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“Temos tecnologia, terra e gente”, diz Roberto Rodrigues

Lideranças do setor discutiram o agro no cenário de pandemia e as possibilidades para o setor.

Imagem: Eliza Maliszewsk

A pandemia de coronavírus afetou as atividades em muitos países mas o agronegócio brasileiro se saiu muito bem. As exportações do setor bateram recorde em 2020 e somam US$ 42 bilhões, o maior valor já registrado para os primeiros cinco meses do ano, respondendo por 23% do PIB. A previsão é de ultrapassar os US$ 100 bilhões. Nos anos 2000 somava apenas US$ 20 bilhões. Mesmo o PIB brasileiro caindo de 6 a 8 %, o agronegócio vai crescer 2,5%. Este cenário de desafios e superação durante a retração da economia mundial foi discutido em um webinar promovido nesta quarta-feira (08), pela Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham) por Roberto Rodrigues, atual coordenador de agronegócio da FGV e Lair Hanzen, Presidente para as Américas da Yara. A mediação ficou com Marcos Leandro Pereira, sócio fundador da RCA Governança & Sucessão.

Com a pandemia outro tema veio a tona: a segurança alimentar. A preoupação que surgiu na Europa pós-guerra e garantiu comida para todos cidadãos europeus. O objetivo inicial era somente abastecer. Como tudo passou esse tema ficou esquecido. Agora, mais do que nunca, a discussão é como manter o abastecimento não só neste mas nos próximos anos, onde a população deve crescer substancialmente.

“As pessoas perceberam que não precisam de automóvel, sapato, roupa nova mas precisam comer. Nosso setor ganhou importância e não pode parar. O Brasil foi o único país que aumentou as exportações, superando as dificuldades logísticas. Isso mostra nossa imensa capacidade e avançar nos mercados. Outros países não conseguiram”, destaca Roberto Rodrigues.

Para ele este momento trará algumas consequências que farão repensar o setor e projetar mais crescimento. A primeira é que todo mundo percebeu que tem que apoiar a agricultura, inclusive o setor urbano. A segunda foi a baixa em alguns setores como flores e HF que ainda buscam soluções, junto com o etanol. Como o consumo despencou e o preço caiu, a safra teve que se focar mais no açúcar. A terceira e mais importante, na visão do ex-ministro.é que haverá um novo protecionismo agrícola no mundo. “Alguns países estão evitando exportar excedentes para não faltar comida internamente e outros estão buscando taxar importações para incentivar produtores locais. Isso seguramente vai mexer com comércio global”, ressalta.

Agro do Brasil precisa crescer o dobro do mundial

O cenário é complexo mas beneficia o Brasil. O país alimenta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, 6 vezes mais do que a população brasileira, exporta para  mais de 150 países e gera 25% dos empregos. Rodrigues avalia que o Brasil é o país que tem o maior potencial para crescer na agricultura. Segundo projeções da FAO, OCDE e USDA para que não falte comida no mundo é preciso que a produção aumente 20% nos próximos 10 anos. “Pro mundo não é fácil. Estados Unidos vai crescer 10% e as outras potencias do agro menos de 9%. Isso coloca o Brasil num desafio de crescer 40% porque o mundo só será abastecido se nós ampliarmos nossa produção”, diz.

Ele lista três fatores que colocam o país como favorecido neste cenário e capaz de alcançar a meta de crescer 40%:

-Tecnologia: necessária para fazer crescer a produção. A cada ano o Brasil cultiva 65 milhões de hectares com grãos somadas todas as safras. Com eficiência produtiva é possível expandir sem desmatar.
-Terra: um estudo da Embrapa aponta que o Brasil tem 66% de seu território coberto de vegetação nativa; toda a agricultura brasileira ocupa apenas 8,5% e as pastagens 21%, portanto menos de 30% do total.
– Pessoal: país conta com muitos profissionais de diferentes áreas do setor que contribuem com pesquisa, inovação e novas formas de gestão.

“Somado a tudo isso estamos avançando em conectividade e agora temos digitalização, drones, máquinas que se comunicam no campo e isso vai possibilitar aprimorar a gestão aliado a uma ferramenta essencial que é muito forte no Brasil: o cooperativismo. As cooperativas incluem os pequenos agricultores, fundamentais na nossa atividade”, diz Rodrigues.

“Não tem como o mundo se alimentar sem o Brasil”

Lair Hanzen, que está a frente de uma das maiores empresas de fertilizantes do mundo, acredita que o desafio de aumentar a produção é grande mas totalmente possível. Para alimentar cerca de 9 bilhões de pessoas, nos próximos 50 anos o agronegócio terá que produzir tudo o que produziu nos últimos 10 mil anos somados.

“As perspectivas para nosso agro não poderiam ser melhores. Basicamente não tem como o mundo se alimentar sem o Brasil. Além de tecnologia, terra e pessoas temos 13% da reserva de água doce do mundo e clima favorável. Isso é nosso e daqui não sai e vai elevar nossa produção”, projeta.

O agro carrega não só segurança alimentar mas segurança nacional, sendo o único que cresce na crise, com empregos, metade do PIB.

O executivo traça dois outros caminhos que o setor tem a cumprir se quiser ser o número um. O primeiro é superar a imagem externa de que se produz desmatando. “A ilegalidade prejudica 99,9% dos que produzem dentro do respeito à natureza”, destaca.

O outro ponto está nas dificuldades administrativas como entraves de infraestrutura e logística e questões tributárias. “Hoje em fertilizantes importamos 75% do que usamos porque não há matéria-prima suficiente e estímulo em impostos para a produção local. O consumo do Brasil em fertilizantes cresce 3 vezes mais do que no mundo, acompanhando nossa agricultura. Que a iniciativa privada, o governo, façam sua parte para colocar o país onde precisa” diz.

Para Hanzen, além de políticas para o setor, as lideranças do agro precisam fomentar competitividade e sustentabilidade dentro da porteira, com aporte de tecnologia e conectividade e fora da porteira com diálogo. “Acho que a agricultura brasileira está melhor dentro da porteira do que fora. Não podemos forçar esse discurso de que o mundo precisa do Brasil e pronto,  porque sempre se acha solução”, defende.

Ele ainda acredita que esse é um momento de investimentos. “Investimos R$ 15 bilhões no Brasil nos últimos 10 anos e fizemos no meio da crise porque tem que se apostar em agricultura a longo prazo. Precisamos investir em fertilizantes locais para aumentar a competitividade do Brasil na produção e contar com a força empreendedora dos empresários do setor”, finaliza Hanzen.

Por: Agrolink

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Fatos e Acontecimentos

MUTAMBA: Prejuízo em fazenda incendiada passa de R$ 1 milhão

Bandidos atearam fogo na sede da propriedade, destruíram tratores, baias do curral, balearam um vigilante e levaram o que quiseram

Sede da fazenda Mutamba foi invadida e a polícia só apareceu para avaliar os danos milionários causados

Em entrevista ao Portal Correio de Carajás o pecuarista Mauro Mutran, revelou que o rastro de prejuízo deixado por bandidos que invadiram a fazenda Mutamba na madrugada deste domingo, 23 de julho, passa de R$ 1 milhão. Cerca de 60 incendiários colocaram fogo em casas, dois tratores, um caminhão basculante, entre outros bens da propriedade e saquearam o que quiseram, deixando o saldo de um vigilante baleado.

Com a voz embargada, Mauro Mutran lamentou que a presença de malfeitores aos redores da fazenda Mutamba tenha sido percebida pelo menos 24 horas antes do ataque. As autoridades da Delegacia de Conflitos Agrários (DECA) foram avisadas, mas não foram ao local para tentar evitar a invasão.

E o pior aconteceu. Na madrugada de sábado para domingo, como em filmes de faroeste, entraram na fazenda por todos os lados, intimidando com tiros, atearam fogo em várias casas e caminhões e balearam um vigilante, que foi trazido a um hospital de Marabá e continua internado.

Em maio deste ano, a Justiça determinou o revigoramento da ordem de reintegração de posse na Fazenda Mutamba. Um grupo que se intitula sem terra estava entrincheirado perto da cerca da propriedade e ameaçava invadir. “Em diversas ocasiões os vaqueiros encontraram gado morto no pasto, possivelmente pelo grupo que estava nos arredores”, conta Mauro Mutran.

O pecuarista disse que tentará marcar uma audiência com o governador do Estado, Simão Jatene, para apresentar a ele um dossiê dos crimes que a fazenda Mutamba vem sofrendo nos últimos anos. “Sempre acreditamos na Justiça. Enfrentamos um longo processo judicial, mas finalmente a propriedade foi declarada produtiva e seus documentos totalmente regulares”, observa Mauro Mutran.

Além de ver os animais que cria serem mortos de forma covarde permanentemente, o pecuarista avalia que nos últimos seis anos em que os ataques foram mais intensos, já foram derrubados mais de mil hectares de reserva legal para roubar madeira.

Segundo informações do delegado Alexandre Silva, da Delegacia de Conflitos Agrários de Marabá, a invasão teria sido uma retaliação após a Justiça ter determinado a retirada do grupo do local.

Os guardas que fazem a segurança da fazenda foram surpreendidos pelo grupo. “Eles não tiveram como reagir porque era muita gente, só deu tempo de salvar as famílias que estavam no local. A intenção não foi ferir ninguém e sim destruir a fazenda”, conta o delegado.

O caso está sendo investigado e peritos estiveram na manhã de domingo na fazenda para averiguar os estragos causados. Até o momento ninguém foi preso.

Ainda no domingo, o Sindicato dos Produtores Rurais de Marabá (SPRM) emitiu nota sobre o ocorrido na Fazenda Mutamba e atribuiu o ataque a integrantes de movimentos sociais denominados “sem terra” e afirmou que “ocorrências dessa ordem causam enorme desequilíbrio em nossa sociedade, pois seus efeitos vão muito além da ofensa praticada diretamente contra o produtor rural”.

Em outro trecho da nota, o SPRM afirma de forma veemente que o “descumprimento da lei em nosso estado está virando rotina, e a cada novo episódio sem a devida repreensão pelos poderes constituídos, vai promovendo a perda da sensibilidade em relação à ofensa às regras que definem ou deveriam definir o comportamento de cada um de nós”. (Ulisses Pompeu)

Fonte: Correio de Carajas