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Agricultura

Produtores esperam colher até 140 sacas de milho por hectare, no Pará

Enquanto a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma queda de 17,5% na produtividade do milho de segunda safra no país, com média de 75 sacas por hectare, alguns produtores da região de Santarém, no oeste do Pará, esperam colher a melhor safra da história.

milho-lavoura-para (Foto: Agnelo França Correia/Arquivo Pessoal)
Lavoura de milho na região de Santarém, no Pará. Produtores esperam colher entre 130 e 140 sacas por hectare na 2ª safra 2020/2021 (Foto: Agnelo França Correia/Arquivo Pessoal)

Gabriel Stefanelo, produtor em Mojuí dos Campos e Belterra, antes distritos de Santarém, diz que, diante da expectativa de alta rentabilidade do grão, seu grupo familiar decidiu investir mais no milho de segunda safra neste ano e se deu muito bem porque a chuva tem sido generosa. Para julho, são esperados 129 mm de chuva. No ano, historicamente, Santarém recebe 3.109 mm.

“Já tivemos recorde na soja e agora, embora tenhamos a limitação de produzir em altitudes de até 170 m, devemos bater o recorde de  produtividade do milho, colhendo de 130 a 140 sacas por hectare na área de maior investimento. Na média, devemos ficar entre 90 e 100 sacas”, diz o produtor e engenheiro agrônomo, filho de um casal gaúcho de agrônomos que se mudou para o Pará em 1997 para trabalhar com arroz e hoje, além do arroz, soja e milho, cultiva milheto, gergelim e painço em uma área de 3.500 hectares.

O também gaúcho Agnelo França Correia é produtor de grãos e criador de gado de corte em Mojuí há 21 anos. Ele cultiva 1.000 hectares e também projeta uma produtividade de 120 a 130 sacos de milho nesta safrinha. Correia diz que não faltou chuva em nenhum momento e a colheita, que começa em agosto, deve ser muito boa.

O presidente do Sindicato Rural de Santarém, Sergio Sirsan, diz que a média da região, que planta cerca de 75 mil hectares de milho safrinha, deve ficar abaixo das 80 sacas, mas destaca que os produtores que investem mais em tecnologia vêm colhendo bons resultados.

Vanderlei Silva Ataídes, presidente da Associação dos Produtores de Soja, Milho e Arroz (Aprosoja) do Pará, conta que o Estado tem quatro regiões produtoras de grãos e a de Santarém tem se destacado na produção de milho segunda safra. Tanto que o lançamento da colheita neste ano vai ocorrer por lá no dia 21 de agosto. “Santarém é uma região privilegiada pelas chuvas e consegue boa produção de milho safrinha. Já Paragominas, maior pólo de grãos do Estado, planta milho verão.”

Pelos dados do mais recente levantamento da Conab, a área plantada de milho segunda safra do Pará cresceu 26%. A produção deve ser de 367,5 mil toneladas, ante as 339,4 mil do período anterior. Contando as duas safras, o Estado tem área plantada de 230,6 mil hectares (21,2% maior que a anterior) e uma produção de 974 mil toneladas ou 16,7% superior à safra 2019/2020.

Ataídes diz que a maior frustração dos paraenses neste ano ocorreu com a safra de soja. “A gente esperava colher 70 sacas por hectare, depois caiu para 58 e fechou com uma média geral de 52 sacas. A chuva foi razoável, mas a maior parte dos produtores registrou quebra. Estamos nos perguntando ainda o que aconteceu.

O Pará tem uma área plantada de quase 750 mil hectares de soja. A expectativa, segundo Ataídes, é romper em poucos anos a barreira de 1 milhão de hectares. “Estamos avançando muito e já está faltando terra para atender à demanda”, diz.

 

Por: Globo Rural

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Agronotícias

Período de maior potencial de desenvolvimento em Cana-de-açúcar irrigada

O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares plantados com cana-de-açúcar.

No entanto, apesar de sermos o maior produtor de cana do mundo, a nossa produtividade é relativamente baixa quando comparada a outros países produtores. Por exemplo, na última safra, o Brasil produziu aproximadamente 77 ton/há, enquanto países como Colômbia e Guatemala produziram 118 ton/há e 88 ton/há, respectivamente.

Muito se discute sobre os vários modos de manejo e tecnologias para o aumento da produtividade. Em várias reuniões técnicas, foi ressaltado que o clima representa 50% das condições que impactam na produtividade de cana-de-açúcar e que, os demais fatores se distribuem entre variedades, fertilidade do solo e fatores biótipos. No entanto, erroneamente esquecemos que o clima não é simplesmente o volume de chuva, mas também, outras variáveis, como: insolação solar e temperatura; e que esses fatores estão totalmente interligados com os demais, levando a um ambiente propício para o desenvolvimento da cultura.

Conhecer o período de maior propensão ao crescimento vegetativo da cana é de extrema importância para planejar seu manejo. Realizar o melhor manejo de adubação da cultura (estimulação nutricional), melhor época de plantio, o tipo de irrigação a se adotar, manejo de maturação e a época de colheita.

Após alguns levantamentos de dados de estações meteorológicas nas regiões sudeste e centro-oeste do país, podemos observar o gráfico abaixo referente ao potencial de crescimento dentro do ciclo da cana-de-açúcar, quando avaliados fatores climáticos.

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Gráfico 01. Potencial de crescimento de cana-de-açúcar na região sudeste do Brasil
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Gráfico 02. Potencial de crescimento de cana-de-açúcar na região central do Brasil

O que podemos observar nos gráficos é que a cultura tem um potencial de crescimento muito maior entre os meses de setembro a abril, e que esse potencial diminui nas regiões entre os meses de maio a agosto.

Podemos concluir que as ações voltadas ao desenvolvimento da cana-de-açúcar devem ser realizadas nesse período, deixando o período de menor desenvolvimento voltado para a colheita.

Temos que considerar outro fator, no segundo semestre, nas duas regiões (sudeste e centro-oeste), é quando ocorre o maior déficit hídrico, e coincide com o período de grande, ou senão de maior crescimento e isso demonstra a grande necessidade do uso da irrigação nesse período.  Principalmente o uso de tecnologias que permitam a irrigação em cana grande e também, o parcelamento nutricional (nutrirrigação), como no caso do sistema de irrigação por gotejamento.

Fonte: Portal do agronegócio.

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Pecuária

Agropecuária foi o único setor que cresceu no PIB de 2020; entenda

Atividade avançou 2% em relação a 2019, apoiada em safra e preços recordes e demanda aquecida. Expectativa é de mais crescimento este ano, apesar de preocupação dos produtores com clima e custos.

Em ano de fortes perdas geradas pela pandemia do coronavírus, a agropecuária foi o único dos três grandes setores da economia (serviços e indústria) que cresceu em 2020.

Em relação a 2019, o segmento avançou 2%, em meio ao tombo recorde de 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB), mostram dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (3).

Com este resultado, a agropecuária aumentou a sua participação no PIB brasileiro de 5,1% em 2019, para 6,8% em 2020.

Segundo o IBGE, essa alta ocorreu pelo crescimento e ganho de produtividade das lavouras, com destaque para a soja (7,1%) e o café (24,4%), que alcançaram produções recordes na série histórica.

Por outro lado, no 4º trimestre de 2020, em relação a igual período de 2019, o agro teve variação negativa de 0,4% por perdas em culturas como a laranja (-10,6%) e o fumo (-8,4%).

Produtores e economistas consultados pelo G1 afirmam que os fatores ajudaram a impulsionar o agro em 2020 foram:

.A safra recorde de grãos de 257,8 milhões de toneladas em 2019/2020;
.Investimento dos produtores em pacotes tecnológicos avançados – sementes, defensivos, fertilizantes e rações de maior qualidade;
.Clima favorável;
.Demanda externa aquecida – receio de desabastecimento de alimentos por causa do fechamento de fronteiras impulsionou importações dos países. E Brasil é um grande exportador do setor;
.Agro foi considerado uma atividade essencial durante a pandemia para evitar falta de mantimentos;
.Auxílio emergencial aqueceu a demanda interna;
.Valorização do dólar em relação ao real impulsionou exportações do agro;
.Recomposição do rebanho suíno chinês após peste suína africana puxou vendas de soja e milho do Brasil – grãos viram ração para os animais;
.Aumento da produção e exportação de carnes.

E 2021?

Para este ano, a expectativa é de mais crescimento, apesar de algumas preocupações dos produtores com o clima e custos de produção.

Consultado pelo G1, o economista Renato Conchon, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), espera que a agropecuária avance mais 2,5% no PIB de 2021, apoiada na expectativa de mais uma safra recorde de grãos, estimada em 268,3 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até o momento.

“A colheita de grãos deve ser maior este ano do que em 2020, mas ela não deve vir tão boa quanto se esperava por questões climáticas e estabilização dos preços”, diz Talita Pinto, pesquisadora do FGVAgro.

Os fatores que preocupam os produtores são:

.O atraso na colheita de soja que postergou o plantio de milho;
.Chuvas intensas na colheita que estão prejudicando a qualidade da soja em alguns locais do país;
.Alta do dólar aumentou custo de importação de insumos, como fertilizantes e defensivos;
.Preços elevados da soja e milho pressionam o custo da ração animal;

Apesar disso, economistas avaliam que as expectativas de crescimento para o PIB agropecuário e para a safra de grãos continuam muito positivas para o ano.

Agro: ‘ilha da prosperidade’

 

Soja — Foto: Divulgação/Confederação Nacional da Agropecuária
Soja — Foto: Divulgação/Confederação Nacional da Agropecuária

Zilto, que também é diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), afirma que as chuvas comprometeram a qualidade da soja nesta safra.

E que, diante deste cenário, prevê uma diminuição de 25% a 30% na produtividade da sua plantação. O que significa que ele espera colher menos grão por hectare.

O PIB calculado pelo IBGE leva em conta somente o que é produzido dentro das fazendas. Mas se colocar nessa conta tudo o que acontece da porteira para a fora, o crescimento do agro pode ter sido bem maior em 2020, e ter alcançando 19%, estima Talita, pesquisadora da FGV.

A projeção dela é para o PIB do agronegócio calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a CNA.

Esse indicador leva em conta o movimento de toda a cadeia do setor: insumos, agroindústria e serviços, que não pararam durante a pandemia, já que foram considerados atividades essenciais.

De janeiro a novembro de 2020, o índice expandiu 19,66%, contra o mesmo período de 2019. “Uma grande ilha de prosperidade para a economia brasileira”, comenta Guilherme Bellotti, gerente de consultoria de Agronegócios do Itaú BBA.

“Apesar de todas as preocupações da pandemia, as pessoas continuam comprando comida. Elas podem substituir, por exemplo, uma carne de boi por frango ou porco, que seria mais barato, mas, ainda assim, continuam comprando”, diz Talita, da FGV.

Este cenário, somado à valorização do dólar em relação ao real, puxou as exportações do agronegócio brasileiro, que chegaram a US$ 100,81 bilhões em 2020, segundo maior valor da série histórica, atrás somente de 2018.

As vendas externas foram puxadas, principalmente, pela soja. Somente a China comprou 73,2% do grão nacional.

“Algo importante que tem puxado as exportações brasileiras é a recomposição do rebanho suíno chinês, depois de uma liquidação que teve entre 2018 e 2019”, diz Bellotti, do Itaú.

“Essa recomposição está ocorrendo baseado em um modelo de produção mais industrial, que depende de ração. E ração é basicamente farelo de soja e milho”, acrescenta.

A redução do rebanho suíno aumentou também a demanda chinesa por proteínas animais, o que favoreceu, mais uma vez, o Brasil. Em 2020, o país bateu recorde de exportação de carne bovina e suína.

Quem ficou de fora?

Por outro lado, o economista da CNA, Renato Conchon, lembra que nem todas as atividades do agro conseguiram se beneficiar do dólar alto.

“O real desvalorizado oferece mais renda aos produtores exportadores, e temos muitos produtores que destinam alimentos ao mercado interno, como hortaliças e frutas”, ressalta.

Outras atividades sofreram bastante no início da pandemia. É o caso do setor de flores, por exemplo, que costuma vender mais no Dia das Mães, em maio, período em que medidas de restrição de circulação e de isolamento social estavam em curso em boa parte do país.

“Naquele momento, houve uma redução do consumo de lácteos também e deixou-se de comprar leite dos produtores rurais”, lembra Renato.

Clima e investimentos

No campo, os agricultores também foram “coroados” por um clima bom durante toda a safra de grãos de 2019/20.

“O produtor fez um planejamento que deu tudo certo. Ele investiu em um pacote tecnológico avançado: isso quer dizer que ele utilizou sementes, fertilizantes e defensivos de maior qualidade, o que gerou uma maior produtividade”, diz o economista da CNA, Renato Conchon.

Atraso nas lavouras

Mas, neste ano, o clima tem preocupado os produtores. A seca em setembro de 2020 atrasou o plantio de soja em Mato Grosso e no Paraná, principais estados produtores e que “dão a largada” na semeadura do grão.

Já as chuvas intensas estão prejudicando a colheita neste início de ano, pois há dificuldade para avançar com as máquinas nas lavouras. E, com isso, o plantio do milho também está sendo postergado.

“Eu tive 30 dias de atraso no plantio [de soja], e mais 15 dias na colheita. Então, grosso modo, nós temos um atraso de 40, 45 dias no plantio do milho”, diz o produtor rural do município de Cláudia (MT), Zilto Donadello.

Plantio do milho atrasou 45 dias na propriedade de Zilto Donadello — Foto: Arquivo pessoal
Plantio do milho atrasou 45 dias na propriedade de Zilto Donadello — Foto: Arquivo pessoal

“Se as condições climáticas não melhorarem durante o [cultivo do] milho segunda safra, a gente pode ter uma redução da quantidade produzida ao longo de 2021”, diz o economista da CNA.

Ele reforça, porém, que as expectativas para o setor continuam muito positivas, diante da demanda internacional aquecida e projeção de safra recorde.

Em resposta ao G1, a Conab diz que, “até o presente momento”, não tem informações de que o atraso nos cultivos de soja e milho possa impactar “a produção estimada para estas duas culturas”.

Renda

Zilto acrescenta ainda que produtores que venderam a soja antecipadamente não têm se beneficiado dos preços recordes da oleaginosa.

“Eu comecei minhas vendas com R$ 78, R$ 80 [a saca] e terminei de vender por cerca de R$ 92, R$ 94. Pelo menos eu consegui cumprir meus contratos […] Mas essa rentabilidade que está no mercado eu não vou ter”, diz.

A saca de 60 kg de soja fechou a terça-feira (2) cotada a R$ 168,96, segundo o Cepea.

Custos de produção

Se, por um lado, a valorização do dólar tem remunerado bem os produtores, por outro, deve aumentar os gastos para produzir neste ano, afirma o economista da CNA.

“O custo de produção da safra 2020/2021 subiu significativamente com a desvalorização do real em relação ao dólar. Com isso, fica mais caro importar insumos. 85% do fertilizante que a gente usa, por exemplo, é importado. E temos defensivos que são atrelados o câmbio também”, diz Conchon.

O pecuarista Aldo Rezende Telles, presidente da Associação dos Criadores Nelore de Mato Grosso (ACNMT), conta que os gastos de alguns criadores para engordar o gado também aumentaram.

O setor tem sido bem remunerado na venda do boi gordo e o preço da arroba chegou a bater recorde em fevereiro.

“Dá uma aparência que é bom, mas os custos de produção estão crescendo. […] Se usa milho e o caroço de algodão [para a ração], por exemplo. Nós compramos o caroço de algodão a R$ 420 a tonelada no ano passado, hoje ele custa R$ 1.150”, diz.

Aldo Rezende Telles, pecuarista de Mato Grosso e presidente da Associação dos Criadores Nelore de Mato Grosso (ACNMT) — Foto: Arquivo pessoal
Aldo Rezende Telles, pecuarista de Mato Grosso e presidente da Associação dos Criadores Nelore de Mato Grosso (ACNMT) — Foto: Arquivo pessoal

“Mas, na minha propriedade, estamos indo razoavelmente bem, porque sobrou muito produto do ano anterior. Então vai pesar para a gente na hora de voltar a comprar os produtos as próximas safras. Nós temos trato até junho”, diz Telles.

Para o economista da CNA, o aumento dos custos pode impactar mais o PIB agro de 2022 do que o deste ano.

Baixa oferta de carne

Telles menciona ainda que há, atualmente, no mercado uma baixa oferta de gado para a produção de carnes.

“Do ano passado para cá, o bezerro valorizou muito, então o pessoal deixou de matar vaca. Em vez de abater [a vaca], leva ela para o pasto e insemina para ter produção. Por isso que tem baixa oferta”, diz Telles.

Apesar deste cenário, o consultor de agronegócios do Itaú, Guilherme Bellotti, diz que, diante da demanda internacional aquecida, o setor de carnes, em geral, deve ter crescimento este ano.

“Com relação à carne bovina, provavelmente a gente deve ter um nível de produção oscilando ao redor do que foi 2020”, diz Bellotti.

Segundo a pesquisadora da FGVAgro, Talita Pinto, a produção de carne bovina alcançou 10,1 milhões de toneladas no ano passado, mas deve avançar para 10,5 milhões este ano.

Por: G1

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Agronegócio

Oferta de fretes do agronegócio registra alta de 84% no 3º trimestre de 2020

Estudo da FreteBras aponta aumento de 171% na oferta de fretes do setor na região Sudeste entre o segundo e o terceiro trimestres deste ano.

Foto: AFP

A oferta de fretes do agronegócio aumentou 84% no terceiro trimestre ante igual período de 2019, aponta estudo da plataforma online de transporte de cargas FreteBras, antecipado com exclusividade. O crescimento ficou atrás apenas do registrado pelo setor de construção civil, de 116% na mesma base de comparação, mas superou o incremento de 79% em produtos industrializados, de acordo com o “Relatório do Setor de Transporte de Cargas do 3º Trimestre de 2020”, da FreteBras.

No agronegócio, além do crescimento na comparação anual, o estudo apontou aumento de 171% na oferta de fretes do setor na região Sudeste entre o segundo e o terceiro trimestres deste ano. Segundo o diretor de Operações da FreteBras, Bruno Hacad, fertilizantes representaram 25% das ofertas de fretes do agro na plataforma de janeiro a setembro.

“A soja e o milho também colaboraram com o setor, graças às safras recordes no ano e ao grande volume de exportação”, disse Hacad, em comunicado.

Ainda conforme a FreteBras, a oferta total de fretes no Brasil cresceu 85% no terceiro trimestre ante igual período do ano passado apesar do cenário econômico desfavorável em virtude da pandemia do novo coronavírus. Ao comparar o desempenho do setor de cargas no decorrer do ano, o relatório indica tendência de retomada, segundo a empresa. De acordo com Hacad, no segundo trimestre, a oferta de fretes caiu 8% em relação ao primeiro trimestre, em especial no mês de abril, com medidas mais rígidas de isolamento social por conta da covid-19. “Porém, vemos agora um crescimento expressivo de aproximadamente 102% na comparação entre o terceiro e o segundo trimestres, o que nos traz boas perspectivas para o setor”, disse o executivo.

Entre os Estados com maior oferta de fretes na plataforma, São Paulo lidera com 25% de participação, impulsionado pelo transporte de máquinas e equipamentos, fertilizantes e alimentos. Em seguida, aparece Minas Gerais (15%), com destaque para o transporte de cimento, siderúrgicos e alimentos. Na terceira posição, está o Paraná, que representa 13% das ofertas de frete, com destaque para o transporte de milho, fertilizantes e alimentos.

Quanto aos portos de destino das ofertas de frete, os destaques são Rio Grande (RS), Rio de Janeiro (RJ), Paranaguá (PR), Santos (SP) e Itaqui, em São Luís (MA). Juntos, esses portos tiveram aumento de 71% na oferta de fretes na comparação do período de janeiro a setembro de 2020 ante igual intervalo de 2019. O Porto de Rio Grande registrou o crescimento mais expressivo (151%), liderado pelo transporte de soja. A oleaginosa, junto com o milho, representou 70% dos fretes em Rio Grande, Paranaguá e Santos, “reforçando o protagonismo do agronegócio na balança comercial do País”, segundo a FreteBras.

O preço médio de fretes aumentou 3% no terceiro trimestre ante igual período de 2019, conforme o levantamento. O Centro-Oeste foi a região com o preço médio mais alto, de R$ 4,79 (cotação do km rodado por eixo), enquanto o Nordeste teve a média mais baixa, de R$ 3,77.

Segundo a plataforma, muitos caminhoneiros iniciaram a busca de fretes pela internet com o distanciamento social causado pela pandemia. “A FreteBras alcançou a marca de 4 milhões de fretes publicados nos primeiros nove meses deste ano, número 60% maior que o registrado no mesmo período do ano passado, totalizando R$ 40 milhões em fretes distribuídos aos caminhoneiros”, disse Hacad.

Os números da pesquisa foram levantados por meio da plataforma da FreteBras que, segundo a empresa, tem mais de 420 mil caminhoneiros cadastrados. A plataforma informa ter mais de 10 mil transportadoras assinantes, que publicam em torno de 600 mil fretes por mês.

Fonte: Estadão Conteúdo.

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Exportações

Comercialização de soja se mantém acima da média histórica, diz Safras

Soja no Porto de Paranaguá (Foto: Nájia Furlan/Portos do Paraná)
Soja no Porto de Paranaguá (Foto: Nájia Furlan/Portos do Paraná)

A comercialização antecipada da safra de soja 2020/2021 chegou a 43,3%, de acordo com levantamento da consultoria Safras & Mercado, com base em informações até a última sexta-feira (7/8). A proporção corresponde a 57,049 milhões de toneladas, tomando como referência uma projeção de safra de 131,691 milhões.

De acordo com a consultoria, na semana anterior, o nível de comercialização antecipada da safra estava em 39,8%. No mesmo período em 2019, a proporção era de 15,7%. A média histórica para essa época do ano é de 16% vendidos.

 

2019/2020

Já em relação à safra 2019/2020, a venda é estimada pela consultoria em 95,7% até o dia 7 de agosto. A proporção corresponde a 119,578 milhões de toneladas, tomando por base uma produção estimada em 124,913 milhões.

Na semana anterior, o nível de comprometimento da produção colhida no início deste ano era de 92,9%. No mesmo período em 2019, a proporção era de 78% e a média para está época do ano é de 81% comprometidos.

Por: Redação Globo Rural

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Agroeconomia

Soja: Safras & Mercado indica produção do Brasil em 106,085 mi de t em 2016/17 – Notícias Agrícolas

Fonte: Internet

Na comparação com o relatório anterior, houve uma elevação de 2,5%. Em outubro, a estimativa era de 103,477 milhões de toneladas. “Os dois principais estados produtores do Brasil tiveram elevações em suas expectativas de produção, refletindo, principalmente, o bom desenvolvimento das lavouras até o momento. Tais elevações naturalmente impactam de forma importante o potencial produtivo do país. A safra brasileira é promissora”, disse o analista de SAFRAS & Mercado, Luiz Fernando Roque.

 SAFRAS indica uma área plantada de 33,574 milhões de hectares, crescendo 1,2% sobre o total cultivado em 2015/16, de 33,015 milhões de hectares. A produtividade deverá passar de 2.943 quilos para 3.176 quilos por hectare.

 A produção do Mato Grosso deverá passar de 27,558 milhões para 29,691 milhões de toneladas, com aumento de 8%. No Paraná, o aumento será de 7%, passando de 16,595 milhões para 17,831 milhões de toneladas. A safra gaúcha deverá totalizar 16,479 milhões de toneladas, com aumento de 1% sobre o ano anterior.

 No Paraná, a área deve cair, com o milho ganhando mais área do que o esperado inicialmente. A proibição da safrinha de soja também colaborou para a queda na área total da oleaginosa. “Apesar disso, o ótimo desenvolvimento da safra paranaense até o momento traz uma elevação para a estimativa de produtividade, impactando positivamente o potencial produtivo do estado”, avalia.

No Mato Grosso, apesar de pequeno frente ao potencial, o aumento da área de soja foi maior do que o esperado inicialmente. O bom desenvolvimento das lavouras até o momento também impactou positivamente a estimativa de produtividade para o estado, elevando a expectativa de produção do maior estado produtor do país.

Fonte: Notícias Agrícolas

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Agroeconomia

Faturamento com exportação do complexo soja do Brasil deve voltar a crescer em 2017 – Notícias Agrícolas

As divisas geradas com as exportações de soja em grão, farelo e óleo, que têm liderado a pauta exportadora do Brasil, deverão voltar a crescer em 2017, apesar de preços internacionais mais baixos diante de grandes safras nos últimos anos e indicações de novas colheitas recordes nos principais produtores do mundo.

sojaA projeção, divulgada na quinta-feira pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), indica que o faturamento com os embarques do chamado complexo soja deverão atingir 25,9 bilhões de dólares em 2017, ante 25,7 bilhões na projeção para este ano. Em 2015, quando os preços estavam mais altos, somaram 27,96 bilhões e em 2014 um recorde de 31,4 bilhões de dólares.

Os preços da soja no mercado internacional continuam deprimidos, mas um volume recorde de exportações de soja em grão e farelo pelo Brasil no ano que vem deverá evitar uma nova queda anual no faturamento.

Os contratos futuros da soja, negociados na bolsa de Chicago, referência global, estão sendo negociados um pouco acima da mínimas desde 2009 registradas no começo deste ano, quando foram cotados a cerca de 8,50 dólares por bushel. Nesta quinta-feira, operavam em aproximadamente 9,5 dólares por bushel.

“Porque a safra dos Estados Unidos é muito grande, e o Brasil também deve colher uma safra grande. Levou o mercado a um patamar mais baixo”, disse o secretário-geral da Abiove, Fábio Trigueirinho.

Segundo ele, o mercado já absorveu uma “parte razoável” dessas projeções de safras de Estados Unidos e Brasil, os dois maiores produtores globais de soja.

A indústria de soja tem liderado as divisas geradas com as exportações do Brasil desde que os preços do minério de ferro ficaram mais baixos, com um excedente global gerado por expansões de capacidade das grandes mineradoras, incluindo a brasileira Vale, maior produtora global da commodity.

Do total das divisas geradas, a soja em grão responde pela grande maioria do faturamento, ou 19,95 bilhões de dólares projetados para 2017. Os preços de exportação, no entanto, ficarão em 350 dólares por tonelada em média, ante 370 dólares neste ano.

Por Roberto Samora

Fonte: Notícias Agrícolas

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Agronotícias

Quatro safras por ano – Globo Rural

Ele dedicou a vida a desenvolver técnicas agronômicas para recuperar solos do Cerrado e aumentar a produtividade de lavouras até que criou a integração lavoura-pecuária-floresta

Lá vem ele: jeitão simples, agitado, divertido, cabelos bem loiros despenteados, camisa, calça e sandálias. Por onde o agrônomo João Kluthcouski – JoãoK no mundo do agronegócio – passa, deixa uma lição, que pode ser sobre o solo, sobre o meio ambiente ou sobre a ciência. Dedicou toda a sua vida profissional, que começou em 1970 na Universidade de Pelotas (RS), a pesquisar e, de tanto fazê-lo, tornou-se um especialista, um construtor de solos.

Cientista agrícola da Embrapa Arroz e Feijão, com sede em Santo Antonio de Goiás (GO) desde 1974, e com um currículo de 45 páginas, JoãoK atua na área de recuperação de solos desde o começo da década de 1980. Estava presente na edição número 1 de Globo Rural, em 1985, mostrando como os agricultores-leitores poderiam preparar o solo para o plantio com aragem e gradagem, uma revolução para o período. Naquela época, nem ele mesmo sabia que estas técnicas se tornariam parte de sua mais brilhante tese, a da integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Hoje, JoãoK é o expoente desse sistema, capaz de recuperar solos degradados, e oferecer ao produtor rural, quatro safras por ano. “Com esta técnica, o Brasil pode assombrar o mundo com a produção agropecuária”, afirma.

JoãoK está aperfeiçoando a técnica ILPF faz muitos anos. Vive sua vida para isso. Desde o começo da carreira, busca formas de manejo nas lavouras de grãos do Cerrado que evitam o desgaste do solo. Mais ainda, com o passar dos anos, dedicou-se a buscar soluções para recuperar os solos deste ecossistema. “Com a prática no campo, percebemos como o consórcio de culturas anuais com forrageiras em áreas de lavoura, tanto em sistemas de plantio direto como convencional, poderiam ajudar o solo a recuperar suas perdas, acumuladas ao longo de anos de uso extensivo”, diz o cientista, que nos anos 1980, criou o chamado Sistema Barreirão. “Foi o início de tudo”, lembra.

O Barreirão é uma das tecnologias desenvolvidas por ele para recuperar e renovar pastagens em consórcio com culturas anuais. Arroz, milho, sorgo, milheto com forrageiras, leguminosas forrageiras. Para JoãoK, tudo é válido. “O Barreirão criou uma opção de recuperação de pastagens e proporcionou a expansão das potencialidades da área para o cultivo de arroz de sequeiro, mas outras culturas foram inseridas no sistema para superir as necessidades do pecuarista”, explica. A técnica ganhou esse nome porque JoãoK foi testa-la na Fazenda Barreirão, que fica em Piracanjuba, também em Goiás.

De lá, anos depois, passou a usar seus conhecimentos na Fazenda Santa Fé, em Santa Helena de Goiás, e testando e experimentando, criou o revolucionário Sistema Santa Fé ou a Integração lavoura-pecuária (ILP). Essa tecnologia é baseada no consórcio de cultivos anuais como soja, arroz, milho, sorgo com plantas forrageiras, especificamente a braquiária. “Eu fico até emocionado ao ver o serviço ambiental que este capim presta ao solo”, diz o cientista. E ele fica mesmo, porque JoãoK trata o seu trabalho no campo com um amor incondicional. “Inicialmente, foi criado com o objetivo de recuperar pastagens, mas depois, percebemos que era um sistema que fornecia forrageiras e culturas anuais aos animais.”

O próximo passo de JoãoK no aperfeiçoamento do sistema aconteceu em Ipameri (GO). Na Fazenda Santa Brígida, ele implementou o que todo produtor rural gostaria de ter, um sistema que permite quatro safras por ano e pastos recuperados com o menor custo possível. “A ILPF é uma evolução do Santa Fé porque além dos que já fazíamos na integração da lavoura com a pecuária, adicionamos o elemento florestal”, explica. “O pasto degradado, virou solo fértil. Há uma safra de soja, uma de milho, uma de boi e uma de braquiária. É incrível”, ressalta o agrônomo, que é descendente de ucranianos (daí o sobrenome complicado).

A ILPF funciona assim: em solos degradados, o plantio de grãos (soja ou milho) consorciado com a braquiária traz de volta à terra exaurida os nutrientes perdidos, sobretudo o nitrogênio. A cada safra, as raízes conseguem penetrar mais o solo e buscar as ‘vitaminas’ necessárias para aumentar a produtividade das lavouras. “é um esquema: planta e colhe a soja. Planta milho e capim, colhe o milho e deixa o capim. Bom, aí, você terá uma palhada farta e insere o gado, que engorda neste pasto nutritivo, mais rápido. Com seis, sete anos, você maneja o elemento florestal, que ficou anos capturando CO² para crescer”, diz JoãoK, quase lágrimas de emoção nos olhos. “Eu fico emocionado mesmo em ver esse sistema”, admite.

Hoje, de acordo com a Rede de Fomento à Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, estima-se que existam no Brasil cerca de 3 milhões de hectares cultivados com esse sistema. Ainda não há dados concretos nem oficiais sobre o tamanho desta área. “Mas te garanto que não é só no Cerrado que podemos fazer isso, recuperar a pastagem degradada, diversificar o negócio da propriedade e ainda, produzir mais, muito mais alimentos, na mesma área onde antes só se produzia gado. Ou nem produzia mais gado de tão degradado que estava.”

O sonho de JoãoK é ver o Brasil crescer, nos pastos, com o sistema ILPF. “É porque é um sonho viável e que será muito benéfico, não somente para a economia do país como um todo, mas para todos os agricultores e produtores rurais brasileiros, que hoje já entenderam que uma economia de baixo carbono, sustentável, é o futuro. E nós podemos sim, assombrar o mundo com esse sistema”.

Por Viviane Taguchi

Fonte: Globo Rural

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Agroeconomia

Preço da soja sobe, mas efeito no Brasil é limitado, diz Cepea – Globo Rural

Indicador do Cepea registra elevação na última semana, mas ainda não reverte baixa acumulada no mês de julho

Fonte: Internet
(Foto: José Medeiros/Ed. Globo)

 

Um mercado global mais aquecido e a expectativa de um consumo recorde nas safras 2015/2016 e 2016/2017 ditaram o ritmo dos preços internacionais da soja na última semana. É o que informa, nesta segunda-feira (18/7), o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

“Além disso, previsões de clima quente e baixo volume de chuva nos EUA para as próximas semanas, quando as lavouras entram em importante fase de desenvolvimento, também influenciaram as altas”, informam os pesquisadores.

No mercado brasileiro, entre os dias 8 e 15 de julho, o indicador do Cepea, com base no Porto de Paranaguá (PR), teve alta de 1,7%, fechando R$ 89,17 a saca de 60 quilos. A referência com base na média de negócios no Paraná subiu 1,6% no período, chegando a R$ 84,42 a saca.

No entanto, o efeito dessas altas da semana passada sobre os preços internos foi limitado, segundo a instituição. A desvalorização do dólar em relação ao real desfavorece as exportações do grão e inibe negócios. Vendedores estão retraídos e compradores demonstram certa apreensão com os preços, afirmam os pesquisadores.

A elevação nos indicadores da última semana ainda não foi suficiente para reverter a baixa acumulada neste mês. Até a última sexta-feira, o indicador do Cepea base Paranaguá tinha queda de 3,09%. A referência baseada na média do Paraná caiu 2,72% até o dia 15. Ainda assim, as cotações se mantêm em níveis considerados elevados, variando entre R$ 84 e R$ 90 a saca de 60 quilos.

Fonte: Globo Rural