade rural. Os bens e os direitos integrantes do patrimônio rural em afetação não se comunicam com os demais bens, direitos e obrigações do patrimônio geral do proprietário ou de outros patrimônios rurais em afetação por ele constituído. No entanto, essa incomunicabilidade é limitada as garantias vinculadas às CPRs e CIRs.[2]

As Cédulas Imobiliárias Rurais (CIRs), são títulos de crédito nominativo, transferível e de livre negociação. É apto a emitir o título somente o produtor rural que houver constituído patrimônio rural de afetação e realizado uma operação de crédito de qualquer modalidade.

Por sua vez, a Cédula de Produto Rural (CPR), fora instituída no ano de 1994 pela Lei 8.929, como título de crédito representativo de promessa de entrega de produtos rurais (em grãos/sacas). Somente tem legitimidade para emiti-la o Produtor Rural, a cooperativa agropecuária e a associação de Produtores Rurais.

Desse modo, ambas as Cédulas – CIR e CPR, destinam-se a garantir uma operação de crédito por meio da obrigação de entregar, em favor do credor, bem imóvel rural, ou fração deste, vinculado ao patrimônio rural em afetação.

No entanto, apesar da nova lei objetivar reduzir os custos do crédito rural, há uma medida que está sendo duramente criticada pelos produtores rurais.

O projeto da Medida Provisória do Agro, antes de ter o seu texto-base finalizado, preceituava que todos créditos originários de CPRs seriam extraconcursais no regime recuperacional, ou seja, não seriam submetidos aos efeitos da Recuperação Judicial.

Ocorre que, diante de um acordo entre a bancada ruralista do Congresso e lideranças da Câmara dos Deputados, essa disposição original da MP foi totalmente suprimida no texto-base aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados em 11/02/2020 e posteriormente pelo Senado Federal em 04/03/2020.

Porém, para a surpresa daqueles que acompanhavam estas discussões legislativas relacionadas ao agronegócio, a MP do Agro ao ser convertida Lei regulamentou um novo meio de exclusão da CPR do processo de Recuperação Judicial.

O art. 10, § 4º, da Lei nº 13.986/20, dispõe que o patrimônio rural em afetação vinculados a CIR ou a CPR, não serão atingidos pelos efeitos da decretação de falência, insolvência civil ou recuperação judicial do proprietário de imóvel rural, além de não integrar a massa concursal dos devedores.

É evidente a manobra legislativa realizada após a aprovação do texto-base da referida Lei!

Isso porque, no texto-base da Medida Provisória não era citada a CPR como meio de prestar a garantia da afetação de patrimônio rural, restando suprimida a exclusão da CPR do procedimento recuperacional.

Porém, em meados de novembro de 2019, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que é possível a Recuperação Judicial para o Produtor Rural, por meio do julgamento do Recurso Especial nº 1.800.032/MT.

No mesmo trimestre desta decisão emblemática foi sancionada a Lei nº 13.986/20, a qual excluiu do procedimento recuperacional o principal instrumento de garantia oferecida pelo Produtor Rural aos bancos e tradings.

Cumpre ressaltar que entre os anos de 2018 e 2019 houve um crescimento exponencial dos pedidos de recuperação judicial dos produtores rurais, tendo em vista, principalmente, a quebra da safra de soja neste período.

A exclusão das CPRs vinculadas ao patrimônio de afetação, pode ser equiparada a exceção concedida a alienação fiduciária e arrendamentos mercantis, os quais são considerados como “SUPER GARANTIA” não sujeitas ao processo de Recuperação Judicial.

No que tange a Recuperação Judicial, essa garantia prestada pela afetação do patrimônio rural poderá ser ainda mais benéfica aos credores, quando comparada a garantia da alienação fiduciária.

No caso da exceção trazida pela alienação fiduciária, os Produtores encontram-se protegidos pela parte final do artigo 49, § 3º da Lei 11.101/2005, que dispõem sobre essencialidade do bem às suas atividades. Isto é, quando é determinado judicialmente a essencialidade dos bens garantidos fiduciariamente para as atividades empresariais do produtor rural, o crédito automaticamente volta a ser concursal, recaindo os efeitos da recuperação judicial a eles.

 Todavia, no caso da CIR/CPR vinculada ao patrimônio de afetação o reconhecimento de essencialidade do bem não poderá interferir na retirada do bem da posse dos Produtores Rurais.

Resumindo: em pese podermos equiparar o patrimônio de afetação à alienação fiduciária como uma “SUPER GARANTIA” aos credores, a afetação do patrimônio rural poderá ser ainda mais prejudicial aos Produtores Rurais. Visto que em caso de inadimplemento da obrigação o credor estará autorizado a exercer de imediato o direito à transferência do imóvel rural para sua titularidade.

Diante das disposições desta nova lei sancionada, é certo que os credores, principalmente bancos e tradings, irão atrelar a emissão de CPR’s ao patrimônio de afetação, não se sujeitando ao procedimento recuperacional.

Além disso, do ponto de vista da insolvência, caso os Produtores Rurais aceitem essa nova modalidade de garantia da CPR (afetação do patrimônio) a sua ruína poderá estar mais próxima.

Pois, além de oferecerem os frutos de sua produção agrícola em garantia aos contratos, o patrimônio rural em afetação não se comunicará com seu patrimônio geral e não se sujeitará ao processo de Recuperação Judicial.

Com efeito, a advocacia consultiva preventiva torna-se ainda mais importante para os produtores rurais, bem como para o agronegócio em geral, sendo imprescindível a submissão de todos os contratos, principalmente aqueles relacionados a tomada de créditos, à análise prévia dos advogados especializados no agronegócio e reestruturação.

*Dra. Isabella da Costa Nunes (OAB/GO – 49077), Do escritório DASA Advogados

Fonte: Agrolink

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Eventos do Agronegócio

FAEPA divulga calendário de Feiras e Exposições Agropecuárias – 2020

A Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (FAEPA), juntamente com O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e Sindicatos, anunciaram nesta última quarta-feira (11) o novo calendário repleto de eventos agropecuários que serão distribuídos por todo o estado do Pará.

O registro dos eventos possibilita as exposições de atividades agropecuárias de cada região, mostra toda a produção do ano e a diversidade cultural, possibilita a negociação dos produtores com os fornecedores. Auxilia também na apresentação de novas tecnologias, práticas de manejo, produtos e serviços para os produtores rurais. O que beneficia o aumento da produtividade na região paraense.

Calendário de eventos agropecuários – FAEPA/SENAR/Sindicatos  

 

 

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Agronotícias

Falta de mão de obra qualificada preocupa o pecuarista – Universo Agro

Custos de produção e preços recebidos são outros dois fatores de apreensão para o produtor, diz pesquisa

Fonte: Internet

A falta de mão de obra qualificada para a lida no campo é um dos maiores desafios para manutenção da competitividade de uma fazenda de bovinocultura de corte e de leite. É o que apontam os primeiros dados da pesquisa “Raio-X da pecuária brasileira”, elaborada pela DSM.

Os resultados iniciais do levantamento foram apresentados pelo diretor de marketing do segmento de ruminantes da empresa, Juliano Sabella Acedo, durante o “Simpósio Internacional de Vitaminas e Tecnologias”, que se encerrou nesta quarta-feira (15), em Guarulhos (SP).

“Uma das grandes preocupações do pecuarista hoje é com a qualidade da mão de obra na fazenda. Parte importante da produção depende do uso correto das tecnologias para que os funcionários consigam desempenhar bem suas tarefas”, ressaltou Sabella. “Há um desafio constante de se levar informação, conhecimento sobre tecnologia para o campo.”

Até o momento, a pesquisa envolveu cerca de 1,5 mil fazendas de gado de corte e de leite – de pequeno, médio e grande porte – espalhadas pelos principais polos de pecuária do País: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Pará e São Paulo. De acordo com o executivo, o objetivo é alcançar três mil propriedades.

Os imóveis rurais consultados abrigam aproximadamente três milhões de animais e ocupam cerca de quatro milhões de hectares. Nas fazendas de gado de corte, a predominância foi para a raça Nelore, seguida da Angus. Nas propriedades de leite, destaque para o gado holandês, com o girolando surgindo na segunda posição.

Além da mão de obra, o levantamento também destaca custos de produção e preços recebidos como outras duas grandes preocupações dos produtores, que citaram ainda pressões ambientais, trabalhistas e fundiárias; infraestrutura logística; assistência técnica; sucessão; crédito, como outros itens que geram apreensão no dia a dia da atividade.

Ademais, segundo Sabella, a pesquisa verificou, ainda, aumento da intenção de confinamento para este ano, e que a fase da recria está perdendo terreno na cadeia produtiva pecuária, devido ao encurtamento do ciclo de abate.

Fonte: Universo Agro

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Fatos e Acontecimentos

Volume de fertilizante entregue ao produtor cresce 8,2% em outubro, diz Anda – Globo Rural

O volume atingiu 3,661 milhões de toneladas no mês passado ante 3,385 milhões de toneladas em outubro de 2015

Foto: Thinkstock
Foto: Thinkstock

As entregas de fertilizantes aos produtores em outubro aumentaram 8,2% na comparação com igual mês de 2015, conforme dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

O volume atingiu 3,661 milhões de toneladas no mês passado ante 3,385 milhões de toneladas em outubro de 2015. No acumulado do ano foi registrado incremento ainda maior, de 9,4%, com um total de 28,090 milhões de toneladas, em comparação com as 25,678 milhões de toneladas nos primeiros dez meses de 2015.

A importação de fertilizantes intermediários (nitrogênio, fósforo, potássio) avançou de forma ainda mais expressiva do que em setembro, quando o incremento foi de 25%. Em outubro, totalizou 2,521 milhões de toneladas, 37,1% acima do apurado em outubro do ano passado.

Entre janeiro a outubro de 2016, o Brasil comprou de outros países 19,910 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários, 11,1% a mais que em igual período de 2015, quando foram adquiridas 17,913 milhões de toneladas.

Ainda de acordo com a Anda, a produção do insumo diminuiu 6,7% em outubro e 1,6% no acumulado do ano. Foram produzidas no último mês 796,8 mil toneladas e, no ano, 7,463 milhões de toneladas. Com relação às exportações de fertilizantes e formulações NPK, que em setembro praticamente não aumentaram em comparação a igual mês de 2015, em outubro mais que dobraram na comparação anual (alta de 116%), alcançando 24,8 mil toneladas.

No acumulado do ano, contudo, o volume exportado pelo País, 444,3 mil toneladas, é 2,85 inferior ao registrado em igual intervalo de 2015.Com relação aos estoques de produtos intermediários para fertilizantes e formulações NPK, os mais recentes dados divulgados pela Anda ainda referem-se a 31 de dezembro de 2015, quando as reservas do País somavam 5,404 milhões de toneladas (-4,5% ante 2014).

Fonte: Globo Rural

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Pecuária

Preço do leite para o produtor tem segundo mês de queda – Globo Rural

A produção em alta e as importações ainda em grandes volumes explicam este cenário

Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo
Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo

Segundo mês de queda no preço do leite pago ao produtor. Segundo levantamento da Scot Consultoria, a média nacional ficou em R$1,178 por litro, sem o frete. A queda foi de 1,2%, em média, no pagamento de outubro (produção de setembro), frente ao pagamento de setembro. Os recuos chegaram a 3,5% no Paraná e 4,7% em Rondônia.

Com as quedas nos preços dos lácteos no atacado, persiste a pressão da indústria sobre a cotação do leite ao produtor. A produção em alta e as importações ainda em grandes volumes explicam este cenário de queda que deverá perdurar no próximo mês (safra).

Do lado da produção, segundo o Índice Scot Consultoria de Captação, na média nacional, a produção aumentou 0,4% em setembro, em relação a agosto. Para outubro é esperado crescimento de 0,2% no volume, segundo dados parciais.

Para o pagamento de novembro (produção de outubro), 77% dos laticínios pesquisados acreditam em queda de preços ao produtor, 16% falam em manutenção e os 7% restantes acreditam em alta.

No mercado spot, os preços caíram na primeira e segunda quinzenas de outubro. Na segunda quinzena de outubro, os recuos foram maiores em Minas Gerais (4,3%) e Goiás (4,9%), e menores em São Paulo (1,0%).

A expectativa é de que os preços continuem pressionados, porém, as quedas deverão ser comedidas daqui para frente, visto a forte desvalorização nas últimas quinzenas.

Fonte: Globo Rural

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