Tecnologias da Embrapa podem melhorar a produção da farinha mais famosa do Pará

A conquista do selo de indicação geográfica da Farinha de Bragança estimula a adoção de tecnologias e práticas agropecuárias de baixo custo que visam produtividade, segurança alimentar e sustentabilidade, propiciando aumento na renda e melhoria da qualidade de vida dos agricultores familiares que são os mestres na produção da farinha bragantina.

É mais uma vitória da culinária e cultura paraense com a tão famosa Farinha de Bragança que conquista o selo de indicação geográfica na modalidade Indicação de Procedência. Isso significa que essa farinha vai ser reconhecida no Brasil e no exterior pela qualidade e origem da cidade ou região onde é produzida. Com o selo, só é Farinha de Bragança aquela produzida nos municípios de Augusto Corrêa, Bragança, Santa Luzia do Pará, Tracuateua e Viseu.

A certificação, concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), será utilizada por todos os produtores que estejam produzindo nesses municípios e que terão seus produtos monitorados para padrão de qualidade junto a um conselho regulador. É garantia aos consumidores na compra de uma produto certificado e aos produtores, que terão seu trabalho reconhecido e com valor diferenciado no mercado.

O trabalho para a obtenção da indicação geográfica já durava uma década, liderado pela Cooperativa Mista dos Agricultores Familiares dos Caetés (Coomac) junto ao Fórum Estadual de Indicação Geográfica e Marcas Coletivas, do qual fazem parte diversas instituições, como MAPA, Universidade Estadual do Pará, Sebrae, Embrapa, entre outras.

De acordo com Sheila de Souza Corrêa de Melo, analista da Embrapa e membro no fórum, há dois tipos de Indicação Geográfica no Brasil: A Indicação de Procedência (IP) certifica a origem do produto, baseada na reputação da região, geralmente conhecida por fabricar determinado produto, ou prestar determinado serviço, a partir do histórico e da tradição locais. A segunda é a Denominação de Origem (DO), que é concedida quando as qualidades do produto sofrem influência exclusiva ou essencial das características daquele lugar, sejam fatores naturais, ambientais ou humanos, como o aroma e o sabor de um produto cultivado em determinado solo e clima.

“O IG da Farinha de Bragança é de Procedência, assim como o do Queijo do Marajó, obtido no mês de março deste ano. Com eles, já são quatro os produtos estaduais que têm selo de indicação geográfica na modalidade Indicação de Procedência: Cacau de Tomé-Açu (jan/2019), Guaraná nativo e bastão de guaraná da Terra Indígena Andirá-Marau (outubro/2020 – IG dividida com o Amazonas), Queijo do Marajó (março/2021) e Farinha de Bragança (maio/2021)”, informa Sheila Melo.

Farinha de Bragança segue na conquista de novos mercados

A farinha de Bragança, que conquistou o selo de indicação geográfica, é um produto tradicional fabricado com técnicas centenárias, exclusivamente, por agricultores familiares da região bragantina conforme explicou o presidente da Cooperativa Mista dos Agricultores Familiares dos Caetés (Coomac) Paulo do Carmo. Ele fala que os produtores estão em festa com o reconhecimento e com as possibilidades de mercado, renda e melhoria da qualidade de vida que e selo pode propiciar. “A partir de agora, o consumidor terá a certeza da origem do produto e o agricultor o reconhecimento de seu trabalho”, comemora o presidente da Coomac.

O momento de festa também traz grandes reflexões e desafios, enfatiza Paulo do Carmo, pois a cultura da mandioca na região ainda carece de políticas públicas e tecnologias para garantir o aumento da produtividade e segurança alimentar, para assim, levar a farinha d’água bragantina ao mundo e trazer com isso desenvolvimento e qualidade de vida aos agricultores e a toda região. “O selo vai nos dar mais força para buscar junto aos órgãos municipais, estaduais e federais o acesso às tecnologias e melhorias para toda a cadeia de produção desde o plantio da mandioca a comercialização da farinha”, analisa.

Tecnologias de baixo custo são aliadas na produtividade

Adriano Venturieri, chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, afirma que selo de indicação geográfica concedido a farinha de Bragança é mais uma merecida vitória da agricultura familiar paraense. Ele lembra que o Pará é o maior produtor de mandioca do Brasil, mas a produtividade da raiz por hectare ainda está muito abaixo do potencial do tubérculo. “Tecnologias simples e de baixo custo, elaboradas pela Embrapa, podem impulsionar a produtividade da mandioca e auxiliar a farinha de Bragança a chegar ainda mais longe, produzindo mais, melhor e refletindo em desenvolvimento regional”, defende o gestor. E complementa que a Embrapa está aberta a parcerias com as prefeituras, cooperativas e demais órgãos para implementar as tecnologias na região.

A notícia também foi comemorada pelo pesquisador da Embrapa Raimundo Brabo, referência na cultura da mandioca no estado. Ele relembra a farinha lavada de Bragança, uma das farinhas que integram a categoria das farinhas d’água que estão contempladas no IG, ganhou um capítulo inteiro no livro “Mandioca: agregação de valor e rentabilidade de negócios”, lançado pela Embrapa em 2019.

Intitulado “Rentabilidade da produção da farinha lavada de Bragança – estudo de caso”, o artigo assinado pelo especialista também defendia a conquista do IG, além de trazer o levantamento detalhado das etapas de produção custos e possibilidades de rentabilidade do produto.

O cientista explica ainda que são as muitas as contribuições da Embrapa para a cultura e cita entre elas, o Trio da Produtividade e o Sistema Bragantino. “Ambas as tecnologias são de baixo custo, fácil adoção pelos agricultores e podem em pouco tempo, duplicar a produtividade da raiz na região e com isso, contribuir com a produção da melhor farinha do Pará”, garante Brabo.

Conheça mais sobre as tecnologias:

Trio da Produtividade: é um conjunto de boas práticas que possibilita colher mais e melhor em diferentes regiões do Brasil. As técnicas consistem basicamente na seleção de manivas-sementes, plantio em espaçamento de 1m x 1m e capina manual durante cinco meses após o plantio da mandioca. A inovação, tendo como base a simples adoção de tecnologias de processo, pode dobrar a produtividade dos plantios de mandioca sem aumentar o custo do produtor.

Sistema Bragantino: é uma técnica de cultivo, em rotação e consórcio, das culturas de milho ou arroz, de mandioca e feijão-caupi, com uso de técnicas de plantio direto, podendo ser aplicada tanto em propriedades familiares, como na agricultura empresarial, tendo como “ponto de partida” a recuperação da fertilidade do solo. Garante produtividade, diversidade na produção e segurança alimentar.

Fonte: Embrapa Amazônia Ocidental

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